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Deu no Estadão:

Lobo comemora vitória em Honduras

Processo eleitoral teve apoio de países como Estados Unidos, Alemanha e França

TEGUCIGALPA – O candidato conservador de oposição Porfirio Lobo ganhou com facilidade no domingo, 29, as eleições em Honduras. Lobo, um rico proprietário de terra, obteve mais de 61,86% dos votos em mais de 62% do que foi contabilizado pelo Supremo Tribunal Eleitoral hondurenho. Porfirio Lobo já se declarou vencedor e prometeu unidade nacional.”

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Raras vezes uma manchete do Estadão fez tanto sentido.

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O Lucas Llasch, lá do Ciencia Maldita, tem uma forma curiosa de anunciar que a Argentina está à frente do Brasil no ranking do recente relatório sobre diferença entre gêneros do World Economic Foruml:

“Bueh, y agrego hasta el puesto 100 por si alguno está buscando a Brasil…”

Mas vamos dar uma olhada nos dados detalhados do relatório:

gendergap

(clique para ampliar)

Vemos que o Brasil de fato está à frente da Argentina na maioria dos quesitos.  Onde perdemos feio, mesmo, é na questão da participação em cargos eletivos.

Mais uma razão para eleger a Dilma.  🙂

encarnacaocima

Caixão, meu comandante!

Deu no G1:

A esquerda do Uruguai se afirma como a favorita para se manter no poder por mais cinco anos, disseram analistas políticos e uma nova pesquisa de opinião nesta quarta-feira (21), a quatro dias das eleições gerais no país.

No entanto, o candidato presidencial do partido da situação, Frente Ampla, o ex-guerrilheiro José Mujica, deve ir a segundo turno em novembro contra o ex-líder Luis Alberto Lacalle, do centro-direita Partido Nacional (PN) ou Branco, segundo as pesquisas.”

Nossas esperanças de reeditar o Reino Unido de Portugal e Algarves podem estar abaladas:

Portugueses exigem retratação de Maitê Proença por piadas

Um vídeo que mostra a atriz Maitê Proença durante uma viagem a Portugal motivou a criação de um abaixo-assinado na internet que exige “um pedido claro de desculpas” da atriz, informa uma reportagem publicada hoje pelo português “Jornal de Notícias”.

A gravação, que foi ao ar em 2007 no programa “Saia Justa”, do GNT, mostra Maitê fazendo piadas durante a visita ao país. Entre outras coisas, ela brinca com uma placa pendurada ao contrário em frente a uma casa e sobre problemas que enfrentou no hotel em que estava hospedada.

“Tive problemas com a internet do hotel e pedi um técnico para arrumar. Mandaram um técnico que não sabia nada de informática. Ele olhava pro meu mouse como se fosse uma capivara”, diz a atriz em um trecho do vídeo (assista abaixo).

“Depois a gente fala de português, que eles são esquisitos. Mas é assim mesmo”, afirma a atriz já no final do vídeo, antes de cuspir em uma fonte.

A reportagem do “Jornal de Notícias” ainda comenta o fato de todas as apresentadoras do programa gargalharem após a exibição do vídeo.

De acordo com a reportagem, o abaixo-assinado pede “um pedido claro de desculpas da atriz ao povo português, seja por escrito, oral, ou em vídeo”.

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Na matéria do jornal português, Maitê se redime…mais ou menos:

“Não falei mal de Portugal, amo Portugal, os portugueses, tenho amigos e visito o país sempre que dá”, disse a actriz ao JN. “Meus livros são publicados na terrinha e vendem muito bem”, acrescentou.”

Ainda bem que a Maitê não é jornalista.  Senão teria que explicar essa história de “cuspir na fonte”.

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Isso tudo mostra que a vingança é um prato que se come frio, e com bacalhau.  Afinal o raio do vídeo é de 2007 mas só agora atingiu a honra dos conterrâneos…

O UOL nos informa de mais um editorial com elogios ao Brasil em um jornal argentino:

Lula projeta Brasil a ‘líder regional e ator global de 1ª ordem’, diz jornal argentino

O jornal argentino “La Nación” afirma em seu principal editorial desta segunda-feira que, enquanto a Argentina perde espaço e importância no cenário internacional, o Brasil se consolida como “líder regional e ator global de primeira ordem”.

O texto, intitulado “Brasil, nas grandes ligas”, atribui o resultado ao trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que por sua vez seguiu a “via das políticas de Estado (…) traçadas nos oito anos anteriores pelo presidente Fernando Henrique Cardoso”.

Os editorialistas fazem sua análise a partir do que chamam de “dois troféus” aquinhoados por Lula em sua recente viagem à capital dinamarquesa, Copenhague: a eleição do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 e o apoio da União Europeia ao modelo brasileiro de combate ao desmatamento, que será apresentado na mais importante reunião sobre o clima do ano, que ocorre em dezembro, também em Copenhague.

Sobre a escolha do Rio como sede olímpica, o jornal avalia que a atuação brasileira na disputa, apartidária, mostrou uma “formidável imagem de como se defende o interesse nacional”. O “La Nación” sugere que, se Buenos Aires tivesse sido candidata, “aversões pessoais” entre os políticos argentinos impediriam uma postura semelhante.

Para o jornal “não é novidade que o Brasil, pelo carisma e o impulso de seu presidente, jogue nas grandes ligas”.

“A novidade é que, em meio a sérios problemas de desigualdade e de corrupção ainda não resolvidos, Lula tenha conseguido projetar seu país como um líder regional que não admite essa definição, ainda que saiba que esta cada vez mais perto de sê-lo.” Exemplos dessa projeção são o diálogo de Lula com o presidente americano, Barack Obama, “enquanto Cristina Kirchner, ainda não consciente de que todos os seus ataques contra Bush se traduzem de forma imediata em Washington como ataques contra os Estados Unidos, não teve ocasião de dialogar senão em breves intervalos de cúpulas internacionais com Obama”.

O jornal observa que “em 2011 terminará o segundo período de Lula”. “Terminará também esta tendência? Não. Definitivamente não. Em 2014 o Brasil será sede do campeonato mundial de futebol; em 2016, o Rio de Janeiro receberá os atletas.” Os editorialistas tentam explicar por que, apesar da crise, “o Brasil recebe investimentos diretos em maior volume que a Argentina” e tem recursos para emprestar ao FMI, e por que “em cada cúpula da Unasur (o grupo de países sul-americanos), os olhares apontam para Lula e os ouvidos esperam suas reflexões”.

“Talvez porque, no plano político, os escândalos de corrupção nunca terem lançado dúvidas sobre Lula; porque ele cumpriu sua palavra empenhada sem desmerecer às instituições nem às pessoas que pensam diferente; e porque nunca teve a estranha idéia de construir um trem bala onde falta comida.“”

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Essa última referência, ao trem bala, me pareceu um tanto enigmática; creio que se refere ao trem bala argentino, previso para ligar Buenos Aires a Córdoba, passando por Rosario.

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Fico me perguntando o quanto disso se deve a) à personalidade de Lula; b) às políticas de Lula; c) meramente ao tamanho do Brasil.

Eu acredito que 90% deva-se a uma mescla de a) e b).

Vixe:

El 39,9% de los portugueses y el 30,3% de los españoles apoyan una unión entre los dos países para formar una Federación, aunque la idea es rechazada por más de un 30% de los ciudadanos en ambas naciones.”

A matéria não é nova _ é de julho de 2009, mas só vi hoje.

Mas parece que tem mais português querendo abrir o bico do que espanhol.

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E se a moda pega em latino-américa?  Vocês topariam?  Isso dá…quiz!

