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Será que James Cameron é o Oliver Stone do século XXI?  Ou, pior, o Gillo Pontecorvo de nossa época?

Talvez. “Avatar” é um filme curioso, pois continua sendo um enorme sucesso de público (os números mostram que ele já ultrapassou  “Titanic” como a maior bilheteria de todos os tempos – embora um certo desconto deva ser feito pelo fato de que os ingressos nos cinemas 3D é são um pouco mais caros), ao mesmo tempo em que atrai críticas à direita e à esquerda do espectro ideológico.

Em entrevista recente, Cameron teve que fazer algo que julgo inédito para um profissional de Hollywood durante um governo Democrata: defender-se das acusações de que seu filme é anti-americano.  E penso que ele o fez com galhardia:

Speaking at a private industry screening of the film, the director with his star Zoe Saldana said that “Avatar” — with its depiction of mineral exploitation on a distant planet and a cadre of trigger-happy mercenaries charged with instituting a scorched earth policy — is very much a political film.

But he rejected comments by critics that the film is un-American even if it is an allegory for American military forays.

I’ve heard people say this film is un-American, while part of being an American is having the freedom to have dissenting ideas,” Cameron said, prompting loud applause from a capacity crowd at the ArcLight Hollywood.

This movie reflects that we are living through war,” Cameron added. “There are boots on the ground, troops who I personally believe were sent there under false pretenses, so I hope this will be part of opening our eyes.” [grifo meu]

Então.  Até o Evo Morales concorda.  🙂

As críticas à esquerda, pelo menos as que eu vi, me parecem menos interessantes.  Em sua maioria, acusam o filme de racismo, pelo fato de os Na´vi precisarem, ao cabo e ao rabo, de um humano “convertido” para liderar sua luta contra a ocupação terráquea.  Outros criticam a lentidão com que o protagonista assume seu dilema moral.  Tudo isso procede, mas eu prefiro lidar com fatos, e os fatos são, em ordem decrescente de importância:

a) Jake Sully é um marine, alguém de quem se espera qualquer coisa menos preocupar-se com os dilemas morais da guerra, e talvez a maior crítica que se possa fazer ao filme é que a despeito disso ele termina por preocupar-se com esse tipo de coisa _ embora devamos levar em conta que em certo momento do filme fica claro que os Na´vi o adotaram para “curá-lo de sua insanidade”;

b) o fato é que, para traçarmos um paralelo histórico, poucas vezes na História um povo ou civilização tecnologicamente inferiorizado foi capaz de resistir à agressão de forças tecnologicamente superiores _ e nesse caso talvez o problema do filme tenha sido o de que os terrestres tenham sido, afinal, derrotados (ainda que pela “Gaia” do planeta e não pelos Na´vi ou mesmo Jake Sully, embora ele é quem tenha tido a idéia _ que vergonhosamente não ocorreu aos Na´vi _ de apelar pra ela);

c) pessoal, estamos falando de um filme de Hollywood, que tem que passar por uma enorme quantidade de filtros (principalmente financeiros) antes de se transformar em um projeto real; Cameron simplesmente não teria conseguido pôr a mão no orçamento que teve, se tivesse se dedicado a criar um filme que trabalhasse meticulosamente todos os problemas sociológicos, filosóficos e morais da situação _ principalmente porque, independentemente dos pendores ideológicos dos CEO´s em Hollywood, um filme assim não atrai grandes públicos e não dá retorno.

Já a crítica à direita varia entre a previsível e a francamente imbecil.  No geral, ela se reduz a recriminar a “ingenuidade” do filme em retratar a tentativa de genocídio de uma civilização por outra tecnologicamente superior, em uma curiosa exibição de má consciência em que a única “suspension of disbelief” admitida é a da ficção do “direito natural”.

Mas há casos patológicos.

Tomemos, por exemplo, Jonah Goldberg, o cara que ficou famoso por escrever um livro (“Liberal Fascism”, traduzido no Brasil como “Fascismo de Esquerda“) que confunde autoritarismo e tendência ideológica e propõe a tese de que o fascismo é um movimento de esquerda, usando argumentos que, quanto à sua estrutura lógica,  já deviam ter sido colocados em seu devido lugar ao tempo de Aristóteles.

Goldberg cometeu um artigo no Los Angeles Times que tem, ao menos, o mérito de possivelmente acabar com toda e qualquer pretensão do rapaz à seriedade.  Porque nesse artigo a grande recriminação que Goldberg faz ao filme é que, raios, como é possível que os Na´vi não tenham Jesus em seu coração???

The film has been subjected to a sustained assault from many on the right, most notably by Ross Douthat in the New York Times, as an “apologia for pantheism.” Douthat’s criticisms hit the mark, but the most relevant point was raised by John Podhoretz in the Weekly Standard. Cameron wrote “Avatar,” says Podhoretz, “not to be controversial, but quite the opposite: He was making something he thought would be most pleasing to the greatest number of people.”

What would have been controversial is if — somehow — Cameron had made a movie in which the good guys accepted Jesus Christ into their hearts.

Of course, that sounds outlandish and absurd, but that’s the point, isn’t it? We live in an age in which it’s the norm to speak glowingly of spirituality but derisively of traditional religion. If the Na’Vi were Roman Catholics, there would be boycotts and protests. Make the oversized Smurfs Rousseauian noble savages and everyone nods along, save for a few cranky right-wingers.

Levando em consideração que os primeiros navegadores europeus só precisavam ir ali na África para encontrar gente que jamais tinha ouvido falar de Cristo ou por falar nisso em um Deus único, seria deveras engraçado esperar que um tal espanto se realizasse em Alpha Centauri, por mais que ensinemos às crianças que Papai do Céu está, oras, no Céu.

[na verdade, Goldberg quer mesmo é dizer que uma das razões do sucesso do filme é sua aura “religiosa” em termos de uma conexão transcendental com a Natureza, e que isso só é possível porque nós temos um “instinto de fé” _ uma assertiva fácil de se jogar nas páginas de um jornal para leigos, mas que, a vero, é objeto de uma complexa discussão evolucionária]

***

Em um curioso “twist” nesse tema do embate entre esquerda e direita acerca de “Avatar” lá no Exterior, no Brasil o filme acabou se tornando foco de algo parecido, só que no papel de bode expiatório, como se pode ver na entrevista dada pelo Barretão no Globo Online:

Mas o que o senhor acha que aconteceu para o público do filme ficar abaixo do esperado?
BARRETO
: Houve vários erros. O primeiro foi realmente termos aceitado exibir o filme na abertura do Festival de Brasília. Brasília é a capital política do país, e, naquela altura, já surgiam os primeiros comentários de que o filme teria uma influência nas eleições. Estávamos entrando na arena dos leões. Além disso, a data era muito longe do lançamento. O filme teve uma exposição a partir de Brasília que só se justificaria se lançássemos uma semana depois. Com o “Tropa de elite”, por exemplo, assim que surgiu o fato da pirataria, deflagrando uma mídia grande, eles anteciparam o lançamento. Nós poderíamos ter tido um pouco mais de audácia e fazer o mesmo. Se fizéssemos, também teríamos evitado a onda do “Avatar”, que foi subestimado, não só por nós, mas por todo mundo. A gente achou que o “Lula” seria a grande novidade. Aí comprovou-se que “Avatar” não era apenas um grande evento, mas também um muito bom filme.” (grifo meu)

Tio Rei, é claro, pinta e borda em cima:

Barretão sabe que não tem essa de lançamento errado, Avatar etc. Foram dois os erros principais:

a) O primeiro foi mesmo de expectativa. O filme mais caro da história do cinema brasileiro ambicionou ser o de maior bilheteria;

b) se a expectativa era essa, já expliquei em outro texto que a personagem teria de ser outra.”

Bom.

Qualquer um que lide com indústria de cinema a sério sabe que existem algumas variáveis chave no negócio, uma vez estando o filme pronto:  o número de cópias produzidas (com reflexo, evidentemente, no número de salas onde o filme será lançado) e a competição em termos de que outros filmes serão lançados conjuntamente ao seu.

A distribuidora do LFB é a Downtown Filmes, fundada por Bruno Wainer em 2006.  Bruno Wainer, filho de Danuza Leão com Samuel Wainer, não é exatamente um leigo nesse mercado _ na verdade ele é um grande nome da indústria nacional, e conhece as regras do jogo.  Bem, Avatar foi lançado em 18 de dezembro, LFB em primeiro de janeiro _ dois fins de semana depois.  Eu não acredito que Wainer tenha realmente achado que ‘Avatar” era, assim, um azarão; e mesmo tendo evitado o lançamento ombro a ombro,  também não creio que Wainer pudesse acreditar que dois finais de semana _ sendo que um, o fim de semana do Natal _ fossem suficientes para “esvaziar” a pressão da demanda por “Avatar”.  Resta especularmos sobre o porque de resolverem lançar o filme assim mesmo.

Portanto, acho leviano, da parte do Tio Rei, dizer “que não tem essa de lançamento errado, Avatar etc“.  Tem essa sim, é claro.  E tanto o Barretão sabe disso que na mesma entrevista diz que o negócio foi “um erro de avaliação coletiva” de produtores, distribuidores e exibidores.

Por outro lado, é verdade, e nisso concordo com Reinaldo, que nego tinha altas expectativas quanto ao filme _ não tivessem, não o teriam feito estrear em mais de 400 salas, um número superior ao campeão nacional de bilheteria atual, “Se Eu Fosse Você 2”, com 300 salas.  Em poucas palavras, apostaram alto, acreditando que o alto grau de aprovação da figura de Lula como presidente se traduziria em um maná de ingressos de cinema.  Ledo engano _ o brasileiro não tem muita vocação para este tipo de coisa.  Acho que nem Getúlio Vargas na década de 30 teria sido sucesso de público.  Talvez Pedro I…  🙂

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Nova garota propaganda da Natura!

Tio Rei escreve o seguinte sobre a hipertensão de Lula:

Lembrem-se, ao comentar, de que, neste blog, torcemos sempre pela saúde das pessoas. De qualquer pessoa. À diferença das falanges do ódio que são estimuladas — e remuneradas para tanto — a fazer o serviço sujo na Internet e a torcer pelo fim daqueles que consideram seus adversários (sei bem do que falo!!!), torcemos pelo bem-estar de aliados e de adversários. Queremos os primeiros como parceiros de luta. Queremos os outros como oponentes na luta.

Ele está na fase “sopra” do “morde e sopra”.  Dando uma de bom moço nas preliminares.  Mas se o padrão instituído no caso do câncer da Dilma se repetir, já já ele estará acusando o coração do Presidente de crime eleitoral…

Às vezes a gente fica se perguntando como foi que não pensou nisso antes.

Massive Earthquake Reveals Entire Island Civilization Called ‘Haiti’

PORT-AU-PRINCE, HAITI—Less than two weeks after converging upon the site of a devastating magnitude 7.0 earthquake, American anthropologists have confirmed the discovery of a small, poverty-stricken island nation, known to its inhabitants as “Haiti.”

Located just 700 miles off the southeastern coast of Florida, the previously unaccounted-for country is believed to be home to an estimated 10 million people.

Even more astounding, reports now indicate that these people have likely inhabited the impoverished, destitute region—unnoticed by the rest of the world—for more than 300 years.

Researchers believe this was once the capital, though it’s unclear if the Haitian people ever had a truly functional government.

“That an entire civilization has been somehow existing right under our noses for all this time comes as a complete shock,” said University of Florida anthropology professor Dr. Ben Oliver, adding that it appeared as if Haiti’s citizens had been living under dangerous conditions even before the devastating earthquake struck. “Of course, there have been rumors in the past about a long-forgotten Caribbean nation whose people struggle every day to survive, live in constant fear of a corrupt government, and endure such squalor and hunger that they have resorted to eating dirt. But never did we give them much thought.”

Added Oliver, “Had it not been for this earthquake, I doubt we would have ever noticed Haiti at all.”

Talvez tenha passado desapercebido ao público brasileiro o fato de que agora em Janeiro a Suprema Corte dos EUA liberou a possibilidade de grandes empresas financiarem campanhas políticas naquele grande país, sem limites quando ao volume de recursos gasto por candidato:

Suprema Corte dos EUA libera financiamento de campanhas políticas por grandes empresas

NOVA YORK – Uma Suprema Corte muito dividida aprovou na quinta-feira a decisão de abolir os limites para gastos de grandes corporações com campanhas eleitorais nos EUA e causou fortes protestos de políticos em Washington e de entidades de defesa da liberdade de expressão. A sentença derrubou limites de financiamento de campanha que vigoraram nos últimos 20 anos. A decisão foi aprovada por cinco votos contra quatro e também prevê que todos os anúncios pagos pelas campanhas devem explicitar o nome do patrocinador que deu o dinheiro. Até então, todas as doações de campanha eram destinadas a um comitê politico e, mesmo assim, com limites. Na eleição presidencial de 2008, o limite individual foi de US$ 2.400. Agora, empresas poderão destinar recursos diretamente a um determinado candidato, sem intermediações nem limites.”

Embora John McCain tenha se revelado “desapontado” com a sentença,  justamente por isso é que suponho que a maioria dos republicanos tenha gostado da idéia, como o Senador Mitch McConnel, do Kentucky, líder da minoria no Senado.

– Por muito tempo, grandes empresas foram impedidas de participar plenamente das campanhas políticas, e esta decisão é um reforço da Primeira Emenda, que garante liberdade para todos, inclusive grandes corporações. É um reforço da liberdade e não uma ameaça à democracia.

É isso aí.  No Voloch Conspiration também abundam defesas da sentença, em geral seguindo o mote “empresas também são gente“.

Acho que isso diz muito sobre a possibilidade de qualquer proposta legislativa sobre a regulação dos serviços financeiros passar no Congresso norte-americano após 2010.

***

Comentando uma flor de retórica exposta em um artigo de Larry Lessig, segundo a qual embora ninguém possa em sã consciência suspeitar que a sentença teria sido comprada e ainda manter sua credibilidade mas que paradoxalmente a Suprema Corte negou ao Congresso a integridade de que ele mesmo usufrui, o James Balkin do Balkinization produziu a meu ver a melhor exposição da questão, que inteligmente atribui a opinião da Corte não a uma negociata corrupta entre juízes e empresas, mas como o resultado de um investimento de longo prazo:

The Supreme Court we have today is the ghost of campaign expenditures past.

