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Deu no Slashdot:

“”India plans to launch its first manned space mission in 2016, moving to become the fourth nation to put a man in space. Space scientists and senior officials of the state-run ISRO are preparing a pre-project report to build the infrastructure and facilities for the mission, estimated to cost a $2.76 billion. ‘We are planning a human space flight in 2016, with two astronauts who will spend seven days in the Earth’s lower orbit,’ Radhakrishnan told reporters at ISRO headquarters in Bangalore. In September, India’s Chandrayaan-1 satellite discovered water on the moon, boosting India’s credibility among established space-faring nations.

Agora uns dados tirados do CIA Factbook:


Brasil no “Doing Business”: 129

India no “Doing Business”: 133


Let the fight begin.


Na onda de tentar cobrir todos os aspectos possíveis da pendenga entre o Google e a China, o Financial Times produziu uma matéria que contém afirmativas curiosas.  Por exemplo, procurando explicar a singularidade da internet chinesa, a matéria diz o seguinte:

Google itself took years to find out that Baidu – its Chinese rival, which has more than 60 per cent of the domestic market in online search – offered a search box formatted in a way much better suited to Chinese characters than its own. The US company was also slow to tackle one of Baidu’s main strengths in attracting user traffic: its free music download service. Only last year did Google launch an equivalent.

OK, isso é algo que eu posso admitir.  A língua escrita realmente é um problema devido aos caracteres chineses.

One reason for these difficulties is that US companies took a long time to realise that Chinese people use the web differently from their counterparts in other markets. Simply put, they tend to roam the web like a huge playground, whereas Europeans and Americans are more likely to use it as a gigantic library. Recent research by the McKinsey consultancy suggests Chinese users spend most of their time online on entertainment while their European peers are much more focused on work.”

Financial Times, Brasil.  Brasil, Financial Times.

Sério, isso não deveria ser um problema para ninguém, a internet é plástica a ponto de admitir todos os tipos de usos, e o Brasil, onde os internautas têm comportamento similar, não é um problema para as empresas estrangeiras, não é mesmo?

Behind this difference is the fact that Chinese internet users are comparatively young, poor and less educated – a result of the fact that the country is moving online at the same rapid pace as it is expanding its economy. According to China Internet Network Information Center, 61.5 per cent of users are below the age of 29, and only 12.1 per cent have a university degree or higher. Some 42.5 per cent have a monthly income of Rmb1,000 ($146, €102, £89) or less. As the government is encouraging rural computer and handset sales, and mobile operators move beyond saturated urban markets in search of new subscribers, even larger numbers of low-income users are expected to join in the years ahead.”

Financial Times, Brasil.  Brasil, Financial Times.

Beyond aesthetics, Chinese web users are much more lively than their western peers – a characteristic that forms consumption preferences. “The amount of comments posted per user in China is double that of other geographies,” says Dan Harple of GyPSii, a mobile social networking application that allows users to post recommended places and events, and comment on them. One Chinese GyPSii user posted 300 places and 7,000 comments within a few months.

Financial Times, Orkut Brasil.  Brasil, Financial Times.

O que está havendo com o jornalismo de negócios?

Na Wired:

Pumzi, Kenya’s first science fiction film, imagines a dystopian future 35 years after water wars have torn the world apart. East African survivors of the ecological devastation remain locked away in contained communities, but a young woman in possession of a germinating seed struggles against the governing council to bring the plant to Earth’s ruined surface.


Like recent standouts District 9 and Sleep Dealer, the short film taps into Third World realities and spins them forward for dramatic effect. But to produce Pumzi, Kahiu looked to the past, as well as the future.” [grifo meu]


Isso me lembra desse artigo sobre a necessidade da ficção científica:

We live in a world that is incredibly frightening for a growing portion of the population because of the exponential rate of change and development we are experiencing. (…). Our world is changing so fast now that we often don’t have time to contemplate the full ramification that come with the increasingly rapid adoption of new technologies and social changes. Most often this is simply because these changes are being introduced almost one after another after another without any time to breath. Speculative fiction however, if widely adopted makes it almost instinctive that we think about these situations and possible outcomes before they even arise. It puts our brains into a future simulator of sorts where we are running through countless of possible outcomes for our society every week, culminating to subconscious database of sorts of ‘what if’ scenarios that we carry around with us. Without this database in our heads we blindly charge forward through the jungle of our progress without any regard of potential cliffs that lay ahead until it is too late.

Isso me faz pensar sobre as razões pelas quais o Brasil não produz ficção científica de nenhuma espécie, nem no audiovisual, nem na literatura.  Será que é porque abdicamos de pensar o futuro?  Talvez.

E como vocês já devem estar carecas de saber, o NYT anunciou que vai para trás de uma paywall em 2011.

Os detalhes não são claros; aparentemente, haverá um controle por IP, de forma que leitores infrequentes poderão acessar gratuitamente algumas matérias, enquanto os mais frequentes terão que pagar uma taxa fixa por acesso ilimitado _ os assinantes do jornal impresso também terão acesso ilimitado [esse esquema me parece similar ao do Financial Times _ mais sobre isso abaixo].

O The Atlantic traz uma lista de análises que já estão circulando na rede.

Felix Salmon acha que isso alienará ainda mais leitores do jornal.  Ele crê que a maioria dos leitores do site do NYT chegam até lá via blogueiros, mas que com o paywall os blogueiros pararão de fazer links para o NYT, o que reduzirá o número de page-views do site.

Será que isso é verdade?  Como leitor, eu entro todo dia no site a partir dos meus favoritos.  Como blogueiro, eu sempre coloco os links das matérias que cito, mesmo as que estejam atrás de paywalls, como as matérias da Folha e do Valor.  Mas pode ser que eu seja uma exceção, não sei.

Em todo caso vamos ver o que acontece com os blogs do NYT (onde entra, por exemplo, o Paul Krugman).   Felix Salmon lembra que hoje em dia não existe exemplo de blog bem sucedido atrás de uma paywall…

Zach Seward, do Wall Street Journal, disse no Twitter que os investidores estão inseguros quanto à essa nova estratégia, pelo que se depreende do comportamento das ações do NYT após o anúncio.

Mais interessante, a Slate, que também tem uma matéria sobre a paywall do NYT, mostra um site que ensina como preparar um cookie para burlar o paywall do Financial Times.

E ho ho, funciona.  O que me permitiu acessar a coluna de John Gapper no FT falando sobre o mesmo assunto.  Do ponto de vista econômico, no trade-off entre receitas de assinaturas e de publicidade, o que parece estar acontecendo é que após um primeiro momento onde a receita de publicidade subiu, ela começou a baixar dada a competição dos diversos outros empreendimentos na rede (sites agregadores, sites de busca, portais, mesmo blogs).  Daí não restar mesmo outra opção aos jornais.

Gapper lembra também que o Wall Street Journal e o FT vão muito bem obrigado com seus modelos de assinatura, embora essa seja uma comparação talvez pouco válida já que estes jornais se beneficiam de possuir um público corporativo, pouco sensível a preços (ao menos nessa região de preços).

Entretanto, mesmo Gapper acredita que o que é válido para grandes brands não será necessariamente válido para o jornal generalista da esquina:

Nothing will save a lot of general newspapers. They thrived for a time on local or regional advertising monopolies and, now that Craigslist and other advertising aggregators exist, are finished. They do not produce anything valuable enough to survive the transition.

Perhaps commodity general news is now so widely available that even a true premium provider cannot charge. But I don’t believe it – reading both The Guardian and The New York Times’ coverage from Haiti this week was a reminder of how distinctive they can be.”

Adeus Jornal do Brasil??

Deu no Estadão:

ONU reduz equipes de resgate no Haiti

Organização admite falhas no sistema de distribuição de comida

Jamil Chade, correspondente em GenebraTamanho do texto? A A A A

A ONU decidiu reduzir ainda mais o número de equipes de resgate no Haiti e admitiu que não conseguiu estabelecer um sistema adequado de distribuição de ajuda. A partir de agora, a prioridade serão os sobreviventes espalhados por ruas e acampamentos improvisados.

A decisão foi tomada depois que organizações humanitárias informaram que dificilmente alguém poderia resistir por mais de uma semana sem água e comida. “As equipes estão exaustas e, à medida que o tempo passa, a chance de achar alguém ainda vivo é cada vez menor”, afirmou ao Estado a porta-voz da ONU Elizabeth Byrs.

Na terça-feira, as equipes de resgate haviam sido reduzidas de 52 para 48. Ontem, o número caiu para 36. “Parte das equipes está sendo usada agora para a distribuição de comida e remédios”, disse Elizabeth. No auge da operação, 1,8 mil homens trabalhavam com a ajuda de 175 cães. Até ontem, 121 pessoas haviam sido resgatadas com vida.”  [grifo meu]


A idéia de estar preso debaixo dos escombros de uma casa ou prédio é aterrorizante.  Não só para quem está soterrado como também para quem está do lado de fora.

Acho que só isso explica o fato de que tantos recursos tem sido utilizados no resgate de tão poucas pessoas.  Como diz a matéria, apenas 121 pessoas haviam sido resgatadas com vida.

Mas uma matéria do NYT informa que:

Despite all the incoming help, Partners in Health, an organization that has been providing health care in Haiti for two decades, estimated that 20,000 Haitians were dying daily from lack of surgery.”

Mesmo supondo que esse número de vinte mil pessoas morrendo diariamente por falta de cuidados  seja algo inflado, e que as habilidades das equipes de resgate não seriam facilmente convertidas em ajuda para quem precisa de tratamentos médicos, ainda assim me parece que a conta não fecha, e que o esforço no resgate prejudica os sobreviventes.  Talvez o resgate simplesmente não compense, embora seja cruel pensar assim.

O NPTO faz uma bela resenha do novo livro do Ruy Fausto, “Outro Dia”.  No meio do post, ele faz algumas reflexões sobre a necessidade de uma política de alianças em nosso presidencialismo de coalizão:

Era preciso construir uma maioria política dentro do congresso, e, se você achar que não era necessário comprar PL, PP e PTB, fica para você a responsabilidade de montar outra maioria sem eles. Eu já fiz isso na minha cabeça 100 vezes, e não consegui bolar nada que não passasse por a) fechar com o PMDB, sem pagar mensalão, mas dando cargos, o que, suspeito no fundo do meu ser, gera mais negociata (mas é menos rastreável até o partido no poder do que transferências monetárias, motivo pelo qual a técnica foi a preferida dos governos anteriores); ou b) aliar-se ao PSDB, o que, mesmo se acharmos que seria desejável (e não acho que o Fausto o ache), seria dificílimo.


É possível que manter distância com relação à corrupção seja mais importante do que levar dezenas de milhões de pessoas acima da linha da miséria; mas isso não é óbvio. Merecia uma discussão.


No fundo, o Fausto parece aplicar os raciocínios que a esquerda deveria ter feito para não aceitar o totalitarismo – a afirmação de valores diante da estratégia, por exemplo – para dizer que ela não pode aceitar a corrupção. Mas aqui há um problema de medida.

A corrupção parlamentar é um escândalo, mas é uma doença da democracia; não é possível que se dê o mesmo peso a ela e ao genocídio totalitário. As conquistas sociais cubanas não justificam a repressão à dissidência em Cuba, mas não é a mesma coisa dizer que a redução da desigualdade no Brasil dentro do regime democrático não vale nada porque PP, PL e PTB foram comprados.


Pessoalmente, acho que teria sido possível fazer uma articulação melhor se aproximando do PSDB, o que implicaria em aceitar o Paloccismo como mais do que uma concessão tática. Fausto é inteligente o suficiente para confessar sua hesitação em discutir economia, que tem uma dimensão técnica razoável, mas, no geral, não vai ao ponto de admitir que a política econômica moderada de Lula foi um de seus sucessos. Não teria sido melhor se, ao invés do PT ter aceitado a moderação econômica para evitar a crise de 2002, os intelectuais petistas tivessem promovido esse debate de maneira mais esclarecedora na década anterior? As alianças talvez pudessem ter sido melhores.”

Concordo com o Celso: tem uma análise custo/benefício aí.  Eis o motivo pelo qual acho claramente hipócritas os defensores de FHC que escamoteiam rapidamente a compra da reeleição da discussão de “valores”.

Claro que existem aqueles que se apressam em dizer que “um erro não justifica o outro” e que acham, ou dizem achar, que a questão dos valores deve ser colocada acima de qualquer outra discussão.  Acho essa posição irrealista e acredito que muito poucas dessas pessoas a colocam em prática 100% das vezes em sua vida pessoal.  Se existem mesmo, deviam trabalhar em Hollywood.

Daí que resolvi fazer o seguinte: peguei a composição do Congresso recém saído das urnas em 2002 e coloquei no Excel pra gente ver como ficariam as possíveis coalizões alternativas entre PSDB, PT, PMDB e PFL [por simplicidade e falta total de tempo não levo em conta as migrações partidárias que ocorreram logo após, é verdade].

