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O NPTO faz uma bela resenha do novo livro do Ruy Fausto, “Outro Dia”.  No meio do post, ele faz algumas reflexões sobre a necessidade de uma política de alianças em nosso presidencialismo de coalizão:

Era preciso construir uma maioria política dentro do congresso, e, se você achar que não era necessário comprar PL, PP e PTB, fica para você a responsabilidade de montar outra maioria sem eles. Eu já fiz isso na minha cabeça 100 vezes, e não consegui bolar nada que não passasse por a) fechar com o PMDB, sem pagar mensalão, mas dando cargos, o que, suspeito no fundo do meu ser, gera mais negociata (mas é menos rastreável até o partido no poder do que transferências monetárias, motivo pelo qual a técnica foi a preferida dos governos anteriores); ou b) aliar-se ao PSDB, o que, mesmo se acharmos que seria desejável (e não acho que o Fausto o ache), seria dificílimo.

(…)

É possível que manter distância com relação à corrupção seja mais importante do que levar dezenas de milhões de pessoas acima da linha da miséria; mas isso não é óbvio. Merecia uma discussão.

(…)

No fundo, o Fausto parece aplicar os raciocínios que a esquerda deveria ter feito para não aceitar o totalitarismo – a afirmação de valores diante da estratégia, por exemplo – para dizer que ela não pode aceitar a corrupção. Mas aqui há um problema de medida.

A corrupção parlamentar é um escândalo, mas é uma doença da democracia; não é possível que se dê o mesmo peso a ela e ao genocídio totalitário. As conquistas sociais cubanas não justificam a repressão à dissidência em Cuba, mas não é a mesma coisa dizer que a redução da desigualdade no Brasil dentro do regime democrático não vale nada porque PP, PL e PTB foram comprados.

(…)

Pessoalmente, acho que teria sido possível fazer uma articulação melhor se aproximando do PSDB, o que implicaria em aceitar o Paloccismo como mais do que uma concessão tática. Fausto é inteligente o suficiente para confessar sua hesitação em discutir economia, que tem uma dimensão técnica razoável, mas, no geral, não vai ao ponto de admitir que a política econômica moderada de Lula foi um de seus sucessos. Não teria sido melhor se, ao invés do PT ter aceitado a moderação econômica para evitar a crise de 2002, os intelectuais petistas tivessem promovido esse debate de maneira mais esclarecedora na década anterior? As alianças talvez pudessem ter sido melhores.”

Concordo com o Celso: tem uma análise custo/benefício aí.  Eis o motivo pelo qual acho claramente hipócritas os defensores de FHC que escamoteiam rapidamente a compra da reeleição da discussão de “valores”.

Claro que existem aqueles que se apressam em dizer que “um erro não justifica o outro” e que acham, ou dizem achar, que a questão dos valores deve ser colocada acima de qualquer outra discussão.  Acho essa posição irrealista e acredito que muito poucas dessas pessoas a colocam em prática 100% das vezes em sua vida pessoal.  Se existem mesmo, deviam trabalhar em Hollywood.

Daí que resolvi fazer o seguinte: peguei a composição do Congresso recém saído das urnas em 2002 e coloquei no Excel pra gente ver como ficariam as possíveis coalizões alternativas entre PSDB, PT, PMDB e PFL [por simplicidade e falta total de tempo não levo em conta as migrações partidárias que ocorreram logo após, é verdade].

(clique para ampliar)

O primeiro quadro mostra o cenário em que o PT aliar-se-ia com o PSDB; o segundo quadro mostra o que realmente ocorreu, ou seja, o PT aliando-se com o PMDB.

Vemos que nenhum dos dois casos fornece uma “supermaioria”, isto é, uma maioria capaz de aprovar legislação de seu interesse irrespectivamente da opinião dos demais partidos.

É difícil prever como se comportariam os demais partidos na hipótese de “total pureza virtuosa”, isto é, no mundo hipotético onde PT e PSDB se uniriam por mero espírito público e governariam sem nenhuma concessão de nenhuma espécie aos interesses paroquiais dos demais partidos.  O que sei é que eles teriam vida dura na Câmara e vida duríssima no Senado, diante de uma mera combinação PMDB/PFL.  Talvez alguns partidos menores pudessem topar uma aliança puramente “programática” com PT/PSDB, mas acredito que a tendência seria de um enfrentamento dos alijados nos demais partidos.   Afinal, um problema de nossa democracia é que ela deixa contas a pagar para os eleitos, o que certamente faz parte do conjunto de incentivos que os impele a exigir cargos e prebendas na máquina pública.

Assim, na ponta do lápis, parece que o PT terminou fazendo a aliança mais natural, que não o exporia a constantes gridlocks no Congresso.

***

Valeu a pena?   Isso é uma outra discussão, muito importante por sinal.  Peças como a tal recente pesquisa do Claudio Salm querem nos fazer acreditar que talvez não, já que o PT no poder não teria significado um salto qualitativo nos principais indicadores sociais brasileiros.   Entretanto, o fato do estudo original do Claudio Salm ainda não ter sido amplamente divulgado (foram divulgados apenas alguns resultados, mas não se conhece a metodologia empregada) impede uma melhor apreciação do seu teor.

No entanto, aponto o detalhe de que nesse experimento hipotético que estamos fazendo,  o caso-base não é a hipótese “continuidade do governo PSDB/DEM seria a mesma coisa“, principalmente do ponto de vista das vestais da pureza que acreditam que “um erro não justifica o outro”. O caso -base, no duro, seria “falta de governabilidade por incapacidade de montar uma coalização dominante“, o que seguramente teria sido muito mais problemático para o país.

Tá rolando um debate interessantíssimo lá no Paraíba sobre Kindle vs Livros em papel. Dei meu pitaco no segundo post; há um primeiro post que introduziu a querela.  O pitaco é este abaixo, vão lá para ler o post e a thread:

Meu pitaco:

Achei interessante a discussão sobre o “elitismo” dos livros. Desta feita, embora o Kenji seja um “contrarian” incorrigível, penso que ele está certo.

Claro, Galvão está correto quando fala do preço do livro, principalmente quando se trata de um livro que você pode comprar em um sebo. Mas o custo total de propriedade, para quem realmente precisa ter uma grande biblioteca, cabalmente pesa muito mais, e vai para o lado do “esporte de elite”, de fato. Tipo: se você tem filhos, ter um aposento de sua casa/apartamento inteiramente dedicado aos livros é um luxo (é claro que o caso de um Mindlin é totalmente elitizado, mas não é disso que estou falando).

Francamente acho que essa será uma discussão resolvida pelo mercado em pouco tempo _ quem sabe no próximo dia 23, quando a Apple lançará, tudo indica, seu reader. Já vi protótipos dobráveis por aí, também, onde a tela é uma folha flexível. Acho esse um produto imbatível.

A possibilidade de perdas apontada pelo Galvão é um problema, mas pensem bem: dá pra ter, a baixíssimo custo, um monte de cópias salvas de sua biblioteca, no desktop, no laptop, no pendrive, no CD, no micro do trabalho, se bobear até na memória da máquina fotográfica. Da biblioteca de papel _ sempre exposta às intempéries, aos cupins, aos incêndios, às crianças, às mãos cobiçosas dos amigos _ não se pode dizer o mesmo.

A estabilidade do padrão também é um problema, mas eu acredito realmente que nesse caso emergirá um padrão estável. Aliás, não é nada, não é nada, o PDF taí há 16 anos. O avanço dos formatos diz respeito, em grande medida, às possibilidades de compressão incrementada devido a novos algoritmos ou maior capacidade de processamento. Só que esse é um drive mais importante para mídias de grande extensão como som e imagem. Texto já virou brincadeira de criança, dadas as capacidades de qualquer dispositivo de memória digno desse nome hoje em dia. É por isso que acho que já não há mais grande pressão para que emerjam novos formatos para texto. E as razões mercadológicas, a competição dará conta. Vejam que até a Amazon teve que abrir as perninhas e permitir que o Kindle 2 leia PDF; daqui pra frente, a competição vai aumentar mais ainda (pode ser que a Apple tente de novo suas gracinhas com um formato fechado e um Apple Bookstore, mas eu francamente não acredito).

O ensino do jogo de pau entre cavalheiros

Outro dia entrei em um certo site e vi, além das usuais referências oblíquas ao modo de vida daqueles que praticam o amora luta que não ousa dizer o seu nome (“gente se batendo de bengala“, sei), a menção a um certo blogueiro que gosta de usar a expressão “meus 3,5 leitores”.

Aí fiquei curioso e fui ver no Google quantas pessoas usam a tal expressão.

Incrível.  Parece que quem quer que tenha criado o bordão fez escola…    🙂

Lá no Todos Apostos, o Igor Barbosa escreveu um post intitulado “Pub Relations“.  Lembram?

Ele lembra:

Reparem a total ausência de microfones na mesa. Repare a abundância de camisas brancas. Repare os copos vazios. Mestre, nós aprendemos a lição. Tanto que, no auge da emoção e da falta de batatas fritas no Bar Brasil, a porção que não suporta comida alemã do portal e sua respectiva esposa conclamou os presentes a uma caminhada pela paz até o Bar Brazooka.”

Embora estejam faltando alguns elementos importantes no post para que possamos melhor formar nossa convicção sobre o acontecimento _ tal como uma trilha sonora _ devo reconhecer que a coisa melhorou.  Posso certamente elevar a nota de blogueiros de direita que vão biritar no Bar Brasil ao invés de pretender que a livraria Leonardo da Vinci é uma filial do Bar Veloso, para o provável desfalecimento de Dona Vanna, coitada.

E vejam também que, livres da influência nefasta de Pedro Sette Câmara, os Apostos _ e isto inclui até o Alexandre Soares Silva,  meio acuado em um canto da mesa,  provavelmente contando piadas sujas da Opus Dei envolvendo padres libidinosos,  freiras assanhadas e jornalistas lúbricos _ parecem ter-se divertido a valer.

Enfim, dou nota 9.  Só não dou 10 porque é claro que reunião de intelectual no Centro tem que ser no Bar Luiz, pô.    🙂

Pois é, tão soltando o pau em cima do NPTO por causa desse post.

Eu não vou sentar o pau nele, porque a) ele tem o blog que eu quero ter quando crescer, b) jamais duvidei dos poderes de convencimento de uma mulher, principalmente se ela está abraçada com você em um aconchegante sofá e o único competidor próximo é o jornal da Globo  e c) também não vou com a cara de Gilmar Mendes.

Sem contar que a forma de agir da tal Bruna foi digna de um ungulado ruminante do sexo feminino.  Na “trajetória natural” de Bruna Bianchi, sua aventura com David Goldman foi certamente um ponto fora da curva, que não resistiu às realidades do “um amor e uma cabana”.  Goldman não é um cara rico.  Bruna é filha de uma família com posses _ sua mãe é dona do restaurante Quadriffoglio, no Rio.  Certamente, conhecer um cara bonitão em um lugar romântico como Milão (David era modelo, então) fez com que Bruna pensasse mais com o coração do que com a cabeça (ou o bolso).

Além disso, imaginar que o garoto terá um futuro mais sorridente no fundo da caipora norte-americana do que no seio de uma riquíssima e tradicional família carioca é brincadeira.