Nos últimos meses o crescimento em importância do Brasil vem causando um certo “soul-seeking” em nuestros hermanos além-fronteira.   Textos como esse, por exemplo, têm sido comuns na imprensa argentina:

Brasil ha tenido también una mayor organización estratégica que la Argentina en los últimos 70 años, una mayor continuidad y una mejor apreciación de lo que podían ser las tendencias internacionales. Por ejemplo, mientras la Argentina se alineó con el eje Berlín-Roma en la segunda guerra mundial, Brasil lo hizo con los aliados, básicamente con Estados Unidos. Al finalizar la guerra, ese posicionamiento le dio a Brasil una mejor penetración internacional que le permitió ganar posiciones en el liderazgo latinoamericano, prácticamente monopolizado hasta 1940 por la Argentina.”

Mas é claro que o espírito altivo e orgulhoso dos hermanos teria que dar o troco.  E eis que saem dois artigos bem, digamos, críticos ao Brasil, no jornal portenho La Nacion: um na coluna “La Ciencia Maldita“, intitulado “No somos Brasil: por suerte” da autoria Lucas Llach, um economista que queria ser jogador de futebol; e outro assinado por Julio Sanguinetti, ex-presidente do Uruguai.

Como bem diz o Lucas, o artigo do ex-presidente é mais educado do que o dele.  Exemplo:

Gran marketing el de Brasil. Sus playas están buenas, pero no te dicen que llueve todo el tiempo. Sus legendarias garotas están sobredimensionadas (uso la palabra en un sentido conceptual y físico). Salvo por los licuados, su comida es penosa — la Lonely Planet dice: “From the rice-bean-farofa core, meals go in one of three directions: meat, chicken or fish”. La principal ruta del país (BR-101) tiene más pozos que el lado oscuro de la luna. La corrupción y el clientelismo políticos no son menores que aquí. Y sí, lo digo: su equipo de fútbol es normalmente mejor que el nuestro, pero el de hoy es peor que cualquier selección brasileña que recuerde salvo la del mundial 90.

Um parágrafo que, convenhamos, faz uma crítica até então tentativamente séria (se bem que a comparação do crescimento per capita chileno, brasileiro e argentino é forçada, por razões óbvias) se transformar na tradicional dor-de-cotovelo.  Vamos apresentar o Lucas ao Mainardi?  Pode sair daí uma linda relação.

Já no texto do Sanguinetti, recolho essa frase curiosa:

En el plano de la integración, el Mercosur está absolutamente estancado y no va para ningún lado; ni se han logrado acuerdos externos ni se ha mejorado en la coordinación macroeconómica. Los fallos de los tribunales se cumplen caprichosamente, y el conflicto diplomático entre la Argentina y Uruguay testimonia inequívocamente que el socio mayoritario no ejerce el poder moderador que le impone su condición. Es entristecedor que dos países tan vecinos que nadie de afuera puede distinguir a los ciudadanos de un lado y del otro del Plata esperen la resolución de sus diferencias en un tribunal, en La Haya.” [grifo meu]

Para quem não sabe, Argentina e Uruguai alimentam já há alguns anos um contencioso forte envolvendo a construção de duas fábricas de celulose no Rio da Prata.  O curioso é Sanguinetti se queixar da falta de uma mediação brasileira em assunto tão interno lá deles _ e ao mesmo tempo nos criticar por nos imiscuirmos nos negócios hondurenhos.   É o tal negócio, se ficar o bicho pega, se correr…

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UPDATE:

Fiquei lendo os comentários à coluna do Lucas.  É engraçado como é grande a participação de brasileiros.  Que eu me lembre, não há muitos argentinos comentando em jornais brasileiros.  Bom, talvez houvesse se algum grande jornal brasileiro publicasse um artigo similar sobre a Argentina…

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UPDATE 2:

Agora é que eu vi: e ele continua a série…vou recomendá-lo ao Tio Rei!

Zelaya está na embaixada brasileira em Honduras.

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Imagine só se Honduras, em um rompante, declara guerra ao Brasil.

Eles até que podem entrar na embaixada e arrancar o Zelaya de lá.  O problema é, e nós, vamos fazer o quê?

Nenhum dos 3 caças da licitação chega tão longe.   Só se deslocarem as tropas da missão de paz no Haiti.   🙂

Do Valor de hoje:

França quer bem-estar como indicador

Associated Press14/09/2009 10:18 Texto: A- A+

PARIS – A França pretende incluir a felicidade e o bem-estar entre seus medidores de progresso econômico, disse hoje o presidente Nicolas Sarkozy, conclamando outros países a aderir a uma ” revolução ” no modo como o crescimento é acompanhado após a crise global.

O país vai adaptar as ferramentas estatísticas conforme o recomendado por dois prêmios Nobel que Sarkozy contratou 18 meses atrás para analisar novas maneiras de medir o progresso social. A França – cujo crescimento ficou abaixo de países similares nas últimas décadas, em indicadores padrão – também vai tentar convencer outros governos a mudar o acompanhamento econômico.

O presidente deu as declarações em discurso pelo primeiro aniversário da quebra do banco americano Lehman Brothers. ” Uma grande revolução está esperando por nós. Por anos as pessoas disseram que as finanças eram um criador formidável de riqueza, só para descobrir um dia que isso acumulou tanto risco que o mundo quase caiu no caos ” , disse Sarkozy. ” A crise não só nos deixa livres para imaginar outros modelos, outro futuro, outro mundo. Ela nos obriga a fazer isso. ”

Medir o bem-estar faria a economia francesa – famosa por sua curta semana de trabalho e pelos generosos benefícios sociais – parecer mais promissora.

Sarkozy pediu ao americano Joseph Stiglitz, ganhador do Nobel de Economia de 2001, e ao indiano Armatya Sen, Nobel de 1998, para liderar a análise. Sen ajudou a criar o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, indicador anual de bem-estar social que ajuda a formular políticas internacionais que levem em conta padrões de saúde e qualidade de vida.

O relatório dos economistas, entregue hoje a Sarkozy, recomenda transferir o foco estatístico do Produto Interno Bruto (PIB), que mede a produção econômica, para o bem-estar e a sustentabilidade. Eles defendem que mensurar a renda familiar, o consumo e a riqueza, em vez da produção da economia como um todo, reflete melhor os padrões da vida da população. Atividades fora do mercado, como a limpeza de casas, também devem ser consideradas.

O novo modelo também prega mais importância para a distribuição de renda e riqueza e para o acesso à educação e ao sistema de saúde. Também deve ser considerado se os países estão consumindo em excesso seus recursos econômicos e prejudicando o meio ambiente.”

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Esse papo é antigo, mas que eu me lembre é a primeira vez que um país central leva a idéia a sério.

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Sarkozy: até os conservadores franceses são diferentes…

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Isto me lembra este gráfico que saiu em um estudo recente sobre bem estar comparado:

bemestarvspibpercapita

(clique para ampliar)

É incrível como os países latinos tendem a ser mais “eficientes” que os outros na conversão de recursos em bem estar subjetivo.

As setas azuis comparam diretamente os diferenciais de bem estar e de renda per capita de Brasil e EUA.

Curioso, fui dar uma olhada no que os jornais hermanos falavam sobre a derrota de ontem.   Encontrei uma matéria no La Nacion sobre a violência juvenil em Buenos Aires, motivada pelo uso e abuso de drogas e álcool na noitada portenha.

Aí deparei-me com isto:

Ante las alarmantes cifras de jóvenes intoxicados por alcohol y drogas durante los fines de semana, el gobernador de la provincia de Buenos Aires, Daniel Scioli, elaboró un proyecto para limitar el horario de ingreso y cierre de las discotecas y frenar así el recrudecimiento de la violencia nocturna. La propuesta oficial es que los locales nocturnos cierren a las 5.30. Las autoridades del gobierno porteño también debieron contemplar la posibilidad de adoptar la misma normativa.

