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serracareca

é dos carecas que elas gostam mais

Nao sei porque, mas acho que essa ideia da Nariz nao vai dar certo…

Nariz Gelado, talvez nutrida por um profundo sentimento de solidariedade que seu apelido (pois é, apelido _ Nariz Gelado é uma blogueira anônima, mas nunca vi o Marcos Empresário de Juiz de Fora encher o saco dela por isso) enseja aos narizes vermelhos e cheios de coriza pelo Brasil afora, pisa no tomate:

Fracasso que mata

O Brasil é, hoje, o país com o maior número de mortes por gripe A no mundo.

Vou repetir: o Brasil é o país com o maior número de mortes por gripe A no mundo.

E nem adianta torturar os algarismos para apresentar o percentual de óbitos em relação à população de cada país porque isto não muda o fato de que, veja só!, o Brasil é o país com o maior número de mortes por gripe A no mundo.

É uma demonstração clara de que a política de combate à doença adotada pelo governo Lula fracassou. Fracasso que, só para deixar claro, permite que a gripe A mate mais no Brasil do que em qualquer outro lugar do mundo.”

Primeiro: o % de mortes em relação à população total faz sentido, sim, é claro.  Mas o que faz mais sentido ainda é comparar o avanço na letalidade, país a país, durante o inverno _ tenho certeza que o avanço da gripe A no Brasil neste inverno será menor do que no hemisfério norte no fim de 2009.

Agora, se é para chutar o pau da barraca…este é o quadro da doença, em óbitos por estado a estado:

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Em primeiro, em números absolutos, São Paulo, governado por José Serra, do PSDB.  Em segundo, o Paraná, governado por Roberto Requião, do PMDB.  E em terceiro, o Rio Grande do Sul, governado por Yeda Crusius, do PSDB.

Apenas São Paulo e Rio Grande do Sul são responsáveis por mais da metade de todos os casos.  Isso apesar de serem estados desenvolvidos e disporem das melhores redes de saúde do País.  A despeito disso, qual é a chamada mais importante no site da Secretaria de Saúde de São Paulo?

Vacinação faz rubéola ‘sumir’ de São Paulo

Nenhum caso de rubéola foi confirmado no Estado de São Paulo neste ano, segundo último balanço epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde. O resultado é fruto direto da campanha de vacinação contra a doença realizada em agosto e setembro de 2008.

Pois é, Nariz…é nisso que dá enfiar o dito cujo onde não se deve.

Nariz Gelado dá um pito em seus colegas de portal:

E porque não é coesa, porque discorda em várias questões, porque não consegue se unir para defender a honra de um safado qualquer – ou para abraçar idéias lançadas por jornalistas decadentes, como a existência de um PIG ou de um ‘dossiê da Veja’ – esta grande maioria oposicionista perde força e parece não existir. É uma espécie de oposição transparente – não pela lisura, mas por sua invisibilidade, que advém do fato de que seus componentes não servem nem aos partidos que se dizem de oposição, nem ao apetite da mídia por perfis caricatos.

Mas é fato que eles existem – e que, provavelmente, não se sentirão vitoriosos em 2010 porque não se sentem representados por nenhuma das opções apresentadas. Se parece – e apenas parece – que não existem é simplesmente porque ignorá-los é muito mais cômodo. Reforça o discurso de que todos – oposição e petismo – são iguais. Um discurso que, acho que eu nem preciso dizer, é petista – ainda que petista envergonhado.”

Eu francamente não sei porque ainda perco tempo lendo essas coisas mas…vá lá.

Fui no blog da Nariz Gelado ver as novidades da Vejosfera, e me deparo com um post onde ela avalia a candidatura de Marina Silva, comparando-a à de Lula:

É claro que Marina Silva tem menos chances em 2010 do que Lula tinha em 1989. Mas é inegável que boa parte do articulismo nacional já se deslumbrou com a hipótese de sua candidatura. E quando o articulismo nacional se deslumbra com algo, podem apostar que vem muita água sob aquela pedra que – mais dia, menos dia – acaba furando.

Foi assim com Lula.

Deslumbrada com a hipótese de um “presidente-operário”, a quase totalidade da imprensa nacional aderiu à causa sem se perguntar sobre a real ética por trás do discurso petista ou do quanto o tributarismo do partido aos métodos totalitários esquerdistas e o sindicalismo viciado do próprio Lula poderiam ser danosos para uma democracia recém conquistada. Nada disso. Fruto do esforço militante – mas também, em boa parte, do encantamento da imprensa nacional com a possibilidade de um operário ocupar a presidência -, passados treze anos desde sua primeira candidatura, Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto.” [grifo meu]

Eu me pergunto se Nariz e eu vivemos no mesmo país.  Ou planeta.  Ou Universo.  Ou sei lá qual o nome da categoria existencial achincalhada por tamanha derrisão.

Mas o mais legal é este trecho de um comentário a este post, onde o comentarista dá sua opinião sobre o Bolsa-Família.  Eu sei, eu sei que logo virão os trolls dizer que eu estou “tirando a frase do contexto” e tals, mas a idéia é essa mesmo _ desafio meus 4,5 leitores a imaginar qualquer “contexto” que conseguisse tornar essa frase moralmente palatável:

Infelizmente, não há homens de vergonha para que delas possam morrer, porém não faltam aqueles que se viciem nessa imoralidade. Essa escória, da qual infelizmente é formada a imensa maioria da população pobre do nosso país, garantirá a permanência no poder aos ladrões que hoje nos roubam para “distribuir” aos pobre.”

03___

(clique para ampliar)

Pois é, eu sou mesmo muito ingênuo.