(clique para ampliar)

O primeiro quadro mostra o cenário em que o PT aliar-se-ia com o PSDB; o segundo quadro mostra o que realmente ocorreu, ou seja, o PT aliando-se com o PMDB.

Vemos que nenhum dos dois casos fornece uma “supermaioria”, isto é, uma maioria capaz de aprovar legislação de seu interesse irrespectivamente da opinião dos demais partidos.

É difícil prever como se comportariam os demais partidos na hipótese de “total pureza virtuosa”, isto é, no mundo hipotético onde PT e PSDB se uniriam por mero espírito público e governariam sem nenhuma concessão de nenhuma espécie aos interesses paroquiais dos demais partidos.  O que sei é que eles teriam vida dura na Câmara e vida duríssima no Senado, diante de uma mera combinação PMDB/PFL.  Talvez alguns partidos menores pudessem topar uma aliança puramente “programática” com PT/PSDB, mas acredito que a tendência seria de um enfrentamento dos alijados nos demais partidos.   Afinal, um problema de nossa democracia é que ela deixa contas a pagar para os eleitos, o que certamente faz parte do conjunto de incentivos que os impele a exigir cargos e prebendas na máquina pública.

Assim, na ponta do lápis, parece que o PT terminou fazendo a aliança mais natural, que não o exporia a constantes gridlocks no Congresso.


Valeu a pena?   Isso é uma outra discussão, muito importante por sinal.  Peças como a tal recente pesquisa do Claudio Salm querem nos fazer acreditar que talvez não, já que o PT no poder não teria significado um salto qualitativo nos principais indicadores sociais brasileiros.   Entretanto, o fato do estudo original do Claudio Salm ainda não ter sido amplamente divulgado (foram divulgados apenas alguns resultados, mas não se conhece a metodologia empregada) impede uma melhor apreciação do seu teor.

No entanto, aponto o detalhe de que nesse experimento hipotético que estamos fazendo,  o caso-base não é a hipótese “continuidade do governo PSDB/DEM seria a mesma coisa“, principalmente do ponto de vista das vestais da pureza que acreditam que “um erro não justifica o outro”. O caso -base, no duro, seria “falta de governabilidade por incapacidade de montar uma coalização dominante“, o que seguramente teria sido muito mais problemático para o país.

Tio Rei está produtivo hoje, e fez um post denunciando a maior negociata já feita no Brasil.  Surpresa: essa negociata não envolve Daniel Dantas (ao que se saiba), e sim Nicolas Sarkozy, aquele que já foi, er, “o cara” para Tio Rei _ muuito antes de Lula ser “o cara” para alguém.

Denúncia #1:

A Índia abriu uma concorrência internacional para a compra — ATENÇÃO!!! — de 126 caças. Valor que se dispõe a pagar a Força Aérea Indiana: US$ 10 bilhões. Seis modelos participaram da primeira rodada de seleção: os americanos F 18 e F 16, o Eurofighter Typhoon, o russo MiG 35, o sueco Gripen NG e o Rafale. Só um caça foi descartado no começo da disputa: o Rafale. Justificativa: não cumpria os requisitos mínimos de desempenho técnico exigidos pela Força Aérea Indiana.” [grifo meu]

Denúncia #2:

E o escândalo, além do fato de que Lula anunciou o vitorioso quando a avaliação estava em curso??? Vamos lá. A Dassault, que fabrica os Rafales, se ofereceu para vender 126 caças à Índia por US$ 10 bilhões. Preço médio de cada avião: US$ 79.365.079,36. O Brasil está disposto a pagar R$ 10 bilhões por 36 aviões — ou US$ 5.681.818.181. Dividindo-se esse valor em dólar pelo número de aparelhos, chega-se ao custo unitário: US$ 157.828.282,82. Cada Rafale para o Brasil custa quase o que o dobro do que custaria para a Índia. Atenção: ESTAMOS FALANDO DO MESMO MODELO DE AVIÃO E DE CONCORRÊNCIAS FEITAS AO MESMO TEMPO.

Fiz uma pesquisinha básica, na Wikipedia mesmo, e cheguei nisso:

India denies elimination of Dassault Aviation Rafale

New Delhi, India – All competitors still in competition

(WAPA) – The last week news relating to the elimination of Dassault Aviation Rafale fighter from the 10 billion tender for 126 new MMRCA (Medium Multi-Role Combat Aircraft) fighters for the Indian Government, provoked surprise particularly by Dassault that said “To have no confirmation from the Indian MoD. We are extremely surprised since there was no technical lacuna in our bid” (see AVIONEWS).

A New Delhi ministry of defense spokesman stated it, affirming that the French proposal “Has fallen short on several counts listed in the GSQRs (General Staff Qualitative Requirements) drawn up by IAF (Indian Air Force). It did not pass muster in the technical evaluation of the bids submitted by the six contenders”.

The Indian Air Force denied today reports that the Dassault Rafale has been eliminated from the Country’s medium multi-role combat aircraft competition.

“We have not ruled anyone out yet in the MMRCA competition”, says an IAF spokesman, who confirmed that the service is responsible for evaluating the contenders. “All of the tests have not been completed. The technical evaluations are only just over and we are scheduled to begin the flight tests next month. Everyone is still in the competition”.

OK, algum bom samaritano já foi avisar Tio Rei e ele fez outro post assim:

Ainda os caças e o que importa

Mandam-me o linK de um site, Flightglobal, que nega que os Rafale estejam fora da concorrência aberta pela Índia para a compra de 126 caças. Ok. Pode até ser. Mas a minha questão no post é outra: quero saber por que os caças sairiam, para o Brasil, por quase o dobro do preço. Essa é a questão fundamental, ainda que o Rafale seja um avião superior – o que, confesso, não tenho como avaliar. Não sei nem ligar um carro. Imaginem o que entendo de avião. Mas fazer conta, ah, isso eu sei.”

Bacana.  Maravilhas do mundo wiki: o cara diz merda, alguém vai lá e corrige.  Ainda bem, já que a notícia mais recente (outubro do ano passado) é esta:

Asked about field evaluation trials of the medium multi-role combat aircraft, (Air Chief Marshal) Naik said: “We have finished the trials of F-16, F/A-18, Rafale and the MiG-35. All (aircraft) are going neck and neck”.

Mas o que importa nesse segundo post é isso aqui:

(…)ainda que o Rafale seja um avião superior – o que, confesso, não tenho como avaliar. Não sei nem ligar um carro. Imaginem o que entendo de avião. Mas fazer conta, ah, isso eu sei.

É pena, mas “fazer conta”, nesse caso, não elimina a necessidade de entender de avião.

A Wikipedia diz o seguinte sobre os custos unitários do Rafale:

The total programme cost, as of 2008, is around €39.6 billion, which translates to a unit programme cost of approximately €138.5 million. The unit flyaway price as of 2008 is €64 million for C version (Air Force), and €70 million for the Navy version.

Veja que o “unit programme cost” do Rafale é de 138 milhões de euros ou 197 milhões de dólares.  Isso é bem mais que qualquer dos custos apontados pelo Tio Rei.  Já o “unit flyaway price” é de 64 milhões de euros, o equivalente a 91 milhões de dólares.

Qual diabos é a diferença entre “unit programme cost” e “unit flyaway price“?  O Departamento de Defesa dos EUA trabalha com a seguinte definição:

Standard unit flyaway cost elements include the costs of procuring airframes; engines; avionics; armaments; engineering change orders; nonrecurring costs including productiontooling, software, and other costs (if funded from aircraft procurement appropriations); divided by the procurement quantity. Flyaway cost does not include research and development, support equipment, training equipment, technical data, or spares.

Ou seja: o custo unitário proposto para o Rafale, na concorrência brasileira, é de 157 milhões de dólares.  É mais caro que os 91 milhões de dólares do “unit flyaway price“, mas este conceito não inclui alguns dos pressupostos da demanda brasileira, como equipamento de suporte, dados técnicos, peças de reposição etc.   Ainda assim 157 milhões de dólares é um preço inferior aos 197 milhões de dólares do “unit programme cost” _ o que faz sentido, já que não faz muito sentido o Brasil compartilhar com a França os custos de pesquisa e desenvolvimento, que costumam ser bem elevados.

E também há que se considerar as economias de escala.  Isso porque o valor unitário de uma partida de 126 aviões será necessariamente menor do que o valor unitário de uma partida de 36 aviões.

Conjugadamente, eu diria que com os dados disponíveis não fica muito evidente que o preço brasileiro _ e leve-se em consideração que ainda não sabemos se os franceses concordaram com uma redução de preço razoável, como o Brasil solicitou _ represente de fato uma “negociata”.

Mas se Reinaldo Azevedo, o homem que não entende de avião mas sabe fazer conta, disse, bom, fazer o quê?

O emburrecimento estimulado pela direita americana pode trazer as sementes de sua própria destruição:

Darpa: U.S. Geek Shortage Is National Security Risk

Sure, we’re all plugged in and online 24/7. But fewer American kids are growing up to be bona fide computer geeks. And that poses a serious security risk for the country, according to the Defense Department.

The Pentagon’s far-out research arm Darpa is soliciting proposals for initiatives that would attract teens to careers in science, technology, engineering and math (STEM), with an emphasis on computing. According to the Computer Research Association, computer science enrollment dropped 43 percent between 2003 and 2006.

Darpa’s worried that America’s “ability to compete in the increasingly internationalized stage will be hindered without college graduates with the ability to understand and innovate cutting edge technologies in the decades to come…. Finding the right people with increasingly specialized talent is becoming more difficult and will continue to add risk to a wide range of DoD [Department of Defense] systems that include software development.”


Now, Darpa’s now hoping someone, somewhere, can come up with a way to make future philosophy majors change course. And they want to get ‘em while they’re young: Darpa insists that programs be “targeted to middle and high school students, and include methods “to maintain a positive, long-term presence in a student’s education. (…)

Novos desdobramentos.

Um problema com a enorme mobilização norte-americana no Haiti é que há uma cacofonia de lideranças.  A maior parte do esforço logístico e de pessoal está sendo feito pelo Departamento de Defesa, mas a missão humanitária propriamente dita (dentro do esforço dos EUA, bem entendido) é tarefa da USAID, informa o site Information Distribution:

Lt. Gen. P. K. Keen is leading Joint Task Force – Haiti from Port-au-Prince, but who is in charge of the entire US humanitarian effort in Haiti? USAID, not the DoD, is the lead agency. The humanitarian effort isn’t even a primary DoD role in Haiti, and security was expected to be the role of the UN although I believe the US has been factoring into planning the DoD would play some role there. Will the DoD also find mission creep with the humanitarian relief aspect as well? The US government has not answered US media questions why NGOs and DoD are so uncoordinated in Haiti, and on the ground in Haiti, who would even be the person responsible for answering that question?

Agora me digam que alguém no Pentágano está disposto a delegar ou mesmo compartilhar o controle de suas tropas com uma agência civil, mesmo que norte-americana.

Quem me responder isso também poderá cogitar de me responder se o Pentágano cogita de delegar ou compartilhar o controle de suas tropas com a missão das Nações Unidas, a propósito.  Seria interessante ver um general brasileiro no comando de tropas norte-americanas.   Pelo menos nossas Forças Armadas aprenderiam que efetivamente elas têm muito mais o que fazer do que se preocupar com o PNDH 3, se quiserem ser dignas do nome que têm.

E há um problema mais amplo: do mesmo modo que o Exército brasileiro não é o instrumento ideal para o policiamento urbano no Brasil, o Exército americano não é o instrumento ideal para exercer funções humanitárias.  Matéria no Guardian dá uma pala:

Haiti: We’re not here to fight, US troops insist

The US paratrooper had a simple message for the people of Haiti. He said: ‘I don’t plan on firing a single shot’

The US paratrooper had a simple message for the people of Haiti. Dressed in khaki, carrying an assault rifle and with the iconic sight of Black Hawk helicopters taking off behind him, he said: “I don’t plan on firing a single shot while I’m here. I’ve been in Iraq three times and I’ve done enough of that.”

The paratrooper was part of the 82nd airborne division from Fort Bragg, North Carolina, a toughened crew of battle-ready fighters accustomed to forming the front- line in many American war efforts.


Uma razão óbvia para a maciça presença militar norte-americana é a Síndrome do Vietnã, isto é, a preocupação em evitar ao máximo baixas entre os militares _ o que pode ser facilitado se você tiver um grande número deles, pelo menos no cenário haitiano.  Uma outra razão pode ser a que se pode entrever nesta declaração de Janet Napolitano, a chefa do Homeland Security, em outra matéria do Guardian:

The homeland security secretary, Janet Napolitano, appealed to Haitians to remain at home.

