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Melancólico fim da amorosa relação entre RA e os Civita, e pior, pelo motivo errado. Há porém alguma justiça poética aí: afinal ele sucumbe pelas mãos do monstro que ajudou a criar.

[recolho-me de volta às catacumbas de onde provavelmente nem deveria ter saído]

Dilma Rousseff quer prender Sergio Moro, e eu quero prender Dilma Rousseff

Será que James Cameron é o Oliver Stone do século XXI?  Ou, pior, o Gillo Pontecorvo de nossa época?

Talvez. “Avatar” é um filme curioso, pois continua sendo um enorme sucesso de público (os números mostram que ele já ultrapassou  “Titanic” como a maior bilheteria de todos os tempos – embora um certo desconto deva ser feito pelo fato de que os ingressos nos cinemas 3D é são um pouco mais caros), ao mesmo tempo em que atrai críticas à direita e à esquerda do espectro ideológico.

Em entrevista recente, Cameron teve que fazer algo que julgo inédito para um profissional de Hollywood durante um governo Democrata: defender-se das acusações de que seu filme é anti-americano.  E penso que ele o fez com galhardia:

Speaking at a private industry screening of the film, the director with his star Zoe Saldana said that “Avatar” — with its depiction of mineral exploitation on a distant planet and a cadre of trigger-happy mercenaries charged with instituting a scorched earth policy — is very much a political film.

But he rejected comments by critics that the film is un-American even if it is an allegory for American military forays.

I’ve heard people say this film is un-American, while part of being an American is having the freedom to have dissenting ideas,” Cameron said, prompting loud applause from a capacity crowd at the ArcLight Hollywood.

This movie reflects that we are living through war,” Cameron added. “There are boots on the ground, troops who I personally believe were sent there under false pretenses, so I hope this will be part of opening our eyes.” [grifo meu]

Então.  Até o Evo Morales concorda.  🙂

As críticas à esquerda, pelo menos as que eu vi, me parecem menos interessantes.  Em sua maioria, acusam o filme de racismo, pelo fato de os Na´vi precisarem, ao cabo e ao rabo, de um humano “convertido” para liderar sua luta contra a ocupação terráquea.  Outros criticam a lentidão com que o protagonista assume seu dilema moral.  Tudo isso procede, mas eu prefiro lidar com fatos, e os fatos são, em ordem decrescente de importância:

a) Jake Sully é um marine, alguém de quem se espera qualquer coisa menos preocupar-se com os dilemas morais da guerra, e talvez a maior crítica que se possa fazer ao filme é que a despeito disso ele termina por preocupar-se com esse tipo de coisa _ embora devamos levar em conta que em certo momento do filme fica claro que os Na´vi o adotaram para “curá-lo de sua insanidade”;

b) o fato é que, para traçarmos um paralelo histórico, poucas vezes na História um povo ou civilização tecnologicamente inferiorizado foi capaz de resistir à agressão de forças tecnologicamente superiores _ e nesse caso talvez o problema do filme tenha sido o de que os terrestres tenham sido, afinal, derrotados (ainda que pela “Gaia” do planeta e não pelos Na´vi ou mesmo Jake Sully, embora ele é quem tenha tido a idéia _ que vergonhosamente não ocorreu aos Na´vi _ de apelar pra ela);

c) pessoal, estamos falando de um filme de Hollywood, que tem que passar por uma enorme quantidade de filtros (principalmente financeiros) antes de se transformar em um projeto real; Cameron simplesmente não teria conseguido pôr a mão no orçamento que teve, se tivesse se dedicado a criar um filme que trabalhasse meticulosamente todos os problemas sociológicos, filosóficos e morais da situação _ principalmente porque, independentemente dos pendores ideológicos dos CEO´s em Hollywood, um filme assim não atrai grandes públicos e não dá retorno.

Já a crítica à direita varia entre a previsível e a francamente imbecil.  No geral, ela se reduz a recriminar a “ingenuidade” do filme em retratar a tentativa de genocídio de uma civilização por outra tecnologicamente superior, em uma curiosa exibição de má consciência em que a única “suspension of disbelief” admitida é a da ficção do “direito natural”.

Mas há casos patológicos.

Tomemos, por exemplo, Jonah Goldberg, o cara que ficou famoso por escrever um livro (“Liberal Fascism”, traduzido no Brasil como “Fascismo de Esquerda“) que confunde autoritarismo e tendência ideológica e propõe a tese de que o fascismo é um movimento de esquerda, usando argumentos que, quanto à sua estrutura lógica,  já deviam ter sido colocados em seu devido lugar ao tempo de Aristóteles.

Goldberg cometeu um artigo no Los Angeles Times que tem, ao menos, o mérito de possivelmente acabar com toda e qualquer pretensão do rapaz à seriedade.  Porque nesse artigo a grande recriminação que Goldberg faz ao filme é que, raios, como é possível que os Na´vi não tenham Jesus em seu coração???

The film has been subjected to a sustained assault from many on the right, most notably by Ross Douthat in the New York Times, as an “apologia for pantheism.” Douthat’s criticisms hit the mark, but the most relevant point was raised by John Podhoretz in the Weekly Standard. Cameron wrote “Avatar,” says Podhoretz, “not to be controversial, but quite the opposite: He was making something he thought would be most pleasing to the greatest number of people.”

What would have been controversial is if — somehow — Cameron had made a movie in which the good guys accepted Jesus Christ into their hearts.

Of course, that sounds outlandish and absurd, but that’s the point, isn’t it? We live in an age in which it’s the norm to speak glowingly of spirituality but derisively of traditional religion. If the Na’Vi were Roman Catholics, there would be boycotts and protests. Make the oversized Smurfs Rousseauian noble savages and everyone nods along, save for a few cranky right-wingers.

Levando em consideração que os primeiros navegadores europeus só precisavam ir ali na África para encontrar gente que jamais tinha ouvido falar de Cristo ou por falar nisso em um Deus único, seria deveras engraçado esperar que um tal espanto se realizasse em Alpha Centauri, por mais que ensinemos às crianças que Papai do Céu está, oras, no Céu.

[na verdade, Goldberg quer mesmo é dizer que uma das razões do sucesso do filme é sua aura “religiosa” em termos de uma conexão transcendental com a Natureza, e que isso só é possível porque nós temos um “instinto de fé” _ uma assertiva fácil de se jogar nas páginas de um jornal para leigos, mas que, a vero, é objeto de uma complexa discussão evolucionária]

***

Em um curioso “twist” nesse tema do embate entre esquerda e direita acerca de “Avatar” lá no Exterior, no Brasil o filme acabou se tornando foco de algo parecido, só que no papel de bode expiatório, como se pode ver na entrevista dada pelo Barretão no Globo Online:

Mas o que o senhor acha que aconteceu para o público do filme ficar abaixo do esperado?
BARRETO
: Houve vários erros. O primeiro foi realmente termos aceitado exibir o filme na abertura do Festival de Brasília. Brasília é a capital política do país, e, naquela altura, já surgiam os primeiros comentários de que o filme teria uma influência nas eleições. Estávamos entrando na arena dos leões. Além disso, a data era muito longe do lançamento. O filme teve uma exposição a partir de Brasília que só se justificaria se lançássemos uma semana depois. Com o “Tropa de elite”, por exemplo, assim que surgiu o fato da pirataria, deflagrando uma mídia grande, eles anteciparam o lançamento. Nós poderíamos ter tido um pouco mais de audácia e fazer o mesmo. Se fizéssemos, também teríamos evitado a onda do “Avatar”, que foi subestimado, não só por nós, mas por todo mundo. A gente achou que o “Lula” seria a grande novidade. Aí comprovou-se que “Avatar” não era apenas um grande evento, mas também um muito bom filme.” (grifo meu)

Tio Rei, é claro, pinta e borda em cima:

Barretão sabe que não tem essa de lançamento errado, Avatar etc. Foram dois os erros principais:

a) O primeiro foi mesmo de expectativa. O filme mais caro da história do cinema brasileiro ambicionou ser o de maior bilheteria;

b) se a expectativa era essa, já expliquei em outro texto que a personagem teria de ser outra.”

Bom.

Qualquer um que lide com indústria de cinema a sério sabe que existem algumas variáveis chave no negócio, uma vez estando o filme pronto:  o número de cópias produzidas (com reflexo, evidentemente, no número de salas onde o filme será lançado) e a competição em termos de que outros filmes serão lançados conjuntamente ao seu.

A distribuidora do LFB é a Downtown Filmes, fundada por Bruno Wainer em 2006.  Bruno Wainer, filho de Danuza Leão com Samuel Wainer, não é exatamente um leigo nesse mercado _ na verdade ele é um grande nome da indústria nacional, e conhece as regras do jogo.  Bem, Avatar foi lançado em 18 de dezembro, LFB em primeiro de janeiro _ dois fins de semana depois.  Eu não acredito que Wainer tenha realmente achado que ‘Avatar” era, assim, um azarão; e mesmo tendo evitado o lançamento ombro a ombro,  também não creio que Wainer pudesse acreditar que dois finais de semana _ sendo que um, o fim de semana do Natal _ fossem suficientes para “esvaziar” a pressão da demanda por “Avatar”.  Resta especularmos sobre o porque de resolverem lançar o filme assim mesmo.

Portanto, acho leviano, da parte do Tio Rei, dizer “que não tem essa de lançamento errado, Avatar etc“.  Tem essa sim, é claro.  E tanto o Barretão sabe disso que na mesma entrevista diz que o negócio foi “um erro de avaliação coletiva” de produtores, distribuidores e exibidores.

Por outro lado, é verdade, e nisso concordo com Reinaldo, que nego tinha altas expectativas quanto ao filme _ não tivessem, não o teriam feito estrear em mais de 400 salas, um número superior ao campeão nacional de bilheteria atual, “Se Eu Fosse Você 2”, com 300 salas.  Em poucas palavras, apostaram alto, acreditando que o alto grau de aprovação da figura de Lula como presidente se traduziria em um maná de ingressos de cinema.  Ledo engano _ o brasileiro não tem muita vocação para este tipo de coisa.  Acho que nem Getúlio Vargas na década de 30 teria sido sucesso de público.  Talvez Pedro I…  🙂

Tio Rei escreve o seguinte sobre a hipertensão de Lula:

Lembrem-se, ao comentar, de que, neste blog, torcemos sempre pela saúde das pessoas. De qualquer pessoa. À diferença das falanges do ódio que são estimuladas — e remuneradas para tanto — a fazer o serviço sujo na Internet e a torcer pelo fim daqueles que consideram seus adversários (sei bem do que falo!!!), torcemos pelo bem-estar de aliados e de adversários. Queremos os primeiros como parceiros de luta. Queremos os outros como oponentes na luta.

Ele está na fase “sopra” do “morde e sopra”.  Dando uma de bom moço nas preliminares.  Mas se o padrão instituído no caso do câncer da Dilma se repetir, já já ele estará acusando o coração do Presidente de crime eleitoral…

Tio Rei falando sobre “a farsa do aquecimento global”:

“A escatologia do aquecimento é uma cópia vagabunda e sem talento do Apocalipse; deve ser mentirosa”

Resta saber se é mentirosa por ser vagabunda e sem talento, ou por ser do Apocalipse.  No segundo caso Tio Rei vai ter que se explicar com a Opus Dei.

Tio Rei está produtivo hoje, e fez um post denunciando a maior negociata já feita no Brasil.  Surpresa: essa negociata não envolve Daniel Dantas (ao que se saiba), e sim Nicolas Sarkozy, aquele que já foi, er, “o cara” para Tio Rei _ muuito antes de Lula ser “o cara” para alguém.

Denúncia #1:

A Índia abriu uma concorrência internacional para a compra — ATENÇÃO!!! — de 126 caças. Valor que se dispõe a pagar a Força Aérea Indiana: US$ 10 bilhões. Seis modelos participaram da primeira rodada de seleção: os americanos F 18 e F 16, o Eurofighter Typhoon, o russo MiG 35, o sueco Gripen NG e o Rafale. Só um caça foi descartado no começo da disputa: o Rafale. Justificativa: não cumpria os requisitos mínimos de desempenho técnico exigidos pela Força Aérea Indiana.” [grifo meu]

Denúncia #2:

E o escândalo, além do fato de que Lula anunciou o vitorioso quando a avaliação estava em curso??? Vamos lá. A Dassault, que fabrica os Rafales, se ofereceu para vender 126 caças à Índia por US$ 10 bilhões. Preço médio de cada avião: US$ 79.365.079,36. O Brasil está disposto a pagar R$ 10 bilhões por 36 aviões — ou US$ 5.681.818.181. Dividindo-se esse valor em dólar pelo número de aparelhos, chega-se ao custo unitário: US$ 157.828.282,82. Cada Rafale para o Brasil custa quase o que o dobro do que custaria para a Índia. Atenção: ESTAMOS FALANDO DO MESMO MODELO DE AVIÃO E DE CONCORRÊNCIAS FEITAS AO MESMO TEMPO.

Fiz uma pesquisinha básica, na Wikipedia mesmo, e cheguei nisso:

India denies elimination of Dassault Aviation Rafale

New Delhi, India – All competitors still in competition

(WAPA) – The last week news relating to the elimination of Dassault Aviation Rafale fighter from the 10 billion tender for 126 new MMRCA (Medium Multi-Role Combat Aircraft) fighters for the Indian Government, provoked surprise particularly by Dassault that said “To have no confirmation from the Indian MoD. We are extremely surprised since there was no technical lacuna in our bid” (see AVIONEWS).

A New Delhi ministry of defense spokesman stated it, affirming that the French proposal “Has fallen short on several counts listed in the GSQRs (General Staff Qualitative Requirements) drawn up by IAF (Indian Air Force). It did not pass muster in the technical evaluation of the bids submitted by the six contenders”.

The Indian Air Force denied today reports that the Dassault Rafale has been eliminated from the Country’s medium multi-role combat aircraft competition.

“We have not ruled anyone out yet in the MMRCA competition”, says an IAF spokesman, who confirmed that the service is responsible for evaluating the contenders. “All of the tests have not been completed. The technical evaluations are only just over and we are scheduled to begin the flight tests next month. Everyone is still in the competition”.

OK, algum bom samaritano já foi avisar Tio Rei e ele fez outro post assim:

Ainda os caças e o que importa

Mandam-me o linK de um site, Flightglobal, que nega que os Rafale estejam fora da concorrência aberta pela Índia para a compra de 126 caças. Ok. Pode até ser. Mas a minha questão no post é outra: quero saber por que os caças sairiam, para o Brasil, por quase o dobro do preço. Essa é a questão fundamental, ainda que o Rafale seja um avião superior – o que, confesso, não tenho como avaliar. Não sei nem ligar um carro. Imaginem o que entendo de avião. Mas fazer conta, ah, isso eu sei.”

Bacana.  Maravilhas do mundo wiki: o cara diz merda, alguém vai lá e corrige.  Ainda bem, já que a notícia mais recente (outubro do ano passado) é esta:

Asked about field evaluation trials of the medium multi-role combat aircraft, (Air Chief Marshal) Naik said: “We have finished the trials of F-16, F/A-18, Rafale and the MiG-35. All (aircraft) are going neck and neck”.

Mas o que importa nesse segundo post é isso aqui:

(…)ainda que o Rafale seja um avião superior – o que, confesso, não tenho como avaliar. Não sei nem ligar um carro. Imaginem o que entendo de avião. Mas fazer conta, ah, isso eu sei.

É pena, mas “fazer conta”, nesse caso, não elimina a necessidade de entender de avião.

A Wikipedia diz o seguinte sobre os custos unitários do Rafale:

The total programme cost, as of 2008, is around €39.6 billion, which translates to a unit programme cost of approximately €138.5 million. The unit flyaway price as of 2008 is €64 million for C version (Air Force), and €70 million for the Navy version.

Veja que o “unit programme cost” do Rafale é de 138 milhões de euros ou 197 milhões de dólares.  Isso é bem mais que qualquer dos custos apontados pelo Tio Rei.  Já o “unit flyaway price” é de 64 milhões de euros, o equivalente a 91 milhões de dólares.

Qual diabos é a diferença entre “unit programme cost” e “unit flyaway price“?  O Departamento de Defesa dos EUA trabalha com a seguinte definição:

Standard unit flyaway cost elements include the costs of procuring airframes; engines; avionics; armaments; engineering change orders; nonrecurring costs including productiontooling, software, and other costs (if funded from aircraft procurement appropriations); divided by the procurement quantity. Flyaway cost does not include research and development, support equipment, training equipment, technical data, or spares.

Ou seja: o custo unitário proposto para o Rafale, na concorrência brasileira, é de 157 milhões de dólares.  É mais caro que os 91 milhões de dólares do “unit flyaway price“, mas este conceito não inclui alguns dos pressupostos da demanda brasileira, como equipamento de suporte, dados técnicos, peças de reposição etc.   Ainda assim 157 milhões de dólares é um preço inferior aos 197 milhões de dólares do “unit programme cost” _ o que faz sentido, já que não faz muito sentido o Brasil compartilhar com a França os custos de pesquisa e desenvolvimento, que costumam ser bem elevados.

E também há que se considerar as economias de escala.  Isso porque o valor unitário de uma partida de 126 aviões será necessariamente menor do que o valor unitário de uma partida de 36 aviões.

Conjugadamente, eu diria que com os dados disponíveis não fica muito evidente que o preço brasileiro _ e leve-se em consideração que ainda não sabemos se os franceses concordaram com uma redução de preço razoável, como o Brasil solicitou _ represente de fato uma “negociata”.

Mas se Reinaldo Azevedo, o homem que não entende de avião mas sabe fazer conta, disse, bom, fazer o quê?

Tio Rei tem um post esculhambando com Mark Weisbrot, doutor em economia pela Universidade de Michigan, e diretor de um tal Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, que escreve um artigo de opinião hoje na Folha.

Selecionei esta parte do “vermelho e preto” do Tio Rei que considero exemplar e que deve ser sempre lembrada àqueles que insistem em tecer loas aos poderes analíticos de Reinaldo Azevedo:

A política dos EUA ao longo dos anos também ajudou a destruir a agricultura haitiana, por exemplo, ao forçar a importação de arroz americano subsidiado e eliminar milhares de plantadores de arroz haitianos.

Isso já é delírio psicopata.

O primeiro governo democrático de Aristide foi derrubado após apenas sete meses, em 1991, por oficiais militares e esquadrões da morte que, mais tarde, se descobriu estarem a soldo da Agência Central de Inteligência dos EUA. Agora Aristide quer retornar a seu país, algo que a maioria dos haitianos reivindica desde sua derrubada.

É mentira! É pura tese conspiratória. É uma invencionice estúpida essa história de que a CIA derrubou o Santo Ariste.

Vou arrolar em uma só frase o cerne do argumento do Reinaldo: “delírio psicopata mentira conspiratória invencionice estúpida“.

Ele já nem sequer se preocupa em demonstrar o que diz.

Só vejo coisas assim em sermões de igrejas, hoje em dia.  Reinaldo Azevedo é hoje menos que um advogado de interesses escusos:  tornou-se apenas um pregador.

Muitos aqui se lembrarão, certamente, de um gênero de discussão que floresce durante as grandes tragédias: o retorno do “problema do Mal“.  Esse tema veio à tona depois do tsunami no Oceano Índico em 2006 , e também quando o Katrina abateu-se sobre New Orleans.

De forma geral, acredito que não é de muito bom gosto aproveitar-se da tragédia alheia para reforçar uma argumentação ideológica.  Quero dizer, é claro que é legítimo discutir o “problema do Mal”, só não é de muito bom tom fazê-lo logo depois de uma grande catástrofe, onde as atenções deveriam estar mais voltadas para as ações de resgate e ajuda humanitária.

Mas que diacho, tem gente que não nos deixa outra escolha:

Evangélico americano diz que Haiti fez “pacto com o Diabo”

14 de janeiro de 2010 • 19h16

O evangélico americano Pat Robertson, que anima um programa de TV, lançou uma polêmica nos Estados Unidos ao explicar que o terremoto que arrasou Porto Príncipe seria a consequência de um “pacto com o Diabo” selado pelos haitianos há dois séculos para se livrar dos franceses.

A controvérsia obrigou a Casa Branca a intervir, qualificando as declarações de “profundamente estúpidas”.

Falando em seu programa de TV, o evangélico, candidato às primárias republicanas para a eleição presidencial de 1988, lembrou que os haitianos “eram dominados pelos franceses”.

“Eles se reuniram e selaram um pacto com o Diabo. Disseram a ele: ”serviremos a você se nos livrar dos franceses”. A história é verdadeira. E o Diabo respondeu: ”está certo””, relatou Pat Robertson, 80 anos.

“Desde então, eles são vítimas de uma série de maldições”, afirmou o evangélico, comparando a situação no Haiti com a do país vizinho, a República Dominicana, relativamente próspera.

Claro que o aproveitamento político de grandes catástrofes é o território exclusivo de republicanos anaeróbicos norte-americanos, certo?

