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Na onda de tentar cobrir todos os aspectos possíveis da pendenga entre o Google e a China, o Financial Times produziu uma matéria que contém afirmativas curiosas.  Por exemplo, procurando explicar a singularidade da internet chinesa, a matéria diz o seguinte:

Google itself took years to find out that Baidu – its Chinese rival, which has more than 60 per cent of the domestic market in online search – offered a search box formatted in a way much better suited to Chinese characters than its own. The US company was also slow to tackle one of Baidu’s main strengths in attracting user traffic: its free music download service. Only last year did Google launch an equivalent.

OK, isso é algo que eu posso admitir.  A língua escrita realmente é um problema devido aos caracteres chineses.

One reason for these difficulties is that US companies took a long time to realise that Chinese people use the web differently from their counterparts in other markets. Simply put, they tend to roam the web like a huge playground, whereas Europeans and Americans are more likely to use it as a gigantic library. Recent research by the McKinsey consultancy suggests Chinese users spend most of their time online on entertainment while their European peers are much more focused on work.”

Financial Times, Brasil.  Brasil, Financial Times.

Sério, isso não deveria ser um problema para ninguém, a internet é plástica a ponto de admitir todos os tipos de usos, e o Brasil, onde os internautas têm comportamento similar, não é um problema para as empresas estrangeiras, não é mesmo?

Behind this difference is the fact that Chinese internet users are comparatively young, poor and less educated – a result of the fact that the country is moving online at the same rapid pace as it is expanding its economy. According to China Internet Network Information Center, 61.5 per cent of users are below the age of 29, and only 12.1 per cent have a university degree or higher. Some 42.5 per cent have a monthly income of Rmb1,000 ($146, €102, £89) or less. As the government is encouraging rural computer and handset sales, and mobile operators move beyond saturated urban markets in search of new subscribers, even larger numbers of low-income users are expected to join in the years ahead.”

Financial Times, Brasil.  Brasil, Financial Times.

Beyond aesthetics, Chinese web users are much more lively than their western peers – a characteristic that forms consumption preferences. “The amount of comments posted per user in China is double that of other geographies,” says Dan Harple of GyPSii, a mobile social networking application that allows users to post recommended places and events, and comment on them. One Chinese GyPSii user posted 300 places and 7,000 comments within a few months.

Financial Times, Orkut Brasil.  Brasil, Financial Times.

O que está havendo com o jornalismo de negócios?

Mira:

Pilot diverts jet over teen’s in-flight prayer

PHILADELPHIA – A Jewish teen trying to pray on a New York-to-Kentucky flight caused a scare when he pulled out a set of small black boxes containing holy scrolls, leading the captain to divert the flight to Philadelphia, where the commuter plane was greeted by police, bomb-sniffing dogs and federal agents.” [grifo meu]

Bem ao ponto, duas matérias interessantes na Economist.

A primeira versa sob o legado de Osama Bin Laden para os EUA:

The [security]  system is geared towards keeping out a tiny number of terrorists. Fair enough—such people should indeed be kept out. But there should be a trade-off. An immigration official lives in fear of admitting the next Mohammed Atta, but there is no penalty for excluding the next Einstein, or for humiliating tourists who subsequently summer in France. Osama bin Laden has arguably inflicted more harm on America indirectly than directly. To stop his acolytes from striking again, the government has made entering America far more difficult and degrading than it need be.”

É claro que este não é um argumento que persuada o wingnut next door, mas pense bem:

This has slowed the influx of foreign brains. In 2001, 28% of students who studied abroad did so at American universities. By 2008 that figure had shrunk to 21%, though since the absolute number of globally mobile students grew by 50% over that period, the absolute number in America has flattened, not fallen. Does this matter? Well, foreigners and immigrants make up more than half of the scientific researchers in the United States, notes Edward Alden, the author of a fine book called “The Closing of the American Border”. Among postdoctoral students doing top-level research, 60% are foreign-born. Boffins flock to America because its universities are the best, but the ordeal of getting a visa prompts many to take their ideas elsewhere.”

Pra quem não percebeu, há ali um interessante  trocadilho entre “Closing of the American Border” e “Closing of the American Mind“, ok?

E, por falar nisso, a outra matéria da Economist fala sobre os custos crescentes do controle da imigração nos EUA. Uma imagem fala por si:

(clique para ampliar)

America, plantando as sementes de sua própria destruição desde 1980.

Tem uma matéria do Sergio Leo no Valor de hoje sobre as turras entre EUA e Brasil por causa do Haiti.  O tom é conciliador:

BRASÍLIA – ” Lula, you call me ” (Lula, me ligue), pediu o presidente do EUA, Barack Obama, ao despedir-se do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no telefonema de cerca de quinze minutos que tiveram ontem, para coordenar as ações das equipes brasileiras e americanas no Haiti. Ficou estabelecida uma linha direta informal entre os dois governos, para evitar que desentendimentos entre as equipes no trabalho de segurança e assistência humanitária atrapalhem a intenção das autoridades dos dois países de mostrar a ação no Haiti como um exemplo de ação positiva de ação conjunta na região.

(…)

O telefone serviu para apagar o desconforto provocado por incidentes como a demora na liberação de pouso para aviões brasileiros no Haiti, na semana passada, e as recentes declarações do comandante das tropas dos EUA no Haiti, general Ken Keen, a um programa de TV, na qual o militar americano disse que o Comando Sul dos EUA cuidaria da segurança no Haiti, ” um componente crítico ” . Manter a segurança e paz no Haiti é um mandato da Minustah.”

Meu problema é com este trecho onde se mostra a opinião da diplomacia brasileira:

Obama ouviu outra preocupação brasileira: contra as avaliações de que não há mais Estado no Haiti, o Brasil defende que as ações de socorro à população e de reconstrução sejam realizadas com a participação do presidente haitiano, René Préval. Há um Estado muito fraco no Haiti, mas isso não pode servir de pretexto para ignorar os esforços de construção de instituições, abalado pelo terremoto, argumentam os auxiliares de Lula.”

Que me perdoem os diplomatas, mas hoje já faz mais de uma semana que tem gente sem casa, sem comida e possivelmente sem água potável no Haiti.  Tudo tem seu tempo, mas seguramente agora não é hora de construir instituições, e sim abrigos.

Tio Rei tem um post esculhambando com Mark Weisbrot, doutor em economia pela Universidade de Michigan, e diretor de um tal Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, que escreve um artigo de opinião hoje na Folha.

Selecionei esta parte do “vermelho e preto” do Tio Rei que considero exemplar e que deve ser sempre lembrada àqueles que insistem em tecer loas aos poderes analíticos de Reinaldo Azevedo:

A política dos EUA ao longo dos anos também ajudou a destruir a agricultura haitiana, por exemplo, ao forçar a importação de arroz americano subsidiado e eliminar milhares de plantadores de arroz haitianos.

Isso já é delírio psicopata.

O primeiro governo democrático de Aristide foi derrubado após apenas sete meses, em 1991, por oficiais militares e esquadrões da morte que, mais tarde, se descobriu estarem a soldo da Agência Central de Inteligência dos EUA. Agora Aristide quer retornar a seu país, algo que a maioria dos haitianos reivindica desde sua derrubada.

É mentira! É pura tese conspiratória. É uma invencionice estúpida essa história de que a CIA derrubou o Santo Ariste.

Vou arrolar em uma só frase o cerne do argumento do Reinaldo: “delírio psicopata mentira conspiratória invencionice estúpida“.

Ele já nem sequer se preocupa em demonstrar o que diz.

Só vejo coisas assim em sermões de igrejas, hoje em dia.  Reinaldo Azevedo é hoje menos que um advogado de interesses escusos:  tornou-se apenas um pregador.

O emburrecimento estimulado pela direita americana pode trazer as sementes de sua própria destruição:

Darpa: U.S. Geek Shortage Is National Security Risk

Sure, we’re all plugged in and online 24/7. But fewer American kids are growing up to be bona fide computer geeks. And that poses a serious security risk for the country, according to the Defense Department.

The Pentagon’s far-out research arm Darpa is soliciting proposals for initiatives that would attract teens to careers in science, technology, engineering and math (STEM), with an emphasis on computing. According to the Computer Research Association, computer science enrollment dropped 43 percent between 2003 and 2006.

Darpa’s worried that America’s “ability to compete in the increasingly internationalized stage will be hindered without college graduates with the ability to understand and innovate cutting edge technologies in the decades to come…. Finding the right people with increasingly specialized talent is becoming more difficult and will continue to add risk to a wide range of DoD [Department of Defense] systems that include software development.”

(…)

Now, Darpa’s now hoping someone, somewhere, can come up with a way to make future philosophy majors change course. And they want to get ‘em while they’re young: Darpa insists that programs be “targeted to middle and high school students, and include methods “to maintain a positive, long-term presence in a student’s education. (…)

Novos desdobramentos.

Um problema com a enorme mobilização norte-americana no Haiti é que há uma cacofonia de lideranças.  A maior parte do esforço logístico e de pessoal está sendo feito pelo Departamento de Defesa, mas a missão humanitária propriamente dita (dentro do esforço dos EUA, bem entendido) é tarefa da USAID, informa o site Information Distribution:

Lt. Gen. P. K. Keen is leading Joint Task Force – Haiti from Port-au-Prince, but who is in charge of the entire US humanitarian effort in Haiti? USAID, not the DoD, is the lead agency. The humanitarian effort isn’t even a primary DoD role in Haiti, and security was expected to be the role of the UN although I believe the US has been factoring into planning the DoD would play some role there. Will the DoD also find mission creep with the humanitarian relief aspect as well? The US government has not answered US media questions why NGOs and DoD are so uncoordinated in Haiti, and on the ground in Haiti, who would even be the person responsible for answering that question?

