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Vosso Hermenauta aqui fez uma viagem vapt-vupt hoje.

Cheguei à seguinte conclusão: indo do Rio pra Brasília, na quinta feira à tarde, só tem dois tipos de gente, os burocratas engravatados e os músicos de pagode.

***

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Como podem ver, a Dicta&Contradicta bombando no rés do chão da livraria do saguão do aeroporto.

Um caso em que o nível físico está, er, à altura do nível intelectual da revista.

Final de setembro em Brasília.  Chove.

E a grama continua verde.

Eu, hein.

Almoçava eu hoje no Rio com o Samurai e outro amigo quando nos bateu uma iluminação:

A Argentina é o Brasil Bizarro de algum universo paralelo:  lá, eles puseram Pelé no comando da seleção e elegeram Rosinha Garotinho como Presidente da República…

***

Como vêem, nossos almoços são inspirados.   🙂

A grama está verde em setembro.

Muito estranho.

Dia desses passava eu por uma das vias de maior movimento do DF, já quase no horário do rush, quando dei de cara com uma cena daquelas que só acreditava possíveis na tribuna do Senado: um carro havia parado no acostamento _ não um carro qualquer, era um Peugeot 307 _ e estava com a porta do carona aberta.  Alguns metros adiante, agachado junto a uma árvore, um sujeito louro, bem vestido, de óculos escuros, aí pelos seus 30 anos, fazia o número 2 no cerradão artificial que cerca os bairros centrais da capital da República.  OK, pode ter sido uma emergência.

De qualquer maneira, deu no UOL:

Rio de Janeiro declara guerra ao xixi na rua e quer aplicar multa

Quinta-feira, 16 de julho, 10h15. Alheio ao intenso tráfego de carros na avenida Infante Dom Henrique, via conhecida como aterro do Flamengo, na zona sul do Rio, um taxista urina no meio-fio, depois de parar o carro ao lado de um canteiro. Não é o único: todo dia, dezenas de motoristas, taxistas ou não, usam aquele trecho da cidade como banheiro.

A rua Ministro Raul Fernandes, em Botafogo, é outro lugar usado pelos motoristas para urinar. “Eu parei de fazer xixi aqui há uns dois meses porque os moradores do prédio reclamaram”, conta um motorista de van de 39 anos que admite ter levado bronca da cooperativa onde trabalha. “Agora vou ao posto ou a algum bar.”

Enquanto ele conversa com o repórter, um taxista estaciona o carro, abre a porta e, sem descer, começa a urinar, a poucos metros de uma placa instalada por moradores para pedir que ninguém urine na rua.

(…)

A prefeitura planeja agora duas medidas: vai multar quem for flagrado urinando na rua e mudar o regime de contratação dos guardas municipais, para que possam aplicar multas.

Hoje os guardas são contratados como celetistas e não têm o poder de multar. A prefeitura quer transformá-los em estatutários, para que multem.

A punição também deve aumentar. Hoje, quem for flagrado urinando pode ser enquadrado na lei de limpeza urbana, que prevê multa de R$ 80 a quem sujar a cidade. A nova legislação vai prever a conduta específica –“urinar em lugar público”– e o valor da multa será maior. “Não definimos o valor, mas tem que ser algo que doa no bolso”, diz o secretário.

A prefeitura estuda até oferecer um bônus ao guarda que aplicar mais multas. Mas as mudanças ainda vão demorar meses. Enquanto isso, a prefeitura tenta pôr ordem nas ruas usando a Lei de Contravenções Penais. Quem é flagrado urinando na rua responde por importunação ofensiva ao pudor, punida com multa cujo valor varia conforme o poder aquisitivo do autor da infração.

Segundo a Secretaria da Ordem Pública, cerca de 30 pessoas, neste ano, já foram conduzidas a delegacias por urinar na rua. Os flagrantes ocorreram em duas situações: durante o Carnaval, em toda a cidade, e nos arredores do estádio do Maracanã, em dias de jogo.””

