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Deu no Slashdot:

“”India plans to launch its first manned space mission in 2016, moving to become the fourth nation to put a man in space. Space scientists and senior officials of the state-run ISRO are preparing a pre-project report to build the infrastructure and facilities for the mission, estimated to cost a $2.76 billion. ‘We are planning a human space flight in 2016, with two astronauts who will spend seven days in the Earth’s lower orbit,’ Radhakrishnan told reporters at ISRO headquarters in Bangalore. In September, India’s Chandrayaan-1 satellite discovered water on the moon, boosting India’s credibility among established space-faring nations.

Agora uns dados tirados do CIA Factbook:

Ah:

Brasil no “Doing Business”: 129

India no “Doing Business”: 133

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Let the fight begin.

Exhibit A:  Onde foram parar os cortes de impostos da era Bush.

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(clique para ampliar)

Exhibit B: Até Gorbachev tira um sarro do Ocidente.

The real achievement we can celebrate is the fact that the 20th century marked the end of totalitarian ideologies, in particular those that were based on utopian beliefs.

Yet new ideologies are quickly replacing the old ones, both in the east and the west. Many now forget that the fall of the Berlin wall was not the cause of global changes but to a great extent the consequence of deep, popular reform movements that started in the east, and the Soviet Union in particular. After decades of the Bolshevik experiment and the realization that this had led Soviet society down a historical blind alley, a strong impulse for democratic reform evolved in the form of Soviet perestroika, which was also available to the countries of eastern Europe.

But it was soon very clear that western capitalism, too, deprived of its old adversary and imagining itself the undisputed victor and incarnation of global progress, is at risk of leading western society and the rest of the world down another historical blind alley.”

Novo normal by Soros:

In response to the policy challenges presented by the economic crisis and the need to develop fresh approaches to economic theory, a group of top academics, policy-makers, and private sector leaders today announced the creation of the Institute for New Economic Thinking (INET)….

The Institute was established with a pledge of $5 million per year for 10 years from Open Society Institute Chairman George Soros, a long-time critic of classical economic theory, who will fund the effort through the Central European University (CEU).

The Institute will make research grants, convene symposia, and establish a journal. A first conference will be at King’s College, Cambridge on April 9-11. Scholars will explore the implications of the financial crisis for regulatory policy. The first round of research grants will be made before the end of the year to cutting-edge scholars working with leading universities around the world. INET’s Executive Director will be Robert Johnson, an economist with long experience in government, academia, and the private sector….

Speaking in Budapest at the CEU, through which INET will be funded and which will be a hub of the INET network, Soros said, “The entire edifice of global financial markets has been erected on the false premise that markets can be left to their own devices, we must find a new paradigm and rebuild from the ground up. I decided to sponsor INET to facilitate the process. I hope others will join me.” Because he is both an INET benefactor and proponent of a particular theory, Reflexivity, Soros will recuse himself from the grant-making process. “While I hope reflexivity will be one of the concepts examined, there are numerous alternatives to the prevailing dogma that must be explored.” Soros added.”

Para o Oliver Williamson.

Merecido.

“Comprar ou fazer” voltará à moda; “contratos incompletos”, idem.

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E o primeiro Nobel de Economia a uma mulher.  Por um trabalho interessante, a governança dos “commons”.

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Esse Nobel de 2009 tá mesmo muito avançadinho.

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E, depois da Olímpiada carioca, só resta esperar a premiação do Oscar para ver mesmo se os 10´serão os novos 70´…

Do Valor de hoje:

França quer bem-estar como indicador

Associated Press14/09/2009 10:18 Texto: A- A+

PARIS – A França pretende incluir a felicidade e o bem-estar entre seus medidores de progresso econômico, disse hoje o presidente Nicolas Sarkozy, conclamando outros países a aderir a uma ” revolução ” no modo como o crescimento é acompanhado após a crise global.

O país vai adaptar as ferramentas estatísticas conforme o recomendado por dois prêmios Nobel que Sarkozy contratou 18 meses atrás para analisar novas maneiras de medir o progresso social. A França – cujo crescimento ficou abaixo de países similares nas últimas décadas, em indicadores padrão – também vai tentar convencer outros governos a mudar o acompanhamento econômico.

O presidente deu as declarações em discurso pelo primeiro aniversário da quebra do banco americano Lehman Brothers. ” Uma grande revolução está esperando por nós. Por anos as pessoas disseram que as finanças eram um criador formidável de riqueza, só para descobrir um dia que isso acumulou tanto risco que o mundo quase caiu no caos ” , disse Sarkozy. ” A crise não só nos deixa livres para imaginar outros modelos, outro futuro, outro mundo. Ela nos obriga a fazer isso. ”

Medir o bem-estar faria a economia francesa – famosa por sua curta semana de trabalho e pelos generosos benefícios sociais – parecer mais promissora.

Sarkozy pediu ao americano Joseph Stiglitz, ganhador do Nobel de Economia de 2001, e ao indiano Armatya Sen, Nobel de 1998, para liderar a análise. Sen ajudou a criar o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, indicador anual de bem-estar social que ajuda a formular políticas internacionais que levem em conta padrões de saúde e qualidade de vida.

O relatório dos economistas, entregue hoje a Sarkozy, recomenda transferir o foco estatístico do Produto Interno Bruto (PIB), que mede a produção econômica, para o bem-estar e a sustentabilidade. Eles defendem que mensurar a renda familiar, o consumo e a riqueza, em vez da produção da economia como um todo, reflete melhor os padrões da vida da população. Atividades fora do mercado, como a limpeza de casas, também devem ser consideradas.

O novo modelo também prega mais importância para a distribuição de renda e riqueza e para o acesso à educação e ao sistema de saúde. Também deve ser considerado se os países estão consumindo em excesso seus recursos econômicos e prejudicando o meio ambiente.”

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Esse papo é antigo, mas que eu me lembre é a primeira vez que um país central leva a idéia a sério.

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Sarkozy: até os conservadores franceses são diferentes…

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Isto me lembra este gráfico que saiu em um estudo recente sobre bem estar comparado:

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(clique para ampliar)

É incrível como os países latinos tendem a ser mais “eficientes” que os outros na conversão de recursos em bem estar subjetivo.

As setas azuis comparam diretamente os diferenciais de bem estar e de renda per capita de Brasil e EUA.

Barry Eichengreen em entrevista à Agência Estado:

“O  senhor acredita que veremos as importantes reformas no sistema financeiro global ou há o risco de elas serem esquecidas uma vez que a situação se acomode?

Eichengreen – Há esse risco e cada vez mais eu lamento a decisão da administração de Obama de ir adiante com a reforma na saúde. Acho que deveriam ter focado na reforma financeira enquanto todas memórias da crise ainda estão frescas. E o comunicado que tivemos do encontro do G-20 é muito amplo, com princípios gerais, mas que não estão no caminho de ações concretas.”

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Concordo totalmente.

O Paulo do FYI é um cara esquisito:

Recession Politics

Isn’t it a bit funny that the bank meltdown last year happened in September/October? Isn’t it even funnier how that little fact never got correlated to the famous political tool called “October surprise” which is so often used in Presidential campaigns?

I am not saying that the Democrats fabricated the crisis but what happened is that they used it to win the elections. And far from being a harmless political tool, what they did actually increased the severity of the problem big time.

And of course, they were only successful in this endeavor because they had an immense amount of help from their most powerful ally: the Big Media.

I will not be surprised if that a few years from now we see some studies on how the panic instigated by the media was one of the major factors behind the severity of this recession.

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Sei.

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Paulo parece desconhecer essa citação:

“Reality is that which, when you stop believing in it, doesn’t go away.  ~Philip K. Dick”

Vamos ver o que Paulo estava dizendo no dia 17 de outubro do ano passado, só porque Warren Buffet foi comprar ações ali na esquina:

Apparently the doomsayers need to find another cause to adopt. The end of the world pretty much ended this week.”

A lógica do Paulo é a seguinte: havia um certo número de pessoas vendo a crise chegar.  Ele tentou caracterizá-las como loucas.  Depois que a crise chegou, ele passou a achar que foram essas pessoas que criaram a crise.  Parece evidente que Paulo fará tudo que estiver ao seu alcance para não ter que olhar para aquilo que até os grandes conservadores americanos já reconhecem.

Tal é o poder da máquina de distorção da realidade.  Paulo, toma a pílula, Paulo.

red-pill-or-blue-pill

Lula dando um recadinho para Hélio Costa?