Bingo.

Mira:

Pilot diverts jet over teen’s in-flight prayer

PHILADELPHIA – A Jewish teen trying to pray on a New York-to-Kentucky flight caused a scare when he pulled out a set of small black boxes containing holy scrolls, leading the captain to divert the flight to Philadelphia, where the commuter plane was greeted by police, bomb-sniffing dogs and federal agents.” [grifo meu]

Bem ao ponto, duas matérias interessantes na Economist.

A primeira versa sob o legado de Osama Bin Laden para os EUA:

The [security]  system is geared towards keeping out a tiny number of terrorists. Fair enough—such people should indeed be kept out. But there should be a trade-off. An immigration official lives in fear of admitting the next Mohammed Atta, but there is no penalty for excluding the next Einstein, or for humiliating tourists who subsequently summer in France. Osama bin Laden has arguably inflicted more harm on America indirectly than directly. To stop his acolytes from striking again, the government has made entering America far more difficult and degrading than it need be.”

É claro que este não é um argumento que persuada o wingnut next door, mas pense bem:

This has slowed the influx of foreign brains. In 2001, 28% of students who studied abroad did so at American universities. By 2008 that figure had shrunk to 21%, though since the absolute number of globally mobile students grew by 50% over that period, the absolute number in America has flattened, not fallen. Does this matter? Well, foreigners and immigrants make up more than half of the scientific researchers in the United States, notes Edward Alden, the author of a fine book called “The Closing of the American Border”. Among postdoctoral students doing top-level research, 60% are foreign-born. Boffins flock to America because its universities are the best, but the ordeal of getting a visa prompts many to take their ideas elsewhere.”

Pra quem não percebeu, há ali um interessante  trocadilho entre “Closing of the American Border” e “Closing of the American Mind“, ok?

E, por falar nisso, a outra matéria da Economist fala sobre os custos crescentes do controle da imigração nos EUA. Uma imagem fala por si:

(clique para ampliar)

America, plantando as sementes de sua própria destruição desde 1980.

O NPTO faz uma bela resenha do novo livro do Ruy Fausto, “Outro Dia”.  No meio do post, ele faz algumas reflexões sobre a necessidade de uma política de alianças em nosso presidencialismo de coalizão:

Era preciso construir uma maioria política dentro do congresso, e, se você achar que não era necessário comprar PL, PP e PTB, fica para você a responsabilidade de montar outra maioria sem eles. Eu já fiz isso na minha cabeça 100 vezes, e não consegui bolar nada que não passasse por a) fechar com o PMDB, sem pagar mensalão, mas dando cargos, o que, suspeito no fundo do meu ser, gera mais negociata (mas é menos rastreável até o partido no poder do que transferências monetárias, motivo pelo qual a técnica foi a preferida dos governos anteriores); ou b) aliar-se ao PSDB, o que, mesmo se acharmos que seria desejável (e não acho que o Fausto o ache), seria dificílimo.

(…)

É possível que manter distância com relação à corrupção seja mais importante do que levar dezenas de milhões de pessoas acima da linha da miséria; mas isso não é óbvio. Merecia uma discussão.

(…)

No fundo, o Fausto parece aplicar os raciocínios que a esquerda deveria ter feito para não aceitar o totalitarismo – a afirmação de valores diante da estratégia, por exemplo – para dizer que ela não pode aceitar a corrupção. Mas aqui há um problema de medida.

A corrupção parlamentar é um escândalo, mas é uma doença da democracia; não é possível que se dê o mesmo peso a ela e ao genocídio totalitário. As conquistas sociais cubanas não justificam a repressão à dissidência em Cuba, mas não é a mesma coisa dizer que a redução da desigualdade no Brasil dentro do regime democrático não vale nada porque PP, PL e PTB foram comprados.

(…)

Pessoalmente, acho que teria sido possível fazer uma articulação melhor se aproximando do PSDB, o que implicaria em aceitar o Paloccismo como mais do que uma concessão tática. Fausto é inteligente o suficiente para confessar sua hesitação em discutir economia, que tem uma dimensão técnica razoável, mas, no geral, não vai ao ponto de admitir que a política econômica moderada de Lula foi um de seus sucessos. Não teria sido melhor se, ao invés do PT ter aceitado a moderação econômica para evitar a crise de 2002, os intelectuais petistas tivessem promovido esse debate de maneira mais esclarecedora na década anterior? As alianças talvez pudessem ter sido melhores.”

Concordo com o Celso: tem uma análise custo/benefício aí.  Eis o motivo pelo qual acho claramente hipócritas os defensores de FHC que escamoteiam rapidamente a compra da reeleição da discussão de “valores”.

Claro que existem aqueles que se apressam em dizer que “um erro não justifica o outro” e que acham, ou dizem achar, que a questão dos valores deve ser colocada acima de qualquer outra discussão.  Acho essa posição irrealista e acredito que muito poucas dessas pessoas a colocam em prática 100% das vezes em sua vida pessoal.  Se existem mesmo, deviam trabalhar em Hollywood.

Daí que resolvi fazer o seguinte: peguei a composição do Congresso recém saído das urnas em 2002 e coloquei no Excel pra gente ver como ficariam as possíveis coalizões alternativas entre PSDB, PT, PMDB e PFL [por simplicidade e falta total de tempo não levo em conta as migrações partidárias que ocorreram logo após, é verdade].

(clique para ampliar)

O primeiro quadro mostra o cenário em que o PT aliar-se-ia com o PSDB; o segundo quadro mostra o que realmente ocorreu, ou seja, o PT aliando-se com o PMDB.

Vemos que nenhum dos dois casos fornece uma “supermaioria”, isto é, uma maioria capaz de aprovar legislação de seu interesse irrespectivamente da opinião dos demais partidos.

É difícil prever como se comportariam os demais partidos na hipótese de “total pureza virtuosa”, isto é, no mundo hipotético onde PT e PSDB se uniriam por mero espírito público e governariam sem nenhuma concessão de nenhuma espécie aos interesses paroquiais dos demais partidos.  O que sei é que eles teriam vida dura na Câmara e vida duríssima no Senado, diante de uma mera combinação PMDB/PFL.  Talvez alguns partidos menores pudessem topar uma aliança puramente “programática” com PT/PSDB, mas acredito que a tendência seria de um enfrentamento dos alijados nos demais partidos.   Afinal, um problema de nossa democracia é que ela deixa contas a pagar para os eleitos, o que certamente faz parte do conjunto de incentivos que os impele a exigir cargos e prebendas na máquina pública.

Assim, na ponta do lápis, parece que o PT terminou fazendo a aliança mais natural, que não o exporia a constantes gridlocks no Congresso.

***

Valeu a pena?   Isso é uma outra discussão, muito importante por sinal.  Peças como a tal recente pesquisa do Claudio Salm querem nos fazer acreditar que talvez não, já que o PT no poder não teria significado um salto qualitativo nos principais indicadores sociais brasileiros.   Entretanto, o fato do estudo original do Claudio Salm ainda não ter sido amplamente divulgado (foram divulgados apenas alguns resultados, mas não se conhece a metodologia empregada) impede uma melhor apreciação do seu teor.

No entanto, aponto o detalhe de que nesse experimento hipotético que estamos fazendo,  o caso-base não é a hipótese “continuidade do governo PSDB/DEM seria a mesma coisa“, principalmente do ponto de vista das vestais da pureza que acreditam que “um erro não justifica o outro”. O caso -base, no duro, seria “falta de governabilidade por incapacidade de montar uma coalização dominante“, o que seguramente teria sido muito mais problemático para o país.

Tem uma matéria do Sergio Leo no Valor de hoje sobre as turras entre EUA e Brasil por causa do Haiti.  O tom é conciliador:

BRASÍLIA – ” Lula, you call me ” (Lula, me ligue), pediu o presidente do EUA, Barack Obama, ao despedir-se do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no telefonema de cerca de quinze minutos que tiveram ontem, para coordenar as ações das equipes brasileiras e americanas no Haiti. Ficou estabelecida uma linha direta informal entre os dois governos, para evitar que desentendimentos entre as equipes no trabalho de segurança e assistência humanitária atrapalhem a intenção das autoridades dos dois países de mostrar a ação no Haiti como um exemplo de ação positiva de ação conjunta na região.

(…)

O telefone serviu para apagar o desconforto provocado por incidentes como a demora na liberação de pouso para aviões brasileiros no Haiti, na semana passada, e as recentes declarações do comandante das tropas dos EUA no Haiti, general Ken Keen, a um programa de TV, na qual o militar americano disse que o Comando Sul dos EUA cuidaria da segurança no Haiti, ” um componente crítico ” . Manter a segurança e paz no Haiti é um mandato da Minustah.”

Meu problema é com este trecho onde se mostra a opinião da diplomacia brasileira:

Obama ouviu outra preocupação brasileira: contra as avaliações de que não há mais Estado no Haiti, o Brasil defende que as ações de socorro à população e de reconstrução sejam realizadas com a participação do presidente haitiano, René Préval. Há um Estado muito fraco no Haiti, mas isso não pode servir de pretexto para ignorar os esforços de construção de instituições, abalado pelo terremoto, argumentam os auxiliares de Lula.”

Que me perdoem os diplomatas, mas hoje já faz mais de uma semana que tem gente sem casa, sem comida e possivelmente sem água potável no Haiti.  Tudo tem seu tempo, mas seguramente agora não é hora de construir instituições, e sim abrigos.

Quando li isso no Estadão, pensei que Olavón havia resolvido acabar com a supermaioria do Obama com as próprias mãos…

Tio Rei está produtivo hoje, e fez um post denunciando a maior negociata já feita no Brasil.  Surpresa: essa negociata não envolve Daniel Dantas (ao que se saiba), e sim Nicolas Sarkozy, aquele que já foi, er, “o cara” para Tio Rei _ muuito antes de Lula ser “o cara” para alguém.

Denúncia #1:

A Índia abriu uma concorrência internacional para a compra — ATENÇÃO!!! — de 126 caças. Valor que se dispõe a pagar a Força Aérea Indiana: US$ 10 bilhões. Seis modelos participaram da primeira rodada de seleção: os americanos F 18 e F 16, o Eurofighter Typhoon, o russo MiG 35, o sueco Gripen NG e o Rafale. Só um caça foi descartado no começo da disputa: o Rafale. Justificativa: não cumpria os requisitos mínimos de desempenho técnico exigidos pela Força Aérea Indiana.” [grifo meu]

Denúncia #2:

E o escândalo, além do fato de que Lula anunciou o vitorioso quando a avaliação estava em curso??? Vamos lá. A Dassault, que fabrica os Rafales, se ofereceu para vender 126 caças à Índia por US$ 10 bilhões. Preço médio de cada avião: US$ 79.365.079,36. O Brasil está disposto a pagar R$ 10 bilhões por 36 aviões — ou US$ 5.681.818.181. Dividindo-se esse valor em dólar pelo número de aparelhos, chega-se ao custo unitário: US$ 157.828.282,82. Cada Rafale para o Brasil custa quase o que o dobro do que custaria para a Índia. Atenção: ESTAMOS FALANDO DO MESMO MODELO DE AVIÃO E DE CONCORRÊNCIAS FEITAS AO MESMO TEMPO.

Fiz uma pesquisinha básica, na Wikipedia mesmo, e cheguei nisso:

India denies elimination of Dassault Aviation Rafale

New Delhi, India – All competitors still in competition

(WAPA) – The last week news relating to the elimination of Dassault Aviation Rafale fighter from the 10 billion tender for 126 new MMRCA (Medium Multi-Role Combat Aircraft) fighters for the Indian Government, provoked surprise particularly by Dassault that said “To have no confirmation from the Indian MoD. We are extremely surprised since there was no technical lacuna in our bid” (see AVIONEWS).

A New Delhi ministry of defense spokesman stated it, affirming that the French proposal “Has fallen short on several counts listed in the GSQRs (General Staff Qualitative Requirements) drawn up by IAF (Indian Air Force). It did not pass muster in the technical evaluation of the bids submitted by the six contenders”.

The Indian Air Force denied today reports that the Dassault Rafale has been eliminated from the Country’s medium multi-role combat aircraft competition.

“We have not ruled anyone out yet in the MMRCA competition”, says an IAF spokesman, who confirmed that the service is responsible for evaluating the contenders. “All of the tests have not been completed. The technical evaluations are only just over and we are scheduled to begin the flight tests next month. Everyone is still in the competition”.

OK, algum bom samaritano já foi avisar Tio Rei e ele fez outro post assim:

Ainda os caças e o que importa

Mandam-me o linK de um site, Flightglobal, que nega que os Rafale estejam fora da concorrência aberta pela Índia para a compra de 126 caças. Ok. Pode até ser. Mas a minha questão no post é outra: quero saber por que os caças sairiam, para o Brasil, por quase o dobro do preço. Essa é a questão fundamental, ainda que o Rafale seja um avião superior – o que, confesso, não tenho como avaliar. Não sei nem ligar um carro. Imaginem o que entendo de avião. Mas fazer conta, ah, isso eu sei.”

Bacana.  Maravilhas do mundo wiki: o cara diz merda, alguém vai lá e corrige.  Ainda bem, já que a notícia mais recente (outubro do ano passado) é esta:

Asked about field evaluation trials of the medium multi-role combat aircraft, (Air Chief Marshal) Naik said: “We have finished the trials of F-16, F/A-18, Rafale and the MiG-35. All (aircraft) are going neck and neck”.

Mas o que importa nesse segundo post é isso aqui:

(…)ainda que o Rafale seja um avião superior – o que, confesso, não tenho como avaliar. Não sei nem ligar um carro. Imaginem o que entendo de avião. Mas fazer conta, ah, isso eu sei.

É pena, mas “fazer conta”, nesse caso, não elimina a necessidade de entender de avião.

A Wikipedia diz o seguinte sobre os custos unitários do Rafale:

The total programme cost, as of 2008, is around €39.6 billion, which translates to a unit programme cost of approximately €138.5 million. The unit flyaway price as of 2008 is €64 million for C version (Air Force), and €70 million for the Navy version.