***

Estou de acordo.  É uma aplicação da “Teoria da Janela Quebrada”, eu acho, e embora eu entenda que há casos, digamos, “de emergência”, como o do nosso amigo brasiliense, e também que deveriam instalar mais banheiros públicos, é inegável que a “popularização” do ato de mijar em público contribui para o clima geral de avacalhação e esculacho do ambiente urbano.  E que já tem proporções epidêmicas na Cidade Maravilhosa, pelo que vi da última vez em que andei por lá.

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How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb

Tá difícil postar, viu.

Dia desses termino entendendo a sedução dos 140 caracteres.

Recebi hoje minha renovação da carteira de motorista.  Esses caras do DETRAN são LOUCOS!  🙂

De quebra, percebi que a despeito do ritmo acelerado da inovação tecnológica, as máquinas fotográficas continuam tirando fotos cada vez piores da gente.

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Por via das dúvidas, se alguém pegar um pedaço…

Deu no Valor:

Apagão deixa 60% do Distrito Federal sem luz Um apagão deixou 60% do Distrito Federal, incluindo boa parte do Plano Piloto e a Esplanada dos Ministérios, sem energia elétrica no fim da tarde de ontem. A falta de luz aumentou os congestionamentos e paralisou as atividades de escritórios. O corte, segundo a Companhia Energética de Brasília (CEB), foi provocado por um problema ocorrido às 17h45 em uma subestação de Furnas, quase na divisa com Goiás. A assessoria de Furnas afirmou que houve um curto-circuito, desligando toda a subestação, e os técnicos da estatal estão apurando suas causas.

A CEB disse, também por meio de sua assessoria de imprensa, que o suprimento foi cortado por 15 minutos. O sistema voltou “automaticamente”, mas a energia foi restabelecida “gradualmente”, para evitar panes ou sobrecargas.

Muitas áreas do Distrito federal ficaram mais tempo sem luz. No Plano Piloto, o corte no fornecimento durou até 40 minutos. A maioria dos ministérios tem gerador próprio e conseguiu manter suas atividades durante o período de falta de fornecimento de energia elétrica. No Congresso, tanto a Câmara dos Deputados como o Senado Federal ficaram às escuras, com exceção dos plenários, que também têm geradores .

Foram afetados Asa Norte, Lago Norte, Esplanada e parte do Sudoeste e a região do Setor de Indústria e Abastecimento, além de várias cidades satélites – Taguatinga, Ceilândia, Sobradinho e Planaltina. O metrô teve que interromper a circulação de trens e houve alguns transtornos no trânsito. Já a visita do príncipe de Gales, Charles, e de sua mulher, Camilla Parker, que começou ontem em Brasília, não foi prejudicada.

***

A verdade, porém, é que apagões mais localizados têm ocorrido em diversas partes da cidade há semanas.  No entanto, não há de ser por excesso de demanda que isto está acontecendo _ e além disso estamos na época de chuvas.  Mistério.

***

Ainda para ficarmos nas brasilianices, fico sabendo agora, pelo Correio Braziliense, que um monte de gente viu o que o jornal descreve como “misterioso facho de luz verde” que teria riscado o céu de Brasília na noite do último sábado:

Astrônomos acreditam que o ovni, com brilho e comportamento bem diferentes de um avião, se trata de um meteorito ou pedaço desgarrado do cometa Lulin. Equipamentos da Universidade de Brasília (UnB) registraram um sinal ainda não explicado no nordeste de Goiás.”

Alguns dos relatos me impressionaram:

Eu e minha família estávamos indo do Gama para um aniversário no Guará quando avistamos uma luz esverdeada muito intensa com uma cauda cortando o céu de Brasília. Aquela luz foi se desintegrando no ar e em poucos segundos acabou. Minha sobrinha achou que era uma estrela cadente e minha mãe, a princípio, pensou se tratar de fogos de artifício, mas logo imaginamos que fosse um meteorito e aproveitamos aquela imagem, que apesar de rápida, foi fantástica.”