Pois é, azares da vida.   Pode ser que um dia o Sean, fritando hambúrguer lá no McDonald´s de Tinton Falls, fique pensando com seus botões, “Pô, me dei mal“.

Não obstante, quanto mais leio sobre o caso, mais o direito do pai me parece líquido e certo, e olhe que eu não sou advogado. Toda a história me parece fruto apenas da capacidade de uma poderosa família, firmemente incrustada na teia de relacionamentos do Judiciário brasileiro, frenar as engrenagens da Justiça em benefício próprio.  E nessa, lamentavelmente, os Lins e Silva apareceram como mamíferos ungulados com chifres delicados e cauda em formato de pompom.

Copyright fail!

Taí, nunca pensei que um defensor da propriedade privada e das corporações oprimidas fosse fazer um papelão desses.

Rafael Galvão vs Família Gracie

Lendo este post, bateu a dúvida: você prefere um Presidente capaz de influenciar empresas, ou um que é influenciado por elas?

Cartas para a redação.   🙂

paris_night

Melhor assim

Excelente post do Rafael Galvão sobre franceses vs ingleses na II Guerra Mundial.

Apesar de tudo, quando passeio ali pelo Sena ou imagino o estrago que uma dessas faria no Louvre, dou graças aos céus pela “cautela” francesa na II Guerra…

O Paulo tem um post realmente intrigante lá no FYI.  Vamos lá:

The US has won the war in Iraq. There is no other way to say this. And yet, because we don’t have generals sitting in a aircraft carrier in the Persian Gulf signing fancy documents, nobody really seems to acknowledge that. Search for Iraq news today. There aren’t any.

C´mon, isto é realmente um exercício de wishful thinking.

Em março de 2008, as FFAA dos EUA tinham:

  • 84,488 soldados estacionados na Europa;
  • 70,719 soldados estacionados no Extremo Oriente e Pacífico;
  • 7,850 soldados estacionados na África do Norte, Oriente Médio (fora Iraque e Afeganistão) e sul da Ásia;
  • 2,727 soldados estacionados na África Subsaariana;
  • 2,043 soldados estacionados na América Latina (curiosamente, o maior contingente em Guantanamo, e o segundo maior contingente em Honduras…);

contra:

  • 195,000 soldados estacionados no Iraque (provavelmente um pouco menos, hoje);
  • 31,100 soldados estacionados no Afeganistão (provavelmente mais, hoje).

Isso significa o seguinte: 57,4%% das tropas americanas estacionadas fora dos EUA estão ou no Iraque ou no Afeganistão.  Na verdade, o Iraque sozinho é responsável por 49,5% das tropas “overseas“.  Aliás, levando em consideração que os EUA têm mais 1,083,027 soldados em seu próprio território, a gente conclui que as forças no Iraque são hoje cerca de 12% do efetivo total.

Elas estão lá e, a despeito das promessas de Obama, continuam por lá.  Convenhamos que ter mais de 10% do seu contingente militar imobilizado a milhares de quilômetros de casa, sem poder sair de lá, é um conceito muito estranho de “vitória”.

Principalmente porque a idéia inicial de “vitória” da operação contra o Iraque não era derrubar Saddam Hussein ou destruir seu exército _ ambas missões fáceis e realizadas em menos de um mês, se usarmos a queda de Bagdá como marco.  Não, a idéia inicial era transformar o Iraque em uma vitrine da democracia ocidental no Oriente Médio.

Estamos esperando.

Não que Paulo seja o primeiro a cantar vitória antes da hora _ neste aspecto ele já estava em muito má companhia há tempos.  Mas essa evidência nada ensina ao Paulo, muito pelo contrário:

You can say whatever you want about the Iraq war. Maybe it was too expensive, based on false premises and mismanaged for way too long. But in the end, this is one war we put under the W column. And if nothing else, that has a HUGE impact on the way the enemies of the US see our country.”

Nesse caso seria interessante explicar porque Coréia do Norte e Irã são alvo constante da ira norte-americana, já que, a seguir esta lógica, deviam estar sentadinhas no canto, bastante atemorizadas com o destino de Saddam.

Mais irônico ainda é saber que enquanto os EUA estavam ocupados “ganhando a guerra” no Iraque, estavam cavando o seu próprio poço macroeconômico, que explodiu em 2008 e quase levou o país à breca _ se é que ele ainda não vai parar lá.  Impermeável a essa realidade, Paulo continua receitando…mais do mesmo:

So now we need to see if Obama deliver the goods in Afghanistan. By all means, that war there should be easier to win than Iraq’s. There is no concern around legitimacy, it’s a less populous country, we have the support (albeit feeble as always) from Europe and there are no huge ethnitic civil wars lurking in the background. It is just a matter of sending more troops, commitming more money and enduring to the end.”

Little_Rock_integration_protest

Resolvi dar uma incrementada no post _ pesquisa histórica e cortesia Ratapulgo

Bem, o previsível Paulo do FYI ficou chateadinho com o post abaixo e resolveu escrever uma “resposta”.  Faço comentários a tópicos selecionados:

• To destroy private and public property (forcing the city of Seattle to overspend half of its budget on this instead of public projects) to show your disgust at capitalism is right and noble.

_ Bom, pelo menos eles destruíram propriedades em seu próprio país.  Já os republicanos

To show up at town hall meetings and yell at Democrats because you think they will bankrupt the country is a disgraceful radical act.

_ Eu diria que é bem radical para um partido que pegou um superavit e transformou em um deficit bilionário.

• When Bush brings Evangelicals to the White House he is a religious zealot.

_ Hã…mas, bem, ele é.

When Obama brings an Evangelical to his inauguration he is just a common sense middle of the road American.

_ Mas, raios, Obama é o anticristo, tá lembrado?

• To have President Bush elected in a contested election is proof of corruption and lack of transparency (even after we know that the controversial recounts would show the same result). To have a governor elected by 129 votes (out of 2.7 million) or a senator that was confirmed only after 6 recounts (and was losing until the 4th) is completely normal and shows the strength of Democracy.

_ A ausência de diferença entre uma eleição roubada e uma eleição apertada é uma daquelas coisas em que os republicanos também acreditam.

• When Clinton, Gore and all major Democrats called Saddam the biggest threat in the world and bombed the country repeatedly they were wise statesmen. When Bush went to war for the same reasons he was a loony dictator.

_ Pois é, e depois Paulo reclama quando eu falo que os EUA têm um pezinho no imperialismo

• To create a national scandal about a Republican congressman that supposedly sent sex messages to congressional pages (in the end Foley was not even criminally charged) is fair politics.

_ Um absurdo mesmo.  Pena que quem fez isso foi o Partido Republicano.

• To make any mistake when justifying a war is an unforgivable offense that should be treated as a crime against humanity. To lie about the possibility of ending a war is just a fair political game.

_ First things first, brother.  Depois, essa história era tããããão grave que o Kanjorski até ganhou a eleição…

• To call some allies “Old Europe” is a major diplomacy blunder. To give the Queen of England an iPod with your speeches in it or to bow before the King of Saudi Arabia is pure creative genius.

_ Você precisa atualizar seu arquivo de gafes de Bush

• To torture the admittedly mastermind of 9/11 is really bad. Unless you are Jack Bauer. Ah, and if other countries are torturing we are ok with that too.

_ O problema é quando a tortura vira hobby. Seu.

• Rich people are horrible. Even the Cuban revolution was ok because you know, in the end all they did was to get rid of the ugly rich and choose a nice attorney to lead them! The only good rich people are we of course and our Hollywood brethren. It is no coincidence that they are our serfs.

_ Deixa disso. Há atores para todos os gostos, embora eu realmente ache difícil chamar Suck Norris de bonitinho.

• We love our Liberal Lions. Even when they have a weird family history of liking dictators like Hitler and Chavez. Oh, we have another one who loved the KKK, but he is so old we kind of forget about that.

_ Godwin´s Law!  Paulo, você já foi melhor que isso…

• To call Bush the devil, monkey or stupid is the civil right of any right thinking American. To make any remark about Obama or any Black Democrat is a racist crime.

_ Bem, quando há um motivo

• When Bush says marriage is between a man and a woman he is showing how backwards and bigoted he is. When Obama says the same thing we don’t quite believe it.

_ Vamos colocar a coisa assim: qual candidato era contrário à união civil entre homossexuais?

• When Republicans cheat on their wives they are hypocrites that should leave office immediately.

_ Errr…cadê o link?  [smirk]

• Soldiers dying in Iraq show that the war is a disgrace and we are stuck in a lost war. Soldiers dying in Afghanistan show that we fight for our beliefs and victory is just a matter of strategy.

_ Pois é, e depois Paulo reclama quando eu falo que os EUA têm um pezinho no imperialismo…[2]

• We are an incredibly backwards nation because we don’t have a health care system like Switzerland’s.

_ Yeah!

We are also an incredibly backwards nation because we do have a gun policy much like Switzerland’s.

_ Tsk-tsk.

• To challenge Obama’s birth certificate makes you a disgrace to your party. To challenge Bush’s National Guard service or Sarah Palin’s son legitimacy makes you a concerned citizen.

_ Paulo, um caso é uma mentira, o outro é uma hipocrisia da parte de seus candidatos.  Quer que desenhe?

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Abre o olho, Sarko!

Sergio Leo, em excelente post(*), me faz ver Carla Bruni, primeira dama em França, sob um novo ponto de vista.

(*) mas não me perguntem o assunto.   🙂

queer eye

Blogueiros de direita

Parece que o Alexandre Soares Silva tomou gosto por este blog.  Agora, resolveu fazer um comentário sobre este post:

* Aparentemente esquerdistas associam apreço pela própria higiene com homossexualidade, e conservadores não. Fascinating stuff.

***

Mas, cá entre nós, este olhar lânguido que os blogs de direita deitam sobre os blogs de esquerda, o que é senão um queer eye for the straight guy?

O Paulo do FYI, depois de me citar em dois de seus últimos três posts, decretou que eu o estou provocando.  Só porque falei que Paul Krugman deve ser mais americano que ele.

Bem, a família Krugman migrou da Alemanha para a região de Nova York, nos EUA, em 1872.  Krugman nasceu em 1953, portanto acho extremamente provável que ele já seja da segunda geração dos Krugman nascidos nos EUA.  O Paulo, ao que eu saiba, é imigrante recente _ parece que ele foi morar nos EUA em 1998, com uns 24, 25 anos.  Ele foi para lá com um visto temporário, depois ganhou um green card, e finalmente, a cidadania.

Ele se ressente de seus amigos que ficaram no Brazil, para quem ele é “um traidor“.

Paulo diz que só deixou o Brasil porque “o Brasil o deixou primeiro“.  A experiência fundadora foi ter sido roubado por pivetes quando ia comprar pão aos 10 anos de idade e ainda por cima ser xingado pelos ditos cujos de “alemão”.  

Não deixa de ter lá sua justiça poética que os ancestrais de Krugman tenham sido alemães legítimos e Paulo tenha sido um “alemão” no Rio de Janeiro.  É provavelmente a única coisa que os une.