Agora me digam que alguém no Pentágano está disposto a delegar ou mesmo compartilhar o controle de suas tropas com uma agência civil, mesmo que norte-americana.

Quem me responder isso também poderá cogitar de me responder se o Pentágano cogita de delegar ou compartilhar o controle de suas tropas com a missão das Nações Unidas, a propósito.  Seria interessante ver um general brasileiro no comando de tropas norte-americanas.   Pelo menos nossas Forças Armadas aprenderiam que efetivamente elas têm muito mais o que fazer do que se preocupar com o PNDH 3, se quiserem ser dignas do nome que têm.

E há um problema mais amplo: do mesmo modo que o Exército brasileiro não é o instrumento ideal para o policiamento urbano no Brasil, o Exército americano não é o instrumento ideal para exercer funções humanitárias.  Matéria no Guardian dá uma pala:

Haiti: We’re not here to fight, US troops insist

The US paratrooper had a simple message for the people of Haiti. He said: ‘I don’t plan on firing a single shot’

The US paratrooper had a simple message for the people of Haiti. Dressed in khaki, carrying an assault rifle and with the iconic sight of Black Hawk helicopters taking off behind him, he said: “I don’t plan on firing a single shot while I’m here. I’ve been in Iraq three times and I’ve done enough of that.”

The paratrooper was part of the 82nd airborne division from Fort Bragg, North Carolina, a toughened crew of battle-ready fighters accustomed to forming the front- line in many American war efforts.

Comforting.

Uma razão óbvia para a maciça presença militar norte-americana é a Síndrome do Vietnã, isto é, a preocupação em evitar ao máximo baixas entre os militares _ o que pode ser facilitado se você tiver um grande número deles, pelo menos no cenário haitiano.  Uma outra razão pode ser a que se pode entrever nesta declaração de Janet Napolitano, a chefa do Homeland Security, em outra matéria do Guardian:

The homeland security secretary, Janet Napolitano, appealed to Haitians to remain at home.

“Please: If any Haitians are watching, there may be an impulse to leave the island and to come here,” she said. “This is a very dangerous crossing. Lives are lost every time people try to make this crossing. Please do not have us divert our necessary rescue and relief efforts that are going into Haiti by trying to leave at this point.”

Revealing.

***

Pouca gente talvez tenha atinado para o seguinte: dado que o Estado haitiano, se estava em construção, praticamente desapareceu, e que o conjunto de forças americanas já mobilizadas supera em muito a própria Minustah, fica a impressão de que os EUA abrem um terceiro teatro de “state building” sob suas asas, além do Iraque e do Afeganistão _ dois empreendimentos que já não vão muito bem por si só.   Agregue a isso um “pior cenário” onde os EUA se vejam forçados a ter que manter a ordem em um Paquistão colapsado e em um hipotético Irã “pós-intervenção”, e veremos facilmente um pesadelo operacional para as forças armadas americanas.  Difícil imaginar o país dando conta disso sem o draft.  Difícil acreditar nisso sem uma Sarah Pallin cruzando o Rubicão.  Ou alternativamente os “teabaggers” tomando a Casa Branca e inaugurando uma nova era de isolacionismo.

Claro que isso pode ser um exagero.  Fontes credenciadas imaginam que a situação no Haiti ainda vai piorar antes de melhorar, mas é perfeitamente possível que depois que ela melhore os EUA repassem o controle da situação para as Nações Unidas novamente.  Tudo depende, é claro, de como os americanos lidarão com a situação _ uma coisa que pouca gente sabe é que os EUA já ocuparam o Haiti por cerca de 20 anos no início do século passado que se constituiu por si só em um fracasso da tentativa de “state building”.  Há memórias disso no Haiti de hoje?  Talvez, nos mostra a matéria do Guardian:

The Haitian in whose house in Port-au-Prince we are staying – a prominent businessman and generally very pro-America – keeps a cherished machete on his wall. It was used, he explained to me one night, by his grandfather to attack US soldiers during the 1915-1934 American occupation of his country.”

De toda forma, a própria situação geográfica, econômica e populacional do Haiti sugere que mesmo no pior caso o país não conseguiria se transformar em um inferno para os ocupantes militares americanos como o Iraque ou o Afeganistão.

Exceto, é claro, pelo fator vodu.  🙂

Alguns pensamentos esparsos sobre a situação no Haiti:

Prevejo a possibilidade de que o Brasil _ principalmente os militares e o Itamaraty _ reaja mal ao esforço norte-americano no Haiti.

A resposta norte-americana promete ser massiva, e, diante da capacidade relativa entre os EUA e a ONU _ para não falar do Brasil _ promete apequenar nossa atuação lá.  No caso, para o bem do povo haitiano, penso.

O que importa é ter em mente que esta resposta não tem nada a ver com o Brasil diretamente.  Ela é uma necessidade política decorrente de alguns fatos:

a) é importante para os EUA e principalmente para Obama mostrar que sua atuação no ultramar não consiste inteiramente no despejo de bombas sobre lugares exóticos.  Como, diferentemente do Iraque e do Afeganistão, no Haiti o desastre teve causas naturais, este é o palco ideal para a administração democrata mostrar sua versão do que é um state-building digno desse nome.

b) um dos mais bem orçamentados programas da guarda costeira norte americana, adivinhem, diz respeito a evitar que boat people do Haiti deixem a ilha para chegar aos EUA _ ilegalmente, é claro.  Parece que milhares fazem isso todo ano.  Por este motivo é que um cutter da guarda costeira foi a primeira embarcação estrangeira a chegar a Port au Prince horas depois do desastre _ porque ele já estava por lá.  Agora, se essa imigração atinge esta magnitude em tempos normais, imagine em tempos de catástrofe.

c) disputa geoestratégica.  Brasil e EUA não são o único jogador neste tabuleiro.

***

UPDATE:

Eu te disse, eu te disse

“The uninteded consequences of your First Amendement.”

A verdade é a seguinte: o diabo não gosta dos franceses.

Veja Waterloo _ tá na cara que os ingleses e prussianos fizeram um acordo com o Coxo para acabar com Napoleão.

Resultado?  A Alemanha teve Hitler e os ingleses, além da torta de rim, tiveram que encarar Margareth Tatcher…

***

E, falando no Diabo

Wall Street mobilizou-se fortemente para ajudar os haitianos. O Citigroup vai doar US$ 2 milhões, e o JP Morgan Chase, Morgan Stanley e o Bank of America, US$ 1 milhão cada um. (…)

MasterCard, Visa e American Express eliminaram as taxas de transação em doações feitas para grandes entidades de caridade, feitas com cartão de crédito. A decisão foi tomada após as administradoras serem criticadas por cobrar até 3% em cada operação de caridade feita por cartão de crédito – o que as leva a ganhar US$ 250 milhões por ano em cima das doações.

Podem avisar ao Pat Robertson que ele se arrependeu do que fez.  🙂

(clique para ampliar)

Inauguraram esta semana o prédio mais alto do mundo: o Burj Dubai (ou Torre Dubai em português, recentemente renomeado Torre Khalifa).

Trata-se de um filho tardio da bolha imobiliária.   Significativamente, está situado no mesmo país que agora há pouco ensaiou dar um tiro na recuperação da economia mundial.

Procurando pelo bicho, deparei-me com um modelo que mostra a total dimensão do complexo imobiliário que se pretende construir no arenoso país.

O Emir que comanda o local pretende completar a transformação de Dubai em um grande centro financeiro e turístico, movimento que pôs em curso há alguns anos já antevendo o fim da riqueza petrolífera do país (de fato, diz a Wikipedia que o petróleo já é responsável por apenas 6% das receitas de Dubai _ o que já pode ser um sintoma).

Claro que isso foi uma boa idéia, mas também me parece a receita para uma bolha, principalmente dado o prazo relativamente exíguo para a consecução dessa transformação.

Acabo de ouvir, no Jornal Nacional, que uma das providências que os EUA planejam exigir das empresas aéreas em vista do recente atentado a um avião que ia de Amsterdam para Detroit é proibir que os passageiros entrem no banheiro da aeronave a partir do momento em que faltar 1 hora para a aterrisagem.

Em minha opinião isso revela algumas coisas interessantes:

a) o reconhecimento tácito de que o tipo de explosivo usado pelo nigeriano, bem como a técnica de ignição, é indetectável pelo raio-X dos aeroportos;

b) que, em vista disso, as autoridades anti-terror seguirão uma política de reduzir o possível custo em vidas de um ataque, procurando limitar a perda em vidas apenas ao número de passageiros e tripulantes do avião, minorando as possíveis baixas advindas da queda de uma aeronave de grande porte sobre uma área densamente povoada.

***

Ou seja, a guerra ao terror vai bem, obrigado.  E se você, passageiro que não tem nada a ver com isso, está se borrando de medo, saiba que vai ficar pelo menos uma hora borrado.

Deu no Globo:

Cantora Sinead O’Connor exige renúncia de Bento 16

DUBLIN – A cantora Sinead O’Connor pediu na sexta-feira que o papa Bento 16 renuncie por causa de um relatório do governo irlandês acusando os líderes da Igreja de acobertarem o abuso sexual de crianças por 30 anos.

O Vaticano divulgou um comunicado na sexta-feira dizendo que o papa se sentiu “traído, envergonhado e ultrajado” por causa do escândalo e iria escrever ao povo irlandês sobre o abuso sexual.

Mas Sinead, que certa vez irritou católicos ao rasgar uma foto de João Paulo 2º ao vivo na televisão, disse em uma carta publicada em um jornal britânico que o papa se manteve em silêncio por tempo demais sobre o abuso sexual infantil.