Veja que o “unit programme cost” do Rafale é de 138 milhões de euros ou 197 milhões de dólares.  Isso é bem mais que qualquer dos custos apontados pelo Tio Rei.  Já o “unit flyaway price” é de 64 milhões de euros, o equivalente a 91 milhões de dólares.

Qual diabos é a diferença entre “unit programme cost” e “unit flyaway price“?  O Departamento de Defesa dos EUA trabalha com a seguinte definição:

Standard unit flyaway cost elements include the costs of procuring airframes; engines; avionics; armaments; engineering change orders; nonrecurring costs including productiontooling, software, and other costs (if funded from aircraft procurement appropriations); divided by the procurement quantity. Flyaway cost does not include research and development, support equipment, training equipment, technical data, or spares.

Ou seja: o custo unitário proposto para o Rafale, na concorrência brasileira, é de 157 milhões de dólares.  É mais caro que os 91 milhões de dólares do “unit flyaway price“, mas este conceito não inclui alguns dos pressupostos da demanda brasileira, como equipamento de suporte, dados técnicos, peças de reposição etc.   Ainda assim 157 milhões de dólares é um preço inferior aos 197 milhões de dólares do “unit programme cost” _ o que faz sentido, já que não faz muito sentido o Brasil compartilhar com a França os custos de pesquisa e desenvolvimento, que costumam ser bem elevados.

E também há que se considerar as economias de escala.  Isso porque o valor unitário de uma partida de 126 aviões será necessariamente menor do que o valor unitário de uma partida de 36 aviões.

Conjugadamente, eu diria que com os dados disponíveis não fica muito evidente que o preço brasileiro _ e leve-se em consideração que ainda não sabemos se os franceses concordaram com uma redução de preço razoável, como o Brasil solicitou _ represente de fato uma “negociata”.

Mas se Reinaldo Azevedo, o homem que não entende de avião mas sabe fazer conta, disse, bom, fazer o quê?

O emburrecimento estimulado pela direita americana pode trazer as sementes de sua própria destruição:

Darpa: U.S. Geek Shortage Is National Security Risk

Sure, we’re all plugged in and online 24/7. But fewer American kids are growing up to be bona fide computer geeks. And that poses a serious security risk for the country, according to the Defense Department.

The Pentagon’s far-out research arm Darpa is soliciting proposals for initiatives that would attract teens to careers in science, technology, engineering and math (STEM), with an emphasis on computing. According to the Computer Research Association, computer science enrollment dropped 43 percent between 2003 and 2006.

Darpa’s worried that America’s “ability to compete in the increasingly internationalized stage will be hindered without college graduates with the ability to understand and innovate cutting edge technologies in the decades to come…. Finding the right people with increasingly specialized talent is becoming more difficult and will continue to add risk to a wide range of DoD [Department of Defense] systems that include software development.”

(…)

Now, Darpa’s now hoping someone, somewhere, can come up with a way to make future philosophy majors change course. And they want to get ‘em while they’re young: Darpa insists that programs be “targeted to middle and high school students, and include methods “to maintain a positive, long-term presence in a student’s education. (…)

Em uma interessante reviravolta,  Scott McLemee do Crooked Timber mostra que a narrativa de Pat Robertson, ainda que violentada por um ponto de vista profundamente anaeróbico, contém um grão de verdade.

Relendo “The Black Jacobins: Toussaint L’Ouverture and the San Domingo Revolution” de C.L.R. James, um livro escrito em 1938, Scott mostra que os escravos organizaram a revolta contra os franceses sob o disfarce de rituais religiosos de Vodu, mais ou menos da mesma forma que os escravos brasileiros faziam:

Voodoo was the medium of the conspiracy. In spite of all prohibitions, the slaves travelled miles to sing and dance and practice the rites and talk; and now, since the revolution [in France], to hear the political news and make their plans. Boukman, a Papaloi or High Priest, a gigantic Negro, was the leader. He was the headman of a plantation and followed the political situation both among the whites and among the Mulattoes. (…)

Carrying torches to light their way, the leaders of the revolt met in an open space in the thick forests of the Morne Rouge, a mountainside overlooking Le Cap. There Boukman gave the last instructions and, after Voodoo incantations and the sucking of the blood of a stuck pig, he stimulated his followers by a prayer spoken in creole which, like so much spoken on such occasions, has remained. “The god who created the sun which gives us light, who rouses the waves and rules the storm, though hidden in the clouds, he watches us. He sees all that the white man does. The god of the white man inspires him with crime, but our god calls upon us to do good works. Our god who is good to us orders us to revenge our wrongs. He will direct our arms and aid us. Throw away the symbol of the god of the whites who has so often caused us to weep, and listen to the voice of liberty, which speaks in the hearts of us all.” The symbol of the god of the whites was the cross which, as good Catholics, they wore around their necks.” [grifo meu]

Como lembra Scott, o deus dos escravos não era, é claro, o Diabo, já que eles não comungavam da crença cristã.  Não que isso interesse a Pat Robertson, porém.

George Antoine, o segundo a partir da esquerda

Parece que tem mais gente no barco do Pat Robertson:

Cônsul diz frases infelizes antes de gravar entrevista para a TV

Antes de gravar ao SBT, George Antoine soltou fez comentários sobre o terrmoto no Haiti

SÃO PAULO – O cônsul-geral do Haiti em São Paulo, George Antoine, segundos antes de iniciar a gravação de uma entrevista para o SBT na quinta-feira, 14, soltou algumas frases infelizes em relação ao terremoto que devastou o país mais pobre da América Central. O cônsul tem mais de 100 parentes no Haiti.

Com microfone de lapela e aparentemente sem saber que o áudio já estava sendo gravado, Antoine virou-se para um funcionário da representação diplomática e disse: “A desgraça de lá tá sendo uma boa para a gente aqui ficar conhecido (…) Aquele povo africano acho que de tanto mexer com macumba, não sei o que á aquilo (…) O africano em si tem maldição. Todo lugar em que tem africano tá f…”

Após saber que o microfone de lapela estava ligado, o cônsul, já durante a entrevista, segurou um terço nas mãos, e disse estar abalado com o que ocorreu no Haiti. “Esse terço nós usamos pois nos dá uma energia positiva que acalma a pessoa. Como eu estou muito tenso e deprimido com o negócio do Haiti, a gente fica mexendo com vários para se acalmar”.”

Matéria do Estadão atualiza o número de baixas entre nossos militares no Haiti: 14 mortos.

O jornal ainda nos informa que essa é a maior baixa havida no Exército brasileiro desde a Segunda Guerra Mundial.

É que o Estadão não lê Reinaldo Azevedo.

Jobim e o comandante do Exército seguiram para o Haiti.

A tragédia haitiana pode ter dois efeitos, um a curto prazo, outro a médio prazo.

A curto prazo, o papel das Forças Armadas ganha um lustro, e elas podem usar o noticiário para sair “por cima” da crise causada pela sua reação ao PNDH III.

Mas, a médio prazo, pode sobrevir uma grande crise internacional para o Brasil.  Embora as informações sejam ainda muito enxutas, o fato é que o terremoto foi forte, atingiu uma área já carente de recursos, teve epicentro muito próximo da capital e destruiu instalações e infraestrutura importantes.  A Cruz Vermelha fala em 3 milhões de atingidos; há relatos de que o país não resistirá mais que 4 dias antes da fome se alastrar.

Nestas circunstâncias o país pode facilmente sair de controle e transformar-se em um inferno.  Uma batata quente explodindo nas mãos da missão da ONU, comandada por brasileiros.

***

Em outra chave, matéria do Valor de hoje traz mais informações sobre a pesquisa do IBGE que mostrou que a pobreza recuou no Brasil nos últimos anos, mas a desigualdade de renda caiu muito mais modestamente:

Apesar de ter obtido bons resultados na redução da pobreza nos últimos cinco anos, o Brasil não consegue enfrentar com eficiência a desigualdade de renda. Dados divulgados ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que a desigualdade caiu 0,6% entre 2004 e 2008, enquanto a pobreza extrema decresceu 1,8%, e a pobreza absoluta, 3,1%. São considerados pobres extremos aqueles que recebem até 25% de um salário mínimo por mês, enquanto os pobres absolutos dispõem mensalmente de até 50% de um salário mínimo.

Alguns acreditam, a la Delfim, que é preciso mesmo fazer “crescer o bolo” primeiro para depois dividi-lo.   Outros acham que a falta de um acordo prévio sobre uma melhor divisão do bolo solapa as condições para a sua própria produção.

Por exemplo: acho que não há muita dúvida de que a desigualdade tem maior impacto sobre a criminalidade do que o nível absoluto de pobreza.

É um debate complexo, mas que deveria ser ampliado na discussão eleitoral de 2010.  Infelizmente, pelo que estamos vendo, a probabilidade disso acontecer parece que será bem próxima de zero.

“B” de Besouro ou de Barriga?

Deu no Valor:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse prever um debate eleitoral muito acirrado e até com conflitos, mas garantiu estar preparado para o que virá. ” Este ano de eleições será muito quente e com agressões. Os meus adversários são todos muito letrados e vão querer um debate de alto nível e vão estar todos de peito para cima ” , afirmou. ” O que eles não sabem é que eu sou capoeirista e estou muito preparado para não deixar a coisa chegar ao meu peito. “” [grifo meu]

Presidente, não exagera, vai.  🙂

Os terremotos provém do Hades

Deus é brasileiro, e seu nome é Ares:

Terremoto de sete graus causa grande destruição no Haiti

Epicentro do terremoto foi em Carrefour, próximo a capital; Brasil tem cerca de 1.300 soldados no país

PORTO PRÍNCIPE – Um terremoto de grandes proporções atingiu o Haiti nesta terça-feira, 12. O tremor de sete graus na escala Richter foi detectado às 19h53 (hora de Brasília). Minutos depois, duas réplicas de 5,9 e 5,5 graus atingiram o país. O Palácio do Governo, o principal hospital e os Hotéis Montana – onde mora o general brasileiro que comanda o braço militar da missão – e o Cristopher, utilizado como sede da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti (Minustah) estão destruídos.”

Nunca uma catástrofe natural caiu tão no colo de uma “crise militar“.

Sergio Guerra, presidente do PSDB, em matéria da Veja intitulada “A Esquerda Somos Nós“:

Caso Serra vença, haverá mudanças substanciais na política econômica?

Sem dúvida nenhuma. Iremos mexer na taxa de juros, no câmbio e nas metas de inflação. Essas variáveis continuarão a reger nossa economia, mas terão pesos diferentes. Nós não estamos de acordo com a taxa de juros que está aí, com o câmbio que está aí. Estamos criando empregos no exterior. Os últimos resultados da balança comercial são negativos. Precisamos estabelecer mecanismos para criar empregos no Brasil. Espero que a sociedade nos compreenda. Será necessário fazer um rigoroso ajuste das contas públicas. Hoje, o governo gasta muito – e mal. Os gastos cresceram além da capacidade fiscal do país.

E como transcorreriam essas mudanças?

Se ganharmos, agiremos rápida e objetivamente. A forma de fazer será discutida no momento adequado. Haverá um Ministério do Planejamento que realmente planeje, e não o desastre que está aí hoje. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) não se realizou. Não há prioridades programáticas, só números inflados. Apenas os projetos eleitoreiros, os que têm padrinhos políticos, estão andando. As estradas estão esburacadas, os aeroportos estão na iminência de outro apagão, a infraestrutura de transportes, como os portos, foi entregue a políticos e a grupos de pressão. Isso é o PAC na realidade – e nós vamos acabar com ele.

Falando assim, até parece que o PSDB está à esquerda do PT…

Mas nós estamos à esquerda mesmo. Se ganharmos, vamos acelerar os investimentos na educação e na saúde. Manteremos o Bolsa Família, que é um mecanismo eficiente de erradicação da miséria e da fome. O PT não é de esquerda. Já foi; não é mais. O PT se transformou num partido populista. Antes, o PT tinha militância nas grandes cidades. Agora, tem cabos eleitorais nos grotões, pagos com dinheiro público, que escorre por meio de ONGs. Isso é esquerda? Não, é populismo. A verdade é que o PT só gosta de democracia quando lhe convém. Na eleição passada, quando estávamos atrás nas pesquisas, o PT introduziu o crime na campanha, com o dossiê fajuto dos aloprados e aquela pilha de dinheiro que ninguém sabe de onde surgiu. Agora que estamos na frente, imagine o que eles vão fazer. Será uma campanha sangrenta. Eles vão fazer de tudo para impedir uma possível vitória nossa. O que está acontecendo atualmente são apenas ensaios.”

***

Aguardo as repercussões.  🙂

Apesar do câmbio e desligo, este post que saiu no blog do Fernando Rodrigues no UOL me faz voltar para jogar a (possível)  última pá de cal no assunto.  Primeiro o post:

Fora tema militar, FHC e Lula se equiparam nos seus planos de direitos humanos

• Controle da mídia, descriminalização do aborto e união entre homossexuais propostos pelo petista já existiam nas versões anteriores do Programa Nacional de Direitos Humanos

A grande diferença entre a 3a versão do PNDH, editado por Lula em 21.dez.2009, e os dois anteriores baixados por Fernando Henrique Cardoso (em 1996 e em 2002) é a proposta de “promover a apuração e o esclarecimento público das violações de direitos humanos praticadas no contexto da repressão política ocorrida no Brasil” durante a ditadura militar (1964-1985).

Mas a maioria dos outros temas polêmicos sempre estiveram presentes nesses extensos documentos batizados de Programa Nacional de Direitos Humanos.

O blog postou a íntegra dos 3 documentos já editados:

1º PNDH – 1996 (FHC)

2º PNDH – 2002 (FHC)

3º PNDH – 2009 (Lula)

Por exemplo, quando se trata monitorar os órgãos de comunicação a respeito da cobertura do tema direitos humanos, eis o que dizem esses documentos:

PNDH de Lula sobre a mídia:

“Propor a criação de marco legal regulamentando o art. 221 da Constituição, estabelecendo o respeito aos Direitos Humanos nos serviços de radiodifusão (rádio e televisão) concedidos, permitidos ou autorizados, como condição para sua outorga e renovação, prevendo penalidades administrativas como advertência, multa, suspensão da programação e cassação, de acordo com a gravidade das violações praticadas”.