Lula quer que empresas adotem Vale Cultura para tirar público da frente da TV

Ao assinar na noite desta quinta-feira (23) o projeto de lei do Vale Cultura, que, se aprovado no Congresso, colocará R$ 50 a disposição dos trabalhadores para gastar com o setor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os brasileiros terão incentivo para assistir a filmes, teatro e dança e não mais estarão condenados a ficar em casa diante da televisão, cuja maioria dos programas ele julga ruins.

“A televisão é um misto de coisas boas e de uma maioria de coisas ruins”, disse Lula em discurso a artistas, intelectuais e profissionais do ramo cultural em São Paulo. “O objetivo da lei é garantir que o povo mais pobre que trabalha possa ter uma contribuição, que não é doação de empresário, porque vai ter isenção de Imposto de Renda. Se o companheiro não tem opção de divertimento, vai ficar em casa vendo televisão, pulando de canal em canal. Com o Vale ele pode fazer mais.“”

Vejam o resto da matéria no UOL.

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Ainda assim tenho muuuuitas dúvidas quanto a esse Vale-Cultura.  Embora eu reconheça que a princípio ele pareça melhor do que o financiamento direto aos produtores de cultura, como se faz nas leis de incentivo.  O problema aqui é óbvio _ o vale cultura deixa a descoberto a questão dos “bens de mérito”, se é que alguém ainda acredita nisso.

A crise é psicológica?  Talvez em Buenos Aires.

Aliás já me disseram que BAS é a cidade com o maior número de psicanalistas per capita em todo mundo.  Um filão.

ON A LONG ENOUGH TIMELINE, THE SURVIVAL RATE FOR EVERYONE DROPS TO ZERO

_ Motto do blog Zero Hedge

Via Tyler Cowen, descubro que o governo do Nepal acaba de criar um “nudge” pra lá de original para combater a corrupção.

Está distribuindo calças sem bolsos para os funcionários dos aeroportos.  A intenção é que assim eles não possam aceitar gorjetas.

Será que conseguiríamos passar uma lei proibindo políticos e parentes de usarem cuecas?

Do blog do Dani Rodrik, um excerto do paper “Preventing Markets from Self-Destruction:The Quality of Government Factor“:

In a state of rage, the mob leader himself, Tony Soprano, with a gun in his hand goes after a low level gang member that has betrayed him and kills him. Usually, he would of course have used an underling for an operation like this, but this time … he is so overtaken by emotions that he forgets the golden rule that mafia bosses should never do any of the dirty work themselves. As it happens, he is seen by an “ordinary citizen” chasing after the victim. This eyewitness goes to the police, not knowing that it is the local mafia leader that he has seen. The “ordinary Joe” tells the police that he is just sick and tired of all the violence in his neighbourhood and that he as a law-abiding citizen wants to help the police to clean up the neighbourhood. When the police commissars show him a bunch of photos of known criminals, he directly identifies the perpetrator – still not knowing who the person he identifies is. After he has left the police station, the police commissars are in a state of joy since they now seem to have what they need to put Tony Soprano behind bars.

In the next scene, the eye-witness is sitting comfortably in what seems to be a middle-class home listening to classical music. A woman his age, probably his wife, is sitting close to him reading the newspaper. Suddenly she starts screaming and then shouts at him to read an article in the paper. The article makes it clear to this honest and law-abiding citizen that the person he has identified at the police station as the perpetrator is the well-known local mafia leader Tony Soprano. The law-abiding citizen then throws himself at the phone, calls the police commissar who’s direct number he has, and in a terrified voice says that he did not see anything and that he will not become a witness.

The interesting thing is the book our law-abiding citizen was reading before his wife showed him the newspaper article. An observant spectator has about one second to see that it is the philosopher Robert Nozick’s modern classic Anarchy, State and Utopia – an icon for all ultraliberal, anti-government and free-market proponents ever since it was published (Nozick 1974).

The message from the people behind the Sopranos show seems clear: In a “stateless” Robert Nozick type of society, where everything should be arranged by individual, freely entered contracts, markets will deteriorate into organized crime. The conclusion is again, that there can be a market for anything as long as there is not a market for everything. Or in other words, if everything is for sale, markets will not come close to what should count as social efficiency.” [grifo meu]

***

Comentem.

Um textinho muito interessante que transcrevo abaixo para os sem-FT.

Ele sumariza de forma absurdamente clara duas bête noires para anaeróbicos de várias extrações: a vantagem que a impressão de dólares dá aos EUA, e porque a região do Golfo é vital para esse país.

Como não poderia deixar de ser, o texto foi escrito por um chinês…

Abaixo do fold:

Leia o resto deste post »

Top 10 Things the Letters “GM” Stands For

10. Got More?

9. Goals missed

8. Giant Mess

7. GO MARX

6. Government Mooch

5. Grossly Mismanaged

4. Got Mechanic?

3. Gasguzzlin’ Monsters

2. Goodbye Michigan!

And the number thing the letters”G” and “M” stands for:

1. Gambled & Missed

(hat tip: Ritholtz)

O Márcio Garcia deu voz, hoje no Valor, a um pensamento que sempre me assalta quando vejo Tio Rei (e tucanos em geral) fazendo diatribes sobre o Banco Central:

Houve manifestações após a decisão do Copom defendendo que o BC deveria, agora, focar exclusivamente em evitar a recessão, deixando de lado a inflação, que não constituiria mais risco. O BC jamais poderia fazer isso. Tem, por dever de ofício, que analisar ambos os riscos, dando prioridade à inflação. Piores foram declarações de próceres do PSDB incitando o presidente da República a intervir na condução da política monetária. É estranho e deplorável que o partido que, no poder, derrotou a hiperinflação e construiu o sistema de metas para inflação, agora pareça empenhado em desmontá-lo.”  [grifo meu]

Talvez ele esteja pensando em declarações como essa:

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), classificou hoje de positiva a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) de reduzir a taxa básica de juros (Selic) de 12,75% para 11,25% ao ano, mas disse que a queda não é suficiente (para a retomada do crescimento).

“Eu achei positivo.Antes tardíssimo do que nunca. Superamos seis meses de inércia nessa matéria. O Brasil perdeu muito tempo e está pagando muito alto pelo fato de esses juros não terem baixado antes. Agora que baixou 1,5 ponto porcentual eu acho positivo. Embora tardíssimo, é melhor do que nunca”, disse ele, após reunir-se no início da noite de hoje com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, no Palácio dos Bandeirantes.

Mas nesse caso é preciso matizar, já que Serra nunca formou mesmo com a banda do PSDB representada por Pedro Malan na Fazenda, durante os anos FHC.

Muito mais grave, a meu ver, do que o manejo da SELIC, é o panorama de falta de concorrência no segmento bancário e os altíssimos spreads que isso acarreta na ponta do consumidor de crédito.

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Via The Blogger, me deparo com a seguinte notícia:

Banco Central quer ensinar à população como identificar dinheiro falso

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Banco Central (BC) pretende disponibilizar este ano material educativo na internet para que a população aprenda a identificar cédulas falsas. Segundo o chefe do Departamento do Meio Circulante do BC, João Sidney de Figueiredo Filho, será “uma auto-instrução”, mas ainda não foi fixada a data para implementação da medida.

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Sinal de que a crise ainda não é tão grave por estas plagas.

Dureza vai ser quando o Banco Central começar a querer ensinar a população a identificar dinheiro de verdade…

O NYT hoje tem uma série de pequenos artigos de economistas sobre “quando será o fim da recessão”.  Roubini ataca com o “eu te avisei”, Alan Blinder oferece platitudes (“a recessão não vai durar para sempre”), Stephen Roach do Morgan Stanley Ásia adverte contra falsas esperanças.

Mas o melhor trecho é este do texto do James Grant:

“WHEN you stop asking,” was the exasperated reply of the broker to the pestering client who asked the same question over and over during the 1974 stock-market crash: When will it end?

Não me entendam mal: é claro que alguns bobocas que conhecemos logo apontarão a imprensa como a raiz de todos os males.  Mas não há dúvida que as expectativas se realimentam, e já estamos na fase em que a crise financeira e a crise real se realimentam _ o que é justamente o ciclo que os pacotes de estímulo mundo afora tentam quebrar.

Em uma matéria do David Leonhardt no NYT  sobre reforma do sistema de saúde americano, deparei-me com o seguinte parágrafo:

When over the past 60 years did the American economy grow fastest? The 1950s and 1960s, when the top marginal tax rate was a now-unthinkable 90 percent. And when over the past generation did the economy grow fastest? The late 1990s, when President Bill Clinton briefly took federal taxes to 20 percent of the G.D.P.”

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Pois é.

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Na Wired.

Nesta sexta, faliu o décimo-quarto banco norte-americano em 2009.

Tombos dos grandes bancos dos EUA hoje:

Bank of America -18%

Citibank -22%

Wells Fargo -18%

A Casa Branca ainda nega a estatização pré-privatização.