“Please: If any Haitians are watching, there may be an impulse to leave the island and to come here,” she said. “This is a very dangerous crossing. Lives are lost every time people try to make this crossing. Please do not have us divert our necessary rescue and relief efforts that are going into Haiti by trying to leave at this point.”



Pouca gente talvez tenha atinado para o seguinte: dado que o Estado haitiano, se estava em construção, praticamente desapareceu, e que o conjunto de forças americanas já mobilizadas supera em muito a própria Minustah, fica a impressão de que os EUA abrem um terceiro teatro de “state building” sob suas asas, além do Iraque e do Afeganistão _ dois empreendimentos que já não vão muito bem por si só.   Agregue a isso um “pior cenário” onde os EUA se vejam forçados a ter que manter a ordem em um Paquistão colapsado e em um hipotético Irã “pós-intervenção”, e veremos facilmente um pesadelo operacional para as forças armadas americanas.  Difícil imaginar o país dando conta disso sem o draft.  Difícil acreditar nisso sem uma Sarah Pallin cruzando o Rubicão.  Ou alternativamente os “teabaggers” tomando a Casa Branca e inaugurando uma nova era de isolacionismo.

Claro que isso pode ser um exagero.  Fontes credenciadas imaginam que a situação no Haiti ainda vai piorar antes de melhorar, mas é perfeitamente possível que depois que ela melhore os EUA repassem o controle da situação para as Nações Unidas novamente.  Tudo depende, é claro, de como os americanos lidarão com a situação _ uma coisa que pouca gente sabe é que os EUA já ocuparam o Haiti por cerca de 20 anos no início do século passado que se constituiu por si só em um fracasso da tentativa de “state building”.  Há memórias disso no Haiti de hoje?  Talvez, nos mostra a matéria do Guardian:

The Haitian in whose house in Port-au-Prince we are staying – a prominent businessman and generally very pro-America – keeps a cherished machete on his wall. It was used, he explained to me one night, by his grandfather to attack US soldiers during the 1915-1934 American occupation of his country.”

De toda forma, a própria situação geográfica, econômica e populacional do Haiti sugere que mesmo no pior caso o país não conseguiria se transformar em um inferno para os ocupantes militares americanos como o Iraque ou o Afeganistão.

Exceto, é claro, pelo fator vodu.  🙂

Em uma interessante reviravolta,  Scott McLemee do Crooked Timber mostra que a narrativa de Pat Robertson, ainda que violentada por um ponto de vista profundamente anaeróbico, contém um grão de verdade.

Relendo “The Black Jacobins: Toussaint L’Ouverture and the San Domingo Revolution” de C.L.R. James, um livro escrito em 1938, Scott mostra que os escravos organizaram a revolta contra os franceses sob o disfarce de rituais religiosos de Vodu, mais ou menos da mesma forma que os escravos brasileiros faziam:

Voodoo was the medium of the conspiracy. In spite of all prohibitions, the slaves travelled miles to sing and dance and practice the rites and talk; and now, since the revolution [in France], to hear the political news and make their plans. Boukman, a Papaloi or High Priest, a gigantic Negro, was the leader. He was the headman of a plantation and followed the political situation both among the whites and among the Mulattoes. (…)

Carrying torches to light their way, the leaders of the revolt met in an open space in the thick forests of the Morne Rouge, a mountainside overlooking Le Cap. There Boukman gave the last instructions and, after Voodoo incantations and the sucking of the blood of a stuck pig, he stimulated his followers by a prayer spoken in creole which, like so much spoken on such occasions, has remained. “The god who created the sun which gives us light, who rouses the waves and rules the storm, though hidden in the clouds, he watches us. He sees all that the white man does. The god of the white man inspires him with crime, but our god calls upon us to do good works. Our god who is good to us orders us to revenge our wrongs. He will direct our arms and aid us. Throw away the symbol of the god of the whites who has so often caused us to weep, and listen to the voice of liberty, which speaks in the hearts of us all.” The symbol of the god of the whites was the cross which, as good Catholics, they wore around their necks.” [grifo meu]

Como lembra Scott, o deus dos escravos não era, é claro, o Diabo, já que eles não comungavam da crença cristã.  Não que isso interesse a Pat Robertson, porém.

Alguns pensamentos esparsos sobre a situação no Haiti:

Prevejo a possibilidade de que o Brasil _ principalmente os militares e o Itamaraty _ reaja mal ao esforço norte-americano no Haiti.

A resposta norte-americana promete ser massiva, e, diante da capacidade relativa entre os EUA e a ONU _ para não falar do Brasil _ promete apequenar nossa atuação lá.  No caso, para o bem do povo haitiano, penso.

O que importa é ter em mente que esta resposta não tem nada a ver com o Brasil diretamente.  Ela é uma necessidade política decorrente de alguns fatos:

a) é importante para os EUA e principalmente para Obama mostrar que sua atuação no ultramar não consiste inteiramente no despejo de bombas sobre lugares exóticos.  Como, diferentemente do Iraque e do Afeganistão, no Haiti o desastre teve causas naturais, este é o palco ideal para a administração democrata mostrar sua versão do que é um state-building digno desse nome.

b) um dos mais bem orçamentados programas da guarda costeira norte americana, adivinhem, diz respeito a evitar que boat people do Haiti deixem a ilha para chegar aos EUA _ ilegalmente, é claro.  Parece que milhares fazem isso todo ano.  Por este motivo é que um cutter da guarda costeira foi a primeira embarcação estrangeira a chegar a Port au Prince horas depois do desastre _ porque ele já estava por lá.  Agora, se essa imigração atinge esta magnitude em tempos normais, imagine em tempos de catástrofe.

c) disputa geoestratégica.  Brasil e EUA não são o único jogador neste tabuleiro.



Eu te disse, eu te disse

Jobim e o comandante do Exército seguiram para o Haiti.

A tragédia haitiana pode ter dois efeitos, um a curto prazo, outro a médio prazo.

A curto prazo, o papel das Forças Armadas ganha um lustro, e elas podem usar o noticiário para sair “por cima” da crise causada pela sua reação ao PNDH III.

Mas, a médio prazo, pode sobrevir uma grande crise internacional para o Brasil.  Embora as informações sejam ainda muito enxutas, o fato é que o terremoto foi forte, atingiu uma área já carente de recursos, teve epicentro muito próximo da capital e destruiu instalações e infraestrutura importantes.  A Cruz Vermelha fala em 3 milhões de atingidos; há relatos de que o país não resistirá mais que 4 dias antes da fome se alastrar.

Nestas circunstâncias o país pode facilmente sair de controle e transformar-se em um inferno.  Uma batata quente explodindo nas mãos da missão da ONU, comandada por brasileiros.


Em outra chave, matéria do Valor de hoje traz mais informações sobre a pesquisa do IBGE que mostrou que a pobreza recuou no Brasil nos últimos anos, mas a desigualdade de renda caiu muito mais modestamente:

Apesar de ter obtido bons resultados na redução da pobreza nos últimos cinco anos, o Brasil não consegue enfrentar com eficiência a desigualdade de renda. Dados divulgados ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que a desigualdade caiu 0,6% entre 2004 e 2008, enquanto a pobreza extrema decresceu 1,8%, e a pobreza absoluta, 3,1%. São considerados pobres extremos aqueles que recebem até 25% de um salário mínimo por mês, enquanto os pobres absolutos dispõem mensalmente de até 50% de um salário mínimo.

Alguns acreditam, a la Delfim, que é preciso mesmo fazer “crescer o bolo” primeiro para depois dividi-lo.   Outros acham que a falta de um acordo prévio sobre uma melhor divisão do bolo solapa as condições para a sua própria produção.

Por exemplo: acho que não há muita dúvida de que a desigualdade tem maior impacto sobre a criminalidade do que o nível absoluto de pobreza.

É um debate complexo, mas que deveria ser ampliado na discussão eleitoral de 2010.  Infelizmente, pelo que estamos vendo, a probabilidade disso acontecer parece que será bem próxima de zero.

(clique para ampliar)

Inauguraram esta semana o prédio mais alto do mundo: o Burj Dubai (ou Torre Dubai em português, recentemente renomeado Torre Khalifa).

Trata-se de um filho tardio da bolha imobiliária.   Significativamente, está situado no mesmo país que agora há pouco ensaiou dar um tiro na recuperação da economia mundial.

Procurando pelo bicho, deparei-me com um modelo que mostra a total dimensão do complexo imobiliário que se pretende construir no arenoso país.

O Emir que comanda o local pretende completar a transformação de Dubai em um grande centro financeiro e turístico, movimento que pôs em curso há alguns anos já antevendo o fim da riqueza petrolífera do país (de fato, diz a Wikipedia que o petróleo já é responsável por apenas 6% das receitas de Dubai _ o que já pode ser um sintoma).

Claro que isso foi uma boa idéia, mas também me parece a receita para uma bolha, principalmente dado o prazo relativamente exíguo para a consecução dessa transformação.

Deu no Correio Braziliense de ontem:

Brasília já levou 17 vezes a Mega-Sena e é considerada a capital mais sortuda do país

Para milhares de brasilienses, 2010 pode trazer uma mudança radical de vida. Ninguém quer perder a chance de ganhar o prêmio de R$ 140 milhões previsto para a última rodada de 2009 da Mega-sena. Do outro lado do balcão, quem fatura são as lotéricas


Com fama de sortudos, os moradores do Distrito Federal saem na frente na disputa por uma lasca do milhão. Segundo dados da Caixa e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os brasilienses são os que mais gastam e ganham com a Mega-sena em todo o país. Em 2008, somaram-se 42 milhões apostados em jogos, o que significa R$ 30,50 por pessoa durante o ano.

O brasiliense também é apontado como ganhador dos maiores prêmios da Mega. Desde 1998, os 17 bilhetes contemplados pelos brasilienses arrecadaram a quantia de R$ 178.951.423,04. Isso significa um prêmio máximo por cada grupo de 144.464 habitantes, a mais animadora estatística entre os estados brasileiros.


Não deu outra, um dos ganhadores é de Brasília.

Infelizmente não sou eu, razão pela qual vocês vão ter que continuar me aturando.

(porque evidentemente, seu eu tivesse ganho, ficaria permanentemente em férias pelo resto dos meus dias, sem tempo de blogar)

Sujeitinho porreta, apesar do bigode

Tenho alguns livros de coletâneas de contos, gênero do qual gosto muito.  Leio-os às vezes vários de uma vez só, às vezes um ou outro, homeopaticamente.

Hoje, li um pequeno conto (“O Amigo dos Espelhos”) constante do volume “Contos de Horror do Séc. XIX“, de autoria de Georges Rodenbach _ o cavalheiro pimpão cuja hirsuta imagem encima este post.

[tem duas obras dele no Projeto Gutemberg]

Lá embaixo do folder, coloquei as linhas iniciais do conto (que encontrei neste blog).

Concordo com o autor do blog linkado em que o conto, de horror, não tem lá muita coisa (talvez para jovens damas por demais sensíveis do século XIX).  Mas o conto contém algumas pérolas que parecem ecoar preocupações da era moderna, em contexto completamente diferente.

A história é simples: um jovem, rico e ocioso, é tomado por desespero ao verificar que sua imagem, nos espelhos das vitrines parisienses, parece cada vez mais pálido e debilitado.  Raciocina ele que a então recente profusão de espelhos e superfícies reflexivas pela cidade afora estivessem roubando suas cores e sua saúde.

Um caridoso amigo lembra ao protagonista que estes espelhos de loja em geral são de má qualidade, e era por isso que refletiam sua imagem de modo imperfeito, doentio.

Apesar de concordar com isso, o protagonista embarca em outra viagem: começa a colecionar espelhos de boa qualidade, ricos espelhos que o refletem com total fidedignidade.

E é aqui que as coisas começam a ficar interessantes, IMHO.  O protagonista começa a agir estranhamente a partir do momento em que aparelha sua casa com espelhos; em particular, assume um comportamento ascético.  O supracitado amigo caridoso lembra ao protagonista que ele sempre foi um namorador, e que as mulheres estão do lado de fora de sua casa _ ao que o espelhófilo retruca:

Cada um é como uma rua…esses espelhos todos se comunicam feito ruas…É uma grande cidade luminosa.  E nela ainda corro atrás de mulheres, entende?, mulheres que se olharam nos espelhos, que permanecem neles para sempre…(…) Sigo as mulheres, sem dúvida…Mas elas andam rápido, não se deixam abordar, me despistam de espelho em espelho, como de rua em rua.  E eu as perco.  E de vez em quando as abordo.  E tenho encontros lá dentro...”

