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“B” de Besouro ou de Barriga?

Deu no Valor:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse prever um debate eleitoral muito acirrado e até com conflitos, mas garantiu estar preparado para o que virá. ” Este ano de eleições será muito quente e com agressões. Os meus adversários são todos muito letrados e vão querer um debate de alto nível e vão estar todos de peito para cima ” , afirmou. ” O que eles não sabem é que eu sou capoeirista e estou muito preparado para não deixar a coisa chegar ao meu peito. “” [grifo meu]

Presidente, não exagera, vai.  🙂

Deu no The Register:

LHC knocked out by ANOTHER power failure

By Lewis Page

The Large Hadron Collider – most puissant particle-punisher ever assembled by the human race – has suffered another major power failure, knocking not only the atomsmasher itself but even its associated websites offline. The machine remains unserviceable at present. However its crucial cryogenics seem to have been unaffected, and no catastrophic damage is thought to have occurred.

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Bom, nada a ver entre o LHC e o FHC.  Esse último parece que nunca sofreu de “power failure“.

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Tô dizendo…  🙂

Agita a internet a história da foto da Michelle Obama alterada para parecer um macaco.

Fair game.  Afinal, gente inescrupulosa fazia isso com Bush o tempo todo.  E nem precisavam de photoshop:

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No FT:

Obama calls job losses ‘sobering’

US president Barack Obama sought to allay growing concerns on job losses on Friday, signing a bill extending unemployment benefits, as the jobless rate hit a fresh 26-year high.

The unemployment rate shot up by a greater-than-expected 0.4 percentage points to 10.2 per cent in October and the economy lost an additional 190,000 jobs, according to official data released on Friday.

Mr Obama called the numbers “sobering” and said his administration would continue its efforts to stem job losses.

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Depois reclama de perder eleição.

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Bem que o Krugman avisou que para conter a “herança maldita” bushista, o estímulo estava pequeno.

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O nascimento de Lula, por Botticelli

Fernando Henrique faz bem em citar Maquiavel e em lembrar do “imprevisível” apagão (vide post abaixo), mas parece que Lula, o voltado pra Lua, não precisa se preocupar com um repeteco de 2002 em 2010:

Nível recorde de reservatórios faz agência temer enchentes

Paulo Victor Braga, de Brasília

O volume de água nos reservatórios de todo o país encontra-se em nível recorde, muito próximo da capacidade máxima, em razão das chuvas intensas de outubro de 2008 a setembro deste ano. O diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), José Machado, afirmou ontem que essa constatação, aliada à alta umidade do solo e à época de chuvas que se aproxima, levaram a ANA a tomar suas precauções. “Existe risco de que venhamos a ter enchentes, mas agora haverá maior eficiência na prevenção”, disse.”

Lendo este post, bateu a dúvida: você prefere um Presidente capaz de influenciar empresas, ou um que é influenciado por elas?

Cartas para a redação.   🙂

O UOL nos informa de mais um editorial com elogios ao Brasil em um jornal argentino:

Lula projeta Brasil a ‘líder regional e ator global de 1ª ordem’, diz jornal argentino

O jornal argentino “La Nación” afirma em seu principal editorial desta segunda-feira que, enquanto a Argentina perde espaço e importância no cenário internacional, o Brasil se consolida como “líder regional e ator global de primeira ordem”.

O texto, intitulado “Brasil, nas grandes ligas”, atribui o resultado ao trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que por sua vez seguiu a “via das políticas de Estado (…) traçadas nos oito anos anteriores pelo presidente Fernando Henrique Cardoso”.

Os editorialistas fazem sua análise a partir do que chamam de “dois troféus” aquinhoados por Lula em sua recente viagem à capital dinamarquesa, Copenhague: a eleição do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 e o apoio da União Europeia ao modelo brasileiro de combate ao desmatamento, que será apresentado na mais importante reunião sobre o clima do ano, que ocorre em dezembro, também em Copenhague.

Sobre a escolha do Rio como sede olímpica, o jornal avalia que a atuação brasileira na disputa, apartidária, mostrou uma “formidável imagem de como se defende o interesse nacional”. O “La Nación” sugere que, se Buenos Aires tivesse sido candidata, “aversões pessoais” entre os políticos argentinos impediriam uma postura semelhante.

Para o jornal “não é novidade que o Brasil, pelo carisma e o impulso de seu presidente, jogue nas grandes ligas”.

“A novidade é que, em meio a sérios problemas de desigualdade e de corrupção ainda não resolvidos, Lula tenha conseguido projetar seu país como um líder regional que não admite essa definição, ainda que saiba que esta cada vez mais perto de sê-lo.” Exemplos dessa projeção são o diálogo de Lula com o presidente americano, Barack Obama, “enquanto Cristina Kirchner, ainda não consciente de que todos os seus ataques contra Bush se traduzem de forma imediata em Washington como ataques contra os Estados Unidos, não teve ocasião de dialogar senão em breves intervalos de cúpulas internacionais com Obama”.

O jornal observa que “em 2011 terminará o segundo período de Lula”. “Terminará também esta tendência? Não. Definitivamente não. Em 2014 o Brasil será sede do campeonato mundial de futebol; em 2016, o Rio de Janeiro receberá os atletas.” Os editorialistas tentam explicar por que, apesar da crise, “o Brasil recebe investimentos diretos em maior volume que a Argentina” e tem recursos para emprestar ao FMI, e por que “em cada cúpula da Unasur (o grupo de países sul-americanos), os olhares apontam para Lula e os ouvidos esperam suas reflexões”.

“Talvez porque, no plano político, os escândalos de corrupção nunca terem lançado dúvidas sobre Lula; porque ele cumpriu sua palavra empenhada sem desmerecer às instituições nem às pessoas que pensam diferente; e porque nunca teve a estranha idéia de construir um trem bala onde falta comida.“”

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Essa última referência, ao trem bala, me pareceu um tanto enigmática; creio que se refere ao trem bala argentino, previso para ligar Buenos Aires a Córdoba, passando por Rosario.

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Fico me perguntando o quanto disso se deve a) à personalidade de Lula; b) às políticas de Lula; c) meramente ao tamanho do Brasil.

Eu acredito que 90% deva-se a uma mescla de a) e b).

Felix Salmon tem um ponto interessante:

Why the Olympics are good for infrastructure

Ryan Avent explains, contra Matt Yglesias, why hosting the Olympic games makes sense from a behavioral-economics perspective:

Infrastructure benefits begin appearing years down the road and last for decades beyond that, while many of the costs — the political headaches, the need to put together financing, the disruption of construction, and so on — are relatively immediate. Winning the Olympics ties an immediate benefit to the immediate costs.

More to the point, it sets a deadline. Infrastructure projects invariably end up plagued by endless delays: just ask anybody who currently commutes on the Second Avenue subway line in New York. And deadlines are often the only way that anything ever gets finished: just ask any journalist. If you win the Olympics, you know that for all the construction headaches you’ll have to endure before they open, at least you’ll have some decent infrastructure thereafter. If you don’t win the Olympics, then even if you’re enlightened enough to invest in infrastructure, you can have no faith in its arrival.