“Elaborar critérios de acompanhamento editorial a fim de criar ranking nacional de veículos de comunicação comprometidos com os princípios de Direitos Humanos, assim como os que cometem violações”.

“Promover diálogo com o Ministério Público para proposição de ações objetivando a suspensão de programação e publicidade atentatórias aos Direitos Humanos”.

Agora, o último PNDH de Fernando Henrique Cardoso, editado em 2002, também falando sobre a mídia:

“Apoiar a instalação, no âmbito do Poder Legislativo, do Conselho de Comunicação Social, com o objetivo de garantir o controle democrático das concessões de rádio e televisão, regulamentar o uso dos meios de comunicação social e coibir práticas contrárias aos direitos humanos”.

“Garantir a possibilidade de fiscalização da programação das emissoras de rádio e televisão, com vistas a assegurar o controle social sobre os meios de comunicação e a penalizar, na forma da lei, as empresas de telecomunicação que veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos”.

“Apoiar formas de democratização da produção de informações, a exemplo das rádios e televisões comunitárias, assegurando a participação dos grupos raciais e/ou vulneráveis que compõem a sociedade brasileira”.

Há alguma mudança de terminologia, mas várias expressões se repetem –como a frase ambígua “programação e publicidade atentatórias aos Direitos Humanos”, usada indistintamente por Lula e por FHC.

Nota-se também que FHC ajudou a popularizar outra expressão vazia e que se presta a abrigar todo tipo de monitoramento sobre a mídia: “Controle social sobre os meios de comunicação”. Quem explicar o que isso quer dizer ganha uma passagem de ida a Caracas para estudar como é o “controle social sobre os meios de comunicação” promovido pelo governo de Hugo Chávez na Venezuela.

A rigor, o objetivo do autor desses textos assinados por FHC e por Lula foi o mesmo: tutelar em certa medida como os meios de comunicação tratam o tema direitos humanos. Para o bem e para o mal, as propostas desses documentos de governo no Brasil muitas vezes nunca saem do papel.

Nota-se que o texto de Lula fala em “critérios de acompanhamento editorial” para fazer um “ranking” dos veículos de comunicação de acordo com o grau de comprometimento de cada um com os direitos humanos.

Já o texto de FHC diz ser necessário “garantir a possibilidade de fiscalização da programação das emissoras de rádio e televisão” para punir as que “veicularem programação ou publicidade atentatória aos direitos humanos”.

Ou seja, não há muita diferença entre FHC e Lula

Quando se trata do casamento entre homossexuais (assunto sempre criticado pela Igreja Católica), eis o que dizem os 2 textos:

PNDH de Lula: “Apoiar projeto de lei que disponha sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo”.

PNDH de FHC: “Apoiar a regulamentação da parceria civil registrada entre pessoas do mesmo sexo e a regulamentação da lei de redesignação de sexo e mudança de registro civil para transexuais”.

E o aborto, outro tema polêmico? Aí está o que dizem Lula e FHC:

PNDH de Lula: “Apoiar a aprovação do projeto de lei que descriminaliza o aborto, considerando a autonomia das mulheres para decidir sobre seus corpos.”

PNDH de FHC: “Considerar o aborto como tema de saúde pública, com a garantia do acesso aos serviços de saúde para os casos previstos em lei. Desenvolver programas educativos sobre planejamento familiar, promovendo o acesso aos métodos anticoncepcionais no âmbito do SUS”.

Por fim, outro tema comportamental polêmico no Brasil: a ostentação de símbolos religiosos em prédios públicos: Lula fala explicitamente sobre o assunto. FHC tangencia o debate, mas fala quase a mesma coisa com outras palavras:

PNDH de Lula: “Instituir mecanismos que assegurem o livre exercício das diversas práticas religiosas, assegurando a proteção do seu espaço físico e coibindo manifestações de intolerância religiosa. Promover campanhas de divulgação sobre a diversidade religiosa para disseminar cultura da paz e de respeito às diferentes crenças. Desenvolver mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União.”

PNDH de FHC: “Prevenir e combater a intolerância religiosa, inclusive no que diz respeito a religiões minoritárias e a cultos afro-brasileiros. Proibir a veiculação de propaganda e mensagens racistas e/ou xenofóbicas que difamem as religiões e incitem ao ódio contra valores espirituais e/ou culturais. Incentivar o diálogo entre movimentos religiosos sob o prisma da construção de uma sociedade pluralista, com base no reconhecimento e no respeito às diferenças de crença e culto”.

Como se observa, temas polêmicos sempre estiveram presentes no Programa Nacional de Direitos Humanos.

A grande diferença entre os PNDHs de Lula e de FHC está no que diz respeito ao conhecimento do passado recente do país, por meio de apuração de fatos ainda obscuros da última ditadura militar (1964-1985). Esse é o ponto que Lula deve rever ou atenuar nos próximos dias ou semanas. Assim, por mais que petistas e tucanos reclamem, Lula e FHC ficarão ainda mais parecidos.”

***

Vai ser curioso ver agora os anaeróbicos falando o seguinte:

_ ah, mas o controle social dos meios de comunicação dos tucanos era mais social e menos controlador;

_ ah, mas o lula quer fazer registro civil de transexuais, o que tem enorme potencial desestabilizador e levará à ditadura do proletariado;

[de fato, como já cansamos de testemunhar, o legendário desembaraço social anaeróbico pode facilmente levar um desses rapazes a considerar um transexual “comível” desde que se apresente como, sei lá, Hillary, Kátia, Sarah ou até mesmo Marina, o que pode levá-los a querer pegar em armas se defrontados com uma situação como essa.]

_ Ah, o Lula quer deixar a mulher decidir sobre seu corpo, olha só que absurdo, isto pode facilmente levar à ditadura do proletariado.

_ ah, mas o Lula quer retirar o crucifixo dos tribunais, o que que é isso minha gente?  Isso é CLARAMENTE uma porta aberta para a revolução comunista e a ditadura do proletariado.

_ ah, todo mundo sabe que FHC foi um comunista ateu e seu governo a porta aberta para a ditadura do proletariado.

***

Esse post do Fernando Rodrigues me fez pensar que Lula talvez involuntariamente fez uma Defesa Fischer sobre a oposição _ aquela que Bobby Fischer descreveu como “a high-class waiting move“…

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Quanto à questão da Comissão da Verdade: eu não sou um estudioso dessas coisas.  Muita gente boa por aí anda dizendo que esse tipo de coisa foi comum em países que tiveram interregnos autoritários.  Eu preferiria ver  qualquer movimento neste sentido obedecendo os limites impostos pela Lei da Anistia.  Acho que em matéria de ajuste de contas com os tempos da ditadura na seara militar há coisa muito mais importante a ser feita, como por exemplo criar um Ministério da Defesa digno desse nome, sob controle civil, e purgar os últimos resquícios de ideologia castrense dos golpistas nos cursos das academias militares, a começar pela ESG.

Ainda quanto à polêmica do Decreto sobre Direitos Humanos:

Não entendo essa grita no último ano de governo, onde, certamente, nada do disposto pelo Decreto terá tempo de se transformar em legislação (nem mesmo a maioria das propostas hoje já no Congresso vai ter tempo pra isso).

Um Decreto, aliás, é coisa que depende apenas da vontade e da pena do Presidente da República.  Se o próximo governante não gostar de nada disso, basta que ele em janeiro mude o Decreto, ou simplesmente o revogue.

Algo que está totalmente dentro das possibilidades, em menos de um ano.  Basta que a oposição mostre competência para vencer a eleição em outubro.

A menos que a grita de agora já seja, é claro, parte da estratégia para tentar vencer em outubro.  O que ela é, eu creio.

É, Tio Rei vai de mal a pior.

Agora deu de escrever textos contra “a morte da democracia“.  Lá vai o doidinho:

Nenhum país dorme democracia e acorda ditadura; em nenhum lugar do mundo, o sol se põe na plena vigência do estado democrático e de direito e se levanta para iluminar um regime autoritário. A construção da miséria institucional e legal é sempre lenta e demanda um esforço continuado e dedicado tanto dos candidatos a ditador como dos culpados úteis que lhes prestam serviços – são “culpados úteis”, sim; não há inocentes entre protagonistas e omissos.”

Cáspite.  Tio Rei regula comigo em idade, pelo que sei.   Então pergunto, onde é que ele estava no Primeiro de Abril de 1964?  Em alguma piada de mal gosto?  Não, ele estava em um país que um dia era uma democracia, e acordou uma ditadura.  Desde que o mundo é mundo, aliás, sabe-se muito bem o caminho do golpe nas instituições, e ele não tem nada a ver com essa viadagem de solapar a democracia devagarinho:  o profissional do ramo sabe que o negócio é mesmo incendiar a imaginação dos quartéis.  Quem se dedica, no momento, a esta atividade, ao que eu sabia, é Tio Rei, entre outros.

Em seguida, Tio Rei, inadvertidamente, nos oferece uma oportunidade para vasculhar o que diabo se pode encontrar entre as recônditas sombras de uma mente anaeróbica:

Imersos numa enorme confusão filosófica e jurídica, ignoram [os jornalistas, nota Hermê] que mesmo os melhores princípios obedecem a códigos estabelecidos – estabelecidos, é bom lembrar, num regime plenamente democrático. Moral e intelectualmente, comportam-se como crianças tolas e assustadas, que fazem pipi nas calças diante do temor de que a crítica ao tal decreto venha a ser confundida com “defesa da tortura”. O fenômeno, admito, não é só brasileiro. Vive-se a era da patrulha das minorias organizadas, que tolhem o pensamento com a força de um tribunal inquisitorial. Richard Lindzen, por exemplo, professor de meteorologia do Massachusetts Institute of Technology (nada menos do que o lendário MIT), faz picadinho de algumas teses do aquecimento global e explica o silêncio de colegas que comungam de suas teses: medo – e, claro!, risco de perder verbas para pesquisa.

É no mínimo interessante constatar como, de repente, Tio Rei salta da questão da tortura para o tema, hum, bem pouco relacionado do aquecimento global.  É que o sonho da direita, hoje, é roubar para si uma figura cultivada pela esquerda até bem pouco tempo: o rebelde, o Quixote.  Isso não é novo, o John Galt de Ayr Rand bebia no mesmo regato.  Façamos justiça lembrando que o mote do “toda unanimidade é burra” também fez sucesso nos arraias de esquerda há não muito tempo atrás.  O problema é que isso não basta: para cada Richard Lindzen (“do MIT, hein!”), há dezenas ou centenas de cientistas tão bem ou melhor qualificados que esposam a opinião contrária.  E se alguém andou oferecendo facilidades financeiras em troca de resultados risonhos quanto ao aquecimento global, bom, desculpe, mas foi da banda de lá.

Depois, Tio Rei repisa o argumento salafrário, ao falar sobre o Decreto propriamente:

Ocorre que, entre outras barbaridades, o mesmo texto que contempla aquela aberração [a Comissão da Verdade, nota Hermê] também extingue, na prática, o direito de propriedade e institui a censura sob o pretexto de defender os direitos humanos.”

Sobre isso duas coisas:

1) Qualquer constitucionalista dirá ao Tio Rei que a nossa Constituição contém uma série de princípios que muitas vezes se opõem.  Como por exemplo mostra a questão da função social da propriedade.  Isso é normal, e é função do Judiciário resolver caso a caso qual princípio sobrepuja o outro.  Tio Rei pode não gostar, mas é assim que está na Constutuição, ué.

2) Por outro lado, quem já leu, no duro, o Decreto no. 7037 poderá verificar, in loco, que ele é das peças mais anêmicas que já se viu por aí: 7 artigos, dos quais os 3 últimos versam sobre disposições das mais gerais e cujo coração, o artigo 2, dá diretrizes programáticas que serão um dia objeto de consideração de comitês sem prazos definidos que… enfim, é uma receita para o enxugamento de gelo.  Alguém vir à público dizer que aquela peça inerme “extingue, na prática, o direito de propriedade”, se não é mal intencionado, é burro a não mais poder.

[o que não é novidade, dadas as repetidas vezes em que ele trotou sobre a mentira de que a fusão da Brasil Telecom e da Oi dependeu uma modificação na Lei, quando dependeu apenas de um Decreto modificando o PGO, algo aliás previsto na Lei Geral de Telecomunicações]

E Tio Rei é mal intencionado, claro, como admite logo a seguir:

Petralhas e até alguns inocentes acusaram: “Você está exagerando na interpretação do decreto”. Não estou. O governo é que exagera na empulhação. E volto, então, ao início dessa conversa. Não se mata a democracia do dia para a noite. Seu último suspiro é apenas o ponto extremo de uma longa trajetória. Se é um regime de liberdade o que queremos, pautado pelos códigos legais que nos fazem também um estado de direito, então o decreto de Lula há de ser alvo do nosso repúdio. E ele tem de ser expresso agora, não depois, antes que se multiplique em projetos de lei num Congresso que já não morre de amores pela imprensa.

Repentinamente, a “extinção na prática do direito de propriedade” se transformou na morte da democracia, a prazo.

Por fim, Tio Rei faz seu habitual discurso laudatório à Joana D´arc do movimento dos com terra, a senadora Kátia Abreu _ sim, aquela mesma dos empréstimos estatais seletivos, aquela mesma que não tem pudor em transformar seu mandato em um escritório de lobby pago pelo contribuinte, sim, aquela mesma que defende o trabalho escravo _ que, indignada, diz que o governo está defendendo grupos criminosos.  Algo de que ela, sem dúvida, entende.

***

Agora, minha interpretação sobre o Decreto: é uma típica peça de fim de mandato, do calibre, assim, de uma Confecom.  Uma peça sem dentes, sem objetivos, apenas para prestar contas a grupos políticos fortes dentro da coalizão de forças que suporta sua presidência.  Podem fazer besteira com ele no Congresso?  Até podem.  Mas essa já é uma outra história, e aliás, besteiras no Congresso podem ser feitas a qualquer momento, independente da ajuda do Executivo.

Eu vim aqui para comentar a inocente notícia de que a Daslu está para ser vendida a um fundo de participações, mas…

Mas de repente eu vi essa manchete estrondosa no Tio Rei:

O SUPOSTO DECRETO DOS DIREITOS HUMANOS PREGA UM GOLPE NA JUSTIÇA E EXTINGUE A PROPRIEDADE PRIVADA NO CAMPO E NAS CIDADES. ESTÁ NO TEXTO. BASTA LER!!!