Narrando a progressão da perturbação mental que afligia o protagonista, o amigo caridoso descreve:

…E por causa de tantos espelhos, justapostos, uns em frente aos outros, a silhueta do solitário se multiplicou ao infinito, ricocheteou em toda parte, engendrou continuamente um novo sósia, cresceu na proporção de uma multidão incalculável, ainda mais perturbadora porque todos pareciam gêmeos copiados do primeiro, que permanecia isolado e seperado deles por um vazio desconhecido…

Em sua última conversa com o amigo, o protagonista despeja:

Veja! Não estou mais só.  Eu vivia muito só.  Os amigos são tão estranhos, tão diferentes de nós!  Agora, vivo com uma multidão…em que todos se parecem comigo.”

Resumindo a história, o protagonista é internado em um sanatório, onde permitem que ele leve apenas um espelho, ao qual ele fica cada vez mais apegado.  Até que um dia é encontrado morto, com o crânio partido, na tentativa de entrar no espelho.

Eu sei que muita gente boa diz que o arquétipo da internet no século XIX era o telégrafo.  E com certeza o telégrafo, tecnologicamente, foi A rede daquela quadra.

Mas esse cara aí captou como ninguém o futuro _ o mundo das redes sociais e do narcisismo eletrônico.  E o pior, apenas olhando no espelho.

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Acabo de ouvir, no Jornal Nacional, que uma das providências que os EUA planejam exigir das empresas aéreas em vista do recente atentado a um avião que ia de Amsterdam para Detroit é proibir que os passageiros entrem no banheiro da aeronave a partir do momento em que faltar 1 hora para a aterrisagem.

Em minha opinião isso revela algumas coisas interessantes:

a) o reconhecimento tácito de que o tipo de explosivo usado pelo nigeriano, bem como a técnica de ignição, é indetectável pelo raio-X dos aeroportos;

b) que, em vista disso, as autoridades anti-terror seguirão uma política de reduzir o possível custo em vidas de um ataque, procurando limitar a perda em vidas apenas ao número de passageiros e tripulantes do avião, minorando as possíveis baixas advindas da queda de uma aeronave de grande porte sobre uma área densamente povoada.


Ou seja, a guerra ao terror vai bem, obrigado.  E se você, passageiro que não tem nada a ver com isso, está se borrando de medo, saiba que vai ficar pelo menos uma hora borrado.

Há algo de errado em um conceito de ordem que só acontece de vez em quando.

Steve McQueen em seu buggy, filmagens de Thomas Crown Affair, 1967

Bom, este post começou com uma conversa com minha esposa sobre a origem do “Buggy”, motivada, claro, pelo clima de férias que nos cerca.

Problema:  incorri na temeridade de dizer a ela que a origem do nome “buggy” vinha do automóvel Bugre.  Carioca, paradoxalmente derrapei no provincianismo de acreditar que o particular era o geral: o primeiro buggy que vi na minha vida foi um Bugre, portanto nunca me importei muito em conhecer da história desse carro.  Sempre dei por barato que “buggy” havia sido uma anglicização de “Bugre”, shame on me.

Mas sabem como é, a dúvida é uma sementinha que uma vez plantada no cérebro termina por se transformar em imensa e copada árvore, e foi sob sua sombra ameaçadora que decidi empreender uma expedição semântica à internet.  Encontrei o que se segue:


No “The Word Detective“, há a seguinte explicação:

Buckeye buggy.

Dear Word Detective: I too am an Ohio transplant, originating from New Jersey, and I find this place to be a blessing. Currently I reside in the quiet countryside of Holmes County where if you know the region you quickly associate it with the Amish community that lives here. I have long wondered where one of the most common icons of the Amish got its name, that being the “horse and buggy” which is their primary transportation. I once asked a friend who is Amish and after a moment of puzzled expression and a shrug of the shoulders his reply was, “That’s just what we call it.” — Gone Buggy, via the internet.

Ah, yes, rural Ohio is quiet, isn’t it? Except, of course, for the crickets, which are, as I write, driving me slowly nuts with their infernal cheep-cheep-cheeping. We have many Amish (a Mennonite order named after Jacob Amman, a Swiss preacher) living in my area too, and I always worry about them when I see their buggies on the country roads around here. You’d think motorists would know enough to slow down when they see a horse and buggy, but apparently not, and there have been some fairly horrible car-buggy accidents in the last few years.

As for the origin of “buggy,” your Amish friend’s answer is about as good as anyone is going to get. As a term for a small one-horse vehicle, “buggy” first appeared in English around 1773, but it does not appear to be connected in any way to “bug” meaning “insect” (which is the source of “buggy” meaning “nuts”). There is a possibility that “buggy” is derived from the Northern English dialect word “bogie,” which means a small platform mounted on wheels (what we in the U.S. would call a “dolly”), but there’s no solid evidence of a direct connection. And even if there were, it wouldn’t do us much good because no one knows where “bogie” came from, except that it does not seem to be related to “bogey” as in “bogeyman.” So I’m afraid we’re fairly certain about where “buggy” didn’t come from, but completely in the dark as to where it did originate.

Muito bom.  Provavelmente pode-se estabelecer que a palavra “buggy” vem mesmo de “bug”, que é o nome que os americanos deram ao Volkswagen sedan sob a inspiração do nome popular que os alemães deram ao VW tipo 1: “Käfer” _ “besouro” em alemão.  Há uma história de amor entre os fanáticos pelo “dune buggy” e o VW:

Many people credit Bruce Meyers with the invention of the dune buggy.

To do that you first have a clear definition of what a dune buggy is. There were many pioneers before the “Manx”. In fact in a recent interview with Public Television on a show called “California Gold” Bruce to the host of the show, “I didn’t invent the dune buggy….I invented this style of dune buggy.” Bruce did invent the Manx and clearly spurred the whole fiberglass revolution but, there were many more buggies on the dunes before the Manx. Some of the first dune buggies were just street car frames with the bodies removed and larger tires added for beach use. The late fifties and early sixties saw a sand car craze that paralleled the street hot rod craze. Some were big and ugly but, they were the inspiration for a “kinder gentler” sand car, including the inspiration for the Manx.

With all of the “water pumper” action on the beaches it wasn’t long until the first noted VW ride was built by shortening the pan. Petersen Publishing even gives someone credit for this feat. It was Pete Beirning of Oceano, CA that did it in 1958. He took a rolled Bug and made a short pan buggy out of it. From that first trip out on the dune on through today, there has been controversy over V8 power or VW nimbleness. Many people took note of his pan car and followed suit.

OK.  Mas e o Bugre?


A Wikipedia nos ajuda:

Bugre é a denominação dada a indígenas de diversos grupos do Brasil, por serem considerados sodomitas pelos europeus. A origem da palavra vem do francês bougre, que de acordo com o dicionário Houaiss possui o primeiro registro no ano de 1172 e significa ‘herético’, que por sua vez vem do latim medieval (século VI) bulgàrus. Como membros da igreja greco-ortodoxa, os búlgaros foram considerados heréticos, e o emprego do vocábulo para denotar a pessoa indígena liga-se à ideia de ‘inculto, selvático, não cristão’ – uma noção de forte valor pejorativo.


Pois é, é aqui que a coisa começa a ficar curiosa.  Diante de tão saborosa associação, saí em busca das ligações entre os pobres búlgaros, a heresia e a sodomia.  E encontrei este artigo, de todos os lugares da internet, nos Science Blogs:

Traumatic anal intercourse with a pig

No post, Darren Naish, um paleontologista britânico, nos brinda com a descrição do artigo científico “Zoophilia: a rare cause of traumatic injury to the rectum“, que descreve um ferimento retal encontrado em um infeliz fazendeiro búlgaro a quem ocorreu ficar na parte passiva de uma relação sexual com um porco.  Para sua infelicidade, o pênis do porco, que mede entre 45 e 65 centímetros, tem uma anatomia assaz curiosa, o que lhe rendeu momentos de infelicidade e não de prazer.

Mas os afazeres da população rural com seus animais de criação não vêm ao caso.  Nos comentários ao post, compreensivelmente mais bem humorados do que o normal nos SB, um leitor informa que a provável associação entre os búlgaros e a sodomia na mente popular tem a ver com o fato de que uma certa heresia foi bastante forte na região dos Balcãs _ a heresia bogomila.  Mais uma vez a Wikipedia nos salva:

The now defunct Gnostic social-religious movement and doctrine originated in the time of Peter I of Bulgaria (927 – 969) as a reaction against state and clerical oppression of Byzantine church. In spite of all measures of repression, it remained strong and popular until the fall of Bulgaria in the end of the 14th century.

Bogomilism is the first significant Bulgarian heresy that came about in the first quarter of the 10th century. The term “Bogomil” means “Dear to God” in Bulgarian. Bogomilism was a natural outcome of many factors that had arisen till the beginning of 10th century. (…) Another factor was the existence of older Christian heresies in the Bulgarian lands. The most influential among those were Manichaeism and Paulicianism, which were considered very dualistic. Manichaeism’s origin is related to Zoroastrianism; that is why Bogomilism is sometimes indirectly connected to Zoroastrianism in the sense of its duality. The social discontent of the peasantry and the presence of the old Christian heresies created a new Christian heresy under the name of Bogomilism.”

Embora o texto a seguir não se encontre mais na atual versão do verbete na Wikipedia, ele consta do comentário lá nos SB e pela internet a fora, explicando o curioso caminhar da associação entre “búlgaro” e “sodomita”:

The name of the movement was bulgarus in Latin (meaning “Bulgarian”), which included Paulicians, Cathars, Patarenes and Albigenses. It became boulgre, later bougre in Old French meaning “heretic, traitor”. It entered German as Buger meaning “peasant, blockhead” (and went on to English as bugger) and the French term also entered old Italian as buggero and Spanish as bujarron, both in the meaning of “sodomite”, since it was supposed that heretics would approach sex (just like everything else) in an “inverse” way. The word went on towards Venetian Italian as buzerar, meaning “to do sodomy” (the sexual acts performed by homosexuals). This word entered German again (see reborrowing) as Buserant and went on to Hungarian as buzerons, becoming buzi around the 1900s, a form still in use as a sexual slur for male homosexuals.

Afinal, já dizia o jurista inglês  Sir Edward Coke no seu Third Part of the Institutes of the Laws of England , de 1644:

Buggery is a detestable, and abominable sin, amongst christians not to be named, committed by carnall knowledge against the ordinance of the Creator, and order of nature, by mankind with mankind, or with brute beast, or by womankind with brute beast.”


Então é isso: “buggy” vem do alemão “besouro”.  “Bugre” vem do francês “bougre” para herético, mas também com o significado de “sodomita”, “invertido”.  Imagino que o Paulo Cavalcante lá de Rio Bonito, fundador da Indústria Carrocerias Bugre Ltda., jamais imaginou uma coisa dessas _ muito menos o Steve McQueen.

Se bem que eu sempre desconfiei do Pierce Brosnan, que faz o remake do “Thomas Crown Affair” e mostra as plumas em Mamma Mia…


E fazendo minha ronda habitual pelo fringe anaeróbico, como um Aragorn da blogoseira pátria, eis que vejo Pedro 7 Câmara, um blogueiro anaeróbico que, reconheço, vem melhorando nos últimos anos (afora certos deslizes), bem, o Pedro, após um post bem razoável sobre o papel da imprensa em dar vazão imediata a certas aleivosias, vem perguntar-se o seguinte:

E também cabe perguntar como isso respingará em Lula aos olhos do povo. Porque é claro que o presidente não pode ir à TV dizer coisas como “não sou estuprador”. Mais ainda, cabe perguntar o que mais César Benjamin et catervasabem. E, o que mais me interessa, admito, perguntar se esse evento não marca o início de uma implosão da esquerda. Abrindo-se a caixa preta, ou a caixa de Pandora, não vai restar esperança nenhuma no fundo, e não porque o medo a tenha vencido.” [grifo meu]

Sette: Is there no beginning to your talents?

Porque, veja bem, em matéria de implosão, uma Igreja liderada por um ex-nazista, cheia de padres que comem criancinhas sem ao menos serem comunistas já deveria ter implodido há muito tempo.  Nem por isso a magna instituição deixou de contar com a admiração e apoio do Pedro, ao que eu saiba.


Quanto à história do César Benjamin, achei um texto dele de 2003 intitulado “A verdadeira herança maldita” que contém o seguinte parágrafo:

Os discursos do presidente Lula são pérolas de conservadorismo. Tudo o que ele diz é o seguinte: “esperem para me julgar ao fim de quatro anos”, quando ele tinha que dizer: “mobilizem-se para mudar o Brasil”. Ele tinha que ser um instrumento da mudança junto com o povo, mas é um instrumento da passividade. Está a serviço da idéia da nossa fraqueza, da idéia de que não podemos nada. E de que, portanto, só podemos mudar sem criar nenhuma turbulência. Como é que se muda sem nenhuma turbulência? Quem tem medo de tirar o pé do chão não caminha. Só caminha quem aceita algum desequilíbrio.

Supostamente, Benjamin conhecia tão bem em 2003 quanto em 2009 algo que aconteceu em 1994.  No entanto, naquele tempo ele toparia que o Lula chegasse perto do cangote dele e dissesse: “companhêru, vamos nos mobilizar para mudar o Brasil”.


