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Como alertou o Lelec, uma alma inocente que atende pelo nome de Julio Bueno botou no YouTube esse “vídeo” com uma transmissão do True Outspeak do nosso querido Vilósofo, que foi pelos ares no dia 18/01/2010.

Nesse programa o Vilósofo não perdeu a chance de não apenas corroborar como se afundar ainda mais nas falácias do pastor norte-americano Pat Robertson, para quem o que aconteceu no Haiti foi castigo divino.

Os dois erraram.  Segundo o sismologista John Mutter, da Columbia University, o castigo divino rolou muito antes, durante a construção dos prédios que caíram:

Earthquakes don’t kill people,” says John Mutter, a seismologist and disaster expert at Columbia University’s Earth Institute. “Bad buildings kill them.” And Haiti had some of the worst buildings in world. There are building codes, but in a country that has been ranked as the 10th most corrupt in the world, enforcement is lax at best. The concrete blocks used to construct buildings in the capital are often handmade, and are of wildly varying quality. “In Haiti a block is maybe an eighth of the weight of a concrete block that you’d buy in the U.S.,” says Peter Haas, the executive director of the Appropriate Infrastructure Development Group (AIDG), an NGO that has worked on buildings in Haiti. “You end up providing buildings quickly and cheaply but at great risk.”

Afinal, não é por outro motivo que terremotos de magnitudes semelhantes terminam gerando consequências muito distintas:

At 7.0 on the Richter scale, the earthquake that hit Haiti on Jan. 12 was strong, but hardly record-breaking — very similar, in fact, to a 7.0 temblor that hit the San Francisco Bay area in 1989. But that’s where the similarities end. The 1989 San Francisco quake left up to 12,000 people homeless and killed 63. The 2010 Haiti quake, however, will likely make over a million people homeless, and its death toll could be 50,000 or much higher.

Ou seja, Deus é muito mais sutil do que se supõe.  Ele conta com o subdesenvolvimento (que alguns tolos acreditam ser obra do Tinhoso) para operar seus milagres.

Olavón não para por aí, é claro.  Ele também atribui o desastre do Katrina em New Orleans à prática da idolatria.  Nesse caso, como já supúnhamos há algum tempo, a eleição de Bush também fez parte do plano divino para levar uma versão lite do Dilúvio aos ímpios.

Estranhamente, o  Vilósofo, que demonstrou durante sua diatribe tanta preocupação com a macumba para a queda do pinto que ele diz ter achado em um livro do Pierre Verger (onde devia estar procurando sabe-se lá o quê), esqueceu-se de nos explicar porque Salvador, capital da Bahia e terra do Terreiro de Jesus, ainda não sofreu seu devido castigo divino.

Deus, que age de modo inescrutável pelos homens, parece preferir castigar a Virgínia, por enquanto.

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Mira:

Pilot diverts jet over teen’s in-flight prayer

PHILADELPHIA – A Jewish teen trying to pray on a New York-to-Kentucky flight caused a scare when he pulled out a set of small black boxes containing holy scrolls, leading the captain to divert the flight to Philadelphia, where the commuter plane was greeted by police, bomb-sniffing dogs and federal agents.” [grifo meu]

Bem ao ponto, duas matérias interessantes na Economist.

A primeira versa sob o legado de Osama Bin Laden para os EUA:

The [security]  system is geared towards keeping out a tiny number of terrorists. Fair enough—such people should indeed be kept out. But there should be a trade-off. An immigration official lives in fear of admitting the next Mohammed Atta, but there is no penalty for excluding the next Einstein, or for humiliating tourists who subsequently summer in France. Osama bin Laden has arguably inflicted more harm on America indirectly than directly. To stop his acolytes from striking again, the government has made entering America far more difficult and degrading than it need be.”

É claro que este não é um argumento que persuada o wingnut next door, mas pense bem:

This has slowed the influx of foreign brains. In 2001, 28% of students who studied abroad did so at American universities. By 2008 that figure had shrunk to 21%, though since the absolute number of globally mobile students grew by 50% over that period, the absolute number in America has flattened, not fallen. Does this matter? Well, foreigners and immigrants make up more than half of the scientific researchers in the United States, notes Edward Alden, the author of a fine book called “The Closing of the American Border”. Among postdoctoral students doing top-level research, 60% are foreign-born. Boffins flock to America because its universities are the best, but the ordeal of getting a visa prompts many to take their ideas elsewhere.”

Pra quem não percebeu, há ali um interessante  trocadilho entre “Closing of the American Border” e “Closing of the American Mind“, ok?

E, por falar nisso, a outra matéria da Economist fala sobre os custos crescentes do controle da imigração nos EUA. Uma imagem fala por si:

(clique para ampliar)

America, plantando as sementes de sua própria destruição desde 1980.

Tio Rei falando sobre “a farsa do aquecimento global”:

“A escatologia do aquecimento é uma cópia vagabunda e sem talento do Apocalipse; deve ser mentirosa”

Resta saber se é mentirosa por ser vagabunda e sem talento, ou por ser do Apocalipse.  No segundo caso Tio Rei vai ter que se explicar com a Opus Dei.

Em uma interessante reviravolta,  Scott McLemee do Crooked Timber mostra que a narrativa de Pat Robertson, ainda que violentada por um ponto de vista profundamente anaeróbico, contém um grão de verdade.

Relendo “The Black Jacobins: Toussaint L’Ouverture and the San Domingo Revolution” de C.L.R. James, um livro escrito em 1938, Scott mostra que os escravos organizaram a revolta contra os franceses sob o disfarce de rituais religiosos de Vodu, mais ou menos da mesma forma que os escravos brasileiros faziam:

Voodoo was the medium of the conspiracy. In spite of all prohibitions, the slaves travelled miles to sing and dance and practice the rites and talk; and now, since the revolution [in France], to hear the political news and make their plans. Boukman, a Papaloi or High Priest, a gigantic Negro, was the leader. He was the headman of a plantation and followed the political situation both among the whites and among the Mulattoes. (…)

Carrying torches to light their way, the leaders of the revolt met in an open space in the thick forests of the Morne Rouge, a mountainside overlooking Le Cap. There Boukman gave the last instructions and, after Voodoo incantations and the sucking of the blood of a stuck pig, he stimulated his followers by a prayer spoken in creole which, like so much spoken on such occasions, has remained. “The god who created the sun which gives us light, who rouses the waves and rules the storm, though hidden in the clouds, he watches us. He sees all that the white man does. The god of the white man inspires him with crime, but our god calls upon us to do good works. Our god who is good to us orders us to revenge our wrongs. He will direct our arms and aid us. Throw away the symbol of the god of the whites who has so often caused us to weep, and listen to the voice of liberty, which speaks in the hearts of us all.” The symbol of the god of the whites was the cross which, as good Catholics, they wore around their necks.” [grifo meu]

Como lembra Scott, o deus dos escravos não era, é claro, o Diabo, já que eles não comungavam da crença cristã.  Não que isso interesse a Pat Robertson, porém.

Alguém já disse que “a guerra mostra o melhor dos homens“.  Bom, eu acho que alguém já disse.  Se não disse, deveria ter dito.

Olavo de Carvalho tá brigando com um cara tão à direita, mas tão à direita, que é capaz de chamar Olavón de “petista”.

E faz acusações inflamadas, que Olavón rebate uma a uma, inclusive a de  ser homossexual.  Aliás, a isto ele responde com o seguinte:

Mas o pior de tudo é a conclusão do raciocínio. O que quer que alguém pense contra o homossexualismo não lhe dá o direito de igualar essa prática a um crime hediondo tipificado no Código Penal. Creio que essa foi a maior ofensa já proferida contra os gays, ainda que na esperança de atingir com ela alguém que não é membro do grêmio.

Isto, meus caros, vindo da pena do Vilósofo, só pode ser sinal de desespero.

Mas o que importa é a seguinte acusação, e resposta:

Diz [Rogério Pedroso, o atacante – N. Hermê], em primeiro lugar, que sou um agente petista. Provas:

(1) Morei com os srs. Rui Falcão e José Dirceu num apartamento da Casa do Estudante. (Que isso acontecesse duas décadas antes da fundação do PT parece não significar grande coisa para o sr. Pedroso.)” [grifo meu]

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

George Antoine, o segundo a partir da esquerda

Parece que tem mais gente no barco do Pat Robertson:

Cônsul diz frases infelizes antes de gravar entrevista para a TV

Antes de gravar ao SBT, George Antoine soltou fez comentários sobre o terrmoto no Haiti

SÃO PAULO – O cônsul-geral do Haiti em São Paulo, George Antoine, segundos antes de iniciar a gravação de uma entrevista para o SBT na quinta-feira, 14, soltou algumas frases infelizes em relação ao terremoto que devastou o país mais pobre da América Central. O cônsul tem mais de 100 parentes no Haiti.

Com microfone de lapela e aparentemente sem saber que o áudio já estava sendo gravado, Antoine virou-se para um funcionário da representação diplomática e disse: “A desgraça de lá tá sendo uma boa para a gente aqui ficar conhecido (…) Aquele povo africano acho que de tanto mexer com macumba, não sei o que á aquilo (…) O africano em si tem maldição. Todo lugar em que tem africano tá f…”

Após saber que o microfone de lapela estava ligado, o cônsul, já durante a entrevista, segurou um terço nas mãos, e disse estar abalado com o que ocorreu no Haiti. “Esse terço nós usamos pois nos dá uma energia positiva que acalma a pessoa. Como eu estou muito tenso e deprimido com o negócio do Haiti, a gente fica mexendo com vários para se acalmar”.”

Muitos aqui se lembrarão, certamente, de um gênero de discussão que floresce durante as grandes tragédias: o retorno do “problema do Mal“.  Esse tema veio à tona depois do tsunami no Oceano Índico em 2006 , e também quando o Katrina abateu-se sobre New Orleans.

De forma geral, acredito que não é de muito bom gosto aproveitar-se da tragédia alheia para reforçar uma argumentação ideológica.  Quero dizer, é claro que é legítimo discutir o “problema do Mal”, só não é de muito bom tom fazê-lo logo depois de uma grande catástrofe, onde as atenções deveriam estar mais voltadas para as ações de resgate e ajuda humanitária.

Mas que diacho, tem gente que não nos deixa outra escolha:

Evangélico americano diz que Haiti fez “pacto com o Diabo”

14 de janeiro de 2010 • 19h16

O evangélico americano Pat Robertson, que anima um programa de TV, lançou uma polêmica nos Estados Unidos ao explicar que o terremoto que arrasou Porto Príncipe seria a consequência de um “pacto com o Diabo” selado pelos haitianos há dois séculos para se livrar dos franceses.

A controvérsia obrigou a Casa Branca a intervir, qualificando as declarações de “profundamente estúpidas”.

Falando em seu programa de TV, o evangélico, candidato às primárias republicanas para a eleição presidencial de 1988, lembrou que os haitianos “eram dominados pelos franceses”.

“Eles se reuniram e selaram um pacto com o Diabo. Disseram a ele: ”serviremos a você se nos livrar dos franceses”. A história é verdadeira. E o Diabo respondeu: ”está certo””, relatou Pat Robertson, 80 anos.

“Desde então, eles são vítimas de uma série de maldições”, afirmou o evangélico, comparando a situação no Haiti com a do país vizinho, a República Dominicana, relativamente próspera.

Claro que o aproveitamento político de grandes catástrofes é o território exclusivo de republicanos anaeróbicos norte-americanos, certo?

Humm…quem dera:

HAITI: PALCO E ATOLEIRO

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010 | 17:49

A abordagem que segue, sei disto, não é das mais agradáveis, mas, lamento, é necessária. Quando menos porque se trata de uma verdade insofismável. A tragédia do Haiti é gigantesca. Ainda que fosse um país minimamente organizado, as conseqüências seriam terríveis; sendo o que é, a cultura política se encarrega de extremar os castigos da natureza — e a natureza, como sabemos, é má para os homens; eles é que a melhoram, domando-a ou aprendendo a se proteger do inevitável. Em tempos “naturalisticamente corretos”, a constatação pode ser ofensiva a muitos. Em alguns casos, os humanos fazem o contrário, é certo, e pioram a natureza. Aí se tem o inferno. O inferno é o Haiti. Mas retomo o fio da abordagem dita desagradável.

Em que pese a desproporção das tragédias, como não contrastar a agilidade de Lula em mobilizar recursos em favor do Haiti com a lentidão paquidérmica para assistir os desabrigados das chuvas no Brasil e as famílias dos muitos mortos? Assim foi em 2008, em Santa Catarina; assim foi no fim do ano passado em toda parte.

Interessante a abordagem do Tio Rei.  Considere, leitor, que em nossa estrutura federalizada os entes federativos são responsáveis por ações de defesa civil na ponta; existe um Sistema Nacional de Defesa Civil responsável por articular as ações de prevenção e resposta a desastres, apoiada pelos entes de defesa civil nos níveis regional, estadual e municipal, como reza a Política Nacional de Defesa Civil.

No caso do Haiti, trata-se de um país já totalmente carente de uma estrutura institucional (é por isso que tem uma missão de paz da ONU lá).  O terremoto, creiam-me, não melhorou essa situação.  Então estamos tratando duas situações bem distintas, não só quanto a extensão da tragédia, quanto às possibilidades de ação local no sentido de minorá-la.

Tio Rei faria melhor em prestar atenção às ações de seus companheiros de estrada.  Não deixa de ser curioso que a única menção que ele fez sobre a patética situação do Jardim Romano, área sob a responsabilidade do alcaide de São Paulo, Gilberto Kassab, foi em um post para falar mal da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, que exige soluções para o problema.  Tio Rei chega a dizer que “a defensoria quer também a “suspensão da remoção” dos moradores para que a decisão da Prefeitura de criar um parque naquela região — aonde as águas do Tietê sempre voltarão enquanto houver Tietê“.  E mais:

“(…)a nota da Defensoria diz defender uma “solução definitiva” para a região. E em que ela consistiria? Manutenção das bombas para drenagem das águas pluviais e dos córregos próximos e a varrição dos bairros. E quem disse que isso é solução definitiva?

Pois é.  Tio Rei, que tanto preza a Civilização Ocidental, parece esquecer que uma das primeiras conquistas da Humanidade foi reclamar as áreas de pântanos para uso humano.  Para proteger Kassab, o inepto, ele propõe que a Humanidade regrida ao estágio neolítico, antes das burocracias hidráulicas.

Mas Tio Rei continua:

É evidente que considero que o Brasil tem de integrar os esforços internacionais para tentar minorar o sofrimento do povo do Haiti. Não há mal nenhum nisso. Ao contrário. Mas também resta evidente que uma tragédia como a havida naquele país pode se transformar numa espécie de palco para governantes que pretendem demonstrar capacidade de liderança.”

(…) Uma catástrofe como a havida no Haiti, é forçoso constatar, “rende” mídia internacional, e o evento logo se torna uma arena também política. Barack Obama, outro que não consegue disfarçar a matéria de que é feito, afirmou que o terremoto “pede a liderança americana”. Vai mandar 3,5 mil soldados ao país e anunciou ajuda de US$ 100 milhões. Que o mundo se mobilize mesmo! Os haitianos precisam. Mas nem por isso devemos suspender o juízo crítico e ignorar aspectos nem tão virtuosos de certos protagonismos.”

Suponhamos, por exemplo, que o Brasil sequer tivesse manifestado intenção de ajudar o Haiti, ou o tivesse feito apenas depois de Obama, Sarkozy e o Papa falarem a respeito.  Então seguramente estaríamos vendo a catilinária de Tio Rei ribombando sobre nossas cabeças, recriminando a desídia do Brasil em cumprir com seu papel como líder da missão humanitária no Haiti.   Ou seja, se o governo se manifesta nas primeiras 24 horas é porque quer aparecer, mas se se manifesta depois de 24 horas, é lento e desidioso.  Quem sabe se a manifestação ocorresse 24 horas, 15 minutos e 32 segundos depois do terremoto…

Quanto ao pobre do Obama, bem…parece que Tio Rei só aceita a “liderança americana” quando se trata de causar, e não aliviar, desastres _ o Iraque e o Afeganistão que o digam.

***

UPDATE:

O Samba do Avião está dando uma aula sobre a História do Haiti.  Recomendo.  Aproveitem e mandem o link dele pro Pat Robertson.

Tio Rei tem um post intitulado “Agressão aos Direitos Humanos Também no Cinema“.  Não, amigo, não se trata de uma gangue de lanterninhas torturadores que se aproveitam do escurinho do cinema para te fazer contar o final do filme mesmo que ele ainda esteja no início.  Vejamos:

A Ancine, a Agência Nacional de Cinema, precisa agir depressa para ver se consegue salvar do vexame “Lula, O Filho do Brasil”, o filme hagiográfico sobre a vida de Lula que não conseguiu repetir a proeza de mentir mais do que a propaganda oficial. Em matéria de cinema, ninguém supera Franklin Martins, o ministro da Verdade. Como jornalista, ele já exibia essa tendência, razão por que seus chefes o convidaram a assumir de vez o discurso oficialista. Mas me desviei um pouco do principal. No lusco-fusco de 2009, ali no apagar das luzes de um ano e no aceder as de outro, Lula editou o decreto nº 7. 061 – precisamente no dia 30 de dezembro. É curto. Leiam. Volto em seguida:

Reproduzo, do tal Decreto, apenas as partes que ele grifou:

Art. 1o As empresas proprietárias, locatárias ou arrendatárias de salas ou complexos de exibição pública comercial estão obrigadas a exibir, no ano de 2010, obras cinematográficas brasileiras de longa metragem, no âmbito de sua programação, observado o número mínimo de dias e a diversidade dos títulos fixados em tabela constante do Anexo a este Decreto.

(…)

Art. 3o A ANCINE, visando promover a auto-sustentabilidade da indústria cinematográfica nacional e o aumento da produção, bem como da distribuição e da exibição das obras cinematográficas brasileiras, regulará as atividades de fomento e proteção à indústria cinematográfica nacional, podendo dispor sobre o período de permanência dos títulos brasileiros em exibição em cada complexo em função dos resultados obtidos.”  [grifo meu]

E Tio Rei continua:

Que coisa comovente! Numa tabela em anexo, o decreto específica o número mínimo de sessões com filme nacional, dependendo do número de salas controladas por uma mesma empresa.

