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Artigo muito bom do cientista político Claudio Gonçalves Couto no Valor de hoje, que expressa exatamente o que eu mesmo sinto a respeito da atual conjuntura:

A política da desimportância

A agenda política nacional das últimas semanas (para não dizer dos últimos meses) vem sendo tomada por temas irrelevantes para o destino do país. Não bastasse toda a energia despendida com o cutiliquê do cartão corporativo, temos agora o ressurgimento da baboseira acerca do terceiro mandato de Lula. E, enquanto a classe política e a mídia se ocupam de inutilidades desta monta, o país deixa de tratar do que é realmente relevante, como o aprimoramento de instituições que permitam dar sustentabilidade tanto ao crescimento econômico de longo prazo como à redução da desigualdade.

E vale notar que muito embora a iniciativa das principais políticas se deva ao governo, é principalmente à oposição (à sua inapetência) que se deve a modorra em que estamos atolados. Isto porque a oposição mostra-se incapaz de contrapor-se ao governo no que concerne à proposição de políticas alternativas. No máximo conseguiu atuar como coalizão de veto, derrubando a prorrogação da CPMF.”

Prova.

Transcrevo na íntegra abaixo do fold para os sem-Valor.

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Matéria interessante na Folha, traduzida do Le Monde. Certamente um fenômeno que também afeta os brasileiros:

Os bamboccioni estão por todo lugar e em todos os meios, nas cidades e nas aldeias. Tanto no Mezzogiorno (região sul) empobrecido quanto nas ricas províncias do norte. Inicialmente, a demógrafa Rossella Palomba havia se mostrado espantada diante da seguinte constatação estatística: em 1987, 46,8% dos italianos entre 20 e 34 anos viviam na casa dos seus pais. Em 1995, a proporção era de 52,3%. Atualmente, ela é de 69,7%. “Trata-se de um crescimento fenomenal”, comenta. Em 1999, ao concluir um ano de pesquisa junto a 1.000 pais e 4.500 filhos de 24 a 34 anos, ela redigiu um relatório.

A explicação mais evidente para esta tendência é econômica. Segundo o Instituto Italiano de Estatísticas (Istat), dois terços das pessoas ativas de menos de 30 anos que vivem na casa dos seus pais ganham menos de 1.000 euros (cerca de R$ 2.700) por mês. Em primeiro lugar, os bamboccioni são as vítimas do “declínio” italiano, da precariedade do emprego e do custo dos aluguéis. Mais do que nunca, a família constitui um amortecedor social.

Contudo, a novidade do fenômeno está no fato de ele estar se produzindo nos meios abastados. Segundo Rossella Palomba, o surgimento de um número cada vez maior de “bebezões”, curiosamente pouco tem a ver com a crise econômica. Dos 4.500 filhos que foram recenseados na sua pesquisa, 80% têm um emprego de duração determinada e são corretamente remunerados. Mas eles consideram ainda assim que os seus ganhos são insuficientes: “As suas exigências estão vinculadas ao nível de vida dos seus pais”, comenta a pesquisadora. “Eles não suportam o fato de terem de rever para baixo o seu modo de vida”. A isso, deve ser acrescentada uma tradição bem italiana: “O único motivo verdadeiro e legítimo para deixar o domicílio dos pais é o fato de casar-se. Ora, a idade média do casamento foi postergada de maneira considerável na Itália: de 28 anos no final dos anos 1990, ela passou para 30 anos atualmente. Trata-se de um círculo vicioso: quanto mais eles ficam na casa da mamma, mais tarde eles se casam. E por mais tempo eles ficam” .

Isso é exato; outro dia, conversando com minha sogra, ela se espantava com o fato de que antigamente casais se formavam com 18, 19 anos de idade, ao passo que agora os filhos ficam em casa até bem além dos 20 e poucos.

Eu suspeito que a Rossela Palomba está certíssima, e este aliás é um fenômeno que eu já havia detectado, primeiro no Rio, depois em Brasília. E no caso de Brasília isso é ainda pior, porque entre os funcionários públicos concursados isto gera demandas por reajustes salariais totalmente fora da realidade _ uma vez que os demandantes muitas vezes se pautam não pelo real valor do seu trabalho, mas por suas expectativas de conseguir levar uma vida de classe média fora da casa de seus pais.

Transcrevo integralmente abaixo do fold para os sem-UOL.

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Matéria do Financial Times, traduzida no UOL de hoje:

A desigualdade econômica nos Estados Unidos alcançou o nível mais elevado desde aquele que ficou conhecido como o mais maldito dos anos: 1929. Nas principais economias dos países de língua inglesa as desigualdades de renda alcançaram extremos que não eram vistos desde a era de “O Grande Gatsby”.