Humm…quem dera:

HAITI: PALCO E ATOLEIRO

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010 | 17:49

A abordagem que segue, sei disto, não é das mais agradáveis, mas, lamento, é necessária. Quando menos porque se trata de uma verdade insofismável. A tragédia do Haiti é gigantesca. Ainda que fosse um país minimamente organizado, as conseqüências seriam terríveis; sendo o que é, a cultura política se encarrega de extremar os castigos da natureza — e a natureza, como sabemos, é má para os homens; eles é que a melhoram, domando-a ou aprendendo a se proteger do inevitável. Em tempos “naturalisticamente corretos”, a constatação pode ser ofensiva a muitos. Em alguns casos, os humanos fazem o contrário, é certo, e pioram a natureza. Aí se tem o inferno. O inferno é o Haiti. Mas retomo o fio da abordagem dita desagradável.

Em que pese a desproporção das tragédias, como não contrastar a agilidade de Lula em mobilizar recursos em favor do Haiti com a lentidão paquidérmica para assistir os desabrigados das chuvas no Brasil e as famílias dos muitos mortos? Assim foi em 2008, em Santa Catarina; assim foi no fim do ano passado em toda parte.

Interessante a abordagem do Tio Rei.  Considere, leitor, que em nossa estrutura federalizada os entes federativos são responsáveis por ações de defesa civil na ponta; existe um Sistema Nacional de Defesa Civil responsável por articular as ações de prevenção e resposta a desastres, apoiada pelos entes de defesa civil nos níveis regional, estadual e municipal, como reza a Política Nacional de Defesa Civil.

No caso do Haiti, trata-se de um país já totalmente carente de uma estrutura institucional (é por isso que tem uma missão de paz da ONU lá).  O terremoto, creiam-me, não melhorou essa situação.  Então estamos tratando duas situações bem distintas, não só quanto a extensão da tragédia, quanto às possibilidades de ação local no sentido de minorá-la.

Tio Rei faria melhor em prestar atenção às ações de seus companheiros de estrada.  Não deixa de ser curioso que a única menção que ele fez sobre a patética situação do Jardim Romano, área sob a responsabilidade do alcaide de São Paulo, Gilberto Kassab, foi em um post para falar mal da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, que exige soluções para o problema.  Tio Rei chega a dizer que “a defensoria quer também a “suspensão da remoção” dos moradores para que a decisão da Prefeitura de criar um parque naquela região — aonde as águas do Tietê sempre voltarão enquanto houver Tietê“.  E mais:

“(…)a nota da Defensoria diz defender uma “solução definitiva” para a região. E em que ela consistiria? Manutenção das bombas para drenagem das águas pluviais e dos córregos próximos e a varrição dos bairros. E quem disse que isso é solução definitiva?

Pois é.  Tio Rei, que tanto preza a Civilização Ocidental, parece esquecer que uma das primeiras conquistas da Humanidade foi reclamar as áreas de pântanos para uso humano.  Para proteger Kassab, o inepto, ele propõe que a Humanidade regrida ao estágio neolítico, antes das burocracias hidráulicas.

Mas Tio Rei continua:

É evidente que considero que o Brasil tem de integrar os esforços internacionais para tentar minorar o sofrimento do povo do Haiti. Não há mal nenhum nisso. Ao contrário. Mas também resta evidente que uma tragédia como a havida naquele país pode se transformar numa espécie de palco para governantes que pretendem demonstrar capacidade de liderança.”

(…) Uma catástrofe como a havida no Haiti, é forçoso constatar, “rende” mídia internacional, e o evento logo se torna uma arena também política. Barack Obama, outro que não consegue disfarçar a matéria de que é feito, afirmou que o terremoto “pede a liderança americana”. Vai mandar 3,5 mil soldados ao país e anunciou ajuda de US$ 100 milhões. Que o mundo se mobilize mesmo! Os haitianos precisam. Mas nem por isso devemos suspender o juízo crítico e ignorar aspectos nem tão virtuosos de certos protagonismos.”

Suponhamos, por exemplo, que o Brasil sequer tivesse manifestado intenção de ajudar o Haiti, ou o tivesse feito apenas depois de Obama, Sarkozy e o Papa falarem a respeito.  Então seguramente estaríamos vendo a catilinária de Tio Rei ribombando sobre nossas cabeças, recriminando a desídia do Brasil em cumprir com seu papel como líder da missão humanitária no Haiti.   Ou seja, se o governo se manifesta nas primeiras 24 horas é porque quer aparecer, mas se se manifesta depois de 24 horas, é lento e desidioso.  Quem sabe se a manifestação ocorresse 24 horas, 15 minutos e 32 segundos depois do terremoto…

Quanto ao pobre do Obama, bem…parece que Tio Rei só aceita a “liderança americana” quando se trata de causar, e não aliviar, desastres _ o Iraque e o Afeganistão que o digam.

***

UPDATE:

O Samba do Avião está dando uma aula sobre a História do Haiti.  Recomendo.  Aproveitem e mandem o link dele pro Pat Robertson.

Tio Rei tem um post intitulado “Agressão aos Direitos Humanos Também no Cinema“.  Não, amigo, não se trata de uma gangue de lanterninhas torturadores que se aproveitam do escurinho do cinema para te fazer contar o final do filme mesmo que ele ainda esteja no início.  Vejamos:

A Ancine, a Agência Nacional de Cinema, precisa agir depressa para ver se consegue salvar do vexame “Lula, O Filho do Brasil”, o filme hagiográfico sobre a vida de Lula que não conseguiu repetir a proeza de mentir mais do que a propaganda oficial. Em matéria de cinema, ninguém supera Franklin Martins, o ministro da Verdade. Como jornalista, ele já exibia essa tendência, razão por que seus chefes o convidaram a assumir de vez o discurso oficialista. Mas me desviei um pouco do principal. No lusco-fusco de 2009, ali no apagar das luzes de um ano e no aceder as de outro, Lula editou o decreto nº 7. 061 – precisamente no dia 30 de dezembro. É curto. Leiam. Volto em seguida:

Reproduzo, do tal Decreto, apenas as partes que ele grifou:

Art. 1o As empresas proprietárias, locatárias ou arrendatárias de salas ou complexos de exibição pública comercial estão obrigadas a exibir, no ano de 2010, obras cinematográficas brasileiras de longa metragem, no âmbito de sua programação, observado o número mínimo de dias e a diversidade dos títulos fixados em tabela constante do Anexo a este Decreto.

(…)

Art. 3o A ANCINE, visando promover a auto-sustentabilidade da indústria cinematográfica nacional e o aumento da produção, bem como da distribuição e da exibição das obras cinematográficas brasileiras, regulará as atividades de fomento e proteção à indústria cinematográfica nacional, podendo dispor sobre o período de permanência dos títulos brasileiros em exibição em cada complexo em função dos resultados obtidos.”  [grifo meu]

E Tio Rei continua:

Que coisa comovente! Numa tabela em anexo, o decreto específica o número mínimo de sessões com filme nacional, dependendo do número de salas controladas por uma mesma empresa.

Falta agora a instrução normativa da Ancine. Mas notem: não contente em impor o filme nacional, o decreto atribui à agência o poder para definir o tempo em que um filme ficaria em cartaz em cada sala, entenderam? É isto: também nesse caso, a liberdade vai para a breca. O estado se torna o grande programador dos cinemas.

Chega a ser patético que esse decreto tenha vindo à luz na antevéspera da estréia do , dadas as expectativas, maior insucesso da história do cinema brasileiro: “Lula, O Filho do Brasil“. Como fica evidente, quando o telespectador não quer, não há máquina de propaganda, dinheiro ou adesismo que dê jeito. O “maior lançamento da história” está sendo rejeitado até pelos camelôs. Ainda escreverei a respeito. Só que terei de passar pela provação de ver o filme primeiro.

Ou seja, ele quer fazer crer que na calada da noite, no final de 2009, o Presidente da República publicou um decretinho solerte só para fazer decolar o “Lula, o Filho do Brasil”.

Neste caso, tenho algumas surpresas para o Tio Rei.  Vejamos o caput do Decreto que ele menciona:

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 55 da Medida Provisória no 2.228-1, de 6 de setembro de 2001, DECRETA:”

E o que diz o art. 55 da Medida Provisória 2.228-1, assinada pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso???  Isso:

Art. 55. Por um prazo de vinte anos, contados a partir de 5 de setembro de 2001, as empresas proprietárias, locatárias ou arrendatárias de salas, espaços ou locais de exibição pública comercial exibirão obras cinematográficas brasileiras de longa metragem, por um número de dias fixado, anualmente, por decreto, ouvidas as entidades representativas dos produtores, distribuidores e exibidores.

§ 1o A exibição de obras cinematográficas brasileiras far-se-á proporcionalmente, no semestre, podendo o exibidor antecipar a programação do semestre seguinte.

§ 2o A ANCINE aferirá, semestralmente, o cumprimento do disposto neste artigo.

§ 3o As obras cinematográficas e os telefilmes que forem exibidos em meios eletrônicos antes da exibição comercial em salas não serão computados para fins do cumprimento do disposto no caput.”

Pois é.  Desde 2001, TODOS OS ANOS, há um Decreto presidencial, em geral publicado no Diário Oficial da União no final de dezembro (excepcionalmente no início de janeiro), definindo a cota de tela para o ano subsequente.  Por obra e graça de Fernando Henrique Cardoso.

Pior: esse mecanismo já estava em vigor ANTES MESMO da MP 2.228-1, como podem ver abaixo:

E o que dizia o artigo 29 da Lei 8.401, citada no caput desse Decreto como sua base jurídica? O seguinte:

Art. 29. Por um prazo de dez anos, as empresas proprietárias, locatárias ou arrendatárias de salas, espaços ou locais de exibição pública comercial exibirão obras cinematográficas brasileiras, de longa metragem, por determinado número de dias, que será fixado anualmente por decreto do Poder Executivo.

1° A exibição de obras cinematográficas brasileiras far-se-á proporcionalmente, no semestre, podendo o exibidor antecipar a programação do semestre seguinte.

2° A aferição do cumprimento do disposto neste artigo far-se-á semestralmente por órgão designado pelo Poder Executivo.

3° O não cumprimento da obrigatoriedade de que trata este artigo sujeitará o infrator a uma multa correspondente ao valor de dez por cento da renda média diária de bilheteria, apurada no semestre anterior à infração, multiplicada pelo número de dias em que a obrigação não foi cumprida.

O que é a mesma redação, praticamente, do art. 55 da MP 2.228-1.  Quer dizer, quase.  Na versão da Lei 8.401, o mecanismo da cota de tela deveria vigir por dez anos.  A MP 2.228-1 (lembrem-se, assinada pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso) estendeu esse prazo para…20 anos!

Depreende-se daí o seguinte:

a)  O Presidente Fernando Henrique Cardoso “agrediu os direitos humanos” dos espectadores de cinema tanto ou mais que Lula.

b) Tio Rei MENTIU quando disse que o Decreto visa turbinar o filme “Lula, o Filho do Brasil”.  Inclusive, os dias de cota de tela ali propostos são os mesmos que do Decreto do ano anterior, determinados no Decreto no. 6.711, de 24 de dezembro de 2008:

***

Eu não sou o maior dos fãs da cota de tela e acho que esse instituto deve ser sobretudo temporário, devendo acabar quando a indústria cinematográfica brasileira for capaz de andar pelas próprias pernas.  O que talvez não esteja muito longe, segundo matéria de Gustavo Briggato no Valor de hoje:

Cinema nacional cresce 76% em 2009

O número de pessoas que assistiram a filmes nacionais em 2009 cresceu 76% na comparação com 2008, segundo levantamento da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Foram 16 milhões de expectadores. Conforme adiantou o Valor em 8 de dezembro, foi a segunda melhor marca do cinema nacional em sua fase de retomada – o período inaugurado em 1993 com a edição da Lei do Audiovisual.

Os filmes brasileiros arrecadaram R$ 113,9 milhões no ano. “Se Eu Fosse Você 2” liderou a bilheteria com 6,1 milhões de ingressos vendidos e R$ 50,5 milhões arrecadados. O filme superou a marca estabelecida em 2005 por “Dois Filhos de Francisco”, que atraiu 5,3 milhões de expectadores.

A cota de tela tem sido importante nesse movimento?  Possivelmente, sim, ao assegurar uma fatia de mercado para filmes nacionais _ sem o qual dificilmente investidores se animariam a botar seu dinheiro na produção de um filme nacional que, por várias características únicas do mercado cinematográfico (como a prática das distribuidoras internacionais, as majors, exigirem a exibição de um portfolio de seus filmes pelos cinemas, criando uma verdadeira barreira à entrada ao produto nacional), é um empreendimento de elevado risco.

Mas parece que a “programação” dos cinemas pelas empresas internacionais não preocupa tanto Tio Rei quanto ganhar as eleições desse ano.

Tio Rei está promovendo uma série com o nome de pessoas que hipoteticamente perderam a vida devido às ações dos grupos armados de esquerda, começando pelos 19 mortos  “antes do AI-5” (mas, o que talvez importe mais, após o golpe de 64).

Estes nomes são retirados do site do grupo “Terrorismo Nunca Mais”, o famigerado Ternuma.  No site da fofíssima ONG, a página que contém os nomes dessas pessoas é encimada pelo seguinte texto:

Memorial 1964

O clamor das manifestações públicas e sociais do início de 1964 desaguou no Movimento Democrático de 31 de março, marco imorredouro da evolução política nacional, quando as forças democráticas, lideradas pelas Forças Armadas e em defesa da nossa Soberania, impediram que o comunismo internacional tomasse o poder.  Eterna homenagem aos que lutaram em prol da Democracia e da Liberdade.

O site aliás contém outras pérolas, como a seguinte advertência:

O TERNUMA solidariza-se, de maneira irrestrita, com o Cel Carlos Alberto Brilhante Ustra e repudia veementemente a omissão da Instituição a qual pertence.Um alerta às esquerdas: podem estar certas de que jamais conseguirão destruir as Forças Armadas. Não pensem em repetir 64, pois, com certeza, serão novamente derrotados.

HÁ VERDADEIROS PATRIOTAS ATENTOS !!

Ou tratados da pena do “blogueiro cultural” Anatoli Olynik, como por exemplo o imortal ensaio “O Esquerdista, Quem é Ele?”:

“A ambição diabólica do esquerdista é querer mandar no mundo”

O esquerdista é um doente mental que precisa de ajuda e não sabe. Um sujeito miserável que necessita da piedade humana. Mas cuidado com ele. Por ser um ser desprezível, abjeto, infame, torpe, vil, mísero, malvado, perverso e cruel, todos sinônimos é verdade, mas insuficientes para definir seu verdadeiro perfil, ele é perigoso e letal.

É um sociopata camuflado, um psicótico social que imagina ser Deus e centro do mundo. Na sua imaginação acha que é capaz de solucionar todos os problemas da humanidade e do mundo manifestado, mas que na verdade quer solucionar os seus próprios, que projeta nos outros para iludir-se de ser altruísta.

Ou de nosso já conhecido Olavo de Carvalho, capaz de análises políticas tão sagazes quanto esta:

Não vejo no horizonte o menor sinal de que os adeptos do Sr. José Serra tenham aprendido a lição: hipnotizados pela esperança da vitória eleitoral, não vêem que tudo o que estão querendo é colocar na presidência um homem isolado, sem apoio militante, escorado tão somente na força difusa e simbólica da “opinião pública” — um homem que, à menor sombra de deslize, terá contra si o ódio da militância revolucionária explodindo nas ruas e será varrido do cenário político com a mesma facilidade com que o foi o ex-presidente Collor.”

***

E pensar que Tio Rei já foi companheiro de viagem do Mendonção.

Vai Glamurosa
Cruze os braços no ombrinho
Lança ele prá frente
E desce bem devagarinho…

Dá uma quebradinha
E sobe devagar
Se te bota maluquinha
Um tapinha eu vou te dar
Porque:

Dói, um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Só um tapinha…

Em seu cabelo vou tocar
Sua bôca vou beijar
Tô visando tua bundinha
Maluquinho prá apertar..

Essa é a letra do funk carioca “Um Tapinha Não Dói”, do Furacão 2000.  É que isso foi a única coisa que me veio à mente ao ler este trecho de um post “vermelho e azul” do Tio Rei, comentando o texto do Manifesto do “Comitê Contra a Anistia aos Torturadores”:

O Brasil é o único país da América Latina que ainda não julgou criminalmente os carrascos da ditadura militar e é de rigor que seja realizada a interpretação do referido artigo para que possamos instituir o primado da dignidade humana em nosso país.

Há nessa consideração uma fraude intelectual de base. Comparar as chamadas vítimas da “ditadura militar” brasileira com os horrores cometidos na Argentina ou no Chile é arte da trapaça histórica. A população chilena corresponde a menos de um décimo da brasileira, e se estimam em 3 mil os mortos pelo regime de Pinochet. A ditadura argentina matou 30 mil (!!!) pessoas para um quinto da nossa população. No Brasil, os mortos, dando crédito a tudo o que dizem as esquerdas, somam 427. Não! Não estou achando que é pouca gente. Mas aí se encontram tanto os que morreram de arma na mão quanto os que foram vítimas da brutalidade do estado. De todo modo, resta evidente que se trata de processos diferentes.

Como diferente foi a transição da ditadura para a democracia. Os militares brasileiros foram infinitamente menos brutais do que seus pares latino-americanos e também muito mais políticos.(…)

Ah, entendi.  Porra, meu, lá no Chile e na Argentina a repressão matou muito mais gente do que aqui.  Isso faz com que o IRM _ Índice de Repressão Média(*) _ seja baixíssimo no Brasil.

E a tortura então?  Nosso Índice de Tortura, Violência Gratuita e Estupro Básico Médio (ITVGEBM)(*) é super baixo perto do vigente nos nossos hermanos do Cone Sul.

Inclusive, o nosso IOMPA _ Índice de Ocupação Médio de Pau de Arara(*) _ também é muito menor do que o de lá.

Isso significa que nosso IMBM _ Índice Médio de Brutalidade Militar(*) _ seja, igualmente, um numeruzinho bem mais pequenininho.

Tenho certeza de que se Tio Rei um dia tivesse tido o prazer de frequentar algum dos calabouços do DOI-CODI, e ainda por cima tivesse sido escolhido pelos deuses para ter a sorte de receber o tratamento completo que aquelas instalações permitiam oferecer aos seus convidados, se sentiria hoje extremamente gratificado por saber que todos os choques, cacetadas, curras, socos e pontapés que recebeu na prisão foram, afinal, apenas um “ponto fora da curva”.

(*) estes índices todos estão sendo patenteados pela Fundação Hermenauta de Segurança Nacional.

É, Tio Rei vai de mal a pior.

Agora deu de escrever textos contra “a morte da democracia“.  Lá vai o doidinho:

Nenhum país dorme democracia e acorda ditadura; em nenhum lugar do mundo, o sol se põe na plena vigência do estado democrático e de direito e se levanta para iluminar um regime autoritário. A construção da miséria institucional e legal é sempre lenta e demanda um esforço continuado e dedicado tanto dos candidatos a ditador como dos culpados úteis que lhes prestam serviços – são “culpados úteis”, sim; não há inocentes entre protagonistas e omissos.”

Cáspite.  Tio Rei regula comigo em idade, pelo que sei.   Então pergunto, onde é que ele estava no Primeiro de Abril de 1964?  Em alguma piada de mal gosto?  Não, ele estava em um país que um dia era uma democracia, e acordou uma ditadura.  Desde que o mundo é mundo, aliás, sabe-se muito bem o caminho do golpe nas instituições, e ele não tem nada a ver com essa viadagem de solapar a democracia devagarinho:  o profissional do ramo sabe que o negócio é mesmo incendiar a imaginação dos quartéis.  Quem se dedica, no momento, a esta atividade, ao que eu sabia, é Tio Rei, entre outros.

Em seguida, Tio Rei, inadvertidamente, nos oferece uma oportunidade para vasculhar o que diabo se pode encontrar entre as recônditas sombras de uma mente anaeróbica:

Imersos numa enorme confusão filosófica e jurídica, ignoram [os jornalistas, nota Hermê] que mesmo os melhores princípios obedecem a códigos estabelecidos – estabelecidos, é bom lembrar, num regime plenamente democrático. Moral e intelectualmente, comportam-se como crianças tolas e assustadas, que fazem pipi nas calças diante do temor de que a crítica ao tal decreto venha a ser confundida com “defesa da tortura”. O fenômeno, admito, não é só brasileiro. Vive-se a era da patrulha das minorias organizadas, que tolhem o pensamento com a força de um tribunal inquisitorial. Richard Lindzen, por exemplo, professor de meteorologia do Massachusetts Institute of Technology (nada menos do que o lendário MIT), faz picadinho de algumas teses do aquecimento global e explica o silêncio de colegas que comungam de suas teses: medo – e, claro!, risco de perder verbas para pesquisa.