Rio de Janeiro has desperate need for a good subway system. If it wins the Olympics, it will probably have just such a system by 2016. If it doesn’t win the Olympics, there will still be a lot of infrastructure investment in the city. But without a deadline, I don’t think anybody has any faith in getting that subway system any time soon.

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De fato, segundo esta matéria do G1, 40% dos 29 bilhões a serem gastos na produção dos Jogos irão para o setor transportes.  Prevê-se, além da expansão da capacidade do aeroporto do Galeão, o seguinte:

Dos quase R$ 29 bilhões de investimentos previstos para os jogos, quase 40% serão aplicados em transportes. Trem, ônibus e metrô: todos vão receber substanciais investimentos.

Para o transporte ferroviário, serão 120 novos trens, além da reforma e instalação de ar condicionado em quase cem deles.

Um novo sistema será o BRT – ônibus de trânsito rápido. Serão três corredores exclusivos para esses veículos. Um deles sairia do Leblon, na Zona Sul, passaria por São Conrado e atravessaria toda a Barra da Tijuca, até chegar no Riocentro, na Zona Oeste. Outro, o antigo projeto T5, sairia da Penha, no subúrbio, cruzaria bairros da Zona Norte, regiões de Jacarepaguá e quando chegasse à Barra, seguiria em duas direções: até o Riocentro e até o terminal Alvorada.

No terceiro corredor, os ônibus sairiam de Bangu, passariam por outros bairros da Zona Oeste, como Deodoro, e seguiriam para Jacarepaguá, com destino final também o Riocentro.

“Pode ser uma solução interessante e pode vir a ajudar a solucionar alguns dos problemas de mobilidade que nós temos na nossa cidade. Principalmente na Zona Oeste, que é a ligação da parte mais lá de cima, de Bangu, Campo Grande, com a Baixada da Barra, Recreio dos Bandeirantes, e o próprio corredor T5, que é ligação Barra-Penha, onde está prevista a expansão, no futuro, de uma linha de metrô, a Linha 6”, explicou Hostílio Xavier Ratton, engenheiro de transportes da Coppe UFRJ.

Mas para outro especialista, esse tipo de ônibus ainda não é o bastante. “Sistema de ônibus rápidos é uma alternativa que é mais viável em termos de certeza de execução, e relativamente mais barata. Mas só que não é a melhor pra cidade. A melhor pra cidade, realmente, é expandir o metrô até onde puder – até a Barra, que é o sonho inicial que a gente tem”, disse o engenheiro José Eugênio Leal, da PUC.

Novas estações do metrô

Ainda esse ano os moradores de Ipanema, na Zona Sul, já vão poder ir pra casa de metrô com a inauguração da Estação General Osório.

Além da extensão da linha 1 até Ipanema, estão previstas outras inaugurações. Em dezembro começa a funcionar a ligação direta entre a Pavuna e Botafogo. Sem precisar mais da baldeação do Estácio, a viagem fica 13 minutos mais curta.

Já para a estação Uruguai, na Tijuca, Zona Norte, a previsão é de inauguração em 2014, quando o metrô também deverá chegar a Gávea, passando por três novas estações, em Ipanema e no Leblon.

E embora não faça parte da promessa olímpica, a intenção dos governos estadual e municipal é que, com os jogos no Rio, o metrô também chegue à Barra da Tijuca até 2016.

“Imagina você ter o metrô chegando à Barra. O engarrafamento pra Barra é terrível, você hoje leva uma hora e vinte, uma hora e meia pra chegar na Barra, e com o metrô você levaria vinte minutos”, disse o engenheiro do metrô Eduardo Aguiar.

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No entanto, eu mesmo duvido que consigam levar o metrô a Barra até 2016.

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UPDATE:

No NYT, a opinião de três economistas sobre se a Olimpíada vale ou não à pena.

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De volta para o passado

Uh_oh…

“Two months before the fall of the Berlin Wall, Margaret Thatcher told President Gorbachev that neither Britain nor Western Europe wanted the reunification of Germany and made clear that she wanted the Soviet leader to do what he could to stop it.

In an extraordinary frank meeting with Mr Gorbachev in Moscow in 1989 — never before fully reported — Mrs Thatcher said the destabilisation of Eastern Europe and the breakdown of the Warsaw Pact were also not in the West’s interests. She noted the huge changes happening across Eastern Europe, but she insisted that the West would not push for its decommunisation. Nor would it do anything to risk the security of the Soviet Union.

Even 20 years later, her remarks are likely to cause uproar. They are all the more explosive as she admitted that what she said was quite different from the West’s public pronouncements and official Nato communiqués. She told Mr Gorbachev that he should pay no attention to these.

“We do not want a united Germany,” she said. “This would lead to a change to postwar borders, and we cannot allow that because such a development would undermine the stability of the whole international situation and could endanger our security.”

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Que balde de água fria para os cold-tatcher-é-minha-ídala-warriors…

Barry Eichengreen em entrevista à Agência Estado:

“O  senhor acredita que veremos as importantes reformas no sistema financeiro global ou há o risco de elas serem esquecidas uma vez que a situação se acomode?

Eichengreen – Há esse risco e cada vez mais eu lamento a decisão da administração de Obama de ir adiante com a reforma na saúde. Acho que deveriam ter focado na reforma financeira enquanto todas memórias da crise ainda estão frescas. E o comunicado que tivemos do encontro do G-20 é muito amplo, com princípios gerais, mas que não estão no caminho de ações concretas.”

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Concordo totalmente.

Nos jornais argentinos de anteontem já ficava patente o desespero com a derrota para o Brasil.  Nos de hoje então

Frase:

La Argentina no juega, no reacciona, se deja estar. Es inoperante. No hay proyecto.”

Que se aplica ao futebol hermano, mas poderia se aplicar _ e eles aplicam _ à situação do país como um todo.

Prova: tanto o Clarín quanto o La Nacion estão a falar no Pacto de Moncloa…

Pungente texto no La Nacion:

Se nos viene encima el Bicentenario y no tenemos nada que mostrar. La Argentina actual es como un palacio maravilloso, saqueado. Ningún país cayó como el nuestro, de tan alto. Tanto, que a veces sentimos que el pasado que tuvimos sería el mejor futuro que podríamos tener. Somos como una llamarada de entusiasmo vital y creadora que se empezó a extinguir, quizás después de las Malvinas, si quiere buscarse un hito aproximativo, puramente referencial. (¿Cuándo empieza una esclerosis múltiple, una tisis?)

En esta misma columna conté que un amigo ausente un par de décadas de la Argentina me preguntó cómo estábamos, y no se me ocurrió más que usar un lugar común de las páginas policiales: “Estamos en avanzado estado de descomposición”.