Falta agora a instrução normativa da Ancine. Mas notem: não contente em impor o filme nacional, o decreto atribui à agência o poder para definir o tempo em que um filme ficaria em cartaz em cada sala, entenderam? É isto: também nesse caso, a liberdade vai para a breca. O estado se torna o grande programador dos cinemas.

Chega a ser patético que esse decreto tenha vindo à luz na antevéspera da estréia do , dadas as expectativas, maior insucesso da história do cinema brasileiro: “Lula, O Filho do Brasil“. Como fica evidente, quando o telespectador não quer, não há máquina de propaganda, dinheiro ou adesismo que dê jeito. O “maior lançamento da história” está sendo rejeitado até pelos camelôs. Ainda escreverei a respeito. Só que terei de passar pela provação de ver o filme primeiro.

Ou seja, ele quer fazer crer que na calada da noite, no final de 2009, o Presidente da República publicou um decretinho solerte só para fazer decolar o “Lula, o Filho do Brasil”.

Neste caso, tenho algumas surpresas para o Tio Rei.  Vejamos o caput do Decreto que ele menciona:

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 55 da Medida Provisória no 2.228-1, de 6 de setembro de 2001, DECRETA:”

E o que diz o art. 55 da Medida Provisória 2.228-1, assinada pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso???  Isso:

Art. 55. Por um prazo de vinte anos, contados a partir de 5 de setembro de 2001, as empresas proprietárias, locatárias ou arrendatárias de salas, espaços ou locais de exibição pública comercial exibirão obras cinematográficas brasileiras de longa metragem, por um número de dias fixado, anualmente, por decreto, ouvidas as entidades representativas dos produtores, distribuidores e exibidores.

§ 1o A exibição de obras cinematográficas brasileiras far-se-á proporcionalmente, no semestre, podendo o exibidor antecipar a programação do semestre seguinte.

§ 2o A ANCINE aferirá, semestralmente, o cumprimento do disposto neste artigo.

§ 3o As obras cinematográficas e os telefilmes que forem exibidos em meios eletrônicos antes da exibição comercial em salas não serão computados para fins do cumprimento do disposto no caput.”

Pois é.  Desde 2001, TODOS OS ANOS, há um Decreto presidencial, em geral publicado no Diário Oficial da União no final de dezembro (excepcionalmente no início de janeiro), definindo a cota de tela para o ano subsequente.  Por obra e graça de Fernando Henrique Cardoso.

Pior: esse mecanismo já estava em vigor ANTES MESMO da MP 2.228-1, como podem ver abaixo:

E o que dizia o artigo 29 da Lei 8.401, citada no caput desse Decreto como sua base jurídica? O seguinte:

Art. 29. Por um prazo de dez anos, as empresas proprietárias, locatárias ou arrendatárias de salas, espaços ou locais de exibição pública comercial exibirão obras cinematográficas brasileiras, de longa metragem, por determinado número de dias, que será fixado anualmente por decreto do Poder Executivo.

1° A exibição de obras cinematográficas brasileiras far-se-á proporcionalmente, no semestre, podendo o exibidor antecipar a programação do semestre seguinte.

2° A aferição do cumprimento do disposto neste artigo far-se-á semestralmente por órgão designado pelo Poder Executivo.

3° O não cumprimento da obrigatoriedade de que trata este artigo sujeitará o infrator a uma multa correspondente ao valor de dez por cento da renda média diária de bilheteria, apurada no semestre anterior à infração, multiplicada pelo número de dias em que a obrigação não foi cumprida.

O que é a mesma redação, praticamente, do art. 55 da MP 2.228-1.  Quer dizer, quase.  Na versão da Lei 8.401, o mecanismo da cota de tela deveria vigir por dez anos.  A MP 2.228-1 (lembrem-se, assinada pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso) estendeu esse prazo para…20 anos!

Depreende-se daí o seguinte:

a)  O Presidente Fernando Henrique Cardoso “agrediu os direitos humanos” dos espectadores de cinema tanto ou mais que Lula.

b) Tio Rei MENTIU quando disse que o Decreto visa turbinar o filme “Lula, o Filho do Brasil”.  Inclusive, os dias de cota de tela ali propostos são os mesmos que do Decreto do ano anterior, determinados no Decreto no. 6.711, de 24 de dezembro de 2008:

***

Eu não sou o maior dos fãs da cota de tela e acho que esse instituto deve ser sobretudo temporário, devendo acabar quando a indústria cinematográfica brasileira for capaz de andar pelas próprias pernas.  O que talvez não esteja muito longe, segundo matéria de Gustavo Briggato no Valor de hoje:

Cinema nacional cresce 76% em 2009

O número de pessoas que assistiram a filmes nacionais em 2009 cresceu 76% na comparação com 2008, segundo levantamento da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Foram 16 milhões de expectadores. Conforme adiantou o Valor em 8 de dezembro, foi a segunda melhor marca do cinema nacional em sua fase de retomada – o período inaugurado em 1993 com a edição da Lei do Audiovisual.

Os filmes brasileiros arrecadaram R$ 113,9 milhões no ano. “Se Eu Fosse Você 2” liderou a bilheteria com 6,1 milhões de ingressos vendidos e R$ 50,5 milhões arrecadados. O filme superou a marca estabelecida em 2005 por “Dois Filhos de Francisco”, que atraiu 5,3 milhões de expectadores.

A cota de tela tem sido importante nesse movimento?  Possivelmente, sim, ao assegurar uma fatia de mercado para filmes nacionais _ sem o qual dificilmente investidores se animariam a botar seu dinheiro na produção de um filme nacional que, por várias características únicas do mercado cinematográfico (como a prática das distribuidoras internacionais, as majors, exigirem a exibição de um portfolio de seus filmes pelos cinemas, criando uma verdadeira barreira à entrada ao produto nacional), é um empreendimento de elevado risco.

Mas parece que a “programação” dos cinemas pelas empresas internacionais não preocupa tanto Tio Rei quanto ganhar as eleições desse ano.

É, Tio Rei vai de mal a pior.

Agora deu de escrever textos contra “a morte da democracia“.  Lá vai o doidinho:

Nenhum país dorme democracia e acorda ditadura; em nenhum lugar do mundo, o sol se põe na plena vigência do estado democrático e de direito e se levanta para iluminar um regime autoritário. A construção da miséria institucional e legal é sempre lenta e demanda um esforço continuado e dedicado tanto dos candidatos a ditador como dos culpados úteis que lhes prestam serviços – são “culpados úteis”, sim; não há inocentes entre protagonistas e omissos.”

Cáspite.  Tio Rei regula comigo em idade, pelo que sei.   Então pergunto, onde é que ele estava no Primeiro de Abril de 1964?  Em alguma piada de mal gosto?  Não, ele estava em um país que um dia era uma democracia, e acordou uma ditadura.  Desde que o mundo é mundo, aliás, sabe-se muito bem o caminho do golpe nas instituições, e ele não tem nada a ver com essa viadagem de solapar a democracia devagarinho:  o profissional do ramo sabe que o negócio é mesmo incendiar a imaginação dos quartéis.  Quem se dedica, no momento, a esta atividade, ao que eu sabia, é Tio Rei, entre outros.

Em seguida, Tio Rei, inadvertidamente, nos oferece uma oportunidade para vasculhar o que diabo se pode encontrar entre as recônditas sombras de uma mente anaeróbica:

Imersos numa enorme confusão filosófica e jurídica, ignoram [os jornalistas, nota Hermê] que mesmo os melhores princípios obedecem a códigos estabelecidos – estabelecidos, é bom lembrar, num regime plenamente democrático. Moral e intelectualmente, comportam-se como crianças tolas e assustadas, que fazem pipi nas calças diante do temor de que a crítica ao tal decreto venha a ser confundida com “defesa da tortura”. O fenômeno, admito, não é só brasileiro. Vive-se a era da patrulha das minorias organizadas, que tolhem o pensamento com a força de um tribunal inquisitorial. Richard Lindzen, por exemplo, professor de meteorologia do Massachusetts Institute of Technology (nada menos do que o lendário MIT), faz picadinho de algumas teses do aquecimento global e explica o silêncio de colegas que comungam de suas teses: medo – e, claro!, risco de perder verbas para pesquisa.

É no mínimo interessante constatar como, de repente, Tio Rei salta da questão da tortura para o tema, hum, bem pouco relacionado do aquecimento global.  É que o sonho da direita, hoje, é roubar para si uma figura cultivada pela esquerda até bem pouco tempo: o rebelde, o Quixote.  Isso não é novo, o John Galt de Ayr Rand bebia no mesmo regato.  Façamos justiça lembrando que o mote do “toda unanimidade é burra” também fez sucesso nos arraias de esquerda há não muito tempo atrás.  O problema é que isso não basta: para cada Richard Lindzen (“do MIT, hein!”), há dezenas ou centenas de cientistas tão bem ou melhor qualificados que esposam a opinião contrária.  E se alguém andou oferecendo facilidades financeiras em troca de resultados risonhos quanto ao aquecimento global, bom, desculpe, mas foi da banda de lá.

Depois, Tio Rei repisa o argumento salafrário, ao falar sobre o Decreto propriamente:

Ocorre que, entre outras barbaridades, o mesmo texto que contempla aquela aberração [a Comissão da Verdade, nota Hermê] também extingue, na prática, o direito de propriedade e institui a censura sob o pretexto de defender os direitos humanos.”

Sobre isso duas coisas:

1) Qualquer constitucionalista dirá ao Tio Rei que a nossa Constituição contém uma série de princípios que muitas vezes se opõem.  Como por exemplo mostra a questão da função social da propriedade.  Isso é normal, e é função do Judiciário resolver caso a caso qual princípio sobrepuja o outro.  Tio Rei pode não gostar, mas é assim que está na Constutuição, ué.

2) Por outro lado, quem já leu, no duro, o Decreto no. 7037 poderá verificar, in loco, que ele é das peças mais anêmicas que já se viu por aí: 7 artigos, dos quais os 3 últimos versam sobre disposições das mais gerais e cujo coração, o artigo 2, dá diretrizes programáticas que serão um dia objeto de consideração de comitês sem prazos definidos que… enfim, é uma receita para o enxugamento de gelo.  Alguém vir à público dizer que aquela peça inerme “extingue, na prática, o direito de propriedade”, se não é mal intencionado, é burro a não mais poder.

[o que não é novidade, dadas as repetidas vezes em que ele trotou sobre a mentira de que a fusão da Brasil Telecom e da Oi dependeu uma modificação na Lei, quando dependeu apenas de um Decreto modificando o PGO, algo aliás previsto na Lei Geral de Telecomunicações]

E Tio Rei é mal intencionado, claro, como admite logo a seguir:

Petralhas e até alguns inocentes acusaram: “Você está exagerando na interpretação do decreto”. Não estou. O governo é que exagera na empulhação. E volto, então, ao início dessa conversa. Não se mata a democracia do dia para a noite. Seu último suspiro é apenas o ponto extremo de uma longa trajetória. Se é um regime de liberdade o que queremos, pautado pelos códigos legais que nos fazem também um estado de direito, então o decreto de Lula há de ser alvo do nosso repúdio. E ele tem de ser expresso agora, não depois, antes que se multiplique em projetos de lei num Congresso que já não morre de amores pela imprensa.

Repentinamente, a “extinção na prática do direito de propriedade” se transformou na morte da democracia, a prazo.

Por fim, Tio Rei faz seu habitual discurso laudatório à Joana D´arc do movimento dos com terra, a senadora Kátia Abreu _ sim, aquela mesma dos empréstimos estatais seletivos, aquela mesma que não tem pudor em transformar seu mandato em um escritório de lobby pago pelo contribuinte, sim, aquela mesma que defende o trabalho escravo _ que, indignada, diz que o governo está defendendo grupos criminosos.  Algo de que ela, sem dúvida, entende.

***

Agora, minha interpretação sobre o Decreto: é uma típica peça de fim de mandato, do calibre, assim, de uma Confecom.  Uma peça sem dentes, sem objetivos, apenas para prestar contas a grupos políticos fortes dentro da coalizão de forças que suporta sua presidência.  Podem fazer besteira com ele no Congresso?  Até podem.  Mas essa já é uma outra história, e aliás, besteiras no Congresso podem ser feitas a qualquer momento, independente da ajuda do Executivo.

Eu vim aqui para comentar a inocente notícia de que a Daslu está para ser vendida a um fundo de participações, mas…

Mas de repente eu vi essa manchete estrondosa no Tio Rei:

O SUPOSTO DECRETO DOS DIREITOS HUMANOS PREGA UM GOLPE NA JUSTIÇA E EXTINGUE A PROPRIEDADE PRIVADA NO CAMPO E NAS CIDADES. ESTÁ NO TEXTO. BASTA LER!!!

Não satisfeito, prossegue, em um festival de caixas altas, vermelhos e azuis:

Como se nota, na prática, foram tornados sem efeito tanto o caput como o inciso XXII do Artigo 5º da Constituição, que asseguram o direito de propriedade.”

Vamos lá, pessoal da Veja: manda o Reinaldão fazer um cursinho básico de Direito Constitucional, vai.

To bias or not Tobias

Paulo do FYI faz um post sobre um livro do qual ele gostou muito.  Como não poderia deixar de ser, sua crítica é ponderada, razoável e totalmente imparcial:

This book is also not sophisticated in the technical sense. People who are acquainted with economics will probably know most of the principles taught here. Yes, I did say taught, which brings me to the final ‘warning’ about the book: it is not unbiased. It is a totally pro-market, pro-capitalism, and most of all, pro-American book.” [grifo meu]

Ah, bom!

Acabo de ouvir, no Jornal Nacional, que uma das providências que os EUA planejam exigir das empresas aéreas em vista do recente atentado a um avião que ia de Amsterdam para Detroit é proibir que os passageiros entrem no banheiro da aeronave a partir do momento em que faltar 1 hora para a aterrisagem.

Em minha opinião isso revela algumas coisas interessantes:

a) o reconhecimento tácito de que o tipo de explosivo usado pelo nigeriano, bem como a técnica de ignição, é indetectável pelo raio-X dos aeroportos;

b) que, em vista disso, as autoridades anti-terror seguirão uma política de reduzir o possível custo em vidas de um ataque, procurando limitar a perda em vidas apenas ao número de passageiros e tripulantes do avião, minorando as possíveis baixas advindas da queda de uma aeronave de grande porte sobre uma área densamente povoada.

***

Ou seja, a guerra ao terror vai bem, obrigado.  E se você, passageiro que não tem nada a ver com isso, está se borrando de medo, saiba que vai ficar pelo menos uma hora borrado.

Deu no Globo:

Cantora Sinead O’Connor exige renúncia de Bento 16

DUBLIN – A cantora Sinead O’Connor pediu na sexta-feira que o papa Bento 16 renuncie por causa de um relatório do governo irlandês acusando os líderes da Igreja de acobertarem o abuso sexual de crianças por 30 anos.

O Vaticano divulgou um comunicado na sexta-feira dizendo que o papa se sentiu “traído, envergonhado e ultrajado” por causa do escândalo e iria escrever ao povo irlandês sobre o abuso sexual.

Mas Sinead, que certa vez irritou católicos ao rasgar uma foto de João Paulo 2º ao vivo na televisão, disse em uma carta publicada em um jornal britânico que o papa se manteve em silêncio por tempo demais sobre o abuso sexual infantil.

– Eu exijo que o papa renuncie por seu silêncio desprezível sobre a questão e seus atos de não cooperação com o inquérito – escreveu O’Connor em uma carta ao jornal “The Independent”, publicada antes de uma reunião entre líderes da igreja irlandesa e o papa no Vaticano.

– Os papas não tiveram problemas em dar suas opiniões quando quisemos pílulas anticoncepcionais ou o divórcio – disse Sinead.

– Não tiveram problema em criticar o Código Da Vinci. Nenhum problema em criticar Naomi Campbell por usar uma cruz adornada com joias. Mas quando se trata dos males feitos por pedófilos vestidos de padres, eles ficam em silêncio. É grotesco, inacreditável, bizarro e inédito. Eles não defendem nada além do mau.”

***

A Sinead só pode estar se promovendo, porque, quanto à prevaricação da ICAR nessa matéria da pedofilia sacerdotal, todo mundo já está careca de saber disso.

Em janeiro de 2008, no calor da eleição norte-americana, Tio Rei obrou o seguinte post:

A diferença entre convicção e sectarismo burro

domingo, 6 de janeiro de 2008 | 17:12

Vamos ver. O candidato democrata, tudo indica, será Barack Osama – ops! Obama – ou Hillary Clinton. Um fala aquelas “verdades” do humanismo chinfrim; a outra é notavelmente articulada, é a voz mais técnica entre todos os postulantes. Quem deve ser o republicano a enfrentar um ou outro? Alguém capaz de dizer também verdades gerais e que possa confrontar com razoável destreza o tecnicismo. Só há dois entre os republicanos capazes de fazê-lo: John McCain e Rudy Giuliani, este mais midiático do que aquele — e, pois, mais viável.

Uma eleição não é só um campeonato de qualidades morais. É preciso também ser viável. A questão é saber qual é ponto zero, o marco inicial dessa disputa. E o ponto zero é este: a vitória, hoje, já é dos democratas, entendem? A questão é como tirar deles a eleição certa. Se os democratas escolherem Osama — quero dizer, Obama —, será uma ajuda e tanto. Mas o problema ainda não está resolvido. Depende de quem estiver do outro lado.

Tenho arrepios civilizatórios ao pensar num confronto entre o “libertário” Osama — digo, Obama — e um teocrata caipira. É o mesmo que entregar o ouro pro bandido. A convicção que não dialoga com a realidade é só sectarismo burro.

Na época, Huckabee andava fazendo estragos nas primárias republicanas.  No mesmo dia em que escreveu o post acma, Tio Rei também escreveu isso aqui:

Não serei eu a criticar este ou aquele candidatos porque têm uma religião. Mas o estado é leigo e deve continuar a sê-lo. O republicano Rudy Giuliani é favorável ao aborto, e Huckabee é contrário? Não basta para que eu simpatize com o ex-governador do Arkansas. Continuo a preferir o ex-prefeito de Nova York, que me parece mais equipado intelectualmente para responder aos desafios postos para a maior economia do mundo — e também para a maior máquina militar do planeta. Se Huckabee, a esta altura do campeonato, ainda não entendeu a importância do Paquistão no cenário mundial, sou forçado a indagar: o que mais ele não entendeu? Prefiro, sim, candidatos com sólidas convicções religiosas. Mas a Casa Branca não pode ser confundida com um templo do interior…”  [grifo meu]

Era contra a perspectiva de sua consagração que Reinaldo falava _ como se a Veja fosse a Fox News, aliás _ mas o que importa é o seguinte: para derrotar os democratas, aqueles bárbaros antiocidentais favoráveis ao aborto, Tio Rei propugnava que o partido republicano ungisse um…candidato favorável ao aborto.