– Eu exijo que o papa renuncie por seu silêncio desprezível sobre a questão e seus atos de não cooperação com o inquérito – escreveu O’Connor em uma carta ao jornal “The Independent”, publicada antes de uma reunião entre líderes da igreja irlandesa e o papa no Vaticano.

– Os papas não tiveram problemas em dar suas opiniões quando quisemos pílulas anticoncepcionais ou o divórcio – disse Sinead.

– Não tiveram problema em criticar o Código Da Vinci. Nenhum problema em criticar Naomi Campbell por usar uma cruz adornada com joias. Mas quando se trata dos males feitos por pedófilos vestidos de padres, eles ficam em silêncio. É grotesco, inacreditável, bizarro e inédito. Eles não defendem nada além do mau.”

***

A Sinead só pode estar se promovendo, porque, quanto à prevaricação da ICAR nessa matéria da pedofilia sacerdotal, todo mundo já está careca de saber disso.

Marcos Guterman escreve o seguinte no Estadão:

Hillary, enfim, põe tudo em pratos limpos

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, pediu aos países da América Latina que “pensem duas vezes” antes de se aproximar do Irã. Trata-se da mais veemente e clara advertência do governo Obama sobre a questão, até agora tratada com calculado distanciamento por Washington.

Nas contas da Casa Branca, parece ter ficado claro que os erros da política externa brasileira, ao dar tratamento vip ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, abriu uma inesperada e indesejada brecha para que Teerã respire – justamente no momento em que a comunidade internacional está sendo desafiada pelos aiatolás e seu projeto nuclear.

Hillary, então, resolveu colocar a questão em pratos limpos. O Brasil, com seu peso excepcional na região e sua influência crescente, já não pode mais se comportar como um país periférico. Seu status atual demanda que Brasília se posicione a respeito dos grandes temas internacionais, e um dos mais importantes no momento é o que envolve o Irã. “Neutralidade” não é saudável nesse caso, porque mina os esforços concertados da ONU e das grandes potências mundiais para fazer com que o Irã coopere. Pior: dá ao Irã o oxigênio de que precisa para continuar a desafiar o mundo.

E Tio Rei faz coro:

A VERDADE

A política externa brasileira já está sendo desmoralizada nos lugares que contam. “Nossa! Reinaldo diz isso no dia em que o El País anuncia Lula como ‘personagem do ano’!” Pois é. Digo. Dois fatos expuseram os erros de Celso Amorim — e de seu chefe — de modo evidente, inquestionável: o comportamento na crise hondurenha, de notável tacanhice ideológica, e a visita de Ahmadinejad ao Brasil. O país passou a ser visto, em muitos círculos, mais como um provocador do que como um interlocutor (já volto a Amorim para tratar de sua nova pantomima em Tegucigalpa).

Lembram-se do que diziam os porta-vozes de Amorim na imprensa? A aproximação com o Irã fazia parte da crescente importância do Brasil no mundo. Uma delas, tadinha, vendendo o peixe podre conforme o havia comprado do Megalonanico, chegou a dizer que onde parecia haver contradição entre o Brasil e EUA, havia combinação. Não havia. Nunca houve.

Hillary deixou isso claro.”

***

Bom, duas coisas:

1) Se Celso Amorim não é um completo idiota _ e eu não acho que ele seja _ então o convite ao Presidente do Irã para vir ao Brasil demonstra claramente que a diplomacia brasileira não coloca tanta importância assim no objetivo de conseguir uma vaga no Conselho de Segurança da ONU.  E isso é bom, eu acho.

2) Li em algum lugar _ acho que foi no Drezner, mas não consigo recuperar o post _ que a China tem um comportamento peculiar em política externa.  O país almeja, de fato, ser um global player hegemônico.   Mas tem total consciência de suas atuais limitações econômicas e militares para conseguir desempenhar tal papel em curto prazo.  Daí que o objetivo máximo da diplomacia chinesa seja: não ficar no caminho dos EUA.

Então é o seguinte:

Não dá pra entender o texto do Guterman senão segundo a chave de que “erro da política externa brasileira” é tudo aquilo que for um erro segundo o ponto de vista de Washington.  O que é engraçado, porque, se alguém se der ao trabalho de olhar a página do CIA Factbook sobre o Irã, verá quais são seus maiores parceiros comerciais:

Exportadores de bens e serviços para o Irã:

UAE 19.3%, China 13%, Germany 9.2%, South Korea 7%, Italy 5.1%, France 4.3%, Russia 4.2% (2008)

Importadores de produtos e serviços iranianos:

China 15.3%, Japan 14.3%, India 10.4%, South Korea 6.4%, Turkey 6.4%, Italy 4.5% (2008)

Grifei ali alguns sólidos aliados dos EUA, inclusive participantes da OTAN.

Também não deixa de ser curioso ver Tio Rei basear sua censura à política externa brasileira na opinião de um governo que ele, afinal, despreza.

E francamente, por menos simpatia que eu tenha quanto ao governo islâmico do Irã, também não consigo ver a tentativa daquele país de dominar a tecnologia nuclear senão como uma forma de EQUILIBRAR o jogo de forças na região, já que o Irã tem vários vizinhos próximos dotados de armas nucleares _ Paquistão, India, China, Rússia e Israel.

***

Às vezes certos atos de política externa são, de fato, dirigidos ao público interno.  No caso da recepção ao líder iraniano, não consigo vislumbrar facilmente uma tal conexão.  É bem verdade, por outro lado, que jamais vi qualquer pesquisa sobre o reflexo de questões internacionais junto à opinião pública doméstica brasileira.  Quero crer, porém, que dada a falta de tradição do país com estas questões, que estes impactos sejam quase desprezíveis.  Acredito que a Copa do Mundo e a Olimpíada sejam mais importantes para a percepção da performance nacional para nosso eleitorado.

O que leva à pergunta, a que objetivo serve mesmo esse “statement” da nossa diplomacia?  Embora eu ache a condenação ocidental ao Irã bastante equivocada e majoritariamente decidida pela questão israelense (e pelo poderoso lobby desse país junto aos centros decisórios ocidentais), me parece que o Brasil está longe de se beneficiar de qualquer maneira com essa aproximação ou “vindicação” do tema iraniano.   A resposta mais óbvia, que é a afirmação de um mundo multipolar e não uni ou bipolar, precisaria de muito mais vitamina para ser exercida do que a mera boa vontade do mundo para com a figura do nosso Presidente.

Nesse particular _ a menos que eu não esteja vendo alguma coisa que eles vêem _ me parece que o Brasil faria bem melhor em emular a postura chinesa.

O Ministério da Defesa britânico acaba de desmantelar seu departamento que cuidava de UFO´s, inclusive o 0800 para comunicar avistamentos.

As suspeitas recaem sobre Gordon Brown.

Deu no Estadão:

Lobo comemora vitória em Honduras

Processo eleitoral teve apoio de países como Estados Unidos, Alemanha e França

TEGUCIGALPA – O candidato conservador de oposição Porfirio Lobo ganhou com facilidade no domingo, 29, as eleições em Honduras. Lobo, um rico proprietário de terra, obteve mais de 61,86% dos votos em mais de 62% do que foi contabilizado pelo Supremo Tribunal Eleitoral hondurenho. Porfirio Lobo já se declarou vencedor e prometeu unidade nacional.”

***

Raras vezes uma manchete do Estadão fez tanto sentido.

Agita a internet a história da foto da Michelle Obama alterada para parecer um macaco.

Fair game.  Afinal, gente inescrupulosa fazia isso com Bush o tempo todo.  E nem precisavam de photoshop:

Segundo Kieran Healy do Crooked Timber, eis um gráfico que apareceu recentemente na Fox News ilustrando uma pesquisa feita com eleitores do Partido Republicano dos EUA:

Dá até pra imaginar como isso pode ter acontecido, mas não deixa de ser engraçado.

Essa notícia me deixou besta:

India English growth ‘too slow’

India is falling behind countries such as China in its attempts to increase the use of English among its population, a new report says.

The study by the British Council says a “huge shortage” of teachers and quality institutions is hampering India despite a growing demand for English skills.

The study says China may now have more people who speak English than India.

India’s emergence as a major software and IT hub has in part been possible due to its English-educated workers.

‘Poor English’

The study, English Next India, by British author David Gradoll says English is a “casualty of wider problems in Indian education”.

It says: “The rate of improvement in the English language skills of the Indian population is at present too slow to prevent India from falling behind other countries which have implemented the teaching of English in primary schools sooner, and more successfully.

“China may already have more people who speak English than India.”

The report says India will need many more people speaking English to sustain its economic growth.

Increasing demand for English language schools, a rising number of jobs which require English skills as well as growing social mobility are driving demand for English in India, the study says.

But the spread of the language, according to the report, is being hindered by a shortage of English language teaching in schools.

The report says Indian universities fall far short of rival countries in the quality of teaching and research, and “poor English is one of the causes”.

Also, the report adds, it is “impossible” to improve standards of English without addressing the problem of “very low levels of academic achievement” of students studying in government and private schools.

The study says a range of approaches is required to improve English proficiency in India, and no single method will help.

English has been spoken in India from the days of colonial rule, but there are no precise estimates on how many Indians speak, read and write English.

One estimate suggests 333 million people in India “use English”, but India’s National Knowledge Commission says “even now, no more than 1% of our people use English as a second language, let alone a first language“. [grifo meu]

***

Quer dizer que na maior jóia do Império, que herdou um sistema educacional britânico, o ensino do inglês está menos disseminado do que na China?   O país que travou com Albion a Guerra dos Boxers?

Impressionante, eu digo.