Fiz um post, na maior inocência, insinuando que a foto acima (do site da Nariz, [aquela que se escandaliza com conversas em velórios] que tirou da Tia Cris, que tirou daqui) tinha sido bolada pela Playboy para aumentar a popularidade do presidente em tempos de sarneyzices, se é que aumentar o que já é grande é possível.

Pois o comentarista Rogério, lá na Nariz Gelado, diz o seguinte:

Eu conheço o Aran -diretor de redação da “Playboy” e nem um pouco fã do Lula. A chance de o “retrato da nação” ter sido proposital é considerável. Um beijo, querida.”

É mesmo provável.  Vejam a introdução do ensaio de Valesca na Playboy:

valescalulaplayboy

(clique para ampliar)

Bem, para quem não sabe, Getúlio e Virgínia Lane, uma vedete de revista, protagonizaram um tórrido romance, como podem ver neste trecho de um documentário (da Abril…):

(especialmente a partir dos 2:25 min)

Ou seja, a Playboy parece estar insinuando, não muito sutilmente, que Lula tem um caso com a Popozuda.

Além disso,  no site Reporternet tem uma entrevista com o Edson Aran (que, talvez por coincidência, talvez não, afirma na entrevista ter ido parar na Abril através do Curso Abril de Jornalismo – que é produzido para a Abril pelo pessoal do Master em Jornalismo, aquele curso do Carlos Alberto Di Franco, da Opus Dei). Eis o trecho da entrevista que dá autoridade à opinião do tal Rogério:

Repórter Net – Finalmente, se você tomasse o lugar do Lula, qual seria sua primeira medida de impacto?

Aran – Substituiria o Bolsa Família pelo Bolsa Cachaça. Todo maior de 18 anos poderia pegar diariamente uma garrafa de manguaça no posto mais próximo do INSS (ou posto de saúde). Assim todo mundo ficaria bêbado e eu seria reeleito quantas vezes quisesse. Bem, pra falar a verdade, isso não é muito diferente do que o próprio Lula está fazendo com o Bolsa Família…

A realidade política sugere que a continuar com esse seu ponto de vista, Aran, você rapidinho vai estar fazendo companhia à Valesca, independentemente da abastança do seu popozão.  Aliás, independentemente até dos resultados de 2010, já que o PSDB até mesmo reivindica a paternidade da idéia do “Bolsa Cachaça”.

***

Por sua vez, Nariz arremata:

A considerar as últimas pesquisas de popularidade, esta é a posição de 80% dos brasileiros em relação a Lula.

Estranho.  A julgar pela pose, eu diria que essa é a posição em que presumem estar os outros 20%.    🙂

O previsível, inevitável post de Nariz Gelado sobre a tragédia do vôo AF 447:

Tristeza que não acaba mais 

Que segunda-feira triste.

Não bastasse a tragédia do acidente, os familiares e amigos dos passageiros do vôo Air France ainda são alvo do despreparo das nossas “autoridades”.

Lula peca pelo mutismo. Deveria espelhar-se em Sarkozy e voltar de El Salvador para dar uma palavrinha com os familiares dos passageiros – cidadãos que, neste momento, estão vivendo horas muito angustiantes; talvez as mais angustiantes de suas vidas. Mas Lula sempre some nas tragédias – desconfio que ele teme associar-se a coisas ruins porque acredita que elas possam abalar sua alardeada popularidade. Lula só vai nas boas.

Na outra ponta, na ponta dos afobados, temos Sergio Cabral pecando por antecipação: o governador do Rio já declarou, em total desrespeito ao protocolo da situação, luto oficial de três dias.

Eu não sei quem orienta essa gente nestes momento. Mas os assessores deveriam ser demitidos.

Qualquer menino de 12 anos que goste de cinema – ou de séries de TV – sabe como um presidente e um governador devem se comportar num momento como esse.

***

Essa gente realmente não respeita nada nem ninguém.  Como o avião provavelmente caiu além das 200 milhas, inventam um jeito de censurar o governo porque, afinal, tudo é culpa do Lula, não é mesmo?

Ela fala em mutismo do Presidente, mas ele já se pronunciou.  Ela diz que Lula deveria reproduzir o comportamento do presidente francês, que abalou-se ao aeroporto, mas enquanto Sarkozy está na mesma cidade que o aeroporto Charles De Gaulle, Lula encontra-se em El Salvador, meio longe do Galeão.

Lula não é nenhum santo.  E aliás produz frases infelizes, como a de dizer que lamenta muito o acidente porque “é cristão”, como se os não-cristãos estivessem obrigados a festejar a queda de aviões.  Mas esse comportamento da anaerobicidade pátria também já é dose.

Sabem, eu tenho uma história triste pra contar.

Bom, vá lá, não é tão triste, é até engraçada, sob certo ponto de vista.

Quando eu tinha aí uns 17, 18 anos, tinha uma turma de amigos bem politizados no Rio.  Mas politizados assim de uma forma esquisita.  Havia, por exemplo, o Edson (todos os nomes são falsos, e tal), que passou para História na PUC e era brizolista.  E tinha o maior amigo dele, o Cleverson, que estudava, sei lá, não me lembro o que ele estudava.

O Cleverson era um cara engraçado, mas, digamos, não muito inteligente.  Ele também tinha um pendor por coisas do campo (aliás, acho que ele fez foi Veterinária).  Ele idealizava a vida no campo, para dizer a verdade: seu ideal era o do homem rústico e autosuficiente.  Como ele não era muito inteligente, não percebia que uma parte considerável das constantes visitas que a turma teimava em fazer à sua casa devia-se menos à sua popularidade do que ao fato de que ele tinha uma irmã adolescente mutcho gostosa, que todos gostávamos de espiar quando andava “inocentemente” de camisola pela casa.