5:30 da manhã?  E o impressionante é que os empresários locais reclamam:

Jorge Becco, presidente de la Cámara de Empresarios de Discotecas y Entretenimientos de la Ciudad Autónoma de Buenos Aires (Cedeba), expresó su descontento por el proyecto y fundamentó su postura: “Luego de la tragedia de Cromagnon, el gobierno porteño impuso controles muy duros y los locales los cumplen. No sucede lo mismo en la provincia. Me parece que siempre nos quieren estigmatizar y echar la culpa de problemas que son sociales. Los chicos se emborrachan antes de entrar a bailar, porque la mayoría no tienen el poder adquisitivo para hacerlo dentro del local”.”

Na boa: hoje em dia não saio tanto, mas minha impressão continua sendo a de que achar um lugar aberto em Brasília após as 2:00 da manhã é uma proeza.  Já perambulei por algumas cidades européias e norte-americanas de madrugada também e por lá, pelo que pude constatar, a coisa também não é muito fácil.   Depois os hermanos reclamam…

23venezuela

Reportagem do UOL destaca a vitória da venezuelana Stefania Fernandez no concurso Miss Universo 2009.  Pior, uma venezuelana havia ganho o concurso ano passado.  Pior ainda, duas brasileiras concorriam no certame de 2009: Larissa Costa, Miss Brasil 2009, e Mariana Valente, que competiu pelo Canadá.  Ou seja, fomos duplamente humilhados, nós que não vencemos desde 1968!

Isso aí o Lula não vê, só fica reclamando de basezinhas americanas na Colômbia!

Deu na Folha:

Filha de Allende pede que Brasil abra arquivos

Isabel Allende, filha do presidente chileno Salvador Allende, pede por meio de página no Twitter que o Brasil divulgue arquivos que esclareçam o papel do país no golpe militar do Chile, em 1973, no qual seu pai morreu.

No domingo, a Folha revelou que documentos do Departamento de Estado dos EUA relatam que, em conversa com o colega americano Richard Nixon, o presidente Emílio Médici afirmou que “estava trabalhando” para derrubar o governo de Allende.

Segundo os papéis, o encontro ocorreu na Casa Branca em 1971.

Isabel, hoje deputada no Chile, solicitou que o presidente Lula torne públicos documentos que permitam conhecer a verdadeira história das intervenções na América Latina nos anos 70.

Segundo um funcionário do governo brasileiro, esses documentos podem já estar em domínio público, ainda arquivados ou até mesmo terem sido destruídos na ditadura.”

Também tenho curiosidade.

Entrevista de 2a da Folha de Sum Paulo com o economista Martin Carnoy, que veio ao Brasil lançar seu novo livro, “A Vantagem Acadêmica de Cuba”, onde analisa de forma comparativa os sistemas de ensino de Brasil, Chile e Cuba.  Apesar do título, se espantará quem acreditar que Carnoy é um “esquerdinha”.  Especialmente decepcionados ficarão os sindicalistas…

Exemplo:

“FOLHA – O que do modelo cubano não pode ser transposto considerando que Cuba vive sob ditadura?
CARNOY
– Há, de fato, uma falta de criatividade [no ensino]. Não se pode questionar, ser contra a Revolução. Mas as crianças sabem que estão aprendendo o esperado. São bons em matemática, sabem ler bem e aprendem muita ciência, mesmo nas escolas rurais ou de bairros urbanos de baixa renda. O Brasil tem a capacidade de enfrentar esses problemas [ter crianças bem nutridas, com bom atendimento médico]. Por que em uma sociedade com uma renda per capita que não é tão baixa não se faz isso? Acho que tem de ser construído um sistema de supervisão, com pessoas capazes de ensinar e treinar novos professores a ensinar. Os professores no Brasil estudam muito linhas de pedagogia e menos como ensinar. Podem esquecer tudo aquilo de Paulo Freire, um amigo. Devem ler sua obra como exercício intelectual, mas queremos que professores saibam ensinar.”

Abaixo do fold, na íntegra.

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Deu no Valor:

Argentina estatiza futebol pela TV

O governo argentino está prestes a fechar um pacote de ajuda aos clubes de futebol do país, por meio da compra dos direitos de transmissão das partidas pela televisão. O plano busca tirar o futebol argentino de uma profunda crise, que já causou o adiamento do início campeonato local.

Anteontem à noite, a Associação de Futebol da Argentina (Afa) anunciou o rompimento do contrato com a empresa TSC, que detinha os direitos de transmissão dos jogos do campeonato argentino. A TSC é uma sociedade entre a Torneos y Competencias (empresa de eventos esportivos) e o grupo de mídia Clarín, que edita o maior jornal do país.

Segundo a imprensa argentina, o governo de Cristina Kirchner ofereceu ontem US$ 158 milhões por ano pelos direitos de transmissão, o dobro do que a Trisa vinha pagando. O acordo final, válido por dez anos, deve ser anunciado hoje, durante um encontro entre o presidente da Afa, Julio Grondona, e a presidente Cristina.

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Se a Argentina anda tendo que estatizar até o futebol, é porque a coisa vai mal mesmo.   Só falta botarem o Maradona como Ministro dos Esportes…

Como todo republicano careta, o Governador da Carolina do Sul, Mark Samford, tinha seu esqueleto no armário. No caso dele, um affair extraconjugal com Maria Belen Chapur, uma jornalista argentina.

O causo foi descoberto porque quando Maria Chapur envolveu-se com Samford, namorava um outro sujeito.  O sujeito, porém, vigiava os e-mails da namorada e, ao descobrir que era corneado, enviou-os para um jornal norte-americano.  E pimba.

Até aí, enfim, tudo bem, mas o curioso mesmo é como o Brasil teima em se envolver com os escândalos de governadores norte-americanos.  Pois os e-mails comprometedores foram escritos enquanto a mouça estava com o namorado em Ilhabela, no litoral paulista, ao que parece por causa de uma regata promovida pela Rolex:

From: Maria

Sent: Friday, July 04, 2008 4:26 PM

To: Mark Sanford

Subject: RE:

My beloved, (hope you also change the dearest …)

I’am (sic) reading your last two mails sitting outside with a great seaview here in Ilhabela, a beautiful island near Sao Paulo. Have been thinking of you while watching the beautiful blue sea (a) great part of my day and remembering with a great smile on my face, the time we had spent together. (…)”

***

“From: Maria

Sent: Wednesday, July 09, 2008 8:14 PM

To: Mark Sanford

Subject: RE:

My love,

I decided to rent a car and went by myself to the other side of the Island where it is located one of the best hotels. It’s name is DPNY Hotel and I find it quite interesting. I had lunch there in a restaurant on the beach with great seaview. I sat under a palm and ate a mixed green salad with grilled abacaxi (pineapple) and honey. in the afternoon I sunbathe and read on the beach. I ve started here “The age of turbulence” from Alan Greenspan which I highly recomend (sic) you. At five I left back to the small town had a coffee with pao de queijo (cheese bread which is something tipycal (sic) from Brazl (sic) and it’s delicious) read some magazines, walked around and finally back to meu Pousada that is hotel.

In the Island is taking place the sailing week and Rolex competition and this was the reason for choosing the place and also why luckily I am most of the time by my own. It may sound bad but it’s how I feel it. As I told you I shouldn’t have done this trip but I would have felt worst if I wouldn’t have come because it was too over the date, he is a very nice guy, great heart … but unfortunately I am not in love with him …

Posso imaginar que ler uma coisa dessas é um golpe duro para qualquer sujeito, ainda mais um argentino.  Imagine, o cara lá, no veleiro, lutando contra os elementos, e a mulé mandando e-mails sebosos para o gringo.