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Tenho a impressão que algo além das passistas vai sambar neste carnaval.

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Non pode sê, né?

Deu no Valor de hoje:

Prêmio de risco dos EUA bate recorde

Os prêmios de risco de crédito dos países ricos, que antes da crise financeira internacional ficavam abaixo dos 10 pontos básicos, hoje se aproximam de 100 para o prazo de cinco anos. E a alta mais forte foi recente: seus níveis mais do que dobraram desde o início de dezembro do ano passado, para recordes históricos. No mesmo período, o risco-Brasil não subiu nem 6%. Os spreads de risco de crédito sinalizam a percepção dos mercados sobre a probabilidade de não-pagamento da dívida por um país.
A alta dos prêmios dos países ricos foi tão forte que o risco-Estados Unidos, o risco-Alemanha e o risco-Japão, para citar apenas três países, estão hoje bem acima dos níveis mínimos a que chegou o risco-Brasil, em meados de 2007. O risco-Estados Unidos, que era de 7 pontos em 1º de maio do ano passado, chegou a bater em 94 pontos básicos no dia 17, um aumento de 170% na comparação com os 34,9 pontos do dia 1 de dezembro. Ontem, se manteve elevado, mas caiu para 90 pontos básicos.

E ainda é cedo para saber quem será o destinatário do prêmio “wishful thinking” do ano de 2009, mas Armínio Fraga já é forte candidato:

“”É verdade que temos visto uma piora nos balanços dos governos dos países desenvolvidos, um aumento de grandes proporções na dívida pública e na emissão de moeda para administração da crise”, afirma Armínio Fraga, sócio do Gávea Investimentos e ex-presidente do Banco Central. Mas, segundo seus cálculos, o mercado está projetando uma probabilidade de moratória maior do que 1% ao ano para os EUA, Japão e Alemanha, “o que não parece ser razoável”.

Para ele, o mercado está superestimando a chance de esses países não pagarem suas dívidas .”Essa probabilidade não é tão relevante como sinalizam os números”, diz. Fraga percebeu a puxada e ficou tão surpreso com ela que chegou a citá-la em palestra durante seminário.”

Pacheco, o canalha da repartição, observa que o Gávea deve andar meio chinês, comprado em títulos do Tesouro americano…

A grande notícia da blogoseira econômica d´além mar é que Greg Mankiw aparentemente passou pro lado dos que acham que é preciso estatizar o sistema bancário norte-americano.  Deu na Yves:

Mankiw thus favors nationalization, or what he calls, following Calculated Risk, “pre-privatization”, as the best fudge we can come up with in lieu of having a regulatory/bankruptcy regime that addresses the peculiar nature of large, possibly systemically important, trading organizations.

Então fica combinado:  vamos pré-privatizar o sistema bancário para evitar que o ruminante ungulado se dirija ao terreno pantanoso.

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Cai cai, balão (clique para ampliar)

Variação na capitalização de mercado de alguns dos principais bancos.  Via Ritholtz.

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Porque a estrela da morte está a caminho:

We are facing a Depression that will last 23-26 years. The response of government is going to seal our fate because they cannot learn from the past and will make the same mistakes that every politician has made before them.”

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Agora esta’ explicado

Short Krugman:

By now everyone knows the sad tale of Bernard Madoff’s duped investors. They looked at their statements and thought they were rich. But then, one day, they discovered to their horror that their supposed wealth was a figment of someone else’s imagination.

Unfortunately, that’s a pretty good metaphor for what happened to America as a whole in the first decade of the 21st century.”

Para quem já acompanhou este assunto: gostaria de saber o que Reinaldo Azevedo diria disto.

E isto aqui, que foi onde eu descobri o segundo link, é melhor ainda.

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Para não dizerem que não falei de flores, o Mankiw respondeu ao segundo link.

A Foreign Policy traz um artigo apontando os países que provavelmente serão forçados, por diversos motivos, a trilhar o mesmo caminho da Islândia.  São eles:

  • Inglaterra
  • Latvia
  • Grécia
  • Ucrânia
  • Nicarágua

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Requinte de crueldade: o novo apelido de Londres (“Reykjavik-on-Thames“).

Excelente matéria na Bloomberg falando sobre o estado de espírito em Davos _ que não foi nada bom.

Eu sabia que algo assim ainda ia acontecer:

JPMorgan Chase & Co. Chief Executive Officer Jamie Dimon was the only U.S. banking chief who showed up. He made a concession to the mood of this year’s event by accepting some blame for the collapse that has led to more than $1 trillion of writedowns. He deflected the rest at regulators.

God knows, some really stupid things were done by American banks and by American investment banks,” Dimon said. “To policy makers, I say: ‘Where were they?“” [grifo meu]

***

O interessante é que temos conservadores pondo a culpa da crise no Estado, por excesso de intervenção (a bobagem sobre a farra das hipotecas ter sido fruto de uma política deliberada de administrações democratas passadas, já demolida exaustivamente).   E agora também temos gente pondo a culpa no Estado, mas agora por falta de intervenção.  Nessas horas todos os wingnuts parecem se esquecer dos tais extraordinários poderes curativos e regenerativos do mercado…desde que a culpa não seja deles.

De qualquer forma parece que Dick Cheney já respondeu à acusação de Dimon:

Vice President Dick Cheney says that his boss, President George W. Bush, has no need to apologize to the American people for not doing more to head off the financial calamity, saying no one saw the crisis coming.

During an interview Thursday with The Associated Press in his West Wing office, Cheney defended the administration’s performance on an economy that is growing weaker daily and which recently collapsed in spectacular fashion. Cheney said that “nobody anywhere was smart enough to figure it out.

He said Bush doesn’t need to apologize because he has taken “bold, aggressive action.“” [grifo meu]

O interessante é que as pessoas que eram “smart enough” a ponto de ver a crise vindo existiam, mas eram imediatamente rotuladas como “chicken littles“, alarmistas interessados em confundir a opinião pública por inconfessáveis motivos eleitoreiros.

Me mandaram por e-mail:

O sujeito [que escreveu o texto abaixo] é americano e se chama Marc Faber. Ele é analista de Investimentos e empresário. Em junho de 2008, quando o Governo Bush estudava lançar um projeto de ajuda à economia americana, ele encerrava seu boletim mensal com um comentário bem-humorado, não fosse trágico…

O Governo Federal está concedendo a cada um de nós uma bolsa de U$ 600,00.

Se gastarmos esse dinheiro no supermercado Wall-Mart, esse dinheiro vai para a China.

Se gastarmos com gasolina, vai para os árabes.

Se comprarmos um computador, vai para a Índia.

Se comprarmos frutas e vegetais, irá para o México, Honduras e Guatemala.

Se comprarmos um bom carro, irá para a Alemanha.

Se comprarmos bugigangas, irá para Taiwan e nenhum centavo desse dinheiro ajudará a economia americana..

O único meio de manter esse dinheiro na América é gastá-lo com prostitutas e cerveja, considerando que são os únicos bens ainda produzidos por aqui. Estou fazendo a minha parte…

***

Agora, a sério, o Knowing and Making tem um bom post sobre a cláusula “buy american” do pacote de estímulos americano.

Where have all the Libertarians gone?
— by Horatio Algeranon
(with some help from Pete Seeger,
undoubtedly smiling from above)

Where have all the Libertarians gone?
Long time passing.
Where have all the Free-Marketeers gone?
Long time ago.
Where have all the Ayn Randers gone?
Gone with Greenspan every one.
When will they ever learn?
When will they ever learn? (that 2 + 2 = 4)

Daqui.

Deu no Valor:

Brasil impõe licença prévia para 60% das importações

Excerto:

Representantes do setor privado ficaram espantados com a abrangência da medida e acreditam que ela reflete um “desespero” do governo com o comércio exterior

Pode ser.  Mas pra mim, um caso patente de desespero conduzindo à heterodoxia mesmo é isso aqui.

Em uma rara ocasião em que vejo um jornal brasileiro se antecipando a uma revista internacional, tanto o Estadão quando a Seed publicaram os resultados de uma pesquisa que aparentemente leva água para o moinho de uma antiga teoria comportamental, a chamada Broken Window Theory, ou teoria da janela quebrada.  Diz a matéria do Estado:

Uma pesquisa inédita feita por três pesquisadores holandeses mostra que a marca de pichações em um local pode dobrar o número de pessoas dispostas a jogar lixo no chão e até a roubar. “Certamente as violações aumentam em uma rua pela simples presença de pichação”, diz Kees Keizer, responsável pela pesquisa que sai hoje na revista Science, de responsabilidade da Sociedade Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) e uma das mais prestigiadas publicações científicas do mundo. “É uma clara mensagem aos gestores públicos que prevenir a desordem é a melhor maneira de impedir a disseminação da violência.”