Já o Edson era muito inteligente, e o que era pior, era dono daquele tipo de inteligência ardilosa, matreira, maliciosa, enfim, era um bom filho da puta.  E uma das coisas em que o Edson era realmente exímio era em manipular o pobre do Cleverson.

Bem, estávamos em pleno ano de 1980 e a Revolução Iraniana incendiava bandeiras americanas e as imaginações de algumas pessoas influenciáveis.  Uma delas foi o Cleverson, que achou o máximo o conceito de homens barbados unidos em torno de um ideal, que no caso, era vencer o Satã norte-americano.

[uma coisa que muitos de vocês não acreditarão é que nessa época eu formava na “ala da direita” dessa turma.  Eu aliás costumava ser brindado com a frase “ele é bacana mas é de direita” em inúmeras ocasiões, uma delas ao visitar a casa da namorada de um amigão que no momento em que a frase foi pronunciada (assim que cheguei)  servia de abrigo para uma confraternização de umas 10 arquitetas maravilhosas da Libelú.  Esse amigo adorava queimar meu filme]

Pois o Edson, o manipulador safado, fazia o curso de História nesse momento e tinha várias dúvidas sobre o que seria uma República Islâmica.  E ele achou um jeito extremamente seguro de sanar suas dúvidas, em um tempo em que não existia internet nem wikipedia: ele convenceu o Cleverson de que a Revolução Islâmica era uma coisa fantástica, sem precedentes, e que ele devia escrever umas cartas para o governo iraniano em Teerã fazendo inúmeras perguntas sobre o objetivo da Revolução, a forma de organização do novo governo, e tals.

O bacana da história é que o raio do governo iraniano realmente respondeu as cartas.  Havia algum iraniano sem o que fazer no governo que sabia português e respondia TODAS as cartas do meu amigo.  Isso foi surpreendente para várias pessoas, inclusive os amigos do Cleverson.  E também para os agentes do SNI que deviam ler as cartas com dedicada atenção, já que TODAS as cartas chegavam violadas, lacradas, e com o selo da Presidência da República (brasileira).  Não custa lembrar que em 1980 vivíamos ainda em um governo militar, que os loucos anaeróbicos hoje acham que era de esquerda, mas não era não.

Jamais saberemos se essas cartas, e a atenção das forças de segurança brasileiras, causaram algum problema para o Cleverson.  Mas o que sabemos é que ele se apaixonou tanto pela idéia que converteu-se ao Islã e foi morar em uma cidade da serra fluminense dedicado a levar uma vida rústica e penitente a Alá.

***

Perdi o Cleverson de vista há muito tempo, é claro.  Mas eu não me surpreenderia muito se fosse ele o protagonista desse post da Nariz Gelado:

(…)Pois me parece que hoje todos estes delírios, grandes e pequenos, devem calar diante do artigo de Jânio de Freitas para a Folha de S. Paulo. Porque ele dá conta de que foi preso, em São Paulo, um integrante da alta hierarquia da Al Qaeda.

Segundo Freitas, não consta que o sujeito estivesse planejando ações terroristas no Brasil. Mas a coisa toda – inclusive a prisão – corre em segredo porque “a importância do preso se revela no grau de sua responsabilidade operacional: o setor de comunicações internacionais da Al Qaeda”. Ele também observa que “tal atividade sugere provável relação entre recentes êxitos do FBI e a prisão aparentemente anterior feita em São Paulo. Há cinco dias, o FBI prendeu por antecipação os incumbidos de vários atentados iminentes nos Estados Unidos, inclusive em Nova York”. (assinantes podem ler a matéria completa aqui).

Infelizmente para a Nariz e o restante da excitável blogoseira anaeróbica brasileira, a coisa foi devidamente esclarecida em uma nota do Ministério Público:

Sobre a coluna de Jânio de Freitas, intitulada, “Al Qaeda no Brasil”, publicada hoje pela Folha de S. Paulo, o Ministério Público Federal em São Paulo esclarece que:

1) A Polícia Federal recebeu informações do FBI sobre a existência

de um fórum fechado da internet, publicado em língua árabe, com mensagens discriminatórias e anti-americanas. A PF tinha a informação de que parte dos conteúdos eram postados a partir do Brasil;

2) Após a quebra de sigilo telemático, foi confirmado que um

cidadão de origem árabe, residente no Brasil, era o moderador do fórum e que este poderia estar ligado a algum grupo terrorista;

3) Uma vez quebrado o endereço de IP do investigado, foi autorizada

a quebra de sigilo telemático, para interceptação das mensagens;

4) Após novas manifestações policiais, com a concordância do

Ministério Público Federal, foi decretada a prisão preventiva do investigado e a busca e apreensão dos computadores usados por ele;

5) A Polícia Federal, entretanto, até o momento, não apresentou

nenhum laudo que comprove a existência de conteúdo criptografado no computador do investigado e não foi comprovado que o homem preso em São Paulo, é membro de qualquer organização terrorista;

6) Foi juntado aos autos ofício do Federal Bureau of Investigation

(FBI, a Polícia Federal americana), no qual o FBI apenas pediu para receber informações sobre o caso para fins de inteligência;

7) A 4ª Vara Federal Criminal de São Paulo, decidiu que a prisão do

cidadão de origem árabe, após 21 dias, já não atendia mais os pressupostos legais para uma prisão preventiva. Foi consignado que o investigado vive em situação regular no país, com comércio e residência fixos em São Paulo, não possuindo pendência imigratória;

8) A investigação apontou que o fórum era organizado e possuía

estatuto e que nada era publicado sem autorização do homem preso, entretanto não há indício de que esse grupo integre ou tenha praticado qualquer ato de uma organização terrorista. Não foram apreendidas armas, documentos secretos, planos, etc;

9) O MPF entende como deplorável o material publicado pelos

integrantes do fórum e, por meio do Grupo de Combate a Crimes Cibernéticos, atua há anos contra crimes contra os Direitos Humanos na internet, como os crimes de ódio. Tais mensagens de incitação à violência, ódio a americanos e intolerância religiosa, continuam sob análise do Ministério Público Federal, de forma serena, em busca da verdade real dos fatos e da correta aplicação dos pressupostos de um Estado Democrático de Direito.