É no mínimo interessante constatar como, de repente, Tio Rei salta da questão da tortura para o tema, hum, bem pouco relacionado do aquecimento global.  É que o sonho da direita, hoje, é roubar para si uma figura cultivada pela esquerda até bem pouco tempo: o rebelde, o Quixote.  Isso não é novo, o John Galt de Ayr Rand bebia no mesmo regato.  Façamos justiça lembrando que o mote do “toda unanimidade é burra” também fez sucesso nos arraias de esquerda há não muito tempo atrás.  O problema é que isso não basta: para cada Richard Lindzen (“do MIT, hein!”), há dezenas ou centenas de cientistas tão bem ou melhor qualificados que esposam a opinião contrária.  E se alguém andou oferecendo facilidades financeiras em troca de resultados risonhos quanto ao aquecimento global, bom, desculpe, mas foi da banda de lá.

Depois, Tio Rei repisa o argumento salafrário, ao falar sobre o Decreto propriamente:

Ocorre que, entre outras barbaridades, o mesmo texto que contempla aquela aberração [a Comissão da Verdade, nota Hermê] também extingue, na prática, o direito de propriedade e institui a censura sob o pretexto de defender os direitos humanos.”

Sobre isso duas coisas:

1) Qualquer constitucionalista dirá ao Tio Rei que a nossa Constituição contém uma série de princípios que muitas vezes se opõem.  Como por exemplo mostra a questão da função social da propriedade.  Isso é normal, e é função do Judiciário resolver caso a caso qual princípio sobrepuja o outro.  Tio Rei pode não gostar, mas é assim que está na Constutuição, ué.

2) Por outro lado, quem já leu, no duro, o Decreto no. 7037 poderá verificar, in loco, que ele é das peças mais anêmicas que já se viu por aí: 7 artigos, dos quais os 3 últimos versam sobre disposições das mais gerais e cujo coração, o artigo 2, dá diretrizes programáticas que serão um dia objeto de consideração de comitês sem prazos definidos que… enfim, é uma receita para o enxugamento de gelo.  Alguém vir à público dizer que aquela peça inerme “extingue, na prática, o direito de propriedade”, se não é mal intencionado, é burro a não mais poder.

[o que não é novidade, dadas as repetidas vezes em que ele trotou sobre a mentira de que a fusão da Brasil Telecom e da Oi dependeu uma modificação na Lei, quando dependeu apenas de um Decreto modificando o PGO, algo aliás previsto na Lei Geral de Telecomunicações]

E Tio Rei é mal intencionado, claro, como admite logo a seguir:

Petralhas e até alguns inocentes acusaram: “Você está exagerando na interpretação do decreto”. Não estou. O governo é que exagera na empulhação. E volto, então, ao início dessa conversa. Não se mata a democracia do dia para a noite. Seu último suspiro é apenas o ponto extremo de uma longa trajetória. Se é um regime de liberdade o que queremos, pautado pelos códigos legais que nos fazem também um estado de direito, então o decreto de Lula há de ser alvo do nosso repúdio. E ele tem de ser expresso agora, não depois, antes que se multiplique em projetos de lei num Congresso que já não morre de amores pela imprensa.

Repentinamente, a “extinção na prática do direito de propriedade” se transformou na morte da democracia, a prazo.

Por fim, Tio Rei faz seu habitual discurso laudatório à Joana D´arc do movimento dos com terra, a senadora Kátia Abreu _ sim, aquela mesma dos empréstimos estatais seletivos, aquela mesma que não tem pudor em transformar seu mandato em um escritório de lobby pago pelo contribuinte, sim, aquela mesma que defende o trabalho escravo _ que, indignada, diz que o governo está defendendo grupos criminosos.  Algo de que ela, sem dúvida, entende.

***

Agora, minha interpretação sobre o Decreto: é uma típica peça de fim de mandato, do calibre, assim, de uma Confecom.  Uma peça sem dentes, sem objetivos, apenas para prestar contas a grupos políticos fortes dentro da coalizão de forças que suporta sua presidência.  Podem fazer besteira com ele no Congresso?  Até podem.  Mas essa já é uma outra história, e aliás, besteiras no Congresso podem ser feitas a qualquer momento, independente da ajuda do Executivo.

Eu vim aqui para comentar a inocente notícia de que a Daslu está para ser vendida a um fundo de participações, mas…

Mas de repente eu vi essa manchete estrondosa no Tio Rei:

O SUPOSTO DECRETO DOS DIREITOS HUMANOS PREGA UM GOLPE NA JUSTIÇA E EXTINGUE A PROPRIEDADE PRIVADA NO CAMPO E NAS CIDADES. ESTÁ NO TEXTO. BASTA LER!!!

Não satisfeito, prossegue, em um festival de caixas altas, vermelhos e azuis:

Como se nota, na prática, foram tornados sem efeito tanto o caput como o inciso XXII do Artigo 5º da Constituição, que asseguram o direito de propriedade.”

Vamos lá, pessoal da Veja: manda o Reinaldão fazer um cursinho básico de Direito Constitucional, vai.

Tio Rei sempre é capaz de nos surpreender, mesmo com o ano já acabando.  “Criando” em cima de um poema de Drummond (Meu Deus, por que me abandonaste/se sabias que eu não era Deus/se sabias que eu era fraco), ele encesta o trocadilho do ano:

“E, no entanto, Ele nos deu. Ele nos Deus.”

É o gênio da raça.

Tio Rei escreveu um post:

LULA É VAIADO

terça-feira, 8 de dezembro de 2009 | 22:40

No dia 18 de novembro, escrevi aqui sobre “Lula, O Filho do Brasil”:

“Nos cinemas, os trailers têm sido recebidos com uma vaia meio preguiçosa — um muxoxo, um ‘hannn’ de insatisfação”

A coisa já evoluiu. Em sua coluna, Ancelmo Goes informa que, no sábado, na sessão das 18h40 do Cine Leblon 1, no Rio, que exibia “Abraços Partidos”, de Almodóvar, foi aparecer o trailer da hagiografia lulesca, e o cinema explodiu numa “vaia monumental”.”

Depois, confrontado com o fato de que no Leblon até Madre Teresa de Calcutá seria vaiada, sai-se com essa:

Essa clivagem de classe é só mais uma vigarice. O que os petistas não suportam mesmo é haver quem não tenha caído da sedutora lábia do líder, entendem? O que eles não perdoam é haver gente que se nega a “dar a mão” para Lula porque sabe que, deu a mão, “está no papo”, como poderia ter dito certo sindicalista pensador em 1979.

“Ah, Leblon está nos 6% que aprovam Lula” Ainda que fosse assim, constato: O QUE É ESPANTOSO É QUE ESSA GENTE CONSIGA FICAR MAIS FURIOSA COM OS 6% DO QUE ALEGRE COM OS 83%. Uma alma totalitária não consegue viver sem a unanimidade (ver post abaixo). Haver um só que diga “Não”, que se negue a dar a mão, já caracteriza um tormento pessoal e um risco de conspiração.

A idéia dos mitificadores, mistificadores e mitômanos é que não se possa comer um saco de pipoca, em 2010, sem estar olhando para a cara de Lula. Haver quem vaie o seu filme é considerado uma verdadeira afronta, uma espécie de iconoclastia. É mais feio que chutar a santa.

É assim? Então viva a vaia!” [grifo meu]

Esquisito, porque quem parece estar furioso é ele.  🙂

***

Detalhe: não vi o filme, provavelmente não verei e não gosto da idéia.

Tudo pelo “enforcement”

Quando a Polícia Federal estava atrás de Dantas, Tio Rei escreveu o seguinte:

Polícia do estado, polícia do governo e estado policial

sexta-feira, 20 de junho de 2008 | 16:51

Só há uma coisa que prospera no país mais do que petróleo na camada do pré-sal: grandes operações da Polícia Federal. Não somei, mas nossas reservas de óleo já devem andar pela casa de uns 300 bilhões de barris… Assim como as operações da PF também se contam às dezenas. Quantas pessoas já foram presas, algemadas, com o estardalhaço característico, e quantas continuam presas? O primeiro número, não sei. O segundo, sei: nenhuma. Cada nova operação vai, digamos assim, repondo os detidos da operação anterior, que a Justiça manda soltar. E manda só porque é leniente e porque as leis, no país, protegem o corrupto? É o caso de analisar. Mas existe uma boa chance de haver abuso de poder nisso tudo.”

Alguns dias depois voltou ao tema, com mais, er, ênfase:

TARADOS PELO ESTADO POLICIAL

sexta-feira, 11 de julho de 2008 | 6:45

“O fascismo começa caçando tarados”. A frase é do cineasta italiano Bernardo Bertolucci. Estaria querendo dizer com isso que devemos deixar os tarados livres para agir? Não! Está chamando atenção para o fato de que não se pode usar a caça aos tarados como justificativa para impor um regime de terror. Aliás, a frase tem especial validade hoje em dia, quando, sob o pretexto de prender pedófilos, há quem advogue, sem qualquer cerimônia, o fim da privacidade na Internet. O Brasil vive um momento muito delicado. Muito mais do que parece.”

Hoje ele diz o seguinte:

Pensem no que costumo chamar de “petização” da sociedade. Não há um “lugar” onde esse troço é decidido. Muito mais importante e grave do que isso é a interiorização de valores, pelas instituições, que servem exclusivamente a um partido. Ou a partidarização de entes do estado. E isso está em curso, sim, não é de agora.

Avaliem a nova avalanche de denúncias. Qual é o único partido que está sendo preservado — ÚNICO??? Sacanagem de que o PT não participe é cabeça de bacalhau. Seria ele mais honesto do que os outros? Ora… E que fique claro: o fato de que os petistas estejam podendo se comportar como São Jorge de bordel não quer dizer que os demais não devam ser investigados. Devem, sim. Mas que papel desempenha a Polícia Federal de Tarso Genro na investigação e, sobretudo, no vazamento de dados? Será o partido do Mensalão — e falarei mais dele em outro post — realmente mais honesto e decente do que os outros???

É o uso criativo da regra segundo a qual ninguém é culpado até prova em contrário.   É inocente?  Produzam-se provas!

Em janeiro de 2008, no calor da eleição norte-americana, Tio Rei obrou o seguinte post:

A diferença entre convicção e sectarismo burro

domingo, 6 de janeiro de 2008 | 17:12

Vamos ver. O candidato democrata, tudo indica, será Barack Osama – ops! Obama – ou Hillary Clinton. Um fala aquelas “verdades” do humanismo chinfrim; a outra é notavelmente articulada, é a voz mais técnica entre todos os postulantes. Quem deve ser o republicano a enfrentar um ou outro? Alguém capaz de dizer também verdades gerais e que possa confrontar com razoável destreza o tecnicismo. Só há dois entre os republicanos capazes de fazê-lo: John McCain e Rudy Giuliani, este mais midiático do que aquele — e, pois, mais viável.

Uma eleição não é só um campeonato de qualidades morais. É preciso também ser viável. A questão é saber qual é ponto zero, o marco inicial dessa disputa. E o ponto zero é este: a vitória, hoje, já é dos democratas, entendem? A questão é como tirar deles a eleição certa. Se os democratas escolherem Osama — quero dizer, Obama —, será uma ajuda e tanto. Mas o problema ainda não está resolvido. Depende de quem estiver do outro lado.

Tenho arrepios civilizatórios ao pensar num confronto entre o “libertário” Osama — digo, Obama — e um teocrata caipira. É o mesmo que entregar o ouro pro bandido. A convicção que não dialoga com a realidade é só sectarismo burro.

Na época, Huckabee andava fazendo estragos nas primárias republicanas.  No mesmo dia em que escreveu o post acma, Tio Rei também escreveu isso aqui:

Não serei eu a criticar este ou aquele candidatos porque têm uma religião. Mas o estado é leigo e deve continuar a sê-lo. O republicano Rudy Giuliani é favorável ao aborto, e Huckabee é contrário? Não basta para que eu simpatize com o ex-governador do Arkansas. Continuo a preferir o ex-prefeito de Nova York, que me parece mais equipado intelectualmente para responder aos desafios postos para a maior economia do mundo — e também para a maior máquina militar do planeta. Se Huckabee, a esta altura do campeonato, ainda não entendeu a importância do Paquistão no cenário mundial, sou forçado a indagar: o que mais ele não entendeu? Prefiro, sim, candidatos com sólidas convicções religiosas. Mas a Casa Branca não pode ser confundida com um templo do interior…”  [grifo meu]

Era contra a perspectiva de sua consagração que Reinaldo falava _ como se a Veja fosse a Fox News, aliás _ mas o que importa é o seguinte: para derrotar os democratas, aqueles bárbaros antiocidentais favoráveis ao aborto, Tio Rei propugnava que o partido republicano ungisse um…candidato favorável ao aborto.

Nesta madrugada, ele produziu um “texto de deformação” onde se atraca com uma obra de Trotsky intitulada “Moral e Revolução“.  Transcrevo um pedaço do texto do velho bolchevique, “discutido” por Tio Rei:

O meio não pode ser justificado senão pelo fim. Mas também o fim precisa de justificação. Do ponto de vista do marxismo, que exprime os interesses históricos do proletariado, o fim está justificado se levar ao reforço do poder do homem sobre a natureza e à supressão do poder do homem sobre o homem.

O que é um pensamento tão consequencialista quanto o externado pelo Reinaldão nos seus post antigos, uai.  Até porque sabemos como Tio Rei trata chefes de Estado favoráveis à discussão sobre o aborto.  Quando houve aquela tragédia da menina recifense violentada pelo padrasto, que ficou grávida aos 9 anos de idade e teve que sofrer um aborto para que pudesse sobreviver, Tio Rei dizia o seguinte sobre Lula, que havia dito que “Como chefe de Estado tenho de tratar o aborto como questão de saúde pública. Como cristão, eu sou contra”:

Fosse Lula sincero, sua opinião seria esquizofrênica. Esse negócio de “como cristão” e “como presidente”, lamento dizer, é coisa de covardes políticos. Soubessem as oposições explorar tais contradições, Lula não alcançaria a altitude que alcança. O diabo — e como tem diabo nessa história! — é que também elas têm receio de enfrentar a questão.”

Bem que Tio Rei confessa que foi trotskista na juventude.  Pelo visto guardou no peito as convicções de outrora _ de lá pra cá, aprendeu apenas a ser hipócrita.

Fato Número 1:

Mesmo com apagão, popularidade do presidente Lula cresce

CNT não incluiu nesta edição da pesquisa perguntas sobre o blecaute por falta de tempo, afirma diretor

Leonardo Goy, Agência Estado

BRASÍLIA – O blecaute que deixou 18 Estados sem luz no dia 10 deste mês não teve efeito aparente na aprovação do governo e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e o Instituto Sensus, feita entre os dias 16 e 20 deste mês, a aprovação do governo subiu de 65,4% em setembro para 70% em novembro. Ao mesmo tempo, a avaliação negativa recuou de 7,2% para 6,2%. A fatia dos que avaliam o governo como regular caiu de 26,6% para 22,7%.

Fato Número 2:

CNT/Sensus aponta queda na diferença entre Serra e Dilma

‘É possível notar que Serra perdeu cerca de 15% em intenções de voto em primeiro turno’, diz diretor

Leonardo Goy, da Agência Estado

BRASÍLIA – Os diferentes cenários de primeiro turno elaborados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) com o Instituto Sensus, mostram tendência de crescimento da potencial candidata do governo à Presidência da República, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Isso ocorre ao mesmo tempo em que o principal candidato da oposição, o governador de São Paulo, José Serra, tem um comportamento entre estagnação e queda, principalmente quando se compara a pesquisa divulgada hoje com as de dezembro do ano passado.

Na primeira lista apresentada pela CNT/Sensus aos entrevistados, Serra aparece na frente de Dilma para primeiro turno, com 31,8% de intenções de voto, seguido pela ministra, com 21,7%. Em terceiro lugar, aparece o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), com 17,5%. A senadora Marina Silva (PV-AC) tem 5,9% e vem em quarto lugar.

Fato Número 3:

Dos seus últimos dez posts, Reinaldo Azevedo dedica 7 a criticar a visita do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil.  Um tema que certamente incendeia a imaginação do povão, como sabe quem tem acompanhado as manifestações de protesto na orla carioca.  E o possível candidato do PSDB em 2010, o governador de São Paulo José Serra, soltou um tijolaço no site do partido intitulado “Visita de Ahmadinejad é desconfortável“.  Pois é, de desconforto o Serra deve estar entendendo, sentado de ladinho no Palácio dos Bandeirantes.  Pelo menos é o que dá a entender Tio Rei, em um aviso para a garotada:

Estou saindo para gravar uma entrevista no Programa do Jô. Volto mais tarde para cuidar dos assuntos do dia, inclusive a pesquisa CNT-Sensus, que inflama a petralhada, que agora deu para comparar laranjas com pepinos. Mas fica tudo para depois. Até a volta. Não sei quando vai ao ar. Quando souber, informo. Até a volta.” [grifo meu]

Eu, hein!

Tio Rei, aquele que todos sabem ser um intelectual honesto e respeitador (isto é, tanto quanto lhe permite a condição de “reservoir dog”), escreveu o seguinte:

Discovery Channel

quinta-feira, 19 de novembro de 2009 | 5:57

“Pelo carinho que ela me dedicou à noite, ela gostou, sim”.

Esse é Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da República, referindo-se a Mariza Letícia da Silva, a primeira-dama, quando indagado se ela havia gostado do filme “Lula, O Filho do Brasil”, que assistira na noite anterior.

Eu entendi certo, né? O presidente da República está falando daquilo? Mais especificamente, daquilo naquilo? Eu, sinceramente, preferiria que Lula fosse mais transparente no uso do dinheiro público ou nas causas do apagão.

O que eu digo? Sei lá por quê, pensei em parte da programação do Discovery Channel.

Est modus in rebus, dizia o poeta. As coisas têm limites! Ou deveriam ter.

***

Pô, que implicância.  Outro dia Tio Rei escreveu o seguinte em um post:

“Sem Dona Reinalda, não sou ninguém. Nem sexo eu faço sem ela, vejam só…”

Dá pra ser menos transparente, Tio Rei?  Sério, ainda não me recuperei do choque de ter vislumbrado, ainda que por um breve momento porque minha imaginação não é tanta e meus circuitos neurais têm proteção, a imagem de Reinaldão e sua mão peluda praticando o cinco contra um no banheiro, provavelmente pensando em, sei lá, Ayn Rand.

***

Quer dizer, Tio Rei fica aí defendendo a menina do vestido curto mas se horroriza com o sexo presidencial.  Do Lula, porque das escapadinhas adúlteras de don Fernando em situação de assédio sexual contra a empregada, nem uma palavrinha até agora.  Nem pra dizer que é mentira!

Tio Rei se manifesta sobre “Lula, o Filho do Brasil”:

Fábio Barretão que me desculpe, mas uma obra de arte pressupõe um mínimo de ambigüidade, o que não há em Lula, O Filho do Brasil. Admiradores e críticos do presidente avaliam que se trata de pura hagiografia cinematográfica. Até o oscarizado Gandhi, de Richard Attenborough, nos leva, muitas vezes, a dúvidas sem resposta sobre as escolhas do líder indiano. Isso era com aquele Gandhi lá. Com Lula, é diferente.

Ao final do post, ele acrescenta:

PS: Ainda não vi o filme, reitero, e esqueci de indagar os meus amigos a respeito.

É a defesa do relativismo tipo “não vi e não gostei”.

Charles Fernando é um jovem conservador evangélico.  Não o conheço pessoalmente, mas seu blog mostra que ele compra o pacote completo, incluindo o selinho do “True Outspeak”.

Pois bem:

Precisamos de mais alunos como os da UniBAN!

Posted by Charles Fernando under Posts | Tags: uniban |

1 Comment

O título acima já prova que não estou tentando ser popular e principalmente ser agradável ao mainstream, não gosto do comportamento de manada nem da opinião induzida, por isso fui buscar provas com sinceridade em duvidar nas absurdas e não provadas acusações de que os alunos da UniBan vem sofrendo em nome da moral de puteiro, no qual toda moça tem o direito de usar mini-saia onde bem entende.

A dúvida nasceu da própria assertiva de que os alunos a quiseram estuprar em público pela moça estar provocando eles. Sim, ao contrário do que se entende, vários depoimentos (Que irei citar sem retoques) mostram que ela provocou diretamente o caso. Você pode imaginar em um relance esses alunos estando tão afobados que se transformaram em atores pornôs praticamente instantaneamente mesmo com tantas moças em sua volta para assistir? Acredita que uma porta trancada iria fazer frente a uma turba em busca de cometer um crime? Portas trancadas não aguentam nem os grevistas da USP, quanto mais a libido reprimida pela religião (sim, a culpa é sempre nossa, acredito piamente que esses alunos não tem uma ponta do ateísmo iluminado para barrar a sua moralidade violenta, um ateu não pode ser contra moças de mini-saias em um ambiente de estudos).

Duvidei, e busquei depoimentos de alunos nos vídeos e blogs que comentaram o assunto, são eles:

Desculpe, mas a noticia está errada => http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1358779-5605,00-ALUNA+COM+POUCA+ROUPA+PROVOCA+TUMULTO+EM+UNIVERSIDADE+E+VIDEO+CAI+NA+WEB.html <=

uma colega minha estuda na UNIBAN, na sala ao lado da garota, e ela afirmou que não houve “tentativa de estupro”, oq houve foi um bando de marmanjos xingando a menina pela forma que ela estava vestida. E afirmou também que a menina ficava se insinuando na frente das outras salas.