Os pesquisadores montaram duas situações distintas no centro da cidade de Groninga, norte da Holanda. Na primeira, colocaram folhetos de “Feliz ano-novo” em bicicletas que estavam em um beco sem pichações. O mesmo número de folhetos foi colocado em bicicletas que estavam estacionadas em um beco parecido, mas repleto de marcas na parede. Resultado: 33% das pessoas jogaram o tal papel no chão no beco limpo, enquanto 69% sujaram o chão do beco que estava grafitado. Na segunda situação, os pesquisadores colocaram um envelope na entrada de uma caixa de correio, no qual era possível ver uma nota de 5. Primeiramente, a caixa estava limpa, sem grafite, e 13% das pessoas que passaram por ali furtaram o envelope. Repetida a experiência, mas agora com a caixa postal cheia de pichações, o número de furtos subiu para 27%.

Os resultados correlacionam-se positivamente com a Teoria da Janela Quebrada:

A pesquisa de Kees Keizer toma por base a teoria desenvolvida por George Kelling e James Wilson em 1982 e denominada Broken Windows (Janelas Quebradas). Os dois ensaístas entendiam que era imprescindível eliminar a desordem para conseguir reduzir a criminalidade. Exemplificavam: “Se você ignorar a janela quebrada de um prédio, outras janelas também serão quebradas. A área vai passar a ter uma imagem de abandono e a delinqüência penetrará na sua casa.”

Para ficarmos no tema “janelas”, acredito que o mesmo efeito psicológico de fundo está subjacente à famosa “Janela de Overton”, da qual já tratamos neste post (e neste).   É como se a gang ideológica de Karl Rove tivesse se apercebido de que ao pixar os muros da política conseguiriam criar um ambiente propício à degeneração do embate eleitoral _ e da própria polity norte-americana (algo que, para sermos honestos, já havia sido intuído pelos publicitários de Reagan na sua primeira campanha _ a segunda já contou com o auxílio de Rove).

E tudo isto me parece ter a ver com a idéia de “coerência arbitrária” desenvolvida por Dan Ariely e Drazen Prelec em um estudo experimental.   Nesse estudo, eles pediam que as pessoas escrevessem os dois últimos algarismos dos seus números do seguro social e depois fizessem escolhas sobre preços de mercadorias, em particular, se pagariam por determinada mercadoria um valor igual àqueles dois últimos dígitos.  Em seguida, eles pediam que os sujeitos da experiência realmente fizessem lances pelas mercadorias.  Em suas palavras, 

The basic idea of arbitrary coherence is this: Although initial prices can be “arbitrary,” once those prices are established in our minds, they will shape not only present prices but also future ones (thus making them “coherent”). So would thinking about one’s Social Security number be enough to create an anchor? And would that initial anchor have a long-term influence? That’s what we wanted to find out.

O que eles descobriram é que os sujeitos cujos dois últimos números do seguro social forneciam um valor mais alto sistematicamente faziam lances mais altos pelas mercadorias _ como se aqueles números, por menos racional que isto pareça, tivessem “ancorado” as pessoas em torno de determinados valores.

Ariely retira daí a lição de que somos muito bons em fazer comparações mas não muito bons em determinar níveis absolutos.  Isso significa que nossas escolhas são “dependentes do caminho”.  Eis porque acredito que a teoria da janela quebrada ou a da janela de Overton são meras instâncias do fenômeno da coerência arbitrária: a partir do momento em que somos introduzidos em um determinado “nível” (seja este “nível” um patamar de preços, de moralidade ou de opinião política), ficamos ancorados naquele nível e nossas decisões posteriores partem daí.

O próprio Karl Rove tornou-se republicano aos nove anos de idade, quando seu pai passou a apoiar Nixon.  E desse buraco ele não saiu mais (ok, exemplos similares podem ser encontrados à esquerda, obviamente).

Tudo isso é meio intrigante e pouco reconfortante, pois costumamos nos achar mais espertos e menos automáticos do que isso.   Mas só posso dizer o seguinte: “conhece-te a ti mesmo”.

***

Recomendo fortemente o livro do Dan Ariely que já saiu em português, “Previsivelmente Irracional”.  Um tiro em certas teorias ingênuas do homo economicus.

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UPDATE:

O “previsivelmente irracional” tem blog.

“Half is the new Alpha”

_ Clusterstock

Saiu um paper que está causando considerável rebuliço (“The N-Effect: More Competitors, Less Competition“, por Stephen M. Garcia e Avishalom Tor).   Trata-se de um experimento psicológico que demonstra que nossa competência em competir é inversamente proporcional ao número de pessoas com que competimos.  Via Jonah  Lehrer dos Science Blogs, uma citação de  sumarizando o achado:

If you’ve ever had to take a test in a room with a lot of people, you may be able to relate to this study: The more people you’re competing against, it turns out, the less motivated and competitive you are. Psychologists observed this pattern across several different situations. Students taking standardized tests in more crowded venues got lower scores. Students asked to complete a short general-knowledge test as fast as possible to win a prize if they were in the fastest 20 percent completed it faster if they were told that they were competing against 10 people rather than 100. Students asked how fast they would run in a race for a $1,000 prize if they finished in the top 10 percent said they would run faster in a race against 50 people rather than 500. Similarly, students contemplating a job interview or Facebook-friending contest said they would be less competitive if they expected more competitors – even if “winning” only required finishing in the top 20 percent. The authors conclude that competitiveness was curtailed because the larger the group, the more difficult it is to compare oneself directly to others.”

Se isso se mostrar verdadeiro não apenas na área das pessoas físicas mas também das jurídicas, temos um problema grave com os pressupostos da advocacia da concorrência como política pública, que é o seguinte: o cenário da competição perfeita é o mais avesso ao desenvolvimento da inovação, embora seja o mais eficaz na manutenção de preços baixos, isto é, iguais ao custo marginal.  Ou seja, para usar economês, a eficiência alocativa se daria em detrimento das eficiências dinâmicas (o problema não é tão grave, porém, na medida em que mercados perfeitamente competitivos são raros ou praticamente inexistentes).

O Lehrer faz um paralelo interessante com uma descoberta feita por uma outra psicóloga experimental, Sheena Yengar, sobre o fato de que o excesso de escolhas causa paralisia decisória:

In 2000, she set up a booth in an upscale supermarket with a variety of gourmet jams and jellies, all of which scored about equally well in taste tests. Sometimes, her booth showcased 6 different jams, and sometimes it had 24 different jams. Economists assume that more choices lead to increased consumption, since everyone can try out the different jams and find their favorite. (They can maximize their subjective utility.) But when Iyengar increased the number of jams on display, purchases of jam decreased dramatically. When her booth only had 6 different jams, 30 percent of people who stopped by the both ended up buying one of the varieties. However, when she put 24 different jams on display, only 3 percent of people bought a product. All the possibilities short-circuited the brain.” [grifo meu]

(a primeira vez que eu havia ouvido falar disso foi no livro de Barry Schwarz, “The Paradox of Choice“)

A última frase grifada é a ponte entre uma coisa e outra, segundo Lehrer, mas não tenho certeza se o mecanismo é o mesmo.  No caso do excesso de escolha, a mente é levada à paralisia decisória por simples “overflow”, isto é, provavelmente por não ser capaz de analisar todos os parâmetros de todas as escolhas e maximizar a satisfação.  Já no caso da competição em excesso o que parece ocorrer é uma situação de economia de esforço: ao entrar em uma competição onde está convencida que não pode ganhar, a mente aloca menos recursos para a competição.

Em todo caso o Lehrer aponta saídas para estas situações.  No caso do paradoxo da escolha, a solução é agrupar as alternativas em classes ou categorias (não pude deixar de pensar em esquerda, direita e as miríades de colorações políticas agrupadas nestas duas categorias).  No caso da competição, a idéia salvadora é agrupar os concorrentes em salas menores, ao invés de todos eles em um lugar só (será que o antigo vestibular unificado do Cesgranrio no Maracanã acabou com as carreiras de muita gente?).

OK, vamos repensar a São Silvestre

No meio de uma discussão sobre os efeitos da recessão na lealdade do consumidor às marcas, Yves Smith do Naked Capitalism me sai com essa:

Yves here. Moisturizers are one of the many ripoffs foisted on the fairer sex to keep them broke and dependent on male support. Any dermatologist will tell you (unless they are pushing their own product line, of course) that all it does is seal water into your skin, not add “moisture”. The trick is putting something that will keep the water in after you wash your face. I was told that one derm at a national conference recommended Crisco (clearly to express her dim view of marketing hype).Back to the story:”

Delicioso, não?

