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Talvez tenha passado desapercebido ao público brasileiro o fato de que agora em Janeiro a Suprema Corte dos EUA liberou a possibilidade de grandes empresas financiarem campanhas políticas naquele grande país, sem limites quando ao volume de recursos gasto por candidato:

Suprema Corte dos EUA libera financiamento de campanhas políticas por grandes empresas

NOVA YORK – Uma Suprema Corte muito dividida aprovou na quinta-feira a decisão de abolir os limites para gastos de grandes corporações com campanhas eleitorais nos EUA e causou fortes protestos de políticos em Washington e de entidades de defesa da liberdade de expressão. A sentença derrubou limites de financiamento de campanha que vigoraram nos últimos 20 anos. A decisão foi aprovada por cinco votos contra quatro e também prevê que todos os anúncios pagos pelas campanhas devem explicitar o nome do patrocinador que deu o dinheiro. Até então, todas as doações de campanha eram destinadas a um comitê politico e, mesmo assim, com limites. Na eleição presidencial de 2008, o limite individual foi de US$ 2.400. Agora, empresas poderão destinar recursos diretamente a um determinado candidato, sem intermediações nem limites.”

Embora John McCain tenha se revelado “desapontado” com a sentença,  justamente por isso é que suponho que a maioria dos republicanos tenha gostado da idéia, como o Senador Mitch McConnel, do Kentucky, líder da minoria no Senado.

– Por muito tempo, grandes empresas foram impedidas de participar plenamente das campanhas políticas, e esta decisão é um reforço da Primeira Emenda, que garante liberdade para todos, inclusive grandes corporações. É um reforço da liberdade e não uma ameaça à democracia.

É isso aí.  No Voloch Conspiration também abundam defesas da sentença, em geral seguindo o mote “empresas também são gente“.

Acho que isso diz muito sobre a possibilidade de qualquer proposta legislativa sobre a regulação dos serviços financeiros passar no Congresso norte-americano após 2010.

***

Comentando uma flor de retórica exposta em um artigo de Larry Lessig, segundo a qual embora ninguém possa em sã consciência suspeitar que a sentença teria sido comprada e ainda manter sua credibilidade mas que paradoxalmente a Suprema Corte negou ao Congresso a integridade de que ele mesmo usufrui, o James Balkin do Balkinization produziu a meu ver a melhor exposição da questão, que inteligmente atribui a opinião da Corte não a uma negociata corrupta entre juízes e empresas, mas como o resultado de um investimento de longo prazo:

The Supreme Court we have today is the ghost of campaign expenditures past.

Bingo.

Como alertou o Lelec, uma alma inocente que atende pelo nome de Julio Bueno botou no YouTube esse “vídeo” com uma transmissão do True Outspeak do nosso querido Vilósofo, que foi pelos ares no dia 18/01/2010.

Nesse programa o Vilósofo não perdeu a chance de não apenas corroborar como se afundar ainda mais nas falácias do pastor norte-americano Pat Robertson, para quem o que aconteceu no Haiti foi castigo divino.

Os dois erraram.  Segundo o sismologista John Mutter, da Columbia University, o castigo divino rolou muito antes, durante a construção dos prédios que caíram:

Earthquakes don’t kill people,” says John Mutter, a seismologist and disaster expert at Columbia University’s Earth Institute. “Bad buildings kill them.” And Haiti had some of the worst buildings in world. There are building codes, but in a country that has been ranked as the 10th most corrupt in the world, enforcement is lax at best. The concrete blocks used to construct buildings in the capital are often handmade, and are of wildly varying quality. “In Haiti a block is maybe an eighth of the weight of a concrete block that you’d buy in the U.S.,” says Peter Haas, the executive director of the Appropriate Infrastructure Development Group (AIDG), an NGO that has worked on buildings in Haiti. “You end up providing buildings quickly and cheaply but at great risk.”

Afinal, não é por outro motivo que terremotos de magnitudes semelhantes terminam gerando consequências muito distintas:

At 7.0 on the Richter scale, the earthquake that hit Haiti on Jan. 12 was strong, but hardly record-breaking — very similar, in fact, to a 7.0 temblor that hit the San Francisco Bay area in 1989. But that’s where the similarities end. The 1989 San Francisco quake left up to 12,000 people homeless and killed 63. The 2010 Haiti quake, however, will likely make over a million people homeless, and its death toll could be 50,000 or much higher.

Ou seja, Deus é muito mais sutil do que se supõe.  Ele conta com o subdesenvolvimento (que alguns tolos acreditam ser obra do Tinhoso) para operar seus milagres.

Olavón não para por aí, é claro.  Ele também atribui o desastre do Katrina em New Orleans à prática da idolatria.  Nesse caso, como já supúnhamos há algum tempo, a eleição de Bush também fez parte do plano divino para levar uma versão lite do Dilúvio aos ímpios.

Estranhamente, o  Vilósofo, que demonstrou durante sua diatribe tanta preocupação com a macumba para a queda do pinto que ele diz ter achado em um livro do Pierre Verger (onde devia estar procurando sabe-se lá o quê), esqueceu-se de nos explicar porque Salvador, capital da Bahia e terra do Terreiro de Jesus, ainda não sofreu seu devido castigo divino.

Deus, que age de modo inescrutável pelos homens, parece preferir castigar a Virgínia, por enquanto.

Mira:

Pilot diverts jet over teen’s in-flight prayer

PHILADELPHIA – A Jewish teen trying to pray on a New York-to-Kentucky flight caused a scare when he pulled out a set of small black boxes containing holy scrolls, leading the captain to divert the flight to Philadelphia, where the commuter plane was greeted by police, bomb-sniffing dogs and federal agents.” [grifo meu]

Bem ao ponto, duas matérias interessantes na Economist.

A primeira versa sob o legado de Osama Bin Laden para os EUA:

The [security]  system is geared towards keeping out a tiny number of terrorists. Fair enough—such people should indeed be kept out. But there should be a trade-off. An immigration official lives in fear of admitting the next Mohammed Atta, but there is no penalty for excluding the next Einstein, or for humiliating tourists who subsequently summer in France. Osama bin Laden has arguably inflicted more harm on America indirectly than directly. To stop his acolytes from striking again, the government has made entering America far more difficult and degrading than it need be.”

É claro que este não é um argumento que persuada o wingnut next door, mas pense bem:

This has slowed the influx of foreign brains. In 2001, 28% of students who studied abroad did so at American universities. By 2008 that figure had shrunk to 21%, though since the absolute number of globally mobile students grew by 50% over that period, the absolute number in America has flattened, not fallen. Does this matter? Well, foreigners and immigrants make up more than half of the scientific researchers in the United States, notes Edward Alden, the author of a fine book called “The Closing of the American Border”. Among postdoctoral students doing top-level research, 60% are foreign-born. Boffins flock to America because its universities are the best, but the ordeal of getting a visa prompts many to take their ideas elsewhere.”

Pra quem não percebeu, há ali um interessante  trocadilho entre “Closing of the American Border” e “Closing of the American Mind“, ok?

E, por falar nisso, a outra matéria da Economist fala sobre os custos crescentes do controle da imigração nos EUA. Uma imagem fala por si:

(clique para ampliar)

America, plantando as sementes de sua própria destruição desde 1980.

O emburrecimento estimulado pela direita americana pode trazer as sementes de sua própria destruição:

Darpa: U.S. Geek Shortage Is National Security Risk

Sure, we’re all plugged in and online 24/7. But fewer American kids are growing up to be bona fide computer geeks. And that poses a serious security risk for the country, according to the Defense Department.

The Pentagon’s far-out research arm Darpa is soliciting proposals for initiatives that would attract teens to careers in science, technology, engineering and math (STEM), with an emphasis on computing. According to the Computer Research Association, computer science enrollment dropped 43 percent between 2003 and 2006.

Darpa’s worried that America’s “ability to compete in the increasingly internationalized stage will be hindered without college graduates with the ability to understand and innovate cutting edge technologies in the decades to come…. Finding the right people with increasingly specialized talent is becoming more difficult and will continue to add risk to a wide range of DoD [Department of Defense] systems that include software development.”

(…)

Now, Darpa’s now hoping someone, somewhere, can come up with a way to make future philosophy majors change course. And they want to get ‘em while they’re young: Darpa insists that programs be “targeted to middle and high school students, and include methods “to maintain a positive, long-term presence in a student’s education. (…)

“The uninteded consequences of your First Amendement.”

A verdade é a seguinte: o diabo não gosta dos franceses.

Veja Waterloo _ tá na cara que os ingleses e prussianos fizeram um acordo com o Coxo para acabar com Napoleão.

Resultado?  A Alemanha teve Hitler e os ingleses, além da torta de rim, tiveram que encarar Margareth Tatcher…

***

E, falando no Diabo

Wall Street mobilizou-se fortemente para ajudar os haitianos. O Citigroup vai doar US$ 2 milhões, e o JP Morgan Chase, Morgan Stanley e o Bank of America, US$ 1 milhão cada um. (…)

MasterCard, Visa e American Express eliminaram as taxas de transação em doações feitas para grandes entidades de caridade, feitas com cartão de crédito. A decisão foi tomada após as administradoras serem criticadas por cobrar até 3% em cada operação de caridade feita por cartão de crédito – o que as leva a ganhar US$ 250 milhões por ano em cima das doações.