Não satisfeito, prossegue, em um festival de caixas altas, vermelhos e azuis:

Como se nota, na prática, foram tornados sem efeito tanto o caput como o inciso XXII do Artigo 5º da Constituição, que asseguram o direito de propriedade.”

Vamos lá, pessoal da Veja: manda o Reinaldão fazer um cursinho básico de Direito Constitucional, vai.

Vi hoje de manhã, no Bom Dia Brasil, a tocante cena do governador Sergio Cabral pedindo uma graninha ao governo federal por conta dos deslizamentos no Rio.

Pois é.  Deu no Estadão:

Embora o governador do Rio, Sérgio Cabral, tenha defendido a “radicalização” contra a ocupação desordenada das encostas de Angra dos Reis, moradores e ambientalistas de Ilha Grande recolhem, há quatro meses, assinaturas contra um decreto de Cabral que abriu uma brecha para novos imóveis na região. O Decreto nº 41.921/09, publicado em junho de 2009, autoriza a construção em áreas não edificáveis da Área de Proteção Ambiental (APA) de Tamoios, que inclui uma faixa de mais 80 quilômetros do litoral de Angra, a face da Ilha Grande voltada para o continente e as mais de 90 ilhas da baía. A Pousada Sankay e outras sete casas soterradas, na tragédia que matou 29 pessoas, ficam na região.

Segundo o decreto – que, para ambientalistas, atende à especulação imobiliária -, residências e empreendimentos turísticos poderão ser construídos em áreas da chamada zona de conservação de vida silvestre que já tenham sido degradadas, limitando-se a 10% do terreno. Até então, só era licenciada a expansão de imóveis construídos antes de 1994, quando a APA foi regulamentada. Donos de terrenos vazios não podiam construir. O decreto foi publicado sem debate com líderes locais ou órgãos consultivos. Com as críticas, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) comprometeu-se em não conceder licenças com base no decreto, mas ambientalistas querem a sua revogação.”

Tsk, tsk.

Uma das áreas que considero não terem sido bem tratadas durante o governo Lula é a Educação.

No Correio Braziliense de hoje há uma entrevista com a Secretária Adjunta de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Maria do Socorro Mendes Gomes.  Lá pelas tantas, lê-se isto:

CB – Os professores e os servidores do INSS já integram o clube das carreiras típicas de Estado?

Os servidores, de um modo geral, que trabalham com a política pública, são agentes fundamentais de garantia de cidadania. E a cidadania não é só na perspectiva do social-assistencial, mas na perspectiva das políticas que mudam a remuneração das classes menos favorecidas.

Li da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, de cima pra baixo e de baixo pra cima, e concluí que a frase é um belo exemplo da arte de não dizer nada.

Acabo de ouvir, no Jornal Nacional, que uma das providências que os EUA planejam exigir das empresas aéreas em vista do recente atentado a um avião que ia de Amsterdam para Detroit é proibir que os passageiros entrem no banheiro da aeronave a partir do momento em que faltar 1 hora para a aterrisagem.

Em minha opinião isso revela algumas coisas interessantes:

a) o reconhecimento tácito de que o tipo de explosivo usado pelo nigeriano, bem como a técnica de ignição, é indetectável pelo raio-X dos aeroportos;

b) que, em vista disso, as autoridades anti-terror seguirão uma política de reduzir o possível custo em vidas de um ataque, procurando limitar a perda em vidas apenas ao número de passageiros e tripulantes do avião, minorando as possíveis baixas advindas da queda de uma aeronave de grande porte sobre uma área densamente povoada.

***

Ou seja, a guerra ao terror vai bem, obrigado.  E se você, passageiro que não tem nada a ver com isso, está se borrando de medo, saiba que vai ficar pelo menos uma hora borrado.

Há algo de errado em um conceito de ordem que só acontece de vez em quando.

Saudades de tempos mais inocentes

Matéria do Estadão transcreve trecho de uma entrevista do governador José Roberto Arruda.

O senhor teme a aparição de novos vídeos?

Eu tenho a minha consciência tranquila. Já estão em poder dos advogados todas as declarações ao Tribunal Regional Eleitoral. Não há nada que não tenha sido registrado. Eu reconheço que, num primeiro momento, as imagens são fortes e ruins, mas depois as pessoas vão ver que tudo isso estava registrado no TRE.”

Interessante, essa coisa das imagens “fortes e ruins”.  Parece que o Arruda está inaugurando a pornopolítica _ no estilo gonzo.

Marcos Guterman escreve o seguinte no Estadão:

Hillary, enfim, põe tudo em pratos limpos

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, pediu aos países da América Latina que “pensem duas vezes” antes de se aproximar do Irã. Trata-se da mais veemente e clara advertência do governo Obama sobre a questão, até agora tratada com calculado distanciamento por Washington.

Nas contas da Casa Branca, parece ter ficado claro que os erros da política externa brasileira, ao dar tratamento vip ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, abriu uma inesperada e indesejada brecha para que Teerã respire – justamente no momento em que a comunidade internacional está sendo desafiada pelos aiatolás e seu projeto nuclear.

Hillary, então, resolveu colocar a questão em pratos limpos. O Brasil, com seu peso excepcional na região e sua influência crescente, já não pode mais se comportar como um país periférico. Seu status atual demanda que Brasília se posicione a respeito dos grandes temas internacionais, e um dos mais importantes no momento é o que envolve o Irã. “Neutralidade” não é saudável nesse caso, porque mina os esforços concertados da ONU e das grandes potências mundiais para fazer com que o Irã coopere. Pior: dá ao Irã o oxigênio de que precisa para continuar a desafiar o mundo.

E Tio Rei faz coro:

A VERDADE

A política externa brasileira já está sendo desmoralizada nos lugares que contam. “Nossa! Reinaldo diz isso no dia em que o El País anuncia Lula como ‘personagem do ano’!” Pois é. Digo. Dois fatos expuseram os erros de Celso Amorim — e de seu chefe — de modo evidente, inquestionável: o comportamento na crise hondurenha, de notável tacanhice ideológica, e a visita de Ahmadinejad ao Brasil. O país passou a ser visto, em muitos círculos, mais como um provocador do que como um interlocutor (já volto a Amorim para tratar de sua nova pantomima em Tegucigalpa).

Lembram-se do que diziam os porta-vozes de Amorim na imprensa? A aproximação com o Irã fazia parte da crescente importância do Brasil no mundo. Uma delas, tadinha, vendendo o peixe podre conforme o havia comprado do Megalonanico, chegou a dizer que onde parecia haver contradição entre o Brasil e EUA, havia combinação. Não havia. Nunca houve.

Hillary deixou isso claro.”

***

Bom, duas coisas:

1) Se Celso Amorim não é um completo idiota _ e eu não acho que ele seja _ então o convite ao Presidente do Irã para vir ao Brasil demonstra claramente que a diplomacia brasileira não coloca tanta importância assim no objetivo de conseguir uma vaga no Conselho de Segurança da ONU.  E isso é bom, eu acho.

2) Li em algum lugar _ acho que foi no Drezner, mas não consigo recuperar o post _ que a China tem um comportamento peculiar em política externa.  O país almeja, de fato, ser um global player hegemônico.   Mas tem total consciência de suas atuais limitações econômicas e militares para conseguir desempenhar tal papel em curto prazo.  Daí que o objetivo máximo da diplomacia chinesa seja: não ficar no caminho dos EUA.

Então é o seguinte:

Não dá pra entender o texto do Guterman senão segundo a chave de que “erro da política externa brasileira” é tudo aquilo que for um erro segundo o ponto de vista de Washington.  O que é engraçado, porque, se alguém se der ao trabalho de olhar a página do CIA Factbook sobre o Irã, verá quais são seus maiores parceiros comerciais:

Exportadores de bens e serviços para o Irã:

UAE 19.3%, China 13%, Germany 9.2%, South Korea 7%, Italy 5.1%, France 4.3%, Russia 4.2% (2008)

Importadores de produtos e serviços iranianos:

China 15.3%, Japan 14.3%, India 10.4%, South Korea 6.4%, Turkey 6.4%, Italy 4.5% (2008)

Grifei ali alguns sólidos aliados dos EUA, inclusive participantes da OTAN.

Também não deixa de ser curioso ver Tio Rei basear sua censura à política externa brasileira na opinião de um governo que ele, afinal, despreza.

E francamente, por menos simpatia que eu tenha quanto ao governo islâmico do Irã, também não consigo ver a tentativa daquele país de dominar a tecnologia nuclear senão como uma forma de EQUILIBRAR o jogo de forças na região, já que o Irã tem vários vizinhos próximos dotados de armas nucleares _ Paquistão, India, China, Rússia e Israel.

***

Às vezes certos atos de política externa são, de fato, dirigidos ao público interno.  No caso da recepção ao líder iraniano, não consigo vislumbrar facilmente uma tal conexão.  É bem verdade, por outro lado, que jamais vi qualquer pesquisa sobre o reflexo de questões internacionais junto à opinião pública doméstica brasileira.  Quero crer, porém, que dada a falta de tradição do país com estas questões, que estes impactos sejam quase desprezíveis.  Acredito que a Copa do Mundo e a Olimpíada sejam mais importantes para a percepção da performance nacional para nosso eleitorado.

O que leva à pergunta, a que objetivo serve mesmo esse “statement” da nossa diplomacia?  Embora eu ache a condenação ocidental ao Irã bastante equivocada e majoritariamente decidida pela questão israelense (e pelo poderoso lobby desse país junto aos centros decisórios ocidentais), me parece que o Brasil está longe de se beneficiar de qualquer maneira com essa aproximação ou “vindicação” do tema iraniano.   A resposta mais óbvia, que é a afirmação de um mundo multipolar e não uni ou bipolar, precisaria de muito mais vitamina para ser exercida do que a mera boa vontade do mundo para com a figura do nosso Presidente.

Nesse particular _ a menos que eu não esteja vendo alguma coisa que eles vêem _ me parece que o Brasil faria bem melhor em emular a postura chinesa.

E fazendo minha ronda habitual pelo fringe anaeróbico, como um Aragorn da blogoseira pátria, eis que vejo Pedro 7 Câmara, um blogueiro anaeróbico que, reconheço, vem melhorando nos últimos anos (afora certos deslizes), bem, o Pedro, após um post bem razoável sobre o papel da imprensa em dar vazão imediata a certas aleivosias, vem perguntar-se o seguinte:

E também cabe perguntar como isso respingará em Lula aos olhos do povo. Porque é claro que o presidente não pode ir à TV dizer coisas como “não sou estuprador”. Mais ainda, cabe perguntar o que mais César Benjamin et catervasabem. E, o que mais me interessa, admito, perguntar se esse evento não marca o início de uma implosão da esquerda. Abrindo-se a caixa preta, ou a caixa de Pandora, não vai restar esperança nenhuma no fundo, e não porque o medo a tenha vencido.” [grifo meu]

Sette: Is there no beginning to your talents?

Porque, veja bem, em matéria de implosão, uma Igreja liderada por um ex-nazista, cheia de padres que comem criancinhas sem ao menos serem comunistas já deveria ter implodido há muito tempo.  Nem por isso a magna instituição deixou de contar com a admiração e apoio do Pedro, ao que eu saiba.

***

Quanto à história do César Benjamin, achei um texto dele de 2003 intitulado “A verdadeira herança maldita” que contém o seguinte parágrafo:

Os discursos do presidente Lula são pérolas de conservadorismo. Tudo o que ele diz é o seguinte: “esperem para me julgar ao fim de quatro anos”, quando ele tinha que dizer: “mobilizem-se para mudar o Brasil”. Ele tinha que ser um instrumento da mudança junto com o povo, mas é um instrumento da passividade. Está a serviço da idéia da nossa fraqueza, da idéia de que não podemos nada. E de que, portanto, só podemos mudar sem criar nenhuma turbulência. Como é que se muda sem nenhuma turbulência? Quem tem medo de tirar o pé do chão não caminha. Só caminha quem aceita algum desequilíbrio.

Supostamente, Benjamin conhecia tão bem em 2003 quanto em 2009 algo que aconteceu em 1994.  No entanto, naquele tempo ele toparia que o Lula chegasse perto do cangote dele e dissesse: “companhêru, vamos nos mobilizar para mudar o Brasil”.

Mistério.

Lula disse que vai tirar o povo da merda.

Evidentemente, essa é uma forma inédita para um governante se expressar, pelo menos em público.   E logicamente desagradou os especialistas na matéria.

O problema maior, porém, não parece estar na esfera do discurso, mas sim na da vida real:

Água e esgoto cobrem parte da Zona Leste de São Paulo

Publicada em 10/12/2009 às 14h42m

Donizeti Costa, O Globo, Bom Dia S.Paulo, SPTV

SÃO PAULO – As águas que alagam bairros Zona Leste de São Paulo não são apenas do Rio Tietê. A Sabesp confirmou nesta quinta-feira que a enchente do rio queimou o motor de uma estação elevatória de esgoto na área, agravando o problema dos 10 mil moradores da região. Além da água, o esgoto se espalha pelas ruas e casas. Só depois que as águas baixarem é que a Sabesp poderá consertar o motor da estação. Passados dois dias das chuvas que causaram oito mortes na Grande São Paulo , parte da Zona Leste continua coberta por meio metro de água.” [grifo meu]

Se pelo menos a SABESP comprasse essa briga, os paulistanos ficariam mais felizes.  🙂

Deu no Estadão:

Arruda anuncia desfiliação do DEM e diz que deixa vida política

Reunião que decidiria futuro do governador do Distrito Federal deveria ocorrer na manhã da sexta-feira

BRASÍLIA – O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, anunciou nesta quinta-feira, 10, seu desligamento do DEM. O partido se reuniria na manhã sexta-feira, 11, para decidir o destino de Arruda, que está sendo acusado de envolvimento em esquema de corrupção.

Em coletiva de imprensa realizada sede do governo, o governador do DF disse também que se afastará da vida política.” [grifo meu]

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Acredito que Arruda sai da política para entrar no ramo dos panetones, um filão comercial que ele achou.  Nada mais próximo do “animal spirit” empresarial do que o espírito de porco de um político.