Yves Smith é uma donna, tem 25 anos de carreira no mercado financeiro e há 6 anos bloga no “Naked Capitalism”, referência indispensável para entender a crise.  Recomendo.

Uma coisa engraçada aconteceu a Paul Krugman hoje de manhã.

O Claudio Haddad tem um artigo hoje na sua coluna no Valor.  Título: “Crise estrutural ou acidente de percurso?

O homem do IBMEC diz isso:

O sistema financeiro, pelo fato de trabalhar com ativos correspondendo a um múltiplo de seu patrimônio, é por natureza instável e sujeito a crises periódicas.

Mas responde à sua própria pergunta assim:

Vista dessa forma, a crise atual é um acidente de percurso do capitalismo, regime que, apesar de seus defeitos, tem se mostrado o mais eficiente em gerar riqueza e progresso na história humana.

Acho que ele tem uma definição de “estrutural” diferente da minha.

Mas nem tudo está perdido.  Essa é a melhor parte do texto:

Este articulista, que escreve neste jornal desde sua fundação em 2000, a convite do amigo Celso Pinto, aqui encerra suas atividades por tempo indeterminado. Fica um sincero agradecimento aos leitores que o têm prestigiado com seu tempo e comentários e à direção e equipe do Valor Econômico pelo apoio e oportunidade.

Bem, se a idéia era mesmo passar oito anos prestando este tipo de lip-service, eu diria que já vai tarde.

That´s what good old America needs

Recession-Plagued Nation Demands New Bubble To Invest In

WASHINGTON-A panel of top business leaders testified before Congress about the worsening recession Monday, demanding the government provide Americans with a new irresponsible and largely illusory economic bubble in which to invest.

“What America needs right now is not more talk and long-term strategy, but a concrete way to create more imaginary wealth in the very immediate future,” said Thomas Jenkins, CFO of the Boston-area Jenkins Financial Group, a bubble-based investment firm. “We are in a crisis, and that crisis demands an unviable short-term solution.”

The current economic woes, brought on by the collapse of the so-called “housing bubble,” are considered the worst to hit investors since the equally untenable dot-com bubble burst in 2001. According to investment experts, now that the option of making millions of dollars in a short time with imaginary profits from bad real-estate deals has disappeared, the need for another spontaneous make-believe source of wealth has never been more urgent.

“Perhaps the new bubble could have something to do with watching movies on cell phones,” said investment banker Greg Carlisle of the New York firm Carlisle, Shaloe & Graves. “Or, say, medicine, or shipping. Or clouds. The manner of bubble isn’t important-just as long as it creates a hugely overvalued market based on nothing more than whimsical fantasy and saddled with the potential for a long-term accrual of debts that will never be paid back, thereby unleashing a ripple effect that will take nearly a decade to correct.”

“The U.S. economy cannot survive on sound investments alone,” Carlisle added.

Leia o resto aqui. 🙂

(hat tip: PMF)

Nemesis of the österreichischen ostrich

No Financial Times:

Wall Street slumps into bear market territory

By Jeremy Lemer in New York

US stocks slumped decisively into bear market territory on Wednesday as investor sentiment buckled on concerns about the health of the financials sector and fears that slowing economic growth would hurt earnings at technology firms.

Nine of the ten leading industrial sectors fell, knocking the benchmark S&P 500 down 2.3 per cent to 1,244.63 – its lowest level since July 2006 and its first bear market since 2002.

The Dow Jones Industrial Average dropped 2.1 per cent to 11,246.06 while the Nasdaq Composite slipped 2.6 per cent to 2,234.89.

All three leading indices closed down more than 20 per cent from their recent highs.

(…)

Still, a survey of financial newsletter writers by Investors Intelligence showed the most bearishness on US stocks since 1994. And the uptick proved short-lived as Tuesday’s winners gave up all of their gains on Wednesday.

John Horgan sobre a “Caoplexidade” e seu valor para a ciência econômica:

For all these reasons, I view economics in the same way that the late Clifford Geertz viewed his field, cultural anthropology. Anthropology, Geertz said, “is a science whose progress is marked less by a perfection of consensus than by a refinement of debate. What gets better is the precision with which we vex each other.” (I love that “vex” remark.) Geertz also told me that in anthropology “things get more and more complicated, but they don’t converge to a single point. They spread out and disperse in a very complex way. So I don’t see everything heading toward some grand integration. I see it as much more pluralistic and differentiated.”

Geertz called anthropology “faction,” which he defined as “imaginative writing about real people in real places at real times.” This is postmodernism. Postmodernism does not apply to all of science; science can sometimes achieve absolute, permanent truth. But postmodernism certainly applies to economics and other social sciences. Economists who abhor postmodernism might prefer thinking of their discipline as a branch of engineering. Engineers don’t seek The Truth or The Answer, a unique and universal explanation of a phenomenon or solution to a problem. Engineers merely seek answers to specific, localized, temporary problems, whether building a bridge across the Hudson, reducing segregation in cities or making moola in the stock market. I’m sure Barkley would agree: if you’ve got a model that can make you rich, who cares if it’s True or merely true?”

Deu no Estadão:

Brasil é 90º em ‘índice de paz global’

País fica atrás de vizinhos, mas à frente dos EUA; Iraque é a nação ‘menos pacífica’.

Segundo o relatório Global Peace Index (Índice de Paz Global), compilado pelo Institute for Economics and Peace e a consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), o Brasil caiu sete posições em relação ao ranking do ano passado, o que em parte pode ser explicado pela inclusão de 19 nações no estudo.Na América do Sul, o Chile foi considerado o país mais pacífico, seguido do Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia. No geral, o Chile também conseguiu uma boa colocação, ficando em 19º.O Brasil ficou com a 7ª posição na região. Venezuela e Colômbia foram considerados os menos pacíficos da América do Sul.Categorias

No ranking geral, o Brasil ficou melhor classificado que os Estados Unidos (97º) e logo acima do México (91º).

O Brasil também ficou à frente da Índia (107º) e da Rússia (131º), porém atrás da China (67º), considerado o mais pacífico entre os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).

Pelo segundo ano consecutivo, o Iraque foi considerado o país menos pacífico do mundo, atrás da Somália, Sudão, Afeganistão e Israel.

O ranking avaliou os 140 países em 24 categorias, entre elas as que avaliam relações com países vizinhos, violência, potencial para ataques terroristas, número da população carcerária, direitos humanos, estabilidade política, entre outras.

A Islândia, que não participou do ranking no ano passado, foi considerada o país mais pacífico do mundo, seguida pela Dinamarca e a Noruega.

***

Não totalmente relacionado mas quase, a Islândia também apareceu como o país com o maior índice de felicidade do mundo, segundo a pesquisa World Values Survey. Matéria do Guardian dá uma dica dos motivos para isso:

Highest birth rate in Europe + highest divorce rate + highest percentage of women working outside the home = the best country in the world in which to live. There has to be something wrong with this equation. Put those three factors together – loads of children, broken homes, absent mothers – and what you have, surely, is a recipe for misery and social chaos. But no. Iceland, the block of sub-Arctic lava to which these statistics apply, tops the latest table of the United Nations Development Programme’s (UNDP) Human Development Index rankings, meaning that as a society and as an economy – in terms of wealth, health and education – they are champions of the world. To which one might respond: Yes, but – what with the dark winters and the far from tropical summers – are Icelanders happy? Actually, in so far as one can reliably measure such things, they are. According to a seemingly serious academic study reported in the Guardian in 2006, Icelanders are the happiest people on earth. (The study was lent some credibility by the finding that the Russians were the most unhappy.)

Oddny Sturludottir, a 31-year-old mother of two, told me she had a good friend who was 25 and had three children by a man who had just left her. ‘But she has no sense of crisis at all,’ Oddny said. ‘She’s preparing to get on with her life and her career in a perfectly optimistic frame of mind.’ The answer to why the friend perceives no crisis in what any woman in a similar predicament anywhere else in the western world might consider a full-blown catastrophe goes a long way towards explaining why Iceland’s 313,000 inhabitants are such a sane, cheerful, successful lot.

***

Pois é, é difícil definir felicidade, muito mais comparar a nossa com a dos outros. Continuo achando complicado eleger a “felicidade” como objetivo de política pública. Aliás, achei um artigo sobre a questão da “felicidade subjetiva” que arrola algumas dificuldades com a medida, e que me pareceram convincentes:

Lack of a common unit of measure

Unlike the unit of currency which is the common thread of economic indicators, we do not have an equivalent measure for happiness: the ‘happiness utile’ does not exist, at least not yet. So there are problems with addition and subtraction, counting things twice or not at all and with preference mapping.