Razão pela qual os vídeos no YouTube estão recebendo calorosas mensagens como essa:

Argentina is a ‘little Europe’ in South America!!! We dont want your fucking GreenCard, we don’t cross borders ILLEGALLY, we did not a VISA to enter USA. We are more than 5,000 fucking miles away, for God’s sake!!! THere are more Americans getting Argentine citizenship than the othe way round, fucking redneck!!!

WTF, redneck!!! We Argentineans have nothing to do with Mexicans!!! Argentina is a 97% White country, and we don’t even understand Mexicans when they speak since we speak different Spanish!!! Go to school, redneck!!!

Nada como uma boa putaria para fazer aflorar o lado mais obscuro das pessoas, não é mesmo?

***

Um curioso artigo de Sanford, durante as eleições americanas.

Tive uma pendenga com um Sr. de couro muito fino neste blog transatlântico, por indicação da blogueira do Angustiada Consciência.  Não vou me alongar com a história, quem tiver paciência que vá lá ler.  Vocês vão se surpreender.  🙂

Como mesmo no brejo mais miasmático e pestilento às vezes floresce um lírio, este post do O. Braga tem um link para um texto muito interessante sobre a história do iberismo.  Confesso que apesar de conhecer _ sem ter lido _ a obra “A Jangada de Pedra” do José Saramago, desconhecia o seu lado iberista, inclusive seus textos sobre o assunto.

E, embora não tenha encontrado nenhuma referência a este tema no blog do Saramago, descobri a existência de uma entrevista de julho de 2007, ao jornal português Diário de Notícias, que foi extremamente polêmica em Portugal.  Nela, Saramago reafirma sua profissão de fé no iberismo:

Não sou profeta, mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha”

por JOÃO CÉU E SILVA  15 Julho 2007

Este foi o regresso mais longo de José Saramago a Portugal desde que a polémica que envolveu a candidatura do seu livro O Evangelho segundo Jesus Cristo ao Prémio Literário Europeu o levou para um “exílio” na ilha espanhola de Lanzarote. A atribuição do Prémio Nobel parece tê-lo feito esquecer essas mágoas, mas não amoleceu a sua visão da sociedade e da História, que continua a ser polémica. Como se pode ver nesta entrevista.

Durante dois dias, o Nobel da Literatura português sentou-se no sofá e analisou o estado do mundo.

Na única entrevista que concedeu durante a temporada passada na sua casa de Lisboa, falou muito de política, mais de literatura e também da vida e da morte. Pelo meio ficou o anúncio da criação da fundação com o seu nome e a revelação de que está a escrever um novo livro.

A união ibérica

Este regresso a Portugal é um perdão?

O país não me fez mal algum, não confundamos, nem há nenhuma reconciliação porque não houve nenhum corte. O que aconteceu foi com um governo de um partido que já não é governo, com um senhor chamado Sousa Lara e outro de nome Santana Lopes. Claro que as responsabilidades estendem-se ao governo, a quem eu pedi o favor de fazer qualquer coisa mas não fez nada, e resolvi ir embora. Quando foi do Prémio Nobel, dei uma volta pelo país porque toda a gente me queria ver, até pessoas que não lêem apareceram! E desde então tenho vindo com muita frequência a Lisboa.

Vive num país que pouco a pouco toma conta da economia portuguesa. Não o incomoda?

Acho que é uma situação natural.

Qual é o futuro de Portugal nesta península?

Não vale a pena armar -me em profeta, mas acho que acabaremos por integrar-nos.

Política, económica ou culturalmente?

Culturalmente, não, a Catalunha tem a sua própria cultura, que é ao mesmo tempo comum ao resto da Espanha, tal como a dos bascos e a galega, nós não nos converteríamos em espanhóis. Quando olhamos para a Península Ibérica o que é que vemos? Observamos um conjunto, que não está partida em bocados e que é um todo que está composto de nacionalidades, e em alguns casos de línguas diferentes, mas que tem vivido mais ou menos em paz. Integrados o que é que aconteceria? Não deixaríamos de falar português, não deixaríamos de escrever na nossa língua e certamente com dez milhões de habitantes teríamos tudo a ganhar em desenvolvimento nesse tipo de aproximação e de integração territorial, administrativa e estrutural. Quanto à queixa que tantas vezes ouço sobre a economia espanhola estar a ocupar Portugal, não me lembro de alguma vez termos reclamado de outras economias como as dos Estados Unidos ou da Inglaterra, que também ocuparam o país. Ninguém se queixou, mas como desta vez é o castelhano que vencemos em Aljubarrota que vem por aí com empresas em vez de armas…

Seria, então, mais uma província de Espanha?

Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla la Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar. O Ceilão não se chama agora Sri Lanka, muitos países da Ásia mudaram de nome e a União Soviética não passou a Federação Russa?

Mas algumas das províncias espanholas também querem ser independentes!

A única independência real que se pede é a do País Basco e mesmo assim ninguém acredita.

E os portugueses aceitariam a integração?

Acho que sim, desde que isso fosse explicado, não é uma cedência nem acabar com um país, continuaria de outra maneira. Repito que não se deixaria de falar, de pensar e sentir em português. Seríamos aqui aquilo que os catalães querem ser e estão a ser na Catalunha.

E como é que seria esse governo da Ibéria?

Não iríamos ser governados por espanhóis, haveria representantes dos partidos de ambos os países, que teriam representação num parlamento único com todas as forças políticas da Ibéria, e tal como em Espanha, onde cada autonomia tem o seu parlamento próprio, nós também o teríamos.

Há duas Espanhas

Os espanhóis olham-no como um deles?

Há duas Espanhas neste caso. Evidentemente, tratam-me como se fosse um deles, mas com as finanças espanholas ando numa guerra há, pelo menos, quatro anos porque querem que pague lá os impostos e consideram que lhes devo uma grande quantidade de dinheiro. Eu recusei-me a pagar e o meu argumento é extremamente simples, não pago duas vezes o que já paguei uma. Se há duplicação de impostos, então que o governo espanhol se entenda com o português e decidam. Eu tenho cá a minha casa e a minha residência fiscal sempre foi em Lisboa, ou seja, não há dúvidas de que estou numa situação de plena legalidade. Quanto aos impostos, e é por aí que também se vê o patriotismo, pago-os pontualmente em Portugal. Nunca pus o meu dinheiro num paraíso fiscal e repugna-me pensar que há quem o faça. O meu dinheiro é para aquilo que o Governo entender que serve.

Mas não pode negar que o olham como um deus…

Não diria tanto…

Mesmo sendo a crítica espanhola tão positiva em relação à sua obra?

Também já foi uma ou outra vez um pouco negativa – talvez devido às minhas posições políticas e ideológicas – mas de um modo geral tenho uma excelente crítica em toda a parte, como é o caso dos EUA, onde é quase unânime na apreciação da minha obra.

***

Isto tudo me lembra o debate sobre o acordo ortográfico, sobre o qual escrevi alguns posts.  No primeiro deles, concluí o seguinte:

Sem querer ser indelicado para com nossos irmãos portugueses, me parece que a adoção do Acordo é realmente o melhor caminho para Portugal. Diz a Wikipedia que existem 215 milhões de falantes da língua portuguesa; em assim sendo, o Brasil concentra portanto entre 87% (estimativa populacional IBGE) e 89% (estimativa CIA Factbook) dos falantes do português no mundo. Já Portugal tem pouco mais de 10 milhões de habitantes. Embora eu seja um grande defensor da visão linguística/evolucionária dos idiomas em detrimento da visão gramatical/normativa, me parece que do ponto de vista econômico não há muita dúvida de que o Brasil será o grande centro de gravidade da língua portuguesa até onde a vista alcança. E embora eu concorde que encarar as modificações vá ser um pé no saco para a atual geração, isto não é insuperável. Já tivemos reformas ortográficas, eu mesmo passei por uma, e acho que isto é coisa que se resolve no máximo em uma geração, com amplos benefícios, creio eu. Digo isto porque recentemente tive que adaptar um texto volumoso do português de Portugal para o brasileiro e posso dizer, de cátedra, que trata-se de tarefa apenas aparentemente fácil.