Nesta madrugada, ele produziu um “texto de deformação” onde se atraca com uma obra de Trotsky intitulada “Moral e Revolução“.  Transcrevo um pedaço do texto do velho bolchevique, “discutido” por Tio Rei:

O meio não pode ser justificado senão pelo fim. Mas também o fim precisa de justificação. Do ponto de vista do marxismo, que exprime os interesses históricos do proletariado, o fim está justificado se levar ao reforço do poder do homem sobre a natureza e à supressão do poder do homem sobre o homem.

O que é um pensamento tão consequencialista quanto o externado pelo Reinaldão nos seus post antigos, uai.  Até porque sabemos como Tio Rei trata chefes de Estado favoráveis à discussão sobre o aborto.  Quando houve aquela tragédia da menina recifense violentada pelo padrasto, que ficou grávida aos 9 anos de idade e teve que sofrer um aborto para que pudesse sobreviver, Tio Rei dizia o seguinte sobre Lula, que havia dito que “Como chefe de Estado tenho de tratar o aborto como questão de saúde pública. Como cristão, eu sou contra”:

Fosse Lula sincero, sua opinião seria esquizofrênica. Esse negócio de “como cristão” e “como presidente”, lamento dizer, é coisa de covardes políticos. Soubessem as oposições explorar tais contradições, Lula não alcançaria a altitude que alcança. O diabo — e como tem diabo nessa história! — é que também elas têm receio de enfrentar a questão.”

Bem que Tio Rei confessa que foi trotskista na juventude.  Pelo visto guardou no peito as convicções de outrora _ de lá pra cá, aprendeu apenas a ser hipócrita.

Veja, mas não olhe

A Veja desta semana tem matérias com os seguintes títulos:

O grampo da PF e a filha do presidente”  – na seção “Corrupção”

O Mensalão brasiliense” – na seção “Distrito Federal”

A primeira matéria, apesar do título, é sobre o genro do Presidente, Marcelo Sato, flagrado pela PF em telefonemas comprometedores com empresários.  Sato é casado com Lurian, a filha do relacionamento entre Lula e Mírian Cordeiro, e vive em Santa Catarina.  A matéria diz que “é grave o caso de Marcelo Sato, oficialmente empregado como assessor parlamentar”.  Não dá pra saber se a Veja esclarece, mas na IstoÉ está claro que Sato é assessor parlamentar na Assembléia do estado de Santa Catarina, não em Brasília _ é empregado por uma deputada estadual do PT local.

A segunda matéria fala sobre o flagra que a PF deu no governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, pagando propina à sua “base aliada”.

É engraçado como a revista liga “presidente” a “corrupção”, e a esbórnia do DEM ao…”mensalão”.

Mais engraçado ainda é como Tio Rei “relê” o título da matéria de Veja sobre o DEM da capital federal, criativamente transformado em “O Desastre de Arruda“.  Mais ou menos a mesma estratégia de quando eclodiu a história da invenção do mensalão pelo PSDB, intitulada pelo Tio Rei como “O Caso Azeredo“.

Tio Rei, aquele que todos sabem ser um intelectual honesto e respeitador (isto é, tanto quanto lhe permite a condição de “reservoir dog”), escreveu o seguinte:

Discovery Channel

quinta-feira, 19 de novembro de 2009 | 5:57

“Pelo carinho que ela me dedicou à noite, ela gostou, sim”.

Esse é Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da República, referindo-se a Mariza Letícia da Silva, a primeira-dama, quando indagado se ela havia gostado do filme “Lula, O Filho do Brasil”, que assistira na noite anterior.

Eu entendi certo, né? O presidente da República está falando daquilo? Mais especificamente, daquilo naquilo? Eu, sinceramente, preferiria que Lula fosse mais transparente no uso do dinheiro público ou nas causas do apagão.

O que eu digo? Sei lá por quê, pensei em parte da programação do Discovery Channel.

Est modus in rebus, dizia o poeta. As coisas têm limites! Ou deveriam ter.

***

Pô, que implicância.  Outro dia Tio Rei escreveu o seguinte em um post:

“Sem Dona Reinalda, não sou ninguém. Nem sexo eu faço sem ela, vejam só…”

Dá pra ser menos transparente, Tio Rei?  Sério, ainda não me recuperei do choque de ter vislumbrado, ainda que por um breve momento porque minha imaginação não é tanta e meus circuitos neurais têm proteção, a imagem de Reinaldão e sua mão peluda praticando o cinco contra um no banheiro, provavelmente pensando em, sei lá, Ayn Rand.

***

Quer dizer, Tio Rei fica aí defendendo a menina do vestido curto mas se horroriza com o sexo presidencial.  Do Lula, porque das escapadinhas adúlteras de don Fernando em situação de assédio sexual contra a empregada, nem uma palavrinha até agora.  Nem pra dizer que é mentira!

Matéria do Estadão de hoje dá conta da ação do DEM na aprovação de uma lei que busca limitar os financiamentos do BNDES a empresas brasileiras no Exterior, em particular empreiteiras realizando obras em outros países:

Construtoras tentam barrar projeto que limita BNDES

SÃO PAULO – Rivais no canteiro de obras, fora dele as maiores construtoras do País se juntaram para derrubar o que dizem ser uma ameaça a seus negócios: um projeto de lei que proíbe o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de financiar obras fora do Brasil. (…) Estimuladas pelo governo Lula e sua política de ocupação comercial da América Latina e da África, empresas como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa estão construindo hidrelétricas, portos e metrôs em outros países, com financiamento do BNDES.

(…) O projeto que tramita no Senado, de autoria do senador Raimundo Colombo (DEM-SC), fecha essa fronteira. Ele proíbe que “o BNDES financie governos de outros países e suas empresas”.

O papel do BNDES não é esse. Ele não pode dar dinheiro para um metrô na Venezuela ou um porto em Cuba, quando tem tanta coisa para fazer no Brasil”, afirma Colombo. Quando chegou ao Senado, no começo do ano, o projeto de Colombo chamou a atenção das construtoras e do BNDES. Mas a preocupação cresceu mesmo depois do parecer favorável da relatora da Comissão de Constituição e Justiça, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO). No seu parecer, a senadora afirma que a função do BNDES foi “desvirtuada com o financiamento de governos estrangeiros”.”

(…) O governo, por sua vez, afirma que o apoio oficial é fundamental para abrir mercado para as empresas brasileiras. “Esse projeto é um tiro no pé com a melhor das intenções. Ele só prejudica as empresas brasileiras”, afirma o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, a quem o BNDES está subordinado.

***

No mais, é interessante comparar essa preocupação da Kátia Abreu com os empréstimos do BNDES a construtoras com outros empréstimos da entidade, principalmente quando dedicados à sua base eleitoral:

Kátia Abreu diz que BNDES liberou R$ 200 mi para frigorífico

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), afirmou nesta sexta-feira, 27, que o Banco Nacional de Desenvolvimento econômico (BNDES) já liberou a carta de crédito de R$ 200 milhões para que o Banco do Brasil possa realizar operações de empréstimo ao Frigorífico Independência SA.

Segundo a senadora, os recursos serão destinados exclusivamente ao pagamento dos pecuaristas que forneceram animais para a empresa. “A condição é essa. O dinheiro é carimbado”, disse ela. Indaga se esta exclusividade poderia ter algum entrave jurídico dentro do processo de recuperação judicial da empresa, Kátia Abreu disse que o que pode acontecer no caminho é inflamar os outros credores. “Mas sobre isto não posso opinar”, concluiu.”

***

Kátia Abreu defende socorro a pequenos e médios frigoríficos

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), disse ontem, terça-feira, 17, que os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não podem ser aplicados para socorrer apenas os frigoríficos que “estão pela hora da morte”.

Kátia defendeu que pequenos e médios frigoríficos também sejam socorridos “de maneira justa”, segundo informa a matéria da repórter Fabíola Salvador da Agência Estado.

Na opinião da senadora muitos frigoríficos imobilizaram unidades com recursos de capital de giro, estratégia que se mostrou, segundo suas palavras, um “desastre”.”

***

países menos desenvolvidos não tem problemas com esse tipo de atuação de seus bancos de desenvolvimento…

“The Export-Import Bank supports the financing of U.S. goods and services, maintaining, and creating more U.S. jobs…

***

A verdade é que financiamento às exportações de bens e serviços por empresas nacionais sempre foi uma forte arma competitiva em determinados segmentos, principalmente construção e equipamentos pesados (como construção naval), e qualquer técnico do setor sabe disso.  O lance é que o DEM, como Reinaldo Azevedo, já resolveu mandar o país às favas, se isso for necessário para chegar ao poder em 2010.

Finalmente o Paulo do FYI concorda: a religião é o ópio do povo

***

Em outro post, Paulo expressa sua preocupação com “a tênue existência da direita americana“.  Segundo ele o GOP se segura hoje por causa disso:

Currently, I think the Republicans have basically has 2 things going in its favor: pro-religion sentiment and patriotic/tough on foreign enemy’s stance.”

O que é engraçado, já que Paulo já defendeu que o GOP não é apenas um acampamento de fanáticos religiosos.  Mas o pior está por vir:

First, because if you understand Christians at all, you know that a lot of their belief system sounds like a Democratic welfare program. You have to help the weak, no matter how lazy or wicked they are. You have to forget and forgive offenders. You have to live your life for others, not to yourself.

Será que o Paulo já ouviu falar em Protestantismo??  Ou que boa parte da doutrina social da Igreja se realiza…no Céu?

***

Ah, não tinha visto ainda.  O Paulo, tendo sido cobrado por seus leitores, “esclarece” a questão:

The reason I respect and accommodate much more for religion when compared to government can be summarized in one word: free will (or agency as called by many Christians). You see, I don’t have a lot of choice about government. I can move to a different country, state, I can elect a certain party, but the fact of the matter is that to support what we call civilization we need to pay and obey. It is a loaded gun against our head that will never go away.

Religion on the other hand is completely optional. Except under some extreme circumstances, nowadays one can join a variety of religions and be involved in many levels. Or you can simply stay out of it completely (even though atheists do tend to channel their religious energies into very religion-like activities in the end). Not surprisingly, religion continues to be a much more popular choice than militant atheism.”

Muito bonita esta abordagem “pró-mercado” da religião.   Vá até a prateleira e escolha a que mais lhe agradar…entretanto, Paulo parece se esquecer do que foi preciso para que a religião se tornasse algo “opcional” no Ocidente.

Mas ele continua:

So, in that context, when I said that “a lot of the Christian’s belief system sounds like a Democratic welfare program” what I really meant was that welfare programs were created with the goal of duplicating religion (at least in part). After all, why would you follow all the difficult social rules set by your church if you can get the humanitarian benefit from the nice people from Washington? Now, many believe that religious people should not consider this to be government ‘competition’ but only cooperation. And that is why some religious people do become Democrats.

Continuando na metáfora pró-mercado, parece que Paulo se ressente da competição predatória do Estado em um assunto que, segundo ele, devia ser propriamente território da religião (o “welfare”, pelo qual ele parece entender a caridade).  Olhem, eu sou totalmente favorável ao livre-pensamento, mas acho que ele deve ser exercido com seriedade.  Paulo está tão habilitado quanto qualquer um a falar o que lhe dá na telha, mas um pouco de curiosidade no estudo das circunstâncias que levaram o Estado a empalmar os direitos sociais viria a calhar neste momento.

Tio Rei se manifesta sobre “Lula, o Filho do Brasil”:

Fábio Barretão que me desculpe, mas uma obra de arte pressupõe um mínimo de ambigüidade, o que não há em Lula, O Filho do Brasil. Admiradores e críticos do presidente avaliam que se trata de pura hagiografia cinematográfica. Até o oscarizado Gandhi, de Richard Attenborough, nos leva, muitas vezes, a dúvidas sem resposta sobre as escolhas do líder indiano. Isso era com aquele Gandhi lá. Com Lula, é diferente.

Ao final do post, ele acrescenta:

PS: Ainda não vi o filme, reitero, e esqueci de indagar os meus amigos a respeito.

É a defesa do relativismo tipo “não vi e não gostei”.

Charles Fernando é um jovem conservador evangélico.  Não o conheço pessoalmente, mas seu blog mostra que ele compra o pacote completo, incluindo o selinho do “True Outspeak”.

Pois bem:

Precisamos de mais alunos como os da UniBAN!

Posted by Charles Fernando under Posts | Tags: uniban |

1 Comment

O título acima já prova que não estou tentando ser popular e principalmente ser agradável ao mainstream, não gosto do comportamento de manada nem da opinião induzida, por isso fui buscar provas com sinceridade em duvidar nas absurdas e não provadas acusações de que os alunos da UniBan vem sofrendo em nome da moral de puteiro, no qual toda moça tem o direito de usar mini-saia onde bem entende.

A dúvida nasceu da própria assertiva de que os alunos a quiseram estuprar em público pela moça estar provocando eles. Sim, ao contrário do que se entende, vários depoimentos (Que irei citar sem retoques) mostram que ela provocou diretamente o caso. Você pode imaginar em um relance esses alunos estando tão afobados que se transformaram em atores pornôs praticamente instantaneamente mesmo com tantas moças em sua volta para assistir? Acredita que uma porta trancada iria fazer frente a uma turba em busca de cometer um crime? Portas trancadas não aguentam nem os grevistas da USP, quanto mais a libido reprimida pela religião (sim, a culpa é sempre nossa, acredito piamente que esses alunos não tem uma ponta do ateísmo iluminado para barrar a sua moralidade violenta, um ateu não pode ser contra moças de mini-saias em um ambiente de estudos).

Duvidei, e busquei depoimentos de alunos nos vídeos e blogs que comentaram o assunto, são eles:

Desculpe, mas a noticia está errada => http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1358779-5605,00-ALUNA+COM+POUCA+ROUPA+PROVOCA+TUMULTO+EM+UNIVERSIDADE+E+VIDEO+CAI+NA+WEB.html <=

uma colega minha estuda na UNIBAN, na sala ao lado da garota, e ela afirmou que não houve “tentativa de estupro”, oq houve foi um bando de marmanjos xingando a menina pela forma que ela estava vestida. E afirmou também que a menina ficava se insinuando na frente das outras salas.

Ótimo, e de acordo com outro depoimento no mesmo blog.

Aqui, é muita mentira esta onda de q os alunos iam estuprar a garota. Isto não existiu… Eu estava lá!!!! Estávamos gritando PUTA! PUTA! PUTA!, e ESTUPRA!, ESTUPRA!, ESTUPRA! só de ZOAÇÃO, só de GOZAÇÃO!! Até parece q alguém iria estuprar uma mina no meio de uma universidade com todo mundo vendo!!! Até parece!! Fazer isto seria certeza de ser preso e destruir sua vida!! Ninguém iria fazer isto só porque uma destrambelhada resolveu ir pra aula com uma roupa inadequada. Destruir sua própria vida apenas porque uma mina resolveu ir pra aula mostrando sua bunda e outras partes íntimas seria demais!!!

E esta mina já é conhecida na UNIBAN de outros carnavais… Não é nenhuma santinha q de repente resolveu vestir uma roupa mais ousada!!! Ela sempre se veste de forma a provocar os outros!!

Aquela velha lição q nossa vó nos ensinou vale aqui: se queremos ser respeitados, devemos nos respeitar primeiro. E não foi isto q aconteceu, a mina não se respeitava, então os outros não a respeitaram!!!

Um comentário do vídeo:

Eu estudo lá. A mina ia subindo a rampa e os caras mexiam, daí ela olhava pra trás, jogava o cabelo pro lado, ajeitava o vestido, e ia caminhando rebolando. Subiu, e lá de cima provocava. E não é a 1ª vez isso, só q da outra vez (1 dia antes) não chamaram a polícia, pq ela estava mais comportada.

Então, não há prova sequer que estes alunos encostaram na moça, eu duvido muito disso! E muitos os reprovaram por não permitir uma roupa inadequada ao ambiente de estudo. Mas e o Quico? Por acaso eles são obrigados a aceitar o comportamento da moça só porque os moderninhos politicamente corretos querem? Onde está a liberdade deles de reprovarem a roupa dela assim como ela tem a liberdade de usar o que bem entender desde que em lugar apropriado? Ou eles são obrigados a engolir o desrespeito com a Universidade?

Nos ataques contra os alunos ouvi absurdos do tipo:

“O título do video está errado. O certo deveria ser: Animais humilham liberdade de expressão”

Outro sequer percebe a idiotice de que se está falando:

Por fim, vao ter que emitir a assustadora opiniao de que ninguem pode usar um maio numa universidade, por ser indecente!”

Foram retirados do blog e do vídeo, mas imagina você aluna, você tem todo o direito de ir de maiô na universidade e ninguém pode falar nada…. o indecente é ser decente! No Brasil, o moralista fariseu é o cara que fala mal do Carnaval e do funk, defende a pouca veste nas universidades… e depois chama os religiosos de hipócritas.. haja trave!

Os alunos podem ter errado? Sim… eles admitem isso, admitem também que pouco estavam se importando que esse assunto ia parar na internet e nas mãos dos politicamentes corretos sentirem-se com a consciência mais leve acusando terceiros. Mas se não ocorreu estupro como baseio-me acima para não acreditar nesse absurdo, parabéns aos alunos da UniBAN, que não permite que seu ambiente de ensino seja maculado com as vicitudes de outros ambientes, e isso não é apenas institucional que não pode controlar tudo, é na raíz da UniBAN, os alunos realmente estavam engajados em expulsar a moça de lá independente de uma autoridade universitária, nada mais libertário que não necessitar da aprovação de terceiros para se fazer o que é certo. Eles entenderam o que significa ser um watchdog, um vigia da liberdade que só pode existir com uma moral responsável e madura não imposta, e ninguém impôs moral a esses alunos, exceto o #mimimi da internet. Meu amigo católico dizia que se pode ser conservador e conservar qualquer coisa, ele estava certo. O que há no Brasil são conservadores dos maus costumes e da imoralidade.” [grifos meus]

***

É vem verdade que ele depois lamenta seu isolamento:

Fora o apoio do Julio Bueno, meu amigo Filipe Garcia (Muito conhecedor de Chesterton) não emitiu opinião, não tive apoio nenhum do Reinaldo Azevedo, da comunidade do Olavo de Carvalho e de muitos cristãos conservadores.. eu devo ter me tornado um extremista mesmo… cabe eu e o Julio convivermos na Alcatraz moral junto com os orangos do TaliBan… a ditadura da sexualidade livre é irresistível, só uns poucos não cairam na sedução da mini-saia.