Lost in translation

The interpretation of happiness does not universally translate from other languages to English (Duncan 2005). Happiness is a latter-day derivative of the old English word to ‘hap’ or ‘to happen’ — that is to occur by chance, and thus the word is associated with good fortune, luck and success. An alternative interpretation of happiness is ‘good feelings’. But feeling good could imply being care-free; that is, being irresponsible (for example avoiding taxes) or engaging harmful pleasures. Thus happiness status may be affected by language and how societies interpret the language. Some of the interpretations of the meaning of happiness (for example luck) are not tractable for policy development.

Differences in underlying concepts

Studies of subjective wellbeing rarely take a comprehensive set of measures and often use generic terms such as ‘all things considered, how happy are you’ rather than constructing indicators that target positive and negative emotions (Diener and Seligman 2004).

Transient influences

Subjective happiness appears to vary according to the time of day and seasons (Layard 2005), phases of an economic cycle, population age-profile and differences between expectations and outcomes. Thus the timing of information gathering on happiness status and its interpretation (permanent or transient effects) is an important complicating factor in happiness measurement.

Social and cultural influences

Value systems and the willingness to express values are diverse across countries. This poses considerable difficulty in identifying a particular bundle of social goods that maximises happiness. For example, the Maori people of New Zealand place a spiritual value on fish caught that is not taken into account in standard economic wellbeing (Duncan 2004).

Direction of causation

Some studies suggest that causation appears to run both ways. That is, higher incomes are associated with higher happiness, particularly if the higher income is unexpected or lifts the recipient above subsistence level. Running the other way, happier people are likely to earn higher incomes because they are better able to reach social networks important for income earning (Diener and Seligman 2004).

Self-responsibility

There is a question over the dividing line between self-responsibility and government. As Layard (2005) states, ‘happiness depends on your inner life as much as on your outer circumstances’. An implication is that relevant improvements in public policy will not necessarily result in higher ratings in happiness surveys.

Adaptability and rivalry

Finally, and importantly, there is the question of where do the human characteristics of adaptation and rivalry take subjective happiness literature for policy purposes (Henry 2004). As mentioned in the previous section, the cited explanation for why there is only a weak tendency for richer OECD countries to report higher levels of life satisfaction is that individuals adapt to higher incomes and are driven by the rivalry of social comparisons with other individuals. Suppose that, in respect of subjective happiness, adaptation and rivalry are powerful drivers. Thus, we tend to ‘get over’ anything that happens to us — good or bad, endowed or acquired through the passage of life. On this basis, there is no apparent reason for policy intervention because such intervention would not lift happiness. Layard (2005) has a different view: he mounts the case for growth-suppressing policy intervention. But it seems that Layard unintentionally (obviously) provides an equally strong case for no policy at all.

Proposição:

In the economy of the 21st century, economic and technical innovation is increasingly based on developments that don’t rely on economic incentive or public provision. Unlike 20th century innovation, the most important developments in innovation have been driven not by research funded by governments or developed by corporations but by the collaborative interactions of individuals. In most cases, this modality of innovation has not been motivated by economic concerns or the prospect of profit. This raises the possibility of a world in which some of the sectors of the economy particularly the ones dealing with innovation and creativity are driven by social interactions of various kinds, rather than by profit-oriented investment. This article examines the development of this amateur modality of creative production, and explains how it came to exist. It then deals with why this modality is different from and potentially inconsistent with the typical modalities of production that are at the heart of modern views of innovation policy. It provides a number of policy prescriptions that should be used by governments to recognize the significance of amateur innovation, and to further the development of amateur productivity.

Discuta.

No NYT, “Abs Through the Ages” ou “How the Six-Pack Come to Be“.  E olha que é da griffe Freakonomics…

O Valor de hoje tem uma interessante matéria sobre a “janela de oportunidade demográfica” pela qual o país está passando.  E ela deve ser aproveitada rápido:

De qualquer forma, diz ele [José Eustáquio Diniz Alves, professor da escola de pós-graduação do IBGE], o período de bônus não dura para sempre. Depois segue-se o envelhecimento populacional. “Exatamente por isso o período de bônus deve ser levado em consideração para a implementação de políticas públicas que promovam principalmente educação e investimentos“, acredita o professor. “Essa janela de oportunidade de nada adianta se o país não for capaz de absorver a mão-de-obra disponível e incentivar a produção e a produtividade.” Disso vai depender um período de envelhecimento populacional mais tranqüilo. “Em qualquer país, a transição demográfica só acontece uma vez e somente uma vez se pode usar o bônus demográfico.”

Transcrevo abaixo para os sem-Valor.

Leia o resto deste post »

(clique para ampliar)

Em um post que fez até o finado Adriano do Palatando ressuscitar e entrar na thread (com pouco êxito, mas vamos dar um desconto porque ele está destreinado), Arranhaponte do Torre de Marfim escreveu o seguinte:

Ah não, o velho debate sobre se a sobrevalorização do real do Gustavo Franco foi uma idiotice total, completamente evitável (sem comprometer em nada o fim da hiper-inflação obtido pelo Real), ou se foi um erro até certo ponto compreensível diante da dificuldade política de se fazer o ajuste fiscal e da incerteza sobre se a inflação voltaria, NÃO! Tudo menos debater isso de novo.

Eu também não quero discutir isto de novo. Gostaria apenas de observar que respostas espirituosas às vezes destinam-se, voluntária ou involuntariamente, a encobrir problemas mais sérios. Afinal, se a enorme dívida pública da qual falei no outro post originou-se de esqueletos, como disse Arranhaponte, seria bom averiguar de onde vinham esses esqueletos. Ora, eles vieram (dentre outros lugares) da federalização da dívida dos estados e municípios. Mas a dívida de estados e municípios, sabe-se com certeza, não veio de Marte para o Brasil, ela foi criada aqui mesmo _ e ao que eu saiba, não por governos do PT. Aliás no mapa aí em cima vemos que a maior dívida em 2001 era a do estado de São Paulo, estado que nunca teve governador petista e sempre esteve na mão de tucanos e seus, er, “aliados” (como Orestes Quércia…). Outros estados como Minas e Bahia (aquele da face moderna do PFL DEM, ACM Neto) aparecem com dívidas expressivas. O Rio de Janeiro, bem, o Rio.

Para piorar, essa dívida foi potencializada pela Selic estratosférica.

Ocorre que a partir de 1996 o governo FHC, de olho em aprovar a emenda da reeleição _ o que lhe tomou praticamente a metade do mandato _ desistiu de fazer reformas que mitigassem o gasto público (aquilo que hoje cobram do atual governo, com razão, aliás). Aliás, neste mister, operou um timing para as reformas constitucionais totalmente perverso incoerente, pelo menos com a racionalidade econômica _ as reformas estruturais, evidentemente, permitiriam alterar a trajetória da dívida pública e teriam permitido ao governo operar com uma taxa de juros bem menor. Porém FHC atirou-se às chamadas “reformas econômicas”, como as privatizações. Eu defendo as privatizações com unhas e dentes como algo que contribuiu para aumentar a eficiência da economia brasileira, mas reconheço que a justificativa dada então pelo governo _ usar os recursos da privatização para amortizar a dívida pública _ era risível diante da política monetária praticada. E justificativas de eficiência, por mais bem intencionadas, não minoram o fato de que as privatizações poderiam esperar até que a equação macroeconômica estivesse resolvida _ a não ser, é claro, que a racionalidade empregada tenha sido a política, e não econômica.

Isto para não falar que FHC atirou-se a um populismo cambial de deixar a classe “média” brasileira contentíssima _ teve ano do contingente brasileiro ser o maior consumidor entre os turistas em New York.

Mas talvez pessoas sofisticadas não queiram discutir essas coisas tão aborrecidas. 🙂

O capitalismo é contagiante

Finalmente o pessoal que acha que “o capitalismo é uma doença” pode invocar uma confirmação científica para a sua opinião:

Option Model Calibration Using a Bacterial Foraging Optimization Algorithm
Jing Dang, Anthony Brabazon, Michael O’Neill, and David Edelman

The Bacterial Foraging Optimization (BFO) algorithm is a biologically inspired computation technique which is based on mimicking the foraging behavior of E.coli bacteria. This paper illustrates how a BFO algorithm can be constructed and applied to solve parameter estimation of a EGARCH-M model which is then used for calibration of a volatility option pricing model. The results from the algorithm are shown to be robust and extendable, suggesting the potential of applying the BFO for financial modeling.