Lo que nos pasa trasciende lo político y lo económico. Ya invade lo cultural gravemente. ¿Qué cantidad de poder tendrá que tener nuestro futuro presidente para corregir un país desmadrado, desbrochado que se suicida a pinchazos de alfiler? Indisciplina escolar, un millón de chicos y adolescentes a la deriva, sin colegio, sin padre, entre el paco, la nada o las trifulcas de bailanta. Un ejército degradado, sumergido y silencioso como el ejército de terracota que uno visita en Xian. ¡Un país donde para vengarse de los soldados del 70, se niega la defensa nacional cuarenta años después! Subcultura audiovisual, imbecilización rockera, la corrupción como el camino más rápido de enriquecimiento. Y ahora, la destrucción productiva, única fuente de recomposición económica nacional. (Hasta los sindicalistas y ministros que compraron recientemente su estancia, deberían ver la catástrofe que están provocando los K. Cuando todo cae, también pierden los ladrones.)

(…) Esta realidad de degradación nos obliga a aprovechar la coyuntura favorable con un sentido positivo para encender este país detenido. El voto del 28 de junio debe ser aprovechado por la melancólica oposición para ocupar su lugar y para satisfacer la ansiedad de esa mayoría nacional que no ve respuestas y se siente apretada entre el descaro kirchnerista y los susurros de dirigentes vencedores que parecen tener todo el tiempo del mundo para consolidar su camino hacia la presidencia. Por eso resuena una y otra vez la palabra Moncloa como la posibilidad de un programa de resurgimiento nacional como el que logró plasmar España después de la muerte de Franco en 1975. Supieron aprovechar el punto de inflexión de ese hecho notorio para consensuar las bases de la organización democrática del país, la opción europeísta y ciertas políticas de Estado imprescindibles. Los españoles sintieron que se abría una gran oportunidad para reubicar a España en el orden europeo y la cogieron. Parecía increíble ese minué republicano después del millón de muertos. Areilza, Fraga Iribarne, Suárez; y por el otro lado Carrillo y la Pasionaria recién llegada de Moscú. Pero tenían en común dos cosas: todos estaban hartos de su pasado inicuo y tenían al rey como referencia de permanencia del Estado.”

Não é um discurso estranho a nós mesmos.   O Pacto de Moncloa já foi objeto de ampla especulação aqui no Brasil pelo menos por duas vezes: após a morte de Tancredo Neves e no impeachment de Collor.

Por mais que nosso “macaquito íntimo” se rejubile com essa situação além do Prata, o fato é que um problema argentino é um problema nosso, também.

E os argentinos mais esclarecidos  sabem que a saída para a Argentina, ou melhor, para o continente, é a integração com um Brasil não-imperialista.  O diplomata argentino Abel Posse, autor do texto acima,  já dizia, em entrevista à revista Linea, em algum ano da década passada:

Mercosur sigue siendo el gran instrumento de una integración que además de lo económico tiene que ser cultural, sobre todo estratégica y crear eso que ya esta enunciado en la Reunión de Guayaquil: crear una zona de seguridad económica para nosotros. Ya no podemos depender del mundo exterior y de las crisis; tenemos que garantizar la alimentación, la salud, la educación y la cultura, más allá de cualquier situación momentánea, o situacional.

Este es el nuevo gran proyecto al que tenemos que estar abocados. Evidentemente, Mercosur es la clave básica de eso porque ya tenemos una experiencia muy grande; en muy poco tiempo Mercosur se transformó en un extraordinario mecanismo de poder económico, le faltan las otras materias. Pero los argentinos tenemos que tener presente que Brasil ya no va a insistir en fórmulas macroeconómicas o en le éxito solamente de sus exportaciones; es también el arma para integrar a cien millones de personas que están marginadas; tenemos que acompañar a Brasil en esta revolución social que va a ocurrir en muy poco tiempo, que de alguna forma es la revolución peronista; ese hecho de pasar de la democracia abstracta a la democracia social. Brasil tiene que integrar a su propia población y tenemos que hacer un gran movimiento continental contemplando todo este tipo de soluciones.

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Eis o que me dá um certo desgosto quando vejo manifestações sem grandeza como as que cotidianamente gente como Reinaldo Azevedo assaca contra nossas relações com os países vizinhos.  É certo que não podemos nos fazer de bobos, mas, ao mesmo tempo, temos muita gordura para gastar em atos que se para eles são extremamente importantes, para nós não são tanto assim.  O fato é que não podemos deixar que a miopia do imediato contamine a visão de longo prazo, pois é dessa forma que se constrói algum tipo de relação de confiança com o sul hispanohablante, algo que o Brasil negligenciou durante muitas décadas, talvez séculos.   Mas há gente do lado de lá que pensa dessa forma também, e é com eles que temos que buscar o diálogo.

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UPDATE:

Devo fazer um disclaimer.  Eu mesmo sou um que mudei de idéia; principalmente, no início das turras com a Bolívia, também era partidário de uma resposta dura.  De lá para cá tive oportunidades de me expor a pontos de vista diferentes, em particular por causa de um maior envolvimento profissional com itamaratecas.   Esse é um setor onde uma exposição ao the big picture faz maravilhas.

Nesta matéria do NYT sobre OLED´s _ a nova onda dos LED´s, dispositivos semicondutores que produzem luz:

Universal Display, a company started 15 years ago that develops and licenses OLED technologies, has received about $10 million in government grants over the last five years for OLED development, said Joel Chaddock, a technical project manager for solid state lighting in the Energy Department.

Armstrong World Industries and the Energy Department collaborated with Universal Display to develop thin ceiling tiles that are cool to the touch while producing pleasing white light that can be dimmed like standard incandescent bulbs. With a recently awarded $1.65 million government contract, Universal is now creating sheetlike undercabinet lights.

The government’s role is to keep the focus on energy efficiency,” Mr. Chaddock said. “Without government input, people would settle for the neater aspects of the technology.

(…)Exploiting the flexible nature of OLED technology, Universal Display has developed prototype displays for the United States military, including a pen with a built-in screen that can roll in and out of the barrel.

The company has also supplied the Air Force with a flexible, wearable tablet that includes GPS technology and video conferencing capabilities.

As production increases and the price inevitably drops, OLED will eventually find wider use, its proponents believe, in cars, homes and businesses.”

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E nem dá pra dizer que é coisa de obamaníacos…

Deu no Estadão, em reportagem de Roberto Godoy:

Brasil terá maior força naval da América Latina

Primeiro submarino nuclear deve ficar pronto até 2020; frota contará ainda com fragatas, navios leves e corvetas

SÃO PAULO – Até 2020 o Brasil terá a maior e mais poderosa força naval da América Latina, equipada com submarinos, fragatas, navios leves, corvetas – um volume estimado em 35 unidades – além de mísseis de longo alcance, torpedos, aviões e helicópteros de tecnologia avançada. A expectativa é de que em dez anos o primeiro submarino de propulsão nuclear, com 100 metros e 6 mil toneladas, já esteja pronto, e também definido o cronograma de uma segunda unidade.