Retorno ao tema porque diante da questão do iberismo ficou-me a dúvida: para os portugueses, a idéia de uma união com a Espanha será mais ou menos natural do que uma união com o Brasil?  Pergunto porque na questão do Acordo ficou evidente que há um medo de que Portugal seja absorvido pela cultura brasileira.

Me parece, assim, que há quatro caminhos para Portugal:

a) isolar-se;

b) integrar-se à Espanha;

c) integrar-se à Europa;

d) aproximar-se ao Brasil.

A saída a) me parece impossível.  A saída c) não me parece suficientemente independente de b), por motivos que ficarão mais claros a seguir.  Então, creio que só existam b) e d).

Levando em consideração que só em 2007 foi inaugurado um vôo ligando as capitais do Brasil e de Portugal, porém, me parece que as realidades culturais talvez se imponham e Portugal se transforme mesmo em província espanhola.  Aliás, as realidades econômicas já parecem apontar para isso, segundo os dados do CIA Factbook sobre os principais parceiros comerciais de Portugal.  O Brasil sequer aparece como um dos principais parceiros, seja na importação seja na exportação:

Exportações portuguesas:

  • Espanha 27.1%
  • Alemanha 12.9%
  • França 12.3%
  • Reino Unido 5.9%
  • Estados Unidos 4.8%
  • Angola 4.5%
  • Itália 4%

Importações portuguesas:

  • Espanha 29.5%
  • Alemanha 12.9%
  • França 8.4%
  • Itália 5.2%
  • Holanda 4.6%

Já a Espanha é de longe o principal parceiro comercial português, mais importante mesmo do que as grandes powerhouses da União Européia (Alemanha e França), o que indica um grau de integração intra-ibérica que vai bem avançado.

mulher-india-bonita-de-jose-santiago1

Índia paraguaia vem me enfeitiçar com o teu luar,
O luar que eu vi, que brilhava em ti, neste teu negro olhar.

Deu no Estadão:

Aparece 3º suposto filho do presidente do Paraguai

Minha intuição me diz que a crise política do país hermano estará em breve resolvida.

É provável que 2/3 da população seja composta por filhos, netos  e bisnetos do Bispo Lugo.  Não precisa nem de Assembléia Constituinte para mudar a Constituição.

tango1

O último tango?

Clusterstock informa que parte do, er, “brain drain” estaria  indo para… a Argentina.  Especialmente, ex-banqueiros de Wall Street:

Investment Bankers Fleeing To Buenos Aires

Spencer Morgan, who writes highly entertaining profiles of New Yorkers for the Observer, tracks down a lost flock of investment bankers in, of all places, Buenos Aires.

From the Observer:

FOR THE LAST four years, up until a week ago, David Webb worked at Goldman Sachs. In January he spent two weeks hanging loose in Buenos Aires. He was also there checking out real estate investment opportunities. A friend of Mr. Webb’s had told him to come down and have a look. Within a day of arriving, he found himself dealing with more New York bankers than he does in New York.

“You’d start the day at a park and then run into five former bankers, and then you’d wind up at a bar and all of a sudden there would be 15 of them,” Mr. Webb said. “Ex-bankers, ex-traders, Lehman guys, Bear guys, everyone. Guys that got screwed by their job and came to a place where everything was cheap. It’s fuckin’ beautiful and the sun was going down at 9:30.”

He said that some of these young bucks, most of whom hail from New York and London, have embraced their new lives. But for most, with a few drinks comes a fountain of griping and grumbling, bonuses, bonuses, bonuses. Mr. Webb fled to Uruguay for a few days.

It’s a beautiful piece, complete with seduction by a tattooed heroine, an Ivy League education, a rise and fall at Goldman Sachs and the inevitable firing amidst the depression 2.0.

A matéria gerou vários comentários curiosos.  Por exemplo:

Don’t cry for them Argentina…. the truth is they never liked you… i.e. these are the same guys who shorted your bonds and tanked your economy.. unless they’re there on the equivalent of an H1-B program for Gauchos boot them out… let them see the future..in Venezuela!!

Ou,

Don’t forget the end of the story — Butch Cassidy & Sundance Kid were eventually gunned down in Bolivia. You can run but you can’t hide….

Mas o prêmio vai para:

We should act quickly to change the immigration laws to prevent these “young bucks” from returning to the USA to cause further economic damage through the exercise of their “talent”.

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Braaaaiiinnnnnnssssssssssss!

Deu no Estadão (em um texto com similaridades estilísticas ao The Onion):

Fidel Castro é visto caminhando pelas ruas de Havana
Ex-ditador que não aparece publicamente há dois andava devagar e acenou para cubanos, contam testemunhas

HAVANA – O ex-presidente cubano Fidel Castro foi visto andando devagar, com trajes esportivos, nas ruas de Havana há cerca de duas semanas, contaram testemunhas à agência France Presse. “Eu o vi muito bem. Ele caminhava pausadamente, mas em um bom passo. É um feito, o homem está em forma”, disse sob anonimato um morador do bairro de Jaimanitas. Segundo relatos, o ex-líder, que não faz aparições públicas há dois anos, saudou alguns cubanos.

Os rumores sobre aparições do recluso ex-presidente circulam há dias em Cuba, desde que o chefe de Estado venezuelano Hugo Chávez revelou que o líder comunista de 82 anos havia saído para caminhas nas ruas da capital da ilha. “Fidel saio caminhando por Havana. Um milagre, as pessoas choravam”, disse Chávez, acrescentando que o cubano “assegurou” que o episódio não fosse gravado .”

***

Será que é caso para exorcismo?

Eis a prova de que a ironia, esta incompreendida, não sobrevive ao transporte entre línguas mesmo estreitamente aparentadas.  Lembram do meu post “Primeirão!“?  Pois o rapaz ali citado respondeu:

Saludos!

Por casualidad me encontré con este blog y esta charla acerca del nombre HERMENAUTA donde, además de citarme textualmente aclaran que mi intención es la de “usurpar” la marca o el nombre.
Por mi parte les puedo decir:
El nombre HERMENAUTA lo ideé el año 2002 a partir de las ideas y conceptos que se mencionan en Myspace (www.myspace.com/hermenauta), tomando como inspiración el nombre de El Eternauta (obra narrativa y gráfica clásica de la Argentina), y drl concepto de Hermenéutica procedente de la vieja Grecia. Al adoptar este nombre como título para lo que será una obra personal y luego un proyecto de banda musical, me puse a investigar acerca de su alcance en la web y, fue sorpresivo saber que nuestro nombre ya existía dentro de algunos círculos intelectuales y literarios, y más aun formaba parte del ideario de la obra de Antonio Polo en su libro “La Vida En Hermenauta”, donde el nombre remite a un lugar.
Ahora bien, sin el más mínimo ánimo de hacer polémica sobre el tema ni reclamar derechos… me parece que el nombre ya tiene bastante recorrido antes de mi iniciativa acá en Chile y la de Uds en Brasil… y considero un poco desafortunado el comentario acerca de que nuestra intención acá es la de “apenas usurpar” la marca o lo que sea que Uds llamen Hermenauta.
Les deseo suerte en lo suyo….
Gracias
Jaime Daire
HERMENAUTA – CHILE

***

Na verdade eu já conhecia o livro “La Vida En Hermenauta”, mas de buscas no Google.  Eu realmente “inventei”, ou pensei ter inventado, o nome “Hermenauta” _ o que não é nenhum grande feito de linguagem, por sinal.