Podem avisar ao Pat Robertson que ele se arrependeu do que fez.  🙂

USCOMMANDS

Para alguém que acha que os EUA não são um país imperialista e apenas “persegue seus próprios interesses“, o Paulo do FYI acha graça em coisas muito estranhas

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Resolvi dar uma incrementada no post _ pesquisa histórica e cortesia Ratapulgo

Bem, o previsível Paulo do FYI ficou chateadinho com o post abaixo e resolveu escrever uma “resposta”.  Faço comentários a tópicos selecionados:

• To destroy private and public property (forcing the city of Seattle to overspend half of its budget on this instead of public projects) to show your disgust at capitalism is right and noble.

_ Bom, pelo menos eles destruíram propriedades em seu próprio país.  Já os republicanos

To show up at town hall meetings and yell at Democrats because you think they will bankrupt the country is a disgraceful radical act.

_ Eu diria que é bem radical para um partido que pegou um superavit e transformou em um deficit bilionário.

• When Bush brings Evangelicals to the White House he is a religious zealot.

_ Hã…mas, bem, ele é.

When Obama brings an Evangelical to his inauguration he is just a common sense middle of the road American.

_ Mas, raios, Obama é o anticristo, tá lembrado?

• To have President Bush elected in a contested election is proof of corruption and lack of transparency (even after we know that the controversial recounts would show the same result). To have a governor elected by 129 votes (out of 2.7 million) or a senator that was confirmed only after 6 recounts (and was losing until the 4th) is completely normal and shows the strength of Democracy.

_ A ausência de diferença entre uma eleição roubada e uma eleição apertada é uma daquelas coisas em que os republicanos também acreditam.

• When Clinton, Gore and all major Democrats called Saddam the biggest threat in the world and bombed the country repeatedly they were wise statesmen. When Bush went to war for the same reasons he was a loony dictator.

_ Pois é, e depois Paulo reclama quando eu falo que os EUA têm um pezinho no imperialismo

• To create a national scandal about a Republican congressman that supposedly sent sex messages to congressional pages (in the end Foley was not even criminally charged) is fair politics.

_ Um absurdo mesmo.  Pena que quem fez isso foi o Partido Republicano.

• To make any mistake when justifying a war is an unforgivable offense that should be treated as a crime against humanity. To lie about the possibility of ending a war is just a fair political game.

_ First things first, brother.  Depois, essa história era tããããão grave que o Kanjorski até ganhou a eleição…

• To call some allies “Old Europe” is a major diplomacy blunder. To give the Queen of England an iPod with your speeches in it or to bow before the King of Saudi Arabia is pure creative genius.

_ Você precisa atualizar seu arquivo de gafes de Bush

• To torture the admittedly mastermind of 9/11 is really bad. Unless you are Jack Bauer. Ah, and if other countries are torturing we are ok with that too.

_ O problema é quando a tortura vira hobby. Seu.

• Rich people are horrible. Even the Cuban revolution was ok because you know, in the end all they did was to get rid of the ugly rich and choose a nice attorney to lead them! The only good rich people are we of course and our Hollywood brethren. It is no coincidence that they are our serfs.

_ Deixa disso. Há atores para todos os gostos, embora eu realmente ache difícil chamar Suck Norris de bonitinho.

• We love our Liberal Lions. Even when they have a weird family history of liking dictators like Hitler and Chavez. Oh, we have another one who loved the KKK, but he is so old we kind of forget about that.

_ Godwin´s Law!  Paulo, você já foi melhor que isso…

• To call Bush the devil, monkey or stupid is the civil right of any right thinking American. To make any remark about Obama or any Black Democrat is a racist crime.

_ Bem, quando há um motivo

• When Bush says marriage is between a man and a woman he is showing how backwards and bigoted he is. When Obama says the same thing we don’t quite believe it.

_ Vamos colocar a coisa assim: qual candidato era contrário à união civil entre homossexuais?

• When Republicans cheat on their wives they are hypocrites that should leave office immediately.

_ Errr…cadê o link?  [smirk]

• Soldiers dying in Iraq show that the war is a disgrace and we are stuck in a lost war. Soldiers dying in Afghanistan show that we fight for our beliefs and victory is just a matter of strategy.

_ Pois é, e depois Paulo reclama quando eu falo que os EUA têm um pezinho no imperialismo…[2]

• We are an incredibly backwards nation because we don’t have a health care system like Switzerland’s.

_ Yeah!

We are also an incredibly backwards nation because we do have a gun policy much like Switzerland’s.

_ Tsk-tsk.

• To challenge Obama’s birth certificate makes you a disgrace to your party. To challenge Bush’s National Guard service or Sarah Palin’s son legitimacy makes you a concerned citizen.

_ Paulo, um caso é uma mentira, o outro é uma hipocrisia da parte de seus candidatos.  Quer que desenhe?

  • Parents who don’t want their children to pray in school are Anti-American zealots — parents who don’t want their children to listen to a speech by the President of the United States telling them to work hard and get good grades are noble patriots.
  • Peacefully demonstrating against the country starting an international war is treason — showing up with automatic weapons to protest healthcare reform is democracy at its finest.
  • Any government official with a desk job should have every action scrutinized — any government official with a badge and a gun should never be questioned or disrespected. At all. Ever.
  • Questioning the legitimacy of an election because the “winner” was selected by the Supreme Court is sour grapes — questioning the legitimacy of an election because the winner (by the largest number of votes in American history) is really a Kenyan born Muslim despite all evidence to the contrary is being a vigilant American.
  • Lying about a blowjob is an impeachable offense — lying about a war is no big deal, really.
  • Investigating a shady land deal involving the First Lady is a matter of National Identity — investigating the use of torture at the direction of the Executive Branch is a partisan witch hunt.
  • Executing Japanese officers for waterboarding prisoners during WWII shows that we have the moral high-ground on human rights — waterboarding prisoners of our shows that we have the moral high-ground on human rights.
  • Sitting two rows in front of Jane Fonda in a 1970 anti-war rally is an OUTRAGE! Shaking Saddam’s hand in 1983…meh, not so much.
  • Anyone who questions the president during a time of war is giving aide and comfort to the enemy and should be deported…unless the president in question has a (D) next to their name in which case you should undermine them at every turn even if you have to routinely make shit up to do it.
  • Socialism, Marxism, Communism and Fascism are all interchangeable words that mean pretty much the same thing.
  • Anyone who abuses drugs should be locked up indefinitely…unless they are a popular Republican radio host in which case they need your prayers as they recover from the illness of addiction.
  • Health Insurance companies have your best interests in mind and anyone who thinks otherwise is trying to turn America into the Godless heathen nation of Sweden where EVERYONE in the country dies (eventually).
  • Obama is an atheist communist muslim who attended a radical christian church.
  • Believing that human activity could impact the global environment is crazy talk — believing that an invisible man in the sky personally told George Bush to invade Iraq to fulfill Biblical prophecy is logically sound.
  • The verdict is still out on evolution — but Jesus Christ returning in our lifetimes is a pretty much a given.
  • The media are unquestionably biased against Republicans — Talk Radio, The Washington Times, The Weekly Standard, The Wall Street Journal, Rightwing Blogs, Fox News and NewsCorp are not part of the media.
  • The government should have no part in regulating multi-national corporations as they make decisions that impact the lives of millions of people — government should regulate individuals by determining who they can marry, what kind of intercourse they can have, what they can smoke, how to manage their pregnancy and how to proceed with end of life decisions.
  • Communicating with hostile nations is a stab in the back to our great nation — Reagan communicating with the USSR during the Cold War was Political Genius.
  • Iran is a mortal threat to our nation and anyone who attempts to talk to them is traitorous scum — selling weapons to Iran and then funneling the money to start wars in South America is clearly in our National interest.
  • George Bush kept the nation safe after 9-11 (NOTE: the Anthrax attacks, the DC Sniper and Hurricane Katrina don’t count. Also, the fact that 9-11 happened on his watch despite receiving a security briefing specifically warning of the attack doesn’t count either.)
  • Social Security, Meidcare, public schooling, public libraries, fire departments, police departments and the US Military are as American as Apple Pie — universal healthcare is ZOMGDEATHPANELSOCIALISM!!
  • George W Bush is a regular ‘ole Texas rancher just like you and me despite the fact that he was born in Connecticut, attended two Ivy League schools, bought the Crawford ranch just before running for president, sold it immediate after leaving office and is terrified of horses.
  • The two guys at the center of the Watergate and Iran-Contra scandals are trustworthy voices in discussions of current national policy and should be taken at face-value.

Daqui.

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Pois é, em um post aí embaixo estávamos eu, Nowosad e Paulo discutindo e…

Marcos:

Pergunta simples: alguem se sentiria seguro de caminhar no meio de uma multidao de estranhos, onde muitos estivessem claramente carregando uma arma?

Ou recuariam e mudariam de caminho?

So’ para esclarecer…

Paulo:

Eu posso repetir essa pergunta de uma forma que talvez te faca entender a falacia mais rapido Marcos:

Eu prefiro andar no centro de Salt Lake City (onde o porte eh permitido com permit) do que no centro de Washington DC (onde o porte eh totalmente proibido).

Capiche?

***

Bom.

Achei este site aqui que, presto!, faz comparações diretas das estatísticas de criminalidade entre cidades norte-americanas.  E surpresa:  Salt Lake City é bem mais perigosa que Washington DC em alguns tipos de crime, enquanto o inverso ocorre em outros tipos.

Em particular, estupro, invasão de propriedade e roubo são mais prováveis em SLC do que em WDC.

***

Detalhe: Salt Lake City tem 79,2% de brancos em 1,89% de negros.  Washington DC tem 36,3% de brancos e 55,6% de negros.  Considerando a cor da pele como uma proxy do nível de renda, acho que é até de se espantar que Salt Lake City perca para DC em tantos índices de criminalidade.