Razão pela qual tornam-se imediatamente clássicos de hilaridade involuntária certos posts escritos por anaeróbicos como Nariz Gelado:

O Brasil, como se sabe – e como o pessoal que ficou fulo da vida com aquela campanha do Burger King teima em negar – é o refúgio ideal para bandidos internacionais. E isto é assim desde que os nazistas vinham até aqui para se esconder. E é assim por motivos vários, que vão desde a malemolência das nossas autoridades, passando pelo total abandono das nossas fronteiras e culminando com a nossa alardeada diversidade étnica – o que permite que qualquer criatura, sem levantar a mínima suspeita, possa se passar por brasileiro. E o Bush, vejam só!, não tem culpa de que assim seja.”

lulaemarisacaras

Casco.

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Ferradura.

***

OK, já sei o que vão falar: afinal, Lula sempre criticou o comportamento das elites, enquanto Alckmin sempre esteve perfeitamente confortável com isso.  Bom, talvez.

Nariz Gelado revela à blogoseira que é macaca de auditório de Roberto Carlos. Comentando uma notícia do Noblat sobre duas esnobadas que o Rei teria dado em Lula, Nariz confessa que Roberto é mesmo uma brasa, mora:

Não tenho um só disco do Roberto em casa. Mas até curto, talvez pela nostalgia aguda característica do Natal, aquele especial de final de ano – e sei de gente muito jovem que, depois de ir forçada a um show do rei, acabou virando fã.

Mas nada disso vem ao caso. O RC ganhou pontos comigo simplesmente por negar-se a uma aproximação com o poder executivo – coisa a que pouquíssimos artistas do cenário tupiniquim resistem. Desconfio que a maioria não se aboleta por lá simplesmente porque não recebe convite.

Ok, eu até admito que o fato deste poder estar, no momento, ocupado por gente que, para dizer o mínimo, não me é simpática pesa na análise do episódio. Também confesso que, fora aquela música composta para um Caetano Veloso exilado, nada sei do comportamento do RC durante a ditadura. Macomunou-se com os militares? Não sei. O que sei é que ele, cantor das massas, teve agora um gesto digno dos grandes artistas – pediu distância do poder político. O Rei está vivo. Viva o Rei!

Bah, faltou pesquisar um pouco:

Brasília – O cantor e compositor Roberto Carlos foi homenageado hoje pelo presidente Fernando Henrique Cardoso com a medalha da Ordem Nacional do Mérito Cultural, no Palácio da Alvorada, um dos últimos atos de Fernando Henrique como presidente da República.

“Eu não queria sair do governo sem fazer essa homenagem. Eu desejo que você continue a ser quem é: uma pessoa simples. Essa condecoração engrandece ao povo que é quem a dá. Você, sem ela, já representa tudo que nós amamos no nosso país e por isso queria expressar, em nome do povo brasileiro, o que você faz, que é alegrar a todos com a sua música, que com simplicidade toca o coração de todos”, agradeceu Fernando Henrique, que recebeu do cantor uma coletânea de suas principais músicas.

(…)

“Eu não sou muito de falar. Para mim é uma honra e uma alegria enorme estar recebendo essa homenagem”, disse Roberto Carlos, acrescentando que “nós não podemos esquecer as coisas que uma pessoa faz em benefício do povo, como o presidente Fernando Henrique fez“. O cantor desejou, ainda, boa sorte ao novo governo. “Desejo que o próximo governante do Brasil faça um ótimo governo. Acho que todo devemos apoiá-lo naquilo que podemos e que concordamos”, concluiu Roberto Carlos.” [grifo meu]

Detalhe: a notícia é de 27 de dezembro de 2002…

Para quem já acompanhou este assunto: gostaria de saber o que Reinaldo Azevedo diria disto.

E isto aqui, que foi onde eu descobri o segundo link, é melhor ainda.

***

Para não dizerem que não falei de flores, o Mankiw respondeu ao segundo link.

Nariz Gelado comentando a pane do Sitemeter vs Microsoft Internet Explorer:

Não sou muito afeita a teorias da conspiração. Mas tem toda a cara de ser um protesto dos morrinhas anti-globalização, ou qualquer coisa do gênero, contra o recém aposentado Bill Gates.

Quer dizer, os adeptos do open source, que ela parece equacionar, sabe deus porquê, ao movimento anti-globalização, agora são responsáveis pelos problemas do Sitemeter (pois parece ter sido esse o caso segundo nota do blog da empresa).

Ainda bem que ela não é afeita a teorias da conspiração.  Imaginem se fosse.

Eu às vezes até concordo com a Nariz Gelado.

E lá vem Nariz Gelado de novo com aquela história sobre o lado político da crítica à cobertura que a imprensa vem fazendo a certos casos, como o da menina Isabella ou o da sogra do Cid Gomes:

Finalmente, ali estava aquilo que venho apontando há dias: Lula se ressente, e muito, sempre que algum fato atrai a atenção da mídia para longe de si e da pauta positiva que ele, seus assessores e militantes tentam, via de regra, nos impor: “[não é correto o Estado] aparecer cinco dias consecutivos na televisão por causa da sua sogra”. (…) “Tem coisa muito mais importante – não que a sogra não seja importante – que você faz e que nunca apareceu nacionalmente”.