Essa crise aqui no DF me fez ficar pensando em certos paralelos com Washington DC, o distrito federal norte-americano.

No Brasil, o Distrito Federal, enquanto esteve no Rio de Janeiro (denominado, na época do Império, de “município neutro” ou “município da Corte”, segundo a Wikipedia, e “distrito federal” após a Proclamação da República), tinha Prefeitos.  O governo militar rompeu com isso, conduzindo o dirigente do Distrito Federal ao status de governador em1969.  Com a Constituição de 1988, o governo do Distrito Federal passou a ser escolhido pelo voto popular.

Já Washington DC adquiriu a possibilidade de ter um administrador próprio, eleito pelo povo, e um legislativo local, em 1973, com o Home Rule Act _ embora toda a legislação local tenha que ser revisada pelo Congresso da União.  Além do mais, diferentemente do DF, a população de Washington não tem direito a representação federal, isto é, não vota para o Senado ou para a Câmara dos representantes.


A idéia de um distrito federal nasceu nos EUA, em 1783, quando o recém-constituído Congresso de Filadélfia foi pressionado pelos locais que tencionavam impor à nova Constituição os seus interesses próprios, o que exigiu que o general George Washington tivesse que enviar tropas para impor a ordem, deslocando o Congresso para a cidade de Princeton.  Daí surgiu a idéia de criar um Distrito Federal que fosse “a casa do governo federal”, um local neutro.

As demandas da população local, típicas de um mundo democrático, terminam por se contrapor à essa necessidade de uma neutralidade territorial do local que abriga os poderes federais.


O João Bosco, novo blogueiro do Estadão, tem feito alguns posts sobre a necessidade de se “repensar” a autonomia do Distrito Federal.  É um tanto chocante, por exemplo, a idéia de que o novo PDOT _ o Plano Diretor do Ordenamento Territorial do DF _ tenha sido aprovado sob o signo de um mensalão, destinado a criar deputados distritais dóceis às vontades do Vice Governador da capital que, por acaso, é também o dono da maior construtora local e de uma quantidade absurda de imóveis (ele também, por acaso, é casado com uma herdeira de JK).

Porém há diferenças marcantes.  O Distrito Federal tem 5.802 Km2 e uma população estimada em mais de 2,5 milhão de habitantes.   Washington DC tem 177 Km2 e 591 mil habitantes.   É difícil negar representação a uma população do porte da do Distrito Federal brasileiro.

Uma idéia talvez fosse manter apenas a RA 1, mais ou menos equivalente ao Plano Piloto,  em Distrito Federal, retornando o restante da área ao governo de Goiás.  O problema é que isso causaria imediatamente uma enorme queda na qualidade da prestação de serviços públicos na maior parte do antigo território do DF.

Por isso, acho politicamente indefensável a idéia de reduzir as autonomias políticas do DF.


Primeiro eu vi a notícia da morte da Leila Lopes no Estadão, e postei.

Depois percebi que alguns dos meus 4,5 leitores já haviam me avisado do falecimento da atriz em comentários.

E agora acabo de constatar que até as 11:15 da manhã eu já tive mais de oito mil acessos no post “Leila Lopes e o pornô“.

Internet é um negócio esquisito.


UPDATE (13:15):

11.000 acessos, e subindo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Segundo Kieran Healy do Crooked Timber, eis um gráfico que apareceu recentemente na Fox News ilustrando uma pesquisa feita com eleitores do Partido Republicano dos EUA:

Dá até pra imaginar como isso pode ter acontecido, mas não deixa de ser engraçado.

Essa notícia me deixou besta:

India English growth ‘too slow’

India is falling behind countries such as China in its attempts to increase the use of English among its population, a new report says.

The study by the British Council says a “huge shortage” of teachers and quality institutions is hampering India despite a growing demand for English skills.

The study says China may now have more people who speak English than India.

India’s emergence as a major software and IT hub has in part been possible due to its English-educated workers.

‘Poor English’

The study, English Next India, by British author David Gradoll says English is a “casualty of wider problems in Indian education”.

It says: “The rate of improvement in the English language skills of the Indian population is at present too slow to prevent India from falling behind other countries which have implemented the teaching of English in primary schools sooner, and more successfully.

“China may already have more people who speak English than India.”

The report says India will need many more people speaking English to sustain its economic growth.

Increasing demand for English language schools, a rising number of jobs which require English skills as well as growing social mobility are driving demand for English in India, the study says.

But the spread of the language, according to the report, is being hindered by a shortage of English language teaching in schools.

The report says Indian universities fall far short of rival countries in the quality of teaching and research, and “poor English is one of the causes”.

Also, the report adds, it is “impossible” to improve standards of English without addressing the problem of “very low levels of academic achievement” of students studying in government and private schools.

The study says a range of approaches is required to improve English proficiency in India, and no single method will help.

English has been spoken in India from the days of colonial rule, but there are no precise estimates on how many Indians speak, read and write English.

One estimate suggests 333 million people in India “use English”, but India’s National Knowledge Commission says “even now, no more than 1% of our people use English as a second language, let alone a first language“. [grifo meu]


Quer dizer que na maior jóia do Império, que herdou um sistema educacional britânico, o ensino do inglês está menos disseminado do que na China?   O país que travou com Albion a Guerra dos Boxers?

Impressionante, eu digo.

Em um interessante livrinho chamado “Bowling Alone“, o sociólogo Robert Putnam usa uma extensa massa de dados para refletir sobre a diminuição do “capital social” nos EUA.  Esse esgarçamento do capital social teria consequencias em termos de redução do engajamento cívico, sendo, em última análise, um problema para a democracia.

As conclusões de Putnam foram alvo de críticas, é claro.  Uma delas, a de que de fato o “capital social” não estaria de fato se reduzindo, mas migrando para novas formas de socialização.   O que de fato se tornou patente anos depois (o livro do Putnan é de 1995), com a disseminação de coisas como o Orkut, o Facebook e o Twitter (embora redes como The Well e Geocities já existissem há algum tempo antes da publicação do livro).

O problema é: quem disse que as redes sociais agem sempre no sentido de aumentar o engajamento cívico?

Matéria do Correio Braziliense, em novembro deste ano, mostra que os jovens do Distrito Federal estão usando o Twitter para “mapear” os pontos de blitz da polícia e alertar uns aos outros para evitarem esses pontos, agindo, assim, contra os objetivos da Lei Seca:

(clique para ampliar)

Encorajo os leitores a irem lá ler os comentários que foram feitos à matéria.  A começar pelos feitos por uma das moças que apareceu na matéria, Marília Vieira:

Eu concedi a entrevista pro Correio. Essas pessoas que não tem VIDA SOCIAL são tão dramáticas. Ninguém ta falando de sair dirigindo embriagado, estamos falando do nosso direito de ir e vir, da nossa cultura. Que mal tem tomar uma cerveja e dirigir com responsabilidade? (continua)

O governo quer enriquecer as nossas custas, isso sim! Pq colocar policiais nas ruas prendendo bandidos de verdade, estrupadores, eles não tem essa animação toda! (continua)

Se é pra generaliar, se vocês acham que “todos nós que bebemos” somos irresponsáveis, então não podemos permitir igrejas estuprando nossas crianças ou tomando nosso dinheiro! Tem muita coisa pior acontecendo, deixe pelo menos a gente se divertir um pouco, tomando nossa cerveja com responsabilidade!

Porque esse drama todo?? Vcs são exagerados demais, é até engraçado! Essa lei vai ter que mudar, não podemos permitir a proibição! Vamos colocar a policia pra correr atrás de bandido! Pq bandido tbm mata os parentes de vcs, lá no hospital tem muita gente vitima de coisa pior, como de gente drogada!

OK: ela foi entrevistada da matéria e deve ter-se sentido no dever de justificar sua pose.  Mas o que dizer das inúmeras mensagens de apoio?

Autor: Evandro Costa

A lei seca foi feita só para inglês ver,só funciona em Brasília e no Rio de Janeiro,porque no restante do Brasil ….estar só no papel e aquela hein que obriga motociclista a andar de capacete,também só em Brasília,porque no restante do Brasil… e lembra da faixa de pedestre,háháhá, esta só em BsB.

Se este twitter vier a ganhar mais adeptos por dia, estas blitzes com certeza ficarão ineficaz, mesmo que os policiais e agentes de trânsitos mude a cada minuto de lugar.

Autor: Mario Prandi

Que drama cruel eim kkkkkkkk Então pra ser professora tem que ser velha, gorda, ignorante,descriminar as pessoas que bebem com responsabilidade(igualndo -os a imbecis que não mereciam nem dirigir) e apoiar imposições autocraticas inconstitucionais. Vixi,que drama

Nem falo mais nada pra não dar ideia pra esses radicaizinhos sem vida social (como disseram), ficam querendo levantar cachorro morto se é que esse cão viveu um dia

Não entendi essa de gerar discussões?? O povo já deixou bem claro o que pensa a respeito desse toque de recolher disfarçado, enquanto houver democracia essa imposição nunca será lei tão menos constitucional, só fazendo como os militares fizeram em 1964 mesmo, policia contra cidadão de bem

Continuando,independente disso ficou provado que radicaizinhos não conseguiram passar por do legislativo, e atropelar todo um sistema democratico e enfiar uma lei guela abaixo da população dia seguinte, porque conseguiram comprar a assinatura do presidente, mas n vou entrar nessa parte mais polemica.


Não vou dar uma de virtuoso, ou hipócrita.  Já dirigi depois de ter bebido (moderadamente, mas bebi _ nunca dirigi bêbado, nem antes nem depois da Lei Seca).  Mas na maior parte das vezes venho tentando obedecer a lei, principalmente quando saio com a Sra. Hermenauta (ou ela bebe e eu dirijo, ou vice-versa).   E o que importa aqui é que eu acho que a Lei é eficaz _ e as estatísticas mostram isso.


Claro que o caso da Lei Seca é um pouco irônico considerando o que estamos discutindo aqui, já que é possível imaginar que, sem poder beber, as pessoas saiam menos e se encontrem menos.  Mas isso é uma questão de mudança cultural, já que elas sempre podem sair sem beber _ ou ficar em casa usando o Twitter.  🙂



Não perdam!   Algum gênio criou o site do Reinaldo Azevedo, sem o Reinaldo Azevedo _ aqui.

Diz o intróito:

“O mesmo conteúdo, mas sem censura para comentários”

O que é o mesmo tratamento que pessoas empreendedoras aplicaram ao Blog do Planalto.  Fair game _ tenho certeza de que o Reinaldão até gostou!

É claro que o Blog do Planalto é feito sob uma licença “Creative Commons”, enquanto o do Tio Rei está “protegido” pela Declaração do Hambúrguer.  Mas eu voltarei a este candente tema mais tarde…

O Valor de hoje entrevista Mário Veiga, da consultoria PSR, tido como um dos maiores especialistas brasileiros em energia elétrica:

Valor: O sistema elétrico no Brasil é frágil?

Mário Veiga: Não, o sistema elétrico brasileiro não é frágil. O que temos que fazer é separar o que é oferta de geração, que está associada ao risco de racionamento de energia, a oferta de transmissão, que é a infraestrutura que transporta essa geração até os centros de consumo, e a infraestrutura de gestão, quer dizer, a operação segundo a segundo nesse sistema. Na parte de geração estamos até com excesso de oferta, o que permite que Brasil absorva com facilidade taxas altas de crescimento do PIB. A parte de transmissão acompanha a parte de geração. Os leilões de construção de linhas são feitos para que as linhas necessárias e reforços estejam prontos quando entrarem novos geradores no sistema. Nos últimos nove anos, foram licitados – e a maior parte construídos -, cerca de 32 mil quilômetros de linha de alta tensão. Comparado ao comprimento total hoje, de 80 mil quilômetros, nota-se que os investimentos foram significativos em transmissão. Então, estamos bem na parte de geração e de infraestrutura de transmissão.

Outros trechos abaixo do folder, para os sem-Valor.

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O nascimento de Lula, por Botticelli

Fernando Henrique faz bem em citar Maquiavel e em lembrar do “imprevisível” apagão (vide post abaixo), mas parece que Lula, o voltado pra Lua, não precisa se preocupar com um repeteco de 2002 em 2010:

Nível recorde de reservatórios faz agência temer enchentes

Paulo Victor Braga, de Brasília

O volume de água nos reservatórios de todo o país encontra-se em nível recorde, muito próximo da capacidade máxima, em razão das chuvas intensas de outubro de 2008 a setembro deste ano. O diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), José Machado, afirmou ontem que essa constatação, aliada à alta umidade do solo e à época de chuvas que se aproxima, levaram a ANA a tomar suas precauções. “Existe risco de que venhamos a ter enchentes, mas agora haverá maior eficiência na prevenção”, disse.”