Deu no UOL:

Um juiz federal dos Estados Unidos considerou que a negligência do Corpo de Engenheiros do Exército provocou parte da grande inundação que atingiu a cidade americana de Nova Orleans logo após a passagem do furacão Katrina, em 2005.

O magistrado emitiu o seu veredicto em um processo que foi movido por seis moradores e uma empresa da cidade contra a divisão do Exército americano, e determinou que o governo americano pague a eles uma indenização de US$ 720 mil (cerca de R$ 1,2 milhão).

Segundo o juiz Stanwood Duval, a falta de manutenção de um grande canal de navegação pelo Corpo de Engenheiros do Exército provocou as enchentes em parte da cidade depois da passagem do furacão.

Esta divisão do Exército era responsável pela manutenção do sistema de canais e aterros que protege Nova Orleans de inundações.”

***

Pena que parou por aí: a sanção devia chegar ao Comandante Supremo das Forças Armadas à época, GW Bush.

norad20war20room

Ops!

Bom, se a moda pega

Original Post | 4:07 p.m. Seven people have been killed and twelve wounded in a mass shooting at the Army base at Fort Hood, Texas, on Thursday, according to Lt. Col. Nathan Banks, an Army spokesman. Lt. Col. Nathan Banks told my colleague David Stout that the shootings started at about 1:30 p.m. Eastern Time and that the base has been locked down. He added that one person is in custody but there is believed to be at least one more gunman still at large.”

Espero que nada assim aconteça no NORAD…

Deu na Folha, alguns dias atrás (reportagem de Flávia Marreiro):

Chávez é motivo para ter base na Colômbia, afirma Pentágono

Ao assinar o acordo militar com a Colômbia e garantir o uso da base área de Palanquero, no centro do país, o governo dos EUA considera ter aproveitado uma “oportunidade única” de obter “acesso e presença regional a custo mínimo” numa área sob ameaças constantes, entre elas as vindas de “governos antiamericanos” como o do venezuelano Hugo Chávez.

O argumento acima consta do documento do Pentágono submetido ao Congresso americano para justificar o Orçamento militar do país no ano fiscal de 2010. O texto, sancionado recentemente pelo presidente Barack Obama, inclui verba de US$ 46 milhões a ser aplicada em Palanquero.

O documento solapa a retórica de Washington e Bogotá, que repetem o mantra de que o pacto militar assinado na sexta-feira –que permitirá aos EUA usar outras seis instalações além de Palanquero– visa atacar só problemas domésticos colombianos, e dá combustível às reclamações de Chávez, que vê no trato uma ameaça a seu país. Tudo isso num momento em que a tensão entre Bogotá e Caracas volta a crescer por conta de incidentes na divisa cada vez mais violenta.

O teor do acordo militar não foi divulgado –a Colômbia promete fazê-lo nesta semana. Só Chávez e Evo Morales (Bolívia) reclamaram de sua consumação. O governo Lula, que cobra “garantias” de Washington e Bogotá, não se pronunciou.

Em entrevista ao jornal colombiano “El Tiempo”, o embaixador americano em Bogotá, William Brownfield, disse que seu governo já deu garantias aos países da região de que o acordo não permite operações conjuntas fora da Colômbia. “Posso dizer que o acordo diz [isso] claramente no artigo 4º, parágrafo 3º.”

No entanto, na avaliação do Conselho de Estado, o órgão jurídico consultivo máximo colombiano, o texto é frouxo e deixa decisões importantes para acertos posteriores, além de ser “desequilibrado” a favor de Washington e potencialmente violador da soberania do país.

Resposta a crises

O documento do Pentágono submetido ao Congresso diz que Palanquero é “inquestionavelmente” o melhor lugar “para conduzir um completo espectro de operações pela América do Sul” –a importância da base já havia aparecido em documento da Força Aérea, que a inclui no esquema global de rotas para transporte estratégico global de carga e pessoal.

Afirma que o investimento na base vai “melhorar a capacidade dos EUA de responder rapidamente a crises, assegurando acesso e presença regional com custo mínimo”. Contribuirá também para “expandir capacidade de guerra aérea”, inteligência e monitoramento.” [grifo meu]

***

Uma olhada em um mapa-múndi gera imediatamente o seguinte quesitonamento:  para quem vem da América do Norte, a América do Sul seria importante no “esquema global de rotas para transporte estratégico global de carga e pessoal” _ para ir aonde mesmo???

***

Se continuar honrando tantos “compromissos” (Pentágono, banca, etc.), Obama e os democratas vão mesmo continuar perdendo eleição atrás de eleição.

E por falar em imperialismo…do site África 21:

Uma delegação angolana, integrada por governantes e técnicos de distintas áreas, prepara a participação de Angola na IV reunião ministerial do Fórum de Cooperação Sino-Africano (Fofac) a ter lugar de 08 a 09 do presente mês em Sharl el Sheik, no Egipto.

O evento será antecedido pela 7ª reunião de altos funcionários dos ministérios dos Negócios Estrangeiros dos países africanos e da China, que terá lugar entre os dias 06 e 07.

Neste encontro, as delegações dos distintos países africanos e da China irão analisar o cumprimento das decisões saídas da III reunião do fórum, que teve lugar em Beijing, capital deste país asiático, e perspectivar as acções neste domínio para os próximos três anos.

Na IV reunião ministerial do Fórum de Cooperação Sino-Africano, em que se prevê a presença de delegações dos 49 países africanos com quem a China mantém relações, estarão em análise temas como agricultura, segurança alimentar e infra-estruturas.

O IV encontro tem como lema “Aprofundamento da nova parceria estratégica sino-africana do tipo novo para promoção do desenvolvimento durável”.

O fórum sino-africano foi criado em 2000, é uma ocasião para que estes estados analisem os caminhos da cooperação mutuamente vantajosa e igualitária, com base na perspectiva das relações Sul-Sul.

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Caixão, meu comandante!

Deu no G1:

A esquerda do Uruguai se afirma como a favorita para se manter no poder por mais cinco anos, disseram analistas políticos e uma nova pesquisa de opinião nesta quarta-feira (21), a quatro dias das eleições gerais no país.

No entanto, o candidato presidencial do partido da situação, Frente Ampla, o ex-guerrilheiro José Mujica, deve ir a segundo turno em novembro contra o ex-líder Luis Alberto Lacalle, do centro-direita Partido Nacional (PN) ou Branco, segundo as pesquisas.”

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…e eu mando um beijo pra minha mãe, meu pai, pra Xuxa e pro Celso Amorim!

Diz o UOL:

A Assembleia Geral da ONU elegeu hoje o Brasil para que ocupe durante o biênio 2010-2011 uma das duas vagas não-permanentes no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CS) reservados à América Latina e ao Caribe.

O Brasil contou com 182 votos de um total de 183 países votantes. Foram também eleitos para o mesmo mandato 2010-2011 a Bósnia e Herzegovina, o Gabão, o Líbano e a Nigéria.

Após sua última passagem em 2004-2005, esta é décima vez em que o Brasil fará parte do principal órgão da ONU, no qual acumula 18 anos de experiência.

O fato de não ter havido concorrência no grupo latino-americano e caribenho, o que já aconteceu quando da escolha do México no ano passado, é visto como um sinal do interesse da região em evitar disputas como a de 2006 entre Venezuela e Guatemala, que levou à realização de 48 votações e foi resolvida apenas com a aparição do Panamá como candidato de consenso.

A escolha do Brasil para a instância mais poderosa da ONU também é observada como um novo passo na consolidação do país como membro de destaque no cenário internacional.”

Isso aqui é interessante:

De acordo com a assessoria de imprensa do Itamaraty, as prioridades do Brasil como membro eleito do Conselho de Segurança incluem a estabilidade no Haiti, a situação na Guiné-Bissau, a paz no Oriente Médio, os esforços em favor do desarmamento, a promoção do respeito ao Direito Internacional Humanitário, a evolução das operações de manutenção da paz e a promoção de um enfoque que articule a defesa da segurança com a promoção do desenvolvimento socioeconômico.”

Enfim, a paz mundial, o congraçamento entre os povos e o fato de que a devemos “olhar juntos para a mesma direção“(*).  Nunca imaginei que a votação para a vaga temporária no CS tivesse tanto a ver com um concurso de miss…  🙂

Do blog do Gideon Rachman no FT:

Chomsky banned in Guantanamo

October 14, 2009 1:05pm

An interesting little item here, on the banning of the works of Noam Chomsky from the prison library at Guantanamo Bay. One has to wonder about the mentality of the Pentagon lawyer, who was trying to obtain a copy of Chomsky for one of the detainees he is representing. Maybe his job at Guantanamo has led him to entertain all sorts of subversive thoughts?

Chomsky predictably interpets the ban on his work as further evidence that the US is slipping towards totalitarianism. But I see it another way. Obama has said that he is banning the use of torture on prisoners at Guantanamo. Subjecting them to the works of Noam Chomsky is clearly incompatible with the torture ban.”

Um detalhe pitoresco da matéria original do Miami Herald:

Library staff have since 2005 described the Harry Potter series as a borrowing bestseller among the mostly devout Muslim population — and shown off translated versions in the stacks that separate Arabic from Urdu, French from Farsi and cover more than a dozen languages.” [grifo meu]

Harry Potter.  Bah.

Vai ver é por causa disso.   🙂

Aqui:

Saudi Arabia is trying to enlist other oil-producing countries to support a provocative idea: If wealthy countries reduce their oil consumption to combat global warming, they should pay compensation to oil producers.”

Como diz o Drezner, então eles vão ter que ficar atrás da China e dos EUA, grandes produtores de carvão, um combustível ainda mais poluente que o petróleo.

Algo me diz que os sheiks terminarão chamando seu petróleo de Toby.