“Também presenciei o fenômeno iluminado que rapidamente passou pelo céu! Estava num barzinho em Barreiras (BA), quando por volta das 19h, ouvimos um barulho e uma luz muito clara no céu. Estava muito perto. Parecia uma estrela cadente, mas como estava muito perto, pensamos que não seria, e após alguns segundos ela simplesmente acabou, parecendo pedacinhos de pedrinhas iluminadas. Não caiu em lugar nenhum. Acabou no céu como se tivesse evaporado, mas com um monte de partículas. Foi muito impressionante. E fez barulho, o que chamou nossa atenção para o céu. O barulho parecia de avião, bem baixinho.”

Os relatos me impressionaram pelo seguinte: as partes sublinhadas descrevem com exatidão algo que vi em Fernando de Noronha, há uns três anos.  Eu havia acabado de chegar na ilha, deixei a bagagem na pousada e saí correndo para ainda pegar o restinho do dia na praia.  Um pouco depois disso _ já estava escurecendo _ eu vi exatamente isto: um risco esverdeado no céu, muito forte, que terminou em um chuvisco de partículas. Suponho que seja mesmo um meteoro ou, quem sabe, a reentrada na atmosfera de algum tipo de equipamento ou satélite.  Aliás, acho que na última viagem do ônibus espacial uma astronauta perdeu uma caixa de ferramentas, que ficou vagando pelo espaço.

***

Mas antes que me chamem de teórico da conspiração, não acredito em nenhuma ligação entre o apagão e o clarão.

E eis que eu abri minha conta no Gmail, fui para a pasta onde um filtro arquiva automaticamente as mensagens de uma certa lista de discussão da qual participo, e depois de ler uma ou duas besteiras das grossas atentei para a coluna à direita onde o Google muy graciosamente aponta para seus links patrocinados.  No primeiro deles, brilhava este anúncio:

Venda de Feno.

(14)3322-3582\(14)9783-1480. Feno A com qualidade R$,050 o kilo.
http://www.fazendaaguadaprata.com.br

E eu vi que não há salvação fora do Google.

Dia de ficar em casa vendo o trabalho das formigas.

Palavra mais ouvida no aeroporto de Congonhas:  “cliente”

Palavra mais ouvida no aeroporto Juscelino Kubitschek de Brasília:  “senador”

Aproveitei o período natalino para pôr em dia algumas leituras. Um dos livros que li foi o “Previsivelmente Irracional”, do Dan Ariely. Grande leitura, sobre a qual me estenderei mais tarde.   Também li o “Na Praia”, do Ian McEwan, um autor de quem gostei muito quando li “Reparação”.  O romance é bom _ sem querer estragar a surpresa de ninguém, mas a ação toda se passa em uma noite apenas, um tour de force mesmo levando em conta que o livro tem menos de duzentas páginas _ mas não inova, no sentido em que revela, senão o “truque”, ao menos o tema que parece ser o fio condutor da produção literária de McEwan (pelo menos do que li dele até agora).  De todo o modo é algo que se lê com prazer, o que já é grande coisa.

O resto do que andei lendo, garanto, não ia interessar a ninguém aqui.  🙂

Relutantemente, e por acaso, eu ontem vi o show da Madonna.  

Mas eu gostei do show, pelo menos do visual.  Grandes producoes sao sempre sedutoras.  Ja o repertorio nao era la essas coisas.

Ontem, no Rio, comprei a nova Piauí.

Bem, confirmei minha primeira impressão: a revista é boa. Também acho que o Samurai está errado ao dizer que é revista de banqueiro. Revista de banqueiro é a Forbes. No Brasil…bom, no Brasil eu duvido que algum banqueiro que se respeite leia o lixo que é a Veja, por exemplo.

***

Ao comprar a Piauí na livraria do aeroporto, ganhei de brinde um negócio que eu achei que fosse um shampoo. Ao chegar em casa, depositei o pseudo-shampoo na penteadeira da minha digníssima cara-metade e o esqueci.

De manhã, a Sra. Hermenauta me pergunta, com o treco na mão:

_Que diabo é isso?

E eu tive que me explicar. E muito, porque o negócio não era um shampoo: era um tal creme que as mulheres usam para ajudar no penteado, uma maravilha da cosmética moderna de cuja existência eu sequer suspeitava. Infelizmente para mim, tratava-se de um cosmético um tanto bandeiroso, cujo porte não-autorizado sinaliza para qualquer esposa que se preze um indício de possíveis conexões extra-conjugais.