Agora mesmo estive conversando com a Lucilene Soares no twitter, e ela disse bem que nas nossas igrejas as moças se vestem pior… sim, é verdade… e infelizmente quem está do lado de fora e não compartilha de nossa fé consegue enxergar isso melhor do que quem está dentro.”

Essa questão aliás é interessante, e volto a ela.

***

OK, eu admito a existência de uma clivagem entre a direita de talhe economicista e a direita mais preocupada com a questão dos valores, conservadora do ponto de vista social.  Também admito que essas duas vertentes às vezes não se bicam, como mostrou o vitupério entre Olavo de Carvalho e Rodrigo Constantino.

Minha bronca com Reinaldo Azevedo no episódio da Geisy Arruda é que ele está jogando para a platéia.   Porque Tio Rei, pelo menos enquanto “persona” política, é claramente muito mais um representante da direita socialmente conservadora do que propriamente um titã do livre mercado.  Digo isto porque ele, em seus posts, faz muito mais o papel do campeão dos valores conservadores do que de um campeão do livre mercado _ algo que por sinal seu apoio a Serra deveria ensinar aos seus discípulos.

O menino aí pelo menos está na dele.  Discordo totalmente, mas ele ao menos está sendo sincero.

Já Tio Rei, em um longo post “em defesa” da Geisy Arruda, após usa expulsão da Uniban, nos apresenta o seguinte comentário:

Eis o problema

Disse lá no alto: há o sintoma, e há a doença. A doença está na expansão de uma universidade sem vida universitária; de uma universidade que não consegue plasmar valores  que ao menos debatam e questionem o ambiente intelectualmente acanhado de onde provém a nova “clientela” — essa palavra é boa — que usa esse “serviço”. Ela chega ao terceiro grau em razão do farto financiamento público e do barateamento dos cursos — no sentido mais amplo, geral e irrestrito do “barateamento”.

Alguns bocós falam de boca cheia em “democratização” da universidade. Confunde-se “democratização” com vulgarização — que é mais ou menos como confundir “povo” com “vulgo”. Que “universidade” é essa incapaz de transmitir a seus alunos o princípio básico do respeito ao outro — ou, se quiserem, da reação proporcional àquilo que se julgou, então, “desrespeito” do outro? Ao jogar a reputação e o destino de Geisy na arena — aliás, a Uniban lembra mesmo uma arena romana —, que exemplo moral a direção da universidade dá aos alunos? O tal Machado parece não deixar muitas dúvidas de que ele está dando uma satisfação apenas à clientela. Agora já sabemos: na Uniban, ser “insinuante” e “rebolar”, se a turba se exaltar, pode resultar em expulsão. Ameaçar alguém com linchamento e estupro não dá em nada; ao contrário até: parece ser essa uma reação considerada legítima.

(…)

E que se note: exceção feita às profissões que ponham a vida de terceiros em risco, pouco se me dá que essas coisas prosperem por aí. Se há quem queira comprar e quem queira vender — e se o mercado absorve esses profissionais —, virem-se. Garçom administrador de empresas é melhor do que garçom garçom? Não necessariamente — talvez faça bem à sua auto-estima, sei lá. Agora, quando dinheiro público entra na jogada — e o ProUni, por exemplo, é dinheiro público —, aí essas instituições têm de prestar contas do que fazem, sim. E a relação deixa de ser privada do comerciante com o cliente; aí passa a ser uma questão de estado. E o governo tem sido, obviamente, relapso com esse setor da economia. O país inventou uma universidade que não universaliza, mas amesquinha o espírito.”

É mesmo?  Nesse caso ele deveria se perguntar o que o partido do seu candidato tem a ver com isto. Pois a IstoÉ de fevereiro  de 2000 tem algo a acrescentar neste aspecto, em uma matéria pitorescamente intitulada “A Guerra do Canudo“:

O ensino universitário privado no Brasil é um mercado de 1.015 cursos com 1,5 milhão de estudantes, faturamento anual estimado em R$ 5 bilhões e planos para dobrar de tamanho nos próximos quatro anos. Só em 1999, a Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) autorizou a abertura de 517 novos cursos País afora, a grande maioria particulares. Esse acelerado aumento de vagas poderia ser apenas uma boa notícia aos milhões de estudantes que pretendem uma melhor qualificação para enfrentar um estreito e cada vez mais exigente mercado de trabalho. A concorrência nesse lucrativo negócio, porém, se transformou numa verdadeira guerra com troca de denúncias entre grandes empresas educacionais que atingem também o CNE e o Ministério da Educação. A Polícia Federal está investigando desde o ano passado uma denúncia de falsificação de pareceres. O caso veio à tona quando o próprio dono da Faculdade Elite de São Paulo foi à sede do CNE para saber se um processo dele já havia sido autorizado. Quando foi informado de que o relator do caso, o conselheiro Roberto Cláudio Bezerra, nem sequer tinha lido o processo, perdeu a paciência e abriu o jogo. “Eu já paguei por isso”, protestou o empresário, que tinha nas mãos cópia de um parecer assinado pelo próprio Bezerra aprovando sua faculdade. O parecer foi comprado de um dos muitos escritórios em Brasília que montam processos para reitores de primeira viagem, alguns comandados por ex-integrantes do conselho. O MEC abriu inquérito administrativo, que concluiu que o parecer falso havia sido digitado dentro do CNE, onde também foi falsificada a assinatura do conselheiro. A investigação ainda não foi concluída.

Outra história estranha ocorreu em agosto do ano passado quando da renovação da autorização para o funcionamento do curso de Direito da Universidade de Guarulhos. Uma comissão de avaliação da Secretaria de Ensino Superior do MEC concluiu que a organização didático-pedagógica da universidade era deficiente e teria sugerido ao reitor Antonio Veronesi a contratação de um consultor para propor providências capazes de suprir as deficiências. Logo após a conversa, Veronesi foi procurado pelo consultor Edmundo Lima de Arruda Júnior que ofereceu seus serviços por R$ 100 mil. A Universidade de Guarulhos seria a 12ª instituição de ensino que, após receber consultoria de Arruda Júnior, receberia reconhecimento do MEC. Em 8 de dezembro, a Câmara de Educação Superior do CNE propôs “a instalação imediata de uma Comissão de Sindicância para averiguar as irregularidades cometidas pela Comissão de Avaliação para a renovação do reconhecimento do curso de Direito da Universidade de Guarulhos”. Os avaliadores do MEC colocados sob suspeição trabalham na Comissão de Ensino Jurídico chefiada pelo professor Silvino Lopes, que está no Ministério desde a gestão do ministro Carlos Chiarelli no governo Fernando Collor. “Tudo indica que ali tem sérios problemas que estão a merecer uma investigação aprofundada”, adverte um reitor de uma universidade privada.

Cabala

Silvino Lopes é subordinado do conselheiro Abílio Afonso Baeta Neves, homem de confiança do ministro Paulo Renato Souza e todo-poderoso comandante da Secretaria de Ensino Superior do MEC. ISTOÉ teve acesso a documentos e fitas de uma reunião do Conselho Nacional da Educação que mostram uma história no mínimo contraditória. Em 4 de outubro do ano passado, os 12 conselheiros do CNE decidiram que a Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) não poderia abrir cursos em Osasco sem antes cumprir a exigência legal de receber uma autorização do Ministério. “Fazer vestibular, ela pode fazer onde quiser – nos Estados Unidos, no Japão e até no subterrâneo do metrô de Paris. Agora, matricular para cursos lá é uma irregularidade, e nós não teremos nenhuma outra atitude a não ser informar que aquele vestibular é absolutamente ilegal e nulo”, sentenciou Baeta, na ocasião. Tudo letra morta. A Uniban, que tem como dono o reitor Heitor Pinto, simplesmente ignorou a proibição e não foi punida, apesar de expressa recomendação do CNE nesse sentido.

Numa reviravolta surpreendente, em janeiro deste ano Baeta passou a aceitar como regular o comportamento da Uniban e entrou em conflito aberto com seu parecer anterior e os colegas conselheiros. Pela legislação atual, uma universidade, para abrir campus fora da sede, precisa apresentar projeto específico ao conselho – como se estivesse criando uma nova universidade. A Uniban argumentou que não precisava dessa licença prévia porque, ao reconhecer a instituição, em 1993, o CNE aceitou Osasco como uma das áreas de influência da Uniban. O CNE não concordou e pediu ao MEC a abertura de inquérito administrativo para investigar irregularidades praticadas pela Uniban e também a suspensão de todos os processos da instituição em tramitação. O caso Uniban virou o primeiro grande impasse entre o MEC e o CNE. O Ministério considerou as propostas do conselho “extremas e desproporcionais” e rejeitou o pedido, que agora será revisto por uma comissão especial. Para complicar a situação, donos de universidades privadas contaram a ISTOÉ que Baeta Neves extrapolou suas funções de funcionário público e cabalou votos para a chapa articulada por Heitor Pinto, que no ano passado disputou e perdeu a eleição da Associação Nacional de Universidades Privadas.

Se a Uniban mostra força no Ministério da Educação, outro que também chama a atenção pelas excelentes relações no CNE, o órgão que julga, emite pareceres e aprova todas as instituições de ensino superior do País, é João Carlos Di Gênio. No final do ano passado, por exemplo, a Uniban resolveu abrir um novo campus em São Paulo. Depois de muita negociação, feita em sigilo, ofereceu em dezembro R$ 8 milhões por um prédio no bairro do Jaguaré. Ali, seria aberto o campus Marginal Pinheiros. Seria. A Uniban negociava o imóvel quando foi informada pela corretora de que a propriedade não estava mais à venda. Tinha sido negociada com uma de suas maiores concorrentes, a Universidade Paulista (Unip), de Di Gênio, que rapidamente abriu lá um campus e realizou seu vestibular, oferecendo 1.500 vagas para nove cursos. Além do vendedor e do candidato a comprador, o negócio só era conhecido dentro do Conselho Nacional de Educação. “Isso é suspeito”, atacou o reitor Heitor Pinto. “É uma desculpa de quem perdeu um negócio”, contra-ataca Di Gênio, que afirma ter pago R$ 9 milhões pelo prédio pretendido pela Uniban.” [grifos meus]

Ou seja, o Ministério da Educação, então comandado por Paulo Renato Souza, tergiversou e muito na hora de punir a Uniban, e teve um alto funcionário cabalando votos para seu reitor.  Hummmm.

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Qual seria a recepção dela no site do Tio Rei antes do affair Uniban??

Sem brincaderia: às vezes, mesmo eu fico pasmo com a cara de pau do Tio Rei.

Vejam o que ele diz aqui:

A direção da Uniban disse que, até agora, não conseguiu identificar os responsáveis pelo ocorrido. E ousaria dizer que nem vai. Nota-se que há, arraigada por lá, uma cultura da intolerância e uma relação com o curso que está mediada apenas pelo pragmatismo: “Estou aqui para pegar o meu diploma”. Posso compreender esse sentimento e até enxergar nele uma virtude: a clientela está empenhada em obter o grau para, quem sabe?, subir na vida, ter aumentado o seu salário, ser promovida. Em si, isso não é ruim. Todos devemos desejar uma vida melhor. Não há mal nisso.

Temo, no entanto, que boa parte das ditas universidades brasileiras esteja se reduzindo a isso, sem qualquer outro cultivo. Reitero: o respeito à inviolabilidade do outro é questão de princípio, inegociável. Geysi é uma garota pobre, da periferia de Diadema. Trabalha, ou trabalhava, num mercadinho do bairro. É visível que não tem grande traquejo social. Nota-se isso na sua fala, na sua gramática. Vem de um estrato da sociedade em que, atenção!!!, a tolerância com a diferença já não é a marca. E isso vale também para boa parte de seus colegas.

Ela parece ser excepcionalmente jovem para o grupo: 20 anos. Muitos dos que concedem entrevistas dizem ter 26, 27, 28 anos — idade em que as pessoas costumam já estar formadas há uns bons cinco ou seis anos. O fenômeno precisa ser mais bem-estudado, mas intuo que são pessoas que estavam fora do ensino superior e foram sendo incluídas em razão de um conjunto de fatores: políticas públicas de ingresso ao ensino superior; barateamento do valor das mensalidades; facilidade de ingresso, uma vez que basta querer fazer o curso — e poder pagar por ele — para ter acesso, então, ao ambicionado diploma…

Até aí, muito bem. Não serei eu a combater a expansão do ensino universitário. Seria inútil. Os demagogos venceram essa batalha. É evidente que a formação técnica seria mais eficiente e barata. Mas deixemos isso para outra hora. Que se expanda, então, o ensino universitário, hoje com a ajuda do dinheiro público. Mas com que qualidade isso está sendo feito? Eis a questão. NÃO SE ESTÁ BARATEANDO A UNIVERSIDADE EM SENTIDO MAIS AMPLO?

A Uniban — e outras universidades do mesmo nível — estão proporcionando à sua clientela uma vivência estudantil que seja distinta do ambiente de onde vieram? Um ambiente nem sempre tolerante; um ambiente nem sempre respeitador das diferenças; um ambiente nem sempre voltado para o cultivo da reflexão; um ambiente nem sempre afeito a delicadezas e matizes, sem os quais não se respeitam direitos individuais…[grifo dele, pra variar]

Pois é.  Tio Rei escreveu, com indisfarçável regojizo, o seguinte, em julho de 2008:

A JUVENTUDE BRASILEIRA É DE DIREITA

segunda-feira, 28 de julho de 2008 | 5:09

A Folha de S. Paulo publicou no domingo uma ampla pesquisa sobre o que pensam os jovens brasileiros. Rendeu até um caderno especial, de 20 páginas, chamado “Jovem Século 21”. Segundo informa o caderno, a maioria das reportagens “foi feita pelos integrantes da 45ª turma do Programa de Treinamento da Folha”, (…) patrocinada pela Philip Morris Brasil e pela Odebrecht”. Comentarei abaixo alguns dados muito interessantes que a pesquisa revelou e tratarei da seguinte questão: a maioria dos jovens brasileiros, a exemplo da população, é de direita. Boa parte da imprensa e, vejam só, as instituições políticas, incluindo partidos, não se conformam com isso. Estão todos tomados pela patrulha esquerdista.”

E mais:

A nova pesquisa

Sim, senhores: dados os perfis ideológicos que se desenham a partir de certas opiniões, pode-se dizer que a maioria dos jovens brasileiros é de direita. Declaram ter essa posição ideológica, aliás, 37% dos entrevistados (na população como um todo, são 35%). Dizem-se de esquerda apenas 28% (contra 22% do total). No centro, estão 23% (contra 17% no conjunto). Mas notem: não quero me apegar a nominalismos. Parto do princípio de que os jovens possam não ter a exata noção do que tais nomes encerram.

(…)

Valores

E quais são os valores das moças e moços? Qual é a lista das coisas que acham “muito importantes”? Vejam: família (99%), saúde (99%), trabalho (97%), estudo (96%), lazer (88%), amigos (85%), religião (81%), sexo (81%), dinheiro (79%), beleza (74%), casamento (72%).

E então…

E, vejam que surpresa, o levantamento mostra que os nossos jovens querem casa, carro, grana, todas essas malditas coisas do “consumismo”, que deixam os comunistas que já têm todas essas malditas coisas muito decepcionados com a juventude…

Mais uma vez, constata-se o óbvio: há um enorme hiato entre o que pensa o conjunto da população — e, nela, sua fatia mais pretensamente inquieta — e os vários canais que vocalizam a opinião pública. Não, senhores! Não temos a imprensa que representa os valores que vão acima: a nossa, com as exceções de praxe, é majoritariamente “politicamente correta” e experimenta um verdadeiro divórcio em relação ao pensamento da maioria.”

Ué, é como eu disse: quem planta, colhe.

Tio Rei planta o conservadorismo?  Pois colhe o “conjunto de valores” que acha adequado.  Inclusive uma população universitária que “representa os valores que vão acima”.

O fim da picada, senhores, é esse exato sujeito vir depois criticar uma Uniban da vida por não ser “um ambiente nem sempre tolerante; um ambiente nem sempre respeitador das diferenças; um ambiente nem sempre voltado para o cultivo da reflexão; um ambiente nem sempre afeito a delicadezas e matizes, sem os quais não se respeitam direitos individuais“.  Tipo, assim, que nem o blog dele.

***

E por falar nisso…

O leitor Joselito fez o seguinte comentário:

Postei os links para esse post do Hermenauta e o link para essa matéria DA PROPRIA VEJA que o Rodrigo postou acima, em comments DIFERENTES no site do R. Azevedo.

AMBOS foram “moderados”, e não apareceram!

A REVISTA VEJA CENSURA A PROPRIA VEJA!

Patético…

Pré-moderação
Pós-moderação

Não é fantástico??

Tio Rei tem um post vingativo.

Reclamando de que estão dizendo que ele associou a Uniban ao PT, ele retruca que não disse, mas que se quiser é capaz de associar a Uniban ao PT, sim senhor:

A petralhada está dizendo que estou tentando ligar a Uniban aos petistas. Não! Eu não estou. Mas posso lembrar conexões, sim, se eles fazem tanta questão. No dia 29 de março de 2007, publiquei um post aqui em que se lia o trecho que segue. O “Marinho” em questão é o atual prefeito de São Bernardo, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e ex-ministro do Trabalho:

É verdade. Marinho é tão competente, que ele e Vicentinho chegaram a ser garotos-propaganda da Uniban, a faculdade privada onde ambos se formaram. O dono da Uniban, Heitor Pinto Filho, que já foi candidato a vice na chapa de Paulo Maluf para a Prefeitura de São Paulo, em 2000, é bastante próximo dos dois sindicalistas e patriotas. Quando ambos fizeram propaganda para a empresa privada, um era deputado (Vicentinho), e o outro, presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar. Duas funções públicas. Competência é com a Nova Classe.”