O acordo de cooperação militar que os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, formalizam nesta segunda-feira, 7, em Brasília, dá início ao ambicioso programa de reaparelhamento.

O pacote envolve a compra e a produção de quatro submarinos convencionais, da classe Scorpéne, de 1.800 toneladas, mais a parte não nuclear de um modelo de propulsão atômica. As operações estão associadas à construção de um novo estaleiro e uma base operacional. Essa fase vai custar cerca de R$ 20 bilhões, com desembolso até 2024.

Do ponto de vista estratégico, haverá uma 2ª Esquadra, na Foz do Amazonas. A 1ª EsQ fica no Rio. Foi criada na administração do presidente Floriano Peixoto há cerca de um século.

“A Marinha revitalizada será um grupamento articulado e orgânico, destinado a garantir a negação do uso do mar a presenças hostis, ilícitas, e a promover efeito dissuasivo. Não estamos interessados em projetar poder“, diz o ministro da Defesa, Nelson Jobim. O novo desenho da Força, com mais bases e batalhões ribeirinhos, foi anunciado pelo ministro semana passada no Congresso.

(…)

A próxima etapa, ainda sem prazo de execução, do Plano de Equipamento e Articulação (PEA), a que o Estado teve acesso, contempla a compra de seis a oito navios de escolta, fragatas de 6 mil toneladas com desenho que necessariamente incorpore tecnologia de furtividade e permita receber sistemas de armas, sensores e recursos eletrônicos.

A operação é semelhante ao programa F-X2, por meio do qual a Força Aérea está selecionando os novos caças de alta tecnologia. O método é de escolha direta, por meio do qual ofertas podem ou não ser aceitas e determinadas empresas são solicitadas a apresentar propostas.

Os primeiros contatos começaram em 2008. O estaleiro espanhol Navantina, o americano Northrop-Grumman Ship, o japonês Hyundai, o alemão Blohm-Voss e o francês DCNS estão dispostos a participar. Todos aceitam, embora ainda informalmente, as cláusulas mais sensíveis: a compra de um projeto de navio que esteja em operação, a obrigação de execução no País e a reforma do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro para comportar o empreendimento.

O Comando da Marinha está mantendo o programa de contratação de até 27 navios leves, de patrulha. Deslocando 500 toneladas e armados com dois canhões, custam, cada um, R$ 44 milhões. Seis foram encomendados ao estaleiro Inace, do Ceará. Levam 27 tripulantes e têm autonomia de 4,5 mil quilômetros. “É um bom meio de a Força estar presente nas proximidades das plataformas de petróleo”, afirma o ministro Jobim.” [grifos meus]

***

No geral, me parece uma proposta razoável, especialmente a criação de uma segunda esquadra na foz do Amazonas _ embora eu ainda não entenda muito bem a fixação com o submarino nuclear: para situações de defesa, ou seja, que não envolvem “projeção de força”, submarinos convencionais operando perto da costa parecem ser o que há _ e inclusive fazem menos barulho do que os submarinos nucleares, que precisam, em geral, estar com os refrigeradores em funcionamento permanente para evitar superaquecimento do reator nuclear.  A vantagem do submarino nuclear é poder operar muito longe de sua base por longos períodos de tempo, uma contradição com o discurso do Ministro da Defesa.

De qualquer maneira, esta tabela nos mostra que o Brasil é o país sul-americano com a maior extensão litorânea.  Em segundo lugar vem o Chile e em terceiro, a Argentina.  Porém, o país latino-americano com a maior extensão costeira é o México, mas ter uma Marinha expressiva, no caso deles, parece pointless…if you get my drive.

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_ Então, Quinzinho: depois dessa sessão de fotos quero que você me apresente seu cabeleireiro, ok?

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_ Que gentil!  Quando fizer 22 anos me procure, ok?  Tenho uma oferta de estágio pra você.

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_ Vão entrando, meninas.  E podem vestir algo mais confortável…

Deu no Globo:

Lula diz que 50% da crise “é um pouco de pânico”

SÃO PAULO – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira em Telêmaco Borba, no interior do Paraná, que o Brasil vive um bom momento em função de sua estabilidade e credibilidade política e que o pessimismo tem grande influência sobre os efeitos da crise.

– Às vezes eu chego a pensar que 50% da crise é um pouco de pânico. Quando conversei com o Obama (presidente dos Estados Unidos, Barack Obama), falamos de um movimento mundial para convencer o consumidor a comprar o que precisa – disse Lula, na comemoração dos 110 anos da Klabin, em Telêmaco Borba.

Quem diria! Lula e Paulo do FYI, finalmente juntos!

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(clique para ampliar)

Como acho que isso vai explodir na blogoseira, eu, que sou bonzinho (às vezes), vou até traduzir para os leitores que não lêem inglês:

“Parte da razão por que não gastamos muito tempo lendo blogs”, disse ele, “é porque, se você não os ler com muito cuidado,  pode ficar com a impressão de que existe alguma  resposta clara, seja de um modo ou de outro – do tipo, basta nacionalizar todos os bancos, por um lado, ou basta você simplesmente deixá-los sozinhos e eles vão ficar bem, por outro.

Não seria uma declaração muito polêmica, talvez, se o indivíduo que a proferiu não fosse Barack Obama, em uma entrevista exclusiva que deu ao New York Times, hoje.  O problema, claro, é que Obama construiu sua candidatura sobre os netroots, sendo os blogs uma parte importante desse esforço.

Eu até acho razoável dizer que, afinal, Obama tem um monte de gente paga para brifá-lo logo pela manhã com tudo que ele precisa saber durante o dia, e que seria realmente uma tolice para o homem mais poderoso do mundo perder seu precioso tempo surfando pela blogoseira para saber o que está rolando.  E também deve-se levar em consideração que ele está tentando rebater as críticas simplistas que vêm da direita e da esquerda.  Mas no frigir dos ovos, a declaração não deixou de ser inábil.

Ainda no discurso de Bobby Jindal:

Today in Washington, some are promising that government will rescue us from the economic storms raging all around us. Those of us who lived through Hurricane Katrina, we have our doubts.

Como sabem, durante toda a crise do Katrina o prato de resistência republicano foi o de que os responsáveis pela resposta à crise deveriam ser as autoridades locais, e não o governo federal em Washington. Não deixa de ser curioso que de repente Washington apareça como o grande vilão do Katrina, pela boca do governador republicano da Louisiana…

O homem é uma peça. Jindal-Palin 2012! Pleeeease… 🙂

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Quem precisa do Irã, quando se tem Bobby Jindal?

Lembram-se de Bobby Jindal?

Muita gente por aí andou celebrando o rapaz como o The One republicano, quando ele foi eleito para governador da Louisiana:

Yes, folks, he is a Republican that was serving as a member of the United States House of Representatives, representing Louisiana’s 1st congressional district, who will be replacing a bleeding heart Democrat in a state that just went through the biggest natural tragedy in American history.