(hat tip: Alea)

Paper novo no NBER:

National Cultures and Soccer Violence
by Edward Miguel, Sebastián M. Saiegh, Shanker Satyanath – #13968 (EFG LE POL)

Abstract:

Can some acts of violence be explained by a society’s “culture”? Scholars have found it hard to empirically disentangle the effects of culture, legal institutions, and poverty in driving violence. We address this problem by exploiting a natural experiment offered by the presence of thousands of international soccer (football) players in the European professional leagues. We find a strong relationship between the history of civil conflict in a player’s home country and his propensity to behave violently on the soccer field, as measured by yellow and red cards. This link is robust to region fixed effects, country characteristics (e.g., rule of law, per capita income), player characteristics (e.g., age, field position, quality), outliers, and team fixed effects. Reinforcing our claim that we isolate cultures of violence rather than simple rule-breaking or something else entirely, there is no meaningful correlation between a player’s home country civil war history and soccer performance measures not closely related to violent conduct.

É impressão minha ou ele está dizendo que nas sociedades violentas, os indivíduos são violentos, isto é, o todo é a soma das partes?

Matéria da Folha de hoje:

África sofre com alimentos mais caros

Elevação dos preços ameaça trazer mais pobreza, mas também se apresenta como oportunidade para a agricultura

O problema é que o risco é imediato e as possibilidades são de longo prazo, mas leva tempo ensinar agricultores a usar técnicas modernas

***

Gostaria de saber se para os entusiastas da “mão visível” a solução para essa inflação seria aumentar os juros africanos.

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Tudo a ver com o debate que está havendo entre o Tyler Cowen do Marginal Revolution e o Dani Rodrik sobre o efeito da liberalização do comércio mundial dos produtos agrícolas. O debate é interessante, e claramente há um problema intertemporal aí.

Diz Cowen:

O comércio mais livre poderá encher a tigela de arroz do mundo

A alta nos preços dos alimentos representa a fome para milhões de pessoas e também a instabilidade política, como já se viu no Haiti, Egito e Costa do Marfim. Sim, a energia mais cara e o mau tempo devem ser considerados culpados em parte, mas a verdadeira questão é saber por que o ajuste não está sendo mais simples. Um grande problema é que o mundo não tem um comércio que baste em matérias-primas para alimentação.

O dano causado pelas restrições ao comércio é provavelmente mais evidente no caso do arroz. Embora o arroz seja a principal matéria-prima para metade do mundo, é altamente protegido e submetido à regulamentação. Apenas entre 5% a 7% da produção de arroz do mundo é negociada entre países; isso é extraordinariamente pouco para uma commodity agrícola.

Então, quando o preço sobe – na verdade, muitas variedades de arroz praticamente dobraram de preço desde 2007 – esse mercado bastante segmentado indica que o comércio com arroz não flui nos locais de demanda mais elevada.

O baixo rendimento com o arroz não é o principal problema. A Organização para Alimentos e Agricultura da ONU calcula que a produção global de arroz tenha aumentado em 1% no ano passado e diz que deve aumentar 1,8% este ano. Isso não é impressionante, mas não deveria provocar mortes pela fome.

O dado mais significativo é que durante o próximo ano o comércio internacional de arroz deve declinar em mais de 3%, quando deveria estar-se expandindo. O declínio é atribuído principalmente às recentes restrições sobre a exportação de arroz nos países produtores de arroz, como Índia, Indonésia, Vietnã, China, Camboja e Egito.

À primeira vista, parece compreensível, porque um país pode não querer enviar valiosas matérias primas para o exterior em uma época de necessidade. Apesar disso, os incentivos de prazo mais longo são contraproducentes.

Tais restrições à exportação indicam aos produtores agrícolas que suas safras são menos rentáveis exatamente quando são mais necessárias. Existe pouco incentivo ao plantio, colheita ou armazenagem de arroz suficiente – ou de qualquer outro plantio, por essa razão – como uma proteção contra os maus tempos.

Essa tendência de desvio das leis da oferta e procura também é aparente nas Filipinas, onde o governo está perseguindo e prendendo açambarcadores de arroz que, é claro, estão simplesmente armazenando arroz ante a possibilidade de chegarem tempos ainda mais difíceis.

Nos mercados de commodities não é raro que a elevada demanda cause acentuados aumentos de preços; no curto prazo, em geral, é difícil conciliar a nova demanda com os novos fornecimentos. A questão é saber se o suprimento e o comércio podem aumentar para compensar o aperto no mercado.

As restrições sobre o comércio de arroz trazem o risco de tornar permanentes a escassez e os preços elevados. As restrições às exportações ameaçam tornar o comércio e a produção de arroz em um jogo de compensações onde os ganhos de um país são conquistados à custa de outro. Isso dificilmente seria a melhor forma de se progredir em uma economia mundial que cresce rapidamente.

Essa falta de apoio ao comércio reflete uma tendência mais ampla e perturbadora. Uma crescente porcentagem da produção mundial, incluindo aquela para a agricultura, vem dos países pobres. No geral, isso é bom para os países ricos, que podem se concentrar na criação de outros bens e serviços, e para os países pobres, que estão produzindo mais riqueza. Mas pode desacelerar a velocidade do ajuste para as condições globais em transição.

Por exemplo, se cresce a demanda pelo arroz, os produtores agrícolas vietnamitas – que continuam cativos das duradouras regulamentações do comunismo – nem sempre têm condições de dar uma resposta rápida.

Eles não têm nem mesmo a liberdade completa de embarcar e comercializar o arroz dentro de seu próprio país.

Os países mais pobres também tendem a ser os mais protecionistas. Para piorar as coisas, cerca de metade do comércio global de arroz é controlado por conselhos estatais de caráter político.

A realidade é que grande parte da escassez atual em commodities, incluindo a que existe pelo petróleo, acontece porque cada vez mais a produção e o comércio ocorrem em países relativamente pouco eficientes e sem flexibilidade. Estamos acostumados ao tempo de resposta do Vale do Silício, mas quando se trata da produção de commodities, muitas das mais importantes instituições do exterior têm apenas um pé na era moderna. Em outras palavras, a mesa das commodities do mundo está longe de ser plana.

Muitos países pobres, incluindo alguns da África, poderiam estar produzindo muito mais arroz do que produzem agora. Os principais culpados por isso incluem a corrupção na cadeia de abastecimento de arroz, sistemas de irrigação mal planejados, estradas terríveis ou não existentes, instáveis direitos de propriedade, reformas agrícolas mal avaliadas e controles de preço sobre o arroz.

A capacidade de produção de arroz de um país depende não só de seu clima, mas também de suas instituições. Burma, agora Mianmar, já foi o principal exportador de arroz do mundo, mas agora é um país mal administrado e grande parte de sua população passa fome.

Claro, os países ricos são parcialmente culpados também. Japão, Coréia do Sul e Taiwan protegem os produtores nativos de arroz; também se verá o arroz sendo produzido na Espanha e na Itália, com a ajuda dos subsídios da União Européia e do protecionismo. Os Estados Unidos gastam bilhões em subsídios aos produtores domésticos de arroz.

No curto prazo, a existência desses produtores domésticos de arroz aponta para menos pressões sobre a demanda no mercado mundial, o que pode ser uma boa coisa. Mas de novo, os efeitos no longo prazo, são perniciosos.

A produção de arroz de baixo custo em países como a Tailândia não é voltada para o atendimento a uma demanda estrangeira mais elevada, como o seria em um mercado mais livre. Quando se precisa de mais arroz, a capacidade é limitada e é lento o fornecimento dos grãos. E o arroz protegido dos países ricos é simplesmente caro demais para aliviar a fome nos países muito pobres.

Recentemente tornou-se moda afirmar que, nessa época de turbulência nos mercados financeiros, os ensinamentos de Milton Friedman, voltados para o mercado, pertencem mais ao passado que ao futuro. A triste realidade é que quando se trata da produção de alimentos – sem dúvida a mais importante de todas as atividades humanas – as idéias de livre comércio de Friedman ainda não viram a luz do dia.

Ao que Rodrik retruca:

A falácia “livre comércio reduz preços”, mais uma vez

Desta vez, o culpado é Tyler Cowen. Em sua coluna para o New York Times de hoje, Cowen argumenta que o livre comércio de produtos alimentares como arroz seria benéfico para o abastecimento global e ajudaria a reduzir os preços. Ele está provavelmente certo sobre o primeiro efeito, mas não sobre o segundo. O efeito de livre comércio sobre os preços domésticos dos alimentos depende de saber se um país é importador ou exportador de alimentos. O livre comércio pode reduzir os preços dos alimentos (em relação a outros preços) só nos países que são importadores de alimentos. Os países exportadores experimentariam um aumento do preço relativo dos alimentos, e simplesmente não há maneira de escapar dessa realidade.