Só falta o Brasil do pré-sal entrar nessa…

Nossas esperanças de reeditar o Reino Unido de Portugal e Algarves podem estar abaladas:

Portugueses exigem retratação de Maitê Proença por piadas

Um vídeo que mostra a atriz Maitê Proença durante uma viagem a Portugal motivou a criação de um abaixo-assinado na internet que exige “um pedido claro de desculpas” da atriz, informa uma reportagem publicada hoje pelo português “Jornal de Notícias”.

A gravação, que foi ao ar em 2007 no programa “Saia Justa”, do GNT, mostra Maitê fazendo piadas durante a visita ao país. Entre outras coisas, ela brinca com uma placa pendurada ao contrário em frente a uma casa e sobre problemas que enfrentou no hotel em que estava hospedada.

“Tive problemas com a internet do hotel e pedi um técnico para arrumar. Mandaram um técnico que não sabia nada de informática. Ele olhava pro meu mouse como se fosse uma capivara”, diz a atriz em um trecho do vídeo (assista abaixo).

“Depois a gente fala de português, que eles são esquisitos. Mas é assim mesmo”, afirma a atriz já no final do vídeo, antes de cuspir em uma fonte.

A reportagem do “Jornal de Notícias” ainda comenta o fato de todas as apresentadoras do programa gargalharem após a exibição do vídeo.

De acordo com a reportagem, o abaixo-assinado pede “um pedido claro de desculpas da atriz ao povo português, seja por escrito, oral, ou em vídeo”.

***

Na matéria do jornal português, Maitê se redime…mais ou menos:

“Não falei mal de Portugal, amo Portugal, os portugueses, tenho amigos e visito o país sempre que dá”, disse a actriz ao JN. “Meus livros são publicados na terrinha e vendem muito bem”, acrescentou.”

Ainda bem que a Maitê não é jornalista.  Senão teria que explicar essa história de “cuspir na fonte”.

***

Isso tudo mostra que a vingança é um prato que se come frio, e com bacalhau.  Afinal o raio do vídeo é de 2007 mas só agora atingiu a honra dos conterrâneos…

Bom, pelo menos levou o prêmio de consolação.  🙂

***

É um Nobel fortemente político, pois é um tanto estranho conceder um prêmio por “his extraordinary efforts to strengthen international diplomacy and cooperation between peoples” a um Presidente que sequer completou um ano de governo.

Fato 1:

O vetusto Foreign Policy publica um elogio desmesurado ao chanceler Celso Amorim.   Sequer vou entrar no mérito de saber se esse elogio é merecido ou não, por enquanto.

Fato 2:

Reinaldo Azevedo se rasga de despeito:

AMORIM, O MAIOR MENOR DESDE O TRATADO DE TORDESILHAS

quinta-feira, 8 de outubro de 2009 | 6:23

“Ah, você viu o que diz o site da Foreign Policy? Celso Amorim é chamado de o ‘maior ministro das Relações Exteriores do mundo’. E agora? O que você vai dizer?”

Petralha adora um reconhecimento “internacional”, não é? Antigamente, “deu no New York Times” era uma forma de as esquerdas fazerem pouco da imprensa imperialista…

É mesmo?  Que provinciano.  Bom, ele finaliza com fecho de ouro:

Quanto à turba… Eu estou me lixando para o que a Foreign Policy diz de Amorim. O New York Times não conseguiu me convencer das qualidades excepcionais de Obama… E acho que estou mais certo a cada dia.

“Você viu o que disse a Foreing Policy???” Ah, tenham piedade! Diante de qualquer publicação estrangeira, petralha parece capiau usando calça nova em dia de quermesse.” [grifo meu]

Hummmm…sei.  Vejamos:

Fato 3:

Entretanto, há menos de um mês, Tio Rei escreveu o seguinte:

EDITORIAL DO WSJ RESPONSABILIZA EUA POR IMPASSE E DEFENDE QUE ZELAYA SE ENTREGUE

quarta-feira, 23 de setembro de 2009 | 18:26

Nem tudo está perdido. Editorial do Wall Street Journal põe as coisas no seu devido lugar. Segue o texto original em azul. O jornal diz o óbvio: dado o quadro, a única solução, que evita a violência, é Zelaya se entregar às autoridades do seu país, para que seja julgado. Vocês verão que o jornal, de fato, atribui aos EUA a responsabilidade pelo impasse. E está certo. Um texto como este do WSJ é quase impossível na grande imprensa brasileira. É que somos muito plurais, entendem?” [grifo meu]

Pois é.  Como é mesmo?  “Diante de qualquer publicação estrangeira, blogueiros anaeróbicos parecem capiaus usando calça nova em dia de quermesse“.

Segue-se a matéria do WSJ, traduzida pelo Tio Rei que na pressa nem percebeu ter escrito o seguinte:

Zelaya e seus seguidores estão agitados. Tomaram a embaixada brasileira e portam coquetéis Molotov. E de lá conclamam: restituição ou morte. Micheletti anunciou o toque de recolher, mas os seguidores de Zelaya resistiram. E Honduras está num impasse.”

Tomaram a embaixada brasileira?  Mas tudo não foi feito com a conivência sinistra de Celso Amorim??

***

Para Tio Rei, o problema não é lamber botas, mas sim lamber as botas certas.   No caso, lamber as botas do jornal que defendeu as maluquices da banca até o último minuto antes da crise deve ter algum appeal.

Tio Rei às vezes me lembra aquela velha piada sobre Churchill que termina assim: “Que você é uma prostituta já concordamos, agora só estamos discutindo o preço“.

RAblogueirodealuguel

Blogueiros anaeróbicos, cuidado!

E depois tem gente que fica brava com as regras publicitárias que a Anvisa quer fazer valer.  Deu no Valor:

EUA endurecem regras para celebridade e blog

Anunciantes e as celebridades que endossam seus produtos serão responsabilizados por quaisquer declarações falsas feitas sobre eles. A medida é parte de uma ação disciplinar que está sendo tomada pelas autoridades reguladoras dos Estados Unidos sobre uma grande variedade de práticas de marketing enganosas.

As novas regras sobre o uso de testemunhos na propaganda, anunciadas ontem pela Federal Trade Commission (FTC), dizem que qualquer pessoa que endossar um produto, seja ela uma celebridade ou um blogueiro, terá de explicitar a compensação que recebeu das companhias anunciantes. A regra vai afetar desde astros do cinema que ganham produtos em troca de endossos a blogueiros.

(…)

Segundo as novas diretrizes, empresas e personalidades serão responsabilizadas por qualquer falso testemunho sobre um produto. Se um blogueiro receber uma amostra de um creme para pele e afirmar, de maneira desonesta, que ele é capaz de curar eczemas, por exemplo, a companhia e o blogueiro poderão ser processados por propaganda falsa. Frases como “os resultados podem variar de pessoa para pessoa” não livrarão as empresas e os garotos-propaganda da responsabilidade. As companhias terão de fornecer resultados médios obtidos por consumidores típicos. As regras valerão a partir de 1º de dezembro.

A FTC explicitou o que não será permitido, mas não forneceu diretrizes claras sobre como fazer declarações adequadas. Richard Cleland, da divisão de práticas de propaganda da FTC, disse que as violações serão avaliadas caso a caso. “Haverá algumas acomodações dependendo do tipo de mídia envolvida”, disse. “Mas se as informações necessárias não puderem ser dadas, então esse tipo de meio de comunicação pode não ser apropriado para propaganda.”

Juan Cole tem um vídeo sobre as instalações nucleares secretas mais perigosas do Oriente Médio:

Leia o resto deste post »

Do CIA Factbook:

After two and a half decades of mostly military rule, a freely elected civilian government came to power in 1982. During the 1980s, Honduras proved a haven for anti-Sandinista contras fighting the Marxist Nicaraguan Government and an ally to Salvadoran Government forces fighting leftist guerrillas.”

Paris Exposition 1900 and Eiffel Tower.1

Foto da Torre com os pavilhões da Exposição Universal

Excelente post no recém-descoberto blog “Sans Everything” sobre a fixação dos filmes de ação em destruírem a Torre Eiffel:

Why are filmmakers so in love with the idea of Eiffel Tower being wrecked? The obvious answer is that action-adventure movies are all about spectacle and there is no better way to show that something big is happening in the world than by blowing up a globally famous tourist site. Aside from the tower, it’s become almost de rigueur in apocalyptic sci-fi movies to show the destruction of the Statue of Liberty, the White House, the Pyramids, the Taj Mahal, and so on.

But aside from the cheap and easy visual punch that comes from such images of landmark devastation, there might be something deeper at work. Oliver Stone once said that as a filmmaker he sees himself as a counterpart to the great builders of old, like those who made the pyramids and the great Asian temples. There is something to that: the landmarks of antiquity, like the movies of today, were designed to be awe-inspiring spectacles. But a counterpart is also a rival: filmmakers are in competition with the spectacles of the past, trying to out do earlier effects. And a rival is always worth rubbishing.”

***

No post, transcreve-se também um trecho de uma descrição de um escritor russo a respeito da Torre a partir do qual até dá pra entender que, na época, tanta gente tenha sido a favor da sua destruição.  A Torre era uma construção provisória, sendo que a facilidade de seu desmonte era até um dos parâmetros da competição realizada pelo seu projeto.  A idéia era que ela durasse apenas 20 anos, até 1909, mas até lá os parisienses já haviam se acostumado a ela _ embora, na época de sua construção, a influente comunidade artística da cidade houvesse escrito uma carta extremamente desabonadora:

Nous venons, écrivains, peintres, sculpteurs, architectes, amateurs passionnés de la beauté jusqu’ici intacte de Paris, protester de toutes nos forces, de toute notre indignation, au nom du goût français méconnu, au nom de l’art et de l’histoire français menacés, contre l’érection, en plein coeur de notre capitale, de l’inutile et monstrueuse Tour Eiffel, que la malignité publique, souvent empreinte de bon sens et d’esprit de justice, a déjà baptisée du nom de tour de Babel. (…) La ville de Paris va-t-elle donc s’associer plus longtemps aux baroques, aux mercantiles imaginations d’un constructeur de machines, pour s’enlaidir irréparablement et se déshonorer ? (…).