Nesse caso eu tenho um testemunho “zero grau de separação” pra mostrar a ele:

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***

UPDATE

O comentarista Rodrigo lembrou uma matéria deliciosa da Veja.

USCOMMANDS

Para alguém que acha que os EUA não são um país imperialista e apenas “persegue seus próprios interesses“, o Paulo do FYI acha graça em coisas muito estranhas

No Estadão de hoje:

Para onde vamos?

Fernando Henrique Cardoso

A enxurrada de decisões governamentais esdrúxulas, frases presidenciais aparentemente sem sentido e muita propaganda talvez levem as pessoas de bom senso a se perguntarem: afinal, para onde vamos? Coloco o advérbio “talvez” porque alguns estão de tal modo inebriados com “o maior espetáculo da Terra”, de riqueza fácil que beneficia poucos, que tenho dúvidas. Parece mais confortável fazer de conta que tudo vai bem e esquecer as transgressões cotidianas, o discricionarismo das decisões, o atropelo, se não da lei, dos bons costumes. Tornou-se habitual dizer que o governo Lula deu continuidade ao que de bom foi feito pelo governo anterior e ainda por cima melhorou muita coisa. Então, por que e para que questionar os pequenos desvios de conduta ou pequenos arranhões na lei?

A frase “riqueza fácil que beneficia poucos“, da pena de FHC, tem um significado todo especial.  Eis o que diz um estudo sobre a evolução do índice de Gini no Brasil, na época da presidência do Príncipe dos sociólogos:

Desigualdade de renda medida pelo índice de Gini aumenta em 3.654 municípios do Brasil na década de 90; em 23 Unidades da Federação índice é pior em 2000 do que era em 1991; apenas Roraima, cuja renda per capita diminuiu no período, contrariou tendência.”

Seria mais honesto se ele apenas se contentasse em fazer o que faz no restante do texto, que é, obviamente, tentar mudar os termos do debate da economia para os “valores”.  Assim, soa apenas profundamente desonesto.

Só que cada pequena transgressão, cada desvio vai se acumulando até desfigurar o original. Como dizia o famoso príncipe tresloucado, nesta loucura há método. Método que provavelmente não advém do nosso príncipe, apenas vítima, quem sabe, de apoteose verbal. Mas tudo o que o cerca possui um DNA que, mesmo sem conspiração alguma, pode levar o País, devagarzinho, quase sem que se perceba, a moldar-se a um estilo de política e a uma forma de relacionamento entre Estado, economia e sociedade que pouco têm que ver com nossos ideais democráticos.

Seria fácil apelar para o que existe por aí de prêt-à-porter para contestar FHC nessa, em termos das “pequenas transgressões” que seu governo foi acusado de produzir.  Mas vamos ficar apenas em algumas frases do ex-presidente:

Vamos evitar que esse espírito de corvo volte a pousar no país, de ver podridão em tudo.”

O horizonte está bastante positivo e não adianta vir com fracassomania.”

Que diferença de perspectiva fazem 8 anos na chuva, não?

É possível escolher ao acaso os exemplos de “pequenos assassinatos”. Por que fazer o Congresso engolir, sem tempo para respirar, uma mudança na legislação do petróleo mal explicada, mal-ajambrada? Mudança que nem sequer pode ser apresentada como uma bandeira “nacionalista”, pois, se o sistema atual, de concessões, fosse “entreguista”, deveria ter sido banido, e não foi. Apenas se juntou a ele o sistema de partilha, sujeito a três ou quatro instâncias político-burocráticas para dificultar a vida dos empresários e cevar os facilitadores de negócios na máquina pública.

Pois é.  Alguém já ouviu falar da Emenda Constitucional no. 8?  Trata-se, simplesmente, da emenda à Constituição que permitiu a privatização das telecomunicações no governo FHC.  A emenda, aprovada em 15 de agosto de 1995, teve origem em um Projeto de Emenda Constitucional, a PEC 3, enviada ao Congresso em fevereiro de 1995 através da Mensagem Presidencial número 191.   Isto é, a privatização das telecomunicações no Brasil foi resolvida em 4 meses.  Outras modificações de monta tiveram tratamento ainda mais expedito.  Pergunta-se ao ex-Presidente se esse foi um pequeno ou grande assassinato.   E olha que o regime de partilha nem precisa de emenda à Constituição para vigorar.

Por que anunciar quem venceu a concorrência para a compra de aviões militares, se o processo de seleção não terminou?

Talvez…para forçar os interessados a oferecer melhores propostas??

Por que tanto ruído e tanta ingerência governamental numa companhia (a Vale) que, se não é totalmente privada, possui capital misto regido pelo estatuto das empresas privadas? Por que antecipar a campanha eleitoral e, sem nenhum pudor, passear pelo Brasil à custa do Tesouro (tirando dinheiro do seu, do meu, do nosso bolso…) exibindo uma candidata claudicante?

É mesmo verdade que FHC foi extremamente tímido no apoio ao seu candidato em 1998.  Talvez por bons motivos.

Por que, na política externa, esquecer-se de que no Irã há forças democráticas, muçulmanas inclusive, que lutam contra Ahmadinejad e fazer mesuras a quem não se preocupa com a paz ou os direitos humanos?

Pelo mesmo motivo, talvez, que um Fernando Henrique Cardoso presidente visitou a China em 1995 esquecendo-se, também, das forças democráticas daquele país.

Pouco a pouco, por trás do que podem parecer gestos isolados e nem tão graves assim, o DNA do “autoritarismo popular” vai minando o espírito da democracia constitucional. Esta supõe regras, informação, participação, representação e deliberação consciente. Na contramão disso tudo, vamos regressando a formas políticas do tempo do autoritarismo militar, quando os “projetos de impacto” (alguns dos quais viraram “esqueletos”, quer dizer, obras que deixaram penduradas no Tesouro dívidas impagáveis) animavam as empreiteiras e inflavam os corações dos ilusos: “Brasil, ame-o ou deixe-o.” Em pauta temos a Transnordestina, o trem-bala, a Norte-Sul, a transposição do São Francisco e as centenas de pequenas obras do PAC, que, boas algumas, outras nem tanto, jorram aos borbotões no Orçamento e mínguam pela falta de competência operacional ou por desvios barrados pelo Tribunal de Contas da União. Não importa, no alarido da publicidade, é como se o povo já fruísse os benefícios: “Minha Casa, Minha Vida”; biodiesel de mamona, redenção da agricultura familiar; etanol para o mundo e, na voragem de novos slogans, pré-sal para todos.

São dúvidas legítimas, decerto, mas que FHC talvez devesse ter se perguntado em 1994.

Diferentemente do que ocorria com o autoritarismo militar, o atual não põe ninguém na cadeia. Mas da própria boca presidencial saem impropérios para matar moralmente empresários, políticos, jornalistas ou quem quer que seja que ouse discordar do estilo “Brasil potência”. Até mesmo a apologia da bomba atômica como instrumento para que cheguemos ao Conselho de Segurança da ONU – contra a letra expressa da Constituição – vez por outra é defendida por altos funcionários, sem que se pergunte à cidadania qual o melhor rumo para o Brasil. Até porque o presidente já declarou que em matéria de objetivos estratégicos (como a compra dos caças) ele resolve sozinho. Pena que se tenha esquecido de acrescentar: “L”État c”est moi.” Mas não se esqueceu de dar as razões que o levaram a tal decisão estratégica: viu que havia piratas na Somália e, portanto, precisamos de aviões de caça para defender o “nosso pré-sal”. Está bem, tudo muito lógico.

Interessante isso, porque quem afinal iniciou o processo de reaparelhamento da Força Aérea Brasileira, com o Projeto FX, foi o próprio Fernando Henrique Cardoso, em 2002.  Não sei quais eram as razões que ele tinha então _ talvez melhores do que as de Lula _ mas de qualquer modo, ele resolveu não honrá-las.

Pode ser grave, mas, dirão os realistas, o tempo passa e o que fica são os resultados. Entre estes, contudo, há alguns preocupantes. Se há lógica nos despautérios, ela é uma só: a do poder sem limites. Poder presidencial com aplausos do povo, como em toda boa situação autoritária, e poder burocrático-corporativo, sem graça alguma para o povo. Este último tem método. Estado e sindicatos, Estado e movimentos sociais estão cada vez mais fundidos nos altos-fornos do Tesouro. Os partidos estão desmoralizados.

Consigo imaginar poucas situações de maior desmoralização partidária do que o fim do segundo mandato de FHC, com Jader Barbalho engalfinhando-se com Antonio Carlos Magalhães…

Foi no “dedaço” que Lula escolheu a candidata do PT à sucessão, como faziam os presidentes mexicanos nos tempos do predomínio do PRI. Devastados os partidos, se Dilma ganhar as eleições sobrará um subperonismo (o lulismo) contagiando os dóceis fragmentos partidários, uma burocracia sindical aninhada no Estado e, como base do bloco de poder, a força dos fundos de pensão. Estes são “estrelas novas”. Surgiram no firmamento, mudaram de trajetória e nossos vorazes, mas ingênuos capitalistas recebem deles o abraço da morte. Com uma ajudinha do BNDES, então, tudo fica perfeito: temos a aliança entre o Estado, os sindicatos, os fundos de pensão e os felizardos de grandes empresas que a eles se associam.

Pois é, exatamente como nas privatizações feitas por FHC…minto, aquelas só tiveram os felizardos das grandes empresas, sem a presença dos sindicatos.

Ora, dirão (já que falei de estrelas), os fundos de pensão constituem a mola da economia moderna. É certo. Só que os nossos pertencem a funcionários de empresas públicas. Ora, nessas, o PT, que já dominava a representação dos empregados, domina agora a dos empregadores (governo). Com isso os fundos se tornaram instrumentos de poder político, não propriamente de um partido, mas do segmento sindical-corporativo que o domina. No Brasil os fundos de pensão não são apenas acionistas – com a liberdade de vender e comprar em bolsas -, mas gestores: participam dos blocos de controle ou dos conselhos de empresas privadas ou “privatizadas”. Partidos fracos, sindicatos fortes, fundos de pensão convergindo com os interesses de um partido no governo e para eles atraindo sócios privados privilegiados, eis o bloco sobre o qual o subperonismo lulista se sustentará no futuro, se ganhar as eleições. Comecei com para onde vamos? Termino dizendo que é mais do que tempo de dar um basta ao continuísmo, antes que seja tarde.

“Basta ao continuísmo” foi outra frase que FHC se esqueceu de brandir em 1998…

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo, foi presidente da República”

E já foi tarde.

Tio Rei aproveita o feriado de Finados para ir visitar o túmulo do pai:

Não tenho data para visitar o túmulo do meu pai. Mas gosto de fazê-lo, em especial, no Dia de Finados. “Datas são meras convenções”, dizem muitos. Falei num dos posts de ontem sobre disciplina. Também há muito de “mera” convenção em seguir normas, regras, padrões.

Há um núcleo decoroso na ordem estabelecida sem o qual a vida se torna impossível. Não havendo um bom motivo para quebrar a norma, é muito mais livre quem a segue do que quem a desrespeita sem saber por quê. Disciplina e decoro podem ser sinônimos de liberdade. A desordem escraviza.” [grifo meu]

***

O que eu acho gozado é o penchant de Tio Rei em transformar a menor das ocorrências em uma ocasião para reafirmar seu credo conservador.

Historicamente, o Dia de Finados, ou Dia dos Defuntos Fiéis, ou ainda a Commemoratio omnium Fidelium Defunctorum, surge como uma oportunidade para interceder pelas almas dos que cometeram pecados veniais e por isso devem purificar-se no Purgatório antes de aceder ao Paraíso.

Me parece que Tio Rei, com essas manifestações constantes de orgulho e porque não dizer vaidade, está conseguindo na melhor das hipóteses comprar um tíquete para uma viagem sem escalas ao Hades.  Depois do que não haverá reza brava capaz de aliviar seus tormentos.

***

Curiosamente, o mesmo Tio Rei que exalta a Norma me vem com essa no caso da garota que quase foi linchada em uma universidade paulista por ter ido frequentar a aula com um vestido curto:

Se a roupa da moça era inadequada, ela deveria ter sido chamada pela direção da escola. Seria até compreensível a manifestação boçal de um ou de outro, embora censurável. Mas a turba exaltada, no pressuposto de que ela destoava do conjunto? O que é que há? Estamos na China da Revolução Cultural? Na Itália ou na Alemanha da década de 30? Não! Estamos no Brasil de 2009!!!” [grifo meu]

Reinaldão, não é possível que você não reconheça sua obra, rapaz!  Se você planta que a desordem _ que é um tipo de liberdade _ é escravidão, então é a ordem intolerante o que você colherá.   Tão simples assim.  Porque querer dar uma de bonzinho numa hora dessas?

Humm, bem, porque a resposta é clara:

Expansão e Barbárie

(…)Demagogos das mais variadas colorações, incluindo aqueles que estão no jornalismo e suas submodalidades, saúdam a chamada “expansão” do ensino universitário no país. É evidente que não estou aqui estabelecendo uma relação de causa e efeito, a saber: não fosse a dita expansão, isso não teria ocorrido. Não! Isso acontece nos ambientes em que a ética não tem grande relevância; em que os membros do grupo não se submetem a um código de conduta; em que vigora a anomia e o salve-se quem puder.

Então, agora sim: o que vai acima define boa parte das ditas universidades brasileiras, em sua desordenada expansão, freqüentemente com o leite de pata do dinheiro público. Se eu escrevesse aqui que aquilo a que se assistiu na Uniban é “inaceitável” numa universidade, muitos poderiam indagar: “Mas seria aceitável em qualquer outro ambiente?” A resposta, obviamente, é “não”. Aquilo é inaceitável numa sociedade civilizada.”

Ah, entendi.  A culpa é do ENEM e do PROUNI, que ficam aí franqueando a universidade a essa malta ignara.  E tem mais, aposto que os que quiseram lapidar a moça eram todos petralhas, essa gente que não aguenta ver um vestido cuja barra não esteja pelo menos abaixo do joelho.

Deu no Valor:

Uribe diz que reeleição depende da justiça, do povo e de Deus

SÃO PAULO – O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, foi mais uma vez evasivo hoje sobre os riscos à democracia em seu país caso obtenha o direito de concorrer ao terceiro mandato. Segundo ele, as instituições democráticas da Colômbia são fortes e se consolidaram em seu mandato.

A hipótese da reeleição foi aberta por um projeto de referendo aprovado pelo Congresso, mas depende ainda de avaliação de corte constitucional do país. ” Isso depende neste momento basicamente de três elementos: da corte constitucional, do povo colombiano e depende de Deus ” , afirmou.

A Constituição do país já foi mudada uma vez, em 2006, para abrir a possibilidade de reeleição para o segundo mandato de Uribe. ” Peço que não se ponha em dúvida a solidez das instituições de nosso país ” , afirmou.(…)

***

Sobre o assunto, Reinaldo Azevedo diz o seguinte:

Quero deixar registrado aqui o papel deletério exercido por Lula: é um depredador de Leis e de instituições.”

Deu no Estadão:

SÃO PAULO – As filas eram as mesmas que dobram o quarteirão na rua Augusta, mas não foi para um show de música que o público foi à casa noturna Studio SP no final da tarde de domingo (18). Entre cervejas (pagas) e picolés (distribuídos de graça), mais de 400 pessoas prestigiaram o Festival de Política Trip, uma iniciativa da editora para estimular o debate político entre os jovens. (…)

Eu achei isso aqui uma p… ideia. Fiquei chocada quando eu cheguei lá fora e tinha toda aquela fila, porque às vezes a gente acha que o jovem está totalmente alienado. Não está, o jovem está afim de fazer política”, disse a vereadora Mara Gabrilli (PSDB), que subiu ao palco para falar com o público por cinco minutos.

O primeiro show da noite ficou por conta do Maquinado, projeto paralelo de Lúcio Maia e Dengue, da Nação Zumbi. “Eu acho que se puder unir duas coisas importantes como política e diversão, é uma grande sacada”, disse Maia. A banda tocou parte de seu repertório intercalado com músicas como “Zumbi” (Jorge Ben) e Canto de Ossanha (Baden Powell e Vinícius de Moraes). (…)

O debate principal reuniu Gabeira, Ronaldo Lemos, do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV, e Luis Felipe D’Avila, cientista político. Ninguém usava gravata. Na pauta, financiamento público de campanha (Gabeira afirmou que faz isso ‘independente do projeto do [Eduardo] Suplicy’), voto distrital, corrupção, ética e o futuro da política. (…)

“Sim, é possível fazer política sem corrupção”, disse Gabeira. Fernando Luna, que moderou o debate, pediu para que o deputado comentasse o fato de ter repassado à filha uma passagem aérea de sua cota parlamentar.”Reconheço meu erro. Eu não sou infalível”, disse, para depois revelar que “foi até confortável sair do pedestal de político impecável”. “Nós somos um país tropical, nunca vão encontrar santos por aqui”, justificou.  (…)

A noite terminou com uma apresentação de fotos históricas da política nacional, que começou com Getúlio Vargas sujando as mãos de petróleo, há cinco décadas, e terminou com o presidente Lula fazendo o mesmo gesto. A mostra foi apresentada por Guilherme Weneck, diretor de redação da revista TRIP, e o fotógrafo João Wainer. No fim, o Instituto coroou o evento tocando seu repertório e releituras – entre elas, “Fight the power”, do Public Enemy.”

***

Sério, pessoal: continuando nesse ritmo, daqui a pouco até o Pedro Sette Câmara falando de mulher no botequim vai parecer algo natural e descontraído.

***

LnElogo (1)

dizendo:

A academia brasileira está prestes a testemunhar uma empreitada intelectual inédita no país. Durante o mês de outubro um grupo de jovens intelectuais percorrerá 13 cidades, de Porto Alegre a Fortaleza, com uma missão: expor aos estudantes universitários brasileiros o pensamento libertário, de apoio ao livre mercado, paz e direitos individuais. O objetivo é apresentar diretamente a tradição liberal, muito distante das caricaturas inventadas por seus oponentes intelectuais, de direita e esquerda, como “neoliberalismo”.