Ótimo, e de acordo com outro depoimento no mesmo blog.

Aqui, é muita mentira esta onda de q os alunos iam estuprar a garota. Isto não existiu… Eu estava lá!!!! Estávamos gritando PUTA! PUTA! PUTA!, e ESTUPRA!, ESTUPRA!, ESTUPRA! só de ZOAÇÃO, só de GOZAÇÃO!! Até parece q alguém iria estuprar uma mina no meio de uma universidade com todo mundo vendo!!! Até parece!! Fazer isto seria certeza de ser preso e destruir sua vida!! Ninguém iria fazer isto só porque uma destrambelhada resolveu ir pra aula com uma roupa inadequada. Destruir sua própria vida apenas porque uma mina resolveu ir pra aula mostrando sua bunda e outras partes íntimas seria demais!!!

E esta mina já é conhecida na UNIBAN de outros carnavais… Não é nenhuma santinha q de repente resolveu vestir uma roupa mais ousada!!! Ela sempre se veste de forma a provocar os outros!!

Aquela velha lição q nossa vó nos ensinou vale aqui: se queremos ser respeitados, devemos nos respeitar primeiro. E não foi isto q aconteceu, a mina não se respeitava, então os outros não a respeitaram!!!

Um comentário do vídeo:

Eu estudo lá. A mina ia subindo a rampa e os caras mexiam, daí ela olhava pra trás, jogava o cabelo pro lado, ajeitava o vestido, e ia caminhando rebolando. Subiu, e lá de cima provocava. E não é a 1ª vez isso, só q da outra vez (1 dia antes) não chamaram a polícia, pq ela estava mais comportada.

Então, não há prova sequer que estes alunos encostaram na moça, eu duvido muito disso! E muitos os reprovaram por não permitir uma roupa inadequada ao ambiente de estudo. Mas e o Quico? Por acaso eles são obrigados a aceitar o comportamento da moça só porque os moderninhos politicamente corretos querem? Onde está a liberdade deles de reprovarem a roupa dela assim como ela tem a liberdade de usar o que bem entender desde que em lugar apropriado? Ou eles são obrigados a engolir o desrespeito com a Universidade?

Nos ataques contra os alunos ouvi absurdos do tipo:

“O título do video está errado. O certo deveria ser: Animais humilham liberdade de expressão”

Outro sequer percebe a idiotice de que se está falando:

Por fim, vao ter que emitir a assustadora opiniao de que ninguem pode usar um maio numa universidade, por ser indecente!”

Foram retirados do blog e do vídeo, mas imagina você aluna, você tem todo o direito de ir de maiô na universidade e ninguém pode falar nada…. o indecente é ser decente! No Brasil, o moralista fariseu é o cara que fala mal do Carnaval e do funk, defende a pouca veste nas universidades… e depois chama os religiosos de hipócritas.. haja trave!

Os alunos podem ter errado? Sim… eles admitem isso, admitem também que pouco estavam se importando que esse assunto ia parar na internet e nas mãos dos politicamentes corretos sentirem-se com a consciência mais leve acusando terceiros. Mas se não ocorreu estupro como baseio-me acima para não acreditar nesse absurdo, parabéns aos alunos da UniBAN, que não permite que seu ambiente de ensino seja maculado com as vicitudes de outros ambientes, e isso não é apenas institucional que não pode controlar tudo, é na raíz da UniBAN, os alunos realmente estavam engajados em expulsar a moça de lá independente de uma autoridade universitária, nada mais libertário que não necessitar da aprovação de terceiros para se fazer o que é certo. Eles entenderam o que significa ser um watchdog, um vigia da liberdade que só pode existir com uma moral responsável e madura não imposta, e ninguém impôs moral a esses alunos, exceto o #mimimi da internet. Meu amigo católico dizia que se pode ser conservador e conservar qualquer coisa, ele estava certo. O que há no Brasil são conservadores dos maus costumes e da imoralidade.” [grifos meus]

***

É vem verdade que ele depois lamenta seu isolamento:

Fora o apoio do Julio Bueno, meu amigo Filipe Garcia (Muito conhecedor de Chesterton) não emitiu opinião, não tive apoio nenhum do Reinaldo Azevedo, da comunidade do Olavo de Carvalho e de muitos cristãos conservadores.. eu devo ter me tornado um extremista mesmo… cabe eu e o Julio convivermos na Alcatraz moral junto com os orangos do TaliBan… a ditadura da sexualidade livre é irresistível, só uns poucos não cairam na sedução da mini-saia.

Agora mesmo estive conversando com a Lucilene Soares no twitter, e ela disse bem que nas nossas igrejas as moças se vestem pior… sim, é verdade… e infelizmente quem está do lado de fora e não compartilha de nossa fé consegue enxergar isso melhor do que quem está dentro.”

Essa questão aliás é interessante, e volto a ela.

***

OK, eu admito a existência de uma clivagem entre a direita de talhe economicista e a direita mais preocupada com a questão dos valores, conservadora do ponto de vista social.  Também admito que essas duas vertentes às vezes não se bicam, como mostrou o vitupério entre Olavo de Carvalho e Rodrigo Constantino.

Minha bronca com Reinaldo Azevedo no episódio da Geisy Arruda é que ele está jogando para a platéia.   Porque Tio Rei, pelo menos enquanto “persona” política, é claramente muito mais um representante da direita socialmente conservadora do que propriamente um titã do livre mercado.  Digo isto porque ele, em seus posts, faz muito mais o papel do campeão dos valores conservadores do que de um campeão do livre mercado _ algo que por sinal seu apoio a Serra deveria ensinar aos seus discípulos.

O menino aí pelo menos está na dele.  Discordo totalmente, mas ele ao menos está sendo sincero.

Já Tio Rei, em um longo post “em defesa” da Geisy Arruda, após usa expulsão da Uniban, nos apresenta o seguinte comentário:

Eis o problema

Disse lá no alto: há o sintoma, e há a doença. A doença está na expansão de uma universidade sem vida universitária; de uma universidade que não consegue plasmar valores  que ao menos debatam e questionem o ambiente intelectualmente acanhado de onde provém a nova “clientela” — essa palavra é boa — que usa esse “serviço”. Ela chega ao terceiro grau em razão do farto financiamento público e do barateamento dos cursos — no sentido mais amplo, geral e irrestrito do “barateamento”.

Alguns bocós falam de boca cheia em “democratização” da universidade. Confunde-se “democratização” com vulgarização — que é mais ou menos como confundir “povo” com “vulgo”. Que “universidade” é essa incapaz de transmitir a seus alunos o princípio básico do respeito ao outro — ou, se quiserem, da reação proporcional àquilo que se julgou, então, “desrespeito” do outro? Ao jogar a reputação e o destino de Geisy na arena — aliás, a Uniban lembra mesmo uma arena romana —, que exemplo moral a direção da universidade dá aos alunos? O tal Machado parece não deixar muitas dúvidas de que ele está dando uma satisfação apenas à clientela. Agora já sabemos: na Uniban, ser “insinuante” e “rebolar”, se a turba se exaltar, pode resultar em expulsão. Ameaçar alguém com linchamento e estupro não dá em nada; ao contrário até: parece ser essa uma reação considerada legítima.

(…)

E que se note: exceção feita às profissões que ponham a vida de terceiros em risco, pouco se me dá que essas coisas prosperem por aí. Se há quem queira comprar e quem queira vender — e se o mercado absorve esses profissionais —, virem-se. Garçom administrador de empresas é melhor do que garçom garçom? Não necessariamente — talvez faça bem à sua auto-estima, sei lá. Agora, quando dinheiro público entra na jogada — e o ProUni, por exemplo, é dinheiro público —, aí essas instituições têm de prestar contas do que fazem, sim. E a relação deixa de ser privada do comerciante com o cliente; aí passa a ser uma questão de estado. E o governo tem sido, obviamente, relapso com esse setor da economia. O país inventou uma universidade que não universaliza, mas amesquinha o espírito.”

É mesmo?  Nesse caso ele deveria se perguntar o que o partido do seu candidato tem a ver com isto. Pois a IstoÉ de fevereiro  de 2000 tem algo a acrescentar neste aspecto, em uma matéria pitorescamente intitulada “A Guerra do Canudo“:

O ensino universitário privado no Brasil é um mercado de 1.015 cursos com 1,5 milhão de estudantes, faturamento anual estimado em R$ 5 bilhões e planos para dobrar de tamanho nos próximos quatro anos. Só em 1999, a Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) autorizou a abertura de 517 novos cursos País afora, a grande maioria particulares. Esse acelerado aumento de vagas poderia ser apenas uma boa notícia aos milhões de estudantes que pretendem uma melhor qualificação para enfrentar um estreito e cada vez mais exigente mercado de trabalho. A concorrência nesse lucrativo negócio, porém, se transformou numa verdadeira guerra com troca de denúncias entre grandes empresas educacionais que atingem também o CNE e o Ministério da Educação. A Polícia Federal está investigando desde o ano passado uma denúncia de falsificação de pareceres. O caso veio à tona quando o próprio dono da Faculdade Elite de São Paulo foi à sede do CNE para saber se um processo dele já havia sido autorizado. Quando foi informado de que o relator do caso, o conselheiro Roberto Cláudio Bezerra, nem sequer tinha lido o processo, perdeu a paciência e abriu o jogo. “Eu já paguei por isso”, protestou o empresário, que tinha nas mãos cópia de um parecer assinado pelo próprio Bezerra aprovando sua faculdade. O parecer foi comprado de um dos muitos escritórios em Brasília que montam processos para reitores de primeira viagem, alguns comandados por ex-integrantes do conselho. O MEC abriu inquérito administrativo, que concluiu que o parecer falso havia sido digitado dentro do CNE, onde também foi falsificada a assinatura do conselheiro. A investigação ainda não foi concluída.

Outra história estranha ocorreu em agosto do ano passado quando da renovação da autorização para o funcionamento do curso de Direito da Universidade de Guarulhos. Uma comissão de avaliação da Secretaria de Ensino Superior do MEC concluiu que a organização didático-pedagógica da universidade era deficiente e teria sugerido ao reitor Antonio Veronesi a contratação de um consultor para propor providências capazes de suprir as deficiências. Logo após a conversa, Veronesi foi procurado pelo consultor Edmundo Lima de Arruda Júnior que ofereceu seus serviços por R$ 100 mil. A Universidade de Guarulhos seria a 12ª instituição de ensino que, após receber consultoria de Arruda Júnior, receberia reconhecimento do MEC. Em 8 de dezembro, a Câmara de Educação Superior do CNE propôs “a instalação imediata de uma Comissão de Sindicância para averiguar as irregularidades cometidas pela Comissão de Avaliação para a renovação do reconhecimento do curso de Direito da Universidade de Guarulhos”. Os avaliadores do MEC colocados sob suspeição trabalham na Comissão de Ensino Jurídico chefiada pelo professor Silvino Lopes, que está no Ministério desde a gestão do ministro Carlos Chiarelli no governo Fernando Collor. “Tudo indica que ali tem sérios problemas que estão a merecer uma investigação aprofundada”, adverte um reitor de uma universidade privada.

Cabala

Silvino Lopes é subordinado do conselheiro Abílio Afonso Baeta Neves, homem de confiança do ministro Paulo Renato Souza e todo-poderoso comandante da Secretaria de Ensino Superior do MEC. ISTOÉ teve acesso a documentos e fitas de uma reunião do Conselho Nacional da Educação que mostram uma história no mínimo contraditória. Em 4 de outubro do ano passado, os 12 conselheiros do CNE decidiram que a Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) não poderia abrir cursos em Osasco sem antes cumprir a exigência legal de receber uma autorização do Ministério. “Fazer vestibular, ela pode fazer onde quiser – nos Estados Unidos, no Japão e até no subterrâneo do metrô de Paris. Agora, matricular para cursos lá é uma irregularidade, e nós não teremos nenhuma outra atitude a não ser informar que aquele vestibular é absolutamente ilegal e nulo”, sentenciou Baeta, na ocasião. Tudo letra morta. A Uniban, que tem como dono o reitor Heitor Pinto, simplesmente ignorou a proibição e não foi punida, apesar de expressa recomendação do CNE nesse sentido.

Numa reviravolta surpreendente, em janeiro deste ano Baeta passou a aceitar como regular o comportamento da Uniban e entrou em conflito aberto com seu parecer anterior e os colegas conselheiros. Pela legislação atual, uma universidade, para abrir campus fora da sede, precisa apresentar projeto específico ao conselho – como se estivesse criando uma nova universidade. A Uniban argumentou que não precisava dessa licença prévia porque, ao reconhecer a instituição, em 1993, o CNE aceitou Osasco como uma das áreas de influência da Uniban. O CNE não concordou e pediu ao MEC a abertura de inquérito administrativo para investigar irregularidades praticadas pela Uniban e também a suspensão de todos os processos da instituição em tramitação. O caso Uniban virou o primeiro grande impasse entre o MEC e o CNE. O Ministério considerou as propostas do conselho “extremas e desproporcionais” e rejeitou o pedido, que agora será revisto por uma comissão especial. Para complicar a situação, donos de universidades privadas contaram a ISTOÉ que Baeta Neves extrapolou suas funções de funcionário público e cabalou votos para a chapa articulada por Heitor Pinto, que no ano passado disputou e perdeu a eleição da Associação Nacional de Universidades Privadas.

Se a Uniban mostra força no Ministério da Educação, outro que também chama a atenção pelas excelentes relações no CNE, o órgão que julga, emite pareceres e aprova todas as instituições de ensino superior do País, é João Carlos Di Gênio. No final do ano passado, por exemplo, a Uniban resolveu abrir um novo campus em São Paulo. Depois de muita negociação, feita em sigilo, ofereceu em dezembro R$ 8 milhões por um prédio no bairro do Jaguaré. Ali, seria aberto o campus Marginal Pinheiros. Seria. A Uniban negociava o imóvel quando foi informada pela corretora de que a propriedade não estava mais à venda. Tinha sido negociada com uma de suas maiores concorrentes, a Universidade Paulista (Unip), de Di Gênio, que rapidamente abriu lá um campus e realizou seu vestibular, oferecendo 1.500 vagas para nove cursos. Além do vendedor e do candidato a comprador, o negócio só era conhecido dentro do Conselho Nacional de Educação. “Isso é suspeito”, atacou o reitor Heitor Pinto. “É uma desculpa de quem perdeu um negócio”, contra-ataca Di Gênio, que afirma ter pago R$ 9 milhões pelo prédio pretendido pela Uniban.” [grifos meus]

Ou seja, o Ministério da Educação, então comandado por Paulo Renato Souza, tergiversou e muito na hora de punir a Uniban, e teve um alto funcionário cabalando votos para seu reitor.  Hummmm.

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Qual seria a recepção dela no site do Tio Rei antes do affair Uniban??

Sem brincaderia: às vezes, mesmo eu fico pasmo com a cara de pau do Tio Rei.

Vejam o que ele diz aqui:

A direção da Uniban disse que, até agora, não conseguiu identificar os responsáveis pelo ocorrido. E ousaria dizer que nem vai. Nota-se que há, arraigada por lá, uma cultura da intolerância e uma relação com o curso que está mediada apenas pelo pragmatismo: “Estou aqui para pegar o meu diploma”. Posso compreender esse sentimento e até enxergar nele uma virtude: a clientela está empenhada em obter o grau para, quem sabe?, subir na vida, ter aumentado o seu salário, ser promovida. Em si, isso não é ruim. Todos devemos desejar uma vida melhor. Não há mal nisso.

Temo, no entanto, que boa parte das ditas universidades brasileiras esteja se reduzindo a isso, sem qualquer outro cultivo. Reitero: o respeito à inviolabilidade do outro é questão de princípio, inegociável. Geysi é uma garota pobre, da periferia de Diadema. Trabalha, ou trabalhava, num mercadinho do bairro. É visível que não tem grande traquejo social. Nota-se isso na sua fala, na sua gramática. Vem de um estrato da sociedade em que, atenção!!!, a tolerância com a diferença já não é a marca. E isso vale também para boa parte de seus colegas.

Ela parece ser excepcionalmente jovem para o grupo: 20 anos. Muitos dos que concedem entrevistas dizem ter 26, 27, 28 anos — idade em que as pessoas costumam já estar formadas há uns bons cinco ou seis anos. O fenômeno precisa ser mais bem-estudado, mas intuo que são pessoas que estavam fora do ensino superior e foram sendo incluídas em razão de um conjunto de fatores: políticas públicas de ingresso ao ensino superior; barateamento do valor das mensalidades; facilidade de ingresso, uma vez que basta querer fazer o curso — e poder pagar por ele — para ter acesso, então, ao ambicionado diploma…

Até aí, muito bem. Não serei eu a combater a expansão do ensino universitário. Seria inútil. Os demagogos venceram essa batalha. É evidente que a formação técnica seria mais eficiente e barata. Mas deixemos isso para outra hora. Que se expanda, então, o ensino universitário, hoje com a ajuda do dinheiro público. Mas com que qualidade isso está sendo feito? Eis a questão. NÃO SE ESTÁ BARATEANDO A UNIVERSIDADE EM SENTIDO MAIS AMPLO?

A Uniban — e outras universidades do mesmo nível — estão proporcionando à sua clientela uma vivência estudantil que seja distinta do ambiente de onde vieram? Um ambiente nem sempre tolerante; um ambiente nem sempre respeitador das diferenças; um ambiente nem sempre voltado para o cultivo da reflexão; um ambiente nem sempre afeito a delicadezas e matizes, sem os quais não se respeitam direitos individuais…[grifo dele, pra variar]

Pois é.  Tio Rei escreveu, com indisfarçável regojizo, o seguinte, em julho de 2008:

A JUVENTUDE BRASILEIRA É DE DIREITA

segunda-feira, 28 de julho de 2008 | 5:09

A Folha de S. Paulo publicou no domingo uma ampla pesquisa sobre o que pensam os jovens brasileiros. Rendeu até um caderno especial, de 20 páginas, chamado “Jovem Século 21”. Segundo informa o caderno, a maioria das reportagens “foi feita pelos integrantes da 45ª turma do Programa de Treinamento da Folha”, (…) patrocinada pela Philip Morris Brasil e pela Odebrecht”. Comentarei abaixo alguns dados muito interessantes que a pesquisa revelou e tratarei da seguinte questão: a maioria dos jovens brasileiros, a exemplo da população, é de direita. Boa parte da imprensa e, vejam só, as instituições políticas, incluindo partidos, não se conformam com isso. Estão todos tomados pela patrulha esquerdista.”

E mais:

A nova pesquisa

Sim, senhores: dados os perfis ideológicos que se desenham a partir de certas opiniões, pode-se dizer que a maioria dos jovens brasileiros é de direita. Declaram ter essa posição ideológica, aliás, 37% dos entrevistados (na população como um todo, são 35%). Dizem-se de esquerda apenas 28% (contra 22% do total). No centro, estão 23% (contra 17% no conjunto). Mas notem: não quero me apegar a nominalismos. Parto do princípio de que os jovens possam não ter a exata noção do que tais nomes encerram.

(…)

Valores

E quais são os valores das moças e moços? Qual é a lista das coisas que acham “muito importantes”? Vejam: família (99%), saúde (99%), trabalho (97%), estudo (96%), lazer (88%), amigos (85%), religião (81%), sexo (81%), dinheiro (79%), beleza (74%), casamento (72%).

E então…

E, vejam que surpresa, o levantamento mostra que os nossos jovens querem casa, carro, grana, todas essas malditas coisas do “consumismo”, que deixam os comunistas que já têm todas essas malditas coisas muito decepcionados com a juventude…

Mais uma vez, constata-se o óbvio: há um enorme hiato entre o que pensa o conjunto da população — e, nela, sua fatia mais pretensamente inquieta — e os vários canais que vocalizam a opinião pública. Não, senhores! Não temos a imprensa que representa os valores que vão acima: a nossa, com as exceções de praxe, é majoritariamente “politicamente correta” e experimenta um verdadeiro divórcio em relação ao pensamento da maioria.”

Ué, é como eu disse: quem planta, colhe.

Tio Rei planta o conservadorismo?  Pois colhe o “conjunto de valores” que acha adequado.  Inclusive uma população universitária que “representa os valores que vão acima”.

O fim da picada, senhores, é esse exato sujeito vir depois criticar uma Uniban da vida por não ser “um ambiente nem sempre tolerante; um ambiente nem sempre respeitador das diferenças; um ambiente nem sempre voltado para o cultivo da reflexão; um ambiente nem sempre afeito a delicadezas e matizes, sem os quais não se respeitam direitos individuais“.  Tipo, assim, que nem o blog dele.

***

E por falar nisso…

O leitor Joselito fez o seguinte comentário:

Postei os links para esse post do Hermenauta e o link para essa matéria DA PROPRIA VEJA que o Rodrigo postou acima, em comments DIFERENTES no site do R. Azevedo.

AMBOS foram “moderados”, e não apareceram!

A REVISTA VEJA CENSURA A PROPRIA VEJA!

Patético…

Pré-moderação
Pós-moderação

Não é fantástico??