O comércio internacional funciona aliviando a escassez relativa de bens. A chave aqui é o termo “relativa”. Nos países importadores são os alimentos que são escassos, e à medida que há abertura do comércio, o preço relativo dos alimentos cai. Mas se você for a Tailândia ou a Argentina, onde outros bens são escassos em relação aos alimentos, livre comércio significa preços relativos dos alimentos mais elevados, e não menos. E todas as vantagens induzidas na eficiência de curto versus longo prazo que sobre as quais fala Cowen não têm qualquer influência sobre esta conclusão: no fim alguns países tem de ser importadores líquidos, e outros, exportadores líquidos.”

***

Alguns pitacos:

Evidentemente o problema é que a escala de tempo considerada por um e por outro não é a mesma. Na tréplica dada por Cowen no Marginal Revolution, este comentário do Rodrik deixa isso claro:

Talvez queiramos mesmo o livre comércio de arroz, mas duvido que pelas razões apresentadas por Cowen em sua peça no NYT. O livre comércio de arroz faria pouco para atenuar a crise alimentar que estamos a enfrentar, e, na realidade, iria provavelmente torná-la pior, no curto prazo, uma vez que daria origem a um novo aumento do preço real do arroz no mercado mundial (de acordo com o Banco Mundial e outras estimativas). Pode-se contar obviamente todo o tipo de fábulas sobre efeitos dinâmicos relacionadas com a dimensão e os efeitos no investimento de longo prazo que possam reverter os efeitos do impacto. Mas sugiro que se comece com aquilo que sabemos razoavelmente bem antes de se especular.

Um comentador lá na tréplica do Cowen faz um comentário interessante que ilumina o real problema:

Se o comércio de arroz for liberalizado, como defende Cowen, o preço do arroz subiria nos países pobres que têm um déficit na produção de arroz? A curto prazo (digamos que o curto prazo é de um ano), haveriam mais pessoas com fome, ou haveriam menos pessoas fome?

Quem produz arroz no mundo? Eis um quadro com dados de até 2003 que achei aqui:

(clique para ampliar)

E quem são os grandes importadores de arroz? Achei esta lista:

  1. Nigeria … 1.4 million tons (4.8% of global rice imports)
  2. Saudi Arabia … 1.2 million tons (4.2%)
  3. Philippines … 1 million tons (3.6%)
  4. Bangladesh … 991,810 tons (3.4%)
  5. Iran … 986,000 tons (3.4%)
  6. China … 928,210 tons (3.2%)
  7. Cote d’Ivoire … 868,320 tons (3.0%)
  8. Brazil … 852,080 tons (2.9%)
  9. Senegal … 822,550 tons (2.8%)
  10. South Africa … 744,840 tons (2.6%)
  11. United Arab Emirates … 717,710 tons (2.5%)
  12. North Korea … 702,000 tons (2.4%)
  13. Japan … 662,020 tons (2.3%)
  14. Russia (Europe) … 618,460 tons (2.1%)
  15. United Kingdom … 569,560 tons (2%)
  16. Malaysia … 523,660 tons (1.8%)
  17. United States … 480,750 tons (1.7%)
  18. Benin … 476,490 tons (1.6%)
  19. France … 474,270 tons (1.6%)
  20. Mexico … 459,210 tons (1.6%)
  21. Russian Federation … 454,710 tons (1.6%)
  22. Indonesia … 390,830 tons (1.3%)
  23. Singapore … 346,700 tons (1.2%)
  24. Canada … 334,320 tons (1.2%)
  25. Hong Kong … 326,230 tons (1.1%)
  26. Yemen … 322,240 tons (1.1%)
  27. Sri Lanka … 240,700 tons (0.8%)
  28. Syria … 236,710 tons (0.8%)
  29. South Korea … 209,320 tons (0.7%)
  30. Kuwait … 150,620 tons (0.5%)
  31. Oman … 149,830 tons (0.5%)
  32. Jordan … 135,890 tons (0.5%).

Essas outras duas listas mostram os países com o maior incremento e com a maior queda nas importações de arroz (2004):

Maiores incrementos:

  1. Sri Lanka … 240,700 tons (up 597.3% in 2004)
  2. China … 928,210 tons (up 129.4%)
  3. Benin … 476,490 tons (up 124.8%)
  4. Saudi Arabia … 1.2 million tons (up 78%)
  5. Oman … 149,830 tons (up 64.5%)
  6. Kuwait … 150,620 tons (up 54.2%)
  7. South Korea … 209,320 tons (up 46%)
  8. Malaysia … 523,660 tons (up 42.1%)
  9. United Arab Emirates … 717,710 tons (up 28.6%)
  10. Canada … 334,320 tons (up 26.3%).

Maiores quedas:

  1. Indonesia … 390,830 tons (down 76% in 2004)
  2. Bangladesh … 991,810 tons (down 20.7%)
  3. Brazil … 852,080 tons (down 20.1%)
  4. Nigeria … 1.4 million tons (down 12.6%)
  5. North Korea … 702,000 tons (down 12.5%)
  6. Mexico … 459,210 tons (down 8.6%)
  7. Senegal … 822,550 tons (down 7.6%)
  8. Japan … 662,020 tons (down 6.2%)
  9. South Africa …744,840 tons (down 5.8%)
  10. Russia (Europe) … 618,460 tons (down 4.1%).

Do exame das listas fica claro que os países que estão empurrando a demanda por arroz são países ricos, sejam os países petroleiros, seja a China e a Coréia do Sul, cujas fortunas advém da exportação de manufaturados.

Como responder à pergunta lá em cima, do comentador do Cowen?

Com menores barreiras ao comércio, os preços evidentemente subiriam. Pessoas que vivem em países como Arábia Saudita, Kwait, Canadá e Chna poderiam comer mais arroz, pois poderiam pagar por ele. Em outros países os produtores desviariam sua produção para aqueles primeiros, encarecendo ou mesmo desabastecendo o comércio local. Se estamos falando de países pobres, como os da África, possivelmente haverá mais famintos. No caso do Brasil haverá aumento de preços, mas como já estamos vindo em uma trajetória de queda da importação _ provavelmente por expansão da área plantada _ o mais provável é que mais adiante o investimento em expansão da produção compense a maior demanda.

Qual o efeito líquido? Levando em conta que os países onde o consumo está aumentando são países de alta ou média renda, certamente o cerceamento da sua demanda não implicaria em fome naqueles países, e o aumento do consumo reflete a elasticidade-renda do produto. Por outro lado os países pobres realmente sofreriam o impacto do aumento do produto até que produtores como o Brasil e outros expandissem a produção até o preço cair novamente. Os países mais pobres dificilmente veriam alguma vantagem no processo, pois países como o Brasil, com uma agroindústria mais desenvolvida, teriam maior facilidade de expandir a produção rapidamente e aumentar sua participação no mercado mundial de arroz. Então:

_ países mais ricos teriam efeito líquido de aumento no bem estar;

_ países produtores teriam diminuição do bem estar no curto prazo, mas aumento no médio/longo;

_ países pobres teriam diminuição de bem estar no curto prazo, sem benefícios visíveis no médio/longo.

Os senhores leitores estão convidados a fazer seus comentários.

Perdendo uma grande oportunidade de aprender com o que ocorre no país vizinho, o Brasil proibiu ontem a exportação de arroz, devido ao aumento mundial de preços. Isso, na prática, equivale a aumentar a oferta interna, para segurar os preços. Até acredito, como diz a matéria, que estivesse havendo algum movimento especulativo por parte dos produtores, mas suponho que se o governo tivesse estoques reguladores adequados medida tão drástica não precisaria ser tomada.

Com isso, não só se cria fazendeiros bastante infelizes, como se passa a informação errada para o mercado _ se os preços maiores poderiam incentivar o aumento da área cultivada, consequentemente da produção, e adiante menores preços, o que se faz é justamente desincentivar o aumento da área plantada e possivelmente a conversão dos atuais cultivos para outros produtos não afetados pelo embargo.

Todos os meus 4,5 contumazes leitores sabem que eu sou a favor de um maior arejamento da política econômica brasileira, pela introdução de alguns elementos heterodoxos que desagradam aos fundamentalistas de mercado. Mas com um repertório heterodoxo deste tipo eu acabo tendo que apoiar mesmo é o aumento dos juros pelo COPOM…

***

UPDATE:

O governo volta atrás.  “Foi tudo um mal entendido”…

O ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) disse nesta quinta-feira que o país só adotará medidas para restringir a exportação de arroz em “casos extremos”. De acordo com ele, este limite ainda não foi atingido. Pouco antes, o presidente da Comissão Setorial de Arroz da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Francisco Schardong, disse que o anúncio de ontem fora um “mal-entendido”.

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