***

Eu já falei nisso uma vez, mas não custa repetir: para alguém que largou o Brazil e assumiu o lado norte-americano de sua personalidade de forma tão natural e sem complexos como ele diz, a sua tag cloud é um tanto esquisita:

tagdofyi

O “Brazil” ocupa um espaço tão importante no blog do Paulo quanto “Economy” e “Left-wing”.  Eu francamente não consigo entender porque diacho alguém tão “norte americanizado” a ponto de sentir-se tão norte-americano quanto o Krugman (na verdade, mais norte-americano, por “pagar mais impostos” – pensando bem, uma métrica assaz insólita para um aynrandiano)  alimenta tamanha obsessão pelo Brazil e pelos brazileiros.  A menos que se trate, é claro, de uma obsessão causada por um trauma do qual ele não consegue se livrar.

***

O mais engraçado é que aparentemente Paulo fugiu do Brazil para não ter que encarar mais pivetes e poder ter uma vida sossegada de classe média, que ele julga tão desprotegida no Brazil mas que é o próprio “american way of life” no seu país de adoção.   Ele não consegue perceber que o 9/11 que tanto o assombra não é outra coisa que não aquele pivete, voltando para atazanar o “alemão”, só que em outra escala.

Fugir do problema não significa que o problema está resolvido.

O paraíba fez um post sobre o Twitter.

Pra dizer que não tem tempo de twittar.

Pô, mas o post que ele escreveu pra isso dava pra exatas 30,6 twittadas.

Deixa de ser preguiçoso, paraíba!   🙂

(*) to twitter = pipilar, gorjear, chilrear

The stream is going mainstream.

_ Nick Carr

Pois é, o dileto colega blogueiro Animot, que vez ou outra fala de vacas, resolveu agora botar o bode na sala e gentilmente encarregou-se de botar na rua a pergunta que, devo confessar, eu mesmo já me fiz:  entro ou não entro pro Twitter, meudeuzi?

Afinal, há pouco tempo pude constatar na própria pele virtual e internética o pudê do Twitter: foi só o Idelber me citar no Twitter dele que meus page links deram um salto (momentâneo, é claro).  Se bem que esse talvez seja mais um tributo ao pudê do Idelber do que do Twitter, mas whatever.

E o Twitter é mesmo uma sensação: até um dos astronautas que está na já lendária missão de conserto do telescópio espacial Hubble tem twittado, para o delírio das hordas de nerds astronáuticos.

Ou não:

Mike Massimino, an astronaut on space shuttle Atlantis, is going to have to do some explaining to the Twitter community when he lands today at Kennedy Space Center. Turns out Massimino wasn’t really tweeting from space on the @Astro_Mike account. 

It was actually a NASA employee doing the micro-updating for him, and not even in real-time: Massimino writes his updates in space and then e-mails them to Houston. That means it often takes hours for updates to appear on the Twitter account, since e-mails are transmitted from the shuttle only a few times a day.

OK, talvez fosse mesmo pedir demais que um sujeito a mais de 300km de altura ficasse twittando em vez de trabalhar _ o homem hora dele deve sair meio caro para a Nasa.  O problema é que “ghost-writing” no Twitter está cada vez mais próximo da norma do que da exceção:

Twitter — a microblogging tool that uses 140 characters in bursts of text — has become an important marketing tool for celebrities, politicians and businesses, promising a level of intimacy never before approached online, as well as giving the public the ability to speak directly to people and institutions once comfortably on a pedestal.

But someone has to do all that writing, even if each entry is barely a sentence long. In many cases, celebrities and their handlers have turned to outside writers — ghost Twitterers, if you will — who keep fans updated on the latest twists and turns, often in the star’s own voice.

É claro que, diferentemente do Idelber, eu não sou uma celebridade.  Mas, por outro lado, diferentemente dele, eu sou um desconhecido que além disso é anônimo.  E quem vai querer seguir o Twitter de um anônimo que sequer consegue fazer um update decente no seu blog, que dirá no seu Twitter?  Se na internet ninguém sabe que você é um cachorro, no Twitter ninguém sabe que você pode sequer estar mesmo na internet.

E cá entre nós, se até o Departamento de Estado dos EUA tem um Twitter, quem sou eu para entrar nessa onda??  Afinal conheço poucas pessoas menos diplomáticas que eu.   🙂

De qualquer modo, lá vai o resultado parcial da enquete do Animot.   Sem querer jogar um balde de água fria, mas jogando: arriscando-me contra a maioria, votei “Nunca”.  Vamos ver se mantenho o voto…    🙂

hermetwitter

Idelber vem ao Brasil e me solta essa:

Ao contrário dos mexicanos, por exemplo, que contemplam com credulidade absoluta com os símbolos pátrios, os brasileiros não temos uma data nacional – não há coisa mais insignificante para nós que o 7 de setembro –, nem heróis vitoriosos, nem revoluções, nem guerras de independência. Talvez nosso mais importante ritual de comunhão nacional seja a conversa e a piada acerca de quão esculhambado é o Brasil.”

E o Fla-Flu? O legítimo, não aquele.  E o Carnaval?  E a Dira Paes?

Sei não.  Acho que o Idelber tá ficando “not tupy”…   🙂

Uma característica infeliz, ainda que inevitável, da blogoseira é que ela replica a vida.  Mais especificamente, ela replica a metáfora da agulha no palheiro: você vai ter que afastar muita palha para achar uma agulha que preste.

E a internet não poderia ser diferente, é claro.  Da mesma forma que existem algumas agulhas afiadas por aí, como um Samurai, um Sergio Leo, um Rafael Galvão, um Olho no Fato, um NPTO, entre outros _ gente que tem o que dizer _ infelizmente, também pululam por aí  os blogs de palha, quando não de palhaços.  Um deles é o pústula.

Na verdade nem há muito o que dizer sobre o sujeito, pois ele não oferece muita substância; não tem reflexões próprias, não faz críticas pertinentes, realmente não é um adversário digno de nota.  Mas ele escreveu algo engraçado sobre este que vos fala:

Tal figura vive de ser ombudsman de blogues alheios, sempre tentando uma polêmica aqui outra ali para se regozijar com o trono temporário de “contraponto à blogosfera de direita”.”

É uma questão de ponto de vista.  Eu concebo mais facilmente minha missão como de caráter civilizatório, mas talvez por isso mesmo gente como ele não consiga percebê-la como tal _ o que talvez signifique mesmo que eu ainda tenho muito o que fazer nesse sentido.   🙂

No entanto, gostaria de dizer que uma tal “argumentação” me parece sumamente incoerente para quem tem posts intitulados “Observatório dos blogues” (não um, não dois, mas três), “Sobre a blogosfera de esquerda“, “A Blogosfera de esquerda“, tem até uma tag apenas para falar de blogs, e, sobretudo, alguém a quem, na verdade, eu só tive o desprazer de citar porque ele, afinal, foi quem linkou esse bloguinho aqui para reclamar da falta de ombridade dos blogueiros conservadores em não terem vindo defender os anaeróbicos de mesa de bar.

Mas tudo bem, meu caro “da C.I.A.”.  Toma lá alguns minutos de minha atenção, véio, e aproveite bem porque eles não se repetirão.

aaz

Criança palestina morta em bombardeio israelense

Troféu “Rasgando a Fantasia 2009”:  Paulo do FYI

There is even a point to be made that shooting someone is not as barbaric as cutting that person’s head off (…)

***

Aí vai meu julgamento:

QUESITO BATERIA

Não tenho dúvidas.  Pela cadência regular em que Paulo dispara barbaridades, é 10, nota 10!

QUESITO SAMBA-ENREDO

Aí a coisa já desanda, porque o Paulo só manda um samba de uma nota só.  Zero.

QUESITO HARMONIA

Em perfeita harmonia com o wingnutismo da deep America.  Nota dez.

QUESITO EVOLUÇÃO

Paulo sempre fica em cima do muro nessas coisas.  Suspeito que seja um criptocriacionista.  Zero.

QUESITO ENREDO

O enredo do Paulo é monótono, mas não se pode acusá-lo de inconsistência.  Por outro lado falta criatividade, malemolência e ziriguidum.  Cinco.

QUESITO CONJUNTO

Hoje em dia Paulo consegue atrair alguns dos piores comentadores da blogoseira brasileira (com algumas honrosas exceções).  Zéééro.

QUESITO ALEGORIAS E ADEREÇOS

Paulo em geral não consegue distinguir um argumento de uma ironia, que dizer de uma alegoria.  Trata-se do reino do concreto.  3, e olhe lá.

QUESITO FANTASIAS

Em matéria de fantasia, estamos falando de um mestre.  Paulo vive em um mundo de fantasia, na verdade.  Nota 10!

***

Apesar de alguns zeros, o FYI manda bem e vai continuar na pole-position dos desfiles anaeróbicos.  🙂

Eis a prova de que a ironia, esta incompreendida, não sobrevive ao transporte entre línguas mesmo estreitamente aparentadas.  Lembram do meu post “Primeirão!“?  Pois o rapaz ali citado respondeu:

Saludos!

Por casualidad me encontré con este blog y esta charla acerca del nombre HERMENAUTA donde, además de citarme textualmente aclaran que mi intención es la de “usurpar” la marca o el nombre.
Por mi parte les puedo decir:
El nombre HERMENAUTA lo ideé el año 2002 a partir de las ideas y conceptos que se mencionan en Myspace (www.myspace.com/hermenauta), tomando como inspiración el nombre de El Eternauta (obra narrativa y gráfica clásica de la Argentina), y drl concepto de Hermenéutica procedente de la vieja Grecia. Al adoptar este nombre como título para lo que será una obra personal y luego un proyecto de banda musical, me puse a investigar acerca de su alcance en la web y, fue sorpresivo saber que nuestro nombre ya existía dentro de algunos círculos intelectuales y literarios, y más aun formaba parte del ideario de la obra de Antonio Polo en su libro “La Vida En Hermenauta”, donde el nombre remite a un lugar.
Ahora bien, sin el más mínimo ánimo de hacer polémica sobre el tema ni reclamar derechos… me parece que el nombre ya tiene bastante recorrido antes de mi iniciativa acá en Chile y la de Uds en Brasil… y considero un poco desafortunado el comentario acerca de que nuestra intención acá es la de “apenas usurpar” la marca o lo que sea que Uds llamen Hermenauta.
Les deseo suerte en lo suyo….
Gracias
Jaime Daire
HERMENAUTA – CHILE

***

Na verdade eu já conhecia o livro “La Vida En Hermenauta”, mas de buscas no Google.  Eu realmente “inventei”, ou pensei ter inventado, o nome “Hermenauta” _ o que não é nenhum grande feito de linguagem, por sinal.

Jaime, se você voltar aqui e ler isso, acredite, o post era apenas irônico, e a “acusação” feita a você um gracejo, seja lá como se diga isso em argentino.  Abraços!