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O sr. William Kosinic aí em cima foi a uma manifestação de protesto contra Obama em New Hampshire.  Até aí tudo bem _ se você ignorar o “detalhe” que ele carrega em sua perna direita.

O problema é que, segundo a polícia de New Hampshire, não há nada de ilegal nisso _ ilegal é um cidadão carregar uma arma escondida.  Além do mais o manifestante estava em pé sobre uma, er, propriedade privada.

Dado o seguinte clima _

Obama, according to a new book, is already receiving more death threats than any other American president, and the demonstrations as he tries to win support for his healthcare reforms are becoming daily more passionate. “One day God is going to stand before you and judge you!” one protester shouted at him earlier this week.” [grifo meu]

_ podemos apostar que isso ainda vai dar muito o que falar.  Até porque a frase no cartaz de Kostnic é uma citação de Jefferson, que, completa, diz o seguinte:

“‘The tree of liberty must be refreshed from time to time, with the blood of patriots and tyrants.'” [grifo meu]

Agora, imaginem o que acontecerá se o primeiro presidente negro dos EUA for assassinado.  Cortesia da máquina de distorção da realidade republicana, funcionando a todo vapor por décadas a fio, é lógico.

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Laicité é isso aí!

Trecho deste texto:

A French Revelation, or The Burning Bush

JAMES A. HAUGHT

Incredibly, President George W. Bush told French President Jacques Chirac in early 2003 that Iraq must be invaded to thwart Gog and Magog, the Bible’s satanic agents of the Apocalypse.

Honest. This isn’t a joke. The president of the United States, in a top-secret phone call to a major European ally, asked for French troops to join American soldiers in attacking Iraq as a mission from God.

Now out of office, Chirac recounts that the American leader appealed to their “common faith” (Christianity) and told him: “Gog and Magog are at work in the Middle East…. The biblical prophecies are being fulfilled…. This confrontation is willed by God, who wants to use this conflict to erase his people’s enemies before a New Age begins.”

This bizarre episode occurred while the White House was assembling its “coalition of the willing” to unleash the Iraq invasion. Chirac says he was boggled by Bush’s call and “wondered how someone could be so superficial and fanatical in their beliefs.”

Mais sobre a consulta a Thomas Romer aqui.   O texto da Allez Savoir ici.

O resto da matéria acima transcrito abaixo do fold.  Se metade for verdade…

Leia o resto deste post »

O Paulo do FYI é um cara esquisito:

Recession Politics

Isn’t it a bit funny that the bank meltdown last year happened in September/October? Isn’t it even funnier how that little fact never got correlated to the famous political tool called “October surprise” which is so often used in Presidential campaigns?

I am not saying that the Democrats fabricated the crisis but what happened is that they used it to win the elections. And far from being a harmless political tool, what they did actually increased the severity of the problem big time.

And of course, they were only successful in this endeavor because they had an immense amount of help from their most powerful ally: the Big Media.

I will not be surprised if that a few years from now we see some studies on how the panic instigated by the media was one of the major factors behind the severity of this recession.

***

Sei.

***

Paulo parece desconhecer essa citação:

“Reality is that which, when you stop believing in it, doesn’t go away.  ~Philip K. Dick”

Vamos ver o que Paulo estava dizendo no dia 17 de outubro do ano passado, só porque Warren Buffet foi comprar ações ali na esquina:

Apparently the doomsayers need to find another cause to adopt. The end of the world pretty much ended this week.”

A lógica do Paulo é a seguinte: havia um certo número de pessoas vendo a crise chegar.  Ele tentou caracterizá-las como loucas.  Depois que a crise chegou, ele passou a achar que foram essas pessoas que criaram a crise.  Parece evidente que Paulo fará tudo que estiver ao seu alcance para não ter que olhar para aquilo que até os grandes conservadores americanos já reconhecem.

Tal é o poder da máquina de distorção da realidade.  Paulo, toma a pílula, Paulo.

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Hitler com o Grande Mufti de Jerusalém

(clique para ampliar)

Deu no Estadão:

Israel envia foto de Hitler com palestino a embaixadas

AE-AP – Agencia Estado Tamanho do texto? A A A A

SÃO PAULO – A chancelaria israelense distribuiu a todas as suas embaixadas uma foto de 1941 que mostra um encontro, em Berlim, entre Adolf Hitler e o ex-mufti de Jerusalém (líder religioso palestino) Haj Amin al-Husseini. Com a iniciativa, o chanceler israelense, Avigdor Lieberman, tenta confrontar as críticas internacionais à construção de assentamentos judaicos em terras que pertencem a parentes de Husseini.

Segundo uma fonte anônima do governo israelense, a intenção é criar ?embaraço? aos governos ocidentais que se opõem à construção de assentamentos em Jerusalém Oriental. Alguns diplomatas israelenses se opuseram à iniciativa sob o argumento de que a estratégia pode despertar resistência ainda maior entre Estados que já condenam a construção de assentamentos em terras ocupadas.”

Me pergunto o seguinte: se isso é embaraçoso, o que dizer disto?

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O Irã tem às suas portas:

.Um país majoritariamente xiita (Iraque) invadido pelo Exército americano em sua fronteira oeste;

.Um país majoritariamente sunita (Paquistão) com armas nucleares sob a órbita dos EUA em sua fronteira leste;

.Israel, com:

– 200 ogivas atômicas;

– mísseis Jericó capazes de levá-las até Teerã;

– quatro submarinos armados com mísseis nucleares estacionados no Mediterrâneo.

***

Como podem esses mulás loucos recusar a irrecusável proposta de terminar seu programa de armas nucleares, sem nenhuma garantia de que os outros atores envolvidos irão abrir mão de suas próprias armas nucleares?

Como podem esses mulás loucos serem tão irracionalmente cegados pelo seu fascismo islâmico a ponto de não topar na hora esse negócio da China??

***

É tudo o que eu tenho a dizer sobre a eleição iraniana.

Hoje de manhã acordei com dois links novos apontando para este pobre blog.  São agentes provocadores.   🙂

Como, newtonianamente, toda reação provém de uma ação, se um agente provocador resolveu te provocar foi porque certamente se irritou com você.  Entretanto, existem dois tipos de “agent provocateur”: o caro e o barato. O agente provocador caro é aquele cara que você teve que se esforçar para irritar.  O barato é aquele que se irrita com você pelo mero fato de você existir.

Um desses provocadores baratos é o Lord ASS, que resolveu achar que o novo número da Dicta&Contradicta foi concebido com o fito de me irritar.  Bom, fui ver a sinopse na Livraria Cultura (um problema com a cauda longa é que as livrarias se tornaram menos exigentes com suas prateleiras):

Em seu terceiro número, um ano depois de seu lançamento, a revista cultural ‘Dicta&Contradicta’ volta com uma edição que apresenta – uma entrevista com Fernando Henrique Cardoso; um ensaio de ciência política escrito por João Pereira Coutinho; o scholar de Harvard Michael Pakaluk, que explica o porque da avareza ser a origem da atual crise econômica; um texto de Roger Scruton a respeito das diferenças entre o Islã e o Ocidente; a análise de Olavo de Carvalho sobre o filósofo brasileiro Mário Ferreira dos Santos; o relato de Ivo Barroso sobre o encontro de Fernando Pessoa com Aleister Crowley; além de uma antologia da poesia húngara moderna traduzida por Nelson Ascher.”

Meu caro ASS, eu não sou nenhuma Fernanda Young.  Assistir ao declínio de Fernando Henrique Cardoso, limitado agora a dividir uma revista com Olavo de Carvalho e Nelson Ascher, é uma experiência que pode suscitar algo entre a hilariedade e a piedade, mas jamais a irritação.  Tente fazer uma reabilitação de Wilson Simonal da próxima vez que quiser me irritar.   🙂

O outro agente provocador é o Paulo do FYI, que tirou de um site esquisitão de finanças do Yahoo a idéia de que Nouriel Roubini é agora um otimista (esquizofrenicamente, o post a seguir à matéria sobre Roubini é pessimista, e o depois desse dá o devido crédito pelo mundo não ter acabado ao pacote de estímulo).  Mas o problema é que lendo a matéria sobre Roubini propriamente dita o que vemos é o seguinte:

Economist Nouriel Roubini on Wednesday said the end of the global recession is likely to occur at the end of the year rather than the middle, and that U.S. growth will remain below potential afterwards.

We are not yet at the bottom of the U.S. and the global recession,” said Roubini. “The contraction is still occurring and the recession is going to be over more towards the end of the year rather than in the middle of the year.”

There is still too much optimism that a recovery is just around the corner,” said Roubini, a professor at New York University’s Stern School of Business and chairman of RGE Monitor, an independent economic research firm.

Roubini, who is widely credited for predicting the current economic turmoil, was speaking at the Seoul Digital Forum.

“A more sober analysis suggests we’re closer to the bottom; there is light at the end of the tunnel, but it’s going to take a while longer, and the recovery is going to be weaker than otherwise expected.”

Once the recession ends, “U.S. economic growth is going to be below potential for at least two years,” he said, amid multiple imbalances in the housing sector and the financial system, and the rise of public debt.” [grifos meus]

Se isso é otimismo, não quero conhecer o pessimismo de Roubini.

O presidente iraniano adiou a visita à América Latina:

Ahmadinejad adia visita ao Brasil e à AL, diz agência

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, adiou indefinidamente uma visita à América Latina com passagem pelo Brasil prevista para quarta-feira, afirmou a agência iraniana Press TV. A previsão era de que Ahmadinejad deixasse Teerã hoje para visitas oficiais a, além do Brasil, Equador e Venezuela. A Press TV informa, citando a agência Fars, que hoje a programação foi adiada, sem nova data prevista para a viagem.