Aqui cabe uma nota informativa para o neófito na vida de casado: para um homem, casar é entrar no maravilhoso mundo da indústria química. A penteadeira de dona Hermenauta faria salivar de satisfação um oficial de guerra química da Wermacht. Portanto, o grande lance da história é: como, dentre tantos frasquinhos, frascões, vidros, potes, etc, ela conseguiu singularizar o inocente pote de pseudo-shampoo e reconhecê-lo como “non self“.

Depois falam das fêmeas de tartaruga.

Ainda em Brasília, a caminho do aeroporto, um outdoor de uma escola de dança.  No mesmo outdoor, duas mensagens:

“Aprenda a dançar!  Qualquer estilo em apenas 15 dias!”

“Precisa-se de professores de dança”

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O Rio de Janeiro continua lindo.

***

Mas será que em algum outro país os passageiros batem palmas quando o piloto faz uma aterrisagem especialmente suave?

***

Entreouvido na Av. Rio Branco:

_ Pois é, fulano abriu uma firma.

_ Firma de quê?

_ Tipo assim, uma firma de idéias.

***

No avião, durante o embarque, o alto-falante de bordo soa:

_ Sra. Mala de tal, por favor apresente-se à comissária de bordo.

Eu penso: isso não vai dar certo.

Entra uma mulher alta, elegante.  A aeromoça que está na porta pergunta:

_ A Sra. é a Mala?

A mulher alta perde a elegância:

_ Mala?  Que mala?  Que história é essa, minha filha?

Strike!

No UOL:

Motorista atropela grupo de ciclistas no México; um morre

Um motorista atropelou um grupo de ciclistas que participava de competição nos arredores da cidade de Matamoros, no norte do México, na manhã do último domingo (01), noticiou o jornal “El Universal”. Um ciclista morreu e pelo menos dez outros ficaram feridos.

O acidente ocorreu apenas 15 minutos depois do início da prova, cujo percurso ia de Matamoros, na fronteira com os Estados Unidos, até a praia Badgad.

Os atletas feridos foram atendidos por paramédicos no local e encaminhados a hospitais próximos.

Logo após atingir as vítimas, o motorista do carro teria entrado em estado de choque, segundo a reportagem de “El Universal”.

Um dos ciclistas que conseguiu se salvar do atropelamento disse ao “El Universal” acreditar que o caso não tenha sido um acidente. “Ele estava de frente para nós e mirou o carro de tal forma que atingisse o grupo inteiro”, afirmou ao jornal mexicano.

***

A cidade de Matamoros, no México, é um parque temático do blog “A Torre de Marfim“.

***

Em Brasília, bicicletas são um caso cada vez mais sério.

Quase todo o dia vejo um acidente grave envolvendo bicicletas. Perto de onde moro há uma enorme comunidade de baixa renda onde boa parte da força de trabalho arruma emprego nas mansões do lago _ que ficam, porém, há coisa de uns 10, 20 km de distância. Como o transporte público em Brasília é caro e ruim, os trabalhadores costumam ir para o trabalho de bicicleta _ pelo menos no período da seca. E é aí que mora o perigo.

Na minha experiência, porém, muito piores que esses trabalhadores são os grupelhos de ciclistas “profissionais” que andam pela manhã bem cedo por Brasília. Trata-se sem dúvida de gente classe média, com bikes importadas e paramentos profissionais (capacete, joelheiras, uniformes etc.). O complicado com esses caras é que eles costumam andar em grandes grupos, tomando uma faixa inteira das vias _ até mesmo na ponte JK! Ok, Brasília é mesmo deficiente em ciclovias, mas nem por isso se pode abusar _ e nossos ciclistas gostam de achar que são de fato automóveis em duas rodas. Outro dia um cara chegou a me dar a seta em plena ponte JK…

Lucia Malla tem um post bacaninha sobre tralhas indispensáveis em uma viagem. Ela fala de várias coisas que ela sempre carrega, mas me pareceu que o traste mais indispensável pra ela é o marido. 🙂