Em uma discussão no Crooked Timber a respeito do artigo onde Clive Crook afirma que os blogs estão arruinando o debate econômico, encontrei referências a três papers aparentemente interessantes sobre “o pudê dos blogs”:

1) The Political Blogosphere and the 2004 U.S. Election: Divided They Blog

In this paper, we study the linking patterns and discussion topics of political bloggers. Our aim is to measure the degree of interaction between liberal and conservative blogs, and to uncover any differences in the structure of the two communities. Specifically, we analyze the posts of 40 “A-list” blogs over the period of two months preceding the U.S. Presidential Election of 2004, to study how often they referred to one another and to quantify the overlap in the topics they discussed, both within the liberal and conservative communities, and also across communities. We also study a single day snapshot of over 1,000 political blogs. This snapshot captures blogrolls (the list of links to other blogs frequently found in sidebars), and presents a more static picture of a broader blogosphere. Most significantly, we find differences in the behavior of liberal and conservative blogs, with conservative blogs linking to each other more frequently and in a denser pattern.

2) THE POWER AND POLITICS OF BLOGS

Weblogs occupy an increasingly important place in American politics. Their influence presents a puzzle: given the disparity in resources and organization vis-à-vis other actors, how can a collection of decentralized, nonprofit, contrarian, and discordant websites exercise any influence over political and policy outputs? This paper answers
that question by focusing on two important aspects of the “blogosphere”: the distribution of readers across the array of blogs, and the interactions between significant blogs and traditional media outlets. Under specific circumstances – when key weblogs focus on a new or neglected issue – blogs can socially construct an agenda or interpretive frame that
acts as a focal point for mainstream media, shaping and constraining the larger political debate.

3) Self-Segregation or Deliberation? Blog Readership, Participation, and Polarization in American Politics

There is active debate among political scientists and political theorists over the relationship between participation and deliberation among citizens with different political viewpoints. Internet based blogs provide an important testing ground for these scholars’ theories, especially as political activity on the Internet becomes increasingly important. In this article, we use the first major dataset describing blog readership to examine the relationship between deliberation, polarization and political participation among blog readers. We find that, as existing theories might predict, blog readers tend to read blogs that accord with their political beliefs. Cross-cutting readership of blogs on both the left and right of the spectrum is relatively rare. Furthermore, we find strong evidence of polarization among blogreaders, who tend to be more polarized than both non-blog-readers and consumers of various television news programs, and roughly as polarized as US Senators. Blog readers are also substantially more likely to participate in politics than non-blog readers. However, in contrast to previous research on offline social networks, we do not find that cross-cutting exposure to blogs of different ideological dispositions lowers participation. Instead, we find that cross-cutting blog readers are about as likely as left wing blog readers to participate in politics, and that both are significantly more likely than right wing blog readers to participate. We suggest that this may reflect social movement building efforts by left wing bloggers.

***

Estou beeeem enrolado hoje e só catei as referências, mas ainda não li os textos.  Depois eu digo o que achei.  Mas esse trecho do texto do Crook vai dar o que falar:

Many of the most successful economics blogs promote communication within political groupings, not across them. On the web you best build an audience by organising a claque and stroking its prejudices. Extend elaborate courtesy to people you agree with and boorish contempt to those who do not get it. Celebrate exasperation and incivility as marks of intellectual authenticity – an attitude easier to tolerate in teenagers under hormonal stress than in professors at world-class universities.”

Minha opinião é que a blogoseira (mesmo fora da blogoseira estritamente econômica) é um ambiente onde os extremistas eventualmente dominam e, após um extensivo uso da trolagem, deslocam os moderados para as margens do extremismo.

Eis aqui o melhor da safra do “meme dos segredos“, entre aqueles que aceitaram o desafio:

Idelber:

Em 1971, aos 2 anos e 8 meses de idade, eu ganhei uns milhões de cruzeiros de Flávio Cavalcanti na TV, fazendo algo que algum dia conto. Deve estar nos arquivos da TV Tupi. Mais não conto e mais não me foi perguntado.”

Agora só resta saber se ele era daqueles que comia grilos ou dos que tinha pedras que se reproduziam em uma caixa.  🙂

Paulo do FYI:

Even though I mock Mr. Smartonauta for having a government job, back in 2002 I interviewed with the FCC and was really close to accepting an offer. A bad mean private company offered me more money and I ran away from my chance of tasting the sweet public servant life.

Eu sabia.

Samurai:

Aos onze anos de idade, tendo por informação apenas propaganda eleitoral, fiz uma vizinha votar em Rubem Medina. Quatro anos depois, fiz minha madrinha votar em Modesto da Silveira. Os votos que dei, pessoal e posteriormente, foram melhores. Mas nem todos.

Fazer alguém votar em Rubem Medina é muita maldade. Devia dar cadeia.

NPTO:

Uma vez eu estava indo de ônibus do Rio pra Campinas, e estava feliz da vida porque na cadeira do lado não tinha ninguém, ia dar para deitar para dormir. De repente entra uma dona no ônibus com um urso de pelúcia gigantesco, sem sacanagem, do tamanho de uma pessoa. Rosa, a porra do urso. Aí a dona coloca o urso na cadeira do meu lado. Eu digo, minha senhora, a senhora me desculpe, mas eu dei sorte de pegar esse lugar sem ninguém aqui, a senhora por favor leve seu urso para o bagageiro. E a filhadaputa me vira e diz, bom, eu comprei passagem pra ele. E era verdade, ela me mostrou a passagem. E lá fui eu, seis horas de viagem do lado de um urso gigante rosa. Uma hora eu dormi, de repente acordei, olhei pro lado, me assustei e gritei “que porra é essa, caralho!!!!!”, o que divertiu imensamente o resto do ônibus. Só não foi minha pior viagem de ônibus de todos os tempos porque outra vez eu fui do lado de um cara da Amway.”

Confessa: você deve ter pesadelos com ursos rosas até hoje…

pigs

Meus prezados 4,5 leitores, acabo de bloquear os comentários de dois posts recentes que tiveram uma repercussão que eu não esperava que tivessem.

Dessa história, fica a reflexão: por algum motivo, quanto mais liberais e individualistas se tornam os blogs hospedados em portais conservadores, mais o seu comportamento como grupo às vezes se mostra próximo do das alimárias, como cáfilas, varas,  alcatéias e outros coletivos menos votados.

Portanto, chega de deitar pérolas a este assunto.

***

Este post permanecerá no topo da página por algum tempo.  Os posts mais recentes estão debaixo deste.

Paulo do FYI sai do armário e mostra seu lado (hum, relativamente) humano!

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Paulo, eu te envio expressamente um convite para um meme e você desconfia que eu fiz isso “on purpose”.  Vá ser conspiratório assim na casa de Dick Cheney!   🙂

Soares Silva, mostrando que fleuma é algo bom para os outros,  esqueceu que trocou de portal, botou o nariz vermelho de wunderbocó e resolveu tomar as dores dos Apostos _ com bem menos nonchalance do que o Igor, que foi um dos diretamente envolvidos e escreveu por aqui com grande classe: 

O que eu acho engraçado em posts como este, e nos comentários, é que a falta de familiaridade das pessoas de esquerda com não-esquerdistas os leva a ficarem surpresos, ou pior ainda, acharem “simpático”, que não-esquerdistas se filmem conversando num bar. Eles parecem achar que isso foi algo que os não-esquerdistas fizeram deliberadamente para se mostrarem mais iguais a todo mundo, como alienígenas fariam se tentassem parecer mais humanos. Também a idéia de que todo mundo conversando em bar está, de alguma forma, imitando a Turma do Pasquim, que aparentemente criou a idéia platônica da conversa em volta de uma mesa circa 1966, na Rua Maria Quitéria, depois de um insight alcoólico do Jaguar. Não vejo malevolência nesse tipo de surpresa; é mais uma caipirice, uma falta de experiência social mesmo.”

***

Alexandre,  acho estranho você, logo você, querer roubar assim a bandeira da conversa de botequim dos “seus inimigos”, quando há tempos atrás você escreveu isto:

Eu odeio gente-como-a-gente

Às vezes sinto o impulso de confessar algo vergonhoso, como por exemplo – e é verdade – que gosto de filmes com Julia Roberts e Sandra Bullock – não, que amo esses filmes – e que gostei de As Panteras II – como não gostar de Cameron Diaz dançando e tropeçando? Sério que não sei como -, mas daí sei que corro o risco de parecer gente como a gente, ou pior ainda, de parecer que estou querendo parecer com gente como a gente – como essas pessoas que sempre repetem que estão acima de discussões políticas porque estão mais interessados nos seios da mulher da padaria, ou qualquer outra coisa vulgar assim que essa gente adora. E tenho nojo de gente como a gente. Por favor tentem dar um soquinho na minha barriga – ouviram um som estranho? É que há um rei dentro dela.

E esse rei me pede que não confesse que adoro “O Casamento de Meu Melhor Amigo”, e filmes assim. Okeydokey, não direi, my liege. Volto a pôr o monóculo e leio pessoas falando mal de mim em blogs. Gosto disso, porque é preciso ter inimigos. A sociedade é uma escada na qual se sobe apoiado nas costas sebosas dos seus inimigos.

Mas às vezes confesso que queria inimigos melhorzinhos. Meus inimigos seguem todos a estética do gente-como-a-gente: você só é perdoado enquanto não parar de falar de caracu com ovo, botecos, butecos, cerveja, uísque. Essa aristofobia se caracteriza por uma frase que raras vezes é dita, mas que está sempre atrás de cada parágrafo dos gente-como-a-gente: “Você acha que é melhor do que eu?”

E, bem, sim – acho. Melhor que eles? Any day, anytime, old duderino. Todo mundo pode ser melhor do que qualquer um, se simplesmente abandonar a estética do gente-como-a-gente, vou-de-chinelo-no-boteco, e-aí-esse-Palmeiras-hein. Jogue fora o bermudão, vá a bares ao invés de botecos. Vim ao mundo ensinar a importância de ser metido a besta. Erga o queixo, old top.

Por inimigos melhorzinhos. Polidos na discordância, e que não tenham medo de nomes de autores. Que não tenham medo do mágico mundo fora do boteco, buteco, ou sei lá para onde vocês se arrastam para beber má cerveja. Que não estejam sempre e suspeitamente gritando que odeiam o racismo e que têm sentimentos belos. Que entrem na sua sala e mostrem a cortesia normal de visitantes; que não ponham os pés na mesinha de centro de mamãe; que não arrotem e digam que você é metido a besta porque não arrotou em uníssono. Céus, por inimigos melhorzinhos, sim, sim.

Ora, Alexandre, é raro ver um conjunto tão ilustre de blogueiros tentando ativamente ser assim, gente como a gente, inclusive falando sobre coisas como Gretchen, aos 46 segundos; “sexta sexy” (1:14); “bom plantel” (2:08); “alexandre frota” (4:47); teste da praia (7:21); mulheres que “se pegam” (8:37) _ entre outras vulgaridades.  Tá certo que isso não é bem arrotar, vá lá.  Mas chega perto.

Talvez um dia você consiga me convencer de que seria fácil, fácil juntar C.S. Lewis e G.K. Chesterton em um mesa de bar (sem cerveja! shocking) para falar de Gretchen e Alexandre Frota.  Mas eu acho difícil, e ficaria, verdadeiramente, chocado, assim como fiquei chocado com a coisa assim “gente como a gente” desse vídeo dos Apostos.  