Tio Rei tem um post vingativo.

Reclamando de que estão dizendo que ele associou a Uniban ao PT, ele retruca que não disse, mas que se quiser é capaz de associar a Uniban ao PT, sim senhor:

A petralhada está dizendo que estou tentando ligar a Uniban aos petistas. Não! Eu não estou. Mas posso lembrar conexões, sim, se eles fazem tanta questão. No dia 29 de março de 2007, publiquei um post aqui em que se lia o trecho que segue. O “Marinho” em questão é o atual prefeito de São Bernardo, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e ex-ministro do Trabalho:

É verdade. Marinho é tão competente, que ele e Vicentinho chegaram a ser garotos-propaganda da Uniban, a faculdade privada onde ambos se formaram. O dono da Uniban, Heitor Pinto Filho, que já foi candidato a vice na chapa de Paulo Maluf para a Prefeitura de São Paulo, em 2000, é bastante próximo dos dois sindicalistas e patriotas. Quando ambos fizeram propaganda para a empresa privada, um era deputado (Vicentinho), e o outro, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar. Duas funções públicas. Competência é com a Nova Classe.”

Nesse caso eu tenho um testemunho “zero grau de separação” pra mostrar a ele:

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***

UPDATE

O comentarista Rodrigo lembrou uma matéria deliciosa da Veja.

Tio Rei aproveita o feriado de Finados para ir visitar o túmulo do pai:

Não tenho data para visitar o túmulo do meu pai. Mas gosto de fazê-lo, em especial, no Dia de Finados. “Datas são meras convenções”, dizem muitos. Falei num dos posts de ontem sobre disciplina. Também há muito de “mera” convenção em seguir normas, regras, padrões.

Há um núcleo decoroso na ordem estabelecida sem o qual a vida se torna impossível. Não havendo um bom motivo para quebrar a norma, é muito mais livre quem a segue do que quem a desrespeita sem saber por quê. Disciplina e decoro podem ser sinônimos de liberdade. A desordem escraviza.” [grifo meu]

***

O que eu acho gozado é o penchant de Tio Rei em transformar a menor das ocorrências em uma ocasião para reafirmar seu credo conservador.

Historicamente, o Dia de Finados, ou Dia dos Defuntos Fiéis, ou ainda a Commemoratio omnium Fidelium Defunctorum, surge como uma oportunidade para interceder pelas almas dos que cometeram pecados veniais e por isso devem purificar-se no Purgatório antes de aceder ao Paraíso.

Me parece que Tio Rei, com essas manifestações constantes de orgulho e porque não dizer vaidade, está conseguindo na melhor das hipóteses comprar um tíquete para uma viagem sem escalas ao Hades.  Depois do que não haverá reza brava capaz de aliviar seus tormentos.

***

Curiosamente, o mesmo Tio Rei que exalta a Norma me vem com essa no caso da garota que quase foi linchada em uma universidade paulista por ter ido frequentar a aula com um vestido curto:

Se a roupa da moça era inadequada, ela deveria ter sido chamada pela direção da escola. Seria até compreensível a manifestação boçal de um ou de outro, embora censurável. Mas a turba exaltada, no pressuposto de que ela destoava do conjunto? O que é que há? Estamos na China da Revolução Cultural? Na Itália ou na Alemanha da década de 30? Não! Estamos no Brasil de 2009!!!” [grifo meu]

Reinaldão, não é possível que você não reconheça sua obra, rapaz!  Se você planta que a desordem _ que é um tipo de liberdade _ é escravidão, então é a ordem intolerante o que você colherá.   Tão simples assim.  Porque querer dar uma de bonzinho numa hora dessas?

Humm, bem, porque a resposta é clara:

Expansão e Barbárie

(…)Demagogos das mais variadas colorações, incluindo aqueles que estão no jornalismo e suas submodalidades, saúdam a chamada “expansão” do ensino universitário no país. É evidente que não estou aqui estabelecendo uma relação de causa e efeito, a saber: não fosse a dita expansão, isso não teria ocorrido. Não! Isso acontece nos ambientes em que a ética não tem grande relevância; em que os membros do grupo não se submetem a um código de conduta; em que vigora a anomia e o salve-se quem puder.

Então, agora sim: o que vai acima define boa parte das ditas universidades brasileiras, em sua desordenada expansão, freqüentemente com o leite de pata do dinheiro público. Se eu escrevesse aqui que aquilo a que se assistiu na Uniban é “inaceitável” numa universidade, muitos poderiam indagar: “Mas seria aceitável em qualquer outro ambiente?” A resposta, obviamente, é “não”. Aquilo é inaceitável numa sociedade civilizada.”

Ah, entendi.  A culpa é do ENEM e do PROUNI, que ficam aí franqueando a universidade a essa malta ignara.  E tem mais, aposto que os que quiseram lapidar a moça eram todos petralhas, essa gente que não aguenta ver um vestido cuja barra não esteja pelo menos abaixo do joelho.

Deu no Valor:

Uribe diz que reeleição depende da justiça, do povo e de Deus

SÃO PAULO – O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, foi mais uma vez evasivo hoje sobre os riscos à democracia em seu país caso obtenha o direito de concorrer ao terceiro mandato. Segundo ele, as instituições democráticas da Colômbia são fortes e se consolidaram em seu mandato.

A hipótese da reeleição foi aberta por um projeto de referendo aprovado pelo Congresso, mas depende ainda de avaliação de corte constitucional do país. ” Isso depende neste momento basicamente de três elementos: da corte constitucional, do povo colombiano e depende de Deus ” , afirmou.

A Constituição do país já foi mudada uma vez, em 2006, para abrir a possibilidade de reeleição para o segundo mandato de Uribe. ” Peço que não se ponha em dúvida a solidez das instituições de nosso país ” , afirmou.(…)

***

Sobre o assunto, Reinaldo Azevedo diz o seguinte:

Quero deixar registrado aqui o papel deletério exercido por Lula: é um depredador de Leis e de instituições.”

ralo

Short Tio Rei:

“Problema social se resolve é com o Exército”

Tio Rei muito excitado na defesa do Roger Agnelli.  Dia desses ele aparece com uma coleirinha no pescoço, escrito: “ROGER”…

Eu acho que realmente há muito a escrever sobre a promiscuidade entre o Poder Executivo e a Vale.  Aliás, muito já foi escrito:

Saindo da sombra

O poderoso diretor do BB mexe com fundos de pensão que fazem negócios com seu sócio

O economista Ricardo Sérgio de Oliveira, 52 anos, é um homem enigmático. É diretor da área externa do Banco do Brasil, responsável pelos negócios lá fora e por grandes clientes nacionais do banco. Não gosta de fotos, evita entrevistas e, sempre que pode, fica na sombra. É, também, um homem de hábitos refinados. Gosta de fumar charutos Romeo y Julieta, a fina flor da produção cubana, joga tênis e já foi visto num restaurante em Nova York, onde possui um apartamento, servindo-se de uma garrafa de vinho de 5.000 dólares. Fala inglês e francês com fluência. Casado há 26 anos, sem filhos, ele também gosta de cultivar amizades influentes. Entrou para o círculo dos tucanos pelas mãos do ministro Clóvis Carvalho, da Casa Civil, acabou indicado para o cargo pelo ministro José Serra, da Saúde, e tornou-se o único diretor do Banco do Brasil com quem o presidente Fernando Henrique Cardoso faz contatos ocasionais. Além de Oliveira, apenas o presidente do banco, Paulo César Ximenes, tem direito a essa deferência de FHC.

De umas semanas para cá, sua vida começou a sair das sombras. Ele comandou a entrada dos fundos de pensão no consórcio Telemar, que arrematou as empresas de telecomunicações do Rio de Janeiro ao Amazonas. Aí, descobriu-se que Ricardo Sérgio de Oliveira tem uma influência notável na Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, que, de tão poderoso, costuma arrastar atrás de si os demais fundos. Agora, descobriu-se que sua influência nos fundos, que, juntos, movimentam a cifra espetacular de 80 bilhões de reais, anda próxima dos seus negócios privados. Um exemplo. José Stefanes Ferreira Gringo, dono da construtora Ricci Engenharia, está concluindo um prédio em São Paulo, de 30 milhões de reais. Para vendê-lo, Gringo pediu a uma corretora de São Paulo, a RMC, que formasse um pool de compradores. A RMC cumpriu sua missão: formou um pool no qual estão nada menos que treze fundos de pensão. O problema da transação é que Gringo é sócio de Ricardo Sérgio de Oliveira na RMC. E Ricardo Sérgio de Oliveira, como se sabe, tem a palavra final nos negócios dos fundos de pensão.

A cronologia da venda pode dar a impressão de que Oliveira usou sua influência para convencer os fundos a comprar um prédio de um sócio seu. Não há evidência indicando que o diretor teve uma atuação clandestina, mas chama a atenção que esse não seja o único negócio do gênero. Agora, a mesma Ricci Engenharia acaba de aprontar a planta de quatro torres de edifícios comerciais em São Paulo, com um investimento de 150 milhões de reais. O projeto ainda não saiu do papel, depende de trâmites burocráticos, mas já tem um comprador garantido. A Previ decidiu, falta apenas assinar a papelada, ficar com dois dos quatro prédios, entrando com 70 milhões de reais. É a mesma genealogia. Ricardo Sérgio de Oliveira dá o tom dos negócios da Previ, e a Previ acaba fazendo negócios com seu amigo e sócio José Gringo. “Vamos ficar com dois prédios porque é um bom negócio”, diz o presidente da Previ, Jair Bilachi. “Não houve nenhum tipo de pressão”, completa ele.

Gargalhadas — O triângulo financeiro pode ser apenas coincidência, mas ele só existe como produto de um desvio de função. Ricardo Sérgio de Oliveira é diretor da área internacional e, por rigor funcional, não tem nenhuma relação com o fundo de pensão do Banco do Brasil. É natural que os funcionários do banco, do presidente ao contínuo de agência, se preocupem com os rumos da Previ, que mais tarde irá afiançar suas aposentadorias. Mas nem isso acontece no caso de Oliveira. Ele não é funcionário de carreira do BB. Trabalhou dezessete anos no Crefisul, então sócio do Citibank, e chegou a vice-presidente de investimentos do Citi em Nova York, de 1980 a 1982. Em 1988, deixou o Crefisul e montou duas empresas, uma delas a corretora RMC. Só em 1995 foi convidado a trabalhar no Banco do Brasil. Ao chegar, logo se interessou pela Previ. Já promoveu reuniões de negócios entre a Previ e empresários. Para cravar sua influência, indicou um funcionário de sua confiança para ocupar a principal diretoria do fundo, a de investimentos. É João Bosco Madeiro, seu ex-chefe de gabinete no banco.

A intimidade de Ricardo Sérgio de Oliveira com os fundos começou assim que chegou ao governo, mas até agora não se sabia que os fundos estavam cruzando com negócios dos seus sócios. Sua atuação ficou mais clara na privatização da Telebrás, quando ajudou a formar o consórcio Telemar. A venda foi um abacaxi, pois o consórcio não tinha dinheiro para pagar a entrada, e deixou a impressão de que a atuação do diretor do banco teria irritado o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros. Puro engano. Oliveira formou o consórcio a pedido do próprio governo, que queria pôr mais concorrentes no leilão com o legítimo interesse de subir o preço. Na semana passada, Oliveira e Mendonça foram vistos almoçando no restaurante Laurent, em São Paulo, e deram gostosas gargalhadas de uma notinha de jornal. “Não convidem para a mesma mesa Mendonça de Barros e Ricardo Sérgio”, dizia a notinha. Amigos, eles se conheceram há uns trinta anos, atuando no mercado financeiro, origem de ambos. “Eu não vou ficar irritado com um amigo meu”, diz o ministro. “Mas quem é amigo dele mesmo é o Serra e o Clóvis.”

A tarefa de reunir os fundos para participar da privatização não é uma novidade na vida de Ricardo Sérgio de Oliveira. Ele fez o mesmo tipo de operação na privatização da Vale do Rio Doce, em maio do ano passado. A diferença é que, na época, sua atuação no caso da Vale não apareceu em público. O governo pode ter todo o interesse em manter um funcionário hábil e competente para reunir fundos de pensão nas privatizações, com o objetivo de aumentar o preço e valorizar seu patrimônio. As coisas só começam a ficar nebulosas quando o funcionário também articula a potência financeira dos fundos para fazer negócios com seus sócios. Na semana passada, Ricardo Sérgio de Oliveira conversou com VEJA sobre o assunto. Falou de sua vida pessoal e suas funções no banco. Mas, antes que o assunto entrasse nos seus negócios privados, o diretor pediu para entrar em contato mais tarde com a revista. Até a noite de sexta-feira, o contato não voltou a ser estabelecido.

Ah, a reportagem não é da Carta Capital nem do blog do Nassif.  É da Veja, em agosto de 1998.

Mais uma:

A história de um pedido de comissão na privatização da Vale e as queixas de Benjamin Steinbruch sobre o comportamento de Ricardo Sérgio,o homem que falava grosso na Previ

O governo tucano realizou duas megaprivatizações em seu primeiro mandato. Em 1997, vendeu a Companhia Vale do Rio Doce. O grupo comprador entregou ao governo um cheque de 3,3 bilhões de reais, o maior já assinado no Brasil em todos os tempos. Em 1998, o governo dividiu o sistema Telebrás em doze companhias e vendeu-as em leilão. A operação gerou para o Tesouro Nacional a quantia de 22 bilhões de reais. Foi a terceira maior privatização do mundo na área de telefonia. Como se vê, os dois processos de venda têm em comum uma coleção de números gigantescos. Mas há outras semelhanças. No início do ano passado, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães fez uma acusação pesada a respeito da privatização das teles. Segundo ACM, teria havido irregularidade na venda de uma delas. Ele contou que o consórcio Telemar, que explora a telefonia fixa em dezesseis Estados, do Rio de Janeiro ao Amazonas, teria feito um acerto para pagamento de 90 milhões de reais para levar o negócio. A acusação nunca foi comprovada. Agora, ficou-se sabendo que pedido semelhante de comissão pode ter ocorrido também no processo de venda da Vale. O valor é menor, 15 milhões, mas a história é igualmente grave. Nos dois casos, as denúncias recaem sobre uma mesma pessoa: o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira, que atuou no passado como um dos arrecadadores de fundos do alto tucanato.

A informação do novo pedido de dinheiro tem como origem o empresário que liderou a compra da Vale e se tornou presidente do conselho de administração da companhia, Benjamin Steinbruch, do grupo Vicunha, que hoje controla a Companhia Siderúrgica Nacional, um colosso com faturamento anual de 3,3 bilhões de reais. Depois de arrematar a Vale, Steinbruch andou se queixando do comportamento ético de Ricardo Sérgio e contou a história a mais de um interlocutor. O pedido de dinheiro teria sido o preço cobrado por Ricardo Sérgio, sempre segundo o relato feito por Steinbruch a terceiros, para que fosse montado em torno dele, Steinbruch, o consórcio que venceu o leilão. VEJA conversou com dois empresários que ouviram o relato de Steinbruch. “Ele me disse que se sentia alvo de um achaque”, conta um dos empresários. O outro, que trabalha no setor financeiro, diz algo semelhante: “Naquele tempo, Benjamin andava por aí feito barata tonta, sem saber se pagava ou não”, afirma. Na semana passada, VEJA obteve depoimentos formais que confirmam a história. A particularidade desses depoimentos é que eles são dados por expoentes da política brasileira. Um deles é de Luiz Carlos Mendonça de Barros, que presidiu o BNDES durante o processo de venda da Vale, e depois assumiu o Ministério das Comunicações. Acabou perdendo o emprego quando estourou o escândalo das fitas da privatização das teles. A outra autoridade é o ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Ambos são tucanos.

As versões de Mendonça de Barros e Paulo Renato são semelhantes. E chamam a atenção para aspectos significativos da conversa de Benjamin Steinbruch. De acordo com o relato do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, Steinbruch visitou-o em seu apartamento e, no escritório usado para leitura, disse-lhe ter combinado o pagamento de uma comissão para Ricardo Sérgio. A comissão seria uma espécie de “remuneração” pelo trabalho que o diretor do Banco do Brasil teve para reunir os fundos de pensão estatais em torno de seu consórcio. Steinbruch contou que vinha sendo pressionado para pagar o que devia, os 15 milhões. Mendonça de Barros não lembra se eram 15 milhões de reais ou de dólares. “Mas naquele tempo não fazia diferença por causa da cotação, que era próxima”, diz o ex-ministro. Essa revelação foi feita a Mendonça de Barros por Benjamin Steinbruch em 1998, cerca de um ano após a privatização da Vale. Ao ser informado sobre a cobrança de comissão, Mendonça de Barros quis ficar longe da história. “Ô Steinbruch, eu não quero me envolver nesse assunto. Não é da minha área”, disse o ex-ministro a Steinbruch. Dias depois, durante uma audiência, Mendonça de Barros relatou o episódio ao presidente Fernando Henrique. Conforme relatou a VEJA na semana passada, ouviu como resposta o seguinte: “Eu não sei nada disso e acho que você fez muito bem em não se envolver nesse assunto”. FHC não se lembra de ter mantido essa conversa com Mendonça de Barros. “Não me recordo de ter mantido esse diálogo”, comentou na sexta-feira passada FHC por meio de um assessor.

Paulo Renato ouviu o depoimento de Steinbruch durante um almoço pedido pelo ministro e ocorrido também em 1998. Paulo Renato queria que a Vale do Rio Doce patrocinasse um programa do governo. Na versão do ministro da Educação, Benjamin Steinbruch contou-lhe que Ricardo Sérgio pediu dinheiro em nome de tucanos. De acordo com Paulo Renato, Steinbruch não especificou quem seriam esses tucanos. “Nem me disse, tampouco eu perguntei”, afirma o ministro. De acordo com Paulo Renato, Steinbruch lhe disse ter checado se Ricardo Sérgio falava mesmo em nome de tucanos. Como foi feita a checagem? Steinbruch, segundo Paulo Renato ouviu do empresário, fez chegar uma consulta ao presidente Fernando Henrique. “Como resposta, segundo suas palavras, Steinbruch ouviu que o governo não tinha nada a ver com aquilo e que ele não deveria pagar.” Ao ouvir a história, o ministro da Educação informa que não tomou nenhuma atitude de ordem prática, como avisar a Polícia Federal, por exemplo, ou o Ministério Público. E ele explica o fundamento de sua decisão: “Quando Steinbruch me contou o que se passara, referia-se a um assunto resolvido. Ele não pagou nada. Portanto, do ponto de vista da administração pública ou do PSDB, não fui informado da ocorrência de crime”, afirma Paulo Renato.

Paulo Renato e Mendonça de Barros não se recordam do mês em que essa conversa ocorreu. Ricardo Sérgio ficou no governo até novembro daquele ano e não foi afastado do cargo que ocupava no Banco do Brasil num processo isolado. Continuou a despachar normalmente. Acabou demitido naquele mesmo ano, após o vazamento das fitas da privatização das teles. Saiu no mesmo pacote de afastamentos que levou Mendonça de Barros e o presidente do BNDES, André Lara Resende. Na semana passada, VEJA procurou o ex-diretor Ricardo Sérgio e o entrevistou sobre a acusação de que teria pedido propina na privatização da Vale. Eis um trecho da conversa:

Veja – A revista VEJA publicará em sua próxima edição a informação de que o empresário Benjamin Steinbruch esteve com algumas pessoas, entre as quais dois ministros de Estado, e contou que o senhor lhe teria pedido dinheiro durante o processo de privatização da Vale do Rio Doce. Isso aconteceu?

Ricardo Sérgio – É mentira grosseira e leviana. Se ele (Benjamin Steinbruch) lhe falar isso, sai preso da reunião. Vou junto com a polícia e o prendo. Não acredito que ele tenha falado isso.

Veja – Não estou dizendo ao senhor que ele falou isso para mim, mas para outras pessoas.

Ricardo Sérgio – É mentira.

Veja – O que o senhor está desmentindo: que ele tenha dito isso a quem quer que seja ou que o senhor tenha pedido dinheiro a ele?

Ricardo Sérgio – Que eu tenha pedido dinheiro a ele. Isso é mentira. Se ele falou isso para alguém, cometeu um ato irresponsável.

Veja – O senhor nunca tratou desse assunto com ele, nem durante nem após o processo de privatização da Vale do Rio Doce?

Ricardo Sérgio – Não tratei, não pedi dinheiro. A resposta é não.

VEJA também procurou o empresário Benjamin Steinbruch para entrevistá-lo sobre a história da comissão. Depois de ser apresentado ao conteúdo da reportagem, o empresário declarou o seguinte: “Não houve nenhum pagamento que não observasse as regras da lei e do edital. Eu não admitiria nenhuma coisa diferente. Não ando por caminhos tortos”. Perguntado em seguida não sobre o pagamento, mas sobre a existência de um pedido de propina, Steinbruch respondeu diferente: “Não vou fazer comentários a respeito desse assunto”.