Jaime, se você voltar aqui e ler isso, acredite, o post era apenas irônico, e a “acusação” feita a você um gracejo, seja lá como se diga isso em argentino.  Abraços!

salar-espejo21

Mas quem é que precisa de lítio, afinal? _ clique para ampliar

OK, acho que em breve teremos uma chance de observar uma “experiência natural” em termos de teorias da conspiração.

Talvez alguns dos 4,5 leitores aí já tenham ouvido falar de coltan.  Bem, o coltan é o apelido para um minério denominado colombo-tantalita.  A graça do coltan é que é dele que se extrai o tântalo, um metal fartamente usado na fabricação de elementos eletrônicos essenciais para o funcionamento de vários equipamentos eletrônicos, inclusive telefones celulares.  A despeito do fato que o tântalo é produzido em uma porrada de lugares, inclusive o Brasil, o fato de que 25% das reservas conhecidas estão no Congo causa um grande mal estar nas partes mais civilizadas do mundo, justamente pelo fato de que a guerra civil que volta e meia estoura naquelas paragens é motivada, entre outras coisas, pelo controle das minas de coltan.  Isso evidentemente já criou uma indústria de ONG´s que denunciam o envolvimento estrangeiro no Congo porque as multinacionais estão, bem,  de olho no tântalo dos negões.

A beleza da coisa é aqui do outro lado do Atlântico desenrola-se o embrião de uma situação análoga.   A nossa amiga Bolívia calhou de ser presenteada pelo Altíssimo com as maiores reservas de lítio do mundo, e ocorre que o lítio é um elemento importantíssimo não só para dar um jeito nos companheiros maníaco-depressivos como também para produzir baterias de alta performance, que são o coração do funcionamento de uma verdadeira panóplia de gadgets _ e também, espera-se, do carro elétrico, ou seja uma parte importante da nascente indústria das energias alternativas.

OK, problemas resolvidos e alegrias para todos _ não fosse o fato de que a Bolívia pretende se tornar “a Arábia Saudita do lítio”, segundo matéria no NYT de hoje:

“We know that Bolivia can become the Saudi Arabia of lithium,” said Francisco Quisbert, 64, the leader of Frutcas, a group of salt gatherers and quinoa farmers on the edge of Salar de Uyuni, the world’s largest salt flat. “We are poor, but we are not stupid peasants. The lithium may be Bolivia’s, but it is also our property.”

Seria ruim se apenas o mundo livre, consumista e sassaricante sobre rodas estivesse a ponto de trocar a cruz pela caldeirinha, isto é, o monopólio árabe pelo monopólio quétchua.  Mas nada é tão simples, e como se diz, tudo sempre pode piorar:

“Of course, lithium is the mineral that will lead us to the post-petroleum era,” Mr. Castro said. “But in order to go down that road, we must raise the revolutionary consciousness of our people, starting on the floor of this very factory.

Os nossos anaeróbicos de plantão podem parar de segurar a respiração, já que o “Mr. Castro” aí não é o barbudo da amaldiçoada  ilha caribenha, mas sim Marcelo Castro, gerente da fábrica de beneficiamento dos sais de lítio que o governo boliviano, através da Comibol, construiu.  Porém, enquanto os bolivianos pensam em como usar o lítio para despertar a consciência revolucionária do seu povo, a reportagem mostra que outros países que também possuem lítio estão passando à frente do país das cholas:  a China já se tornou o maior fornecedor de lítio do planeta, explorando os sais de lítio existentes no…Tibete.  Alguém deveria se perguntar porque diabos o Criador resolveu botar o lítio em lugares tão desprovidos de problemas.

E na verdade existem bolivianos preocupados com isso:

Juan Carlos Zuleta, an economist in La Paz, said: “We have the most magnificent lithium reserves on the planet, but if we don’t step into the race now, we will lose this chance. The market will find other solutions for the world’s battery needs.”

Não que não haja quem ficasse feliz da vida se os salares bolivianos continuassem exatamente do jeito que são hoje.

E na boa, eu acharia ótimo.

***

UPDATE:

O Sêo Pedro Dória escreve mais a respeito disso, aqui.

A Agência para a Modernização Administrativa, criada em Portugal em 2007, tem por missão “desenvolver, coordenar e avaliar medidas, programas e projectos nas áreas de modernização e simplificação administrativa e regulatória, de administração electrónica e de distribuição de serviços públicos, no quadro das políticas definidas pelo Governo“.  Cheers!  Tais iniciativas são sempre bemvindas, claro.

O logotipo da Agência é o seguinte:

amalogo

Nota-se a intenção do designer: mostrar a modernização administrativa, representada pela gradual transformação dos tipos que formam o logotipo, de uma letra cursiva para uma letra digitalizada.  Uma boa idéia, certo?

Bom, segundo o Nick Carr, nem tanto:

Where did the pixels go? Not so long ago, you couldn’t look at type on a computer without seeing the ghost of the screen’s pixel grid behind it. But as screen resolutions have improved (thank you, Moore’s Law), pixels have become at once far more plentiful and far less visible. Indeed, the pixel has all but disappeared. Look hard at what you’re reading: Can you see one?

Ou seja, o logotipo da AMA devia ser invertido…ou nem isso:

So what’s left for the once-mighty pixel? “It’s likely that the pixel’s final and most enduring role will be a shabby one, serving as an out-of-touch visual cliché to connote ‘the digital age.’

Ontem peguei um vôo de Lisboa para Brasília.  O aeroporto de Lisboa vem passando por profundas reformas, tudo bem.  Mas foi a primeira vez em minha vida em que peguei um “finger” de aeroporto para entrar em um ônibus.

A latinidade em festa

E não percam a cobertura completa, flexível e sem furos que Sergio Leo vem fazendo do complicado processo de negociação, no Mercosul, do REGULAMENTO TÉCNICO MERCOSUL PARA PRESERVATIVOS MASCULINOS DE LÁTEX DE BORRACHA NATURAL.

O homem está fazendo barba, cabelo e bigode, em matéria de reportagem, e o que é mais importante, ao que eu saiba ele não chupou a matéria de ninguém. 🙂

Quem acha que Rafael Correa do Equador é um terrorista ensandecido não perde por esperar.  Deu na Folha:

Indígenas pedem levante contra presidente Correa

O movimento indígena equatoriano de oposição convocou ontem outros setores para organizar um levante contra o presidente Rafael Correa, diante de um impasse quanto à exploração de recursos naturais.
O presidente afirmou que o Estado continuará a decidir sobre a exploração de petróleo ou de minérios em seus territórios e que não aceitará que as comunidades tenham esse poder.

Marlon Santi, chefe da Conaie (Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador), disse que a instituição pode se organizar para defender a soberania alimentar.

***

O Equador tem um movimento indígena fortíssimo.  Inclusive, os indígenas são maioria dentro do Exército equatoriano e tem larga tradição castrense.  Vai ser de fazer Evo Morales parecer um líder sensato e prudente.

***

Não deixa de ser interessante assistir a esta ressurreição indígena na América do Sul, mais de 500 anos após a descoberta do continente e conquista dos povos nativos.  Por mais que se esperneie, a coisa é previsível, depois de tanto tempo de domínio das elites criollas, as quais, apesar do nome, são formadas pelos descendentes brancos dos colonizadores.  E a coisa está acontecendo em vários quadrantes, desde a política, até a língua e mesmo a religião.

***

E em um último backlash contra os pilares da civilização ocidental, revelou-se recentemente que os crânios de cristal presumidamente maias que inspiraram o mais novo e possivelmente (espera-se…) último filme da franquia “Indiana Jones” são uma elaborada fraude.  Feita por um francês. É a vingança de MontezumáLa merde!

Seremos um imenso Portugal?