Não posso deixar de pensar nisso mesmo, que o vídeo foi feito para chocar. Sim, sim, prefiro a minha versão;  acho que todos aqueles jovenzinhos (desculpa aí, Antonio Fernando Borges!) falando de um conservadorismo que gosta de mulheres que se pegam , foi só pra isso. A entrevista do Pedro Sette no Apostos. Só pra isso. Só pra fazer a boca desse cara aqui se abrir de espanto.

***

UPDATE:

Lá nos comentários do post, Alexandre diz o seguinte:

Isso demonstra uma tal falta de conhecimento pessoal de gente de direita/conservadores/católicos/libertários que é, bom, engraçado. Todas as vezes que me encontrei com conservadores/católicos etc foi em bares. Ou, OK, 80% das vezes pelo menos. Até gente da Opus Dei – eles bebem e falam de mulher. Well dã.” [grifo meu]

AHAHAHAHAHAHAHAHAH

Shocking!

O Sergio Leo me passou um meme.  E diz:

Quero ver isso nos blogues do Bicarato, Biajoni, do da Lucia Malla, do Rafael Galvão, do Hermenauta e da Leila.”

OK, se é isso que ele quer…segurem-se:

Jornal não tem meme

02 de fevereiro, 2009 • 10:38 PM | 1 comentário

Como que para complementar meus argumentos aí embaixo sobre blogues e jornais (voltarei em breve ao assunto, isso é uma ameaça), o Jorge me manda algo tipicamente blogosófico, algo que traduz a faceta rede de relacionamentos carcaterística dos blogs.

Um meme.

É uma espécie de corrente do bem, em que amigos ou conhecidos pela blogolândia repassam uma sugestão de post a outros amigos, que os repassam e assim por diante. Brincadeira pura. E por que não? Mas o Jorge me ameaça, diz que contará podres da minha vida caso eu não dê seguimento ao post. Minha vida é um e-book ligado, Jorge, com apenas alguns arquivos deletados para evitar o acesso.

Mas, como na Internet, nunca se sabe se o que você apagou não ficou reproduzido em algum cache cagueta, obedeço. O meme manda contar seis coisas secretas ou nem tanto sobre a própria vida.

Isso é outra característica dos blogues. Só alguns cronistas expoem tanto sua vida em jornal como os blogueiro acabam fazendo na blogopolis. Sabemos das doenças, das perdas, das mudanças de emprego dos nossos blogueiros favoritos. É mais próximo isso da aldeia globsal do McLuhan do que nenhuma publicação impressa jamais chegou.

Mas vamos ao meme:

1) Como sabem só os amigos mais próximos, comecei a carreira de jornalista escrevendo, editando, montando (com textos datilografados em Composer, colados com cola Pritt), e imprimindo em xerox o bolteim O Vegetariano, da combativa Cooperativa dos Vegetarianos da Guanabara, a mais antiga do país. (e o único lugar onde encontrei estágio quando o currículo da UFRJ exigia isso). O que a maioria não sabe é que, nessa época, também ensaiei uma colaboração para a Ele e Ela como copydesk, reescrevendo cartas dos leitores para a seção Forum, de relatos/fantasias eróticos. Reescrevi dois, publicaram e nunca mais me pediram outros. Errei nos adejtivos, acho. Fui mais bem sucedido como free-lancer do jornal da arquidiocese, O Cristo em Copacabana. Pagava bem textos curtos, trabalho fácil.

2) Tenho enorme dificuldade em reler o que escrevo. Suspeito que os leitores também.

3) Em meus primeiros anos em Brasília, costumava fazer acompanhar refeições com Keep Cooler. E adorava. Sei, não deveria estar contando isso, é vergonhoso demais.

4) Não consigo assistir peças de teatro. Fico nervoso, temso com a possibilidade de que algo imprevisto interrompa a peça e a faça terminar em vexame. Isso quando a péssima qualidade dos atores me deixa tenso, nervoso, com o vexame que se desenrola no palco.

5) Na infância, roubava bolinhas nas cartelas de jogos de futebol de botão, no supermercado. Não me pergunte para quê. Juro que se as encontrasse, devolvia.Era um delito perfeito, até hoje. Mas o remorso é algo pesado, na mente do criminoso.

6) Eu cobri o primeiro Rock in Rio para O Globo, entrevistei o Whitesnake (com meu inglês de então, não entendi 70% do que falaram), o Ozzy Osbourne e outros que já me esqueci. E não fui a um show sequer. Não tive tempo, nem paciência. Chega. O que a gente não faz pelos amigos ganhos por um blogue.

Leia o resto deste post »

Matamoros descobre a Bubble Doom.   🙂

Até aí tudo bem.  O problema foi quando o Sr. Fabio Marton, que comete o blog Tupy or Not Tupy, produziu o seguinte despautério na caixa de comentários do Torre de Marfim:

Ah, uma coisa eu posso garantir: se Obama quiser brincar de Franklin Delano Roosevelt, poderemos ter um resultado parecido, isto é, em 1942 o desemprego continuava o mesmo de 1932.

Como terminou o New Deal e toda a onda de economias neomercantilistas nós sabemos: a II Guerra Mundial, o maior festival de pleno emprego por vidraças quebradas da história.

Evidentemente, o New Deal não é a causa maior da Guerra, mas não se deve subestimar o efeito da onda antiliberal que varreu o mundo então. Onda que começou antes da crise, exatamente como na Rússia e na América Latina de hoje.

Na gloriosa arte do insulto, um argumento de que gosto muito consiste justamente em observar, en passant, que um determinado texto de alguém não só não está certo como não está nem mesmo errado.  É essa sensação que me assalta ao ler o comentário de Fabio Marton.  A começar pela reconfortante asserção de que o New Deal,  afinal, não é a causa maior da guerra _ o que nos informa obliquamente que uma causa menor, pelo menos, ele deve ter sido, na mitologia martoniana.  Depois pela acurada identificação da tal “onda antiliberal que varreu o mundo”.  Seria fascinante se o dr. Fabio nos indicasse em que momento, entre os anos do Senhor de 1871 e 1939, essa “onda antiliberal” teria aportado nos territórios germânicos _ dos quais se pode dizer, au contraire, apenas terem passado por uma “marola liberal” durante o momento de Weimar…

Como vocês já devem estar sabendo, o pau andou comendo entre Pedro Dória e ninguém menos que o Vilósofo da Virgínia, Olavo de Carvalho.

Eu gosto muito do Pedro Dória, mesmo quando ele diz coisas como “a trama se  adensa” em lugar de “the plot thickens”.  E acho que não preciso repetir minha opinião, er, perene, sobre Olavo de Carvalho.    Por isso sequer vou esboçar um post a respeito desta briga.

Mas um cara chamado Paulo (sempre os Paulos…) comentou lá em um dos posts do Dória, querendo provar a grande importância de Olavo na cultura brasileira. E fê-lo citando os nomes de pessoas ou grupos que de uma forma ou outra teriam recebido a bemfazeja influência de Olavo.  São eles, segundo o tal Paulo:

1 O pessoal da Dicta & Contradicta, já colocado.
2 Em boa parte aqueles ligados ao ordemlivre.org
3 O próprio caso do Mídia Sem Máscara, coordenado por Paulo Diniz Zamboni.
4 Oindivíduo. Especialmente Pedro Sette Câmara.
5 Praticamente todas as pessoas dedicadas a educação liberal que existem no Brasil hoje, podemos citar a dupla Aristoi.com e EspaçoHumanitas.
6 O trabalho que se desenvolve em torno do seu filho, Luiz Gonzaga de Carvalho Neto. (Provavelmente não há no Brasil ninguém que saiba metade do que ele sabe de religiões comparadas e história das religiões.)
7 Inegável influência entre o movimento pereanislista inteiro (apesar de pequeno) que há no país hoje.
8 O pessoal do VigilânciaDemocrática de Campinas, que tem feito ótimo trabalho.
9 O grupo AcarajéConservador da Bahia.
10 Em Recife, o CaféColombo, fora intelectuais que se reuniam constantemente em torno de sua obra.
11 O Veritatis Splendor.
12 De Olho na Mídia, por exemplo, é influenciado.
13 Movimento Viva Brasil. E sim, a derrota no referendo do desarmamento não foi só por conta de Chico Santa Rita, não. Os movimentos que já viam de antes foram fundamentais para formar massa crítica, e Olavo totalmente ligado a eles.
14 Pessoal do Grupo Inconfidência de Minas.
15 EscolaSemPartido, muito influenciado também.
16 Movimento Pró-Vida, várias pessoas ligadas.
17 O ativista Júlio Severo e cia.
18 Movimento Fora Lula e Grande Vaia (especialmente os líderes).

Ele elencou essa lista como prova do alcance e da influência do pensamento do Olavo.  Eu, difererentemente,  acho que quer se leia a lista de baixo pra cima, quer se leia de cima pra baixo, ela é totalmente irrelevante no contexto da cultura brasileira e portanto uma contraprova, mas estou aberto a ouvir quem queira nos demonstrar o contrário.

Ele sempre me lembra esse personagem.  Ou esse.  Já os moinhos de vento

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Depois eu explico.  🙂

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Galvão e a vontade de preencher o vazio existencial

Rafael Galvão queixou-se amargamente deste meu post. O motivo? Este.

Não se preocupe, rafex. Você tem licença poética para liberar o seu furico metafísico e matar a racionalidade a golpes de bom humor de vez em quando.  Mas vê se não abusa.   🙂

Será que a blogoseira morreu?

It’s no surprise, then, that the vast majority of blogs have been abandoned. Technorati has identified 133 million blogs since it started indexing them in 2002. But at least 94 percent of them have gone dormant, the companyreports in its most recent “state of the blogosphere” study. Only 7.4 million blogs had any postings in the last 120 days, and only 1.5 million had any postings in the last seven days.”

Nick Carr acha que sim, e mostra antecedentes históricos:

Radio soon came to be dominated by a relatively small number of media companies, with the most popular amateur operators being hired on as radio personalities. Social production was absorbed into corporate production. By the 1920s, radio had become “firmly embedded in a corporate grid,” writes Douglas. A lot of amateurs continued to pursue their hobby, quite happily, but they found themselves pushed to the periphery.

E foi bom ou foi ruim? Foi bom…

Allowing readers to post comments on stories has now, thanks to blogging, become commonplace throughout online publishing.”

Mas…

But the once popular idea that blogs would prove to be an alternative to, or even a devastating attack on, corporate media has proven naive.

Who killed the blogosphere? No one did. Its death was natural, and foretold.

E o filho da mãe ainda tem um post-script que dá o que pensar.

Os colegas blogueiros concordam?

Não sei se já falei, mas o clima lá no Sítio do Sérgio Leo é de puro sexo, estes dias.

O Paulo do FYI veio aqui me dizer o seguinte:

Vc so quote other people, critica deus e o mundo e quando finge dar opiniao fica em platitudes.”

Bem, Paulo não parece saber de onde vem a palavra “blog“.  Se soubesse, perceberia que citar outros é um expediente bastante comum em um blog _ alguns diriam até essencial.  De fato, é até interessante notar que o Paulo usa extensivamente citações de outrem, embora, por algum motivo que deve pertencer à ordem do psíquico, exaspere-se terrivelmente ao ver esta técnica empregada em blogs alheios.  Fazer o quê.