Ahmadinejad deve buscar se reeleger na presidência e o anúncio pode estar relacionado a esse fato. Segundo a Press TV, especula-se no país que todos os partidos que desejam participar da eleição de 12 de junho devem se registrar oficialmente entre 5 e 10 de maio. A Casa Branca demonstrou desconforto com a crescente presença iraniana na América Latina, lembrou a Press TV.”

O Itamaraty deve estar fulo, já que só ficou sabendo do adiamento pela agência de notícias iraniana, não tendo sido informado pela embaixada do Irã (pelo menos até agora).

Mas o Tio Rei e seus 300 manifestantes certamente dirão que foi por causa deles que Ahmadinejad, temeroso, decidiu adiar a visita sine die.  Naquelas cabeças desaparafusadas, certamente irão sentir-se os próprios 300 de Esparta contra o tirano persa!

Não fosse pelo fato de que, em matéria de militarismo clássico, a relação entre Tio Rei e seus fãs anda mais parecida com o lance que rolava entre os 300 do batalhão tebano

***

UPDATE:

Tio Rei confessa que nem ele foi na tal manifestação.

Deve ser dureza viver em um país onde não rolou anistia para anaeróbicos.  Do Estadão:

Auxiliares de Bush que apoiaram tortura podem ser processados
Presidente dos EUA disse que a questão de iniciar ou não processos ficará a cargo do procurador-geral

WASHINGTON – O presidente dos EUA, Barack Obama, deixou a porta aberta para que sejam processados membros do governo Bush que construíram o arcabouço jurídico usado para justificar a tortura de suspeitos de terrorismo, dizendo que os EUA perderam “a bússola moral” ao aplicar essas táticas.

A questão de se os autores das justificativas para o uso dos chamados métodos “avançados” de interrogatório devem ser acusados formalmente “será mais uma decisão do procurador-geral, dentro dos parâmetros de diversas leis, e não quero prejulgar isso”, disse Obama. O presidente discutiu a questão das táticas de interrogatório aplicadas contra terroristas depois de uma reunião com o rei Abdullah II, da Jordânia.

Obama também disse que poderia vira a apoiar uma investigação parlamentar das políticas do governo Bush para com prisioneiros suspeitos de terrorismo, mas apenas sob certas condições, como a formação de uma base bipartidária. Ele se disse preocupado com o impacto de uma investigação de forte teor político sobre os esforços do governo para conter o terrorismo.

O presidente já havia afirmado que não gostaria de ver agentes da CIA que praticaram tortura processados, desde que esses agentes tenham agido dentro dos parâmetros definidos por superiores que acreditavam que essas práticas eram legais.

Mas a posição do atual governo quanto aos juristas que trabalharam com o governo Bush para aprovar as táticas violentas de interrogatório é menos clara. ” [grifo meu]

***

Eu acho que ele está indo exatamente ao ponto.

***

O Balkinization está fazendo um ótimo trabalho de análise dos memos e, especialmente, dos argumentos que podem surgir para salvar a pele dos “juristas”.

***

A propósito, a Harper´s publicou uma matéria bem interessante (mas a cobertura completa também é muito boa) sobre alguns detalhes da tortura promovida nos anos Bush _ em particular, seus paralelos com o mundo criado por George Orwell em 1984.  Ali descobrimos que de fato existia uma sala 101:

In Orwell’s Nineteen Eighty-Four, Room 101 contained whatever a prisoner feared most, which would be let loose against him in an act calculated to inspire pure terror in the victim, to break him as an individual and to produce human material suitable for reconditioning. As a reminder, here’s the way the disclosure of Room 101 is realized in the excellent film version directed by Michael Radford (it begins at roughly 3:20 in the clip):


In the first of the four memos, we learn that one prisoner has been the subject of a careful psychoanalysis that had revealed a strong fear of insects, particularly stinging insects. The sudden onset of a phobia can produce automatic, uncontrollable reactions-the fear grips total control of the subject’s mind. Rapid heartbeat, a shortness of breath, trembling, an overwhelming desire to flee. The prisoner is prepared to do anything to escape the cause of the phobia.

The CIA therefore proposed to lock the prisoner in a coffin-like box to which would be added an insect. Judge-yes, the author is a sitting appeals court judge in San Francisco-Jay Bybee’s memorandum discusses this process in detail and settles on a pre-agreed script about how Room 101 will be used, addressing in turn the toxicity of the insect to be used, the dimensions of the box in which the prisoner will be confined, and the false statements which will be made to the prisoner in order to heighten his level of apprehension, with the intention of triggering a “panic attack.” Not surprisingly, George Orwell’s ultimate form of torture is perfectly fine for Judge Bybee-he raises no objection, as is the case with waterboarding, hypothermia, “walling” (a technique that involves bashing the prisoner’s head against a wall), and a number of other techniques that belong to the long-settled torture repertoire of such regimes as the Soviet Union, North Korea, China and North Vietnam. But for Judge Bybee, if the CIA wants to use these techniques, that’s all fine with him-no law stands in the way.”

A Harper também descreve um diálogo bem interessante durante uma entrevista na TV com o ex-diretor da CIA, Michael Hayden:

WALLACE: The New York Times reports that all the information that Abu Zubaydah, the first one who went through all of these techniques — all of the information he gave up came before he was subjected to waterboarding, before he was slapped, before he was slammed against a wall. And it says after the harsher enhanced interrogation, he gave up nothing.

HAYDEN: I should correct you — before he was slammed against a false flexible wall with something wrapped around his neck so that he would not be injured.

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Aparentemente o pessoal estava ocupado demais em proteger o mundo ocidental para se lembrar dos seus preceitos.

atlaswillshrug

Michelle Malkin é relativamente desconhecida no Brasil _ pelo menos fora da wingnuteira brasileira _ circunstância  que é fundamentalmente auspiciosa, embora traga menos alegria ao mundo.  Porque Michelle Malkin é antes de tudo muito engraçada, embora involuntariamente engraçada.

A última da Michelle é incentivar, no seu blog e em outros lugares que aceitam o que ela escreve, o movimento “Going Galt”.  Embora algumas pessoas não pareçam acreditar que o conhecimento é transferível, uma mais que rápida consulta ao Google mostrará que o “Galt” do bordão do movimento é John Galt, herói da novela Atlas Shrugged da autoria de Ayn Rand, uma senhora muito feia que escrevia coisas muito esquisitas.  No calhamaço, John Galt, um engenheiro, cansado das maquinações expropriativas do governo, convence os homens brilhantes do mundo a retirarem-se para um lugar isolado e ignoto, fazendo assim, essencialmente, uma greve (ou um lockout) _ e no processo, produzindo um cantochão, o famigerado discurso de John Galt, que é de fato um manual de Objetivismo para dummies.

O movimento, que parece ter se iniciado com um casal de profissionais liberais do Tennessee, conclama a todos os americanos que ganham mais de 250.000 dólares por ano a reduzir seu rendimento abaixo desse patamar de forma a deixar a arrecadação do governo às moscas.  Como podem ver, o movimento vem colecionando relatos pungentes de pobres pessoas ricas:

“I have frozen hiring in my firm. … No investments will be made in taxable accounts — only 401k/IRAs. I am buying silver and gold instead of CDs or stocks with non-qualified money and savings. I have stopped taking new clients, thus freezing my income. I barter more and more. Spend less. I stopped leveraging assets (don’t borrow).”

“I have cut WAY back — I’m no longer buying retail, driving out of a 10-mile radius, spending money on eating out or putting my money in a savings account. I am using the money to pay off all of our debt. It has made our family closer, more appreciative.”
 
Another blogger wrote: “Last year my family paid nearly $1,000 a month in federal taxes, and we are not by any stretch of the imagination rich. I’m going to make it my business to cut that amount in half, using every legal means possible and reducing my income so there is less to tax.”

Sim, senhores, é a revolta das elites.  Infelizmente, parece que o pessoal do Crooked Timber é totalmente incapaz de confrontar tamanho despreendimento sem lançar mão da mais cínica mordacidade:

The ‘Go Galt, Go!’ Manifesto

We proudly salute “Dr. Helen,” Glenn Reynolds, and Michelle Malkin, for identifying the only possible response to Barack Obama’s victory – ‘going Galt.’ By withdrawing their creative and intellectual achievements from the economy and stopping tipping waitstaff, the schmibertarian right can surely bring the parasites and Democrats to their knees. We look forward to these three thought leaders striking the obvious first blow, by refusing to blog for the ungrateful masses and withdrawing to a secret compound until the world capitulates to their demands! Only a universal wingnut blogging strike can bring the moochers to their senses. John Galt lives!

No Not Tupy, um post sobre o funk carioca. Cultura musical é um dos meus pontos cegos.  Genericamente, não gosto do funk carioca (mas nunca escutei muito para saber se eventualmente existe alguma coisa que eu gostaria; na verdade, gostei da trilha sonora de Tropa de Elite, mas essa apreciação vem colada ao produto que a música embala _ não poria o ratatá-tatatá-tatatá-tatatá para tocar numa tardinha relaxante aqui em casa, por exemplo).   Genericamente, também me incomoda a atitude nariz-pra-cima de uma elite (real ou fictícia) que prefere criticar qualquer manifestação da ralé, porque, que diabos, o problema é a ralé, portanto tudo que a ralé faça é ruim, feio, e censurável. Mas, como já disse, sou uma nulidade musical e não vou entrar em uma discussão que não me pertence.  O que me incomodou mesmo no post foi esse parágrafo aqui, meio perdido na argumentação, creio eu:

Críticos culturais conservadores, como Theodore Dalrymple, lembram-se que mesmo a ciência exige tradição para funcionar: que outra coisa se não a tradição é o que a universidade está ensinando? Valoriza-se excessivamente a desconstrução e a superação, sem se lembrar que o próprio inovador só pode fazer isso a partir de uma linhagem na qual se insere – se Einstein não conhecesse os problemas tratados ao longo de séculos por outros cientistas, se não tivesse milênios de matemática a suportá-lo, se, em outras palavras, não estivesse inserido na tradição da Física, jamais poderia ter contestado Newton.