Ostentando toda a falta de originalidade que Deus me deu, devo dizer que para mim o equipamento indispensável é o bom e velho canivete suíço. Sim, algo anacrônico em tempos de palms, iPhones, laptops, micronotebooks, etc. etc. Mas o danado sempre me quebrou altos galhos. Exemplo:

Certa feita eu estava atrás das linhas inimigas e parei para tirar a água do joelho em um banheiro situado em lugar remotíssimo. Findo o dever fisiológico, descobri que…a porta do banheiro não abria. Nem a pau (*). O pior: o lugar remoto era remoto mesmo, o banheiro ficava em um subsolo, já estava ficando tarde e não me parecia provável que aparecesse vivalma nas próximas horas. Não tive dúvidas: com o valente apetrecho que, dizem, faz a felicidade das velhinhas prescientes, desmontei a fechadura e vivi mais um dia para ver a luz do sol.

Minha insistência com o raio do apetrecho já me rendeu o apelido de McGiver em certas rodas, especialmente em um certo camping onde os fósforos haviam sido devidamente esquecidos…mas meu valente canivete tinha uma lente de aumento que fez um belo fiat lux.

É claro que essa obsessão por canivetes fez com que vários tombassem no cumprimento do dever. Já perdi um número absurdo de canivetes, e hoje tenho dois, mas nem sei mais dizer em que geração canivetal estou.

Aliás, um dos meus dois canivetes suíços hoje em dia é chinês, o que diz muito sobre o mundo em que vivemos.

(*) on second thoughts: não, não se trata da acepção literal.   🙂

Nem que seja na porrada

Faixa colocada na grama, em frente à entrada de uma cidade-satélite de Brasília:

Parabéns, amor, sucesso!

Que todos os seus planos se realizem, principalmente se eu estiver neles.

Sueli

Hoje provavelmente salvei a vida de uma dona _ e quem sabe a minha também _ graças ao preconceito machista.

Estava eu vindo em um balão _ a uma certa velocidade não muito baixa _ quando percebi que vinha um carro em alta velocidade pelo outro lado. Aqui em Brasília, a preferencial é de quem está no balão, mas o outro carro vinha em uma velocidade incompatível com a necessidade de me deixar passar. De rabo de olho, vi que se tratava de uma dona.

Em cerebrês _ porque provavelmente não deu tempo de pensar isso em português _ deduzi: “A velha coroca não vai parar!” _ e meti o pé no freio e a mão na buzina, embora possa ter sido o contrário. No que fiz bem, porque a dona passou como um furacão, e eu rodei e fiquei parado, todo torto, no entroncamento da rotatória _ por sorte não vinha mais ninguém, apesar de ser um balão razoavelmente movimentado.

Dei a volta e segui meu caminho. A dona estava parada mais à frente, com uma cara de dar dó. Provavelmente está parada lá até agora, tremendo que nem vara verde. Antes assim do que morta _ eu provavelmente teria abalroado o carro bem na altura da porta.

Mas ainda não foi dessa vez. Como diria Zagalo: vocês vão ter que me engolir! 🙂

O Kenneth Maxwell descreve o seu domingo em São Paulo, na Folha de hoje:

Um bom domingo

SÃO PAULO pode ser divertida.
De fato, eu recomendaria abrir mão da praia por pelo menos um final de semana e dedicar o domingo a explorar o centro vazio da cidade.
A última vez que o fiz foi em novembro. Ver os edifícios municipais de perto foi maravilhoso. Contemplar as obras de Aleijadinho em exposição no esmerado e antigo edifício do Banco do Brasil. O passeio pela mansão da marquesa de Santos. O almoço no Pátio do Colégio. Até mesmo a algo bizarra descoberta de que um osso da coxa do padre José de Anchieta está exposto no oratório que fica ao lado da entrada principal da igreja. E tudo isso sem virtualmente ninguém por perto, o que propiciava tempo suficiente para desfrutar de todas as atrações.
O domingo passado começou com uma longa caminhada pelo parque Ibirapuera, lotado de paulistanos felizes e cachorros e skatistas, ciclistas e corredores. O Exército também estava presente.
Soldados demonstravam diversos aparatos de carga que usam cordas e roldanas, imensamente populares entre as crianças. Depois, o Museu Afro-Brasileiro: que coleção extraordinária, um acúmulo quase exagerado de maravilhas.
Houve recentemente uma exposição enorme em Washington, e enormemente dispendiosa, sobre os encontros globais dos portugueses. As galerias dedicadas à Índia, à China e ao Japão eram excelentes.
Mas a seção sobre o Brasil decepcionava e se concentrava nas conhecidas pinturas dos holandeses Post e Eckhout sobre o Pernambuco do século 17 e no barroco colonial brasileiro, um período que sofre de exposição excessiva. O conteúdo de qualquer uma das seções do Museu Afro-Brasileiro do Ibirapuera teria sido infinitamente mais interessante.
Na final da tarde, um soberbo concerto na Sala São Paulo, instalada na renovada estação ferroviária Júlio Prestes: Bach, Bartók e Bottesini, e uma platéia de centenas de entusiastas da música clássica apreciando o espetáculo. Depois, da sala de concertos eruditos para as ruas: largo do Arouche e avenida Vieira de Carvalho, para um delicioso galeto desossado e chope.
Do lado de fora do restaurante, uma parada informal e bem-humorada de gays musculosos (e nem tão musculosos), travestis e lésbicas, de todas as classes, etnias e idades, caminhando de lá para cá, de modo semelhante ao que costumava caracterizar o “footing” ao longo da avenida Nossa Senhora de Copacabana no Rio de Janeiro dos anos 60, um hábito que desapareceu há muito.
Em resumo, um domingo delicioso em São Paulo.”

***

Já eu levei uma hora e meia para ir do hotel ao aeroporto, ou seja, o mesmo tempo que o avião leva para ir de São Paulo a Brasília.

Mas ok, não era domingo.

***

Só não entendi esse final apoteótico do domingo do Maxwell no Largo do Arouche.  Será que ele é simpatizante?

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 Hermenauta 2.000.000 D.C.

Hoje de manhã, ao sair do banho, contemplei minha admirável compleição óssea no espelho e pensei: acho que eu daria um bom fóssil (de verdade, não desses que há por aí).  O que me falta é só o conhecimento técnico.

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Hoje de manhã, minha secretária doméstica me perguntou quem é Dilma Roussef.  Ignorance is really bliss.

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Um site fantástico para você limpar a tela do seu monitor se ele estiver sujo.

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Paradoxo de Fermi: especulações selvagens.

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Poucas vezes vi destruírem alguém tão completamente. I mean, fora da ficção.

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E porque hoje é sexxxxta

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Um outro mundo é possível.

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Antes tarde do que nunca.

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Gadgets da Idade Média.

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Bom fim de semana!

Diálogo entre vendedor de sacos plásticos para lixo e dona de casa, entreouvido hoje na porta do supermercado:

Dona de casa:  Ué, mas antes você vendia a embalagem com 40 sacos, agora são só 33?

Vendedor: É , dona, para poder manter o mesmo preço.

Dona de casa:  Ah, bom!

***

Assim não há Defesa do Consumidor que aguente.

Hoje rolou “pausa para manutenção”.

Logo de manhã, o cooler do Toshibão se suicidou e fez surgir uma ameaçadora tela azul com os dizeres “Sistema de Refrigeração com Defeito, Desligue e Procure a Assistência Técnica”.

Fantástico, isso acontecer logo no sábado prévia de carnaval.  Felizmente achei um cristão que se dispôs a consertar o treco até as 18:00 hs de hoje.

Agora posso enfrentar o tríduo momesco como convém: trabalhando em casa.

***

Estaciono e, na minha frente, um carro com um adesivo.  Mensagem:

“Você é racista?  Pessoas tatuadas têm todas as cores”.  E em seguida o telefone do gajo, que era, evidentemente, um tatuador.

A propaganda é efetivamente a alma do negócio.

março 2017
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