Quanto a criticar “deus e o mundo”, sempre me pareceu que eu criticasse mais Deus que o mundo.  Claro, eu poderia escrever um blog extremamente deferencial, que apenas reunisse notícias boas e elogios sobre pessoas e eventos.  Só que neste caso eu teria outro emprego: seria um colunista social.  Por outro lado, novamente parece que o Paulo é chegado naquela idéia do “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”, a julgar pela “tag cloud” do seu blog, generosamente montado pelo WordPress e disponibilizado no blog dele por ele mesmo.  Por algum motivo (da ordem do psíquico??), parece que o que o Paulo mais gosta é falar sobre o que não gosta.  E acho que não é pra elogiar.

Quanto a essa recorrente indisposição do Paulo sobre minhas opiniões…bom, ainda bem para os parentes dele que eu só finjo ter opiniões.  Imaginem se eu as tivesse _ ele era capaz de ter uma síncope.

O Paulo não acha que a crise americana (hat tip: Samurai) seja o fim do mundo.  Suponho que ele não tem muitos amigos que trabalhem no Washington Mutual (ou já os perdeu a esta altura), o que poderia lhe dar uma nova perspectiva sobre o tema.  Mas é claro que tudo depende de como você define o que seja o fim do mundo.  Por exemplo, se você é o tipo de pessoa que acha que o aquecimento global não é um problema, ou está very heavy on drugs, então definir o que seja o fim do mundo é uma tarefa muito difícil.

Mas ao mesmo tempo parece que o Paulo está pondo suas barbas de molho.  🙂

O blog Sophismata aparentemente vem acompanhando o Hermê aqui há algum tempo.    De lá pra cá ele produziu dois posts com comentários a respeito deste blog.  Aí vai uma pequena réplica.

No primeiro post, Sophismata até que tem um bom ponto, porém o perverte:

Conventional wisdom says the VP should be strong on the areas and states the main candidate is weak. But at the same time he/she can’t be contradictory or think different on policy issues. The VP candidate is supposed to be complementary yet similar. In all theories, the VP choice will bring more votes to the ticket.

Along questions about McCain’s health are wishful thinking, the “ready if needed” argument is fragile to say the least: since LBJ took over for JFK 45 years ago, no vice-president had to take over the presidency. It shows lack of understanding on the VP’s role in government (a role largely changed in two decades of Gore-Cheney), as if the vice-president stayed on the sideline warming up before getting in (in which case he might want to get one ofthese).

Não há a menor dúvida de que a escolha do Vice Presidente, no contexto norte-americano, tem realmente como um de seus objetivos a maximização da cobertura eleitoral, de forma a arregimentar uma base complementar à do candidato principal.  No entanto, é no mínimo temerário dizer que o papel do Vice-Presidente como substituto do Presidente na sua ausência temporária ou permanente é algo acessório.  Da Wikipedia:

The formal powers and role of the vice president are limited by the Constitution to becoming President should the President become unable to serve (e.g. due to the death, resignation, or medical impairment of the President) and acting as the presiding officer of the U.S. Senate. As President of the Senate, the Vice President has two primary duties: to cast a vote in the event of a Senate deadlock and to preside over and certify the official vote count of the U.S. Electoral College. For example, in the first half of 2001, the Senators were divided 50-50 between Republicans and Democrats and Dick Cheney’s tie-breaking vote gave the Republicans the Senate majority. (See 107th United States Congress.)

The informal roles and functions of the Vice President depend on the specific relationship between the President and the Vice President, but often include drafter and spokesperson for the administration’s policy, as an adviser to the president, as Chairman of the Board of the National Aeronautics and Space Administration (NASA), as a Member of the board of the Smithsonian Institution, and as a symbol of American concern or support. Their influence in this role depends almost entirely on the characteristics of the particular administration. Cheney, for instance, is widely regarded as one of George W. Bush’s closest confidants.

Bem, McCain é idoso, e é também um sobrevivente de câncer.  Embora qualquer um possa morrer, a morte e substituição do presidente dos EUA é coisa para ser tratada com mais cuidado do que, digamos, a substituição do síndico do prédio.   Além disso, apesar do que sugere Sophismata sobre os superpoderes adquiridos pelo VP no período Cheney, nunca é demais lembrar que Cheney e Bush são filhotes do mesmo projeto, se conhecem há anos, e que a ascendência de Cheney, que está longe de ser uma soccer-mom, sobre o Presidente se deve principalmente à nulidade que é George W. Bush.

Então eu gostaria de inverter a proposição do nosso amigo Sophismata: usar a vice-presidência principalmente como um meio de ganhar a eleição, sem despender alguma preocupação com o papel constitucional do VP, é um ato de profunda irresponsabilidade, não uma esperteza.

O segundo post de Sophismata mencionando este blog diz o seguinte:

The most interesting fact of the week: how the Left condemned and ridiculed Palin’s daughter pregnancy on religious, almost Puritan grounds, whileevangelical Christians largely protected the girl. It makes sense: religious conservatives, who see this happening all the time, know man as a sinner and are not surprised.

Primeiro eu gostaria de observar que a péssima construção do parágrafo torna todo o argumento quase ininteligível.  Sim, até imagino que possa ser possível CONDENAR Bristol Palin em bases puritanas, e imagino que haja puritanos que já estejam deitando mãos a essa obra, mas a meu ver já é mais difícil ridicularizá-la a partir desse ponto de vista (na medida em que ridicularizar algo me parece incompatível com um mindset tão sério e aborrecido quanto o puritanismo, mas enfim).

Segundo, que o meu post, na verdade uma repetição de um post do Samurai no Outono, não ridiculariza a pobre da Bristol, e sim a mãe dela ou mais genericamente toda a postura republicana sobre “family values“, ou ao menos sobre a capacidade dos republicanos em promovê-los.  Também seria de bom tom reconhecer que os pios republicanos evangélicos não estão protegendo Bristol _ se Bristol não fosse quem é, provavelmente estariam apontando mais uma pecadora _ mas sim a candidatura da mãe dela.

Nesse sentido, acho que este vídeo, maldosamente intitulado “John McCain thinks VP Palin will be a great asset” pelo pessoal do Wetmachine, mostra mais um elemento que nos permitirá no futuro avaliar com mais propriedade o quanto da sociedade McCain vs Palin passa pelo puritanismo:

Ou isso, ou os assessores republicanos têm idéias realmente inovadoras sobre lugares onde enfiar um teleprompter.   🙂

Tô quase botando ali no “Sobre”:

O Hermê é implicante. É implicante até dizer chega. É um sujeito doente ao ponto de estar em Paris — em Paris, meu Deus — e comentar notícias da Folha de São Paulo. O Hermê é um velhinho carioca sádico exilado em Brasília que passa os dias babando sobre fotos da Nathalie Portman. E não do Richard Dawkins, como pensam uns desavisados por aí.

Um bom debate nasce lá no blog do Sergio Leo (as usual). Em um post sobre a ação da PF no caso Daniel Dantas, o comentarista aiaiai fez uma ponderação interessante sobre a atuação da repórter da Folha de São Paulo, Andréa Michael, que teve a prisão pedida pelo delegado Protógenes (e negada pelo juiz de Sanctis):

E já que vc não mudou de assunto, me permita perguntar de novo, voltar à questão do FUROxÉTICA:

se você fosse um repórter de polícia e descobrisse – por uma fonte da própria polícia – que estão fazendo uma operação para pegar um bando de traficantes de com a boca na botija e ainda apreender drogas e armas, você publicaria a matéria ou esperaria o fato acontecer para depois contar como a polícia trabalhou durante meses para conseguir finalizar a operação?

Responde Sérgio Leo:

É isso aí, aiaiai, a ética é uma só, mas os casos a que ela se aplica são variados, não dá para extrapolar. No caso dos traficantes, eu não publicaria, acompanharia os preparativos (até para notar se não houve vazamento para os traficantes)e pediria para me avisarem para publicar no dia da operação. No caso do dantas, eu publicaria, porque um inquérito bem montado pela polícia nesses casos não deve depender de surpresas, golpes de mão. Um inquérito de crime financeiro não é uma operação de invasão à favela (para começar, não precisa de Caveirão). Sempre me surpreendi em Brasília com a quantidade de fontes de nformação que empresários, políticos e a elite em geral dispõe, além dos jornais (mas também me surpreendo como são mal informados em certos assuntos, e dependem dos jornais).
Mas concordo com você, a discussão não é fácil, e não tenho opinião fechada sobre o tema. Até porque me mantenho longe da polícia; não sei assumir o tipo de compromisso que se precisa fazer para ter informação desse pessoal.

Minha opinião é a seguinte: no caso da Andrea, há dois agravantes.

a) Gravidade do ilícito: alta. No caso de crimes financeiros geralmente estão envolvidas quantias muito superiores ao que qualquer gang de favela pode manejar;

b) Risco de impunidade: alta. No caso de crimes financeiros geralmente estão envolvidas pessoas com muito mais incentivo e capacidade para apagar rastros e destruir provas, se alertadas sobre o que está acontecendo.

Eis o que Andrea escreveu na reportagem intitulada “Dantas é alvo de nova investigação da PF“, na edição de 26 de abril da Folha:

Desde meados de 2007, o inquérito que investiga Dantas e seus comandados está sob a presidência do delegado da PF Protógenes Queiroz, o mesmo que investigou e prendeu o hoje deputado Paulo Maluf e o contrabandista Law Kim Chong.
Houve uma análise estratégica para conduzir a investigação. Dantas tem muitos informantes no meio de telecomunicações, até por já ter contratado espiões particulares que usam prática ortodoxas, a exemplo da Kroll, segundo acusa o Ministério Público Federal, e ser acionista da Brasil Telecom e também da Telemar. A opção foi grampear o fluxo de e-mails que circulam pelo servidor central do banco Opportunity.

Francamente, tenho minhas dúvidas se divulgar tais informações era mesmo necessário, pois de uma só tacada ela expôs não só o responsável pela operação (a ameaças e/ou tentativas de suborno) como parte da estratégia de investigação. Certamente o Opportunity deve ter tomado muitas medidas de segurança após o caso vir a luz pelas mãos da jornalista no 26 de abril.

Diga-se de passagem que a edição da Folha nesse dia estampava a manchete “Com R$ 2,6 bilhões, Oi compra Brasil Telecom“, com várias matérias sobre a operação na seção “Dinheiro”, o que indica que havia um esforço editorial coordenado para cobrir todos os aspectos desse negócio _ incluindo a vida e a obra de Daniel Dantas.

Portanto, embora eu acredite que Andrea não tinha interesse próprio na história, acho que os desdobramentos justificariam a criação de um CONAR do jornalismo investigativo, ou criação de um código de ética, se é que já não existe um. Acho que atitudes como a da repórter da Folha, no limite, tendem apenas a aumentar a demanda por secretividade das forças policiais. O que não é bom, penso eu.

***

O último link acima aponta para uma matéria interessante, falando sobre a revisão do Código de Ética dos Jornalistas, aprovada no final do ano passado. Diz a matéria:

Pelas novas regras, fica proibida a divulgação de informações obtidas com uso de identidade falsa e câmeras escondidas. De acordo com o texto, isso só poderá ocorrer, em caso de esclarecimento de informações de relevante interesse público e quando esgotadas todas as possibilidades em que o profissional possa recusar o seu uso.