Percebem? É o apogeu de uma receita discursiva tão simplória quanto eficiente, que apresenta naturaliza vícios de conduta e humaniza pecadores. Enquanto esta conversa colar – e não for combatida com igual talento – ele seguirá surfando sozinho.

Pergunto: se o eneadáctilo viesse a público jogar mais carvão no fogo que queima os Nardoni, ou na fogueira de qualquer outra notícia cujas chamas ora estejam consumindo o noticiário, não viriam imediatamente as flâmulas da anaerobicidade acusá-lo de jogar uma cortina de fumaça no caso do dossiê no Planalto?  Quando alguém está errado, não importa o que faça, é mais provável que interesses ocultos estejam na mente do acusador, pois não?

Nariz Gelado me impressiona.

Reinaldo Azevedo, sabemos, é reservoir dog dos Civita. Um jornalista de aluguel a soldo de uma causa. A ele, podemos permitir licenças, se não propriamente poéticas, patéticas.

Já a Nariz me dá a impressão de que realmente acredita no que escreve. A última, sobre os petistas que estão rejubilando-se com os índices de popularidade do eneadáctilo:

Todo mundo sabe que eles só estão ganhando o jogo porque sempre burlam – pra ficar num termo suave – as regras.

Ora, Nariz, se e quando o Eneadáctilo fizer aportar no Congresso uma proposta de emenda constitucional autorizando um terceiro mandato, lembre-se de que só aí ele estará empatando com o Príncipe dos Sociólogos…vê se pega mais leve!

Mas prejudica. Nariz Gelado, ontem:

Magoou

Na terça-feira, eu disse que a bronca – predominantemente da esquerda – com a visibilidade do Caso Isabella se dava porque a cobertura do mesmo estava roubando espaço de Lula na mídia.
Não deu outra.
Hoje, o próprio veio a público queixar-se de pirotecnia por parte da imprensa. A justificativa´foi a mesma reservada aos companheiros encrencados: aquele bom e velho, agora tão bem definido por Jabor, linchamento das evidências – nada foi provado, não podemos condenar antecipadamente, etc e tal .
Tanto quanto das outras vezes, a ladainha não me convenceu. Na verdade, ele está contrariado porque perdeu espaço na mídia.

***

É a arte de juntar o preconceito ao “wishful thinking“…

***

Nariz também está propondo uma campanha para celebrar os 20 anos da Constituição de 1988, adotando o criativo slogan “Censura Nunca Mais”.  Tipo assim:

Outro dia, afirmei que, ao contrário de 1968, que culminaria com o AI5, o ano a ser comemorado é 1988. Porque me parece óbvio que o retorno do país à democracia, mediante a promulgação de uma Carta Magna que nos devolveu os direitos individuais e acabou com a censura, é muito mais digno de nota.

Mas, talvez porque a Constituição de 1988 tenha, ao longo do tempo, apresentado inúmeros problemas; talvez porque tornou-se lugar-comum entre os economista falar da década de oitenta como “década perdida”, esta efeméride parece que vai passar em branco – suplantada, simbolicamente, nos meios intelectuais, pelo aniversário de 40 anos da passeata dos 100 mil.

Não neste blog.” (grifo meu)

Realmente, parece que ninguém pensou nisso antes.  Aliás, nem no slogan

Nariz Gelado, ontem:

Suplicynico

Eu acabo de ver Eduardo Suplicy pedir por um entendimento entre governo Chinês e rebeldes tibetanos. Parecia, o senador, muito preocupado em proteger o lado tibetano – é um papel, este de defensor dos fracos e oprimidos, que ele sempre se apressa em representar.

Ocorre que, salvo engano meu, em 2004 o governo que Suplicy representa no Senado Federal reconheceu a soberania da China sobre o Tibet – e o fez em troca de um hipotético apoio para uma hipotética cadeira no Conselho de Segurança da ONU.

Do site Global Security:

The United States, along with every other nation, considers Tibet to be a part of China. This policy appears to be consistent with that of the Dalai Lama, who has expressly disclaimed any intention to seek sovereignty or right of nationhood for Tibet, but rather wishes for greater autonomy within China.

Subsequent to 1980, the executive branch has consistently embraced the position that Tibet is part of China, rather than an independent foreign state. See Press Availability by President Clinton and President Jiang, 1998 WL 345136, at *11 (June 27, 1998) (expressing President Clinton’s “agree[ment] that Tibet is a part of China, an autonomous region of China”); The President’s News Conference with President Jiang Zemin of China, 2 Pub. Papers of William J. Clinton 1445, 1452 (1997) (expressing United States commitment that there will be “no attempt to sever Tibet from China”); Department of State, 105th Cong., Country Reports on Human Rights Practices for 1996, at 640 (Joint Comm. Print 1997) (“The United States recognizes the Tibet Autonomous Region . . . to be part of the People’s Republic of China.”); Human Rights in Tibet: Hearing Before the Subcomms. on Human Rights and International Organizations, and on Asian and Pacific Affairs of the House Comm. on Foreign Affairs, 100th Cong. 33 (1987) (statement of Ambassador J. Stapleton Roy, Deputy Assistant Secretary of State) (“[T]he United States Government considers Tibet to be a part of China and does not in any way recognize the Tibetan government in exile that the Dalai Lama claims to head.”); Statement on Signing the Export-Import Bank Act Amendments of 1986, 2 Pub. Papers of Ronald Reagan 1390, 1391 (1986) (“1986 Signing Statement”) (“The United States recognizes Tibet as part of the People’s Republic of China.”).