Pois é.  Que bom que a Louisiana não tem vulcões:

[o pacote de estímulo] includes $300 million to buy new cars for the government, $8 billion for high-speed rail projects, such as a ‘magnetic levitation’ line from Las Vegas to Disneyland, and $140 million for something called ‘volcano monitoring.’ Instead of monitoring volcanoes, what Congress should be monitoring is the eruption of spending in Washington, DC.“” [grifo meu]

Isso foi, tecnicamente, uma “resposta” de Jindal ao discurso do State of the Union do Obama.  Felizmente, pessoas de mais bom senso usaram o NIMBY-reverso para amansar o louco _ como por exemplo o prefeito de uma cidadezinha que vive à sombra do Mt. Saint Helen:

Does the governor have a volcano in his backyard?” Royce Pollard, the mayor of Vancouver, Washington, said on Wednesday. “We have one that’s very active, and it still rumbles and spits and coughs very frequently.”

A boa notícia, dada pelo Serviço Geológico norte-americano, é que aproximandamente 10% de todas as erupções vulcânicas ocorridas nos últimos 10.000 anos aconteceram…nos Estados Unidos da América.

Depois disso eu só tenho a dizer o seguinte: Idelber, sai daí enquanto é tempo, rapaz!

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Porque a estrela da morte está a caminho:

We are facing a Depression that will last 23-26 years. The response of government is going to seal our fate because they cannot learn from the past and will make the same mistakes that every politician has made before them.”

Este texto do Balkinization é tão bom que sou forçado a reproduzi-lo in totum:

The party of big government versus the party of big government

JB

As a follow up to Andy’s last post, it’s worth noting that, some sixty years after the New Deal revolution, although Democrats and Republicans are deeply ideologically divided on how to structure the stimulus package, the Republicans in Congress are not arguing that the Democratic plans are unconstitutional. Indeed, the Republican alternative– tax cuts and spending on a different set of programs– presumes the basic constitutionality of many of the devices used in the New Deal and the Administrative and Welfare State.

Even so, this does not mean that the fight over the stimulus has no constitutional overtones. In a larger sense, the fight between Democrats and Republicans really is constitutional in nature. That is because it is a fight over how government should grow. In this fight, the Democrats are the party of big government and the Republicans, by contrast, are the part of big government.

Small government conservatism is an excellent slogan, but it corresponds neither to contemporary realities nor to the actual policies of either party. None of the Republican presidents since the New Deal have really limited the size of government; all have presided over its increase, and in some cases (Nixon and Bush), the growth of government has been quite remarkable.

In saying this I do not wish to suggest that the growth of government under liberal Democratic leadership has been unproblematic, but rather to point to a general trend in technologies of governance that has been shared by both parties. Indeed, one can say that since the New Deal the expansion of government has been as American as apple pie, no matter who is in charge. If that is so, we might want to look past ideological disagreement as an explanation.

Despite the Republican rhetoric of small government, the actual Republican political hegemony of the past three decades has not really been directed to reducing the size of government. Rather, it has been about lowering taxes, especially taxes for large businesses, limiting government regulatory oversight, especially for large businesses, and increasing subsidies and government expenditures on subjects that Republicans have sought to subsidize, including, among other things, various business interests and the defense industries.

The Nixon Administration consolidated and expanded the Welfare State; the Reagan Administration ran enormous deficits; and the George W. Bush Administration converted a federal surplus into enormous deficits while creating new bureaucracies in education, health care, and Homeland Security and helping to construct the national surveillance state. While it was doing all this, it also expended about a trillion dollars on an ill-advised war in Iraq. Ironically, its particularly poor stewardship of big government has created an emergency that will probably lead to even more government.

You might think that an anti-tax and anti-regulatory philosophy necessarily means smaller government. But it does not, and indeed, the Bush Administration has shown us how to grow government while simultaneously reducing taxes and crippling regulatory oversight.

 

The problem with this model of big government/low taxes/limited regulation and government oversight is that it wastes lots of money, exacerbates social inequality, doesn’t provide particularly good government services, exacerbates problems of corruption, and, in certain cases, can help precipitate a financial meltdown. Other than that, it’s fine, I guess.”

Via Daily Kos, conselhos de Newt Gingrich para Sarah Palin:

Alaska’s Governor Palin, John McCain’s running mate in 2008, could be “very formidable” as a presidential candidate in 2012, Gingrich said. But he stipulated that would be the case only if she “seeks out a group of sophisticated policy advisers” and “spends time developing a series of fairly sophisticated positions.” He noted that “Palin starts in Iowa with a substantial advantage. I think she has a very big base among the fundamentalist wing of the party.””

Em suma: “Sarah, reencarne.”

Andei meio afastado deste assunto, portanto já não deve ser novidade para ninguém, mas Silvio Berlusconi, primeiro ministro italiano, acaba de promulgar um decreto emergencial revertendo decisão da Justiça italiana que permitira a remoção dos aparelhos que permitem a sobrevida artificial de Eluana Englaro, uma mulher de 38 anos que entrou em coma após um acidente de carro há…17 anos.

Ele o fez após consultas com o Vaticano.

Seu argumento principal é que Eluana “pode até ter bebês”.

O Decreto tem que ser ratificado pelo presidente da Itália (que recusou) ou pelo congresso italiano (que ainda vai se manifestar) para entrar em vigência.

***

OK, o cara vê uma mulher na cama, sem capacidade de reação, e a primeira coisa que lhe vem a mente é fazer um filho na dona.

Berlusconi, quem diria, deve ser fã de Almodóvar.

No Financial Times:

Gaza offensive boosted Hamas, poll concludes

Palestinian support for the Islamist Hamas movement has soared in the wake of Israel’s three-week offensive against the Gaza Strip, according to a poll released on Thursday.

The survey, by the independent Jerusalem Media and Communications Center, also found that the majority of Palestinians thought the group had emerged victorious from the conflict. Almost one in two Palestinians said Hamas won the Gaza war, while less than 10 per cent said Israel had triumphed.

O Guardian está com uma série sobre as estratégias utilizadas pelas grandes corporações britânicas para fugir dos impostos de Sua Majestade.   Uma delas é transferir as suas valiosas marcas para paraísos fiscais:

Three FTSE100 companies have quietly “offshored” legal ownership of their valuable trademarks to low-tax locations, the Guardian’s tax gap investigation has found. Two drug firms, GlaxoSmithKline, and AstraZeneca, both headquartered in London, have moved title to their drug brands to Puerto Rico in the Caribbean. The Anglo-Dutch oil giant Shell, although it is still a British plc operating under UK company law, has shifted its trademarks to Switzerland and its main tax residence to the Netherlands.

These are three of Britain’s most successful corporations, continuing to generate huge profits and returns for their shareholders despite the global downturn. AstraZeneca has been one of the best performing shares on the FTSE over the last year, seeing its share price go from around £21.50 to around £28.60. At the same time, its market capitalisation has gone up by more than £10bn from £31.3bn to £41.4bn. Glaxo has also been one of the few companies to see its share price go up as the economic storm rages – from around £11 a year ago to around £12.50 now.