Na avaliação de Nunes, isso dará fim ao tipo de reportagem de “denuncismo”, prática feita com muita facilidade e pouca responsabilidade. Para Spada, há outras formas de se conseguir provar uma denúncia. “Você não precisa enganar a fonte de qualquer forma e pretexto”, conclui.

O texto final inclui princípios da Constituição de 1988, artigos constantes no Estatuto da Criança e do Adolescente (1990), no Código do Consumidor (1990) e no Estatuto do Idoso (2003). Cláusulas como a presunção da inocência – referente à prerrogativa de “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória” – e de consciência, também foram anexadas ao código.

De acordo com Antônio Carlos Queiroz, vice-presidente Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, o desafio é combater a atual disposição de certos meios de denunciar, julgar e punir pessoas com a execração pública, muitas vezes sem elementos de prova e sem conceder-lhes o direito de resposta. O jornalista poderá ainda se recusar a executar pauta que se choque com os princípios do Código ou que agridam as suas convicções – ressaltando que essa disposição não pode ser usada como argumento, motivo ou desculpa para o profissional deixar de ouvir pessoas com opiniões contrárias às suas.

Ainda de acordo com o documento, é dever do jornalista informar ao público a utilização de recursos para fotometragem que modifiquem a imagem original. A nova redação traz também esclarecimentos do Código e do processo disciplinar vigente e do processo disciplinar da atuação da comissão.

Tenho a impressão de que fica um vácuo aí: o jornalista está restringido, pelo código, a usar escutas, câmaras, etc. Mas os veículos de mídia se sentem no direito de publicar estas informações tão logo elas sejam vazadas pela polícia. Ou seja, a mesma prática, que em um caso é uma afronta ao Código de Ética, no outro já se torna “notícia”. A meu ver, isso é questionável.

_ Ô, Protógenes!

Protógenes levantou a cabeça por cima da parede do seu cubículo e avistou o seu chefe fumegando em sua direção. “Malditas segundas feiras”, pensou.

_ Porra, Protógenes!

Junto com o expletivo, aterrisou na mesa de Protógenes um enorme calhamaço, jogado pelo seu chefe de uma distância que em outro lugar valeria uma cesta de 3 pontos.

_ Qual o problema, chefe? _ murmurou um acuado Protógenes.

_ Tu ainda me pergunta qual é o problema?? Qual é a tua? Depois de quatro anos de investigação, milhares de horas homem de trabalho, cinquenta grampos autorizados pela Justiça…tu me aparece com isso?

O chefe pegou o calhamaço e o agitou na frente de seu rosto, de modo que Protógenes só conseguia ver o título do documento _ “Investigação acerca da eventual culpabilidade de Daniel Dantas: o Poder de Polícia, seus Limites e Possibilidades” _ encimado por um par de olhos vermelhos e coléricos.

_ Que porra é essa, Protógenes???

_ Bom, chefe, é o relatório final da operação Satiagraha e…

_ Porra, Protógenes! Isso não é um relatório de um inquérito, é uma tese de doutorado!

_ É, chefe, eu aproveitei e…

_ Aproveitou uma ova! Teu relatório tem dedicatória, Protógenes! DE-DI-CA-TÓ-RI-A! Quer que eu leia pra você?

Antes que Protógenes pudesse dizer que não, que ele conhecia a dedicatória muito bem, afinal havia sido ele quem a escreveu, o chefe começou a berrá-la a plenos pulmóes:

_ “Gostaria de dedicar este relatório a meus filhos, minha mulher, meu professor de lógica modal e a Daniel Dantas, sem cuja colaboração este relatório jamais poderia ter sido escrito”…

_ Mas, chefe, é verdade, veja bem que…

_ PORRA, Protógenes, eu sei que você é cuidadoso, todo mundo neste maldito prédio sabe, mas agradecer o suspeito já é demais, você não acha não?

_ Tecnicamente, chefe, o Daniel Dantas não é bem um suspeito, porque tecnicamente, dependendo do valor de verdade…

_ CALABOCA, Protógenes!

_ Mas chefe, o fato é que o Dantas é fruto do seu meio, uma típica personalidade criada por um mundo materialista que…

_ Protógenes, enfia essa sua filosofia no cu! Eu quero é saber se o juiz vai prender o Daniel Dantas ou não vai, cacete!

_ Chefe, o sistema jurídico, tal como plasmado em nossa sociedade…

_ PORRA, Protógenes! Eu quero saber o seguinte: você fez o Dantas tocar o piano ou não?

_ Chefe, o Sr. sabe muito bem que não dispomos destas amenidades aqui na delegacia e…

_ Não fode, Protógenes!

O chefe saiu zunindo, sabendo que daí a meia hora teria que se haver com um furioso Ministro da Justiça. Protógenes sentou no seu cúbiculo, coçou a cabeça um pouco, e retomou a leitura do seu exemplar de “After the Fact”, do Clifford Geertz.

***

A historinha acima é uma elucubração que me ocorreu após ler este post do Matamoros lá no Torre de Marfim, onde ele afirma, sobre o delegado Protógenes, encarregado da investigação sobre Daniel Dantas, que o fato dele”(…)acreditar que [ele e Dantas] protagonizam uma guerra entre o Bem e o Mal (…) não é o comportamento mais adequado para um delegado da Polícia Federal.

Bom, eu não tenho esta certeza. Eu acho até que certos papéis sociais exigem personalidades específicas. Um delegado de polícia, em minha opiniáo, tem que ser um apaixonado por descobrir a verdade. Já um juiz tem mesmo que ser mais ponderado e equilibrado.

Nos anos 90, diante das sucessivas crises de credibilidade dos aparatos policiais das grandes cidades, o Departamento de Justiça dos EUA organizou um grande seminário sobre a atividade policial. Dali saíram algumas idéias e conceitos, como o de “integridade”. A integridade seria um conjunto de “virtudes” que todo policial deveria ter, incluindo, entre elas, a “responsabilidade”, definida assim:

Aristotle suggests that a person who exhibits responsibility is one who intends to do the right thing, has a clear understanding of what the right thing is, and is fully cognizant of other alternatives that might be taken. More importantly, a person of integrity is one who does not attempt to evade responsibility by finding excuses for poor performance or bad judgment.

O Paulo do FYI, que está convencido de que eu sofro de um irrefreável complexo de inferioridade, parece decidido a demonstrar sua tese linkando para cá uma vez por semana:

Não leio muito o Reinaldo Azevedo (principalmente porque depois de 11 anos fora os detalhes da política brasileira são insuportáveis), mas esse texto dele está muito bom:

De oprimidos e opressores

I wonder what his biggest fan will have to say about this.

***

Interessante que o Paulo, que no próprio post admite estar fora do Brasil há 11 anos e não se interessar pela política brasileira, prefere tomar partido em um discurso de Reinaldo Azevedo sem demonstrar conhecer absolutamente nada sobre a política fundiária brasileira. Nem da do seu novo país de adoção, ao que parece. Prova. Prova.

Mas se quer mesmo saber o que eu acho, eu digo em uma palavra: “asneiras”. Satisfeito?

O Rafael Galvão fez um post sobre o Rottentomatoes, mas também sobre o filme Wall.e.  Fiz lá o seguinte comentário, que transformo em post aqui, oportunisticamente:

Paraíba,
Filmes são o que os economistas chamam de “bens de experiência”; diferentemente de uma caixa de ovos, você só pode ter noção sobre a qualidade de um filme após “experimentá-lo” (*).
A crítica existe precisamente por esse motivo.  No entanto, há um grande problema quando nos vemos diante da resenha de um crítico: há uma assimetria de informação entre você e o crítico. Ele já viu o filme, você não; e a princípio, você não conhece o crítico suficientemente para saber aquilatar tudo o que ele está dizendo do filme (de bom ou ruim).
Diante disso há duas possibilidades:
a) Busque e encontre um ou mais críticos cuja sensibilidade ressoe com a sua.  Neste caso você provavelmente errará pouco.
b) Busque a opinião do maior número de críticos possível e deixe que a Lei dos Grandes Números opere em seu benefício.
Qualquer das duas alternativas demandará do consumidor a utilização de uma regra básica: conhece-te a ti mesmo.  No caso a) para saber se você e o crítico têm mesmo afinidade; no segundo caso, para saber se você é um contrarian avesso a tudo o que o resto da Humanidade adora.
No tocante à apreciação da obra cinematográfica em si, a coisa é um tanto complicada.  Para começar, as pessoas podem apenas estar em busca de entretenimento puro e simples.  Nesse caso é até admissível que sejam capazes de desenvolver um feeling para a qualidade do produto mais ligado ao pedigree dos atores, diretores, produtores, etc, do que à opinião do crítico _ simplesmente porque o produto “artístico” é mais variável e multidimensional do que o produto voltado para o “entretenimento”.
Por outro lado, se formos falar de “arte”, aí recairemos na espinhosa tarefa de ter primeiro que definir o que significa tal conceito.  Eu não vou nem tentar fazer isso, mas tenho uma intuição de que experiência e mais fundalmentamente a idade (porque há coisas incompressíveis no tempo, o que a experiência por si só não abarca) alteram sensivelmente a nossa capacidade de se espantar com alguma coisa (o que acho que deveria fazer parte de um conceito de arte, embora seja apenas um fator) ou achá-la bela (o que é um outro fator).
Nesse sentido muito particular, eu, diferentemente de você, acho que o filme inovou bastante na narrativa sim, se olharmos do ponto de vista de um público…adulto.  Em boa parte do filme, saber o que está acontecendo não é nada trivial, e exige uma certa quantidade de pressupostos dos quais talvez não estejamos cientes em uma primeira olhada.  Em outras palavras, eu conheço um bom contingente de adultos que não entenderia esse filme.  Mas me parece que as crianças já estão adaptadas a esse tipo de linguagem, talvez até por causa dos games.
E isso, eu imagino, é só um exemplo do “the shape of things to come”…

(*) a rigor, um ovo também só pode ser conhecido após deglutido, ou cheirado.  Mas a questão é que filmes são produtos muito menos padronizados que ovos.

O necrológio de D. Ruth no Valor de hoje dará ao pessoal da Torre de Marfim a oportunidade para falar de dois dos seus assuntos prediletos: PSDB e imigração japonesa.

Nascida em Araraquara, interior de São Paulo, estava casada com FHC há 53 anos. Deixa três filhos, Paulo Henrique, Beatriz e Luciana e seis netos. Antropóloga, obteve seu doutorado na Universidade de São Paulo em 1972 com a tese ” Estrutura Familiar e Mobilidade Social: Estudo dos Japoneses no Estado de São Paulo ” . Professora aposentada da USP, atuou ainda no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), na Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais, na Universidade do Chile, na Maison des Sciences de L ? Homme, em Paris, na Universidade de Berkeley, Califórnia, na Universidade de Columbia, em Nova Iorque e no Centro para Estudos Latino-Americanos da Universidade de Cambridge .