A privatização da Vale do Rio Doce tinha uma importância econômica inegável, mas representava também um marco político. Afinal, o governo estava colocando à venda não uma estatal qualquer, mas a Vale, considerada, ao lado da Petrobras, um símbolo de empresa estatal eficiente. O Palácio do Planalto queria que o leilão fosse igualmente simbólico, modelar. E surgiu uma preocupação quando ficou claro que apenas um consórcio, liderado pelo empresário Antônio Ermírio de Moraes, da Votorantim, um dos maiores grupos empresariais do Brasil, se formara para comprar a companhia. Sem concorrência, o preço da Vale poderia não alcançar o mesmo patamar que decorreria de uma disputa acirrada entre adversários no leilão. Tomou-se, então, no governo, a decisão de organizar um segundo consórcio, ou seja, resolveu-se fabricar concorrência, criar uma disputa para elevar ao máximo o valor da venda da Vale.

Até o início de 1997, ano do leilão, reuniam-se em torno de Antônio Ermírio o Bradesco e ele, Benjamin Steinbruch. Em fevereiro daquele ano, ocorreu uma cisão. Steinbruch não gostou de saber que Ermírio estava negociando uma parceria com a sul-africana Anglo American, a maior mineradora do mundo. Com receio de ficar em posição secundária no consórcio, Steinbruch rompeu com Ermírio e se desligou do grupo, levando consigo o Bradesco. Foi aí que entrou em cena o diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio, que havia recebido do Palácio do Planalto a instrução de montar um segundo consórcio. O empresário escolhido para liderá-lo foi justamente Benjamin Steinbruch. Batizado de Consórcio Brasil, foi concebido em cinco semanas e concluído um mês antes do leilão.

Steinbruch atraiu uma meia dúzia de bancos e empresas para seu lado, mas foi Ricardo Sérgio quem deu ao grupo o gás necessário para enfrentar a disputa com o grupo liderado por Antônio Ermírio. O segredo dessa força tem nome. Chama-se fundo de pensão das estatais. Graças a Ricardo Sérgio, ficaram com Steinbruch três dos maiores fundos de pensão. O fundo dos empregados do Banco do Brasil (Previ), o fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal (Funcef) e o fundo de pensão dos empregados da Petrobras (Petros), além de outros menores. Os fundos estatais entraram com 39% do capital da Vale privatizada. Para isso, investiram 834 milhões de reais na compra. A cobrança de propina teria sido feita para remunerar essa tarefa. Foram necessários apenas cinco minutos para que o Consórcio Brasil arrematasse o equivalente a 41,73% das ações da Vale. A estatal foi vendida com um ágio de 20% sobre o preço mínimo. Steinbruch foi nomeado presidente do conselho de administração da Vale, cargo que ocupou até maio de 2000, quando foi afastado por decisão dos sócios.

Ricardo Sérgio não caiu de pára-quedas no chamado ninho tucano. Ele foi apresentado a José Serra e a Fernando Henrique Cardoso pelo ex-ministro Clóvis Carvalho. Em 1990, José Serra candidatou-se a deputado federal e não tinha dinheiro para fazer a campanha. Clóvis Carvalho destacou quatro pessoas para ajudá-lo na coleta. Um deles era Ricardo Sérgio. Em 1994, Serra se candidatou ao Senado por São Paulo, e Ricardo Sérgio voltou a ajudá-lo como coletor de fundos de campanha. A última disputa da qual Serra participou foi para a prefeitura de São Paulo, em 1996. Depois, o senador não mais concorreu em nenhuma outra eleição, até a deste ano. Ricardo Sérgio também foi uma das pessoas acionadas para arrecadar contribuições para a campanha presidencial de Fernando Henrique Cardoso, em 1994. O mesmo aconteceu na reeleição de FHC, em 1998. Na função de coletor de contribuições eleitorais, Ricardo Sérgio era muito bem-sucedido.

Tome-se a campanha de José Serra para o Senado, em 1994. Coube a Ricardo Sérgio conseguir uma doação milionária do empresário Carlos Jereissati, do grupo La Fonte e um dos donos da Telemar. Jereissati é amigo de Ricardo Sérgio desde os anos 70. A pedido de Ricardo Sérgio, Jereissati lhe entregou o equivalente a 2 milhões de reais. “Foram quatro ou cinco prestações, não me lembro exatamente”, afirmou Jereissati a VEJA. Na lista oficial de doadores do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo não há registro de doação desse valor feita por Jereissati a Serra em 1994. Constam três doações de empresas do grupo La Fonte: uma no dia 11 de julho, de 15.000 reais, outra em 9 de agosto, de 30.000 reais, e uma terceira em 27 de setembro, de 50.000 reais. Ou seja, os 2 milhões saíram do cofre de Jereissati e não chegaram ao registro oficial das arrecadações de Serra. Outro exemplo da eficiência arrecadatória de Ricardo Sérgio. Em 1998, ele teve uma conversa com os sócios do consórcio Telemar e obteve a segunda maior doação da campanha da reeleição de FHC. De acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral, o Itaú foi o maior doador daquele ano, com 2,6 milhões de reais. Dois sócios da Telemar, o grupo Inepar e o La Fonte, deram juntos 2,5 milhões.

Como é natural na formação das equipes de governo, pessoas que trabalham nas campanhas acabam sendo convidadas a ocupar postos na administração pública. A qualidade do cargo está relacionada à importância do correligionário, mas leva em conta a formação profissional e o passado do candidato ao emprego. Ricardo Sérgio, de 56 anos, é economista, com pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas. Atuou no mercado financeiro e tem experiência internacional. Morou dois anos em Nova York, trabalhando pelo Citibank. O convite para o cargo em Brasília veio de Clóvis Carvalho. José Serra endossou a escolha. Foi indicada para Ricardo Sérgio a diretoria da área internacional e comercial do Banco do Brasil. Ele começou a trabalhar em 1995 e era o único diretor não escolhido pelo presidente do banco, Paulo César Ximenes. No dia-a-dia, o diretor mantinha uma atuação de espectro amplo. No Palácio do Planalto, costumava resolver problemas com o ex-secretário-geral da Presidência da República Eduardo Jorge Caldas Pereira, com quem falava sobre política. Na Previ, não apenas orientava decisões como também nomeou um dos pilares da instituição, o responsável pela direção de investimentos. O escolhido foi João Bosco Madeiro da Costa, com quem havia trabalhado na iniciativa privada. A intimidade dos dois era tão grande que costumavam tratar-se por “boneca” ao telefone.”

Ah, não, não é uma reportagem da Carta Capital ou do blog do Nassif.  É da Veja, em maio de 2002.

***

Não vou entrar na discussão Agnelli vs Eike porque não tenho dados a respeito.  Até porque, como mostrei, há muita hipocrisia nas críticas.

Me interessa, porém, a discussão principial: o Estado deve intervir na atividade econômica?

Vejamos: o que o início da aviação comercial, por exemplo, teria a dever ao Estado?  A Enciclopédia Britânica nos conta uma historinha:

From airmail to airlines in the United States

Although the American experience sometimes reflected European trends, it also demonstrated clear differences. Under the auspices of the U.S. Post Office, an airmail operation was launched in 1918 as a wartime effort to stimulate aircraft production and to generate a pool of trained pilots. Using Curtiss JN-4H (“Jenny”) trainers converted to mail planes, the early service floundered. After the war, shrewd airmail bureaucrats obtained larger American-built De Havilland DH-4 biplanes with liquid-cooled Liberty engines from surplus military stocks. Their top speed of 80 miles (130 km) per hour surpassed the 75 miles (120 km) per hour of the Jenny, allowing mail planes to beat railway delivery times over long distances. By 1924, coast-to-coast airmail service had developed, using light beacons to guide open-cockpit planes at night. Correspondence from New York now arrived on the west coast in two days instead of five days by railway. This savings in time had a distinct impact on expediting the clearance of checks, interest-bearing securities, and other business paper with a time-sensitive value in transfer between businesses and financial institutions.

Having established a workable airmail system and a considerable clientele, the Post Office yielded to congressional pressures and, with the Contract Air Mail Act of 1925, turned over the mail service to private contractors.”

Na verdade, há um belo livrinho mostrando como o governo americano deu uma boa mãozinha no nascente mercado da aviação e da aeronáutica _ muito, muito antes do Projeto Apolo:

Conventional wisdom credits only entrepreneurs with the vision to create America’s commercial airline industry and contends that it was not until Roosevelt’s Civil Aeronautics Act of 1938 that federal airline regulation began.

In Airlines and Air Mail, F. Robert van der Linden persuasively argues that Progressive republican policies of Herbert Hoover actually fostered the growth of American commercial aviation. Air mail contracts provided a critical indirect subsidy and a solid financial foundation for this nascent industry. Postmaster General Walter F. Brown used these contracts as a carrot and a stick to ensure that the industry developed in the public interest while guaranteeing the survival of the pioneering companies.

Bureaucrats, entrepreneurs, and politicians of all stripes are thoughtfully portrayed in this thorough chronicle of one of America’s most resounding successes, the commercial aviation industry.

Bem, seria ocioso prosseguir com os exemplos, que podem ser encontrados, aliás, em praticamente todas as indústrias onde hoje os EUA têm uma grande vantagem competitiva.

O ponto é o seguinte: se até os EUA, o país em que anaeróbicos (e mesmo alguns não tão anaeróbicos) vislumbram um paraíso empresarial parido pela livre iniciativa e pelo Estado Mínimo, tem na verdade uma história de concertação de interesses entre a máquina estatal e o empresariado, então porque raio de motivo essa discussão deveria ser bloqueada no Brasil, a princípio?

Duas boas do Tio Rei hoje:

Uma:

Bem, a palavra do MST tem a credibilidade que tem. Mas lembro que Claudete Pereira de Souza, coordenadora do MST, que comandou a invasão, respondeu o seguinte quando indagada sobre a destruição da plantação: “Não se pode viver só de laranja”.

Convenham: o MST não é diferente do partido de Lula. Uma tal “Juventude do PT”, como se isso não fosse uma contradição em termos, divulgou hoje uma nota em que acusa os inimigos do governo – provavelmente os “reacionário” – de responsáveis pelas lambanças do Enem.”

Como assim?  Tá certo, não sei como é a política estudantil hoje em dia _ embora constate que para Tio Rei ela pareça não passar de braço do PT _ mas será que Tio Rei pensa que uma “juventude do PSDB” ou “juventude do DEM” é algo assim, natural?

Duas:

Espantoso um artigo que João Sicsú, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea e professor do Instituto de Economia da UFRJ, escreveu no jornal Valor Econômico, que é uma espécie de Granma do PT. O Brasil tem jabuticaba, pororoca e um jornal de economia que é de esquerda – nem que seja a esquerda petista.”

Logo vi.  É por isso que o comunista do Sergio Leo trabalha lá, pra não falar do Oliveira, aquele canalha cujo nome verdadeiro certamente é Ivan alguma coisa.

Fiquei preocupado, pensando no tipo de imprensa que deve praticar um jornal para que Tio Rei não o considere “de esquerda“…

Tio Rei encerra o post com chave de ouro:

Para certos acadêmicos brasileiros, o homem é seu emprego.”

Para certos “reservoir dogs“, também.

Tio Rei tasca matéria do Estadão lá no blogue dele:

Governo inicia ofensiva contra Lei de Licitações

Na tentativa de evitar que a fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) continue a paralisar obras e para imprimir maior agilidade ao processo burocrático das licitações, o governo decidiu investir em duas frentes, enquanto aguarda o desejado acordo com os setores empresariais, jurídicos e políticos, que poderá dar rapidez aos projetos do pré-sal, da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Ambas as iniciativas impõem limites à fiscalização do TCU. A primeira, já introduzida pelo Congresso na Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2010, determina que a partir do ano que vem o órgão não poderá mais paralisar obras sem o consentimento do Congresso; a segunda está prevista na reforma da Lei de Licitações (Lei 8.666/93), que já tem acordo e poderá ser votada pelo plenário do Senado a partir da semana que vem. As duas são patrocinadas pelo Planalto. Relator do projeto que reforma a lei, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), por orientação do Ministério do Planejamento, adaptou o texto ao gosto do governo e estabeleceu que o prazo máximo das medidas cautelares do TCU, que muitas vezes têm o condão de paralisar obras, será de 90 dias. Hoje, não há prazo. Esse reforço na Lei das Licitações se deve à conclusão do governo de que, mesmo havendo dispositivo estabelecendo o veto à suspensão das obras por parte do TCU, na prática será difícil impedir que a fiscalização as paralise.”

OK, temos aqui um recuerdo de Ypacaraí.  Texto de Luiz Carlos Bresser Pereira, Ministro da Reforma do Estado, que saiu na Gazeta Mercantil em setembro de 1996.  Sua salva inicial:

O governo federal está terminando um novo projeto de lei de licitações. A atual lei, 8.666, é recente, mas hoje já existe uma quase unanimidade nacional de que precisa, com urgência, ser profundamente mudada, senão substituída por uma lei nova. Por que falhou a 8.666? Essencialmente, porque, ao adotar uma perspectiva estritamente burocrática, ao pretender regulamentar tudo tirando autonomia e responsabilidade do administrador público, atrasou e encareceu os processos de compra do Estado e das empresas estatais, sem garantir a redução da fraude e dos conluios.

Continua:

Seu erro fundamental foi ter concentrado toda a sua atenção na tarefa de evitar a corrupção, através de medidas burocráticas estritas, sem preocupar-se em baratear as compras do Estado, nem permitir que o administrador público tome decisões. Partiu-se do pressuposto de que todo servidor público é corrupto e assim foi-lhe retirada qualquer capacidade de negociação, deixando tudo por conta da lei. Reduziu-se assim o espaço do administrador eventualmente corrupto, mas a um custo altíssimo: tornou quase impossível que administrador honesto – que é a maioria – faça a melhor compra para o Estado.”

Não sei porque, naquela época os jornais não falaram em “ofensiva contra a Lei de Licitações”.  Ofensiva, aliás, bem sucedida, resultando na Lei 9.648 de maio de 1998, que alterou a 8.666 (a Lei de Licitações), com os jamegões de:

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Pedro Malan
Eliseu Padilha
Raimundo Brito
Paulo Paiva
Luiz Carlos Mendonça de Barros
Luiz Carlos Bresser Pereira

Fato 1:

O vetusto Foreign Policy publica um elogio desmesurado ao chanceler Celso Amorim.   Sequer vou entrar no mérito de saber se esse elogio é merecido ou não, por enquanto.

Fato 2:

Reinaldo Azevedo se rasga de despeito:

AMORIM, O MAIOR MENOR DESDE O TRATADO DE TORDESILHAS

quinta-feira, 8 de outubro de 2009 | 6:23

“Ah, você viu o que diz o site da Foreign Policy? Celso Amorim é chamado de o ‘maior ministro das Relações Exteriores do mundo’. E agora? O que você vai dizer?”

Petralha adora um reconhecimento “internacional”, não é? Antigamente, “deu no New York Times” era uma forma de as esquerdas fazerem pouco da imprensa imperialista…

É mesmo?  Que provinciano.  Bom, ele finaliza com fecho de ouro:

Quanto à turba… Eu estou me lixando para o que a Foreign Policy diz de Amorim. O New York Times não conseguiu me convencer das qualidades excepcionais de Obama… E acho que estou mais certo a cada dia.

“Você viu o que disse a Foreing Policy???” Ah, tenham piedade! Diante de qualquer publicação estrangeira, petralha parece capiau usando calça nova em dia de quermesse.” [grifo meu]

Hummmm…sei.  Vejamos:

Fato 3:

Entretanto, há menos de um mês, Tio Rei escreveu o seguinte:

EDITORIAL DO WSJ RESPONSABILIZA EUA POR IMPASSE E DEFENDE QUE ZELAYA SE ENTREGUE

quarta-feira, 23 de setembro de 2009 | 18:26

Nem tudo está perdido. Editorial do Wall Street Journal põe as coisas no seu devido lugar. Segue o texto original em azul. O jornal diz o óbvio: dado o quadro, a única solução, que evita a violência, é Zelaya se entregar às autoridades do seu país, para que seja julgado. Vocês verão que o jornal, de fato, atribui aos EUA a responsabilidade pelo impasse. E está certo. Um texto como este do WSJ é quase impossível na grande imprensa brasileira. É que somos muito plurais, entendem?” [grifo meu]

Pois é.  Como é mesmo?  “Diante de qualquer publicação estrangeira, blogueiros anaeróbicos parecem capiaus usando calça nova em dia de quermesse“.

Segue-se a matéria do WSJ, traduzida pelo Tio Rei que na pressa nem percebeu ter escrito o seguinte:

Zelaya e seus seguidores estão agitados. Tomaram a embaixada brasileira e portam coquetéis Molotov. E de lá conclamam: restituição ou morte. Micheletti anunciou o toque de recolher, mas os seguidores de Zelaya resistiram. E Honduras está num impasse.”

Tomaram a embaixada brasileira?  Mas tudo não foi feito com a conivência sinistra de Celso Amorim??

***

Para Tio Rei, o problema não é lamber botas, mas sim lamber as botas certas.   No caso, lamber as botas do jornal que defendeu as maluquices da banca até o último minuto antes da crise deve ter algum appeal.

Tio Rei às vezes me lembra aquela velha piada sobre Churchill que termina assim: “Que você é uma prostituta já concordamos, agora só estamos discutindo o preço“.

Do Elio Gaspari, na Folha de hoje:

EREMILDO, O IDIOTA

Eremildo é um idiota e alistou-se nas brigadas internacionais de combate ao bolivarianismo. (Ele não sabe o que isso quer dizer, mas também não conhece quem saiba.) O idiota entende que são bolivarianos os presidentes Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa. Todos mexeram na Constituição para prorrogar suas permanências no poder, ad referendum de resultados eleitorais.

Ensinaram-lhe que jamais foram bolivarianos os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem, que também mudaram as Constituições de seus países para buscar a reeleição. Por algum motivo, o colombiano Álvaro Uribe, que, pela segunda vez, está fazendo a mesma coisa, também não é bolivariano.

Eremildo é um idiota feliz, mas teme ser internado por conta da última ideia que lhe passou pela cabeça: o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, seria um bolivariano ao defender a mudança da lei da cidade para buscar o direito de disputar o terceiro mandato.”

***

Continuísmo bom é o continuísmo nosso.

***

Tio Rei leu, não gostou e cospe marimbondos.  Ao segundo parágrafo de Gaspari, questiona:

E não foram mesmo! Quem o Idiota pensa que engana? Carlos Menem e FHC não exportaram a sua “revolução”. Nenhum deles criou uma Assembléia Constituinte, em meio a escombros institucionais, para tomar de assalto o Congresso e a ordem legal. O Idiota acredita, pelo visto, que basta fazer uma eleição para legitimar mudanças, como se a consulta popular excluísse o autoritarismo. O Idiota nunca ouvir falar em fascismo? Desse jeito, ainda acaba chamando o Irã de “democracia de massas”… Ele, o Idiota, recorre à trapaça ao tentar identificar os críticos do bolivarianismo como partidários, então, de FHC, Menem ou Uribe, juntando num mesmo saco pardo gatos muito distintos. O Idiota deveria saber que é perfeitamente possível ser um crítico do bolivarianismo, do processo que resultou na reeleição de FHC e da eventual reeleição de Uribe, embora sejam coisas muito distintas. No caso do presidente da Colômbia, sua confusão é espantosamente estúpida: se algum mal afeta hoje a Colômbia, é o mal do isolamento – cercada que está de canalhas esquerdistas e populistas. Se estudar Ceresole e Dieterich, verá que a vocação do bolivarianismo ou do “socialismo do século 21″ é a expansão.” [grifo meu]

Er…vejamos.  Notícia da Gazeta Mercantil, de 03/02/1998:

BRASÍLIA, 3 de fevereiro – O presidente Fernando Henrique Cardoso considera “boa” a proposta do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que sugere a realização de uma consulta pública junto com as eleições de outubro, para avaliar se a população concorda com uma constituinte exclusiva para promover mudanças de cunho político e fiscal. Segundo o porta-voz da Presidência da República, embaixador Sérgio Amaral, Cardoso não vê por que a consulta pública possa atrapalhar as eleições. De acordo com o porta-voz, Fernando Henrique avalia que não se trata da instalação de uma assembléia constituinte, mas de um dispositivo que permita a redução do quórum para que se aprove uma emenda constitucional. Hoje, a aprovação de uma emenda exige a anuência de dois terços do Congresso Nacional. Com o referendo popular, a aprovação poderia ser aprovada por maioria simples, reduzindo as rodadas de negociação exigidas atualmente para que o governo consiga aprovar matérias mais polêmicas. Quanto ao teor das reformas política e fiscal, Amaral afirmou que isso é “assunto para ser discutido posteriormente”. (Marcos Chagas, do InvestNews/MM)

Matéria do jornal catarinense “A Notícia”, de 30/09/1998:

FHC interessado na proposta

Brasília – O porta-voz do Palácio do Planalto, Sérgio Amaral, disse, ontem, que o presidente Fernando Henrique está interessado em que se “examine a questão” da proposta de convocação de uma miniconstituinte. Segundo ele, Fernando Henrique Cardoso considera “positiva” uma reunião com os governadores para discutir as reformas que serão votadas pelo Congresso.