Last week Shell revealed that its profits in the final three months of 2008 were down by more than a quarter on the previous year. The oil giant still made more than £25,000 a minute in profits and is forecasted to achieve record earnings this year of £21.5bn.

All three enjoy the benefits of being a UK plc – access to capital, enhanced reputation, proper regulation and political stability. Yet they have moved the rights to their intellectual property to tax havens. This means they can reduce their UK-based profits and hence their British tax bills by paying royalties to the subsidiary in the tax haven for use of the trademarks. Yesterday, at the start of its special investigation into 20 prominent companies, the Guardian identified the drinks giant Diageo as having similarly moved its brands to the Netherlands. Diageo managed to hold off capital gains tax on the sale by use of a legal concession.

The practice of depositing rights to “intellectual property” in tax havens is one of the factors behind a continuing war between big business and the Treasury. Industry chiefs are refusing to accept a planned clampdown on this by Alistair Darling, the chancellor, and some have been threatening to quit Britain.”

Algo me diz que o Guardian devia ouvir mais um de seus próprios colunistas, o Monbiot, que tem um artigo fantástico sobre os paraísos fiscais _ britânicos:

If you want to know why Britain has never completed the process of decolonisation, look at two lists side by side. One is the official register of tax havens, compiled by the OECD(1). The other is the list of British overseas territories and crown dependencies(2). Over a quarter of the world’s tax havens are British property. More than half of Britain’s colonial territories and dependencies are tax havens. Strip out Antarctica, the military bases and the scarcely-habited rocks and atolls, and of the 11 remaining properties, only the Falkland Islands is not a recognised haven. The obvious conclusion is that Britain retains these colonies for one purpose: to help banks, corporations and the ultra-rich to avoid tax.

(…)

Last month the British government announced that it will introduce new laws to prevent piracy: the armed forces will be allowed to detain ships and arrest suspected robbers on the high seas(4). Yet the same government offers an attractive portfolio of tropical and temperate islands in which pinstriped pirates can bury their treasure.

That comparison is unfair – to pirates.”

Em seguida Monbiot faz picadinho de um relatório produzido pelo governo britânico.   Na Inglaterra, é comum que o governo encomende “green papers” sobre políticas públicas a pessoas que por algum motivo são reconhecidas como proficientes na área.   O governo britânico comissionou um relatório sobre paraísos fiscais a Michael Foot _  que foi inspetor de bancos e trustes para o Banco Central das Bahamas, que é, é claro, um paraíso fiscal de Sua Majestade.  Opinião do Monbiot sobre essa escolha:

There is a standard British procedure for dealing with problems like this: by which I mean problems that generate bad publicity but which you don’t want to address. You commission a review and you choose the right man to conduct it. (…) The identity of the person the government appoints is an index to the outcome it desires. Foot sounds like just the man for the job.

E conclui:

Even as it was commissioning this review, Brown’s government tried to undermine international efforts to address the problem. Teaming up with that revolting little monarchy Liechtenstein, the UK sought to strike out a paragraph from the Doha trade agreement which aimed to eradicate tax evasion(20). Thanks in part to British lobbying, the draft commitment was substantially weakened(21).

Were Britain to release its remaining colonies, they would quickly succumb to pressure from the Obama government and the European countries trying to stamp out international evasion and organised crime. We hold onto the Falkland Islands for their oil and fish. We hold onto the other territories for something far more valuable: secrecy.”

Ah, a velha Albion, berço e paraíso do livre-mercado…

Essa “novidade” já correu mundo, mas ei-la mais uma vez aqui, no Hermenauta.  Quincy Jones, músico e produtor musical, anda alugando as orelhas de Obama para convencê-lo a criar um Ministério da Cultura nos EUA.  Seus argumentos, por ele próprio (tirada de uma transcrição da CNN):

JONES: My biggest dream is — I know he’s got his hands full with the economic fallout and with the Gaza, et cetera, and so (INAUDIBLE) long time. 

And, on a parallel path, though, I’m going to — as soon as it’s feasible, to talk to him. We’re getting a petition together for a secretary of the arts with a real Cabinet membership and all, because America is the only country — whose music is probably most imitated in any country in the world — the only country without a minister of culture or a secretary of the arts. And I think it’s very important, could change this country… 

Prestaram atenção?  Vamos reler o trecho importante:

We’re getting a petition together for a secretary of the arts (…) because America is the only countrywhose music is probably most imitated in any country in the world — the only country without a minister of culture

Pois é.

Por outro lado…vocês sabiam que o Brasil é um dos poucos países onde a hegemonia musical é nacional (pelo menos no que se reflete nas vendas de discos)?  E isso já há muito tempo?  E isso apesar do Ministério da Cultura, apesar de dedicar boa parte do seu orçamento ao cinema, ao vídeo, ao livro, às artes cênicas, reservar muito pouco para a música?

Não vou fazer a apologia ao livre mercado, decerto.  Mas é importante reconhecer onde o mercado dá certo, e procurar entender as razões disso.

(uma outra história é saber, é claro, QUE tipo de música detém esta tal hegemonia…mas isso é papo pra outra hora)

No site da Casa Branca já aparecem as mudanças, principalmente no setor “Agenda”…alguns highlights [grifos meus (em azul)]:

Direitos Civis:

Support for the LGBT Community

  • Support Full Civil Unions and Federal Rights for LGBT Couples: President Obama supports full civil unions that give same-sex couples legal rights and privileges equal to those of married couples. Obama also believes we need to repeal the Defense of Marriage Act and enact legislation that would ensure that the 1,100+ federal legal rights and benefits currently provided on the basis of marital status are extended to same-sex couples in civil unions and other legally-recognized unions. These rights and benefits include the right to assist a loved one in times of emergency, the right to equal health insurance and other employment benefits, and property rights.
  • Repeal Don’t Ask-Don’t Tell: President Obama agrees with former Chairman of the Joint Chiefs of Staff John Shalikashvili and other military experts that we need to repeal the “don’t ask, don’t tell” policy. The key test for military service should be patriotism, a sense of duty, and a willingness to serve. Discrimination should be prohibited. The U.S. government has spent millions of dollars replacing troops kicked out of the military because of their sexual orientation. Additionally, more than 300 language experts have been fired under this policy, including more than 50 who are fluent in Arabic. The President will work with military leaders to repeal the current policy and ensure it helps accomplish our national defense goals.
  • Expand Adoption Rights: President Obama believes that we must ensure adoption rights for all couples and individuals, regardless of their sexual orientation. He thinks that a child will benefit from a healthy and loving home, whether the parents are gay or not.
  • Promote AIDS Prevention: In the first year of his presidency, President Obama will develop and begin to implement a comprehensive national HIV/AIDS strategy that includes all federal agencies. The strategy will be designed to reduce HIV infections, increase access to care and reduce HIV-related health disparities. The President will support common sense approaches including age-appropriate sex education that includes information about contraception, combating infection within our prison population through education and contraception, and distributing contraceptives through our public health system. The President also supports lifting the federal ban on needle exchange, which could dramatically reduce rates of infection among drug users. President Obama has also been willing to confront the stigma — too often tied to homophobia — that continues to surround HIV/AIDS.