(…)

Um dos maiores indicadores da desigualdade é o chamado coeficiente Gini. O número do Departamento do Censo dos Estados Unidos para este índice em 2005 foi, de acordo com Gary Burtless, da Brookings Institution, o maior já registrado, o que significa a existência de extrema desigualdade. Uma análise dos números do Departamento Congressual do Orçamento por Jared Bernsteins do Instituto de Política Econômica aponta para uma direção similar. Entre 1979 e 2005 a renda, antes do pagamento dos impostos, dos domicílios mais pobres aumentou 1,3% ao ano, e a da classe média cresceu 1% ao ano. Já a renda daqueles indivíduos que compõem o grupo dos 1% mais ricos aumentou 200% antes do desconto de impostos e, o mais surpreendente, 228% após os impostos.

Transcrevo na íntegra abaixo, para os sem-UOL.

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Uma conquista silenciosa do Foro de São Paulo.

Ontem, saiu uma matéria no Estadão sobre o aumento da violência no metrô de São Paulo, principalmente nas estações da Zona Leste, devido, basicamente, à lotação cada vez maior das estações e composições:

Os olhares atentos dos supervisores de segurança que vigiam nos monitores as imagens transmitidas por 860 câmeras espalhadas em acessos e plataformas observam uma confusão numa grande estação de metrô da capital. Aproximando a imagem, os responsáveis por vigiar 24 horas por dia a rede do novo Centro de Controle de Segurança (CCS) da Companhia do Metropolitano, na Rua Vergueiro, percebem que a situação pode descambar para pancadaria e acionam a equipe de segurança da estação, mais uma vez, por um motivo banal: separar briga de passageiros.

A cena vem se repetindo com uma freqüência quase diária, principalmente na região leste da capital, pelas manhãs, e nas maiores estações metroviárias – Corinthians/Itaquera, Tatuapé, Brás, Barra Funda e Sé. Com isso, a briga de passageiros já é a terceira ocorrência mais comum no metrô, levando-se em conta o balanço dos dois primeiros meses deste ano feito pelo Departamento de Segurança da Companhia.

O motivo para tantas brigas é a superlotação com a qual convivem diariamente as 3,4 milhões de pessoas que passam pelas estações, praticamente “lutando” por espaço. Em janeiro, os seguranças apartaram pelo menos oito brigas de passageiros. Em fevereiro, foram 17, aumento de 112%. O Metrô registra as mais sérias, quando há agressões físicas, como “lesão corporal”.

Pois hoje no Valor saiu uma matéria intrigante, da autoria de um certo Roberto L. Troster, que se assina como sócio da Integral Trust. Os mais acostumados a ler jornais de negócios sabem que até pouco tempo Troster era o economista-chefe da Febraban. Ele tem algumas idéias para minorar os problemas de São Paulo _ idéias que fariam o Barnabé ter um treco:

Uma proposta fácil de implementar e que pode ajudar é a de congelar a área construída da cidade. A medida pode amenizar alguns dos problemas existentes e evitar o aspecto perverso mencionado acima. O efeito mais importante dessa solução é que limitaria o crescimento da população da cidade e com isso restringiria o crescimento dos problemas. Uma lei congelando a área construída é viável legalmente, pois a concessão de alvarás de construção é uma prerrogativa da administração municipal. Basta apenas a vontade política do atual, ou do futuro, prefeito.

A medida seria feita através de uma lei municipal que fixaria nos níveis atuais a área construída de cada bairro da cidade, mantendo a atual lei de zoneamento. Pela lei de congelamento proposta, para conseguir a autorização para construir uma área em determinado bairro da cidade, seria necessária a comprovação de haver demolido a mesma área no bairro em questão. Dessa forma, a área construída em cada bairro ficará congelada. Como a área construída permanecerá estável com a lei de congelamento, isso reduzirá o aumento dos problemas. A lógica da solução proposta é simples: com uma limitação de espaço construído haverá uma expansão populacional menor, e conseqüentemente não haverá um aumento grande na pressão por ruas, segurança, hospitais, escolas etc.

A lei municipal de congelamento também teria um efeito colateral que ajudaria os atuais proprietários de imóveis, que ganhariam um “valor de demolição”. Como para construir seria necessário demolir, os incorporadores, além de terem que comprar o terreno para seus empreendimentos, também teriam que comprar outros imóveis no bairro e demoli-los para conseguir o alvará de construção. Isso aumentaria o preço dos imóveis da cidade, o que é bom para os atuais proprietários. Haverá uma diminuição nos ganhos da especulação imobiliária na construção de novos empreendimentos, porém um incentivo maior para reformar os atuais, em razão dos maiores custos para edificar.

Gostaria de saber o que pensam disso nossos 4,5 leitores, especialmente os paulistas. Em particular, gostaria de saber se o Barnabé considera que a Febraban teve um ecomista-chefe de índole soviética nos últimos anos.

Reproduzo a matéria do Troster na íntegra abaixo do fold, para os sem-Valor.

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