(…)

“Por décadas, os intelectuais de esquerda foram praticamente os únicos a apresentar aos estudantes brasileiros uma causa política baseada em princípios”, diz Diogo Costa, coordenador do OrdemLivre.org. “Chegou a hora de mudarmos esse paradigma, e mostrar o liberalismo como um ideal sublime que promove a paz e a prosperidade, e que não tem um histórico sangrento como o do socialismo”. Bruno Garschagen, gerente de relações institucionais do OrdemLivre.org, completa: “o debate entre diferentes correntes filosóficas é necessário para que a Universidade não fique refém das ortodoxias do pensamento de esquerda e permita aos estudantes o acesso a autores e obras liberais”.”

ralo

Short Tio Rei:

“Problema social se resolve é com o Exército”

O mundo, compreensivelmente, está de olho no Rio depois dos últimos acontecimentos na cidade.  O Valor de hoje vem com uma matéria interessante a respeito de possíveis caminhos futuros de combate ao crime organizado:

“Ocupação” deve envolver políticas sociais, dizem especialistas

O projeto de implantar Unidades de Policiamento Pacificadoras (UPPs) em favelas cariocas dominadas pelo tráfico de drogas ou por milícias armadas, é visto por especialistas do assunto como algo positivo. A política da Secretaria de Segurança do Estado do Rio está em vigor desde dezembro, mas para os analistas é preciso estabelecer políticas sociais dentro das favelas para dar alternativas a quem era ligado às atividades ilegais.

Na avaliação do sociólogo Ignacio Cano, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), o policiamento comunitário sempre foi uma defesa dos estudiosos em segurança, mas a UPP deve deixar de ser exceção e virar regra. No Rio, há mais de 500 comunidades dominadas por grupos armados criminosos e apenas cinco estão sob ocupação policial atualmente.

Cano diz ser preciso melhorar o trabalho de investigação da polícia e aumentar as políticas sociais focadas na inclusão dos jovens que moram nas favelas. “Falta maior integração da política de segurança com a política social.” O pesquisador da Uerj também avalia ser necessário reduzir o nível de corrupção policial e estabelecer metas de diminuição da incidência de crimes, acompanhada da estratégia do governo para tal redução.

Outro aspecto diz respeito à participação do setor privado nessas áreas na busca de reduzir a segregação social entre a favela e o asfalto e de criar emprego e renda no interior delas. “O fator-chave é a inserção social”, afirma Cano.

Para a coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) da Universidade Cândido Mendes, Sílvia Ramos, a política de ocupação policial nas favelas é certa e oportuna. “É correto colocar o foco principal do programa de segurança na ocupação. Enquanto não se resolver isso, a gente não vai saber quais são os problemas existentes. Essas áreas vão deixar de ter o território dominado pelo tráfico.”

Segundo ela, a experiência do policiamento comunitário nas favelas prova que é possível mudar, após 20 anos de políticas que se traduziam em tiroteio entre polícia e tráfico, sem resultados efetivos. “Basta ter policiamento, bom treinamento, salários melhores, e policiais mais jovens”, afirmou a coordenadora do Cesec. O desafio, diz ela, será expandir o programa, por causa do custo elevado. “Mas não é nada comparável ao que se gastou em tiroteio entre policia e traficantes nos últimos 20 anos.”

Silvia, no entanto, reforça a necessidade de políticas sociais integradas à política de segurança pública. “A UPP deveria vir num pacote para tratar das pessoas em torno do tráfico, não é só quem está diretamente ligado, mas até quem vende quentinha para os traficantes”, diz. Ela cita projeto implementado em Medellín, na Colômbia, onde o envolvimento de pessoas de comunidades pobres com o crime foi reduzido com o pagamento de bolsa mensal de US$ 400. O programa, denominado DDR (Desarmamento, Desmobilização e Reintegração), obriga a entrega de armas pelo participante, que recebe capacitação profissional ou ajuda para voltar à escola.”

Peraí: quer dizer que a Colômbia, o ícone de 10 entre 10 conservadores quando se fala em combate à violência, andou pagando bolsas a criminosos?  Tem gente que não vai gostar de saber disso.

Duas boas do Tio Rei hoje:

Uma:

Bem, a palavra do MST tem a credibilidade que tem. Mas lembro que Claudete Pereira de Souza, coordenadora do MST, que comandou a invasão, respondeu o seguinte quando indagada sobre a destruição da plantação: “Não se pode viver só de laranja”.

Convenham: o MST não é diferente do partido de Lula. Uma tal “Juventude do PT”, como se isso não fosse uma contradição em termos, divulgou hoje uma nota em que acusa os inimigos do governo – provavelmente os “reacionário” – de responsáveis pelas lambanças do Enem.”

Como assim?  Tá certo, não sei como é a política estudantil hoje em dia _ embora constate que para Tio Rei ela pareça não passar de braço do PT _ mas será que Tio Rei pensa que uma “juventude do PSDB” ou “juventude do DEM” é algo assim, natural?

Duas:

Espantoso um artigo que João Sicsú, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea e professor do Instituto de Economia da UFRJ, escreveu no jornal Valor Econômico, que é uma espécie de Granma do PT. O Brasil tem jabuticaba, pororoca e um jornal de economia que é de esquerda – nem que seja a esquerda petista.”

Logo vi.  É por isso que o comunista do Sergio Leo trabalha lá, pra não falar do Oliveira, aquele canalha cujo nome verdadeiro certamente é Ivan alguma coisa.

Fiquei preocupado, pensando no tipo de imprensa que deve praticar um jornal para que Tio Rei não o considere “de esquerda“…

Tio Rei encerra o post com chave de ouro:

Para certos acadêmicos brasileiros, o homem é seu emprego.”

Para certos “reservoir dogs“, também.

Tio Rei tasca matéria do Estadão lá no blogue dele:

Governo inicia ofensiva contra Lei de Licitações

Na tentativa de evitar que a fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) continue a paralisar obras e para imprimir maior agilidade ao processo burocrático das licitações, o governo decidiu investir em duas frentes, enquanto aguarda o desejado acordo com os setores empresariais, jurídicos e políticos, que poderá dar rapidez aos projetos do pré-sal, da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Ambas as iniciativas impõem limites à fiscalização do TCU. A primeira, já introduzida pelo Congresso na Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2010, determina que a partir do ano que vem o órgão não poderá mais paralisar obras sem o consentimento do Congresso; a segunda está prevista na reforma da Lei de Licitações (Lei 8.666/93), que já tem acordo e poderá ser votada pelo plenário do Senado a partir da semana que vem. As duas são patrocinadas pelo Planalto. Relator do projeto que reforma a lei, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), por orientação do Ministério do Planejamento, adaptou o texto ao gosto do governo e estabeleceu que o prazo máximo das medidas cautelares do TCU, que muitas vezes têm o condão de paralisar obras, será de 90 dias. Hoje, não há prazo. Esse reforço na Lei das Licitações se deve à conclusão do governo de que, mesmo havendo dispositivo estabelecendo o veto à suspensão das obras por parte do TCU, na prática será difícil impedir que a fiscalização as paralise.”

OK, temos aqui um recuerdo de Ypacaraí.  Texto de Luiz Carlos Bresser Pereira, Ministro da Reforma do Estado, que saiu na Gazeta Mercantil em setembro de 1996.  Sua salva inicial:

O governo federal está terminando um novo projeto de lei de licitações. A atual lei, 8.666, é recente, mas hoje já existe uma quase unanimidade nacional de que precisa, com urgência, ser profundamente mudada, senão substituída por uma lei nova. Por que falhou a 8.666? Essencialmente, porque, ao adotar uma perspectiva estritamente burocrática, ao pretender regulamentar tudo tirando autonomia e responsabilidade do administrador público, atrasou e encareceu os processos de compra do Estado e das empresas estatais, sem garantir a redução da fraude e dos conluios.

Continua:

Seu erro fundamental foi ter concentrado toda a sua atenção na tarefa de evitar a corrupção, através de medidas burocráticas estritas, sem preocupar-se em baratear as compras do Estado, nem permitir que o administrador público tome decisões. Partiu-se do pressuposto de que todo servidor público é corrupto e assim foi-lhe retirada qualquer capacidade de negociação, deixando tudo por conta da lei. Reduziu-se assim o espaço do administrador eventualmente corrupto, mas a um custo altíssimo: tornou quase impossível que administrador honesto – que é a maioria – faça a melhor compra para o Estado.”

Não sei porque, naquela época os jornais não falaram em “ofensiva contra a Lei de Licitações”.  Ofensiva, aliás, bem sucedida, resultando na Lei 9.648 de maio de 1998, que alterou a 8.666 (a Lei de Licitações), com os jamegões de:

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Pedro Malan
Eliseu Padilha
Raimundo Brito
Paulo Paiva
Luiz Carlos Mendonça de Barros
Luiz Carlos Bresser Pereira

Fato 1:

O vetusto Foreign Policy publica um elogio desmesurado ao chanceler Celso Amorim.   Sequer vou entrar no mérito de saber se esse elogio é merecido ou não, por enquanto.

Fato 2:

Reinaldo Azevedo se rasga de despeito:

AMORIM, O MAIOR MENOR DESDE O TRATADO DE TORDESILHAS

quinta-feira, 8 de outubro de 2009 | 6:23

“Ah, você viu o que diz o site da Foreign Policy? Celso Amorim é chamado de o ‘maior ministro das Relações Exteriores do mundo’. E agora? O que você vai dizer?”

Petralha adora um reconhecimento “internacional”, não é? Antigamente, “deu no New York Times” era uma forma de as esquerdas fazerem pouco da imprensa imperialista…

É mesmo?  Que provinciano.  Bom, ele finaliza com fecho de ouro:

Quanto à turba… Eu estou me lixando para o que a Foreign Policy diz de Amorim. O New York Times não conseguiu me convencer das qualidades excepcionais de Obama… E acho que estou mais certo a cada dia.

“Você viu o que disse a Foreing Policy???” Ah, tenham piedade! Diante de qualquer publicação estrangeira, petralha parece capiau usando calça nova em dia de quermesse.” [grifo meu]

Hummmm…sei.  Vejamos:

Fato 3:

Entretanto, há menos de um mês, Tio Rei escreveu o seguinte:

EDITORIAL DO WSJ RESPONSABILIZA EUA POR IMPASSE E DEFENDE QUE ZELAYA SE ENTREGUE

quarta-feira, 23 de setembro de 2009 | 18:26

Nem tudo está perdido. Editorial do Wall Street Journal põe as coisas no seu devido lugar. Segue o texto original em azul. O jornal diz o óbvio: dado o quadro, a única solução, que evita a violência, é Zelaya se entregar às autoridades do seu país, para que seja julgado. Vocês verão que o jornal, de fato, atribui aos EUA a responsabilidade pelo impasse. E está certo. Um texto como este do WSJ é quase impossível na grande imprensa brasileira. É que somos muito plurais, entendem?” [grifo meu]

Pois é.  Como é mesmo?  “Diante de qualquer publicação estrangeira, blogueiros anaeróbicos parecem capiaus usando calça nova em dia de quermesse“.

Segue-se a matéria do WSJ, traduzida pelo Tio Rei que na pressa nem percebeu ter escrito o seguinte:

Zelaya e seus seguidores estão agitados. Tomaram a embaixada brasileira e portam coquetéis Molotov. E de lá conclamam: restituição ou morte. Micheletti anunciou o toque de recolher, mas os seguidores de Zelaya resistiram. E Honduras está num impasse.”

Tomaram a embaixada brasileira?  Mas tudo não foi feito com a conivência sinistra de Celso Amorim??

***

Para Tio Rei, o problema não é lamber botas, mas sim lamber as botas certas.   No caso, lamber as botas do jornal que defendeu as maluquices da banca até o último minuto antes da crise deve ter algum appeal.

Tio Rei às vezes me lembra aquela velha piada sobre Churchill que termina assim: “Que você é uma prostituta já concordamos, agora só estamos discutindo o preço“.

Do Elio Gaspari, na Folha de hoje:

EREMILDO, O IDIOTA

Eremildo é um idiota e alistou-se nas brigadas internacionais de combate ao bolivarianismo. (Ele não sabe o que isso quer dizer, mas também não conhece quem saiba.) O idiota entende que são bolivarianos os presidentes Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa. Todos mexeram na Constituição para prorrogar suas permanências no poder, ad referendum de resultados eleitorais.

Ensinaram-lhe que jamais foram bolivarianos os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem, que também mudaram as Constituições de seus países para buscar a reeleição. Por algum motivo, o colombiano Álvaro Uribe, que, pela segunda vez, está fazendo a mesma coisa, também não é bolivariano.

Eremildo é um idiota feliz, mas teme ser internado por conta da última ideia que lhe passou pela cabeça: o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, seria um bolivariano ao defender a mudança da lei da cidade para buscar o direito de disputar o terceiro mandato.”

***

Continuísmo bom é o continuísmo nosso.

***

Tio Rei leu, não gostou e cospe marimbondos.  Ao segundo parágrafo de Gaspari, questiona:

E não foram mesmo! Quem o Idiota pensa que engana? Carlos Menem e FHC não exportaram a sua “revolução”. Nenhum deles criou uma Assembléia Constituinte, em meio a escombros institucionais, para tomar de assalto o Congresso e a ordem legal. O Idiota acredita, pelo visto, que basta fazer uma eleição para legitimar mudanças, como se a consulta popular excluísse o autoritarismo. O Idiota nunca ouvir falar em fascismo? Desse jeito, ainda acaba chamando o Irã de “democracia de massas”… Ele, o Idiota, recorre à trapaça ao tentar identificar os críticos do bolivarianismo como partidários, então, de FHC, Menem ou Uribe, juntando num mesmo saco pardo gatos muito distintos. O Idiota deveria saber que é perfeitamente possível ser um crítico do bolivarianismo, do processo que resultou na reeleição de FHC e da eventual reeleição de Uribe, embora sejam coisas muito distintas. No caso do presidente da Colômbia, sua confusão é espantosamente estúpida: se algum mal afeta hoje a Colômbia, é o mal do isolamento – cercada que está de canalhas esquerdistas e populistas. Se estudar Ceresole e Dieterich, verá que a vocação do bolivarianismo ou do “socialismo do século 21″ é a expansão.” [grifo meu]

Er…vejamos.  Notícia da Gazeta Mercantil, de 03/02/1998:

BRASÍLIA, 3 de fevereiro – O presidente Fernando Henrique Cardoso considera “boa” a proposta do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que sugere a realização de uma consulta pública junto com as eleições de outubro, para avaliar se a população concorda com uma constituinte exclusiva para promover mudanças de cunho político e fiscal. Segundo o porta-voz da Presidência da República, embaixador Sérgio Amaral, Cardoso não vê por que a consulta pública possa atrapalhar as eleições. De acordo com o porta-voz, Fernando Henrique avalia que não se trata da instalação de uma assembléia constituinte, mas de um dispositivo que permita a redução do quórum para que se aprove uma emenda constitucional. Hoje, a aprovação de uma emenda exige a anuência de dois terços do Congresso Nacional. Com o referendo popular, a aprovação poderia ser aprovada por maioria simples, reduzindo as rodadas de negociação exigidas atualmente para que o governo consiga aprovar matérias mais polêmicas. Quanto ao teor das reformas política e fiscal, Amaral afirmou que isso é “assunto para ser discutido posteriormente”. (Marcos Chagas, do InvestNews/MM)

Matéria do jornal catarinense “A Notícia”, de 30/09/1998:

FHC interessado na proposta

Brasília – O porta-voz do Palácio do Planalto, Sérgio Amaral, disse, ontem, que o presidente Fernando Henrique está interessado em que se “examine a questão” da proposta de convocação de uma miniconstituinte. Segundo ele, Fernando Henrique Cardoso considera “positiva” uma reunião com os governadores para discutir as reformas que serão votadas pelo Congresso.

Amaral disse que já está acertada uma reunião com os líderes partidários para discutir as reformas, embora o presidente também não tenha definido se esta conversa ocorrerá entre o período do primeiro com o segundo turno ou se só após o segundo turno das eleições.

Se prevalecer um entendimento existente no Supremo Tribunal Federal (STF), a convocação de uma assembléia nacional revisora para modificar a Constituição Federal é inconstitucional. Uma ala de ministros do STF acredita que se perdeu a chance de revisar a legislação em 1993, como previa a própria Constituição no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT).

Uma das propostas de convocação de assembléia nacional constituinte, formulada pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), já foi questionada no STF.

Além da proposta de Miro Teixeira, há outra, de autoria do deputado e ex-ministro do Planejamento Antonio Kandir. Ele propõe a convocação de uma assembléia para revisar aspectos tributários e fiscal simultaneamente à análise da reforma política.” [grifo meu]

Mas não foi apenas em 1998 que FHC fez este tipo de proposta.  Em 2001 também _ e para 2003, com o prova esta matéria do Jornal do Brasil:

FH apóia convocação de miniconstituinte

O presidente Fernando Henrique Cardoso não vai virar garoto-propaganda – até porque acredita que esse é um assunto do Legislativo. Mas já mandou orientar parlamentares da base aliada para que estimulem a idéia da convocação de uma miniconstituinte para 2003.

Na tarde de ontem, Fernando Henrique conversou com o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), e deu sinal verde para que o deputado tucano leve adiante a discussão sobre o tema. Além de mudar (para melhor) o humor político no Congresso, FH acredita que a miniconstituinte pode acelerar, se não todas, pelo menos uma ou duas reformas que prometeu fazer em seus dois mandatos. O presidente gostaria de concluir até o final do seu governo o que prometeu na campanha e até agora não conseguiu viabilizar por falta de entendimento na base aliada.

Negativa – Ontem, o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, negou que o governo estivesse patrocinando a proposta. Mas, apesar da oposição do principal articulador político do governo, existe uma torcida na equipe do presidente para viabilizar a miniconstituinte. Ministros e assessores econômicos acham impossível votar as reformas tributária, política, e até mesmo do Judiciário, além da regulamentação do Sistema Financeiro Nacional, com um quorum de três quintos exigidos pela Constituição -o que equivale a 308 dos 513 votos da Câmara e 49 dos 81 votos do Senado.

O pacote tributário que o governo está pensando em tentar aprovar até o final do ano, prorrogando a CPMF até o final de 2003, só seria possível com a convocação de uma constituinte. Além da prorrogação da CPMF, a equipe econômica do governo defende também a eliminação do efeito cascata da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do PIS-Pasep, além da isenção da CPMF para as aplicações em Bolsa de Valores. Mas alguns líderes governistas acham que dificilmente essas propostas serão aprovadas por três quintos.