Ciência e Tecnologia:

Employ Science, Technology and Innovation to Solve Our Nation’s Most Pressing Problems

21st-century technology and telecommunications have flattened communications and labor markets and have contributed to a period of unprecedented innovation, making us more productive, connected global citizens. By maximizing the power of technology, we can strengthen the quality and affordability of our health care, advance climate-friendly energy development and deployment, improve education throughout the country, and ensure that America remains the world’s leader in technology. Barack Obama and Joe Biden will:

  • Advance Stem Cell Research: Support increased stem cell research. Allow greater federal government funding on a wider array of stem cell lines.

Energia e Meio Ambiente:

Energy Plan Overview

    Reduce our Greenhouse Gas Emissions 80 Percent by 2050

    • Implement an economy-wide cap-and-trade program to reduce greenhouse gas emissions 80 percent by 2050.
    • Make the U.S. a Leader on Climate Change.

    Deu no Estadão:

    Obama diz que sempre achou Bush ‘uma boa pessoa’
    Presidente eleito afirma que antecessor tem capacidade para desacordos políticos sem perder civismo

    WASHINGTON – O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou neste sábado, 17, que sempre achou que o atual governante americano, George W. Bush, era “uma boa pessoa”.

    “Acho que ele é um bom homem que adora sua família e seu país”, disse Obama em entrevista exclusiva à “CNN”.

    Obama criticou Bush com freqüência durante a campanha, dizendo que o atual presidente era responsável por “políticas fracassadas” e prometendo uma “ruptura total” com os últimos oito anos.

    O entrevistador John King perguntou ao próximo governante se gostaria de se retratar em algo, agora que passou mais tempo com Bush.

    Obama elogiou o presidente em fim de mandato por lhe ajudar a realizar uma transição fluente, e disse que o que caracteriza em parte o funcionamento dos EUA é sua capacidade para que haja desacordos políticos sem perder o civismo.

    O próximo governante, que assumirá o poder na próxima terça-feira, afirmou também acreditar que Bush tomou as melhores decisões que pôde sob circunstâncias muito difíceis.

    O democrata assegurou que isso não muda sua opinião de que nos últimos anos foram adotadas decisões errôneas e que agora ele deverá herdar as conseqüências de muitas delas.”

    ***

    OK.  Agora, em quantos pentelhésimos de segundo os maníacodepressivos estarão confundindo cavalheirismo com “retratação”?

    Presidential ticket

    Os torreões deliram sobre o papel da pilantragem e da cafajestice nos negócios de Estado.  Colaborei:

    Há cafajestes e cafajestes, pilantras e pilantras. Clinton é um cafajeste de um certo tipo, o tipo luminoso, que as mulheres acham irresistível, um womanizer que disfarça muito mal. Eu não duvido que ele realmente ame suas mulheres, uma de cada vez, todas em paralelo.

    GW Bush é o quê? Um cristão renascido. Mas reza a lenda que ele tem um lance com a mulata Condolêza. Como bom anaeróbico, é o adúltero sórdido, aquele que dá uma rapidinha na escada de incêndio com a Secretária (nem que seja a de Estado), em ambientes sem ar, sem luz, botulínicos. Um hipócrita, que mantém a esposa apresentável e wasp na fachada e a outra em conveniente sombra. Aproveita-se das duas.

    Bom, confesso que o Obama me parece meio assexuado, mas realmente a mulé dele é boazuda. E ninguém, que eu saiba, ainda explorou o potencial de um presidente americano negão, ou seja, capaz de botar o maior pau que alguém já viu na mesa, um asset importante para a maior nação imperial do planeta. E assim finalmente o blaxploitation chega à geopolítica. 🙂

    Ela já pode cantar no Faustão

    Deu no Valor:

    Lin Miaoke (foto) foi alçada rapidamente à categoria de estrela após sua performance cantando o hino chinês durante a abertura da Olimpíada de Pequim, mas o Comitê Organizador dos Jogos teve de admitir que ela apenas dublou uma outra menina, Yang Peiyi, depois de o Politburo chinês ter achado que sua voz não era boa o bastante e que a verdadeira cantora não era bonitinha o bastante. O Comitê reconheceu também que a cena de pegadas feitas com fogos de artifício havia sido gravada, usando efeitos de computador, e não ocorreu durante a cerimônia. O envolvimento de altas autoridades chinesas nesses detalhes do evento mostram quão seriamente os políticos estão levando o efeito de marketing que os Jogos podem ter sobre a imagem do país. Entretanto patrocinadores da Olimpíada têm reclamado que suas marcas não estão tendo a projeção que havia sido combinada com o Comitê Organizador. Isso pode levar a uma saia justa com as grandes empresas e o Comitê Olímpico Internacional, responsável pelas cotas dos patrocinadores.

    E isso por enquanto. Suponho que assim que a engenharia genética estiver plenamente aperfeiçoada pequenos acidentes do acaso como esse serão rapidamente superados pelo Politburo…

    ***

    Se bem que minha tese é que Lin Miaoke deve ser filha de algum alto comissário do PCC, já que não é possível que entre um bilhão e trezentos milhões de pessoas não seja possível achar uma menina bonitinha com boa voz…

    Deu no NYT (via Último Segundo):

    SANTIAGO, Chile – Quando as tropas do general Augusto Pinochet deram um golpe de Estado em setembro de 1973, eles fizeram uma descoberta surpreendente. O governo anterior socialista de Salvador Allende havia encabeçado secretamente um novo experimento para gerenciar a economia chilena, utilizando um grande computador e uma rede de máquinas de telex. O projeto, chamado de Cybersyn, foi uma invenção de A. Stafford Beer, um britânico visionário que empregou seus conceitos “cibernéticos” para ajudar Allende a encontrar uma alternativa em relação às economias planejadas de Cuba e na União Soviética. Após o golpe, o plano se tornou o assunto de uma intensa investigação militar.

    Ao desenvolver o Cybersyn, Beer mudou a vida de vários brilhantes jovens chilenos que trabalharam com ele. Aproximadamente 35 anos depois, tal característica pouco conhecida dessa abortada transformação socialista de Allende foi lembrada em uma exibição no museu de La Moneda, o palácio presidencial.

    Uma cadeira do tipo “Guerra nas Estrelas”, com controles nos encostos, foi uma réplica das que permaneciam nas salas de operações de protótipos. Beer planejava que a sala recebesse relatórios de computador baseados em dados de máquinas de telex conectadas a fábricas do norte ao sul deste país com 4.345 km de extensão. Os gerentes sentariam em sete dessas cadeiras e tomariam decisões críticas sobre os relatórios mostrados nas telas de projeção.

    Open Thread:  com a internet, o cálculo socialista é possível?

    condi.jpg

    A Bahia quer saber o que é que a Condolêza tem! 