Ainda mais agora que ele ganha a gratidão eterna do DEM.  Vai virar fornecedor preferencial das benfeitorias do partido Brasil afora…

Tio Rei escreveu um post:

LULA É VAIADO

terça-feira, 8 de dezembro de 2009 | 22:40

No dia 18 de novembro, escrevi aqui sobre “Lula, O Filho do Brasil”:

“Nos cinemas, os trailers têm sido recebidos com uma vaia meio preguiçosa — um muxoxo, um ‘hannn’ de insatisfação”

A coisa já evoluiu. Em sua coluna, Ancelmo Goes informa que, no sábado, na sessão das 18h40 do Cine Leblon 1, no Rio, que exibia “Abraços Partidos”, de Almodóvar, foi aparecer o trailer da hagiografia lulesca, e o cinema explodiu numa “vaia monumental”.”

Depois, confrontado com o fato de que no Leblon até Madre Teresa de Calcutá seria vaiada, sai-se com essa:

Essa clivagem de classe é só mais uma vigarice. O que os petistas não suportam mesmo é haver quem não tenha caído da sedutora lábia do líder, entendem? O que eles não perdoam é haver gente que se nega a “dar a mão” para Lula porque sabe que, deu a mão, “está no papo”, como poderia ter dito certo sindicalista pensador em 1979.

“Ah, Leblon está nos 6% que aprovam Lula” Ainda que fosse assim, constato: O QUE É ESPANTOSO É QUE ESSA GENTE CONSIGA FICAR MAIS FURIOSA COM OS 6% DO QUE ALEGRE COM OS 83%. Uma alma totalitária não consegue viver sem a unanimidade (ver post abaixo). Haver um só que diga “Não”, que se negue a dar a mão, já caracteriza um tormento pessoal e um risco de conspiração.

A idéia dos mitificadores, mistificadores e mitômanos é que não se possa comer um saco de pipoca, em 2010, sem estar olhando para a cara de Lula. Haver quem vaie o seu filme é considerado uma verdadeira afronta, uma espécie de iconoclastia. É mais feio que chutar a santa.

É assim? Então viva a vaia!” [grifo meu]

Esquisito, porque quem parece estar furioso é ele.  🙂

***

Detalhe: não vi o filme, provavelmente não verei e não gosto da idéia.

Beijo da morte na Folha de hoje:

Campanha de Arruda no DF financiou 236 candidatos

da Folha Online

O escritório político do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM) –investigado por suspeita de caixa dois e pagamento de mensalão para deputados distritais– financiou campanhas no Distrito Federal em 2006, informa reportagem de Silvio Navarro e Rubens Valente, publicada neste domingo pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Foram financiados 220 candidatos à Câmara Legislativa do Distrito Federal e 16 à Câmara dos Deputados, num total de R$ 642 mil. A prestação de contas de Arruda omitiu as datas de pagamentos e dados dos CNPJ de quem os recebeu.”

É a prova de que o “panetonegate” não é apenas um fenômeno local, mas sim, irrigou também a campanha do DEM em 2006.

Até a Veja deu o braço a torcer na edição que vai às bancas:

A implosão do esquema de corrupção montado no governo do DF provocou um abalo sísmico no DEM. Diante das cenas chocantes, os democratas concluíram que a única saída para minimizar o prejuízo eleitoral do partido com o escândalo seria a expulsão imediata do governador. A estratégia, porém, precisou ser alterada após uma reunião na qual Arruda ameaçou revelar segredos que aparentemente não podem ser expostos à luz do sol. “Se vocês radicalizarem comigo, eu radicalizo com vocês”, avisou o governador. Nem todo mundo entendeu. Não parece ter sido o caso do presidente do DEM, o deputado Rodrigo Maia, amigo de Arruda e padrinho de algumas nomeações em seu governo. Além da suspeita de que Arruda possa ter colocado sua máquina de desvios a serviço do partido, um detalhe ainda desconhecido liga a cúpula do DEM ao epicentro do tremor. Maia é íntimo do publicitário Paulo César Roxo Ramos, arrecadador informal da campanha de Arruda e acusado por Durval de operar a engrenagem de achaques que funcionava no governo do amigo.

A intimidade de Paulo Roxo com o presidente do partido era tal que no sábado dia 28, assim que foi divulgado o primeiro vídeo da corrupção, o publicitário correu à casa em que Maia vive em Brasília, não por coincidência alugada por outro amigo do presidente do DEM, André Felipe de Oliveira, ex-secretário de Esportes no governo Arruda. Roxo estava preocupado com a reação de Arruda caso o DEM decidisse emparedá-lo. “Você precisa segurar o partido. O desgaste pode ser muito maior se Arruda fizer uma besteira”, alertou. Essa proximidade alimenta a suspeita de que a arca clandestina de Brasília pode ter contaminado o caixa nacional do partido. Na semana passada, sob a condição de anonimato, um dirigente do DEM revelou a VEJA que pelo menos oito comitês de candidatos apoiados pelo partido nas últimas eleições municipais receberam dinheiro captado por operadores de Arruda. O deputado José Mendonça, do DEM de Pernambuco, era um dos mais aflitos. Ele pediu insistentemente a deputados e senadores do DEM que poupem Arruda da expulsão.

Tio Rei ainda está quietinho, já que parece que vai ficar cada vez mais e mais difícil tentar disfarçar a identidade entre a parte e o todo.  Vamos ver como ele se sai.

Belo texto da colunista gatinha do Valor, Maria Cristina Fernandes, nesta sexta, comparando a atual situação de dois partidos em pólos extremos da política, o DEM e o PSOL.  Trecho:

O DEM minguou longe do poder, mas foi no exercício do seu mais vistoso cargo que o partido lembrou o que é capaz de fazer quando empossado. A oração da propina jogou por terra a estratégia do mais aplicado partido de oposição no Congresso. Investido dessa condição, o DEM chegou até a apresentar projeto de lei para para proibir as empreiteiras de captar financiamento junto ao BNDES para obras no exterior. É um projeto que não teria dificuldades de arrastar o P-SOL se este partido tivesse mais do que uma cadeira na Casa.

Abaixo, para os sem-Valor.

***

UPDATE:

A Folha também tem uma matéria sobre a “decadência” do DEM.  Não vejo o motivo para o uso desse termo, pois todo mundo sabe que “DEM” foi uma sigla que surgiu justamente para disfarçar o velho PFL…ele apenas continua fazendo o que sempre foi sua natureza.

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Tudo pelo “enforcement”

Quando a Polícia Federal estava atrás de Dantas, Tio Rei escreveu o seguinte:

Polícia do estado, polícia do governo e estado policial

sexta-feira, 20 de junho de 2008 | 16:51

Só há uma coisa que prospera no país mais do que petróleo na camada do pré-sal: grandes operações da Polícia Federal. Não somei, mas nossas reservas de óleo já devem andar pela casa de uns 300 bilhões de barris… Assim como as operações da PF também se contam às dezenas. Quantas pessoas já foram presas, algemadas, com o estardalhaço característico, e quantas continuam presas? O primeiro número, não sei. O segundo, sei: nenhuma. Cada nova operação vai, digamos assim, repondo os detidos da operação anterior, que a Justiça manda soltar. E manda só porque é leniente e porque as leis, no país, protegem o corrupto? É o caso de analisar. Mas existe uma boa chance de haver abuso de poder nisso tudo.”

Alguns dias depois voltou ao tema, com mais, er, ênfase:

TARADOS PELO ESTADO POLICIAL

sexta-feira, 11 de julho de 2008 | 6:45

“O fascismo começa caçando tarados”. A frase é do cineasta italiano Bernardo Bertolucci. Estaria querendo dizer com isso que devemos deixar os tarados livres para agir? Não! Está chamando atenção para o fato de que não se pode usar a caça aos tarados como justificativa para impor um regime de terror. Aliás, a frase tem especial validade hoje em dia, quando, sob o pretexto de prender pedófilos, há quem advogue, sem qualquer cerimônia, o fim da privacidade na Internet. O Brasil vive um momento muito delicado. Muito mais do que parece.”

Hoje ele diz o seguinte:

Pensem no que costumo chamar de “petização” da sociedade. Não há um “lugar” onde esse troço é decidido. Muito mais importante e grave do que isso é a interiorização de valores, pelas instituições, que servem exclusivamente a um partido. Ou a partidarização de entes do estado. E isso está em curso, sim, não é de agora.

Avaliem a nova avalanche de denúncias. Qual é o único partido que está sendo preservado — ÚNICO??? Sacanagem de que o PT não participe é cabeça de bacalhau. Seria ele mais honesto do que os outros? Ora… E que fique claro: o fato de que os petistas estejam podendo se comportar como São Jorge de bordel não quer dizer que os demais não devam ser investigados. Devem, sim. Mas que papel desempenha a Polícia Federal de Tarso Genro na investigação e, sobretudo, no vazamento de dados? Será o partido do Mensalão — e falarei mais dele em outro post — realmente mais honesto e decente do que os outros???

É o uso criativo da regra segundo a qual ninguém é culpado até prova em contrário.   É inocente?  Produzam-se provas!

Essa crise aqui no DF me fez ficar pensando em certos paralelos com Washington DC, o distrito federal norte-americano.

No Brasil, o Distrito Federal, enquanto esteve no Rio de Janeiro (denominado, na época do Império, de “município neutro” ou “município da Corte”, segundo a Wikipedia, e “distrito federal” após a Proclamação da República), tinha Prefeitos.  O governo militar rompeu com isso, conduzindo o dirigente do Distrito Federal ao status de governador em1969.  Com a Constituição de 1988, o governo do Distrito Federal passou a ser escolhido pelo voto popular.

Já Washington DC adquiriu a possibilidade de ter um administrador próprio, eleito pelo povo, e um legislativo local, em 1973, com o Home Rule Act _ embora toda a legislação local tenha que ser revisada pelo Congresso da União.  Além do mais, diferentemente do DF, a população de Washington não tem direito a representação federal, isto é, não vota para o Senado ou para a Câmara dos representantes.

***

A idéia de um distrito federal nasceu nos EUA, em 1783, quando o recém-constituído Congresso de Filadélfia foi pressionado pelos locais que tencionavam impor à nova Constituição os seus interesses próprios, o que exigiu que o general George Washington tivesse que enviar tropas para impor a ordem, deslocando o Congresso para a cidade de Princeton.  Daí surgiu a idéia de criar um Distrito Federal que fosse “a casa do governo federal”, um local neutro.

As demandas da população local, típicas de um mundo democrático, terminam por se contrapor à essa necessidade de uma neutralidade territorial do local que abriga os poderes federais.

***

O João Bosco, novo blogueiro do Estadão, tem feito alguns posts sobre a necessidade de se “repensar” a autonomia do Distrito Federal.  É um tanto chocante, por exemplo, a idéia de que o novo PDOT _ o Plano Diretor do Ordenamento Territorial do DF _ tenha sido aprovado sob o signo de um mensalão, destinado a criar deputados distritais dóceis às vontades do Vice Governador da capital que, por acaso, é também o dono da maior construtora local e de uma quantidade absurda de imóveis (ele também, por acaso, é casado com uma herdeira de JK).

Porém há diferenças marcantes.  O Distrito Federal tem 5.802 Km2 e uma população estimada em mais de 2,5 milhão de habitantes.   Washington DC tem 177 Km2 e 591 mil habitantes.   É difícil negar representação a uma população do porte da do Distrito Federal brasileiro.

Uma idéia talvez fosse manter apenas a RA 1, mais ou menos equivalente ao Plano Piloto,  em Distrito Federal, retornando o restante da área ao governo de Goiás.  O problema é que isso causaria imediatamente uma enorme queda na qualidade da prestação de serviços públicos na maior parte do antigo território do DF.

Por isso, acho politicamente indefensável a idéia de reduzir as autonomias políticas do DF.

Cadê a Daslu que não importa cuecas caracterizadas para transporte de valores ilícitos da loja do Bjorn Borg??

Deu no Estadão:

Arruda fez edital para comprar 120 mil panetones no dia da ação da PF

Flagrado recebendo R$ 50 mil em 2006, governador disse que dinheiro era para aquisição destinada a pobres

Leandro Colon, BRASÍLIA

Para sustentar a versão de que a quantia de R$ 50 mil recebida em 2006 era uma contribuição para a compra de panetones, o governador José Roberto Arruda (DEM) montou uma licitação na sexta-feira passada, no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Caixa de Pandora. O governo do Distrito Federal vai comprar 120 mil panetones no próximo dia 10, segundo edital aberto naquele dia.

***

O Arruda inventou até o Edital preventivo.  Mas ainda é o mesmo baton na mesma cueca…

***

Mas o pior é que o Arruda até que estava fazendo um governo razoável.  Agora o brasiliense depara-se com a expectativa de acabar elegendo Roriz em 2010…haja panetone.

Em janeiro de 2008, no calor da eleição norte-americana, Tio Rei obrou o seguinte post:

A diferença entre convicção e sectarismo burro

domingo, 6 de janeiro de 2008 | 17:12

Vamos ver. O candidato democrata, tudo indica, será Barack Osama – ops! Obama – ou Hillary Clinton. Um fala aquelas “verdades” do humanismo chinfrim; a outra é notavelmente articulada, é a voz mais técnica entre todos os postulantes. Quem deve ser o republicano a enfrentar um ou outro? Alguém capaz de dizer também verdades gerais e que possa confrontar com razoável destreza o tecnicismo. Só há dois entre os republicanos capazes de fazê-lo: John McCain e Rudy Giuliani, este mais midiático do que aquele — e, pois, mais viável.

Uma eleição não é só um campeonato de qualidades morais. É preciso também ser viável. A questão é saber qual é ponto zero, o marco inicial dessa disputa. E o ponto zero é este: a vitória, hoje, já é dos democratas, entendem? A questão é como tirar deles a eleição certa. Se os democratas escolherem Osama — quero dizer, Obama —, será uma ajuda e tanto. Mas o problema ainda não está resolvido. Depende de quem estiver do outro lado.

Tenho arrepios civilizatórios ao pensar num confronto entre o “libertário” Osama — digo, Obama — e um teocrata caipira. É o mesmo que entregar o ouro pro bandido. A convicção que não dialoga com a realidade é só sectarismo burro.