Il suffit d’ailleurs, pour se rendre compte de ce que nous avançons, de se figurer un instant une tour vertigineusement ridicule, dominant Paris, ainsi qu’une noire et gigantesque cheminée d’usine, écrasant de sa masse barbare (…) tous nos monuments humiliés, toutes nos architectures rapetissées, qui disparaîtront dans ce rêve stupéfiant.

Et, pendant vingt ans, nous verrons s’allonger sur la ville entière, frémissante encore du génie de tant de siècles, nous verrons s’allonger comme une tache d’encre l’ombre odieuse de l’odieuse colonne de tôle boulonnée.”

Subscrevem, entre outros, Charles Gounod, Guy de Maupassant, Alexandre Dumas filho, e até meu ídolo da pintura acadêmica francesa, William Bouguereau.

***

Aqui, um curioso post sobre como a Torre Eiffel influencia a moda.

***

Aliás lembrei de mais um filme além dos que ele cita no  post onde a Torre é destruída: Team America.  E se não me engano tem um 007 onde planejam botar uma bomba lá.

mirror

De volta para o passado

Uh_oh…

“Two months before the fall of the Berlin Wall, Margaret Thatcher told President Gorbachev that neither Britain nor Western Europe wanted the reunification of Germany and made clear that she wanted the Soviet leader to do what he could to stop it.

In an extraordinary frank meeting with Mr Gorbachev in Moscow in 1989 — never before fully reported — Mrs Thatcher said the destabilisation of Eastern Europe and the breakdown of the Warsaw Pact were also not in the West’s interests. She noted the huge changes happening across Eastern Europe, but she insisted that the West would not push for its decommunisation. Nor would it do anything to risk the security of the Soviet Union.

Even 20 years later, her remarks are likely to cause uproar. They are all the more explosive as she admitted that what she said was quite different from the West’s public pronouncements and official Nato communiqués. She told Mr Gorbachev that he should pay no attention to these.

“We do not want a united Germany,” she said. “This would lead to a change to postwar borders, and we cannot allow that because such a development would undermine the stability of the whole international situation and could endanger our security.”

***

Que balde de água fria para os cold-tatcher-é-minha-ídala-warriors…

Barry Eichengreen em entrevista à Agência Estado:

“O  senhor acredita que veremos as importantes reformas no sistema financeiro global ou há o risco de elas serem esquecidas uma vez que a situação se acomode?

Eichengreen – Há esse risco e cada vez mais eu lamento a decisão da administração de Obama de ir adiante com a reforma na saúde. Acho que deveriam ter focado na reforma financeira enquanto todas memórias da crise ainda estão frescas. E o comunicado que tivemos do encontro do G-20 é muito amplo, com princípios gerais, mas que não estão no caminho de ações concretas.”

***

Concordo totalmente.

Nos jornais argentinos de anteontem já ficava patente o desespero com a derrota para o Brasil.  Nos de hoje então

Frase:

La Argentina no juega, no reacciona, se deja estar. Es inoperante. No hay proyecto.”

Que se aplica ao futebol hermano, mas poderia se aplicar _ e eles aplicam _ à situação do país como um todo.

Prova: tanto o Clarín quanto o La Nacion estão a falar no Pacto de Moncloa…

Pungente texto no La Nacion:

Se nos viene encima el Bicentenario y no tenemos nada que mostrar. La Argentina actual es como un palacio maravilloso, saqueado. Ningún país cayó como el nuestro, de tan alto. Tanto, que a veces sentimos que el pasado que tuvimos sería el mejor futuro que podríamos tener. Somos como una llamarada de entusiasmo vital y creadora que se empezó a extinguir, quizás después de las Malvinas, si quiere buscarse un hito aproximativo, puramente referencial. (¿Cuándo empieza una esclerosis múltiple, una tisis?)

En esta misma columna conté que un amigo ausente un par de décadas de la Argentina me preguntó cómo estábamos, y no se me ocurrió más que usar un lugar común de las páginas policiales: “Estamos en avanzado estado de descomposición”.

Lo que nos pasa trasciende lo político y lo económico. Ya invade lo cultural gravemente. ¿Qué cantidad de poder tendrá que tener nuestro futuro presidente para corregir un país desmadrado, desbrochado que se suicida a pinchazos de alfiler? Indisciplina escolar, un millón de chicos y adolescentes a la deriva, sin colegio, sin padre, entre el paco, la nada o las trifulcas de bailanta. Un ejército degradado, sumergido y silencioso como el ejército de terracota que uno visita en Xian. ¡Un país donde para vengarse de los soldados del 70, se niega la defensa nacional cuarenta años después! Subcultura audiovisual, imbecilización rockera, la corrupción como el camino más rápido de enriquecimiento. Y ahora, la destrucción productiva, única fuente de recomposición económica nacional. (Hasta los sindicalistas y ministros que compraron recientemente su estancia, deberían ver la catástrofe que están provocando los K. Cuando todo cae, también pierden los ladrones.)

(…) Esta realidad de degradación nos obliga a aprovechar la coyuntura favorable con un sentido positivo para encender este país detenido. El voto del 28 de junio debe ser aprovechado por la melancólica oposición para ocupar su lugar y para satisfacer la ansiedad de esa mayoría nacional que no ve respuestas y se siente apretada entre el descaro kirchnerista y los susurros de dirigentes vencedores que parecen tener todo el tiempo del mundo para consolidar su camino hacia la presidencia. Por eso resuena una y otra vez la palabra Moncloa como la posibilidad de un programa de resurgimiento nacional como el que logró plasmar España después de la muerte de Franco en 1975. Supieron aprovechar el punto de inflexión de ese hecho notorio para consensuar las bases de la organización democrática del país, la opción europeísta y ciertas políticas de Estado imprescindibles. Los españoles sintieron que se abría una gran oportunidad para reubicar a España en el orden europeo y la cogieron. Parecía increíble ese minué republicano después del millón de muertos. Areilza, Fraga Iribarne, Suárez; y por el otro lado Carrillo y la Pasionaria recién llegada de Moscú. Pero tenían en común dos cosas: todos estaban hartos de su pasado inicuo y tenían al rey como referencia de permanencia del Estado.”

Não é um discurso estranho a nós mesmos.   O Pacto de Moncloa já foi objeto de ampla especulação aqui no Brasil pelo menos por duas vezes: após a morte de Tancredo Neves e no impeachment de Collor.

Por mais que nosso “macaquito íntimo” se rejubile com essa situação além do Prata, o fato é que um problema argentino é um problema nosso, também.

E os argentinos mais esclarecidos  sabem que a saída para a Argentina, ou melhor, para o continente, é a integração com um Brasil não-imperialista.  O diplomata argentino Abel Posse, autor do texto acima,  já dizia, em entrevista à revista Linea, em algum ano da década passada:

Mercosur sigue siendo el gran instrumento de una integración que además de lo económico tiene que ser cultural, sobre todo estratégica y crear eso que ya esta enunciado en la Reunión de Guayaquil: crear una zona de seguridad económica para nosotros. Ya no podemos depender del mundo exterior y de las crisis; tenemos que garantizar la alimentación, la salud, la educación y la cultura, más allá de cualquier situación momentánea, o situacional.

Este es el nuevo gran proyecto al que tenemos que estar abocados. Evidentemente, Mercosur es la clave básica de eso porque ya tenemos una experiencia muy grande; en muy poco tiempo Mercosur se transformó en un extraordinario mecanismo de poder económico, le faltan las otras materias. Pero los argentinos tenemos que tener presente que Brasil ya no va a insistir en fórmulas macroeconómicas o en le éxito solamente de sus exportaciones; es también el arma para integrar a cien millones de personas que están marginadas; tenemos que acompañar a Brasil en esta revolución social que va a ocurrir en muy poco tiempo, que de alguna forma es la revolución peronista; ese hecho de pasar de la democracia abstracta a la democracia social. Brasil tiene que integrar a su propia población y tenemos que hacer un gran movimiento continental contemplando todo este tipo de soluciones.

***

Eis o que me dá um certo desgosto quando vejo manifestações sem grandeza como as que cotidianamente gente como Reinaldo Azevedo assaca contra nossas relações com os países vizinhos.  É certo que não podemos nos fazer de bobos, mas, ao mesmo tempo, temos muita gordura para gastar em atos que se para eles são extremamente importantes, para nós não são tanto assim.  O fato é que não podemos deixar que a miopia do imediato contamine a visão de longo prazo, pois é dessa forma que se constrói algum tipo de relação de confiança com o sul hispanohablante, algo que o Brasil negligenciou durante muitas décadas, talvez séculos.   Mas há gente do lado de lá que pensa dessa forma também, e é com eles que temos que buscar o diálogo.

***

UPDATE:

Devo fazer um disclaimer.  Eu mesmo sou um que mudei de idéia; principalmente, no início das turras com a Bolívia, também era partidário de uma resposta dura.  De lá para cá tive oportunidades de me expor a pontos de vista diferentes, em particular por causa de um maior envolvimento profissional com itamaratecas.   Esse é um setor onde uma exposição ao the big picture faz maravilhas.