“Já se encontra disponível o mais recente Flash Report publicado pelo OberCom. O presente relatório faz uma caracterização dos Bloguers portugueses e da sua actividade de blogging, nas vertentes de consumidores e produtores de conteúdos da blogosfera, e as suas percepções acerca da credibilidade desses mesmos conteúdos comparativamente com os difundidos pelos mass media.

Com base nos dados do inquérito por questionário ‘A Sociedade em Rede em Portugal 2006’, este Flash Report pretende responder às seguintes questões:

  • Em Portugal, quantos são e quem são os utilizadores e os produtores de blogues?
  • Qual a frequência de consumo e produção de blogues pelos internautas portugueses?
  • O que motiva os internautas a navegar e a interagir na blogosfera?
  • Que credibilidade atribuem aos conteúdos que habitam a blogosfera?
  • Que segmentação temática apresenta a blogosfera.pt?
  • Quais as representações que melhor caracterizam a blogosfera.pt, em termos dos seus conteúdos e autoria desses conteúdos?

De entre as principais conclusões, é de destacar que na dieta de novos media dos portugueses, os blogues são ainda um media de introdução recente e pouco difundido, embora em crescimento. Por outro lado, no que respeita à actividade de blogging (consulta, interacção e produção de conteúdos para blogues), os bloguers portugueses têm maioritariamente um perfil jovem (adolescente e jovem adulto), sendo este perfil mais acentuado entre os produtores de conteúdos de blogues, os quais são maioritariamente indivíduos do sexo masculino, estudantes do ensino secundário e superior; enquanto os bloguers-consumidores revelam um perfil mais heterogéneo, incluindo uma maior proporção de indivíduos adultos mas não idosos, um equilíbrio entre homens e mulheres, e graus de escolaridade mais elevados.

Destaca-se ainda neste estudo a existência de vários traços que diferenciam os bloguers-produtores dos bloguers-consumidores portugueses ao nível quer das práticas de blogging quer das percepções sobre a blogosfera. Enquanto que na percepção dos bloguers-consumidores a vertente da agenda noticiosa dos mass media tem uma expressão muito significativa e marca notoriamente a blogosfera, os bloguers-produtores encaram preferencialmente a blogosfera como um espaço composto por linkblogs e lifelogs.

Ainda em contraste, entre os bloguers-produtores sobressai de forma mais acentuada o reconhecimento da blogosfera como um mundo de vozes e autorias plurais, que se consome de forma intensa mas fluida como um contínuo entre modalidades de webjournalism, linklogs e lifelogs, e onde se entrecruzam agendas públicas e privadas. São, também, os bloguers-produtores que atribuem maior grau de credibilidade à informação veiculada nos blogues, o que seria expectável devido ao próprio investimento pessoal que lhe dedicam, e são aqueles que mais utilizam a Internet nas suas várias vertentes como meio de informação e meio de entretenimento. Por último, na relação entre os novos media e os media tradicionais, enquanto os bloguers-produtores apresentam dietas online mais diversificadas e intensivas e os bloguers-consumidores são mais intensivos nas duas dietas offline; a televisão surge para ambos como um denominador comum na estrutura dos consumos mediáticos que é um dos traços mais marcantes da própria sociedade portuguesa.”

Relatório completo aqui [PDF].

Interessante entrevista com o brasileiro que é o rei da soja no Paraguai, no Valor de hoje:

Brasileiro é o rei da soja no Paraguai

O catarinense Tranquilo Favero, 70, radicado há 40 anos para o Paraguai, onde se tornou o maior produtos de soja e um dos maiores proprietários de terra

Com uma calculadora barata, movida a energia solar, Tranquilo Favero, um catarinense odiado e admirado no Paraguai faz as contas de quanto deve faturar este ano só com soja. “De soja, esperamos negociar 480 mil toneladas, o que dá uns US$ 190 milhões. De produção nossa, esperamos ter mais umas 135 mil toneladas, o que dá cerca de US$ 50 milhões.”

Aos 70 anos de idade, Favero se apresenta e é reconhecido no Paraguai, para onde se mudou há 40 anos, como o maior produtor individual de soja do país.

Suas terras para agricultura mecanizada chegam a 45 mil hectares – o que, mesmo para padrões brasileiros, é uma imensidão. Um dos maiores produtores de soja do Brasil, o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi planta 130 mil hectares de soja. Favero ainda tem mais terras onde mantém 45 mil cabeças de gado, mas ele não revela a extensão.

“O Paraguai tem 17 departamentos e em 13 deles eu tenho propriedades com soja, milho, trigo, canola, girassol, sorgo, com gado e com silos, 18 silos no total.” Além de vender o que planta, o Grupo Favero – do qual Tranquilo é presidente e que reúne nove empresas – comercializa soja que compra de outros produtores.

A soja é o principal item da pauta de exportações do Paraguai atualmente. Segundo Favero, este ano o país terá uma produção de 7 milhões de toneladas – o que dá quase 1.000 kg per capita. Com a tonelada a US$ 400, serão US$ 2,8 bilhões em divisas. “Isso representa entre 60% e 70% das divisas que entram no Paraguai”, diz ele.

Ao contrário de muitos outros produtores brasileiros – entre 90% a 95% da soja no país está, segundo ele, nas mãos de brasileiros – Favero fala, critica e faz prognósticos sobre a política paraguaia, sobre eleições presidenciais de abril, a corrupção e as dificuldades de produção no país.

“Fernando Lugo vai ganhar. O atual governo é um desastre. E a Blanca Ovelar não tem moral”, diz ele, criticando o governo e apostando em que muita coisa deve mudar no país. Lugo, o ex-bispo da Igreja Católica que deixou a batina para concorrer, lidera as pequisas de intenção de voto. O único candidato, na avaliação do brasileiro, que seria capaz de ameaçar sua eleição é o general da reserva Lino Oviedo.

Lugo conta com o apoio de uma aliança de partidos e movimentos sociais, muitos deles com orientação de esquerda. E, quando era bispo de San Pedro, cansou de criticar Favero acusando-o de contaminar o meio ambiente com as fumigações de pesticidas nas suas extensas plantações de grãos. Favero nega as contaminações. Ovelar é candidata do governo (Partido Colorado) e afilhada política do atual presidente Nicanor Duarte Frutos – de quem Favero é desafeto.

“O meu medo é o fato que Lugo está cercado de uma esquerda comunista que não respeita direitos estabelecidos, propriedade privada”, avalia ele. “O discurso dele [Lugo] não é tão mau. O entorno dele é o que nos assusta. Mas tem o Partido Liberal [tradicional legenda que tem o vice na chapa de Lugo]. Nossa esperança é que os liberais sirvam de freio.”

O restante da reportagem abaixo do fold, para os sem-Valor.

Chamo a atenção para o último parágrafo:

Casado há 50 anos com a brasileira Verônica Comelli, Favero tem três filhas. E seis netos paraguaios. Apesar de ter constituído família no país e de cantar loas à qualidade da terra paraguaia, Favero muitas vezes projeta uma imagem do estrangeiro que enriqueceu sem dar muita atenção para a cultura e valores locais. Uma imagem antipática para muitos paraguaios. Favero fala espanhol fluentemente, mas nem uma palavra de guarani, a segunda língua oficial do país. “Sou criticado publicamente por não falar guarani, mesmo estando aqui há 40 anos. Falo para os meus netos: aprendam língua de povo desenvolvido.

Realmente, o peixe morre pela boca.  🙂

Continue lendo »

Excelente  texto da colunista Maria Cristina Fernandes no Valor de sexta:

Os meigos precisam andar armados

O título acima é a transcrição literal de uma passagem do discurso do ministro extraordinário de assuntos estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, no lançamento do Comitê Ministerial de Formulação da Estratégia Nacional de Defesa. É a partir do documento a ser produzido por este comitê, que, além de Mangabeira, terá a participação do ministros da Defesa, da Fazenda, do Planejamento, e da Ciência e Tecnologia, além dos três comandos militares, que se conhecerão, de fato, as consequências reais do conflito andino sobre as Forças Armadas no Brasil.