Acho que a Nariz está fazendo confusão. Em 2004, o Brasil e a China assinaram o “Memorando de Entendimento entre a República Popular da China e a República Federativa do Brasil Sobre o Estabelecimento da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação“. Nesse memorando, entre outros detalhes de cooperação comercial, cultural, científica e tecnológica, o Brasil reconheceu o status de “economia de mercado” à China, e também ratificou sua adesão ao princípio da “uma China”. Este princípio, que é sagrado para o governo chinês, é aquele que estabelece que a única China é a China continental, e que Taiwan, Macau e Goa Hong Kong (hoje incorporada) fazem parte da República Popular da China. O memorando, até onde sei, é silente sobre a questão do Tibete.

Parece que quem quis assumir a defesa dos fracos e oprimidos aí foi a Nariz…

Nariz Gelado hoje:

Cachorro e menino mordem jornalistas

Há uma certa agitação entre os blogues-de-jornalistas-famosos.
Bastou um ser demitido para que o restante caísse numa espécie de, sei lá, egotrip da categoria.
Uns tripudiaram. Outros utilizaram o estilo obituário para comemorar discretamente.
Houve até um que, indignado e em total solidariedade, pediu pra sair. E há aquele que sumiu porque, dizem, vem mais bilhete azul por aí.
E eu com isso?
Nada , não. Fico só encantada com a coleção de vaidades e maldades.

Bom, o post teria ficado muito mais interessante se ela tivesse colocado os links dos blogueiros a que ela se refere. Para ajudá-la nesse mister, eu mesmo coloquei os links que me ocorreram _ os outros eu não sei quem são.

Hermenauta, em mais um serviço de utilidade pública.

Na Nariz Gelado, hoje:

analfa.jpg

Estamos perdidos: enquanto a Situação é fétida, a Oposição é analfabeta.

A notícia, lá no Noblat:

Juíza autoriza invasão de apartamento de ACM na Bahia

Dois oficiais de Justiça, acompanhados por dois capitães da Polícia Militar da Bahia, um tenente, seis soldados e quatro advogados do empresário César Mata Pires, dono da construtora OAS, estão há mais de três horas dentro do apartamento do ex-senador Antonio Carlos Magalhães, no bairro da Graça, em Salvador, ocupados em listar todos os objetos ali existentes.

Mata Pires é marido de Teresa, filha de ACM. Com o apoio da mulher, ele briga na Justiça por parcela expressiva dos bens deixados pelo sogro que morreu em julho último. A ação policial foi autorizada por Fabiana Andrea Almeida Oliveira Pellegrino, juíza auxiliar da 14a. Vara da Família, e mulher do deputado federal Nelson Pellegrino, do PT.

Como não havia ninguém no apartamento na hora em que os oficiais de Justiça ali chegaram, a porta foi aberta com a ajuda de dois chaveiros. A juíza mandara, ontem, citar a viúva de ACM, dona Arlete, 78 anos de idade, cardíaca, vítima de um infarto há dois anos. Concedeu-lhe um prazo de 48 horas para oferecer todas as informações pedidas por Mata Pires.

Dona Arlete não estava em casa quando um oficial de justiça a procurou. Antes que o prazo de 48 horas se esgotasse, a juíza ordenou a invasão do apartamento. Funcionários e três carros da OAS foram postos por Mata Pires à disposição dos oficiais de justiça e dos policiais. Há pouco, o próprio motorista particular de Mata Pires voltou de uma loja do MacDonald´s trazendo sanduíches para todos eles.

Depois da morte de ACM, Mata Pires tentou ficar à frente da TV Bahia, a jóia da coroa do império de comunicação montado pelo ex-senador. Não conseguiu diante da oposição dos demais herdeiros de ACM – o atual senador Antonio Carlos Magalhães Júnior e os filhos do ex-deputado Luiz Eduardo Magalhães. Mata Pires não se conformou. E entrou com uma série de ações na Justiça.

O update do Noblat:

Atualização das 17h29 – Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB no Senado, criticou há pouco a invasão do apartamento do ex-senador Antonio Carlos Magalhães: “É um absurdo que uma juíza, mulher de um deputado do PT, não se considere impedida de autorizar uma ação como essa. O Senado está obrigado a manifestar sua solidariedade à família do ex-senador”. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que se está “diante de um escândalo“.

A reação de Nariz Gelado:

A classe operária chega ao paraíso

Um petista permitindo a invasão de propriedade privada dos Magalhães e impedindo que a viúva de ACM entre em casa. Foi assim, numa tarde de terça-feira, que a classe operária nacional – aquela do botox e Blue Label com guaraná – chegou ao paraíso.
No momento, aquilo que usamos chamar de oposição, se mostra escandalizada no Senado. Nem todos são sinceros nisso – alguns estão apenas querendo atrapalhar a Ordem do Dia. Dentre os sinceros, porém, há aqueles realmente apavorados: jamais acreditaram nos sonhos comunistas da corja que nos governa – e muito menos que eles começariam a realizá-los pelos bens dos próprios senadores.

OK. Eu não sou advogado, então não posso dizer se o procedimento autorizado pela juíza é inédito ou usual. Arresto de bens, por exemplo, é algo cotidianamente autorizado por juízes e executado por oficiais de justiça. No caso parece mais tratar-se de que a parte não tem acesso ao inventário dos bens da outra parte e pleiteou na Justiça o direito de obter tais informações, o que me parece razoável no mérito, independente de saber se há realmente direitos contrariados no caso ou não.