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Por outro lado pode ser uma má idéia se você tiver concepções inapropriadas

Deu no África 21:

África é a região do mundo que recebeu menos turistas em 2008

A Europa é a região com mais entradas internacionais, com um registo de 488 milhões de turistas recebidos em 2008.

Luanda – O continente africano recebeu 47 milhões de turistas em 2008, o que corresponde a cinco por cento de um total de 922 milhões de entradas internacionais de turistas. Trata-se da menor percentagem, comparativamente com outras regiões do mundo.

A informação foi avançada segunda-feira, em Luanda, pelo representante da Organização Mundial do Turismo (OMT), Hélder Tomás, quando falava na sessão de abertura do curso de formação de formadores para o CAN 2010, nas áreas de serviços de Guias Turísticos, de Mesa, e para Recepção.

A Europa, segundo os dados fornecidos por Hélder Tomás, é a região com mais entradas internacionais, com um registo de 488 milhões de turistas recebidos em 2008, cifra correspondente a 53 por cento do total, seguida pela Ásia/Pacífico, com 184 milhões (20 por cento).

As Américas e a região do Médio Oriente seguem-se à Ásia e Pacífico, com um registo de 147 milhões (16 por cento) e 56 milhões (seis por cento), respectivamente.

De acordo com a fonte, essa movimentação de turistas gerou 994 biliões de dólares norte-americanos, o que corresponde a um aumento de 1,8 por cento em relação ao ano 2007.

***

Levando em conta que a Humanidade surgiu na África, e saiu de lá pra colonizar o mundo, a verdade é que somos mesmo uns filhos ingratos.

Pedro Dória comenta a crise entre Colômbia e Venezuela e, en passant, ecoa a Foreign Policy (ou, melhor dizendo, o blog dos editores da Foreign Policy):

O blog da boa revista Foreign Policy sugere que Chávez se aproveita de uma boa desculpa política para armar seu exército. Que ele tem ambições de aumentar a influência externa da Venezuela, não há dúvidas. É só o que faz. Como os tanques não cruzarão a mata densa em direção à Colômbia, há sempre uma outra possibilidade, sugere um comentarista do blog: os tanques são para uso interno, mesmo. Vai que a popularidade cai e é controlar manifestações nas ruas.”

O post no blog da Foreign Policy na verdade é um comentário sobre uma declaração de Fidel segundo a qual a Venezuela não estaria se armando contra a “nação irmã” da Colômbia, mas sim contra os EUA.  O post, muito sensivelmente, mostra que mesmo que a Venezuela aumentasse sua força de tanques em 20 vezes ainda teria menos tanques que o Iraque na primeira guerra do golfo e dificilmente seria um páreo para um ataque das forças convencionais dos EUA _ e que portanto Chávez visa reforçar seu exército na hipótese de um conflito local.

Pedro Dória pensa ser impossível que os tanques venezuelanos tenham um papel em uma guerra contra a Colômbia, ou pelo menos é o que intuo da frase “os tanques não cruzarão a mata densa em direção à Colômbia“.  Infelizmente, isso não é bem verdade.  O principal departamento colombiano que faz face à Venezuela, Vichada, é descrito assim na Wikipedia:

El relieve del departamento está conformado por extensas llanuras pertenecientes a los Llanos Orientales de Colombia, que se extienden desde el piedemonte de la Cordillera Oriental hasta la República Bolivariana de Venezuela, sobre la cuenca del Río Orinococonocida en Colombia como la Orinoquía.” [grifo meu]

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Departamento de Vichada, em vermelho

Há florestas tropicais ao sul de Vichada, mas também extensas planícies onde se pratica a agropecuária.  Assim, a fronteira entre Colômbia e Venezuela tem características bem distintas da fronteira entre Venezuela e Brasil, por exemplo.  Tanto os colombianos sabem disso, que localizaram suas forças militares neste departamento de forma especialmente peculiar:

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Como vêem, o principal destacamento militar colombiano em Vichada era o “Comando Específio del Oriente”, com sede em Puerto Carreño _ de frente para a Venezuela.  Desde 2005, o Comando foi transformado na Brigada da Selva no. 28 , também responsável pelos departamentos de Guainia e Vaupes (onde há mais florestas extensas).

Por outro lado, a hipótese levantada pelo comentarista do Dória _  “os tanques são para uso interno, mesmo (…) vai que a popularidade cai e é controlar manifestações nas ruas” _ me parece pouco convincente.  Tanques não são o melhor equipamento imaginável para antirioting,  e seu uso nesse sentido apenas fornece ótimas oportunidades de publicidade para os manifestantes.

Assim, os tanques de Chávez continuam a ser um mistério, a ser esclarecido depois de instalados em suas bases de operações _ sejam elas onde forem, e aí que Chávez prevê problemas.

***

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Por outro lado, a localização das bases colombianas onde os EUA poderão operar também é um tanto enigmática.  Por exemplo, elas estão longe dos principais pontos de operação das FARC.  No entanto, não estão tão longe assim do Canal do Panamá (principalmente as vitais bases navais).  Portanto, eu não ficaria muito surpreso se houvesse mais do que se enxerga neste movimento aparentemente tão óbvio.

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(*) figurinha tirada daqui, ó

Tudo que tenho a dizer sobre Clinton e Coréia do Norte foi dito por esta mulher:

Conservatives were screeching, naturally, that the Clinton trip would provide propaganda cover to the North Koreans to continue their nuclear shell game.

“Despite decades of bipartisan U.S. rhetoric about not negotiating with terrorists for the release of hostages,” John Bolton wrote for The Washington Post’s Web site, “it seems that the Obama administration not only chose to negotiate, but to send a former president to do so.”

But the former Bush bullies have no credibility on diplomacy. They spent eight years wrecking it, and the score for them on North Korea is 0-6; zero meetings with Kim and enough plutonium for six nuclear bombs.”

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_ Então, Quinzinho: depois dessa sessão de fotos quero que você me apresente seu cabeleireiro, ok?

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_ Que gentil!  Quando fizer 22 anos me procure, ok?  Tenho uma oferta de estágio pra você.

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_ Vão entrando, meninas.  E podem vestir algo mais confortável…

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Obama, Biden, Crowley e Gates tomando umas na Casa Branca

Não sei se alguém aí ainda se lembra de George W. Bush.  Bem, o marketing republicano o vendia como “aquele cara que você pode tomar uma cerveja com ele”, ou seja, o sujeito normal, o vizinho da casa ao lado, uma idéia que vendia bem com os rednecks.

Já esse Obama…olha, dizem que ele é o Lula americano, mas eu acho que ele é mesmo é um carioca.    🙂

1H-p

Notícias da “democracia fardada

Deu no UOL:

Senador dos EUA questiona indicação de embaixador do Brasil por etanol

WASHINGTON (Reuters) – Um senador republicano ameaçou na terça-feira atrasar a aprovação da escolha do presidente Barack Obama para embaixador no Brasil, porque ele defende o fim da tarifa que os Estados Unidos cobram sobre as importações de etanol.

“Como senador e candidato presidencial, o presidente Obama dava apoio à manutenção da tarifa dos EUA sobre o etanol importado”, disse o senador Charles Grassley em comunicado.

“Agora, o indicado do presidente para embaixador no Brasil diz que a remoção da tarifa seria ‘benéfica’. É importante saber se a posição da administração mudou antes que essa nomeação vá adiante”, completou.

Grassley, proveniente do Estado produtor de milho de Iowa, é um dos mais ferrenhos defensores no Congresso dos EUA da tarifa de 54 centavos de dólar por galão sobre o etanol.

O Brasil, maior exportador do mundo de etanol e o segundo maior produtor depois dos EUA, pressiona pelo fim da tarifa.

Obama indicou Thomas Shannon, um diplomata de carreira que é agora secretário-assistente para o hemisfério ocidental, para ser embaixador dos EUA no Brasil.

O Comitê de Relações Estrangeiras deve votar ainda nesta terça-feira a indicação de Shannon, o que normalmente abriria caminho para a votação no Senado.

Mas as regras do Senado permitem que um único senador atrase a ação da Casa sobre indicações presidenciais até que as preocupações sejam discutidas — ou até que 60 votos entre os 100 membros da Casa sejam conseguidos para quebrar o impasse.” [grifo meu]

***

Sei.

Mas não, este post não tem nada a ver com o Sarney.  🙂

Talvez alguns dos meus 4,5 leitores já tenham lido sobre microcrédito.  Bem, hoje já existem possivelmente centenas ou milhares de esquemas diferentes, mas ao menos nos primórdios, naqueles esquemas aparentados ao do Grameen Bank, uma das coisas que fazia o sistema funcionar era que o empréstimo era feito em “clubinhos” de caráter bem local. E preferencialmente para mulheres.  Com isso ficava muito reduzido o perigo do default _ porque havia uma questão de decoro entre as tomadoras de empréstimo, que não queriam ser vistas pelas outras como caloteiras.

Este post do Credit Slips lembra que, antes da desregulação bancária nos EUA, havia um poderoso esquema de bancos locais _ e neles, funcionava um pouco o espírito reverso, porque o banqueiro ou o gerente eram da própria cidade, conheciam todo mundo, e seu negócio tinha um nome a zelar.

Essa é uma discussão importante e traz de volta a questão do “too big to fail“: bancos grandes são mais eficientes, é verdade, mas também criam um severo problema de risco moral.

Isso também me lembra uma matéria do NYT de ontem, sobre as resistências que o pessoal do antitruste tem encontrado até mesmo dentro do governo Obama, no desejo de reverter a política laissez faire de Bush.  Falando sobre os setores onde têm havido mais resistência a essa reversão de política, diz o jornal:

In a third area, a White House effort to overhaul financial regulation, officials weighed but rejected a significant antitrust role as a way to reduce the size of large companies considered too big to be allowed to fail.”