Qualquer dia desses parece que a mera passagem dos anos de forma ordenada já vai ser celebrada como uma vitória conservadora, como se na cadeia de indução infinita dos anos que se sucedem apenas pela soma de um +1 ao anterior estivesse plantada a semente atemporal e estática da Tradição.  São mesmo uns eleatas.  Realmente, 2001 vem depois de 2000.  Já pensou que terrível seria se após 2000 tivéssemos, sei lá, 3517, ou pior, “THX1138”?  Aí sim a visão progressista do mundo estaria comprovada. É muito bacana ver um texto assim, pedindo a Einstein que dê o devido crédito aos seus antecessores.  Mas experimente dizer isso a Newton:

O problema com a física de Newton é que, quando um sujeito aceita uma tese autocontraditória como se fosse uma verdade definitiva, a contradição não percebida se refugia no inconsciente e danifica toda a inteligência lógica do infeliz. Newton não espalhou só o ateísmo pela cultura ocidental: espalhou o vírus de uma burrice formidável. Uma parcela da elite intelectual já se curou, mas a percepção da realidade pelas massas (incluindo a massa universitária de micro-intelectuais) continua doente de newtonismo. A quantidade de tolices que isso explica é tão infinita quanto o universo de Newton.”  (Olavo de Carvalho, “Nas Origens da Burrice Ocidental“).

Então, vamos fechar mais uma janela de Overton:  o problema do conservadorismo com o progresso não é que este último não dê o devido crédito à “sabedoria recebida”.  O problema do conservadorismo com o progresso é o fato dele existir.  Combinado?

jesus_obama

Essa é pro Paulo:

Obama beats out Jesus as America’s hero

ROCHESTER, N.Y. – Americans named President Obama as their No. 1 hero, followed by Jesus Christ and Martin Luther King, in a new Harris poll.

Others in the top 10, in descending order, were Ronald Reagan, George W. Bush, Abraham Lincoln, John McCain, John F. Kennedy, Chesley Sullenberger and Mother Teresa.

***

John McCain em sétimo?????????????

Deu no Daily Kos:

USA was 3 hrs away from Economic, Political Collapse in September 2008

According to Rep. Paul Kanjorski (D) (PA-11), in mid-September of 2008, the United States of America came just three hours away from the collapse of the entire economy. In a span of 2 hours, $550 billion was drawn out of money market accounts in an electronic run on the banks.

Rep. Kanjorski: “It would have been the end of our economic system and our political system as we know it.”

Kanjorski’s bombshell begins to detonate at roughly 2:10 into the video.”

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Kanjorski está no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara desde 1985.  Deve saber do que está falando.  Na verdade, ele ouviu isso da boca de quem interessava:

It was about September 15th [sic]. … On Thursday at about 11 o’clock in the morning the Federal Reserve noticed a tremendous drawdown of, uh, money market accounts in the United States to the tune of $550-billion was being drawn out in in a matter of an hour or two.

The Treasury opened up its window to help, and pumped in $105-billion into the system, and quickly realized it could not stem the tide. We were having an electronic run on the banks. They decided to close down the operation, to close down the money accounts. … If they had not done that, in their estimation, by 2 PM that afternoon $5.5-trillion would have been withdrawn and would have collapsed the U.S. economy and within 24 hours the world economy would have collapsed.

We talked at that time about what would have happened. It would have been the end of our economic and our political system as we know it.

***

E pensar que por essa mesma época alguns headless chickens buscavam auto-ajuda na Suécia

Este texto do Balkinization é tão bom que sou forçado a reproduzi-lo in totum:

The party of big government versus the party of big government

JB

As a follow up to Andy’s last post, it’s worth noting that, some sixty years after the New Deal revolution, although Democrats and Republicans are deeply ideologically divided on how to structure the stimulus package, the Republicans in Congress are not arguing that the Democratic plans are unconstitutional. Indeed, the Republican alternative– tax cuts and spending on a different set of programs– presumes the basic constitutionality of many of the devices used in the New Deal and the Administrative and Welfare State.

Even so, this does not mean that the fight over the stimulus has no constitutional overtones. In a larger sense, the fight between Democrats and Republicans really is constitutional in nature. That is because it is a fight over how government should grow. In this fight, the Democrats are the party of big government and the Republicans, by contrast, are the part of big government.

Small government conservatism is an excellent slogan, but it corresponds neither to contemporary realities nor to the actual policies of either party. None of the Republican presidents since the New Deal have really limited the size of government; all have presided over its increase, and in some cases (Nixon and Bush), the growth of government has been quite remarkable.

In saying this I do not wish to suggest that the growth of government under liberal Democratic leadership has been unproblematic, but rather to point to a general trend in technologies of governance that has been shared by both parties. Indeed, one can say that since the New Deal the expansion of government has been as American as apple pie, no matter who is in charge. If that is so, we might want to look past ideological disagreement as an explanation.

Despite the Republican rhetoric of small government, the actual Republican political hegemony of the past three decades has not really been directed to reducing the size of government. Rather, it has been about lowering taxes, especially taxes for large businesses, limiting government regulatory oversight, especially for large businesses, and increasing subsidies and government expenditures on subjects that Republicans have sought to subsidize, including, among other things, various business interests and the defense industries.

The Nixon Administration consolidated and expanded the Welfare State; the Reagan Administration ran enormous deficits; and the George W. Bush Administration converted a federal surplus into enormous deficits while creating new bureaucracies in education, health care, and Homeland Security and helping to construct the national surveillance state. While it was doing all this, it also expended about a trillion dollars on an ill-advised war in Iraq. Ironically, its particularly poor stewardship of big government has created an emergency that will probably lead to even more government.

You might think that an anti-tax and anti-regulatory philosophy necessarily means smaller government. But it does not, and indeed, the Bush Administration has shown us how to grow government while simultaneously reducing taxes and crippling regulatory oversight.

 

The problem with this model of big government/low taxes/limited regulation and government oversight is that it wastes lots of money, exacerbates social inequality, doesn’t provide particularly good government services, exacerbates problems of corruption, and, in certain cases, can help precipitate a financial meltdown. Other than that, it’s fine, I guess.”

Ok, ok, é domingo e não custa nada repetir isso para os malucos da vez que desconhecem o conceito de “média”:

(infelizmente, está em inglês)

steelobama

Black is the new white

Michel Steele, um político negro de Maryland, foi escolhido como o novo chefão do Comitê Nacional Republicano.  Teve uma vitória apertada sobre um rival que se tornou republicano quando o governo democrata fez passar a lei de dessegregação de escolas.

Republicanos: o partido das idéias…

Uma das minhas diversões atuais é observar o comportamento da blogoseira anaeróbica diante da posse de Obama.  Há um mundo de diferenças entre o mundo anaeróbico Antes de Obama e Depois de Obama.

Sob todos os aspectos, a reação que mais se observa nos EUA hoje é a de um profundo espírito cívico, embalado pela esperança trazida pelo novo presidente.   Se todas as manifestações que estamos vendo estivessem sendo dirigidas a um Presidente McCain, não tenho a menor dúvida de que os blogs anaeróbicos estariam em total triunfalismo.

Como ocorreu da vitória ser Democrata, os blogs anaeróbicos entraram em profundo estado de recusa da realidade.   Para eles, o espirito cívico que está nas ruas é pura demonstração de fanatismo, e torcem para que logo logo a lua de mel da cidadania com Obama se interrompa, se possível, da pior maneira concebível.

A mais recente novidade é ver os blogs de direita circulando um material apócrifo (por sua vez completamente alucinado) sobre o sistema de governo americano.  Eles talvez não saibam, mas o que estão veiculando é um material produzido pela John Birch Society _ um agregado curioso reunindo posturas de extremismo político de direita, conservadorismo social e isolacionismo radical (a ponto de ser extremamente anti-Bush justamente por sua total aversão à agenda imperial neocon).

O interessante é que, mesmo possivelmente sem conhecer sua origem, o vídeo agradou aos blogs de direita porque propugna por uma “moderação” do governo, e alerta sobre os perigos do exercício da vontade da maioria sobre a minoria (mal-disfarçando um ataque frontal aos ideais democráticos).  Mesmo desconsiderando a mistura ideológica decorrente de alianças de ocasião, não deixa de ser interessante que este apelo à modéstia ocorra agora, após a derrota republicana, mas não tenha ocorrido a ninguém do campo anaeróbico quando os republicanos tinham a Presidência e a maioria nas duas casas do Congresso, passando com um rolo compressor sobre a minoria democrata.

Tem gente que não se manca.

Paulo do FYI comentou estes dias sobre a decisao da Suprema Corte da California que determinou que Lisa Torti pode ser processada por negligencia por Alexandra Van Horn. Envolvidas em um mesmo acidente de transito, Lisa tentou tirar Alexandra, que era sua amiga, do seu carro apos o acidente _ ela alega ter visto fumaca e portanto imaginou que o carro pudesse explodir ou pegar fogo.  Alexandra ficou paraplegica, e agora acusa a amiga (as duas sao cosmeticistas na mesma loja de departamentos) de ter causado sua paralisia por te-la retirado do carro de forma irresponsavel antes do socorro medico chegar. 