Vejam bem, se há alguém de quem eu tenho verdadeira pena hoje em dia nesse Brazilzão de meu Deus é de Pedro Malan. Ele podia estar por aí, matano, robano, especulando no mercado financêro, mas não! Ele resolveu acabar seus dias como um humilde Chairman of the Board of Directors do Unibanco, terceiro maior banco comercial privado brasileiro.

É por essas e outras que os Torreões de Marfim pagam o maior pau para o olheirento ex-ministro da Fazenda.

***

E como recordar é viver, não custa requentar aquele velho gráfico mostrando os portentos de Malan:

Lucia Malla tem um post bacaninha sobre tralhas indispensáveis em uma viagem. Ela fala de várias coisas que ela sempre carrega, mas me pareceu que o traste mais indispensável pra ela é o marido. 🙂

Ostentando toda a falta de originalidade que Deus me deu, devo dizer que para mim o equipamento indispensável é o bom e velho canivete suíço. Sim, algo anacrônico em tempos de palms, iPhones, laptops, micronotebooks, etc. etc. Mas o danado sempre me quebrou altos galhos. Exemplo:

Certa feita eu estava atrás das linhas inimigas e parei para tirar a água do joelho em um banheiro situado em lugar remotíssimo. Findo o dever fisiológico, descobri que…a porta do banheiro não abria. Nem a pau (*). O pior: o lugar remoto era remoto mesmo, o banheiro ficava em um subsolo, já estava ficando tarde e não me parecia provável que aparecesse vivalma nas próximas horas. Não tive dúvidas: com o valente apetrecho que, dizem, faz a felicidade das velhinhas prescientes, desmontei a fechadura e vivi mais um dia para ver a luz do sol.

Minha insistência com o raio do apetrecho já me rendeu o apelido de McGiver em certas rodas, especialmente em um certo camping onde os fósforos haviam sido devidamente esquecidos…mas meu valente canivete tinha uma lente de aumento que fez um belo fiat lux.

É claro que essa obsessão por canivetes fez com que vários tombassem no cumprimento do dever. Já perdi um número absurdo de canivetes, e hoje tenho dois, mas nem sei mais dizer em que geração canivetal estou.

Aliás, um dos meus dois canivetes suíços hoje em dia é chinês, o que diz muito sobre o mundo em que vivemos.

(*) on second thoughts: não, não se trata da acepção literal.   🙂

Ilustrando a diferença entre genialidade e mero esforço (já que eu li a mesma matéria, quase postei sobre ela mas não encontrei o ângulo certo para isso), Rafael Galvão, que largou o MT e amasiou-se com o WP, fala sobre o êxodo das putas brasileiras para a Europa.

Sim, sim, à semelhança de alguns célebres portais anaeróbicos, Rafael também está sofrendo com o “ass drain“.

Obs:  Rafael Galvão é cronista nato, blogueiro de mão cheia e putanheiro perpétuo das cores nacionais.

Enquanto procurava no Google uma imagem para ilustrar o outro post aí embaixo, deparei-me diversas vezes com o “Reflexões no Paranoá”, blog onde o assunto “barcos à vela” e “lago paranoá” surgem amiúde. Deparei-me com este melancólico post (já antiguinho):

Análise política

Política é um negócio interessante. Há dilemas que são insolúveis e, nessa condição, criam uma outra realidade, como uma transformação topológica. Tome-se o caso dos sanguessugas. Não há como apurar. O governo Lula simplesmente comprometeu-se com a liberação em massa de emendas fraudulentas e não há como apurar isso. Espera-se dos governos crimes magnos, satânicos, como foi o caso de Collor de Mello, que parecia disposto a extorquir toda a República. O governo Lula dedica-se ao roubo de galinhas e ao furto de objetos de uso pessoal. Instintivamente percebe-se que não se pode derrubar um governo por conta de crimes menores, mas são ainda assim crimes. Reduz-se a coisa à situação familiar dos tios bêbados que fazem saliências em festas. Há que se tolerar, mas o clima moral decai. Examinemos a situação do Congresso. Por baixo, são mais de 150 deputados envolvidos em roubo de dinheiro público por meio de emendas individuais. Não há como cassar todos esses mandatos. 95% deles são deputados governistas, que votam as MPs e os projetos do Executivo (et pour cause). O governo do Brasil pararia sem deputados corrompíveis. A publicação dessa realidade, porém, muda tudo. Nada é sério, na verdade, nem os sinais vermelhos do trânsito, as multas e, em breve, as campanhas de vacinação.

Houellebecq puro.

Mejor ir a San Telmo

Matamoros espanta-se com o fato de não ter encontrado muitos brasileiros na belíssima livraria bonairense “El Ateneo”. De fato é lugar que se pode ir nem que seja só para visitar e não comprar nada. Mas acho que ele se esqueceu que brasileiro, que já não gosta muito de ler, gosta muito menos de ler em espanhol. E por um bom motivo:

LA PRESUNTA ABUELITA

Había una vez una niña que fue a pasear al bosque. De repente se acordó de que no le había comprado ningún regalo a su abuelita. Pasó por un parque y arrancó unos lindos pimpollos rojos. Cuando llegó al bosque vio una carpa entre los árboles y alrededor unos cachorros de león comiendo carne. El corazón le empezó a latir muy fuerte. En cuanto pasó, los leones se pararon y empezaron a caminar atrás de ella. Buscó algún sitio para refugiarse y no lo encontró. Eso le pareció espantoso. A lo lejos vio un bulto que se movía y pensó que había alguien que la podría ayudar. Cuando se acercó vio un oso de espalda. Se quedó en silencio un rato hasta que el oso desapareció y luego, como la noche llegaba, se decidió a prender fuego para cocinar un pastel de berro que sacó del bolso. Empezó a preparar el estofado y lavó también unas ciruelas. De repente apareció un hombre pelado con el saco lleno de polvo que le dijo si podía compartir la cena con él. La niña, aunque muy asustada, le preguntó su apellido. Él le respondió que su apellido era Gutiérrez, pero que era más conocido por el sobrenombre Pepe.

El señor le dijo que la salsa del estofado estaba exquisita aunque un poco salada. El hombre le dio un vaso de vino y cuando ella se enderezó se sintió un poco mareada.

El señor Gutiérrez, al verla borracha, se ofreció a llevarla hasta la casa de su abuela. Ella se peinó su largo pelo y, agarrados del brazo, se fueron rumbo a la casita del bosque.

Mientras caminaban vieron unas huellas que parecían de zorro que iban en dirección al sótano de la casa. El olor de una rica salsa llegaba hasta la puerta. Al entrar tuvieron una mala impresión: la abuelita, de espalda, estaba borrando algo en una hoja, sentada frente al escritorio. Con espanto vieron que bajo su saco asomaba una cola peluda. El hombre agarró una escoba y le pegó a la presunta abuela partiéndole una muela. La niña, al verse engañada por el lobo, quiso desquitarse aplicándole distintos golpes.

Entre tanto, la abuela que estaba amordazada, empezó a golpear la tapa del sótano para que la sacaran de allí. Al descubrir de dónde venían los golpes, consiguieron unas tenazas para poder abrir el cerrojo que estaba todo herrumbrado. Cuando la abuela salió, con la ropa toda sucia de polvo, llamaron a los guardas del bosque para contar todo lo que había sucedido.

O meu guia de viagens predileto é o Guia do Mochileiro das Galáxias.

O meu segundo guia predileto é o Let´s Go.

Eu nunca usei, acho, o Lonely Planet, vítima de um escândalo do qual a Lucia Malla fala neste post.

Ela cita um comentário de um tal de Jeffrey White, com o qual ela concorda, e eu também:

Guidebooks are the CliffNotes of travel writing, nothing more than a hand-holding exercise. They’re good for a few names and a few addresses, some initial info, and maybe even the surprising fun fact (but you better verify it). Beyond that, they’re useless. They’re often wrong, more often skewed, and they seek to rob you of the only thing you have as a traveler: your impression.”

Lucia acrescenta ainda que

Uma coisa é você buscar nomes, endereços e afins – para isso, um guia de viagem atualizado funciona maravilhas, você não perde tempo procurando um restaurante que fechou as portas no ano passado. As tecnicalidades e atualidades físicas são a riqueza maior de um bom guia de viagem. Entretanto, me fixar num guia fielmente esperando ter as mesmas emoções ali descritas sobre um destino é de um vazio existencial para a minha pessoa impressionante.

Com o que também concordo em gênero, número e grau.

Não obstante, a vida seria dura sem guias de viagem.  Em 1988 eu desci o Rio São Francisco de barco, em um navio (que não era o gaiola, era um comboio de chatas de carga e navio de passageiro chamado barranqueira) da CODEVASF (me disseram que a empresa já não opera essa embarcação, mas eu achei um treco bem parecido no porto de Pirapora via Google Earth).  Eu sabia que a viagem existia, mas não conseguia obter informação em nenhum lugar (naquele tempo, é claro, via telefone, pois não existia internet…).  Onde é que eu fui obter as informações?  Em um guia americano (não me lembro bem qual, era capaz de ser um Fromerzinho da vida).  E pasmem, até o raio do preço em dólar estava certo!

um fã ao avesso

Apud Rafael Galvão, que os tem em grande quantidade, seja pelo avesso ou não.

Uma das obsessões de nossos diletos colegas do Torre de Marfim é Pedro Malan.  Os caras perigam até de deixar de comer mulher para defender Pedro Malan em uma mesa de bar, sô!

O que é, diga-se de passagem, bastante coerente, já que uma das soluções para o problema da pobreza preferidas de Malan envolvia, justamente, deixar de comer e de ser comida:

eu sei que é um tema que se presta a um debate totalmente emocional, que toca em sentimentos religiosos, pelos quais eu tenho profundo respeito, mas devo dizer que as estatísticas são aterrorizadoras neste contexto. Eu me refiro, aqui, ao problema de gravidez precoce em adolescentes no Brasil. Os dados do Ministério da Saúde mostram que a gravidez, taxa de natalidade, em adolescentes e analfabetas, no Brasil, é treze vezes superior à taxa de gravidez em adolescentes que têm quatro ou cinco anos de escolaridade ou mais. Esse é um dos mais poderosos mecanismos que uma pessoa pode imaginar para perpetuação da pobreza ao longo do tempo. Para fazer com que os filhos dos pobres de hoje sejam os pobres de amanhã, porque a minha sensação, espero não estar equivocado, é a de que uma adolescente, e a partir de dez ou onze anos já pode acontecer, nessa faixa, dez até quinze anos de idade, analfabeta, que tem filho a partir dessa idade, eu diria que essa criança que resultou dessa relação é, provavelmente, a criança que já nasce com uma enorme posição desfavorável em relação ao seu futuro na vida como ser humano. Acho que nós não dedicamos a essa questão, eu vejo que algumas organizações não governamentais estão preocupadas com essa questão. Acho que é uma área extremamente promissora porque a melhor maneira de lidar com a pobreza é ter políticas que procurem evitar que os filhos dos pobres de hoje sejam os pobres de amanhã, perpetuação dos mecanismos de transmissão de pobreza, e esse é um dos mais poderosos que existe, a meu juízo, pelo menos.

Por aí se vê que, para Malan, pobreza talvez fosse mais questão de mira do que de foco.

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