Dureza.

Deliciosa reportagem no Foreign Policy sobre os filhos problemáticos de gente muito poderosa.

No perfil do filho de Margareth Tatcher achei uma genial definição de Mônaco: “a sunny place for shady people“.

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Um site português interessante, com matérias bastante diferentes.

E sim, eles também têm microcontos.

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O 51-ésimo estado americano: o estado alcoolizado

como , gente sem o que fazer:

People are losing 5, 10, 20,000 dollars a day in the stock market, and he’s sitting there drinking a beer. It’s insulting. There’s a lot of people suffering.”

***

Sei.

Via Estadão,  fico sabendo que Ratz aprontou outra:  resolveu dar um mole para os esquerdopatas ambientalistas antimercado…

Em encíclica, papa critica mercado e pede reforma da ONU

Em “Caridade na Verdade”, Bento XVI afirma que a economia não elimina o papel do Estado na sociedade

Papa lança sua terceira encíclica ROMA – O papa Bento XVI divulgou nesta terça-feira, 7, sua terceira encíclica – o documento religioso mais importante escrito por um pontífice – no qual afirma que a economia não elimina o papel do Estado. De forte conteúdo social, o texto “Caritas in veritate (Caridade na verdade)” argumenta que a economia precisa de ética e que o mercado “não é o lugar de atropelo do forte sobre o fraco”.

“As finanças, após seu mau uso, que prejudicou a economia real”, retornem a ser um instrumento orientado ao desenvolvimento”, diz o papa.

Bento XVI defendeu ainda pede uma urgente reforma da ONU. “Urge a presença de uma verdadeira autoridade política mundial que se atenha de maneira coerente aos princípios de subsídio e de solidariedade”, escreveu.

O pontífice também trata o tema do meio ambiente e afirma que as sociedades tecnologicamente avançadas “podem e devem diminuir” suas próprias necessidades energéticas e devem avançar na pesquisa sobre energias alternativas.”

***

Desse jeito Tio Rei acaba excomungando o Papa…tem gente que não vai dormir hoje!

Na Revista África 21, uma extensa matéria de Alfredo Prado sobre a penetração das emissoras brasileiras de televisão naquele continente.

Trechos interessantes:

TVs brasileiras à conquista das audiências africanas

Em África, os países de língua portuguesa e, em particular, Angola e Moçambique, são o cenário principal da disputa entre a Globo e a Record, beneficiando do desenvolvimento acelerado desses países.

Brasília – O Brasil já não é suficientemente grande para a disputa entre dois dos maiores grupos empresariais de comunicação da América Latina, a Globo e a Record. Nos últimos anos, a Globo, fundada pela família Roberto Marinho, e a Record, controlada por Édir Macedo, criador da Igreja Universal do Reino de Deus, atravessaram o Atlântico, instalaram-se na Europa, voaram para África e nesses novos palcos prosseguem a luta pela conquista de novas audiências.

Em África, os países de língua portuguesa e, em particular, Angola e Moçambique, são o cenário principal da disputa entre a Globo e a Record, beneficiando do desenvolvimento acelerado desses países.

(***)

Para os brasileiros, o interesse é, sobretudo, despertado pelo potencial crescimento de mercados consumidores, pela facilidade de penetração possibilitada pela língua comum e pela «simpatia» cultural dos países africanos de língua portuguesa pelo Brasil, desde a musicalidade do sotaque brasileiro do português à história de raízes comuns criadas pelo esclavagismo, mesmo que os equívocos, hoje, sejam grandes, sobretudo no Brasil.

O fim das guerras civis em Angola e em Moçambique abriu caminho à desestatização, em algumas áreas, e à abertura a investimentos privados na generalidade dos sectores produtivos e de serviços, incluindo o da comunicação.

Os novos conquistadores

É neste ambiente favorável, numa perspectiva política e económica, que a Globo e a Record decidiram avançar para África. Decisões tomadas também num quadro de conjuntura política interna favorável, criada a partir da primeira eleição, em 2000, de Luiz Inácio Lula de Silva para a presidência da República e o lançamento de uma política de aproximação ao continente africano, à procura de novos mercados e de alianças políticas para a sustentação de uma estratégia de potência internacional.

Ao longo de quase uma década, Globo e Record têm apostado forte nos países africanos lusófonos.

Em entrevista, por escrito, à África 21, o director da TV Globo Internacional, Marcelo Spínola, prefere não revelar o montante dos investimentos feitos pelo grupo em África. «É uma informação estratégica», diz. Mas, adianta, que os programas da Globo, transmitidos por TV paga, são vistos em Angola e Moçambique por mais de 200 mil pessoas.

«A história da TV Globo na África, em especial em Angola, começou quando as novelas ‘O Bem Amado’, ‘Roque Santeiro’ e ‘Rainha da Sucata’ passaram a ser exibidas no país pela TPA. Hoje, o continente é um mercado importante para a TV Globo Internacional, com destaque para Angola e Moçambique. Nestes dois países, somos assistidos por aproximadamente 200 mil assinantes», afirma.

(…)

Faltam «profissionais de qualidade»

Aparentemente, nada é muito difícil. «Não há dificuldades específicas ´deste´ou ´daquele` mercado. O nosso principal compromisso em todo o mundo é o de levar aos nossos assinantes uma programação de qualidade e com informações relevantes. Este é um dos diferenciais da TV Globo Internacional no mercado. E para que o canal possa também estar ao serviço do assinante, sempre com qualidade, realizamos uma criteriosa seleção de parceiros para a produção dos programas locais como o ‘Revista África’, responde o director da TV Globo Internacional. Já o director-presidente da Record Europa Internacional, Aroldo Martins, prefere admitir que sim, que há dificuldades, e diz: «faltam profissionais de qualidade».

Tal como a Globo, também a Record é distribuída por satélite para todos os países de África, sendo em Angola e Moçambique distribuída também por cabo. A Record não é por assinatura, faz parte de pacotes básicos nos países onde é distribuída pela DSTV e por cabo. No caso de Moçambique, além da distribuição por cabo, a Record chega a casa dos moçambicanos através da associada TV Miramar, enquanto em Cabo Verde é distribuída para todas as ilhas por emissora local, à semelhança do que acontece no Uganda, Madagáscar e na Zâmbia, neste último país em fase de montagem.

As audiências, esse campo minado das estações de televisão de todo o mundo, são a obsessão constante dos executivos. Em Angola, a liderança continua nas mãos da Globo, com cerca de 29% de share de audiência, e dois pontos de vantagem sobre a Record. Em qualquer dos casos audiências muito superiores às dos canais portugueses. Em Moçambique e em Cabo Verde, a vantagem pende para a Record, que chega através de emissora local.

(…)

Quais são os programas de maior sucesso? «As telenovelas produzidas pela TV Globo no Brasil sempre fizeram sucesso entre os assinantes angolanos», diz Marcelo Spínola e exemplifica: «os jovens angolanos são influenciados frequentemente pelas telenovelas exibidas pela TV Globo Internacional, seja na maneira de se vestir ou em expressões utilizadas por personagens das tramas».

(…)

Estratégias diferenciadas

A concorrência da Record parece não incomodar a Globo. «As emissoras atuam no mercado com modelos de negócio distintos. A TV Globo Internacional tem o posicionamento de ser um canal de TV por assinatura. (…) É desta forma que estamos presentes em 115 países dos cinco continentes e contamos com mais de 550 mil assinantes Premium», afirma Marcelo Spínola.

O presidente da Record admite a vantagem, mas destaca que «a liderança da concorrente é de apenas dois por cento, de acordo com pesquisa da Multichoice e da Marktest». Portanto, diz, «não é preciso grande estratégia. É continuar fazendo o que os angolanos já gostam. Estamos em plena ascensão».

E uma área em que a Record ainda não está mas na qual quer entrar é a das TV abertas. No caso de Angola, Aroldo Martins afirma que o objectivo é «tentar sempre, através de parceria local, uma concessão para emissão aberta».

Um negócio que parece não interessar à Globo. «O posicionamento adoptado pela TV Globo Internacional é o de ser um canal premium por assinatura, com uma programação diferenciada e qualidade técnica e artística. Este modelo de negócio torna viável ao canal estar presente nos cinco continentes com alto nível de qualidade», afirma Marcelo Spínola.

Os dois grupos são rivais, mas têm em comum a aposta na expansão internacional. Primeiro na Europa e depois em África. Outros, como a rede Bandeirantes, já olham com igual apetite para o mercado angolano. Novos episódios deverão ser anunciados em breve.”

***

Interessante que a Globo só se interesse pela TV por assinatura, mas a Record esteja contente com a TV aberta.  A razão para isso é que provavelmente a Globo não confia na receita de publicidade possível de gerar por lá e, como sua produção já está amortizada pelo mercado brasileiro, vale mais a pena entrar como canal premium gerando receita de assinatura.  Já a Record é fiel ao seu modelo de negócios, onde a receita de publicidade da TV é mais que complementada pelo “negócio” representado pela IURD. A Igreja já mantém várias unidades no continente africano, tanto em Angola, quanto em Moçambique.  E pelo menos no caso de Angola, já com direito a um cisma

***

Bem que a Globo podia fazer uma novelinha dedicada aos nossos amigos africanos, depois de ter esse trabalho todo com a Índia.

Aliás, felizmente eu não sou executivo de televisão.  “Caminho das Índias”, novela que eu achei que ia naufragar estrepitosamente, começou mal, mas recuperou-se _ e bateu em 46 no Ibope dia desses.  Jamais imaginei que a cultura indiana fosse atrair tamanho interesse no Brasil, mas subestimei os poderes da bollywoodização universal.

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