Na época, Huckabee andava fazendo estragos nas primárias republicanas.  No mesmo dia em que escreveu o post acma, Tio Rei também escreveu isso aqui:

Não serei eu a criticar este ou aquele candidatos porque têm uma religião. Mas o estado é leigo e deve continuar a sê-lo. O republicano Rudy Giuliani é favorável ao aborto, e Huckabee é contrário? Não basta para que eu simpatize com o ex-governador do Arkansas. Continuo a preferir o ex-prefeito de Nova York, que me parece mais equipado intelectualmente para responder aos desafios postos para a maior economia do mundo — e também para a maior máquina militar do planeta. Se Huckabee, a esta altura do campeonato, ainda não entendeu a importância do Paquistão no cenário mundial, sou forçado a indagar: o que mais ele não entendeu? Prefiro, sim, candidatos com sólidas convicções religiosas. Mas a Casa Branca não pode ser confundida com um templo do interior…”  [grifo meu]

Era contra a perspectiva de sua consagração que Reinaldo falava _ como se a Veja fosse a Fox News, aliás _ mas o que importa é o seguinte: para derrotar os democratas, aqueles bárbaros antiocidentais favoráveis ao aborto, Tio Rei propugnava que o partido republicano ungisse um…candidato favorável ao aborto.

Nesta madrugada, ele produziu um “texto de deformação” onde se atraca com uma obra de Trotsky intitulada “Moral e Revolução“.  Transcrevo um pedaço do texto do velho bolchevique, “discutido” por Tio Rei:

O meio não pode ser justificado senão pelo fim. Mas também o fim precisa de justificação. Do ponto de vista do marxismo, que exprime os interesses históricos do proletariado, o fim está justificado se levar ao reforço do poder do homem sobre a natureza e à supressão do poder do homem sobre o homem.

O que é um pensamento tão consequencialista quanto o externado pelo Reinaldão nos seus post antigos, uai.  Até porque sabemos como Tio Rei trata chefes de Estado favoráveis à discussão sobre o aborto.  Quando houve aquela tragédia da menina recifense violentada pelo padrasto, que ficou grávida aos 9 anos de idade e teve que sofrer um aborto para que pudesse sobreviver, Tio Rei dizia o seguinte sobre Lula, que havia dito que “Como chefe de Estado tenho de tratar o aborto como questão de saúde pública. Como cristão, eu sou contra”:

Fosse Lula sincero, sua opinião seria esquizofrênica. Esse negócio de “como cristão” e “como presidente”, lamento dizer, é coisa de covardes políticos. Soubessem as oposições explorar tais contradições, Lula não alcançaria a altitude que alcança. O diabo — e como tem diabo nessa história! — é que também elas têm receio de enfrentar a questão.”

Bem que Tio Rei confessa que foi trotskista na juventude.  Pelo visto guardou no peito as convicções de outrora _ de lá pra cá, aprendeu apenas a ser hipócrita.

Briga de rua entre as hostes oposicionistas:

PSDB abandona governo e DEM cobra caso Yeda

Cúpula reage duramente ao rompimento dos tucanos com governador do DF e relembra escândalos na gestão gaúcha não investigados pelo partido

Marcelo de Moraes e Christiane Samarco

A decisão do PSDB de abandonar o governo de José Roberto Arruda irritou o comando nacional do DEM. Os tucanos aderiram à debandada em massa dos aliados do governador e anunciaram sua saída, em reunião de sua Comissão Executiva Nacional. Para o DEM, o PSDB, como principal aliado nacional, poderia ter esperado o resultado do processo de julgamento interno de Arruda para tomar sua decisão.

Na avaliação dos dirigentes do DEM, a decisão tucana serviu para aumentar o desgaste político do partido, que ficou isolado na administração do escândalo. Foi o suficiente para que o presidente da sigla, deputado Rodrigo Maia (RJ), atacasse o PSDB, fazendo referências às denúncias contra a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, que precisou usar sua força política regional para evitar o sucesso de uma CPI contra seu governo.

“Respeito a decisão de qualquer partido. Mas nós do DEM somos o único partido que está investigando as denúncias contra um filiado. O PSDB poderia ter investigado a governadora Yeda Crusius, mas não fez. Nós faremos investigação”, criticou. Maia foi mais além e se irritou com a possibilidade de o partido supostamente perder a vaga de vice numa chapa presidencial encabeçada pelos tucanos por conta do escândalo. “Se for levar em conta escândalos para definir vaga em chapa, talvez o PSDB nem pudesse lançar candidatura presidencial”, atacou.” [grifo meu]

***

Desse jeito a oposição chegará realmente em forma a 2010.  Limpinha, e bem magrinha.  🙂

A Executiva do DEM, atirada na cama, com as roupas rasgadas e com um bofetão marcando a cara, exige: Arruda, você tem 24 horas pra sair desse quarto!

Deu (até) na Veja:

Arruda ameaça DEM depois de ser pressionado

Três dias depois de revelado o escândalo do pagamento do mensalão no Distrito Federal e após três reuniões da cúpula do DEM, o governador José Roberto Arruda reagiu com ameaças à pressão para deixar a legenda. Num encontro com os dirigentes nacionais do DEM, na residência oficial de Águas Claras, na segunda-feira, Arruda devolveu a pressão exercida pelo senador Demóstenes Torres (GO), que propôs à direção partidária sua expulsão sumária. “Se vocês radicalizarem comigo, eu radicalizo”, avisou.

No fim de semana, ele já havia prevenido interlocutores do partido de que não se calaria caso fosse expurgado. Nessas conversas, disse claramente que revelaria os recursos que saíram do Distrito Federal para várias campanhas municipais do DEM, incluindo a da prefeitura de São Paulo, hoje administrada por Gilberto Kassab. O governador também se negou a tomar a iniciativa de pedir desligamento do DEM. “Eu me recuso a aceitar desligamento”, afirmou. “Seria o reconhecimento antecipado de culpa e eu tenho defesa. Acho que tenho condições de mostrar minha inocência e ganhar as eleições.”

Vamos ver como isso compara com o que o “reservoir dog” predileto da revista andou dizendo:

Mensalão de Arruda ou do DEM?

O desastre protagonizado por José Roberto Arruda faz aflorar o enorme preconceito que parte importante da imprensa tem contra o DEM — considerado “de direita”. É preciso ser muito energúmeno para afirmar que o Democratas é direitista. Mas os energúmenos estão à solta… Por que escrevo isso? Porque já se chama o esquema de falcatruas do Distrito Federal de “mensalão do DEM”. Calma lá! (…)

O mensalão petista foi justamente classificado de “petista” porque a cúpula dirigente estava comprometida com ele. Não é o caso, até onde se sabe, das lambanças de Arruda. Enquanto não surgir uma evidência ao menos de que direção do partido tivesse ciência do esquema ou fosse sua beneficiária, chamar a coisa de “Mensalão do DEM” ou é manifestação do tal preconceito ou é prestação de serviços ao petismo.”

E principalmente com o que ele diz…agora:

Não há escapatória, senhores do DEM: hoje é pior do que ontem e melhor do que amanhã. Seja ou não verdadeira a história de que Arruda colaborou com dinheiro ilegal para ações do partido em outros estados, ele tem de sair. Nesse caso, o dano será certamente grande. Mas será devastador se ele ficar.

A única ação racional é expulsá-lo, independentemente do grau de contaminação.” [grifos meus]

Não é interessante essa escolha de palavras?   Quanto às trapalhadas de aloprados, invariavelmente não se faz a menor tentativa de separar uma coisa da outra.  Aliás, fala-se ali em “esquerdopatia”, associada ao Mal e ao próprio Tinhoso.  Já no caso do DEM…é um “contágio”, e Arruda, apesar de estar falando a linguagem dos mafiosos, é apenas uma “maçã podre” que não deve contaminar o resto do cesto.  Como se o DEM, cuja alma é o Pefelê, não tivesse abrigado, entre outras sumidades da política que vem da cueca, o Dr. Antônio Carlos Magalhães.

Desculpe se há evangélicos entre meus leitores, mas vou ter que dizer uma coisa que me fascina há tempos.

Pelos idos dos anos 80, quando as igrejas evangélicas começaram a fazer suas incursões pela periferia carioca, conheci um sujeito no trabalho que era sumamente evangélico.  Casado, era conhecidíssimo entre as funcionárias do local como um assanhado de primeira: se alguém desse mole, créu.  No entanto, o moço acreditava-se um poço de virtudes, e realmente desprezava profundamente a todos nós, perdidos infiéis que não havíamos visto A Luz.

Na sua baia, podia-se ler um adesivo com uma frase que, anos depois, ganhou uma versão automotiva que até hoje me irrita: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?“.

***

Fato: embora lá na sua matriz o protestantismo tenha, dizem, feições sóbrias, austeras, e enseje uma ética do trabalho, cá entre nós a sua versão evangélica tomou significado completamente diferente _ embora não muito distinto do papel que a religião exerce entre os homens desde tempos imemoriais.

Aqui, “Jesus” é um símbolo de vitória, de um poder imenso que dá força ao crente e o defenderá _ quaisquer que sejam seus desígnios.  “Jesus” lhes dá um poder inquestionável.  Entre os evangélicos brasileiros, “Jesus” é a chave de um certo tipo de fascismo.

Alguém aliás já disse que se um dia o fascismo aportar na América o fará portando cruzes.  Lá no irmão do norte isso já ocorreu incontáveis vezes.  Bom, aqui entre nós também, mas acho que com as igrejas evangélicas a coisa é mais sutil.

A cena abaixo, por exemplo, é abstrusa:

A imagem acima é uma captura de uma cena de um vídeo disponibilizado no blog do João Bosco Rabello, o qual já linkei em post anterior (já está no YouTube).  A cena mostra o momento da “oração da propina”, quando Durval Barbosa, o Deputado Leonardo Prudente (do DEM, e presidente da Câmara Distrital do DF, nossa Assembléia Legislativa) e o Deputado Rubens César Brunelli, do PSC (dizem os jornais, o site da Câmara diz que ele é do DEM) “agradeciam a graça alcançada“, por assim dizer .  A oração diz o seguinte:

“”Pai, quero te agradecer por estarmos aqui, sabemos que nós somos falhos, somos imperfeitos, mas é o teu sangue que nos purifica. Pai, nós somos gratos pela vida do Durval ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para essa cidade. Tantas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele, contra nossas vidas. Nós precisamos da Tua cobertura e dessa Tua graça, da Tua sabedoria, de pessoas que tenham, Senhor, armas para nos ajudar essa guerra. Acima de tudo, Senhor, todas as armas que podem ser falhas, todos os planejamentos podem falhar, todas as nossas atividades, mas o Senhor nunca falha. ..O Senhor tem pessoas para condicionar e levar o coração para onde o Senhor quer. A sentença é o Senhor que determina. O parecer, o despacho é o Senhor que faz acontecer. Nós precisamos do livramento da vida do Durval, dos seus filhos, dos seus familiares. O Senhor é a nossa Justiça.”

Tocante.  Esquisito.  E estarrecedor.

Estes senhores se põem acima da justiça dos homens.  Eles crêem piamente, sei lá porque, que estão do lado certo, não da Lei, mas do Universo; que enriquecer às custas da população do DF é uma benção para eles.  E que o seu Deus, seja lá qual for, dá a maior força para esse comportamento.

Apesar de um dos mandamentos ser “Não roubarás”, eu tenho toda a certeza de que eles devem ter uma intepretação bastante criativa do negócio.  Já houve quem dissesse que “quem dá aos pobres empresta a Deus”.  Provavelmente, roubar dos pobres deve significar apenas um pequeno empréstimo no grande banco que está no Céu.

Brunelli aliás é um defensor hardcore dos evangélicos, segundo seu perfil na Câmara Distrital:

Atividades parlamentares: Integrante da Comissão Especial que elaborou projeto de lei regularizando o funcionamento dos templos evangélicos em áreas residenciais no DF. Três vezes presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na legislatura 2003/2006. Foi ainda presidente da Comissão de Defesa do Consumidor (CDC). Na atual legislatura, 2007/2010, foi eleito para integrar a Mesa Diretora da Câmara Legislativa, exercendo a função de Segundo Secretário para 2007/2008. Atualmente é o corregedor da Câmara, eleito para o biênio 2009-2010.

Atividades sindicais, representativas de classe e associativas: Nenhuma

Condecorações: Moção de Louvor concedida ao deputado pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, pela defesa do povo evangélico no Distrito Federal.” [grifo meu]

Sim, ele é o FDP que quer permitir aos templos evangélicos se situarem em áreas residenciais, impedindo o brasiliense de tirar seu sagrado cochilo no domingo à tarde.

Abaixo, um vídeo de Prudente dando os parabéns a Brunelli.  Está no YouTube:

Aqui, outro vídeo de Prudente tomando um descarrego de um pastor, junto com o Deputado Bispo Rodovalho:

Enfim: os exemplos são muitos.  Vejam esses vídeos para discutir sobre secularismo e religião.  “Depois podemos conversar“.   🙂

O DEM exige! (ouviram?  Exige!) esclarecimentos por parte de Arruda sobre o “panetonegate” no DF:

As graves denúncias feitas contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda exigem esclarecimentos convincentes. O partido tem o compromisso com a verdade e aguarda a manifestação oficial do governador para poder se pronunciar.

Brasília, 28 de novembro de 2009.

Rodrigo Maia – Presidente nacional do Democratas

José Agripino – Líder do Democratas no Senado

Ronaldo Caiado – líder do Democratas na Câmara

Bem, o Correio Braziliense de hoje já traz a nota oficial de Arruda & Paulo Otávio sobre o assunto:

Ainda perplexos pelo ato de torpe vilania de que fomos vítimas por parte de alguém que, até recentemente, se mostrava um colaborador, vimos externar à população do Distrito Federal nossa indignação pela trama de que estamos sendo vítimas, engendrada por adversários políticos, valendo-se de pessoa que, à busca das benesses da delação premiada, por atos que praticou nos 8 anos do Governo anterior, urdiu, de forma capciosa e premeditada, versão mentirosa dos fatos para tentar manchar o trabalho sério e bem sucedido que tem sido feito pela nossa administração.