Reformas isoladas – Outro argumento defendido por lideranças da base aliada para a convocação de uma Constituinte é o de que é mais fácil atualizar a carta de 88 via miniconstituinte do que por meio de reformas isoladas, que acabam transformando a Constituição em “colcha de retalhos“, segundo expressão de um ministro de Estado.

O esforço de FH para costurar a miniconstituinte no Congresso pode esbarrar na própria base aliada. Apesar dos recados, ainda há certa resistência dentro do Congresso. Para o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), por exemplo, o assunto chegou tarde, pois só faltam duas semanas para o início do recesso de julho e dificilmente os parlamentares vão se empolgar com a discussão. “A decisão deve ser discutida pela Executiva (do PFL). Não quero me antecipar“, escapou Bornhausen ontem.” [grifo meu]

***

Como se vê, o ex-Presidente Fernando Henrique não apenas apoiou a idéia de uma constituinte do seu primeiro para o seu segundo mandato, como teve a cara de pau de propô-la novamente debaixo das barbas do seu sucessor.  E isto porque o Supremo considerava qualquer iniciativa neste sentido como inconstitucional, já que o prazo constitucional para a revisão da CF 88 havia se extinguido em 1993.

Tio Rei tem memória curta.  Ou então, muito conveniente…

***

UPDATE:

O Luiz Carlos Azenha, do Vi o Mundo, linkou este post.  Valeu Azenha!

Tio Rei, uns dias atrás:

Irrelevância de propaganda

segunda-feira, 28 de setembro de 2009 | 20:49

Barack Obama, como um Lula qualquer, vejo agora no Jornal Nacional, entrou na campanha para que Chicago seja a sede das Olimpíadas de 2016.

Ai, ai… Sempre disse: Obama é puro Terceiro Mundo. Antes que venham com a bobagem de que afirmo isso porque ele é mestiço ou porque o pai era queniano, digo logo: bobagem! Seu terceiro-mundismo está na atração fatal pela irrelevância de propaganda.”

***

Arram:

Realeza espanhola chega em Copenhague

32 horas atrás Notícias RSS Digg

Rei Juan Carlos I e a rainha e Sofía estão na capital dinamarquesa para apoiar a candidatura de Madri como sede dos Jogos Olímpicos de 2016

Após a primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, a realeza da Espanha chega na Dinamarca. O rei Juan Carlos I e a rainha e Sofía aterrissaram na manhã desta quarta-feira no aeroporto de Copenhague para apoiar a candidatura de Madri na votação do Comitê Olímpico Internacional (COI), dia 2 de outubro, quando será anunciada a sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Além da capital espanhola, estão está na disputa Chicago, Rio de Janeiro e Tóquio.

O presidente do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, chegará a Copenhague ainda nesta quarta, acompanhado pelo ministro de Assuntos Exteriores, Miguel Ángel Moratinos, após assistir à sessão de controle ao Governo no plenário do Congresso dos Deputados.

Os reis e o chefe do Executivo se reunirão nesta quinta-feira com membros do COI, participarão de um almoço oferecido pela rainha Margrethe, da Dinamarca, e assistirão à sessão inaugural da Assembleia do COI.

***

Quem mandou pagar pau com essa boca grande?   Agora Tio Rei vai ter que dizer que ao ir a Copenhague, Juan Carlos, Obama e Lula  “mostraram como agem governantes que têm respeito por seu país e por seu povo“.  Mané.

hints-on-etiquette

“Acho a ética supervalorizada. Ela é importante, mas ela devia, se me perguntam, andar sempre um passinho atrás da etiqueta, respeitosa, acanhada, moreninha, carregando o equipamento de aquarela da etiqueta enquanto as duas passeiam pelo campo, apressando o passo porque parece que vai chover.”

O Alexandre Soares Silva, que é um anaeróbico diferenciado, está em palpos de aranha desde ontem.

Foi fazer um daqueles seus tradicionais posts “leves”, onde costuma disfarçar proposições ultrajantes com camadas e camadas de witticism, mas topou com um comentarista chato, que opôs à idéia central de seu post _ a de que a etiqueta é mais importante que a ética _ ninguém mais, ninguém menos que o próprio Chesterton:

Mas por outro lado, o Chesterton tem uma certa razão quando diz iso aqui, né?

The tone now commonly taken toward the practice of lying in bed is hypocritical and unhealthy. Of all the marks of modernity that seem to mean a kind of decadence, there is none more menacing and dangerous that the exaltation of very small and secondary matters of conduct at the expense of very great and primary ones, at the expense of eternal ties and tragic human morality. If there is one thing worse that the modern weakening of major morals, it is the modern strengthening of minor morals. Thus it is considered more withering to accuse a man of bad taste than of bad ethics. Cleanliness is not next to godliness nowadays, for cleanliness is made essential and godliness is regarded as an offence. A playwright can attack the institution of marriage so long as he does not misrepresent the manners of society, and I have met Ibsenite pessimist who thought it wrong to take beer but right to take prussic acid. Especially this is so in matters of hygiene; notably such matters as lying in bed. Instead of being regarded, as it ought to be, as a matter of personal convenience and adjustment, it has come to be regarded by many as if it were a part of essential morals to get up early in the morning. It is upon the whole part of practical wisdom; but there is nothing good about it or bad about its opposite.”

E agora?  Romperá ASS (sic) com o guru de 10 entre 10 anaeróbicos da cepa católica, ou engolirá suas próprias palavras?

O Paulo tem um post realmente intrigante lá no FYI.  Vamos lá:

The US has won the war in Iraq. There is no other way to say this. And yet, because we don’t have generals sitting in a aircraft carrier in the Persian Gulf signing fancy documents, nobody really seems to acknowledge that. Search for Iraq news today. There aren’t any.

C´mon, isto é realmente um exercício de wishful thinking.

Em março de 2008, as FFAA dos EUA tinham:

  • 84,488 soldados estacionados na Europa;
  • 70,719 soldados estacionados no Extremo Oriente e Pacífico;
  • 7,850 soldados estacionados na África do Norte, Oriente Médio (fora Iraque e Afeganistão) e sul da Ásia;
  • 2,727 soldados estacionados na África Subsaariana;
  • 2,043 soldados estacionados na América Latina (curiosamente, o maior contingente em Guantanamo, e o segundo maior contingente em Honduras…);

contra:

  • 195,000 soldados estacionados no Iraque (provavelmente um pouco menos, hoje);
  • 31,100 soldados estacionados no Afeganistão (provavelmente mais, hoje).

Isso significa o seguinte: 57,4%% das tropas americanas estacionadas fora dos EUA estão ou no Iraque ou no Afeganistão.  Na verdade, o Iraque sozinho é responsável por 49,5% das tropas “overseas“.  Aliás, levando em consideração que os EUA têm mais 1,083,027 soldados em seu próprio território, a gente conclui que as forças no Iraque são hoje cerca de 12% do efetivo total.

Elas estão lá e, a despeito das promessas de Obama, continuam por lá.  Convenhamos que ter mais de 10% do seu contingente militar imobilizado a milhares de quilômetros de casa, sem poder sair de lá, é um conceito muito estranho de “vitória”.

Principalmente porque a idéia inicial de “vitória” da operação contra o Iraque não era derrubar Saddam Hussein ou destruir seu exército _ ambas missões fáceis e realizadas em menos de um mês, se usarmos a queda de Bagdá como marco.  Não, a idéia inicial era transformar o Iraque em uma vitrine da democracia ocidental no Oriente Médio.

Estamos esperando.

Não que Paulo seja o primeiro a cantar vitória antes da hora _ neste aspecto ele já estava em muito má companhia há tempos.  Mas essa evidência nada ensina ao Paulo, muito pelo contrário:

You can say whatever you want about the Iraq war. Maybe it was too expensive, based on false premises and mismanaged for way too long. But in the end, this is one war we put under the W column. And if nothing else, that has a HUGE impact on the way the enemies of the US see our country.”

Nesse caso seria interessante explicar porque Coréia do Norte e Irã são alvo constante da ira norte-americana, já que, a seguir esta lógica, deviam estar sentadinhas no canto, bastante atemorizadas com o destino de Saddam.

Mais irônico ainda é saber que enquanto os EUA estavam ocupados “ganhando a guerra” no Iraque, estavam cavando o seu próprio poço macroeconômico, que explodiu em 2008 e quase levou o país à breca _ se é que ele ainda não vai parar lá.  Impermeável a essa realidade, Paulo continua receitando…mais do mesmo:

So now we need to see if Obama deliver the goods in Afghanistan. By all means, that war there should be easier to win than Iraq’s. There is no concern around legitimacy, it’s a less populous country, we have the support (albeit feeble as always) from Europe and there are no huge ethnitic civil wars lurking in the background. It is just a matter of sending more troops, commitming more money and enduring to the end.”

Como sabem, é dever de todo blogueiro esclarecido fazer de vez em quando uma ronda pelo lado negro da blogoseira.  “Protect teh borders“, é o meu lema.

Foi no cumprimento desse dever patriótico que descobri o seguinte:

Olavo de Carvalho, assumindo-se, realística mas imodestamente como “representante ou mesmo personificação integral e única da “mais rançosa extrema direita nacional”“, vitupera contra os críticos de Bruno Tolentino, poetastro que recentemente levou a breca:

Nota enviada ao site Breviário a respeito de umas opiniões de Alexai Bueno

Olavo de Carvalho

Como representante ou mesmo personificação integral e única da “mais rançosa extrema direita nacional”, quero deixar aqui duas observações sobre o trecho citado.

1) Desde logo, um sujeito capaz de escrever algo como “periódico coloquialismo” deveria abster-se de opinar sobre musicalidade na poesia ou mesmo na prosa. Não foi à toa que o Bruno Tolentino apelidou de Dislexei Bueno o cidadão que agora se imortaliza como inventor do estilo cocô-loquial.

2) Conheci bem o Bruno e sei que, quando havia idiotas presentes, ele gostava de deslumbrá-los com as lendas mais mirabolantes a respeito de si próprio, narradas num tom da maior seriedade. Uns acreditavam; outros, mais bobos ainda, mas imaginando-se espertos, acreditavam que ele acreditasse. Quando saíam, eu e ele ríamos a valer de uns e outros.

Richmond, 10 de julho de 2009

***

Repare com que gosto ele subscreve a nota: “Richmond“.  Ele deve se sentir, sei lá, como um general confederado enviando insultos a Abraham Lincoln, aquele  “prepotente burocrata“.

***

Mas o que interessa é o seguinte: o post lá no Breviário, no blog Beharren, reproduz trechos de um livro do tal Alexei Bueno, na parte que versa sobre Bruno Tolentino.  Ao que parece, Alexei não cultiva lá uma grande opinião sobre o finado poeta:

Após um rumoroso processo pela publicação de um livro inteiramente plagiado, em 1957, Infinito Sul – cujo título era de Sílvio Castro e os poemas de Celina Ferreira, Walmir Ayala, Afonso Félix de Souza e outros – e a publicação de Anulação e outros reparos, em 1963, o poeta carioca Bruno Tolentino (1940-2007) se afastou por três décadas do Brasil, retornando em 1993. A sua volta marcou a entrada na cena literária nacional do maior mitômano nela aparecido pelo menos desde a chegada de Antônio Botto, o poeta português, muito amigo de Fernando Pessoa, que aqui desembarcou nos anos de 1950, casado, apesar dele mesmo se intitular “o primeiro paneleiro oficial de Portugal”, e distribuindo elogios bombásticos sobre a sua obra, assinados pelos maiores autores universais da época, mas todos escritos por ele mesmo. Em pouquíssimo tempo Tolentino declarou em público que fora casado com a filha de Bertrand Russell (que deveria ter idade para ser sua avó), com a neta de Rilke, com a neta de René Char, além de ter sido astrólogo em Los Angeles por doze anos, ter vivido uma década em Alexandria, ter trabalhado como genealogista na Inglaterra, ter sido secretário pessoal de Auden, ter dado aulas por onze anos na Universidade de Oxford, e finalmente, isso um pouco depois, ter sido encarcerado por tráfico de drogas na Ilha do Diabo, para nem falar da sua origem na alta aristocracia, na sua mansão familiar e suas preceptoras inglesas, tendo nascido, na verdade, na mais banal classe média tijucana, filho de militar, e tendo vivido a adolescência num pequeno apartamento do mesmo bairro e em Niterói. Só na terra onde foi escrito “O homem que sabia javanês” tal conjunto de afirmações seria deglutido naturalmente como o foi, inclusive pela grande imprensa. A mitomania em si não desqualifica qualquer artista, mesmo um homem de gênio como o cineasta Mário Peixoto tinha fortes traços mitômanos, e isso tudo serve apenas como um índice da impossibilidade de se conhecer a biografia de um indivíduo que, somados os eventos pública e notoriamente por ele narrados, deveria ter perto de trezentos anos de idade. Após manter uma ruidosa polêmica com os concretistas, justamente num dos melhores aspectos deles, a tradução de poesia, reestreou com As horas de Katharina, em 1994. Com Os sapos de ontem, de 1995, atacando novamente os concretistas paulistas, se revelou um satírico interessante. Os deuses de hoje, do mesmo ano, compunha-se de poemas políticos, justificados por uma falsíssima luta sua contra a ditadura militar – mais um falso exilado – e não alcançou maior repercussão. Seguiram-se A balada do cárcere, em 1996, O mundo como Idéia, de 2002, e A imitação do amanhecer, de 2006, escrito em pretensos alexandrinos que nunca o foram. Toda a poesia de Bruno Tolentino é vazada numa musicalidade característica, dominada por uma espécie de vício do enjambement que chega a criar poemas quase inteiros sem que uma oração termine no final de um verso. Essa espécie de “realejo de enjambements”, monocórdio ao extremo, perpassa por quase tudo o que escreveu, lançando mão de uma técnica bastante defeituosa: versos de pé-quebrado, especialmente pelo uso e abuso de ectlipses, elisões romanas e inúmeras rimas consoantes que não o são. Vez por outra, em meio dessa grafomania versificatória tediosa e obsessiva, espécie de música de feira, surge um grande momento lírico, que não salva o essencial vazio de fundo que domina o conjunto, sem se falar da total inadequação entre um periódico coloquialismo e o tom geralmente elevado do verso. A sua poesia, na verdade, e qualquer leitor médio o percebe, é conduzida pelas rimas e pelo ritmo, e não o contrário, como qualquer poesia digna desse nome. Verdadeiro personagem de romance, com um talento verbal e histriônico espantoso, mas de repertório curto, um dos fatos mais interessantes da sua imponderável biografia é ter voltado para o Brasil dizendo-se exilado da ditadura militar e trazendo mesmo um livro sobre o assunto, após o fracasso do qual terminou seus dias – há quem diga que não morreu, quem garanta que ele está vivo – venerado pela mais rançosa extrema direita nacional.”

***

Pitoresco ao extremo.  Mas o que realmente me chamou a atenção foi o seguinte:

“(…) além de ter sido astrólogo em Los Angeles por doze anos (…)”

Parece que é uma constante, não?

***

De resto, a defesa que faz Olavo é estranha:

“(…)sei que, quando havia idiotas presentes, ele gostava de deslumbrá-los com as lendas mais mirabolantes a respeito de si próprio, narradas num tom da maior seriedade. Uns acreditavam; outros, mais bobos ainda, mas imaginando-se espertos, acreditavam que ele acreditasse. Quando saíam, eu e ele ríamos a valer de uns e outros.”

Escapa-me como ele deixou de perceber o denominador comum, o idiota presente a todas estas ocasiões que ele teve a fortuna de testemunhar…

Martim Vasquez da Cunha tem um artiguinho bem xexelento na Dicta & Contradicta, no qual lamenta o “esquecimento” do ataque ao WTC e ao Pentágono em 11 de setembro de 2001.  Provavelmente saudoso de uma era em que dizer “remember 9/11!” era o novo “remember Alamo!”, uma conclamação que surtia o efeito imediato de galvanizar a anaerobicidade em flor para dar seu apoio imediato e enfático qualquer empreitada homicida que se afigurasse pela frente, Martim inventa o que ele chama de “a morte da honra”, um conceito que afinal se mostra, após um bom número de contorcionismos e floreios retóricos, nada mais que um codinome ou eufemismo para…para o que mesmo?

(…) nos nossos dias, em que Ted Kennedy resolve esquecer o que fez de grave durante a vida toda e que ninguém mais se lembra do que aconteceu no dia 11 de setembro de 2001, a igualdade e a paz é o que corroem qualquer espécie de reparação.”

Ah, sim.  Para a intolerância.

Mas o mais gozado do texto do Martim é seu último parágrafo:

Da minha parte, vou fazer de tudo para não esquecer nem do que eu fiz, especialmente o mal que provoquei a algumas pessoas, e muito menos do que aconteceu no dia 11 de setembro, o dia em que, como bem disse W.B. Yeats, a terrible beauty has born.” [grifo meu]

Às vezes uma bela frase nos faz buscar um jeito de usá-la, a despeito do que ela significa em seu contexto.  Só assim posso entender o uso dessa frase de Yeats por Martim no seu artigo, já que Yeats estava em pleno processo de desbabaquização quando a escreveu, um processo que aparentemente Martim ainda está longe de trilhar.

Lendo este post do Ezra Klein sobre a crescente degradação do ambiente político norte-americano nas mãos do Partido Republicano _ exemplarmente simbolizada pelo caso da falta de educação sem precedentes do deputado Joe Wilson durante o discurso de Obama no Congresso _ deparei-me com este informativo sobre as tradições e costumes da Casa dos Comuns do Parlamento inglês.

Há um conselho sobre o uso da linguagem:

Unparliamentary language

Language and expressions used in the Chamber must conform to a number of rules. Erskine May states “good temper and moderation are the characteristics of parliamentary language”. Objection has been taken both to individual words and to sentences and constructions ‐ in the case of the former, to insulting, coarse, or abusive language (particularly as applied to other Members); and of the latter, to charges of lying or being drunk and misrepresentation of the words of another. Among the words to which Speakers have objected over the years have been blackguard, coward, git, guttersnipe, hooligan, rat, swine, stoolpigeon and traitor. The context in which a word is used is, of course, very important.

Infelizmente, olhando para nosso Parlamento tenho a sensação de que essas palavras o descrevem certeiramente, às vezes.