No entanto:

a) me parece desusado dizer que um juiz, por ser cônjuge de alguém que participa de partido político, está impedido de julgar casos que a rigor nada têm a ver com o seu cônjuge. Onde está o vínculo mostrando as vantagens da invasão do apartamento para Nelson Pellegrino? Claro, uma acusação de corrupção, por exemplo, se Mata Pires estivesse pagando à juíza pela decisão, seria outra coisa. Mas o motivo alegado me parece pra lá de insubsistente _ principalmente porque, afinal, quem move a ação é parte da própria família de ACM.

b) também parece claro que o que Arthur Virgílio está de fato fazendo é tentar provocar o sentimento corporativo do Senado _ como se seus componentes estivessem acima do alcance da lei.

c) acho estranho que Nariz Gelado embarque nessa sem saber dos detalhes _ justo ela que vem se revelando um talento na defesa da moralidade e da ética no Congresso. Nesse caso, seria bom pesquisar como a família Magalhães amealhou as riquezas ora disputadas a golpes de advocacia audaz pelos vorazes herdeiros. Afinal, o patriarca Antônio Carlos Magalhães sempre se pautou por métodos heterodoxos na defesa de seus interesses _ como no caso do esquema dos grampos telefônicos na Bahia:

De acordo com a revista, no dia 30 de janeiro, o repórter Luís Cláudio Cunha procurou ACM em busca de informações sobre um suposto envolvimento de Geddel Vieira Lima com uma empreiteira de Minas Gerais. O senador disse que sobre esse caso nada sabia. ‘‘Mas eu tenho uma coisa melhor do Geddel’’, respondeu, segundo IstoÉ, com um sorriso maroto. Era um documento, batizado de ‘‘Relatório Confidencial’’, que continha uma descrição de trechos de conversas de Geddel com várias pessoas, entre elas o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (para entender melhor o caso, leia quadro ao lado).

‘‘O que eu vou lhe dizer, você não pode publicar. Eu mandei grampear o Geddel’’, disse ACM ao repórter de IstoÉ. ‘‘Gravei quase 200 horas de conversas vergonhosas dele, inclusive com o presidente da República’’, continuou. De acordo com a revista, ACM explicou que não tinha mais as gravações. Elas teriam sido apagadas, disse ele a Luís Cláudio. Restava, portanto, apenas o relatório com algumas degravações. Luís Cláudio pediu para ver o material. ‘‘Não. Isso aqui é um crime. Não posso lhe mostrar’’, respondeu o senador.

O repórter de IstoÉ insistiu que as degravações poderiam valer como informações para iniciar um trabalho de investigação jornalística. Foi apenas assim que ACM concordou em entregar o material. Há duas semanas, a revista não cumpriu o prometido: publicou o conteúdo de alguns trechos do relatório entregue por ACM.

A revista argumenta que a descoberta de que as degravações eram parte de um imenso esquema de escuta ilegal na Bahia levaram à decisão de quebrar o compromisso assumido com o senador. E também foi pela gravidade do episódio que a revista resolveu contar esta semana, quase um mês depois, que ACM, naquela ocasião, admitira ter mandado fazer o grampo.

De fato a ética passava ao largo da atuação do cacique baiano.  Aliás, o escândalo do grampo começou de maneira pouco nobre _ a motivação inicial do ilícito era o fato de que ACM queria vigiar “sua namorada”, na verdade uma moça que tivera um caso com ele e lhe dera um pé na bunda para ficar com outro sujeito.  Sem muita consideração pela mesma pobre viúva tão imageticamente representada no post do Noblat, o senador baiano mandou grampear a ex-namorada e seu novo affair para tentar convencê-la de que o novo namorado “era um canalha” (sic).  E aproveitou o ensejo e as economias de escala existentes no ato de grampear para botar escutas ilícitas em vários adversários.

Falando nisso, no que diz respeito a ACM Nelson Pellegrino pode posar mais como vítima do que como algoz. Diz a mesma matéria do Correio Braziliense sobre os grampos:

ADVERSÁRIOS
O esquema iniciou-se pegando carona em um pedido de quebra de sigilo telefônico para investigar um caso de seqüestro na cidade de Itapetinga. No pedido, foram incluídos os números de adversários políticos de ACM — além de Geddel, o líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino (BA), e o ex-deputado Benito Gama (PMDB-BA).

Eu bem que avisei.  Duas vezes.  Agora não adianta chorar

É hoje que a Nariz Gelado tem um treco:

– Podem buscar outro parceiro?

Por que não podemos caminhar com uma candidatura do chamado bloquinho PSB, PDT e PC do B?

– O candidato desse bloco é o Ciro Gomes. Tem jogo?

Por que não? Nós não apoiamos a candidatura do Aldo Rebelo [PCdoB-SP] para a presidência da Câmara? Se o PSDB se reserva o direito de sentar na mesa com o PT, em Belo Horizonte; com o PV, no Rio, por que não posso me sentar para conversar com o Aldo e o pessoal desse bloco? A nossa origem, do meu pai [César Maia] e minha, é o PDT. Eu tinha uma foto do Brizola no meu quarto. Alguns dos nossos já apoiaram o Ciro na penúltima eleição. Quando ele briga, é uma preocupação. Mas não se pode desconhecer que é um quadro respeitável. Foi ministro da Fazenda, foi governador de Estado, tem uma história que caminha da direita para a esquerda. Certamente tem algumas posições que convergem com as nossas.

– Há algo concreto?