    Aparentemente a Secretária de Estado norte-americana sentiu-se bem à vontade no Pelourinho, mesmo sendo xuxada por locais.  Afinal, de abadá ela entende!

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    Barak Obama

    Matéria na Folha de hoje (transcrevo a íntegra abaixo do folder), traduzida do NYT, fala dos sete meio irmãos africanos de Obama _ filhos do pai dele com outras mulheres.  Uma frase proferida por sua irmã me chamou a atenção: “Pode-se confiar em Obama para se manter em diálogo com o mundo“.  Chamou a atenção porque me fez lembrar de uma descrição que li sobre ele: “o provável primeiro presidente pós-americano dos EUA“.  Cito de memória, já não me lembro onde li isso; de qualquer modo resolvi fazer uma busca, e descobri este texto de Mark Krikorian sobre o que é um pós-americano, onde ele explica o que seja isso:

    Let me be clear what I mean by a post-American. He’s not an enemy of America — not Alger Hiss or Jane Fonda or Louis Farrakhan. He’s not necessarily even a Michael Moore or Ted Kennedy. A post-American may actually still like America, but the emotion resembles the attachment one might feel to, say, suburban New Jersey — it can be a pleasant place to live, but you’re always open to a better offer. The post-American has a casual relationship with his native country, unlike the patriot, “who more than self his country loves,” as Katharine Lee Bates wrote. Put differently, the patriot is married to America; the post-American is just shacking up.

    Now, there are two kinds of post-American. David Frum, in his “Unpatriotic Conservatives” article for NR last year, highlighted what I think is the less important kind: Those who focus on something less than America, whether white nationalists or neo-Confederates, etc. The second, more consequential and problematic kind are those who have moved beyond America, “citizens of the world,” as the cliché goes — in other words citizens (at least in the emotional sense) of nowhere in particular.” (grifo meu)

    Scott McConnel, escrevendo no American Conservative, faz a ligação entre Obama e o “pós-americanismo” de Krikorian:

    He would not only be the United States’ first black president, but, to borrow immigration activist Mark Krikorian’s useful term, its first post-American one as well.

    In his foreign-policy address before the Chicago Council on Global Affairs last April, Obama asserted that America’s security is “inextricably linked to the security of all people,” a recipe for global interventionism so promiscuous as to make neoconservatives almost prudent by comparison. He is a proponent of global free trade and high levels of immigration. Much of his memoir is devoted to his quest to connect with an extended family in Africa. This world-man aura is not without appeal, especially after eight years of a president deaf to what foreigners think and feel. But taken as far as Obama does, it would be an electoral liability.

    E finalmente, John O´Sullivan, no National Review, dá a última martelada em seu artigo “The Obama Appeal“:

    A glimpse at his speeches and programs demonstrates that he is committed, like all the Democratic candidates, to such policies as racial preferences, multiculturalism, liberal immigration laws, and the transfer of power from America’s constitutional republic to non-accountable global bodies and international law. For Obama is not merely a post-racist; he is a post-nationalist and a post-American too. But will the eventual Republican nominee be able to explain the difference?

    Não deixa de ser interessante observar como certos analistas políticos lêem esse tipo de acusação:

    (…)And that’s precisely the opposite of what the smear practitioners intend. Ignorance is their fuel. By depicting Obama in ceremonial Somali garb (a 2006 photo posted on the “Drudge Report”); by running anonymous quotes, supposedly from a “senior Pentagon official,” about how Obama’s ascension would be “the final victory” for “the Arab street” (news story in the Washington Times); and by writing, more politely, about how Obama’s priorities are really “post-nationalist” and “post-American” (the National Review), the goal is to insinuate that a Trojan Horse has breached the castle walls, with plans to lead us to ruin.

    ***

    É um modo de ver as coisas, mas eu prefiro outro.

    O que me leva a Marcus Ulpius Trajanus, o primeiro imperador de Roma não-romano, pois nascido na Ibéria.  Como tal pode-se dizer que tenha sido o primeiro imperador romano “pós-romano”.  Trajano levou o Império à sua máxima extensão territorial e é tido por muito historiadores como o protótipo do “bom governante” romano, com incentivos às obras públicas e outras políticas que fizeram seu reinado ser conhecido como uma época dourada _ a ponto de depois dele os senadores usarem por muito tempo a expressão “felicior Augusto, melior Traiano“, desejando a cada novo imperador que fosse alguém com mais sorte que Augusto e melhor do que Trajano _ os recordistas em cada quesito.

    Em um mundo cada vez mais globalizado _ e onde os problemas, por isso mesmo, também o são _ não há muita dúvida de que um dia teremos alguma forma de organização como um governo mundial.  Acho que Obama pode dar os primeiros passos para isso usando a influência da nação mais poderosa do mundo _ se apenas ela souber como sair da jaula sem arrebentar as louças do armário.

    Continue lendo »

    Deu no Correio Braziliense:

    CLDF cria lei que permite enterro gratuito para doadores de órgãos

    Érica Montenegro e Elisa Tecles
    Do Correio Braziliense

    04/03/2008
    08h31
    Com o objetivo de incentivar a doação de órgãos e tecidos no Distrito Federal, a Câmara Legislativa criou uma lei, no mínimo, polêmica. A partir de agora, os doadores terão o enterro custeado pelo governo, via Fundo de Assistência Social do DF. Os cofres públicos se responsabilizarão por pagar o caixão, o velório, a cova e o sepultamento daqueles que autorizaram ainda em vida o transplante ou cujas famílias concordaram com ele depois da morte do doador.

    Para o deputado Cristiano Araújo (PTB), autor de um dos projetos que serviu de base para a nova lei (confira quadro abaixo), a proposta vai facilitar a vida dos que estão na fila de transplantes e também dos moradores mais pobres do DF. “O preço dos enterros é uma queixa constante das classes D e E. Assim, estamos resolvendo o problema das famílias também”, afirma o deputado. De acordo com o texto final da nova lei, os doadores terão um enterro simples e, se as famílias quiserem algo mais luxuoso, pagarão apenas a diferença de preço dos serviços funerários. Pelas estimativas do deputado, cada enterro do tipo padrão deve sair por R$ 750.

    It´s a win-win proposition!  Até porque dependendo da quantidade de órgãos que o doador doou, o caixão pode até ser bem pequeno, economizando recursos do GDF…

    Eu só não sabia que a agenda histórica do trabalhismo estendia-se até debaixo da terra.

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    Não que ele não faça um lobbyzinho 

    Deu no UOL:

    Deus ajudou país a virar credor, afirma Lula

    “(…)Para o Brasil deixar de ser devedor e passar a ser credor internacional, para quem chegou no governo como nós chegamos, que a gente não tinha crédito nem para pagar as nossas importações, eu acredito que nós tenhamos competência, mas precisou de uma ajudazinha de Deus para as coisas darem certo”, disse. “Eu espero que o governo continue com muita sorte”, completou.

    ***

    Como já dizia o Florentino, nem só de virtú vive o Príncipe.

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