Paulo do FYI tem um post de nome sugestivo: “History is a bitch“.   Seu blábláblá usual sobre as bias, que devem ser primas do Biajoni, servem pretensamente como uma introdução ao que ele imagina ser o prato principal do post, um artigo de Robin Phillips intitulado, er, “Social engineering and the dark side of the American Left“.

Deixando de lado o fato de que o próprio empreendimento dos Founding Fathers (“city upon a hill etc”) e dos Framers of the Constitution nunca foi nada mais nada menos do que engenharia social em ação, e que em seguida os “native americans” tiveram conhecimento em primeira mão do que é a eugenia prática pelas mãos dos pioneiros do oeste que de left só tinham talvez a orientação geográfica que seguiam, o fato é que o texto cuja apreciação Paulo nos propõe é apenas um requentamento das teses de Jonah Golberg em seu “Liberal Fascism”.  E de má qualidade.  Exemplo:

“Although the American left no longer advocate eugenics, forced sterilization and race-directed abortion as a means to achieving racial utopia, ethnicity remains just as central in the minds of liberal social planners. This can be seen in the numerous affirmative action programs which mandate positive discrimination against whites.”

Ah, wingnutism, coerência nunca foi teu forte.

Mas vamos poupar palavras, porque acho que quase tudo sobre essa bobagem já foi dito aqui.  Depois, se quiserem, leiam isto aqui também.

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Está escrito lá, no final do post, à guisa de conclusão de um comentário à fala de Lula na TV ontem, utilizando um artigo de um velho conhecido nosso:

Gostaram? O título do artigo é “O nacionalismo de esquerda é uma fraude” e foi escrito por Olavo de Carvalho em maio de 2001. Parece-me uma excelente análise da fala de Lula, feita com mais de oito anos de antecedência…

É o fim.  Reinaldo Azevedo está pronto para ir juntar-se ao Olavón na Virginia.

***

Trecho embatucador:

Ser nacionalista, para essa gente, não é amar o que é brasileiro: é apenas odiar o americano um pouco mais do que se odeia o nacional. Mas, para cúmulo de hipocrisia, seu alegado antiamericanismo não os impede de celebrar o intervencionismo ianque quando lhes convém, por exemplo quando ajudam alegremente a desmoralizar a cultura miscigenada que constitui o cerne mesmo do estilo brasileiro de viver e lutam para impor entre nós a política americana das quotas raciais, em consonância com as campanhas milionárias subsidiadas pelas fundações Ford e Rockefeller.”

Interessante: Olavo chama de antiamericana a esquerda que, segundo ele, sucumbe a “idéias americanas” das quais ele discorda, como o feminismo e o “abortismo”.   Já ele mesmo, que odeia essas coisas, não se acha antiamericano…

Além disso, acho meio estranho Tio Rei transcrever um texto que acusa alguém de não amar o Brasil, quando diuturnamente faz o elogio daquele sujeito que escreveu um livro intitulado, justamente, “Contra o Brasil”.

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Resolvi dar uma incrementada no post _ pesquisa histórica e cortesia Ratapulgo

Bem, o previsível Paulo do FYI ficou chateadinho com o post abaixo e resolveu escrever uma “resposta”.  Faço comentários a tópicos selecionados:

• To destroy private and public property (forcing the city of Seattle to overspend half of its budget on this instead of public projects) to show your disgust at capitalism is right and noble.

_ Bom, pelo menos eles destruíram propriedades em seu próprio país.  Já os republicanos

To show up at town hall meetings and yell at Democrats because you think they will bankrupt the country is a disgraceful radical act.

_ Eu diria que é bem radical para um partido que pegou um superavit e transformou em um deficit bilionário.

• When Bush brings Evangelicals to the White House he is a religious zealot.

_ Hã…mas, bem, ele é.

When Obama brings an Evangelical to his inauguration he is just a common sense middle of the road American.

_ Mas, raios, Obama é o anticristo, tá lembrado?

• To have President Bush elected in a contested election is proof of corruption and lack of transparency (even after we know that the controversial recounts would show the same result). To have a governor elected by 129 votes (out of 2.7 million) or a senator that was confirmed only after 6 recounts (and was losing until the 4th) is completely normal and shows the strength of Democracy.

_ A ausência de diferença entre uma eleição roubada e uma eleição apertada é uma daquelas coisas em que os republicanos também acreditam.

• When Clinton, Gore and all major Democrats called Saddam the biggest threat in the world and bombed the country repeatedly they were wise statesmen. When Bush went to war for the same reasons he was a loony dictator.

_ Pois é, e depois Paulo reclama quando eu falo que os EUA têm um pezinho no imperialismo

• To create a national scandal about a Republican congressman that supposedly sent sex messages to congressional pages (in the end Foley was not even criminally charged) is fair politics.

_ Um absurdo mesmo.  Pena que quem fez isso foi o Partido Republicano.

• To make any mistake when justifying a war is an unforgivable offense that should be treated as a crime against humanity. To lie about the possibility of ending a war is just a fair political game.

_ First things first, brother.  Depois, essa história era tããããão grave que o Kanjorski até ganhou a eleição…

• To call some allies “Old Europe” is a major diplomacy blunder. To give the Queen of England an iPod with your speeches in it or to bow before the King of Saudi Arabia is pure creative genius.

_ Você precisa atualizar seu arquivo de gafes de Bush

• To torture the admittedly mastermind of 9/11 is really bad. Unless you are Jack Bauer. Ah, and if other countries are torturing we are ok with that too.

_ O problema é quando a tortura vira hobby. Seu.

• Rich people are horrible. Even the Cuban revolution was ok because you know, in the end all they did was to get rid of the ugly rich and choose a nice attorney to lead them! The only good rich people are we of course and our Hollywood brethren. It is no coincidence that they are our serfs.

_ Deixa disso. Há atores para todos os gostos, embora eu realmente ache difícil chamar Suck Norris de bonitinho.

• We love our Liberal Lions. Even when they have a weird family history of liking dictators like Hitler and Chavez. Oh, we have another one who loved the KKK, but he is so old we kind of forget about that.

_ Godwin´s Law!  Paulo, você já foi melhor que isso…

• To call Bush the devil, monkey or stupid is the civil right of any right thinking American. To make any remark about Obama or any Black Democrat is a racist crime.

_ Bem, quando há um motivo

• When Bush says marriage is between a man and a woman he is showing how backwards and bigoted he is. When Obama says the same thing we don’t quite believe it.

_ Vamos colocar a coisa assim: qual candidato era contrário à união civil entre homossexuais?

• When Republicans cheat on their wives they are hypocrites that should leave office immediately.

_ Errr…cadê o link?  [smirk]

• Soldiers dying in Iraq show that the war is a disgrace and we are stuck in a lost war. Soldiers dying in Afghanistan show that we fight for our beliefs and victory is just a matter of strategy.

_ Pois é, e depois Paulo reclama quando eu falo que os EUA têm um pezinho no imperialismo…[2]

• We are an incredibly backwards nation because we don’t have a health care system like Switzerland’s.

_ Yeah!

We are also an incredibly backwards nation because we do have a gun policy much like Switzerland’s.

_ Tsk-tsk.

• To challenge Obama’s birth certificate makes you a disgrace to your party. To challenge Bush’s National Guard service or Sarah Palin’s son legitimacy makes you a concerned citizen.

_ Paulo, um caso é uma mentira, o outro é uma hipocrisia da parte de seus candidatos.  Quer que desenhe?

Olhem, eu juro que tento…mas não consigo.

O sujeito não deixa.

Agora escreveu um post para falar mal de Lula, especificamente, em relação ao marco regulatório do pré-sal.  Até aí tudo bem, eu sequer sou um especialista nessa área e não vou me meter a falar sobre o que não entendo.  Mas essa aqui é terrível:

O petróleo do pré-sal, por enquanto, é uma quimera. Consta que está lá, quem sabe no volume que se anuncia, mas sua exploração comercial vai demorar muito. O demiurgo já anuncia, no entanto, a redenção do povo brasileiro. Em suma, quer que o Congresso aprove logo uma lei para que, a partir de então, todo bem que houver no Brasil seja caudatário desta sua suposta grande obra — que, sabemos, é só um etapa de um longo processo: seu marco verdadeiramente importante foi a lei de 1997 que permitiu a entrada de empresas estrangeiras na exploração de petróleo. E pelo regime de concessão, que continua nas áreas fora do pré-sal” [grifo meu]

Espere aí.

Quer dizer que “no longo processo” que levou ao pré-sal, tem um “marco verdadeiramente importante“, a “lei de 1997 que permitiu a entrada de empresas estrangeiras na exploração de petróleo“.

Pergunta-se: que papel tiveram as empresas estrangeiras na descoberta do pré-sal?

Nenhum.

E quem diz isso não sou eu, é o G1 da Globo:

A Petrobras informou nesta sexta-feira que descobriu petróleo leve na seção pré-sal da bacia de Campos, no mar do Espírito Santo, uma região ainda pouco explorada pela estatal.

Testes indicaram uma produção de cerca de 1.250 barris por dia”, afirmou a empresa em um comunicado, ressaltando que a estimativa é de grau API –que mede a qualidade do óleo– em torno dos 29 graus.

(…) A descoberta foi constatada durante os trabalhos desenvolvidos no Plano de Avaliação de Descoberta do poço 1-ESS-121-ESS, cuja comercialidade foi declarada em dezembro de 2006.

A Petrobras passou a pesquisar a existência de petróleo em áreas abaixo da camada de sal no ano passado, tendo anunciado em outubro descoberta de óleo leve nessa nova fronteira na bacia de Santos.

A camada de sal fica geralmente acima da rocha formadora de petróleo, que por causa da pressão abre brechas por onde o óleo escapa, formando as bacias petrolíferas. Por esse motivo, a Petrobras acredita que poderá encontrar novas bacias embaixo da seção pré-sal das bacias já existentes, como já foi informado anteriormente pela estatal.

Realmente trata-se de um longo processo, mas de um longo processo que passa pela construção de um saber e de uma tecnologia totalmente nacionais, começando pela profícua associação entre a Petrobrás e a COPPE/UFRJ, na Ilha do Fundão, e dos esforços do pessoal do centro de pesquisas da Petrobrás, o CENPES, também localizado na Ilha do Fundão para melhor aproveitar as sinergias com o campus universitário.

Ou seja: é de uma cara de pau indizível do picareta de Dois Córregos vir com essa história de “empresas estrangeiras” possibilitando, de alguma forma, a descoberta do pré-sal.  Ele está simplesmente roubando as vidas de centenas, talvez milhares, de pessoas que dedicaram sua existência a essa descoberta.

***

É por essas e outras que eu tenho que fechar este blog o quanto antes.  Senão, quando chegar 2010 eu vou estar acorrentado ao teclado.  Ou com uma camisa de força.   🙂

lp-clark

Frankly, my dear, I don’t give a damn

No Painel da Folha:

Vento em popa

A Holdenn, cujo proprietário, Rogério Frota de Araújo, bancou apartamentos para a família Sarney em SP, tem como parceira em negócios no setor elétrico a Servtec, que também orbita em torno do grupo político do presidente do Senado. Em 2007, a Servtec se desdobrou na Bons Ventos S.A. Recebeu recursos do Proinfa (Eletrobras) e do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) para erguer usinas de energia eólica em Aracati (CE), cidade natal de Frota.

O presidente da Servtec, Lauro Fiuza Jr., comanda a Associação Brasileira de Energia Eólica. A entidade tem como consultor Silas Rondeau, que perdeu o Ministério das Minas e Energia na Operação Navalha e, como o filho de Sarney, está enrolado na Boi Barrica.” [grifo meu]

***

Sarney realmente é um Sadim, que é um Midas ao contrário.

Eu francamente não sei porque ainda perco tempo lendo essas coisas mas…vá lá.

Fui no blog da Nariz Gelado ver as novidades da Vejosfera, e me deparo com um post onde ela avalia a candidatura de Marina Silva, comparando-a à de Lula:

É claro que Marina Silva tem menos chances em 2010 do que Lula tinha em 1989. Mas é inegável que boa parte do articulismo nacional já se deslumbrou com a hipótese de sua candidatura. E quando o articulismo nacional se deslumbra com algo, podem apostar que vem muita água sob aquela pedra que – mais dia, menos dia – acaba furando.

Foi assim com Lula.

Deslumbrada com a hipótese de um “presidente-operário”, a quase totalidade da imprensa nacional aderiu à causa sem se perguntar sobre a real ética por trás do discurso petista ou do quanto o tributarismo do partido aos métodos totalitários esquerdistas e o sindicalismo viciado do próprio Lula poderiam ser danosos para uma democracia recém conquistada. Nada disso. Fruto do esforço militante – mas também, em boa parte, do encantamento da imprensa nacional com a possibilidade de um operário ocupar a presidência -, passados treze anos desde sua primeira candidatura, Lula subiu a rampa do Palácio do Planalto.” [grifo meu]

Eu me pergunto se Nariz e eu vivemos no mesmo país.  Ou planeta.  Ou Universo.  Ou sei lá qual o nome da categoria existencial achincalhada por tamanha derrisão.

Mas o mais legal é este trecho de um comentário a este post, onde o comentarista dá sua opinião sobre o Bolsa-Família.  Eu sei, eu sei que logo virão os trolls dizer que eu estou “tirando a frase do contexto” e tals, mas a idéia é essa mesmo _ desafio meus 4,5 leitores a imaginar qualquer “contexto” que conseguisse tornar essa frase moralmente palatável:

Infelizmente, não há homens de vergonha para que delas possam morrer, porém não faltam aqueles que se viciem nessa imoralidade. Essa escória, da qual infelizmente é formada a imensa maioria da população pobre do nosso país, garantirá a permanência no poder aos ladrões que hoje nos roubam para “distribuir” aos pobre.”

slcwdccomparecrime

Pois é, em um post aí embaixo estávamos eu, Nowosad e Paulo discutindo e…

Marcos:

Pergunta simples: alguem se sentiria seguro de caminhar no meio de uma multidao de estranhos, onde muitos estivessem claramente carregando uma arma?

Ou recuariam e mudariam de caminho?

So’ para esclarecer…

Paulo:

Eu posso repetir essa pergunta de uma forma que talvez te faca entender a falacia mais rapido Marcos:

Eu prefiro andar no centro de Salt Lake City (onde o porte eh permitido com permit) do que no centro de Washington DC (onde o porte eh totalmente proibido).

Capiche?

***

Bom.

Achei este site aqui que, presto!, faz comparações diretas das estatísticas de criminalidade entre cidades norte-americanas.  E surpresa:  Salt Lake City é bem mais perigosa que Washington DC em alguns tipos de crime, enquanto o inverso ocorre em outros tipos.

Em particular, estupro, invasão de propriedade e roubo são mais prováveis em SLC do que em WDC.

***

Detalhe: Salt Lake City tem 79,2% de brancos em 1,89% de negros.  Washington DC tem 36,3% de brancos e 55,6% de negros.  Considerando a cor da pele como uma proxy do nível de renda, acho que é até de se espantar que Salt Lake City perca para DC em tantos índices de criminalidade.

Paulo do FYI bate no peito porque Obama escolheu, para presidir o poderoso National Institutes of Health, o Dr. Francis Collins, um dos líderes do projeto genoma.

O sofisticado motivo pelo qual o Paulo se rejubila com a escolha é que Collins escreveu este livro, e por isso, segundo ele, seria automaticamente “odiado” pela esquerda.  Paulo parece se esquecer de que a Ciência, em si, não tem um discurso anti-religioso, embora o Partido Republicano tenha um discurso anti-científico.

Por outro lado, a escolha de Obama faz sentido por outro motivo muito simples:  Collins considerou em detalhes os planos para ciência e tecnologia de um e outro candidato, e apoiou explicitamente o plano de Obama:

Sen. Obama has provided a detailed plan for his science technology and innovation agenda, which lays out how advances in science can provide solutions to many of the big problems that face us.”

Quanto a McCain…

As I have examined the positions taken by the current Presidential candidates on these critical issues, I regret to say that I have found little comfort in Sen. John McCain’s plan.”

E isso porque ele nem chegou a comentar os planos de Sarah Palin…

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O sr. William Kosinic aí em cima foi a uma manifestação de protesto contra Obama em New Hampshire.  Até aí tudo bem _ se você ignorar o “detalhe” que ele carrega em sua perna direita.

O problema é que, segundo a polícia de New Hampshire, não há nada de ilegal nisso _ ilegal é um cidadão carregar uma arma escondida.  Além do mais o manifestante estava em pé sobre uma, er, propriedade privada.

Dado o seguinte clima _

Obama, according to a new book, is already receiving more death threats than any other American president, and the demonstrations as he tries to win support for his healthcare reforms are becoming daily more passionate. “One day God is going to stand before you and judge you!” one protester shouted at him earlier this week.” [grifo meu]

_ podemos apostar que isso ainda vai dar muito o que falar.  Até porque a frase no cartaz de Kostnic é uma citação de Jefferson, que, completa, diz o seguinte:

“‘The tree of liberty must be refreshed from time to time, with the blood of patriots and tyrants.'” [grifo meu]

Agora, imaginem o que acontecerá se o primeiro presidente negro dos EUA for assassinado.  Cortesia da máquina de distorção da realidade republicana, funcionando a todo vapor por décadas a fio, é lógico.

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Laicité é isso aí!

Trecho deste texto:

A French Revelation, or The Burning Bush

JAMES A. HAUGHT

Incredibly, President George W. Bush told French President Jacques Chirac in early 2003 that Iraq must be invaded to thwart Gog and Magog, the Bible’s satanic agents of the Apocalypse.

Honest. This isn’t a joke. The president of the United States, in a top-secret phone call to a major European ally, asked for French troops to join American soldiers in attacking Iraq as a mission from God.

Now out of office, Chirac recounts that the American leader appealed to their “common faith” (Christianity) and told him: “Gog and Magog are at work in the Middle East…. The biblical prophecies are being fulfilled…. This confrontation is willed by God, who wants to use this conflict to erase his people’s enemies before a New Age begins.”

This bizarre episode occurred while the White House was assembling its “coalition of the willing” to unleash the Iraq invasion. Chirac says he was boggled by Bush’s call and “wondered how someone could be so superficial and fanatical in their beliefs.”

Mais sobre a consulta a Thomas Romer aqui.   O texto da Allez Savoir ici.

O resto da matéria acima transcrito abaixo do fold.  Se metade for verdade…

Continue lendo »

joker

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