Maria Christina Fernandes, a colunista gatinha do Valor, conta como foi o último seminário no Instituto Fernando Henrique Cardoso:

Um pen drive imperdível

A plateia era formada por alguns dos luminares do governo Fernando Henrique Cardoso – André Lara Resende, Andrea Calabi, Henri Philippe Reichstul e Rubens Barbosa. Todos, inclusive o ex-presidente que dá nome ao instituto onde o evento se realizava, aguardavam um dos palestrantes, Luiz Carlos Mendonça de Barros, preso no trânsito, como descobriria Gilda Portugal ao celular, no meio da audiência – “Ele vem com certeza e traz um pen drive imperdível”.

Abaixo, para os sem-Valor.

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O Nick Carr já terminou seu novo livro, “The Shallows: What the Internet Is Doing to Our Brains” _ uma obra que muito me interessa, e que acho que vai ser muito comentada.  Mas eu queria mesmo é chamar a atenção de vocês para esse trecho do post onde o Carr fala dos lugares onde o livro será editado, além dos EUA:

The English version of the book will also be published in the UK by Atlantic Books, and translations are currently in the works from Blessing in Germany, Seido Sha in Japan, Chungrim in Korea, Ediouro in Brazil, and CITIC in China.”

Brasil na área.  Nem França, nem Espanha (nem versão em espanhol…), nem Rússia.  Isso deve querer dizer alguma coisa.

Deve ser por isso que o Tio Rei acha que o Valor é um “jornal de negócios esquerdista”.  Eis o editorial de hoje:

Órgão de fiscalização é técnico, não é político

Embora tenha incorporado bons quadros técnicos ao longo dos anos, e os remunerado muito bem, o Tribunal de Contas da União (TCU) jamais se livrou do estigma de ser um órgão político. A profissionalização da instituição é urgente: se sua composição e perfil incomodam esse governo, têm potencial para incomodar qualquer outro. A fiscalização é algo altamente desejável para o país, mas o uso político dos poderes fiscalizatórios para parar obras, sem qualquer tipo de punição na hipótese de abusos serem cometidos, não serve a ninguém.

Matéria publicada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” do dia 1º de novembro cita alguns exemplos de como não deve proceder um órgão pretensamente técnico. No início do mês passado, o TCU anunciou o embargo de 15 obras por supostas irregularidades. Segundo a Casa Civil, que faz a gerência do PAC, três já tinham sido excluídas da lista pelo próprio TCU, uma não era do programa, duas já estavam com contratos rescindidos, seis entregaram suas justificativas ao órgão sem que tivessem obtido resposta, duas estavam em processo de nova licitação e em uma delas o problema era a supervisão, e não a obra propriamente dita. O TCU fez uma lista negra, anunciou-a como rol de irregularidades insanáveis e um mês depois, com indiferença, viu-a derrubada por falta de consistência. Isso é preocupante.

O TCU tem, ele mesmo, problemas insanáveis de origem. Pela Constituição, é um órgão auxiliar do Legislativo que deveria dar parâmetros técnicos para fiscalização do Poder Executivo. Se existe hoje uma reclamação em relação ao excessivo poder do presidente da República para nomear ministros do Supremo Tribunal Federal, no entanto, deveria igualmente haver uma grita em relação ao poder concentrado em um órgão de controle cujos integrantes são de nomeação exclusiva do Legislativo e que não está sujeito, ele próprio, a nenhum tipo de fiscalização.

Idealmente, a legitimidade do TCU residiria no fato de ser um órgão de controle técnico cujos integrantes são escolhidos por um poder onde estão representados todos os partidos políticos legalmente constituídos. Mas mostra a experiência que a nomeação torna-se sempre uma prerrogativa das maiorias governistas da ocasião. Na prática, a escolha de um ministro do STF não é tão suprapartidária assim. Ela é, na origem, uma escolha partidária. A nomeação recente do ex-ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, para uma vaga é prova disso. São maiorias parlamentares do momento que aprovam as nomeações; como os cargos são vitalícios, no momento seguinte o pleno do tribunal pode refletir a posição política de uma minoria. Segundo o “O Estado de S. Paulo”, dos nove membros do TCU, cinco são ex-políticos oposicionistas.

A história se reproduz a nível federativo. Se a oposição ganhar no Estado de São Paulo, por exemplo, governará com um Tribunal de Contas do Estado cujos integrantes foram escolhidos ao longo de quatro mandatos do PSDB e outros dois anteriores do PMDB, partido do qual a legenda de José Serra se originou. Na capital, eleita em 1990 pelo PT, a hoje deputada Luiza Erundina (PSB) enfrentou grandes dificuldades, durante todo o seu mandato, com o Tribunal de Contas do Município (TCM). O seu sucessor, Paulo Maluf, e o sucessor do sucessor, Celso Pitta, não tiveram problemas com o órgão, embora respondam a processos na Justiça por atos administrativos desse período.

Despolitizar a administração pública requer despolitizar órgãos de fiscalização e controle. A interrupção de obras públicas sem razões técnicas plausíveis constitui um prejuízo que não é exclusivo do governante do momento. Toda obra pública envolve dinheiro público na sua realização e benefício público na sua conclusão – e isso lança dúvidas sobre a legitimidade da paralisação de obras se elas tiverem razões políticas, e não exclusivamente técnicas. A paralisação de obras desperdiça dinheiro público e obstrui o acesso das populações àqueles benefícios. Não se pode impedir governantes de governar – deve-se impedi-los de se beneficiar privadamente do dinheiro público, mas jamais de exercer mandatos conferidos pelo povo.”

Exhibit A:  Onde foram parar os cortes de impostos da era Bush.


(clique para ampliar)

Exhibit B: Até Gorbachev tira um sarro do Ocidente.

The real achievement we can celebrate is the fact that the 20th century marked the end of totalitarian ideologies, in particular those that were based on utopian beliefs.

Yet new ideologies are quickly replacing the old ones, both in the east and the west. Many now forget that the fall of the Berlin wall was not the cause of global changes but to a great extent the consequence of deep, popular reform movements that started in the east, and the Soviet Union in particular. After decades of the Bolshevik experiment and the realization that this had led Soviet society down a historical blind alley, a strong impulse for democratic reform evolved in the form of Soviet perestroika, which was also available to the countries of eastern Europe.

But it was soon very clear that western capitalism, too, deprived of its old adversary and imagining itself the undisputed victor and incarnation of global progress, is at risk of leading western society and the rest of the world down another historical blind alley.”


Meio cheio ou meio vazio?

No Valor, uma reportagem curiosa de Arnaldo Galvão:

Estudo mostra que política pública reduz pouco pobreza

As políticas públicas de redução da pobreza e da desigualdade estão na direção correta, mas a força delas é insuficiente para resgatar as regiões mais pobres do país, especialmente Nordeste e Norte. Essa é a principal conclusão de um trabalho do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP) da Universidade Federal do Ceará (UFC) sobre o que ocorreu nos 27 Estados e no Distrito Federal, de 2006 a 2008.

O economista e professor Flávio Ataliba Barreto, coordenador da pesquisa, (…)  comenta que, apesar da queda da desigualdade, movimento que vem sendo verificado desde 2001, o Nordeste continua muito atrasado, com renda baixa e desigualdade alta. Ele lamenta que, nessa região, as políticas públicas não conseguiram reverter a situação “preocupante” mantida pelo baixo nível educacional. Na interpretação do professor da UFC, falta perspectiva para esse grupo de nove Estados que têm 28% da população brasileira, mas concentram 49% dos pobres. “Não há muito a comemorar no Nordeste. A região tem grande população, mas ainda é bastante dependente das transferências de renda”, conclui.


Os números da proporção de pobres na população revelam que todos os Estados e o Distrito Federal reduziram o número de pessoas que têm até meio salário mínimo como renda per capita familiar. De 2006 a 2008, o melhor desempenho é do Paraná. O Estado tinha 25,19% nessa situação e passou a ter 18,12%. Goiás aparece logo depois porque reduziu essa parcela da população de 30,87% para 22,20%. Em terceiro lugar está Mato Grosso, com queda de 33,10% para 24,18%.

As reduções mais tímidas da proporção de pobres na população, nesses dois anos, foram de Roraima (42,64% para 37,62%), Amazonas (47,36% para 41,88%) e Paraíba (53,98% para 48,98%).


Outra boa notícia, segundo Barreto, foi a redução do número absoluto de pobres em todos 26 Estados e no Distrito Federal. De 2006 a 2008, a maior diminuição, 26,68%, foi no Paraná. Em segundo lugar, veio Goiás com 25,89%. O terceiro melhor desempenho foi do Mato Grosso, com queda de 24,41% do número absoluto de pobres. Na outra ponta da lista, as reduções mais modestas foram em Roraima (7,44%), Paraíba (7,63%) e Amazonas (8,33%).”


Um copo pela metade sempre parecerá meio vazio para uns e meio cheio para outros, segundo a sede do observador.

Mas me parece um tanto exagerado dizer que uma política pública é “insuficiente” na redução da pobreza quando consegue resultados dessa magnitude em apenas 3 anos.

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Ontem eu estive chateando com um amigo e recebi um eco dessa história dos “smart guys” destruindo Wall Street.  O eco veio via o Krugman mas a idéia original veio desta op-ed do Calvin Trillin.  Para resumir:

“When the smart guys started this business of securitizing things that didn’t even exist in the first place, who was running the firms they worked for? Our guys! The lower third of the class! Guys who didn’t have the foggiest notion of what a credit default swap was. All our guys knew was that they were getting disgustingly rich, and they had gotten to like that. All of that easy money had eaten away at their sense of enoughness.”

O Drezner faz uma pergunta sensível: talvez o problema tenha sido o fato de que os caras espertos estavam sendo comandados pelos caras burros.  Então, a solução, ao invés de despedir os caras espertos, talvez seja demitir os burros e colocar os espertos em seu lugar.

O problema, ao meu ver, é que se os caras espertos não perceberam que estavam fazendo uma grande besteira, o que os faria pensar de modo diferente se estivessem na direção?

Via Daniel Drezner, esta foto de um despacho de Mohamed Nasheed, o Presidente das Ilhas Maldivas, pressionando por um acordo mais eficaz em Copenhagen em prol da luta contra o aquecimento global:


“President Mohamed Nasheed, Vice President Dr Mohamed Waheed and 11 cabinet ministers donned scuba gear and submerged 4 meters below the surface of sea to hold the world’s first underwater cabinet meeting, in a bid to push for a stronger climate change agreement in the upcoming climate summit in Copenhagen.

“We are trying to send our message to let the world know what is happening and what will happen to the Maldives if climate change isn’t checked” said President Nasheed, speaking to the press as soon as he resurfaced from underwater.

“What we are trying to make people realize is that the Maldives is a frontline state. This is not merely an issue for the Maldives but for the world. If we can’t save the Maldives today, you can’t save the rest of the world tomorrow”, said President Nasheed further.

During the 30-minute meeting held in the turquoise lagoon off Girifushi Island, with a backdrop of corals, the President, the Vice President and eleven other Cabinet ministers signed a resolution calling for global cuts in carbon emissions.”


O Drezner tem uma questão:

“Just to be contrarian, however, I do wonder if it’s the case that as small island nations go, so does the rest of the world. Because they are sovereign actors, small island nations often possess greater influence than their population or GDP merits. Would a rational, cost-benefit analysis of how to allocate climate change resources between mitigation and adaptation really place such a high priority on a bunch of small countries with a combined population of less than ten million?”

Imediatamente me veio à mente a idéia de um federalismo mundial.  Como esse papo pode não ter muita tração junto à platéia mais avessa à globalizações que não sejam as meramente comerciais, acho que esta foto contém um bom argumento:


(clique para ampliar)

Levando em consideração que as luzes mostram áreas de maior concentração populacional (com raras exceções, como alguns pontos de extração de petróleo no Oriente Médio), dá pra notar que qualquer alteração significativa do nível do mar terá consequências catastróficas todos os continentes.  Portanto, nesse caso o Drezner não deveria ficar tão preocupado com “a ditadura das minorias”…


Saudi Arabia is trying to enlist other oil-producing countries to support a provocative idea: If wealthy countries reduce their oil consumption to combat global warming, they should pay compensation to oil producers.”

Como diz o Drezner, então eles vão ter que ficar atrás da China e dos EUA, grandes produtores de carvão, um combustível ainda mais poluente que o petróleo.

Algo me diz que os sheiks terminarão chamando seu petróleo de Toby.

Só falta o Brasil do pré-sal entrar nessa…


“More Sid & Nancy than Ben & Jerry”

E, se havia ainda alguma dúvida de que o Punk acabou:

Sex Pistols threaten ice-cream firm over ‘God Save the Cream’ strapline

Lawyers demand that company stops using Sex Pistols-related imagery on T-shirts, deck chairs and online material

The Sex Pistols are threatening legal action against a boutique ice-cream maker for using the advertising strapline “God Save the Cream” and images of a version of the band’s famous single sleeve featuring the Queen on a union flag background.