A decisao da Suprema Corte vai no sentido de derrubar uma lei californiana que isenta de responsabilidades pessoas que ajudam outras em situacoes de emergencia, o Emergency Medical Service Act, de 1980.

O que Paulo do FYI conclui disso?   Que eleger Obama foi um erro, e´claro:

The biggest fear I have from an Obama administration is around the judiciary. Sure he can screw the country economically and militarily, but these mistakes are somewhat easy to correct once a new president/congress takes power. But Supreme Court decisions are written in stone.

What we see now all over California is what we would see all over the country if Obama has a chance to replace even one of the conservative Supreme Court Judges. This idea that everyone is a victim and there is always someone to be sued for any kind of mishap is a recipe for disaster.

I hope this decision goes all the way to the Supreme Court and gets overruled. Quickly.

O que e´interessante e´o seguinte:  embora a California seja um estado fortemente democrata, nos ultimos 25 anos o estado foi governado por um democrata por apenas 4 anos.   E quem indica os juizes da Suprema Corte da California sao os governadores.  A Wikipedia nos diz que na atual composicao da Suprema Corte da California, de seis juizes, apenas um foi indicacao de um governador democrata, enquanto os outros 5 foram indicacoes de um governador republicano.   

***

Essa parte e´especialmente interessante, dadas as atuais circunstancias:

The biggest fear I have from an Obama administration is around the judiciary. Sure he can screw the country economically and militarily, but these mistakes are somewhat easy to correct once a new president/congress takes power.

I rest my case.

Matamoros descobre a Bubble Doom.   🙂

Até aí tudo bem.  O problema foi quando o Sr. Fabio Marton, que comete o blog Tupy or Not Tupy, produziu o seguinte despautério na caixa de comentários do Torre de Marfim:

Ah, uma coisa eu posso garantir: se Obama quiser brincar de Franklin Delano Roosevelt, poderemos ter um resultado parecido, isto é, em 1942 o desemprego continuava o mesmo de 1932.

Como terminou o New Deal e toda a onda de economias neomercantilistas nós sabemos: a II Guerra Mundial, o maior festival de pleno emprego por vidraças quebradas da história.

Evidentemente, o New Deal não é a causa maior da Guerra, mas não se deve subestimar o efeito da onda antiliberal que varreu o mundo então. Onda que começou antes da crise, exatamente como na Rússia e na América Latina de hoje.

Na gloriosa arte do insulto, um argumento de que gosto muito consiste justamente em observar, en passant, que um determinado texto de alguém não só não está certo como não está nem mesmo errado.  É essa sensação que me assalta ao ler o comentário de Fabio Marton.  A começar pela reconfortante asserção de que o New Deal,  afinal, não é a causa maior da guerra _ o que nos informa obliquamente que uma causa menor, pelo menos, ele deve ter sido, na mitologia martoniana.  Depois pela acurada identificação da tal “onda antiliberal que varreu o mundo”.  Seria fascinante se o dr. Fabio nos indicasse em que momento, entre os anos do Senhor de 1871 e 1939, essa “onda antiliberal” teria aportado nos territórios germânicos _ dos quais se pode dizer, au contraire, apenas terem passado por uma “marola liberal” durante o momento de Weimar…

Bom, eu disse que não ia meter minha colher nesta briga, mas…

Na sequela de seu traque inicial, o Vilósofo escreve outro artigo intitulado “Método Doriano de Leitura”.  Ali ele comete a seguinte asneira:

Se a Suprema Côrte mantém a decisão do tribunal de primeira instância que se recusou a julgar a matéria do processo, então qualquer pessoa com QI superior a 12 pode compreender que a matéria não foi julgada de maneira alguma, isto é, que nenhuma das duas instâncias disse se Obama é americano, queniano ou marciano. O que ambas disseram foi que o queixoso, como eleitor comum, não tem legitimidade (standing) para abrir o processo, pois não provou ter sofrido dano pessoal com a eleição de Obama.

Bom.

A Constituição dos Estados Unidos da América _ um documento notavelmente sintético e pouco palavroso _ diz o seguinte sobre o Presidente do país:

No person except a natural born Citizen, or a Citizen of the United States, at the time of the Adoption of this Constitution, shall be eligible to the Office of President;

Me parece pra lá de improvável que diante de um comando constitucional tão explícito a Suprema Corte, aliás hoje cheia de textualistas, iria recusar-se a sequer admitir um processo com base no fato de que o queixoso “não provou ter sofrido dano pessoal com a eleição de Obama“.  A famosa Regra 10 da Suprema Corte, que regula a admissibilidade de casos, diz o seguinte:

Rule 10. Considerations Governing Review on Writ of Certiorari

Review on a writ of certiorari is not a matter of right, but of judicial discretion. A petition for a writ of certiorari will be granted only for compelling reasons. The following, although neither controlling nor fully measuring the Court’s discretion, indicate the character of the reasons the Court considers:

  •  
    • (a) a United States court of appeals has entered a decision in conflict with the decision of another United States court of appeals on the same important matter; has decided an important federal question in a way that conflicts with a decision by a state court of last resort; or has so far departed from the accepted and usual course of judicial proceedings, or sanctioned such a departure by a lower court, as to call for an exercise of this Court’s supervisory power;
    • (b) a state court of last resort has decided an important federal question in a way that conflicts with the decision of another state court of last resort or of a United States court of appeals;
    • (c) a state court or a United States court of appeals has decided an important question of federal law that has not been, but should be, settled by this Court, or has decided an important federal question in a way that conflicts with relevant decisions of this Court.

A petition for a writ of certiorari is rarely granted when the asserted error consists of erroneous factual findings or the misapplication of a properly stated rule of law.

Me parece que ter um presidente inconstitucionalmente eleito seria “compelling reason” mais que suficiente para assegurar um interesse da corte.  Mais importante, o tal do “dano pessoal” exigível da parte demandante, invocado por Olavo como condição suficiente para não aceitar ouvir o caso, nem sequer aparece na regra 10…

A propósito, o SCOTUSblog, fonte inexcedível para quem gosta de abeberar-se destes assuntos, assim noticiou a coisa:

In a brief order, the Court, as expected, turned aside a New Jersey voter’s plea for the Court to determine if President-elect Barack Obama was qualified to run for the White House — that is whether he was a “natural born citizen.”  The stay application came in the case of Donofrio v. Wells, Secretary of State of New Jersey (08A407).  This marked the second time in recent weeks for the Court to turn aside such a challenge; the first came on Nov. 3, in Berg v. Obama (08A391).   The Court, in neither instance, gave reasons for turning down the applications.  In neither case did the Court seek a reponse, thus indicating it had little interest in either or had found them to be completely without merit.” [grifos meus]

De novo, nem uma palavra sobre danos pessoais.

Eu acho que o único dano pessoal passível de acontecer nesse caso seria à reputação de Olavo.  Mas essa aí já não pode mais sofrer nenhum dano apreciável, “se é que vocês me entendem” (para usar aquela punch line cheia de wit tão apreciada pelo Tio Rei).

Paulo do FYI, em comentário aqui no blog:

Vale a pena lembrar que facilidade de credito eh muito benefica para a enorme maioria da populacao. Eu mesmo comprei minha primeira casa sem down payment, e como imigrante me beneficiei de credito mais facil (ja que credit history de quem se muda de fora eh um problema).

Querer dzer que elimiar o credito eh a unica maneira de se controlar irresponsabilidade eh so um shortcut semantico para se chegar no ponto que vc quer: governo papai controla tudo e todos.

Belas palavras.  Vamos à realidade?

Como é que você cria crédito fácil para o setor privado?  Uma das maneiras mais óbvias é: desligue o aspirador estatal, pratique a austeridade fiscal e por favor, mantenha de pé as estruturas regulatórias que fazem o sistema financeiro funcionar com baixo risco.

Qual é a prática republicana, apesar de seu discurso?

Superdaddy Republican State (TM) gasta pelos tubos:

(clique para ampliar)

O grafiquinho aí mostra a expansão do déficit público norte americano desde o fim da II WW.  Fica claro o seguinte:

For the mathematically inclined, if you take the first derivative of the data presented to find the slope of each President’s debt increase, you will find that the Republican slopes are consistently more positive than the Democratic slopes.  For everyone else, this just means that unbiased mathematical proof exists to support the claim that since 1945, Republican presidents have borrowed more than Democratic presidents regardless of the inflation rate.

Surpreendente?  Não, quando você “realiza” que o business do partido republicano é chegar ao poder com um discurso e distribuir suas benesses à sua constituency com uma prática totalmente diversa.

Superdaddy Republican State (TM), no processo para chegar ao ponto em que chegou, fez o seguinte:

– inventou uma guerra desnecessária no Iraque, muito boa para colegas empreiteiros;

desregulamentou as finanças para possibilitar o populismo consumista;

– defendeu a tortura;

– defendeu o wiretapping sem mandato judicial;

violentou o funcionamento dos mecanismos de checks and balances.

Superdaddy Republican State (TM) “controla tudo e todos“.  Pode não ser o ponto em que gente como o Paulo, grande eleitor do GOP, tencionava chegar.  Mas sua burrice os fez chegar lá anyway.

Shorter FYI ( (C) D-Squared via  Sadly, No! ):

Pô, gente, mas a Peste Negra foi muito pior!!!!