Tenho uma conversa permanente com o Aldo. Mas é um diálogo parlamentar, não eleitoral. Ele reconhece que o DEM lhe deu suporte na Câmara. Se fizemos essa aliança parlamentar e se tivemos da parte dele um respeito que, em certos momentos, não temos do PSDB, pergunto: por que me recusaria a sentar nessa mesa?

– Qual é a probabilidade de uma coisa dessas acontecer?

Hoje, há 70% de probabilidade de termos uma candidatura própria à presidência; 20% de apoiarmos um candidato do PSDB; e 10% de chances de fazermos uma composição com o Ciro.

 

Quem é esse aí?  É o Rodrigo Maia, falando sobre as opções…do DEM!

***

Esse negócio aí do DEM “procurar outro parceiro” jogou novas luzes sobre o affair Tio Rei vs. Gerald Thomas.

Nariz Gelado tem um post instando ao DEM que, diante da provável impossibilidade do partido consumar a aliança com o PSDB para a eleição do prefeito de São Paulo em torno do nome de Gilberto Kassab, não vá consumir seu “capital político” aliando-se a partidos de mais baixa extração:

Porque, se é verdade que o DEM se renovou neste último ano, o PSDB só fez piorar.(…)

Para o recém-reformado DEM, no entanto, a coisa é diferente. Se, por um lado, apresentar uma candidatura própria pode colaborar para a boa imagem do partido, por outro, unir-se a gente de imagem duvidosa para ganhar esta eleição pode ser fatal. Basta uma aliança errada, um passo em falso, para que o partido perca todo o bom trabalho realizado neste último ano. Os programas de rádio e televisão, o esforço para lançar a imagem de um partido realmente oposicionista, coeso e firme no combate à corrupção – e à derrama promovida pelo governo Lula – pode simplesmente se perder.

Interessante esse discurso.  Aparentemente, o partido de herdeiros políticos como o filho de César Maia, o filho de Jorge Bornhausen e o neto de Antonio Carlos Magalhães, por algum motivo milagroso, deixou de ser o PFL fisiológico que sempre foi, como se pode ver nesta notícia de dez anos atrás:

FH vai criar mais dois ministérios

Cátia Seabra e Cristiane Jungblut
BRASÍLIA
Disposto a anunciar seu Ministério até quarta-feira, o presidente Fernando Henrique Cardoso já tem duas escolhas confirmadas: Euclides Scalco para a Secretaria de Governo e Élcio Álvares (PFL-ES) para a Defesa. Mas, ainda com dificuldades para acomodar a base, o presidente pretende criar dois novos ministérios. O de Desenvolvimento Urbano – dedicado a habitação e saneamento – que seria destinado ao PFL, e o de Turismo e Esportes, que ficaria como o PSDB. O primeiro compensaria o PFL pela decisão de entregar aos tucanos o superministério do Desenvolvimento, para o qual Fernando Henrique insiste na escolha de Luiz Carlos ou de José Roberto Mendonça de Barros. (…)

O Desenvolvimento Urbano seria montado sob medida para Rafael Grecca (PFL), indicado pelo governador do Paraná, Jaime Lerner, para o Ministério. O nome de Grecca foi apresentado sábado pelo presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC), que reivindica uma vaga para o PFL do Sul. (…)

Para a Defesa, a escolha de Élcio é tida como demonstração de gratidão por seu trabalho como líder do Governo no Senado. Mas a escolha recebeu o aval de caciques do PFL, como o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Apesar de Élcio ter perdido a eleição para senador no Espírito Santo para o tucano Paulo Hartung, Fernando Henrique disse a amigos que abriria uma exceção à regra de não nomear derrotados para o primeiro escalão. (…) No PFL, estão acertadas a permanência de Waldeck Ornelas na Previdência e a ida de José Jorge (PE) para Ciência e Tecnologia, além de Sarney Filho para o Meio Ambiente. O nome de Grecca, porém, sofre resistência no PFL baiano. Foi por isso que o presidente acabou fazendo o que não queria: ampliou o número de novos ministérios.”

E, para quem acha que esse comportamento está perdido no longínquo passado pefelista, é bom botar as barbas e os narizes de molho:

PFL quer cargos no governo e diz estar pronto para o diálogo com Maggi

Data: 04/10/2006

Local: Cuiabá – MT

Com o respaldo de ter feito um senador e cinco deputados estaduais, o PFL vai exigir uma maior participação no segundo governo de Blairo Maggi (PPS).  É o que ficou definido na reunião da manhã desta quinta-feira, no diretório estadual do partido, que confirmou também apoio a Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência da República no segundo turno das eleições marcadas para o dia 29.

Na reunião que contou com o caciques do partido e os deputados eleitos que tomam posse em primeiro de janeiro, um assunto foi bastante abordado: a força que o partido terá a partir de agora nas negociações com o governador Blairo Maggi para a composição de seu segundo mandato.

O presidente estadual do partido, Oscar Ribeiro, não escondeu que o PFL vai exigir uma participação especial, de acordo com o rendimento que teve nas urnas e com a importância que teve em ajudar a coligação Mato Grosso Unido e Justo em fazer a maioria na Assembléia Legislativa.  “Não há dúvidas de que iremos mostrar a nossa força e exigir uma participação maior no governo.  Fomos importantes dentro do projeto do governador.  Portanto, merecemos respeito”, disse.  Oscar Ribeiro esclareceu ainda que está aguardando apenas o chamamento do governador Blairo Maggi para iniciar as conversações sobre a formação do secretariado para o segundo mandado.  Mas ressaltou que querem ser respeitados nesta negociação.

Gente como Nariz Gelado parece apostar na célebre memória curta do brasileiro.  Felizmente, a internet alarga um pouco o buffer…

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