Ainda não foi desta vez que a América do Sul se transformou num Oriente Médio, para tomar de empréstimo a retórica do presidente do Equador, Rafael Correa, em seu apelo pela condenação da Colômbia no ataque à soberania de seu país. Mas a ameaça de conflito armado aumentou as expectativas sobre o documento que deve nortear desde a política de recuperação do parque industrial bélico do país até os dogmas da segurança nacional. “O texto deverá refletir a concepção de que que a América do Sul é instável e o Brasil, por isso, precisa de Forças Armadas preparadas”, diz o professor da Universidade Federal de São Carlos e presidente do Centro Brasileiro de Estudos de Defesa, João Roberto Martins Filho.

O discurso de Mangabeira é, até hoje, passados seis meses dos 12 de prazo para a conclusão dos trabalhos do comitê, o único documento oficial sobre a linha de atuação deste grupo sob sua coordenação. De sua íntegra, depreende-se um velado anti-americanismo – “As Forças Armadas Brasileiras não existem para ajudar outra potência a policiar o mundo, elas existem para defender o Brasil” – além de um indisfarçável romantismo sobre a missão ali iniciada: “Às vezes é mais difícil mudar do que morrer. Disposição para mudar é o que a nação agora exige dos seus soldados. E dos civis, o que se espera é que saldem a maior dívida da nação para com as Forças Armadas: a dívida da desatenção”.

Uma parte da fatura está abrigada no projeto de lei do Orçamento que o Congresso reluta em votar. Prevê-se lá um aumento de quase 50% nos recursos destinados às três pastas militares, que devem passar de R$ 9 bilhões. Os parlamentares foram bombardeados no final do ano passado por sucessivas audiências com os comandantes militares que fizeram longos relatos da penúria de suas pastas pelos cortes de repasses iniciados no governo Fernando Henrique Cardoso.

Da Aeronáutica, reportou-se que mais de um terço de seus aviões estão no chão por falta de peças. Do Exército, que sete em cada dez blindados têm mais de três décadas de operação. E da Marinha, que está em litígio permanente por repasses de royalties de petróleo e de laudêmios aquém do que lhes é de direito, que todos os seus 21 navios operam com restrições e que, de seus cinco submarinos, apenas um não tem problemas. O Brasil, segundo esse conjunto de relatos, só estaria em condições de colocar em operação pouco mais de um terço de seu poderio bélico.

“Parece óbvio mas é difícil convencer que não há Estado sem Forças Armadas”, diz o professor do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp, Geraldo Cavagnari. A América do Sul é uma das regiões do mundo de mais baixos gastos militares. E, entre os sulamericanos, o Brasil é um dos países que, proporcionalmente, faz menos investimentos em defesa.

Se isso se justifica, de um lado, por uma tradição pacifista da política externa brasileira que tem mantido o país longe dos conflitos bélicos do continente desde a carnificina promovida, no final do século 19, pela Guerra do Paraguai, por outro, pesa em favor do lobby armado a discrepância entre a reivindicação por uma cadeira no Conselho de Segurança e a reduzida expressão militar do Brasil na região. A presença de tropas brasileiras no Haiti, justificadas, em grande parte, para fazer frente a essa pretensão, não bastaria como plataforma de campanha.

“É um mito este de que o mundo está se desarmando”, diz Cavagnari, apresentando suas estatísticas: a China aumentou seu orçamento militar para US$ 100 milhões, que ainda é um oitavo do que gasta o Pentágono, e a Rússia, depois de Putin, já multiplicou por seis seus gastos que já chegam a US$ 35 bilhões.

No início do seu primeiro mandato, ao propagandear o combate à fome como commodity de sua imagem internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganhou aplausos no mundo inteiro ao anunciar a suspensão da compra de caças em nome da prioridade ao que então se chamava Fome Zero.

De lá pra cá, enfrentou o apagão aéreo, fruto, em grande parte, do desinvestimento nos sistemas de controle da Aeronáutica, já está no seu terceiro ministro da Defesa, e, agora, pode vir a terminar o mandato como o presidente que mais investiu nas Forças Armadas desde o final do regime militar.

Na discussão em torno do documento que deverá nortear a atuação dessas forças reaparelhadas, resta monitorar as pressões contra o que uma fatia dos militares considera excessivo pacifismo da defesa nacional.

São discussões que chegam até mesmo a ventilar uma improvável lei de abate. Os pilotos que monitoram a fronteira amazônica queixam-se de que, ao interceptarem conversas de traficantes nos rádios conseguem, no máximo, se posicionar ao lado dessas aeronaves com ordem de pouso. Não podem usar força pela ausência de aval na política de Defesa Nacional. E é improvável que algum dia possam, pelo risco de vitimarem civis. Mas não surpreenderia se o novo documento, ao contrário do atual, mencionasse o termo narcotráfico.

É um debate que deve ter posições antagônicas, entre petistas e militares, por se dar numa conjuntura de recrudescimento de movimentos de guerrilha fomentados em grande parte por governos de esquerda que pipocam no continente e, dos quais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é considerado interlocutor privilegiado.”


Deu no Valor:

Bolívia quer gás do Brasil para socorrer a Argentina

Uma delegação boliviana virá ao Brasil ainda em fevereiro para tratar de um assunto diplomaticamente complicado. A Bolívia não tem gás para cumprir seu contrato de fornecimento à Argentina e pretende abrir negociação tripartite, envolvendo o Brasil, com o objetivo de acertar uma redução da exportação de gás ao Brasil para aumentar a oferta à Argentina. A medida evitaria o agravamento da crise energética argentina.

Segundo o jornal boliviano “La Razón”, a Bolívia só tem condição de enviar 1,5 milhão de metros cúbicos de gás por dia à Argentina, embora contrato acertado para 2008 fixe o fornecimento mínimo em 4,6 milhões de metros cúbicos.

O governo boliviano tenta organizar uma reunião entre os presidentes Evo Morales, Cristina Kirchner e Luiz Inácio Lula da Silva. No encontro, Morales tentaria convencer Lula a ceder parte do gás a que tem direito em benefício da Argentina. O contrato de venda de gás da Bolívia para o Brasil estabelece a disponilibidade diária de até 30 milhões de metros cúbicos. Desde o terceiro trimestre do ano passado, o país vem usando gás quase no limite contratual.

A Bolívia produz 36 milhões de metros cúbicos por dia. O consumo interno está perto de 6 milhões.

***

Eu só tenho a dizer uma coisa:

MEU MUNDO VOCÊ É QUEM FAZ
MÚSICA, LETRA E DANÇA
TUDO EM VOCÊ É FULLGÁS
TUDO VOCÊ É QUEM LANÇA
LANÇA MAIS E MAIS
SÓ VOU TE CONTAR UM SEGREDO
NÃO NADA, NADA DE MAL NOS ALCANÇA
POIS TENDO EM VOCÊ MEU BRINQUEDO
NADA MACHUCA NEM CANSA

ENTÃO VENHA ME DIZER O QUE SERÁ
DA MINHA VIDA SEM VOCÊ
NOITES DE FRIO

DIA NÃO HÁ
E UM MUNDO ESTRANHO PRÁ ME SEGURAR
ENTÃO ONDE QUER QUE VOCÊ VÁ, É LÁ
QUE EU VOU ESTAR, AMOR ESPERTO
TÃO BOM TE AMAR

E TUDO DE LINDO QUE EU FAÇO
VEM COM VOCÊ, VEM FELIZ
VOCÊ ME ABRE SEUS BRAÇOS
E A GENTE FAZ UM PAÍS
.

bol.jpeg

Lula entregando o Acre.

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