Amaral disse que já está acertada uma reunião com os líderes partidários para discutir as reformas, embora o presidente também não tenha definido se esta conversa ocorrerá entre o período do primeiro com o segundo turno ou se só após o segundo turno das eleições.

Se prevalecer um entendimento existente no Supremo Tribunal Federal (STF), a convocação de uma assembléia nacional revisora para modificar a Constituição Federal é inconstitucional. Uma ala de ministros do STF acredita que se perdeu a chance de revisar a legislação em 1993, como previa a própria Constituição no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT).

Uma das propostas de convocação de assembléia nacional constituinte, formulada pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), já foi questionada no STF.

Além da proposta de Miro Teixeira, há outra, de autoria do deputado e ex-ministro do Planejamento Antonio Kandir. Ele propõe a convocação de uma assembléia para revisar aspectos tributários e fiscal simultaneamente à análise da reforma política.” [grifo meu]

Mas não foi apenas em 1998 que FHC fez este tipo de proposta.  Em 2001 também _ e para 2003, com o prova esta matéria do Jornal do Brasil:

FH apóia convocação de miniconstituinte

O presidente Fernando Henrique Cardoso não vai virar garoto-propaganda – até porque acredita que esse é um assunto do Legislativo. Mas já mandou orientar parlamentares da base aliada para que estimulem a idéia da convocação de uma miniconstituinte para 2003.

Na tarde de ontem, Fernando Henrique conversou com o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), e deu sinal verde para que o deputado tucano leve adiante a discussão sobre o tema. Além de mudar (para melhor) o humor político no Congresso, FH acredita que a miniconstituinte pode acelerar, se não todas, pelo menos uma ou duas reformas que prometeu fazer em seus dois mandatos. O presidente gostaria de concluir até o final do seu governo o que prometeu na campanha e até agora não conseguiu viabilizar por falta de entendimento na base aliada.

Negativa – Ontem, o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, negou que o governo estivesse patrocinando a proposta. Mas, apesar da oposição do principal articulador político do governo, existe uma torcida na equipe do presidente para viabilizar a miniconstituinte. Ministros e assessores econômicos acham impossível votar as reformas tributária, política, e até mesmo do Judiciário, além da regulamentação do Sistema Financeiro Nacional, com um quorum de três quintos exigidos pela Constituição -o que equivale a 308 dos 513 votos da Câmara e 49 dos 81 votos do Senado.

O pacote tributário que o governo está pensando em tentar aprovar até o final do ano, prorrogando a CPMF até o final de 2003, só seria possível com a convocação de uma constituinte. Além da prorrogação da CPMF, a equipe econômica do governo defende também a eliminação do efeito cascata da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do PIS-Pasep, além da isenção da CPMF para as aplicações em Bolsa de Valores. Mas alguns líderes governistas acham que dificilmente essas propostas serão aprovadas por três quintos.

Reformas isoladas – Outro argumento defendido por lideranças da base aliada para a convocação de uma Constituinte é o de que é mais fácil atualizar a carta de 88 via miniconstituinte do que por meio de reformas isoladas, que acabam transformando a Constituição em “colcha de retalhos“, segundo expressão de um ministro de Estado.

O esforço de FH para costurar a miniconstituinte no Congresso pode esbarrar na própria base aliada. Apesar dos recados, ainda há certa resistência dentro do Congresso. Para o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), por exemplo, o assunto chegou tarde, pois só faltam duas semanas para o início do recesso de julho e dificilmente os parlamentares vão se empolgar com a discussão. “A decisão deve ser discutida pela Executiva (do PFL). Não quero me antecipar“, escapou Bornhausen ontem.” [grifo meu]

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Como se vê, o ex-Presidente Fernando Henrique não apenas apoiou a idéia de uma constituinte do seu primeiro para o seu segundo mandato, como teve a cara de pau de propô-la novamente debaixo das barbas do seu sucessor.  E isto porque o Supremo considerava qualquer iniciativa neste sentido como inconstitucional, já que o prazo constitucional para a revisão da CF 88 havia se extinguido em 1993.

Tio Rei tem memória curta.  Ou então, muito conveniente…

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UPDATE:

O Luiz Carlos Azenha, do Vi o Mundo, linkou este post.  Valeu Azenha!

Tio Rei, uns dias atrás:

Irrelevância de propaganda

segunda-feira, 28 de setembro de 2009 | 20:49

Barack Obama, como um Lula qualquer, vejo agora no Jornal Nacional, entrou na campanha para que Chicago seja a sede das Olimpíadas de 2016.

Ai, ai… Sempre disse: Obama é puro Terceiro Mundo. Antes que venham com a bobagem de que afirmo isso porque ele é mestiço ou porque o pai era queniano, digo logo: bobagem! Seu terceiro-mundismo está na atração fatal pela irrelevância de propaganda.”

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Arram:

Realeza espanhola chega em Copenhague

32 horas atrás Notícias RSS Digg

Rei Juan Carlos I e a rainha e Sofía estão na capital dinamarquesa para apoiar a candidatura de Madri como sede dos Jogos Olímpicos de 2016

Após a primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, a realeza da Espanha chega na Dinamarca. O rei Juan Carlos I e a rainha e Sofía aterrissaram na manhã desta quarta-feira no aeroporto de Copenhague para apoiar a candidatura de Madri na votação do Comitê Olímpico Internacional (COI), dia 2 de outubro, quando será anunciada a sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Além da capital espanhola, estão está na disputa Chicago, Rio de Janeiro e Tóquio.

O presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, chegará a Copenhague ainda nesta quarta, acompanhado pelo ministro de Assuntos Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, após assistir à sessão de controle ao Governo no plenário do Congresso dos Deputados.

Os reis e o chefe do Executivo se reunirão nesta quinta-feira com membros do COI, participarão de um almoço oferecido pela rainha Margrethe, da Dinamarca, e assistirão à sessão inaugural da Assembleia do COI.

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Quem mandou pagar pau com essa boca grande?   Agora Tio Rei vai ter que dizer que ao ir a Copenhague, Juan Carlos, Obama e Lula  “mostraram como agem governantes que têm respeito por seu país e por seu povo“.  Mané.

Talvez vocês se lembrem de um post do Tio Rei de logo após a reeleição intitulado “É Lula de novo com a culpa do povo“, onde o homem que ama a democracia fardada à hondurenha escreveu que:

Eu não tenho o menor interesse na opinião do povo. Quase sempre ele está errado. Aliás, a opinião de muito pouca gente me interessa. A democracia sempre foi salva pelas elites e posta em risco justamente pelo “povo”, essa entidade. Vai acontecer de novo. Lula, reeleito, tende a levar o país para o buraco. E uma elite política terá de ser convocada para impedir o desastre.” [grifo meu]

Então, certos jornalistas sobrevivem à custa da falta de memória do seu leitorado, não é mesmo?

Compilei o quadro abaixo com dados do Banco Mundial.  Trata-se da evolução da Renda Nacional Bruta, per capita, em PPP, entre EUA e Brasil:

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Como se vê, no período, em PPP, a Renda Nacional Bruta per capita do Brasil aumentou mais do que a dos EUA.  É pena não termos esse número até 2009.

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Alcance do Rafale a partir das bases da FAB, sem abastecimento

Lá vem ele de novo:

Apontei aqui a impropriedade no primeiro dia: como pode o presidente Lula anunciar a compra dos aviões Rafale, da França, se a Aeronáutica nem apresentou ainda o seu relatório final? Ou bem eles têm uma utilidade, ou bem aqueles documentos não servem para nada. Chegamos à conclusão de que não serviam. Horas depois do anúncio – e dada a estranheza geral -, veio a conversa mole de que nada estava decidido. Os EUA divulgaram um documento em que afirmam que também estão dispostos a fazer a tal transferência de tecnologia – e seus caças são bem mais baratos. Ouvido, Marco Aurélio Top Top Garcia sugeriu que os americanos não falam muito a sério. Pouco importam suas impressões, certo? Garcia, para não variar, deve estar equivocado, confundindo, como de hábito, seus preconceitos com a realidade.” [grifo meu]

Pois é.  Tio Rei é tão bem informado, mas esquece algumas coisinhas _ inclusive que o barato pode sair caro.  Tenho a impressão de que desta feita não é bem Garcia quem está confundindo preconceitos com realidade.  Como de hábito.

Aliás, dá pra notar como Tio Rei dá importância a processos tão importantes quanto, er, “a tal” transferência de tecnologia.  Coisa que talvez ele imagine que dê pra comprar na feira.

E no finzinho, Tio Rei ainda tenta emplacar uma nonchalance:

Confesso que não estava dando a menor bola para o assunto. Mas, agora, tudo ficou bem mais interessante.”

Pô, sujeito.  É teu décimo-primeiro post sobre a história.  Imagine se estivesse dando importância, hein?

Interessante, a postura de alguns pundits de direita. A maior parte das pessoas normais têm algum senso crítico.  Por exemplo, mãe.  Todas as mães são santas, decerto, mas nem por isso, ocasionalmente, a gente deixa de discordar delas.  Ou concordar, também, de vez em quando. Pois o Tio Rei não dá trégua.  Assim como a direita americana faz tempestade em copo d´água quando Obama manda as crianças estudarem na volta das férias, Reinaldão vai dizer que Lula está errado mesmo se ele afirmar que 2 mais 2 é igual a 4.  Por exemplo, ele agora soltou o verbo sobre a escolha dos aviões franceses para equipar a Força Aérea:

O país está devidamente informado a respeito? Claro que não! “Ah, Reinaldo, são assuntos militares; é preciso mesmo certo sigilo”. Bobagem! Não para o que está sendo comprados. Notem que os americanos e os suecos também estavam na parada, oferecendo os seus respectivos aviões. A própria Aeronáutica ainda não fez seu relatório afirmando que o Rafaele, francês, é melhor para o Brasil do que o F-18, dos EUA, ou o Gripen, da Suécia. Se a Força não havia terminado o seu trabalho específico, o que determinou a escolha? Pode até ser que ela recaísse mesmo sobre o Rafaele, mas por que desprezar a formalidade? O que atrasou o trabalho da Aeronáutica, se é que atrasou? E o que determinou que a decisão fosse tomada mesmo assim?

“Rafaele”.

Ok, ok, eu ia falar de outra coisa, mas…”Rafaele”.  Tio Rei está criticando uma escolha técnica, sendo que nem o nome do raio da aeronave ele sabe.  Tio Rei, pode ser que exista alguma Rafaele que seja um avião, mas o nome do bicho é “Rafale“!

[fiz um print-screen e arquivei, just in case ele corrija mais tarde]

***

Mas o que eu ia dizer é: a parte inquestionável da negociação era a transferência de tecnologia.  E isso, os EUA não fazem.  Não sei qual era a disposição dos suecos nesse quesito, mas cabe notar que partes críticas do Grippen são fabricadas sob licença norte-americana, logo…outra vantagem do Rafale sobre o Grippen é ser um bimotor _ por razões óbvias.  Uma terceira vantagem não desprezível é que o Rafale já existe e voa, enquanto o Gripen NG ainda está em desenvolvimento.  E em quarto, pelo que andei lendo, a autonomia de vôo do Gripen é menor. Enfim, o Gripen não é um mau avião,  é mais barato, e parece ser melhor no conceito de guerra data-cêntrica, com melhores data-links que seus concorrentes.  Mas isso não é tudo.

Já Tio Rei parece que confunde as coisas: ser chegado em senhores de farda não lhe dá nenhum conhecimento razoável sobre assuntos militares.

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Está escrito lá, no final do post, à guisa de conclusão de um comentário à fala de Lula na TV ontem, utilizando um artigo de um velho conhecido nosso:

Gostaram? O título do artigo é “O nacionalismo de esquerda é uma fraude” e foi escrito por Olavo de Carvalho em maio de 2001. Parece-me uma excelente análise da fala de Lula, feita com mais de oito anos de antecedência…

É o fim.  Reinaldo Azevedo está pronto para ir juntar-se ao Olavón na Virginia.

***

Trecho embatucador:

Ser nacionalista, para essa gente, não é amar o que é brasileiro: é apenas odiar o americano um pouco mais do que se odeia o nacional. Mas, para cúmulo de hipocrisia, seu alegado antiamericanismo não os impede de celebrar o intervencionismo ianque quando lhes convém, por exemplo quando ajudam alegremente a desmoralizar a cultura miscigenada que constitui o cerne mesmo do estilo brasileiro de viver e lutam para impor entre nós a política americana das quotas raciais, em consonância com as campanhas milionárias subsidiadas pelas fundações Ford e Rockefeller.”

Interessante: Olavo chama de antiamericana a esquerda que, segundo ele, sucumbe a “idéias americanas” das quais ele discorda, como o feminismo e o “abortismo”.   Já ele mesmo, que odeia essas coisas, não se acha antiamericano…

Além disso, acho meio estranho Tio Rei transcrever um texto que acusa alguém de não amar o Brasil, quando diuturnamente faz o elogio daquele sujeito que escreveu um livro intitulado, justamente, “Contra o Brasil”.

Tinha passado batido, mas Tio Rei escreveu um post sobre os Apóstolos, ontem:

Apóstolos

sexta-feira, 4 de setembro de 2009 | 19:51

Sei que, para muita gente, a questão é irrelevante. Mas é relevante para outros tantos e para mim. Escrevi:

“Apóstolos, originalmente, eram 12. Missões divinas dadas a Paulo e Barnabé também permitem que os chamemos assim. Pronto! 14 ao todo! Até a chegada de Hernandes, o 15º elemento. Todos os apóstolos tiveram contato direto com Jesus (…)”.

Achei que estava claro que Paulo e Barnabé não faziam parte dos 12 originais – ou 13, se quiserem, já que Matias entrou no lugar de Judas Iscariotes. A “missão divina” é aquela inspirada pelo próprio Jesus, sem que isso tenha significado convivência pessoal.

(…)” [grifo meu]

***

Como é que é?  Sai Judas, entra Matias, e vamo que vamo?

Será que eu bebi demais no almoço, ou o jogo de hoje à noite me fez enxergar ali uma escalação de time de futebol??

Deu no Correio Braziliense:

Congresso colombiano abre caminho para terceiro mandato de Uribe

O Congresso colombiano deu luz verde a um terceiro mandato presidencial de Alvaro Uribe, depois que a Câmara de Representantes aprovou a convocação de um referendo para modificar a Constituição e permitir a candidatura do chefe de Estado pela terceira vez.

A bancada governista conseguiu na Câmara 85 dos 84 votos necessários para aprovar a iniciativa, que agora precisa passar pela Corte Constitucional, que deve decidir se o trâmite não teve vícios de conteúdo ou forma. Cinco representantes votaram contra.

(…)

O presidente colombiano tem um índice de popularidade de 68% nas pesquisas. Se a iniciativa for autorizada pela Corte Constitucional, ele pode se tornar o primeiro presidente colombiano na história a governar por três mandatos consecutivos desde Rafael Nuñez no fim do século XIX.

Uribe já havia conseguido em 2006 que o Congresso modificasse a Constituição para concorrer à reeleição para um segundo mandato consecutivo, em uma votação que ainda é objeto de investigação judicial depois que uma congressista afirmou ter recebido suborno em troca de apoio.”

***

Não, não basta dizer que é contra.  Eu quero a mesma verve, a mesma histeria.  Agora.

Olhem, eu juro que tento…mas não consigo.

O sujeito não deixa.

Agora escreveu um post para falar mal de Lula, especificamente, em relação ao marco regulatório do pré-sal.  Até aí tudo bem, eu sequer sou um especialista nessa área e não vou me meter a falar sobre o que não entendo.  Mas essa aqui é terrível:

O petróleo do pré-sal, por enquanto, é uma quimera. Consta que está lá, quem sabe no volume que se anuncia, mas sua exploração comercial vai demorar muito. O demiurgo já anuncia, no entanto, a redenção do povo brasileiro. Em suma, quer que o Congresso aprove logo uma lei para que, a partir de então, todo bem que houver no Brasil seja caudatário desta sua suposta grande obra — que, sabemos, é só um etapa de um longo processo: seu marco verdadeiramente importante foi a lei de 1997 que permitiu a entrada de empresas estrangeiras na exploração de petróleo. E pelo regime de concessão, que continua nas áreas fora do pré-sal” [grifo meu]

Espere aí.

Quer dizer que “no longo processo” que levou ao pré-sal, tem um “marco verdadeiramente importante“, a “lei de 1997 que permitiu a entrada de empresas estrangeiras na exploração de petróleo“.

Pergunta-se: que papel tiveram as empresas estrangeiras na descoberta do pré-sal?

Nenhum.

E quem diz isso não sou eu, é o G1 da Globo:

A Petrobras informou nesta sexta-feira que descobriu petróleo leve na seção pré-sal da bacia de Campos, no mar do Espírito Santo, uma região ainda pouco explorada pela estatal.

Testes indicaram uma produção de cerca de 1.250 barris por dia”, afirmou a empresa em um comunicado, ressaltando que a estimativa é de grau API –que mede a qualidade do óleo– em torno dos 29 graus.

(…) A descoberta foi constatada durante os trabalhos desenvolvidos no Plano de Avaliação de Descoberta do poço 1-ESS-121-ESS, cuja comercialidade foi declarada em dezembro de 2006.

A Petrobras passou a pesquisar a existência de petróleo em áreas abaixo da camada de sal no ano passado, tendo anunciado em outubro descoberta de óleo leve nessa nova fronteira na bacia de Santos.

A camada de sal fica geralmente acima da rocha formadora de petróleo, que por causa da pressão abre brechas por onde o óleo escapa, formando as bacias petrolíferas. Por esse motivo, a Petrobras acredita que poderá encontrar novas bacias embaixo da seção pré-sal das bacias já existentes, como já foi informado anteriormente pela estatal.

Realmente trata-se de um longo processo, mas de um longo processo que passa pela construção de um saber e de uma tecnologia totalmente nacionais, começando pela profícua associação entre a Petrobrás e a COPPE/UFRJ, na Ilha do Fundão, e dos esforços do pessoal do centro de pesquisas da Petrobrás, o CENPES, também localizado na Ilha do Fundão para melhor aproveitar as sinergias com o campus universitário.

Ou seja: é de uma cara de pau indizível do picareta de Dois Córregos vir com essa história de “empresas estrangeiras” possibilitando, de alguma forma, a descoberta do pré-sal.  Ele está simplesmente roubando as vidas de centenas, talvez milhares, de pessoas que dedicaram sua existência a essa descoberta.

***

É por essas e outras que eu tenho que fechar este blog o quanto antes.  Senão, quando chegar 2010 eu vou estar acorrentado ao teclado.  Ou com uma camisa de força.   🙂

No vermelho e azul sobre o discurso do Lula, Tio Rei vem com essa:

Quando fala em “último dinossauro a ser desmantelado”, é claro que Lula está fazendo uma referência velada à suposta intenção de vender a Petrobras. ISSO É UMA MENTIRA TOLA, UMA INVENCIONICE. Jamais tucanos ou democratas (então “pefelistas”) pensaram no assunto.” [grifo meu]

Tô ficando cansado de tentar chamar Tio Rei de volta à realidade, da qual ele se auto-exila tão frequentemente.  Em junho deste ano fiz um post onde anexei este trecho de uma entrevista do Mendonção:

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Pra quem não se lembra ou nunca soube, o Mendonção, além de ter sido dono da revista que lançou Tio Rei para os faróis da fama, foi presidente do BNDES, Ministro das Comunicações e estava sendo preparado para se transformar no czar da “política industrial” tucana quando foi abatido a grampaços.

Tio Rei, o que você está dizendo É UMA MENTIRA TOLA, UMA INVENCIONICE!!!!!!!!!!!!!!!

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Marolinha…

Deu no Estadão (matéria de Fernando Dantas):

Um ano depois, Brasil sai da crise mundial maior do que entrou

Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise global, o otimismo com o País tornou-se consenso

RIO – O Brasil saiu da turbulência global maior do que entrou. Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise iniciada com a concordata do Lehman Brothers, em 15 de setembro, o otimismo com o País tornou-se consensual. “O fato de que o Brasil passou tão bem pela crise tinha mesmo de instilar confiança”, diz Kenneth Rogoff, da Universidade Harvard, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para Jim O’Neill, do Goldman Sachs, e criador da expressão Bric (o grupo de grandes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China), “o Brasil passou por essa crise extremamente bem, e pode crescer a um ritmo de 5% nos próximos anos”.”

***

Diante disso, Tio Rei sai-se com esta:

Felizmente, já em Primeira Leitura, lá no longínquo 2001 — e quem me lê desde aquela data sabe disto —, afirmava que Lula jamais deixaria de ser mais ou menos conservador em economia; que não daria trela para o seu partido nessa área. E faria quantas “caridades” pudesse no que chama a sua “política social”. Assim, jamais esperei que seu governo fosse um desastre econômico. Apostava, desde sempre, e acertei em cheio, na barafunda ética, no rebaixamento institucional, no aparelhamento do estado, numa relação autoritária com a imprensa… Bem, o arquivo do blog está à mão, não é? Mas desastre? Jamais!