Queremos dizer que estamos tranqüilos, porque sabemos de nossa inocência, e confiamos no sereno e isento trabalho da Justiça de nosso país, onde a verdade sempre acaba se afirmando.

Repelimos os açodados juízos que, muito mais que atingir o princípio constitucional da presunção de inocência, colocam em risco a soberania da verdade democrática.

Convincente, não? Resta saber porque motivo Arruda resolveu empregar um colaborador capaz de tantas “torpes vilanias”, um sujeito que carrega mais de 20 processos nas costas derivados, justamente, de “probleminhas” do governo anterior, “contra” o qual Arruda se elegeu.

Não que Rodrigo Maia seja uma vestal da inocência.  Em julho de 2008, mostrávamos aqui um aspecto do “modo liberal de governar” com o qual ele parecia estar confortável.

***

Toda vez que viajo, fico um tanto espantado quando aterriso no Aeroporto Internacional de Brasília.  Invariavelmente a aeronave sobrevoa quilômetros e quilômetros de mansões cinematográficas.

O que sempre achei suspeitíssimo.

Sim, é verdade que Brasília tem a maior renda per capita do país, devido, principalmente, à concentração de funcionários públicos, principalmente das carreiras mais bem aquinhoadas como as da área jurídica, fiscalização, etc.  Entretanto, eu sempre fui da opinião de que isso não justifica a riqueza imobiliária ostensiva da capital.   Mesmo supondo um casal de dois servidores bem colocados _ digamos, dois procuradores do Ministério Público (e é verdade que servidores em Brasília tendem a casar com servidores), sem filhos, com uma renda familiar bruta orbitando aí pelos 40, 50 mil reais ao mês _ mesmo um salário assim não seria suficiente para bancar uma casa no lago, cuja price tag anda pelos milhões de reais.

Brasília também ostenta, é claro, uma burguesia empresarial, principalmente com raízes no comércio local.  Minha experiência com este estamento da sociedade brasiliense mostra, entretanto, que uma boa parte desse pessoal costuma morar nas cidades-satélites, principalmente nos setores de mansões de Taguatinga, Núcleo Bandeirantes, e outros.

Mesmo o mais novo setor de desbravamento imobiliário da capital, o Setor Noroeste, que supostamente deveria desafogar a demanda por imóveis, está vendendo quitinetes _ na planta _ pela bagatela de quinhentos mil reais.

Tudo isso sempre me sugeriu que os preços dos imóveis em Brasília obedecem a outros desígnios que não apenas a pressão da demanda por moradias, e dois posts no recém inaugurado blog do João Bosco Rabello no Estadão confirmam minhas suspeitas:

Há riqueza ostensiva em Brasília que não poderia ser construída honestamente. Casas suntuosas de servidores e ex-servidores que acumularam patrimônio incompatível com a realidade salarial. A PF trabalha com a convicção de que os preços milionários do mercado imobiliário da Capital, têm origem em lavagem de dinheiro da corrupção.

E:

(…) o vice-governador, Paulo Octávio, segundo na linha sucessória, terá problemas para assumir o cargo no momento em que Arruda tiver que deixá-lo. As investigações caminham na sua direção e suas digitais estão lá, na figura de seu assessor direto, Marcelo Carvalho,que muda de cor e temperatura (fica pálido e com pressão baixa) toda vez que é mencionado como representante do vice no consórcio dos pannetones.

PO, como é intimamente chamado pelo governador e secretários, cometeu o erro que políticos como Ulysses e Tancredo Neves mais condenavam: a mistura de negócios e política. Maior empreendedor da Capital, Paulo Octávio, domina o mercado de construção e comercialização de imóveis, entre outros negócios e , paralelamente, responde pela secretaria de desenvolvimento, que acumula com a vice-governança. Ou seja, manda no setor onde transitam seus interesses comerciais. Por isso, trocou o Senado pelo governo local ao qual é candidato permanente. PO faz de seu parentesco com a família Kubistchek – é casado com Anna Cristina, sobrinha do presidente que construiu Brasília -, seu marketing eleitoral.

***

Reportagem de Raymundo Costa, Raquel Ulhôa e Paulo de Tarso Lyra no Valor fala nas consequências eleitorais do imbroglio:

Com a denúncia contra Arruda o Democrata perde o pouco poder de negociação junto ao PSDB. A partir de agora, o partido não pode mais reivindicar a vice-presidência, cargo para o qual o governador do Distrito Federal era um dos cotados. Na realidade, ninguém no partido ganha com a desgraça de Arruda – o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, já era uma engrenagem no esquema eleitoral do governador paulista José Serra, em franca rota de colisão com a ala do presidente do partido, Rodrigo Maia (RJ).

No PSDB as acusações contra Arruda causam preocupação. O governador José Serra, o mais provável candidato dos tucanos, perde de uma vez por todas o argumento do mensalão para ser usado contra o PT na eleição de 2010 – o que de uma certa forma já havia ocorrido com o mensalinho mineiro, pelo qual se tornou réu no Supremo Tribunal Federal (STF) o ex-governador e atual senador Eduardo Azeredo. O assunto também não é bom para o governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

O tucano mineiro, além de ter aliados envolvidos no mensalinho, é o candidato preferido de Arruda, entre os tucanos, à Presidência da República. Dirigentes do PSDB, aliás, fizeram uma busca no Youtube tão logo foram veiculadas as denúncias contra Arruda. Nenhuma aparição de Serra com o governador foi achada – mas há o filme de uma visita de dirigentes do DEM a Aécio que termina com um discurso do governador de Brasília em apoio à candidatura do colega mineiro a presidente.

Pois é, se a aliança PSDB/DEM planejava usar uns cobres auferidos com o rentismo imobiliário brasiliense na campanha do ano que vem, parece que podem tirar o cavalinho da chuva…

Deu no Estadão:

Lobo comemora vitória em Honduras

Processo eleitoral teve apoio de países como Estados Unidos, Alemanha e França

TEGUCIGALPA – O candidato conservador de oposição Porfirio Lobo ganhou com facilidade no domingo, 29, as eleições em Honduras. Lobo, um rico proprietário de terra, obteve mais de 61,86% dos votos em mais de 62% do que foi contabilizado pelo Supremo Tribunal Eleitoral hondurenho. Porfirio Lobo já se declarou vencedor e prometeu unidade nacional.”

***

Raras vezes uma manchete do Estadão fez tanto sentido.

Panetone Pandora, agora sabor Arruda

Veja, edição de 14 de março de 2008:

A ordem é cortar

Os primeiros sessenta dias do governador Arruda no DF são um furacão de eficiência. Se continuar assim, ele fará uma revolução

Ricardo Brito

As últimas eleições produziram uma safra de governadores que estão chamando atenção pela maneira pragmática com a qual estão enfrentando os graves problemas financeiros de seu estado. (…) No Distrito Federal, o governador José Roberto Arruda, do PFL, surpreendeu em seus dois primeiros meses de governo. Logo depois de assumir, Arruda anunciou um amplo corte de gastos, com a demissão de milhares de funcionários não concursados, a extinção de cargos de confiança e a venda de imóveis funcionais. E cumpriu o anunciado. Também estabeleceu como meta economizar até o fim do ano um terço do orçamento de custeio, o que significa gastar 1 bilhão de reais a menos do que estava previsto. Não é possível saber se isso vai ou não acontecer, mas a simples disposição de colocar as contas em ordem já é indício de que existe uma nova mentalidade na praça. Se fizer o que promete, promoverá uma revolução liberal no Distrito Federal.

José Roberto Arruda está praticando o que ele chama de modo liberal de governar. Em 2001, quando era senador e líder do governo Fernando Henrique, ele se envolveu no escândalo do painel de votações do Senado e se viu obrigado a renunciar. Perdoado pelos eleitores, agora quer deixar no passado o estigma de político desastrado e construir a imagem de administrador competente. Arruda tem imprimido ao governo o ritmo gerencial de uma empresa privada. Ele trocou o palácio por um galpão, onde os secretários despacham num ambiente único, bem próximos, separados apenas por baias. O modelo, adotado por grandes empresas e bancos, dá eficiência e rapidez às decisões. Antes, para discutir algum projeto com o governador, os secretários precisavam agendar uma reunião. Se o assunto necessitasse a presença de outro secretário, nova reunião era agendada para depois. Uma decisão simples demorava dias, às vezes meses para ser tomada. Hoje as coisas se resolvem em minutos.

(…) Antigos aliados, Roriz e Arruda andam com as relações estremecidas. Bom para os contribuintes.” [grifo meu]

Post no blog do Reinaldão, em 20 de setembro de 2009, reproduzindo matéria de Leandro Colon no Estadão:

DEM aceita chapa tucana pura em troca de apoio em 6 Estados

Em nome da sobrevivência política, o importante para o DEM é voltar ao poder em 2010. E para isso, se o candidato tucano precisar montar uma “chapa puro-sangue” com nomes do PSDB na disputa pela Presidência e vice-presidência, o DEM não atrapalhará os planos da oposição. A moeda de troca para abrir mão da vaga de vice, mantendo-se como aliado preferencial, é ter o PSDB no apoio a pelo menos seis candidatos da legenda em governos estaduais, incluindo Bahia, Distrito Federal e Rio Grande do Norte, as principais apostas do partido para 2010. Grande parte da cúpula do DEM defende a dobradinha tucana José Serra-Aécio Neves. Avalia que a legenda precisa ganhar a eleição presidencial e, ao mesmo tempo, se reerguer nos Estados, onde fracassou em 2006, quando elegeu apenas um governador, José Roberto Arruda, no Distrito Federal.”

***

Não é à toa que panetone é uma iguaria de Natal.  Esse pessoal acredita em Papai Noel, em “modo liberal de governar”  e em comprar panetone para os pobres.   Eles têm que acreditar…

Um símbolo apolítico

Do Estadão:

Suíça ‘está perto’ de proibir minaretes no país, após referendo

Resultado parcial da votação deste domingo indica vitória da proposta que elimina a construção típica do Islamismo.

– Resultados parciais divulgados neste domingo indicam que os eleitores da Suíça aprovaram, em um referendo, a proibição da construção de minaretes no país.

O resultado ainda não é oficial, mas segundo a correspondente da BBC em Berna, Imogen Foulkes, será uma surpresa se confirmado.

A proposta havia sido apresentada pelo direitista Partido do Povo (SVP), que tem maioria no Parlamento e argumenta que as torres das mesquitas são um sinal de “islamização” da Suíça.

Mas o governo suíço, do Partido Social-Democrático (SPS), fez um apelo para que a população votasse contra a proibição.”

A matéria continua:

Mas Ulrich Schluer, parlamentar do SVP, rejeita as acusações de discriminação.

“Todo muçulmano é autorizado a se reunir com outros muçulmanos e ter uma religião juntos. Mas um minarete é um símbolo político. É um símbolo para introduzir, pouco a pouco, a lei Sharia na Suíça, paralelamente à legislação suíça, que é resultado da democracia suíça”, disse ele à BBC.

***

Um minarete é um símbolo político?  E uma Igreja com uma cruz em cima, também?

Eu sei o que vão me dizer os trolls usuais.  “Hermenauta, sua anta, os minaretes alegram os olhos de apenas 4,5% da população suíça, enquanto as cruzes das Igrejas dão alento a 80% das almas brasileiras,  pois somos o maior país católico do mundo“.

E eu vou ficar aqui pensando sobre que raio de lógica é capaz de transformar um ícone da minoria em símbolo político e neutralizar a política que vive nos ícones da maioria.

(*) não precisam corrigir, é um chiste.  🙂

Veja, mas não olhe

A Veja desta semana tem matérias com os seguintes títulos:

O grampo da PF e a filha do presidente”  – na seção “Corrupção”

O Mensalão brasiliense” – na seção “Distrito Federal”

A primeira matéria, apesar do título, é sobre o genro do Presidente, Marcelo Sato, flagrado pela PF em telefonemas comprometedores com empresários.  Sato é casado com Lurian, a filha do relacionamento entre Lula e Mírian Cordeiro, e vive em Santa Catarina.  A matéria diz que “é grave o caso de Marcelo Sato, oficialmente empregado como assessor parlamentar”.  Não dá pra saber se a Veja esclarece, mas na IstoÉ está claro que Sato é assessor parlamentar na Assembléia do estado de Santa Catarina, não em Brasília _ é empregado por uma deputada estadual do PT local.

A segunda matéria fala sobre o flagra que a PF deu no governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, pagando propina à sua “base aliada”.

É engraçado como a revista liga “presidente” a “corrupção”, e a esbórnia do DEM ao…”mensalão”.

Mais engraçado ainda é como Tio Rei “relê” o título da matéria de Veja sobre o DEM da capital federal, criativamente transformado em “O Desastre de Arruda“.  Mais ou menos a mesma estratégia de quando eclodiu a história da invenção do mensalão pelo PSDB, intitulada pelo Tio Rei como “O Caso Azeredo“.

Estamos todos no MEP, dizem os habitantes do DF

Deu no Estadão:

Escuta flagra Arruda orientando distribuição de propina

Gravações foram feitas pelo secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, após delação premiada

João Bosco Rabello, da Agência Estado

BRASÍLIA – Trecho de escutas autorizadas pela Justiça flagram o governador do Distrito federal, José Roberto Arruda (DEM), orientando seu secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, sobre a distribuição de propina de a parlamentares e integrantes do governo. Amparado pela Polícia Federal, Durval Barbosa trabalhou infiltrado no governo de Arruda após acordo de delação premiada para reduzir pena por participação em operações de corrupção no governo de Joaquim Roriz.

Ex-policial, Durval trabalha há meses com equipamento de escuta sob as roupas e conseguiu captar diversas conversas que baseiam o inquérito sob coordenação do juiz Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Numa das conversas transcritas no inquérito da operação Caixa de Pandora, deflagrada pela PF nesta sexta-feira, 27, Arruda diz a Durval para entregar R$ 400 mil a Maciel (José Geraldo Maciel, Chefe da Casa Civil do governo do DF), para pagamento da “base aliada”.

Violentado por um molusco

Agita a internet a história da foto da Michelle Obama alterada para parecer um macaco.

Fair game.  Afinal, gente inescrupulosa fazia isso com Bush o tempo todo.  E nem precisavam de photoshop:

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