Icecreamists, the company behind the ad campaign, describes itself as a “subversive ice-cream brand” and is running a concession within the Selfridges storefront on Oxford Street, central London, until November.”


OK: então vivemos em um mundo onde os punks defendem as ferramentas do establishment contra uma empresa que usa métodos subversivo-virais de marketing.  I´m done.


Me parece baixa a probabilidade dos Sex Pistols aderirem ao Pirate Party tão cedo.


Achei uma matéria que é, talvez, a melhor defesa do Polanski que já vi até agora:

Were Polanski to have consensual sex today with a 13-year-old girl in the modern, democratic, industrialized nations of Japan, South Korea, or Spain, it would be perfectly legal according to those countries’ codes. In more than 30 other countries, including Austria, Italy, and Lichtenstein, the age of consent is 14 (in many cases even younger if both partners are close in age). In France, where Polanski has lived since his conviction and where newspapers and even government officials have defended the director against the “sinister” motivations of American prosecutors, it is 15. Even Americans don’t agree on the question. In 27 states, it is legal for an adult of any age to have sex with a 16-year-old, while the rest place the legal age at 17 or 18.”

É um argumento, mas apela para noções de extraterritorialidade.  Nesse particular, continuo achando que Polanski deve encarar seu julgamento, uma vez que a lei da terra é a lei da terra, uai.


No entanto não deixa de ser interessante ver quais países compartilham o amarelinho ali no mapa.  Quem diria.

(*) copirráite Samurai


E eu falando em FC soviética…


Action takes place in the Leningrad, USSR, apparently in the 1970s.

The protagonist, Dmitry Aleskeevich Malyanov (Дмитрий Алексеевич Малянов) is an astrophysicist who, while officially on leave, continues work on his thesis “Interaction of Stars with Diffused Galactic Matter”. Just as he begins to realize that he is on the verge of a revolutionary discovery, his life becomes plagued by strange events.

Malyanov’s neighbor dies, possibly as a suicide, and he comes under suspicion of the police for murder. Unexpectedly, he is visited by an attractive woman claiming to be his wife’s classmate. An apparent explosion fells a large tree just outside his window. These events seem to conspire to prevent Malyanov from returning to his work.

Approaching the problem with a scientific mindset, Malyanov suspects the potential discovery is in the way of someone (or something) intent on preventing the completion of his work. The same idea occurs to his friends and acquaintances, who find themselves in a similar impasse — some powerful, mysterious, and very selective force impedes their work in fields ranging from biology to mathematical linguistics.

A solution is proposed by Malyanov’s friend and neighbor, the mathematician Vecherovsky (Вечеровский). He posits that the mysterious force is the Universe’s reaction to the Mankind’s scientific pursuit which threatens to discover the very essence of the Universe. This reaction is what prevents development of “super-civilizations”, ones that would be able to counteract the Second law of thermodynamics on a cosmic scale.

Paradoxically, Vecherovsky proposes to treat this Universal resistance to scientific progress as a natural phenomenon which can and should be investigated and even harnessed by Science.”

Er, realidade:

More than a year after an explosion of sparks, soot and frigid helium shut it down, the world’s biggest and most expensive physics experiment, known as the Large Hadron Collider, is poised to start up again. In December, if all goes well, protons will start smashing together in an underground racetrack outside Geneva in a search for forces and particles that reigned during the first trillionth of a second of the Big Bang.

Then it will be time to test one of the most bizarre and revolutionary theories in science. I’m not talking about extra dimensions of space-time, dark matter or even black holes that eat the Earth. No, I’m talking about the notion that the troubled collider is being sabotaged by its own future. A pair of otherwise distinguished physicists have suggested that the hypothesized Higgs boson, which physicists hope to produce with the collider, might be so abhorrent to nature that its creation would ripple backward through time and stop the collider before it could make one, like a time traveler who goes back in time to kill his grandfather.

Holger Bech Nielsen, of the Niels Bohr Institute in Copenhagen, and Masao Ninomiya of the Yukawa Institute for Theoretical Physics in Kyoto, Japan, put this idea forward in a series of papers with titles like “Test of Effect From Future in Large Hadron Collider: a Proposal” and “Search for Future Influence From LHC,” posted on the physics Web site in the last year and a half.

According to the so-called Standard Model that rules almost all physics, the Higgs is responsible for imbuing other elementary particles with mass.

“It must be our prediction that all Higgs producing machines shall have bad luck,” Dr. Nielsen said in an e-mail message. In an unpublished essay, Dr. Nielson said of the theory, “Well, one could even almost say that we have a model for God.” It is their guess, he went on, “that He rather hates Higgs particles, and attempts to avoid them.”

This malign influence from the future, they argue, could explain why the United States Superconducting Supercollider, also designed to find the Higgs, was canceled in 1993 after billions of dollars had already been spent, an event so unlikely that Dr. Nielsen calls it an “anti-miracle.”


Dr. Nielsen admits that he and Dr. Ninomiya’s new theory smacks of time travel, a longtime interest, which has become a respectable research subject in recent years. While it is a paradox to go back in time and kill your grandfather, physicists agree there is no paradox if you go back in time and save him from being hit by a bus. In the case of the Higgs and the collider, it is as if something is going back in time to keep the universe from being hit by a bus. Although just why the Higgs would be a catastrophe is not clear. If we knew, presumably, we wouldn’t be trying to make one. (…)

(hat tip: PMF)


O Guardian sob censura!

Guardian gagged from reporting parliament

Guardian has been prevented from reporting parliamentary proceedings on legal grounds which appear to call into question privileges guaranteeing free speech established under the 1688 Bill of Rights.

Today’s published Commons order papers contain a question to be answered by a minister later this week. The Guardian is prevented from identifying the MP who has asked the question, what the question is, which minister might answer it, or where the question is to be found.

The Guardian is also forbidden from telling its readers why the paper is prevented – for the first time in memory – from reporting parliament. Legal obstacles, which cannot be identified, involve proceedings, which cannot be mentioned, on behalf of a client who must remain secret.

The only fact the Guardian can report is that the case involves the London solicitors Carter-Ruck, who specialise in suing the media for clients, who include individuals or global corporations.

The Guardian has vowed urgently to go to court to overturn the gag on its reporting. The editor, Alan Rusbridger, said: “The media laws in this country increasingly place newspapers in a Kafkaesque world in which we cannot tell the public anything about information which is being suppressed, nor the proceedings which suppress it. It is doubly menacing when those restraints include the reporting of parliament itself.”

The media lawyer Geoffrey Robertson QC said Lord Denning ruled in the 1970s that “whatever comments are made in parliament” can be reported in newspapers without fear of contempt.

He said: “Four rebel MPs asked questions giving the identity of ‘Colonel B’, granted anonymity by a judge on grounds of ‘national security’. The DPP threatened the press might be prosecuted for contempt, but most published.”

The right to report parliament was the subject of many struggles in the 18th century, with the MP and journalist John Wilkes fighting every authority – up to the king – over the right to keep the public informed. After Wilkes’s battle, wrote the historian Robert Hargreaves, “it gradually became accepted that the public had a constitutional right to know what their elected representatives were up to“.


E eu que pensava que coisas assim só aconteciam com jornais de alta credibilidade como o Estadão, em países que são repúblicas de bananas…


Enquanto isso, em uma galáxia muito distante…


Brasília, 13 – O jornal O Estado de S. Paulo continua sob censura. Os desembargadores do Conselho Especial do TJ rejeitaram hoje um recurso no qual era contestada a manutenção da liminar que impede a publicação de reportagem sobre a operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investigou o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

Ao contrário do ocorrido nos julgamentos anteriores, a discussão de hoje foi aberta. Dois desembargadores do tribunal questionaram o fato de o julgamento não ter sido sigiloso, como nas outras oportunidades. A explicação foi a de que o TJ estava seguindo uma determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que exerce o controle externo do Judiciário e que nesta semana está fazendo uma inspeção no tribunal do Distrito Federal. Em setembro, o corregedor nacional de Justiça, Gilson Dipp, pediu explicações ao TJ sobre os julgamentos secretos.

Na votação de hoje, os desembargadores confirmaram decisão tomada em setembro pelo Conselho Especial que afastou do processo o desembargador Dácio Vieira, autor da decisão que censurou o jornal. Mas o Conselho manteve a censura. Os desembargadores também decidiram rejeitar um pedido para que Dácio Vieira fosse obrigado a pagar as custas do recurso no qual ele foi considerado suspeito para continuar a atuar como relator. Essas custas são estimadas em R$ 38. Esse pagamento está previsto no Código de Processo Civil.”

Será que depois do taylorismo, do fordismo, e da mass-customization, estamos vendo o nascimento do modo de produção “on-demand”?

Este post no blog “Bits” do NYT fala sobre o que talvez seja a aurora desse processo.   Ele fala sobre o sucesso do filme “Paranormal Activity“, rodado ao custo de parcos US$ 10.000,00, e que está fazendo grande sucesso na internet _ entre outros motivos porque seus responsáveis imaginaram um interessante marketing viral onde as pessoas podem votar para que o fllme passe em sua cidade.

Me parece meio inevitável que, com a teia global da internet estendendo-se a todos os rincões, este tipo de interação se torne cada vez mais comum.

Agora, se o Twitter vai conseguir fazer algum dinheiro com isso, eu não sei.

O UOL nos informa de mais um editorial com elogios ao Brasil em um jornal argentino:

Lula projeta Brasil a ‘líder regional e ator global de 1ª ordem’, diz jornal argentino

O jornal argentino “La Nación” afirma em seu principal editorial desta segunda-feira que, enquanto a Argentina perde espaço e importância no cenário internacional, o Brasil se consolida como “líder regional e ator global de primeira ordem”.

O texto, intitulado “Brasil, nas grandes ligas”, atribui o resultado ao trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que por sua vez seguiu a “via das políticas de Estado (…) traçadas nos oito anos anteriores pelo presidente Fernando Henrique Cardoso”.

Os editorialistas fazem sua análise a partir do que chamam de “dois troféus” aquinhoados por Lula em sua recente viagem à capital dinamarquesa, Copenhague: a eleição do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 e o apoio da União Europeia ao modelo brasileiro de combate ao desmatamento, que será apresentado na mais importante reunião sobre o clima do ano, que ocorre em dezembro, também em Copenhague.

Sobre a escolha do Rio como sede olímpica, o jornal avalia que a atuação brasileira na disputa, apartidária, mostrou uma “formidável imagem de como se defende o interesse nacional”. O “La Nación” sugere que, se Buenos Aires tivesse sido candidata, “aversões pessoais” entre os políticos argentinos impediriam uma postura semelhante.

Para o jornal “não é novidade que o Brasil, pelo carisma e o impulso de seu presidente, jogue nas grandes ligas”.

“A novidade é que, em meio a sérios problemas de desigualdade e de corrupção ainda não resolvidos, Lula tenha conseguido projetar seu país como um líder regional que não admite essa definição, ainda que saiba que esta cada vez mais perto de sê-lo.” Exemplos dessa projeção são o diálogo de Lula com o presidente americano, Barack Obama, “enquanto Cristina Kirchner, ainda não consciente de que todos os seus ataques contra Bush se traduzem de forma imediata em Washington como ataques contra os Estados Unidos, não teve ocasião de dialogar senão em breves intervalos de cúpulas internacionais com Obama”.

O jornal observa que “em 2011 terminará o segundo período de Lula”. “Terminará também esta tendência? Não. Definitivamente não. Em 2014 o Brasil será sede do campeonato mundial de futebol; em 2016, o Rio de Janeiro receberá os atletas.” Os editorialistas tentam explicar por que, apesar da crise, “o Brasil recebe investimentos diretos em maior volume que a Argentina” e tem recursos para emprestar ao FMI, e por que “em cada cúpula da Unasur (o grupo de países sul-americanos), os olhares apontam para Lula e os ouvidos esperam suas reflexões”.

“Talvez porque, no plano político, os escândalos de corrupção nunca terem lançado dúvidas sobre Lula; porque ele cumpriu sua palavra empenhada sem desmerecer às instituições nem às pessoas que pensam diferente; e porque nunca teve a estranha idéia de construir um trem bala onde falta comida.“”


Essa última referência, ao trem bala, me pareceu um tanto enigmática; creio que se refere ao trem bala argentino, previso para ligar Buenos Aires a Córdoba, passando por Rosario.


Fico me perguntando o quanto disso se deve a) à personalidade de Lula; b) às políticas de Lula; c) meramente ao tamanho do Brasil.

Eu acredito que 90% deva-se a uma mescla de a) e b).