A novidade do dia é que não é preciso esperar que os Democratas tomem o poder nos EUA para vermos a destruição de regulações propostas pela administração federal republicana.  Os próprios republicanos estão fazendo isso, no apagar das luzes do segundo governo Bush.

Matéria do NYT diz que a General Services Administration, organismo responsável pela administração do patrimônio imobiliário do governo americano, está propondo a anulação de normas de segurança em edificações, principalmente arranha-céus, que nasceram das propostas de um relatório feito pelo National Institute of Standards and Technology (outra agência federal) que analisou o colapso catastrófico das torres gêmeas do World Trade Center no ataque do 9/11. 

O interessante é que o ataque às novas normas parte de um argumento inesperado na boca de oficiais de uma administração republicana, especialmente de uma administração Bush:

Mr. Frable of the General Services Administration and other real estate officials who have joined him in challenging the new standards rejected that charge, saying they were trying to counteract an emotional reaction to the 2001 attacks that has led to unrealistic and unnecessary new building standards.” [grifo meu]

Fiquei pensando em quantas outras coisas se procurou justificar nos EUA após o 9/11 a partir de “uma reação emocional aos ataques do 9/11 que levaram a providências desnecessárias e irreais”.

Hora de tirar as tropas do Iraque, não é?

É claro que há método nessa loucura, e não é preciso procurar muito para descobrir quem se beneficia desse súbito reconhecimento da excessiva exploração do pânico do 9/11 pela administração federal: as construtoras, os grandes incorporadores, isto é, o grande capital.  E não sou eu quem digo isto:

The costs associated with these new requirements are so significant that if major cities around the United States enact them, it could slow skyscraper construction nationwide, real estate executives predicted.

“We put up buildings to make a profit,” Mr. Burton said. “If the numbers don’t work, it won’t happen.”

Há coisas automáticas nesta vida, e o alinhamento automático dos republicanos aos interesses das elites é uma delas _ com ou sem “hockey moms”.

***

Por outro lado, um republicano sempre pode argumentar que com medidas singelas como a ocupação do Iraque, as prisões em Guantanamo e a degradação dos direitos civis norte-americanos pela oficialização da tortura e da escuta telefônica sem autorização judicial, a probabilidade de um arranha céu americano cair diminuiu muito nos próximos anos.  O que joga toda uma nova luz sobre as medidas anti-terroristas do governo republicano: dar mais segurança aos negócios imobiliários.  The business of america is business.

O Paulo continua inconformado com “a pior crise dos últimos 60 anos”, e olha que quem disse isso foi o Greenspan.

Embora o mais provável mesmo é que o pior em termos de economia real ainda esteja por vir, Paulo prefere deixar de lado o fato de que a situação só não foi para o brejo porque entre as tradições norte americanas, como a torta de maçã e o tiroteio dentro de escolas, está o bailing out de instituições financeiras. Sem intervenção governamental é provável que estivéssemos vendo gente na fila da sopa em Wall Street a estas alturas. Então menos, Paulo, menos…

De repente dei-me conta do seguinte:

Estamos discutindo a superioridade da civilização cristã ocidental sobre os índios por causa do infanticídio.

Bem, podemos não só discordar, como querer fazer algo a respeito, mas os índios fazem o que fazem por uma razão clara: no seu modo de vida, é muito difícil manter indivíduos com defeitos físicos.

Já nós precisamos de quando em vez de uma capa de Veja sobre o abuso, assassinato e tortura de crianças para demonstrar o quão evoluídos somos.

***

O problema de não manter um ceticismo relativista saudável quanto aos trabalhos de nossa própria civilização é recaírmos em uma certa crença em um progresso linear.  Um tipo de hubris que costuma atrair sua nêmesis, ao devido tempo.

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A sede do Bolsa-Canhão

Como mostra este artigo de 2006 de James K. Galbraith e J. Travis Hale, quem parte e reparte, fica com a melhor parte:

American Inequality: From IT Bust to Big Government Boom

The American economy is not a monolith, but a kaleidoscope. Things change, and so does the geographic distribution of income. Some counties prosper, others suffer; much depends on the rise and fall of crops, oil, steel and computers—and on where those activities are found.

For roughly a quarter century, between 1974 and 2000, income inequality between counties rose steadily, and in the last years of the century certain high-technology counties, notably in Northern California, grew exceptionally rich. In 2000 the trend reversed, and county incomes began to converge.

It might be tempting to credit the Bush Administration with a benign reversal of what had been a disturbing trend. We doubt this interpretation. Instead, for good or ill, geographic inequality in America tracks the NASDAQ, to a remarkable degree.

And yet, under Bush, some counties have defied the convergence trend. Which ones are these? While incomes in Silicon Valley deflated, the counties around Washington D.C. and several other defense-based locations went from rich to richer. Government contracts, in short, have been the one major source of regional enrichment and redistribution under Bush, with the nation’s capital region being the one big winner.

(…)In short, government spending (especially for the military) provides the main thread visibly linking the economic winners of the Bush years.

Conclusions

Along with the technology bust and the slide of the NASDAQ, there came a reversal in 2000 of the steady march of roughly a quarter century of rising geographic income inequality in America.

This reversal predates the Bush administration and its normative significance is unclear: it mainly reflects the end of the technology boom.

In the Bush years, a concentration of increasing income around Washington D.C. appears to reflect the vast growth in federal government spending. This spending contributed to increased housing prices and credit expansion in and around the capital, creating new winners in the private sector in that region. Much of this spending is related to the growth of military and intelligence activities, though federal civilian spending also grew rapidly in 2003–2004; there was undoubtedly also substantial growth in spending by private sector lobbies. The ultimate economic consequences should, of course, be judged in part by the worth of the activities undertaken. However, it is already clear that the Bush years so far have engendered no very broad revival of private-sector economic initiative; a main economic beneficiary of government spending was the government itself and those associated with it. Given the anti-government rhetoric of the administration, this is, well, ironic.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui no Economist´s View.

***

Alguns amigos meus costumam me dizer que eu estou errado, ou parcialmente errado, quando digo que a guerra americana no Iraque tem a ver com petróleo. Eles acreditam que tem muito mais a ver com o enriquecimento de claques de amigos dentro do complexo industrial militar via gastos do Estado. Eu continuo achando que garantir o acesso ao petróleo desempenha um papel importante, mas essa outra hipótese também é extremamente racional – ainda que várias ordens de grandeza menos nobre. Mas quem disse, afinal, que a claque neocon de Bush passa perto da nobreza?

Ali mais abaixo, no post Surpreendente!, o Paulo aproveitou para deixar no blog mais algumas palavras de autoengano. Como esta é uma grande oportunidade didática, também vou aproveitar para tentar levar alguma luz àquela alma desgarrada. Vamos lá.

O que Paulo disse está em azul; respondo em preto.

Se um cara como o Saddam, que foi provavelmente um dos piores ditadores pos 2WW, diz que tem WMDs e que vai usa-las quando bem quiser contra seu pais, vc tem que lever a serio.

Concordo. Mas China e Rússia certamente têm WMDs, podem usá-las contra qualquer país inclusive os EUA e não parece que este último esteja disposto a invadi-los. É para isso, aliás, que existe o conceito de “deterrence”. Por outro lado, qualquer analista militar minimamente competente sabia que mesmo que o Iraque estivesse desenvolvendo WMD’s à todo pano (o que não só não era verdade como também se sabe que era uma acusação forjada), o país não tinha a menor condição de efetuar algum ataque aos EUA, muito menos o histórico de atacar alguém que pudesse retaliar duramente.

Se esse mesmo cara anuncia para Deus e o mundo que paga 20 mil doletas por cada suicide bomber que mata israelenses, eh logico que ele seja um bom candidato a ter influencia em outros ataques terroristas como o de 9/11.

Não necessariamente. Os sauditas também fizeram pagamentos às famílias de terroristas suicidas, a Arábia Saudita é o berço da Al-Qaeda e nem por isso mereceu semelhante “tratamento”.

Eu nao estou dizendo que nao houve erros de inteligencia ou que nao seria melhor ter melhores dados antes da guerra. O que eu estou dizendo eh que eh simplesmente impossivel ter esses dados em varias situacoes, e que considerando a historia do Saddam, o erro foi justificavel.

Nesse caso seria bom saber por que motivos os EUA possuem tantas agências de inteligência (CIA, NSA, DIA, para não falar das militares), se você prontamente admite que é “impossível” saber se uma atividade tão prosaica quanto o desenvolvimento de armas nucleares é “impossível” de ser detectada. Mas não precisa tentar explicar, pois já sabemos que a ordem dos fatores foi a inversa: havia a vontade política de invadir e portanto as evidências foram fabricadas (sim, pois não é verdade que em algum momento a CIA tenha dito que “é impossível saber” _ ela disse que sim, que era absolutamente certo que elas existiam).

Bom, primeiro que existem varios tipos de inferno. Um eh o atual, com brigas sectarias e atentados a bomba. O outro era aquele em que Uday fazia visitas a casamentos e roubava noivas, presos politicos eram atirados de cima de predios e um milhao de soldados morriam em guerras inuteis.”

É um pouco de cinismo de sua parte falar do um milhão de soldados mortos na guerra Irã-Iraque quando se sabe que ela foi causada pelo desejo norte-americano de conter o Irã e dar o troco à Revolução Islâmica, inclusive apoiando o próprio Saddam. E de qualquer forma, entre mortos, feridos e refugiados, é evidente que o sofrimento impingido ao povo iraquiano é muito pior agora.