Mas pera aí…não foi Tio Rei quem cunhou a frase “marolinha apedeuta” para chancelar uma série de posts de entonação catastrofista sobre os efeitos da crise sobre o país?

Sei.

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O pessoal da camisa preta sempre teve uma quedinha pela farda

!

TIO REI RECEBE UMA DISTINÇÃO DO EXÉRCITO BRASILEIRO

segunda-feira, 24 de agosto de 2009 | 16:51

Recebo amanhã, Dia do Soldado, do Comando Militar do Sudeste, o diploma de Colaborador Emérito do Exército. Qual é a “colaboração” que me levou à distinção? Suponho que seja a defesa que permanentemente faço aqui da democracia, do estado de direito, das leis, da disciplina e, sim, do papel reservado às Forças Armadas na Constituição.

Fico bastante honrado com o diploma. As Forças Armadas, num regime civilizado, são a democracia de farda, a última instância a que pode apelar a liberdade.

Deve ser por isso que Tio Rei não teve tempo de comentar esta notícia sobre o continuísmo não-bolivariano hoje…

Será que Tio Rei vai apertar a tecla SAP “perseguição religiosa” agora???

Juiz acata denúncia contra líder da Universal

Edir Macedo e mais 9 são réus em processo por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro; defesa diz que igreja é perseguida

Dados do Coaf apontam que as transferências atípicas e os depósitos bancários em espécie da igreja somaram R$ 8 bilhões de 2001 a 2008

MARCIO AITH

DA REPORTAGEM LOCAL

A Justiça recebeu ontem denúncia do Ministério Público de São Paulo e abriu ação criminal contra Edir Macedo e outros nove integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus sob a acusação de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

A denúncia, aceita pelo juiz Glaucio Roberto Brittes, da 9ª Vara Criminal de São Paulo, resulta da mais ampla apuração sobre a movimentação financeira da igreja já feita em seus 32 anos de existência.

Iniciada em 2007 pelo Ministério Público de São Paulo, a investigação quebrou os sigilos bancário e fiscal da Universal e levantou o patrimônio acumulado por seus membros com dinheiro dos fiéis, entre 1999 e 2009 -embora não paguem tributos, igrejas são obrigadas a declarar doações que recebem.

Segundo dados da Receita Federal, a Universal arrecada cerca de R$ 1,4 bilhão por ano em dízimos. As receitas da igreja superam as de companhias listadas em Bolsa -e que pagam impostos-, como a construtora MRV (R$ 1,1 bilhão), a Inepar (R$ 1,02 bilhão) e a Saraiva (R$ 1,09 bilhão).

Somando-se as transferências atípicas e os depósitos bancários em espécie feitos por pessoas ligadas à Universal, o volume financeiro da igreja no período de março de 2001 a março de 2008 foi de cerca de R$ 8 bilhões, segundo informações do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão do Ministério da Fazenda que combate a lavagem de dinheiro.

A movimentação suspeita da Universal somou R$ 4 bilhões de 2003 a 2008.

***

Resposta: a culpa é do Lula!

Vocês querem apostar quanto que os mesmos ex-jornalistas que estão na Internet defendendo Sarney farão agora a defesa da Igreja Universal? Essa gente não tem limites. Quando se trata da “causa”, juntam-se a Renan, Sarney, Collor e, por que não?, Edir Macedo. Alguns dos mais entusiasmados críticos do que chamam “mídia golpista”, não custa lembrar, são nada menos do que funcionários de Macedo. Até parece que o império construído por este empresário da religião não é, ele também, midiático.

Tio Rei, mui previsivelmente, está fazendo o maior estardalhaço com essa história da ação do Ministério Público _ aquele antro de ateus _ pedindo a retirada de símbolos religiosos das repartições públicas, como noticiado na Folha (entre outros jornais):

O Ministério Público Federal em São Paulo pediu que a Justiça obrigue a União a retirar todos os símbolos religiosos fixados em locais de grande visibilidade e atendimento ao público em órgãos públicos federais no Estado.

No pedido, a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão pede também a aplicação de multa diária simbólica de R$ 1 em caso de descumprimento. A multa deverá servir como um contador do desrespeito à determinação judicial. O prazo proposto pelo Ministério Público para a retirada dos símbolos é de até 120 dias após a decisão.

Segundo o Ministério Público, a ostentação de símbolos religiosos seria uma ofensa à liberdade de crença dos cidadãos. Além disso, o órgão argumenta que a Constituição Federal determina que o Brasil é um Estado laico, ou seja, onde não há vinculação entre o poder público e a religião.

Para o procurador regional dos Direitos do Cidadão e autor da ação, Jefferson Aparecido Dias, cabe ao Estado proteger todas as manifestações religiosas sem tomar partido de alguma. “Quando o Estado ostenta um símbolo religioso de uma determinada religião em uma repartição pública está discriminado todas as demais ou mesmo quem não tem religião afrontando o que diz a Constituição”, defendeu.”

Cá entre nós, embora eu ache que a demanda seja justa, também penso que há mais nesse Brasil com que se preocupar e que o MP de São Paulo bem que poderia estar gastando sua atenção e nosso dinheiro em coisas mais importantes.

Por outro lado, a argumentação de Tio Rei é tão pedestre que se torna irresistível dar-lhe um piparote.  Senão vejamos: diz Tio Rei o seguinte _

Os que não suportam manifestação de religiosidade em espaços públicos e coletivos podem suportar a estátua do Cristo Redentor? Ou haveremos de substituí-la por, sei lá, uma outra de Descartes?

Não, sua anta da retórica mal empregada.  A ação pede a retirada de símbolos religiosos de ÓRGÃOS PÙBLICOS.  O Cristo está em área da União cedida à Mitra Arquepiscopal do Rio de Janeiro.  Não se trata de uma repartição pública.

Ele continua:

Eu não gosto de idéias pela metade. Se é para abolir, POR FORÇA DE LEI, o crucifixo das repartições públicas — fico cá imaginando um barnabé caçador de crucifixos… —, então será preciso abolir também o Natal, a Sexta-Feira Santa etc. Que ONG se atreve a entrar com este pleito e que juiz aceita dar a sentença? “É, com efeito, são feriados religiosos, e o estado brasileiro é laico. Não tem feriado coisa nenhuma!””

Pois é.  Isso é gozado, porque ao descer a lenha em uma professora da USP que colocou-se contra a criação de um feriado para Frei Galvão, Tio Rei dizia:

Vejam só: eu também sou contra um feriado novo. Por razões puramente pragmáticas. Já há muitos no Brasil. O país precisa trabalhar mais, não menos. Os católicos podem muito bem comemorar a data tocando normalmente a sua vida. Ah, mas Roseli não se conforma com isso não. Ela gosta de debater o mérito das coisas. Aí veio com aquela conversa de que a República é laica, de que nem todos são católicos etc e tal.” [grifo meu]

E quanto à proposta de um feriado para Zumbi, então…

O Dia de Zumbi deve embutir um protesto contra os negros que escravizavam negros dentro dos quilombos? O seu Dia Nacional da Liberdade de Consciência e de Crença não seria, por acaso, um feriado especialmente interessante aos pouco mais de 20% não católicos, em oposição à esmagadora maioria, que é católica?” [grifo meu]

Só que Tio Rei usa outro argumento também:

NÃO HÁ UMA LEI IMPONDO CRUCIFIXO NAS REPARTIÇÕES. Aliás, nas que tenho visitado, são cada vez menos freqüentes. QUANDO HÁ LÁ UM CRUCIFIXO E UMA BÍBLIA, NO MAIS DAS VEZES, OS OBJETOS SÃO ECOS DE UM TEMPO EM QUE ESSAS ESFERAS NÃO ERAM TÃO SEPARADAS. Mas é só memória. É só história!” [grifo meu]

Bom, se a questão do feriado não tem a ver com a representatividade, mas com a história, então porque ser contra o feriado para Zumbi?  Faria mais sentido Tio Rei aferrar-se à lógica do pragmatismo protestante e achar que todo feriado é mesmo um desperdício.  Mas, para combater o laicismo, Tio Rei acaba se perdendo entre as religiões…e ainda assim, “as que contam”.

Outro problema, Tio Rei, é que há um espaço específico para a preservação da memória e da história.  Se tivéssemos em algum tribunal uma linda escultura antiga de motivo religioso, ela bem poderia ser tombada pelo Patrimônio Histórico, e acabou a conversa.  Estamos falando, porém, de crucifixos de 10 reais pendurados na parede.

Tio Rei prossegue:

Não havendo a lei que imponha e não tendo aquele crucifixo ou aquela Bíblia qualquer influência nas decisões do funcionário público, obrigar a sua retirada por força de uma determinação legal caracteriza uma óbvia perseguição a símbolo religioso, em desacordo com a Constituição. Mais: ainda de acordo com teses que me parecem obviamente autoritárias, hipertrofia-se o conceito de ESTADO e se esquece o conceito de NAÇÃO. O Estado brasileiro, com efeito, é laico. Mas a nação brasileira é esmagadoramente religiosa. E o país tem sabido conviver com as diferenças. Há terreiros de umbanda e candomblé no Brasil que são tombados e, pois, mantidos e protegidos com dinheiro público. Uma reivindicação dos progressistas em nome da diversidade cultural!

Wait a minute, Tio Rei.  A CF diz o seguinte:

VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”

Que se saiba, repartição pública não é “lugar de culto”.  Então não há que se falar em “perseguição a símbolo religioso”.  No máximo poderia-se argumentar que a ação perturbaria os direitos individuais do funcionário público que resolveu pendurar o crucifixo na parede.  Mas aí também acho que entra uma questão de decoro; assim como não é bacana entrar em uma repartição do INSS ou em uma delegacia e ver pendurado na parede um cartaz do Flamengo ou da rainha da bateria da Padre Miguel, também nessa questão há que se resguardar as paredes de um estabelecimento público.

Por outro lado, pra variar, Tio Rei mostra grande ignorância do funcionamento de várias instituições ao afirmar que terreiros de umbanda tombados são “mantidos e protegidos com dinheiro público”.  A legislação do patrimônio impõe ao proprietário do bem tombado o ônus de sua manutenção; o dinheiro público apenas entra se o proprietário demonstrar ser incapaz de fazê-lo.

Mas se é para ir à luta mesmo, então finalizo com uma gracinha do Banco Central:

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(clique para ampliar)

Pois é.

Aliás, consta que a primeira vez que se colocou a mensagem “Deus Seja Louvado” na moeda nacional foi a pedido de José Sarney, na época do Plano Cruzado.  Deu no que deu.

Tio Rei, como seria de se esperar, está fazendo a maior algazarra com a reação oficial brasileira à história das bases americanas na Colômbia.   Mal sabe ele que talvez até o governo FHC fosse dar uma de Tupy nessa questão.

Mas Tio Rei, afoito que só, parece ter engolido uma barriga.  Ao reproduzir matéria do Estadão, entregou o ouro:

Bases na Colômbia não afetam relações com Brasil, dizem EUA

terça-feira, 4 de agosto de 2009 | 17:14

No Estadão Online:

O assessor de Casa Branca para Segurança Nacional, general Jim Jones, afirmou nesta terça-feira, 4, que a presença de tropas dos Estados Unidos em bases na Colômbia não deve interferir “no progresso” da amizade e da cooperação dos EUA com o Brasil e demais países da região em relação a questões de interesse comum na área de segurança.

Jones lidera uma delegação do Governo dos Estados Unidos que faz uma visita ao Brasil para conversar sobre assuntos de interesse bilateral e internacional, como a crise econômica mundial, a mudança climática e a atual situação em Honduras.

(…)

O marco regulatório para a exploração de petróleo na camada do pré-sal é o principal alvo da atenção do general Jim Jones em visita oficial ao Brasil. Jones se mostra especialmente interessado em dimensionar a possível participação de companhias americanas nesse projeto. Em conversa, hoje, com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, Jones também pretende comparar dados divulgados pela imprensa sobre as reservas de petróleo do pré-sal com as estatísticas oficiais.”

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Puxa, não é reconfortante????

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Tio Rei acusou o golpe:

PARA ELES, SWIFT É SÓ UMA MARCA DE SALSICHA

sexta-feira, 31 de julho de 2009 | 18:59

Um blogueiro incapaz de escrever os próprios textos — é que está ocupado “prestando serviços” para seus senhores — reproduziu trecho de um post meu de ontem (POR QUE O BRASIL NÃO VOTA LOGO NUM “COMBO”? ) para tentar me caracterizar como racista, sexista, essas bobagens.

Até ele sabe que o texto é uma ironia. Mas aquela gente que o lê — ou que ele diz que lê — não sabe. E está idignada!!! Não liguem. O que eu vou fazer? Ele é louco por mim. É um caso de amor absolutamente não-correspondido. Não me refiro a ele aqui, não cito seu nome aqui, corto os comentários que o fazem. Acho que meu blog, assim, fica mais, sei lá, arejado! Mas ele não sai na minha aba. Ele me ama. E sabe que não posso retribuir a sua devoção.

Alguns comentaristas aqui acharam que ele se refere a mim.  Não creio.  Ele está falando do Nassif, que reproduziu aqui o mesmo texto que reproduzi neste post.  É ao Nassif que ele se refere comumente como “jornalista de serviços“, como por exemplo, neste post. De toda forma, tanto faz: afinal, Tio Rei tem a coragem de dizer que alguma outra pessoa não sabe escrever os próprios textos, quando ele, hoje, sábado dia 1 de agosto, postou 14 textos, sendo apenas 2 de própria pena, e um deles um mero aviso _ todos os outros são textos da Veja, do Estadão e da Folha de São Paulo. Mas a sandice continua:

Há gente, como eu, que escreve para quem sabe ou quer saber quem foi Swift. E há gente como ele, que escreve para quem pensa que Swift é só uma marca de salsicha e considera “de direita” quem sabe mais do que isso. São estágios distintos da civilização, porém contemporâneos. Parece que Homo sapiens chegou a conviver com alguns primos que ficaram pelo meio do caminho.”

Tio Rei, aqui, modestamente pretende comparar-se com Jonathan Swift, cônego em Dublin e panfletista político.  Ele até mesmo faz um link para o texto “Uma Proposta Modesta”, onde Swift faz uma sátira em forma de ensaio conclamando os irlandeses a resolverem o problema de sua pobreza lancinante vendendo suas crianças como comida para os ricos.  É chocante que a despeito disso, Tio Rei diga o seguinte:

Não entender que falta de preconceito mesmo é defender o homem universal, como fiz, e não o homem separado por categorias é não entender nada. Não é que lhes falte humor. O que lhes falta é informação, sensibilidade, inteligência, requinte intelectual. O QUE LHES FALTA, SANTO DEUS!, É BOTAR AS PATAS NUM LIVRO!!!”

Na verdade, só quem não pôs as patas, o rabo ou sequer a vista na obra de Swift ou, de fato,  em qualquer compêndio sobre literatura  é que pode ignorar a enorme diferença existente entre “sátira” e “ironia” _ e em particular entre o texto de Swift e o post de Reinaldo.  A obra “Uma Proposta Modesta” não é uma ironia, é uma sátira.  O texto de Reinaldo Azevedo é uma falácia que ele chama de ironia mas queria dizer que era uma sátira.  Ora, o texto do Tio Rei opera, como sempre, pela criação de um straw men: há uma diferença muito grande entre dizer que “o Brasil está preparado para ter uma mulher como Presidente” e dizer que “O Brasil tem que ter uma mulher como presidente“.  Porém, operando este estelionato, Reinaldo sente-se à vontade para dizer, então, que “Dilma não pode ser presidente“, porque a vitória de Dilma consagraria a idéia de que “uma mulher tem que ser presidente“.

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No mais, é interessante ver como Tio Rei se pretende revolucionário ao articular este discurso tão batido do “homem universal” que se satisfaz com a igualdade “em tese” mas de fato finge que há justiça em botar para competir na rinha de galo do capitalismo liberal, como iguais, os que estão desiguais.  Essa é a ética dos “homens livres” que preferem ver todos os problemas sociais resolvidos com… mais cadeia.  Na melhor das hipóteses.

Para ele e seus leitores, política social sadia é só uma marca de presunto.

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Em prol dos portadores de deficiência folicular

Tio Rei em sua melhor forma:

Por que não, então, um gay para suceder Lula? Branco ou preto? Esperem! Vamos fazer logo um “combo” de minorias. A candidata poderia ser mulher, negra e lésbica. E acho que a gente deve acumular experiências, incorporando qualidades de minorias passadas. Poderia ser mulher, negra, lésbica, meio analfabeta e eventualmente sem dedo. O “eneadactalismo” passaria a ser uma exigência para chegar ao topo.”

Pára com isso, Tio Rei.  A gente sabe que você quer mesmo é um careca-lá.  Um lídimo representante da sua própria minoria…

Tio Rei resolveu pentelhar a Dilma:

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ISSO É QUE É BOLSA FAMÍLIA!!!

Vejam a foto acima. Eu não entendo nada disso, mas uma amiga podre de chique jura que se trata de uma bolsa Kelly, da grife Hermès, criada em homenagem à princesa de Mônaco. É o objeto de desejo das ricas mundo afora. A bolsa custa 4.700 euros, uns R$ 14 mil, quase dois salários da ministra Dilma Rousseff. Mais imagens da Bolsa Kelly aqui.

Se você não tem essa grana toda para gastar numa bolsa, leitora, a Hermès não a deixou na mão. Permite que você baixe um arquivo da dita-cuja para copiá-la em… papel! (aqui).

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Material requentado:  isso aí já foi notícia em 11 de julho, no blog da socialite-turned-jornalista Claudia Ioschpe.  Novidade é a foto…provavelmente feita “sob encomenda”.

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O mais gozado é que por tudo que conheço das posições de Tio Rei sobre bolsas de luxo e bolsas-família, tenho a certeza de que ele é muito mais favorável à bolsa-sonegação.

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Aliás, uma profética matéria da Época em janeiro de 2004, sobre os proventos adicionais que alguns políticos e altos funcionários percebem por participar dos Conselhos de Administração das empresas estatais,  já explicava o negócio:

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Embora a popularidade de Obama tenha caído um pouco nos EUA, o que é meio inevitável em tempos de crise (mas sem perigo de chegar perto das taxas de impopularidade desta senhora que já foi a esperança da América profunda – 53%!), aparentemente ele está mesmo contribuindo para melhorar a imagem do seu país no resto do mundo.  Eis os resultados de uma pesquisa recente:

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Curioso notar como a imagem dos EUA não está tão melhor, ou às vezes até pior, em países árabes (apesar de também ter piorado em Israel).  Para alguém que os ressentidos insistem em chamar, com objetivos óbvios, de Barack Hussein, isto parece ser um tiro pelo culatra…

Êpa!

Entendeu agora ou quer colinho?

O leitor Carlos Sampaio me provoca a inteligência, ou o humor, com uma questão a propósito daquele post “Obama já era”

Engraçado que quando a ficha dos americanos começou a cair para o Bush (levando a popularidade dele a níveis recordes de tão baixa) você não disse nada… Você nunca disse “Bush já era”. Ou disse?

Respondo

Claro que não disse! Porque ele nunca chegou à condição do “já era”. Bush sempre foi considerado humano — não, melhor: abaixo do humano, quase um bicho. Obama estava acima do homem. E, no entanto, não está. O Obama que já era, aprenda a ler, rapaz, é o Obama como mito. Entendeu ou quer que o Tio Rei te pegue no colo?

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Eu, hein!

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Agora, parece que Tio Rei, no afã de erguer seu straw man de “obamasuperhomem”, se esquece do “day after 9/11“…

Tio Rei hoje, comentando o caso do professor negro preso por arrombar a própria casa nos EUA:

Um dos botões quentes da política a ser acionado quando a coisa aperta é e será sempre o racismo. E foi o que Obama fez ao esculhambar a Polícia por ter prendido um professor negro, confundido com um assaltante. Não por causa de sua cor, começa a ficar claro, mas porque ele arrombava a porta da própria casa. Uma vizinha acionou a polícia pensando ser um assaltante etc. Branco arrombando casa também é confundido com assaltante. A diferença é que o branco não tem o racismo a seu favor para intimidar as autoridades. Na versão endossada pelos politicamente corretos — não quer dizer que seja falsa por isso; mas também não quer dizer que seja naturalmente verdadeira —, o professor se identificou, mas o policial branco não quis nem saber: meteu o cara em cana. Na versão da polícia, que se dispõe a liberar uma gravação, não foi bem assim. O professor teria destratado o policial. Foi preso não por suspeita de arrombamento, depois da coisa esclarecida, mas por desacato. Um negro poder preso por desacato ou por qualquer outro motivo sem que seja racismo? Acho que sim, não?

É fantástico como nessas horas o mais veemente defensor dos direitos individuais da pessoa individual se transforma em um fascista dos mais baratos.

Quer dizer, eu estou tentando entrar na minha casa.  Aí o policial vem me prender porque eu estou tentando entrar na minha casa.  Aí eu xingo o policial, porque eu sei que se eu fosse branco o policial seria o primeiro a se oferecer a me ajudar a entrar em casa.  Aí eu vou preso por desacato.

Ô, raça.

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