Da Wikipedia:

A ficção científica no Brasil é um segmento literário que nunca demonstrou popularidade ou constância, estando baseado em pequenas quantidades de aficionados. Foi praticada por diversos autores influenciados por escritores internacionais do gênero, que tem grande popularidade nos Estados Unidos ou Europa. Por outro lado, alguns autores brasileiros consagrados se aventuraram em obras únicas que podem ser consideradas ficção científica, como Machado de Assis no conto O Imortal.”

Achei interessante a citação, porque bem, eu acabei de ler este livro aqui, que um amigo me emprestou:


(clique na capa para a descrição da obra)

E, surpresa! o conto do Machadão, “O Imortal”, é o que abre a coletânea.  Eu até já li bastante Machado, mas não conhecia este conto, que deve ser possivelmente possivelmente a primeira obra brasileira de FC, eu acho.

Vocês já devem estar enjoados de saber que exultei ao ler, na série de Elio Gaspari sobre a ditadura, o trecho em que se conta a infância pobre de Ernesto Geisel no interior do Rio Grande do Sul _ mas era aquela pobreza mais material que espiritual, de forma que o pai de Geisel lhe deu a coleção completa das obras de Julio Verne, as quais, segundo o General, influenciaram bastante sua forma de ver o mundo, a começar pela importância que dedicava à ciência e tecnologia.  Exultei porque vi ali um reflexo de minha própria infância, também pobre, embora diferentemente pobre _ a pobreza dos megacaixotes de gente de classe média baixa de Copacabana _ e que também foi influenciada pelo velho mago francês.  Pois o primeiro livro não-infantil que li na minha vida foi “20.000 Léguas Submarinas”, em uma edição baratinha da Ediouro, que tinha uma lojinha ali quase na esquina da Santa Clara com a Domingos Ferreira.


O que me fez ficar dando tratos à bola, imaginando se é possível correlacionar leituras de ficção científica com pendor pelas ciências e, destarte, grau de inovação de uma sociedade.  Encontrei um estudo da, er, NSF, com uma evidência puramente anedótica:

Interest in science fiction may be an important factor in leading men and women to become interested in science as a career. Although it is only anecdotal evidence, found on Internet discussion lists, for example, scientists often say they were inspired to become scientists by their keen interest in science fiction as children.”

Também encontrei um testemunho desse cara que, sendo americano, provavelmente não conhece muito Julio Verne [ou por falar nisso, Perry Rhodan…], razão pela qual ele reclama não conhecer literatura de FC adequada para crianças.

Um outro sujeito se faz uma pergunta semelhante, com ênfase, entretanto, não na vocação para ciência e tecnologia em geral, mas para a exploração espacial em particular:

Does the predominance of Harry Potter over science fiction bode well or ill for the future of public spaceflight support? What science fiction and non-fiction books would you give to a child or teenager to inspire them about space exploration?

Harry Potter.  Bah.

[um comentário no post linkou uma interessante lista do material de leitura disponível na Estação Espacial Internacional…tem Harry Potter.  Bah.]

É claro que possivelmente a causalidade inversa também ocorre: sociedades que dão grande importância à inovação também devem produzir e consumir muita FC.  Achei alguns dados antigos sobre o mercado editorial norte-americano aqui:


FC chegava a ser o quarto gênero mais popular em 1999, caindo para quinto em 2001.  Gostaria muito de ver uma série histórica mais ampla, começando no pós-guerra e chegando até 2008 pelo menos.  Também gostaria de ver a lista análoga no Brasil…pelo espaço que a FC tem nas prateleiras das livrarias nacionais, suspeito que o gênero deva vir lá na centésima colocação.

Aliás, outra coisa que queria saber é se existe algum título de FC nos livros adquiridos pelo MEC no Programa Nacional do Livro Didático (ou sua versão para o Ensino Médio).  Procurei, procurei, e não achei uma lista extensiva sequer…se alguém aí souber onde tem avise, please.


Enquanto isso, parece ter gente nos EUA se esforçando para protagonizar a “Ascensão e Queda do Império Americano“, com ênfase na queda:


(clique na imagem para ver as legendas)

Versão crítica, aqui.  Versão chutando o balde, aqui.



Trecho interessante de um artigo interessante:

In 2007, students in Singapore, Japan, China, and Hong Kong (which was counted independently) all performed better on an international science exam than American students. The U.S. scores have remained essentially stagnant since 1995, the first year the exam was administered. Adults are even less scientifically literate. Early in 2009, the results of a California Academy of Sciences poll (conducted throughout the nation) revealed that only fifty-three per cent of American adults know how long it takes for the Earth to revolve around the sun, and a slightly larger number—fifty-nine per cent—are aware that dinosaurs and humans never lived at the same time.


Na Wired, via Slashdot: um novo tipo de nuvem _ undulatus asperatus.

Interessante a conexão que a Wired faz entre a “descoberta” e a recente disponibilidade de máquinas fotográficas digitais.


Afinal, quando é que vão parar com essa babação do Brasil?  Viramos doce?  Até eu já estou enjoado, que dirá os boludos dos maricóns!


Assim não dá!  Assim não é possível!  Deu no Estadão:

Brasil tem a supervisão bancária mais eficaz do mundo, diz relatório

Que enjôo!  Ninguém aguenta mais!


Enquanto os ´mericano se enrolam na fábula da raposa e das uvas, este comentário me deu uma idéia:

I have been to Atlanta and have seen Centennial Park. It is a great area but to my knowledge, it is not used anymore; a multi-million dollar facility that is not used. And the most recent games, in China; they had to build many facilities and structures that cost lots and lots of money that probably won’t get used again. The point I am trying to make is that, getting a city ready to host an Olympic event takes millions of dollars.

Seria interessante se algum empresário brasileiro verdadeiramente empreendedor aparecesse com a idéia de desenvolver tecnologia para a construção de megaestruturas modulares, baratas e desmontáveis.  Evidentemente, o retorno desse cara não viria apenas das Olimpíadas, mas do licenciamento dessa tecnologia para o Exterior _ embora a Olimpíada pudesse ajudar na amortização do investimento. Eike, Steinbruch, onde vocês estão quando a gente mais precisa de vocês?

Não é uma idéia nova, mas teria de ser adaptada.  O problema é que talvez isso já tivesse que ter começado há algum tempo.


Estou quase criando uma tag nova: solucionáticas.  O próximo!


Abaixo do folder botei um artigo que saiu no Valor de hoje, de autoria de Heloísa Magalhães, chefe da redação carioca do jornal,  sobre a importância das Olimpíadas para a cidade do Rio de Janeiro. Continue lendo »

Curiosamente, o 3quarks daily reproduz um post com uma abordagem muito semelhante a do meu último comentário sobre Polanski:

I have to note that the answer to the question of Roman Polanski’s prosecution and punishment depends largely on the answer to a long-discussed philosophical question: that of personal identity and its relation to moral responsibility.

It has been notoriously difficult to say what makes a person the same person over time, especially given then enormous physical and psychological changes that a person undergoes. In the span of a decade, a person can completely reform their beliefs, their values, and their patterns of action, and can even suffer total memory loss. It seems natural to say, as Derek Parfit does, that they are not really “the same person”, but rather they are connected to that past person, only insofar as they share that past person’s psychology. They are thus (say) 25% connected, and that former person survives only to this small degree

Let’s assume that Polanski is significantly different in this way: that he is no longer Polanski1973, that person’s youthful immorality and disregard has been completely wiped out and replaced with kindness and thoughtfulness. The former criminal only survives to some small extent (say, 25%, though the number doesn’t really matter).(…)

Vão lá e leiam o resto, porque o autor realmente leva a idéia a limites que eu não persegui.

Mais curiosamente, o post dele tem a mesma data do meu.  Mas o meu foi publicado às 8:05 da manhã no Brasil, e o dele, às 12:43…em Vancouver.  🙂


Sugiro ainda duas leituras interessantes:  esta e esta, nesta ordem.

Felix Salmon tem um ponto interessante:

Why the Olympics are good for infrastructure

Ryan Avent explains, contra Matt Yglesias, why hosting the Olympic games makes sense from a behavioral-economics perspective:

Infrastructure benefits begin appearing years down the road and last for decades beyond that, while many of the costs — the political headaches, the need to put together financing, the disruption of construction, and so on — are relatively immediate. Winning the Olympics ties an immediate benefit to the immediate costs.

More to the point, it sets a deadline. Infrastructure projects invariably end up plagued by endless delays: just ask anybody who currently commutes on the Second Avenue subway line in New York. And deadlines are often the only way that anything ever gets finished: just ask any journalist. If you win the Olympics, you know that for all the construction headaches you’ll have to endure before they open, at least you’ll have some decent infrastructure thereafter. If you don’t win the Olympics, then even if you’re enlightened enough to invest in infrastructure, you can have no faith in its arrival.

Rio de Janeiro has desperate need for a good subway system. If it wins the Olympics, it will probably have just such a system by 2016. If it doesn’t win the Olympics, there will still be a lot of infrastructure investment in the city. But without a deadline, I don’t think anybody has any faith in getting that subway system any time soon.


De fato, segundo esta matéria do G1, 40% dos 29 bilhões a serem gastos na produção dos Jogos irão para o setor transportes.  Prevê-se, além da expansão da capacidade do aeroporto do Galeão, o seguinte:

Dos quase R$ 29 bilhões de investimentos previstos para os jogos, quase 40% serão aplicados em transportes. Trem, ônibus e metrô: todos vão receber substanciais investimentos.

Para o transporte ferroviário, serão 120 novos trens, além da reforma e instalação de ar condicionado em quase cem deles.

Um novo sistema será o BRT – ônibus de trânsito rápido. Serão três corredores exclusivos para esses veículos. Um deles sairia do Leblon, na Zona Sul, passaria por São Conrado e atravessaria toda a Barra da Tijuca, até chegar no Riocentro, na Zona Oeste. Outro, o antigo projeto T5, sairia da Penha, no subúrbio, cruzaria bairros da Zona Norte, regiões de Jacarepaguá e quando chegasse à Barra, seguiria em duas direções: até o Riocentro e até o terminal Alvorada.

No terceiro corredor, os ônibus sairiam de Bangu, passariam por outros bairros da Zona Oeste, como Deodoro, e seguiriam para Jacarepaguá, com destino final também o Riocentro.

“Pode ser uma solução interessante e pode vir a ajudar a solucionar alguns dos problemas de mobilidade que nós temos na nossa cidade. Principalmente na Zona Oeste, que é a ligação da parte mais lá de cima, de Bangu, Campo Grande, com a Baixada da Barra, Recreio dos Bandeirantes, e o próprio corredor T5, que é ligação Barra-Penha, onde está prevista a expansão, no futuro, de uma linha de metrô, a Linha 6”, explicou Hostílio Xavier Ratton, engenheiro de transportes da Coppe UFRJ.

Mas para outro especialista, esse tipo de ônibus ainda não é o bastante. “Sistema de ônibus rápidos é uma alternativa que é mais viável em termos de certeza de execução, e relativamente mais barata. Mas só que não é a melhor pra cidade. A melhor pra cidade, realmente, é expandir o metrô até onde puder – até a Barra, que é o sonho inicial que a gente tem”, disse o engenheiro José Eugênio Leal, da PUC.

Novas estações do metrô

Ainda esse ano os moradores de Ipanema, na Zona Sul, já vão poder ir pra casa de metrô com a inauguração da Estação General Osório.

Além da extensão da linha 1 até Ipanema, estão previstas outras inaugurações. Em dezembro começa a funcionar a ligação direta entre a Pavuna e Botafogo. Sem precisar mais da baldeação do Estácio, a viagem fica 13 minutos mais curta.

Já para a estação Uruguai, na Tijuca, Zona Norte, a previsão é de inauguração em 2014, quando o metrô também deverá chegar a Gávea, passando por três novas estações, em Ipanema e no Leblon.

E embora não faça parte da promessa olímpica, a intenção dos governos estadual e municipal é que, com os jogos no Rio, o metrô também chegue à Barra da Tijuca até 2016.

“Imagina você ter o metrô chegando à Barra. O engarrafamento pra Barra é terrível, você hoje leva uma hora e vinte, uma hora e meia pra chegar na Barra, e com o metrô você levaria vinte minutos”, disse o engenheiro do metrô Eduardo Aguiar.


No entanto, eu mesmo duvido que consigam levar o metrô a Barra até 2016.



No NYT, a opinião de três economistas sobre se a Olimpíada vale ou não à pena.

As Olimpíadas do Rio começam em 5 de agosto de 2016.

O switch-off da TV digital terrestre no Brasil _ o momento em que todas as transmissões analógicas serão terminadas _ está marcado para 29 de junho de 2016.


Vai ser um deus-nos-acuda.


Unintended consequences ruleiam.


Então o Rio terá o privilégio de abrigar o primeiro e o segundo mais importantes eventos esportivos do mundo.

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outubro 2017
« maio    
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