Quanto a ‘consideracao’ americana, eu nunca disse que os EUA estavam fazendo um favor aos iraquianos. Pelo menos nao em primeira instancia. A preocupacao americana eh e sempre sera consigo mesmo. Agora, se vc ano consegue enxergar as diferencas morais entre os que morrem antes e os que morrem agora, nao vai ser num simples comment que eu vou te explicar.

Se você quer falar de diferenças morais, comece por explicar porque então os EUA venderam a invasão como uma tentativa humanitária de exportar a democracia quando você mesmo reconhece que eles apenas estão preocupados consigo mesmos.  Eu, do meu lado, sempre achei que era isso mesmo _ e que o interesse é o petróleo.

O calculo “valeu a pena ou nao” eh sempre complicado. Tem um texto la no Townhall (preciso achar o link) em que se especulava como uma guerra antes do 9/11 contra o Afeganistao seria ‘justificada’ e vista pelo mundo. Ninguem sabe o que seria ou nao seria o Iraque se o que aconteceu fosse diferente. Esse tipo de exercicio nao eh so dificil, eh impossivel.

Paulo, na boa: isso é um festival de desculpas esfarrapadas. Se é essa a defesa dos atos dos EUA no Iraque, só posso dizer que conheço gente que foi presa e condenada por contar histórias com muito maior credibilidade.

Do Wall Street Journal:

Sweet Home, Santiago: Cuba’s Ethanol Future

Fidel Castro’s decision to step down as Cuba’s ruler brings the country one step closer to a democratic transition. Could it also be one step closer to an economic transformation?

Sugarcane_art_200_20080219091424.jpg

A sweet cash crop (Wikipedia)

Before Castro’s 1959 revolution, Cuba was the world’s biggest sugar producer; today, its battered sugar mills and neglected land produce about 10% of what they did. In the meantime, though, sugar has become a real cash crop: While regular sugar sells for around 11 cents a pound, ethanol made from sugarcane can fetch $2 a gallon.

The academics who try to make sense of Cuba’s economy—and divine its post-Castro future—have spent a lot of time wondering if Cuba could be a baby Brazil, which has become the world’s biggest producer of ethanol by pouring half its sugar crop into the fuel. The short answer, from the Association for the Study of the Cuban Economy’s Juan Tomas Sanchez:

The 1 billion gallons [of sugarcane-derived ethanol] that Brazil will export in 2007 could have been produced in [the Cuban province of] Camaguey.

Mr. Sanchez set out to determine how much ethanol Cuba could produce after an exhaustive study of Cuban land use. In a best-case scenario, where post-Castro Cuba opened the door to hefty foreign investments to modernize its sugar industry and without any barriers to the U.S. market, Cuba could produce 3.2 billion gallons of ethanol a year, Mr. Sanchez figures. (Other academics guess it would be closer to 2 billion gallons.)

But unlike Brazil, which has a thirsty domestic auto market to feed, Cuba’s relative lack of internal demand would free most of that ethanol for export. Mr. Sanchez figures as much as 3 billion gallons, worth around $7 billion at today’s prices. Hard currency aside, sugarcane ethanol appears to have two other selling points over other varieties. It seems to produce lower carbon-dioxide emissions than biofuel made from corn, soy, or palm oil. And sugarcane biomass, long used to fire distilleries in Cuba, could produce an additional 4 gigawatts of power (think four nuclear plants) for the electricity-starved nation.

O mito do isolacionismo americano, altaneiro como a água em seu ninho que só desce à Terra para dar umas bicadas nas cabeças dos povos mal-comportados, é também um apanágio do Campo de Distorção da Realidade. Diz o Paulo:

I bet the US would have no problems leaving that piece of rock for the old commies (…)

E arremata o Alexandre, nosso velho conhecido troll, que comentou por lá:

It amazes me how these american hating, inferiority complex ridden morons think the the United States actually cares about Cuba, or any Latin American country for that matter, to the point of “renouncing any form of intervention” or “proposing annexation

Como vemos, o Campo de Distorção da Realidade, entre seus variados e deletérios efeitos, também impede as pessoas de irem até a biblioteca mais próxima conferir uns livrinhos.

Enters the Platt Amendment:

The Platt Amendment was a rider appended to the Army Appropriations Act, a United States federal law passed on March 2, 1901 that stipulated the conditions for the withdrawal of United States troops remaining in Cuba since the Spanish-American War, and defined the terms of Cuban-U.S. relations until 1934. Formulated by the American Secretary of War Elihu Root, the amendment was presented to the Senate by, and named for, Connecticut Republican Senator Orville H. Platt (1827-1905). It replaced the earlier Teller Amendment.

The amendment:

-ceded to the United States the naval base in Cuba (Guantánamo Bay),

-stipulated that Cuba would not transfer Cuban land to any power other than the United States,

-mandated that Cuba would contract no foreign debt without guarantees that the interest could be served from ordinary revenues,

-ensured U.S. intervention in Cuban affairs when the United States deemed necessary,

-prohibited Cuba from negotiating treaties with any country other than the United States “which will impair or to impair the independence of Cuba” or “permit any foreign power or powers to obtain … lodgement in or control over any portion” of Cuba, and

-provided for a formal treaty detailing all the foregoing provisions.

As fontes históricas disponíveis são unânimes em afirmar que não existiam mísseis nucleares estacionados em Cuba, na época.

É claro, é claro, nós entendemos. Afinal, os EUA foram provocados, a Espanha tentava anexar ao seu império colonial as terras que vão desde a Flórida até o estado do Maine, não é mesmo?

Hããã…not quite.

Los Estados Unidos, que no participaron en el reparto de África ni de Asia, fijaron su área de expansión inicial en la región del Caribe y, en menor medida, en el Pacífico, donde su influencia ya se había dejado sentir en Hawaii y Japón. Tanto en una zona como en otra se encontraban valiosas colonias españolas (Cuba y Puerto Rico en el Caribe, Filipinas, las Carolinas y las Marianas en el Pacífico) que resultarían una presa fácil debido a la fuerte crisis política que sacudía su metrópoli desde el final del reinado de Isabel II. En el caso de Cuba, su fuerte valor económico, agrícola y estratégico ya había provocado numerosas ofertas de compra de la isla por parte de varios presidentes estadounidenses (John Quincy Adams, James Polk, James Buchanan y Ulysses Grant), que el gobierno español siempre rechazó. Cuba no sólo era una cuestión de prestigio para España, sino que se trataba de uno de sus territorios más ricos y el tráfico comercial de su capital, La Habana, era comparable al que registraba en la misma época Barcelona.

***

Claro que além disso poderíamos desfiar o longo rosário das intervenções norte americanas em Granada, no Panamá, na Nicarágua, e seu apoio desinteressado aos levantes militares em toda a região ao longo das últimas décadas. Mas isso já seria usar um canhão para matar um mosquito.

No FYI:

So I would say that it would be very easy to annex Cuba. All that Raulzito has to do is to allow people to escape the prison island. I bet the US would have no problems leaving that piece of rock for the old commies as long as they don’t point nuclear missiles to Florida.

Interessante essa idéia do Paulo de anexar os cubanos, não Cuba. É uma bela idéia, mas infelizmente talvez não funcione. Pelo menos não deu muito certo da última vez. Por outro lado, essa mudança de política dificultaria um pouco os planos do Pentágono, pois tornaria cada vez mais difícil explicar ao contribuinte norte-americano o motivo pelo qual eles têm que pagar pela anexação de pedaços de rocha cada vez mais longe do país, havendo tantos outros disponíveis bem mais perto.

Entretanto, em prol do avanço da Ciência, não podemos deixar de notar que o post do Paulo nos oferece a mais contundente evidência de que o Campo de Distorção da Realidade republicano é capaz não apenas de distorcer as idéias ou o espaço, mas também o tempo, já que faz mais de 40 anos que um míssil nuclear estacionado em Cuba apontou para os EUA. Acho também ocioso ter que observar que durante esses mesmos pouco mais de 40 anos a China continuou a apontar mísseis para os EUA e não está propriamente submetida a um embargo comercial. Finalmente, também é verdade que nesses 40 e poucos anos os EUA estiveram apontando mísseis nucleares para todo o resto do mundo, e continuam a fazê-lo.

Via Crooked Timber, chega-se a um post do Obsidian Wings revelando a incontida alegria de seu autor com a partida de William Haynes II do cargo de “General Counsel” Departamento de Defesa norte-americano (aparentemente, equivalente ao cargo de consultor jurídico de um Ministério, no Brasil).

Haynes, além de ser da opinião que o julgamento dos presos em Guantânamo TEM que terminar com a condenação de todos os acusados (“afinal, como justificaríamos mantê-los presos por tanto tempo?” _ eis aí uma pergunta que ele poderia fazer à justiça brasileira) , e de ter redigido um memorando que para todos os efeitos justifica o fim da experiência republicana nos EUA, escreveu esta opinião em um caso legal (Center for Biological Diversity v. Pirie):

In this amazing brief, Haynes argued that bombing a nesting site for migratory birds would benefit birdwatchers, since “bird watchers get more enjoyment spotting a rare bird than they do spotting a common one.” Moreover, he added, the birds would benefit as well, since using their nests as a bombing range would minimize “human intrusion”. The judge’s comment on this novel line of argument: “there is absolutely no support in the law for the view that environmentalists should get enjoyment out of the destruction of natural resources because that destruction makes the remaining resources more scarce and therefore more valuable. The Court hopes that the federal government will refrain from making or adopting such frivolous arguments in the future.” (pp. 27-8)

Detalhe sombrio: o homem foi indicado por Bush para a Corte de Apelação dos EUA.  Duas vezes.

Eu resto o meu caso.

(e vale realmente a pena ler os comentários lá)

maio 2017
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