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Resumo da coisa, pelo Engadget:

  1. It’s not light. It feels pretty weighty in your hand.
  2. The screen is stunning, and it’s 1024 x 768. Feels just like a huge iPhone in your hands.
  3. The speed of the CPU is something to be marveled at. It is blazingly fast from what we can tell. Webpages loaded up super fast, and scrolling was without a hiccup. Moving into and out of apps was a breeze. Everything flew.
  4. There’s no multitasking at all. It’s a real disappointment. All this power and very little you can do with it at once. No multitasking means no streaming Pandora when you’re working in Pages… you can figure it out. It’s a real setback for this device.
  5. The ebook implementation is about as close as you can get to reading without a stack of bound paper in your hand. The visual stuff really helps flesh out the experience. It may be just for show, but it counts here.
  6. No camera. None, nada. Zip. No video conferencing here folks. Hell, it doesn’t have an SMS app!

Vamos ver como reage a demanda.  Ainda não dá pra saber se vai haver um problema de posicionamento de produto.  Afinal, ninguém reclamou que o Kindle é incapaz de multitasking, de telefonar ou de tirar uma foto…se você olhar para o iPad como um concorrente de um e-reader, ele, apesar de mais caro, joga.  Se você olhar para ele procurando um McBook, você vai se decepcionar.

Talvez algumas dessas ausências não sejam uma “falha”: podem ter sido deliberadas, para evitar a canibalização do iPod e dos notebooks.

Talvez o problema é que as pessoas esperassem mais “netbookness” do e-reader da Apple.  Bom, aí eu acho que se a Apple ainda espera produzir TAMBÉM um netbook, aí talvez ela realmente tenha jogado mal.

Em toda essa zona sobre o lançamento do tablet da Apple, o que mais me espanta é o fato de que até agora não vazaram fotos do equipamento.

Em um mundo onde filmes inteiros são pirateados de dentro dos estúdios antes de seu lançamento, e onde equipamentos capazes de fotografar e filmar são ubíquos, isso diz muito sobre os procedimentos de segurança da empresa da maçã.

Mas hoje é o dia, e talvez tenha havido algum relaxamento no cerco ao tablet.  Portanto, aí embaixo tem uma foto, teoricamente do tablet, que faz parte de um conjunto de fotos descoladas pela Endgaget.  O troço tem a aparência de ser algo feito para uso militar…provavelmente porque, a ser verdadeiro, era um protótipo ainda sem as soluções para fabricação em massa.

(clique para ampliar)

Mas não fiquem muito animadinhos.  Vejam isso:

(clique para ampliar)

É uma foto vazada do que seria um iPod vídeo, que saiu na Endgaget em…2006…notam a semelhança com o iTouch?  Pois é, nenhuma.  🙂

Já o Link do Estadão não tem foto, mas mostra o tweeter de um cara que aparentemente vem betatestando o aparelho há duas semanas.

A ver…

***

UPDATE:

Começou.  O Jobs até que parece saudável:

Tem uma lenda urbana rolando por aí, segundo a qual o Jobs teria gasto uma grana preta pra financiar uns caras que clonaram um novo pâncreas pra ele…

Hahahaha, eles usaram a mesma imagem que o cara de quem eu roubei aí embaixo…………..

iPad!

The real mccoy:

Era o aparelho cuja foto vazou, mesmo, só que agora com acabamento “fino”.

Hummm………..

A salvação do NYT?  🙂

Ei, achei esperto, isso:

Puxa, serve até como porta-retratos!

Um porta retratos meio caro, é verdade.

E…games!

Humm…NYT, indeed:

E agora, livros:

Ele sacaneia Bezos…

“That’s an ebook reader. Now Amazon has done a great job of pioneering this… we’re going to stand on their shoulders for this. Our new app is called iBooks.”

Que gracinha!

E lá vem iBooks, a nova lojinha:

Depois de mais um monte de aplicações etc, vem a parte séria: grana!

Uau.

Suspense…

É, não é barato, mas definitivamente, não é um pato morto:

Na onda de tentar cobrir todos os aspectos possíveis da pendenga entre o Google e a China, o Financial Times produziu uma matéria que contém afirmativas curiosas.  Por exemplo, procurando explicar a singularidade da internet chinesa, a matéria diz o seguinte:

Google itself took years to find out that Baidu – its Chinese rival, which has more than 60 per cent of the domestic market in online search – offered a search box formatted in a way much better suited to Chinese characters than its own. The US company was also slow to tackle one of Baidu’s main strengths in attracting user traffic: its free music download service. Only last year did Google launch an equivalent.

OK, isso é algo que eu posso admitir.  A língua escrita realmente é um problema devido aos caracteres chineses.

One reason for these difficulties is that US companies took a long time to realise that Chinese people use the web differently from their counterparts in other markets. Simply put, they tend to roam the web like a huge playground, whereas Europeans and Americans are more likely to use it as a gigantic library. Recent research by the McKinsey consultancy suggests Chinese users spend most of their time online on entertainment while their European peers are much more focused on work.”

Financial Times, Brasil.  Brasil, Financial Times.

Sério, isso não deveria ser um problema para ninguém, a internet é plástica a ponto de admitir todos os tipos de usos, e o Brasil, onde os internautas têm comportamento similar, não é um problema para as empresas estrangeiras, não é mesmo?

Behind this difference is the fact that Chinese internet users are comparatively young, poor and less educated – a result of the fact that the country is moving online at the same rapid pace as it is expanding its economy. According to China Internet Network Information Center, 61.5 per cent of users are below the age of 29, and only 12.1 per cent have a university degree or higher. Some 42.5 per cent have a monthly income of Rmb1,000 ($146, €102, £89) or less. As the government is encouraging rural computer and handset sales, and mobile operators move beyond saturated urban markets in search of new subscribers, even larger numbers of low-income users are expected to join in the years ahead.”

Financial Times, Brasil.  Brasil, Financial Times.

Beyond aesthetics, Chinese web users are much more lively than their western peers – a characteristic that forms consumption preferences. “The amount of comments posted per user in China is double that of other geographies,” says Dan Harple of GyPSii, a mobile social networking application that allows users to post recommended places and events, and comment on them. One Chinese GyPSii user posted 300 places and 7,000 comments within a few months.

Financial Times, Orkut Brasil.  Brasil, Financial Times.

O que está havendo com o jornalismo de negócios?

Talvez tenha passado desapercebido ao público brasileiro o fato de que agora em Janeiro a Suprema Corte dos EUA liberou a possibilidade de grandes empresas financiarem campanhas políticas naquele grande país, sem limites quando ao volume de recursos gasto por candidato:

Suprema Corte dos EUA libera financiamento de campanhas políticas por grandes empresas

NOVA YORK – Uma Suprema Corte muito dividida aprovou na quinta-feira a decisão de abolir os limites para gastos de grandes corporações com campanhas eleitorais nos EUA e causou fortes protestos de políticos em Washington e de entidades de defesa da liberdade de expressão. A sentença derrubou limites de financiamento de campanha que vigoraram nos últimos 20 anos. A decisão foi aprovada por cinco votos contra quatro e também prevê que todos os anúncios pagos pelas campanhas devem explicitar o nome do patrocinador que deu o dinheiro. Até então, todas as doações de campanha eram destinadas a um comitê politico e, mesmo assim, com limites. Na eleição presidencial de 2008, o limite individual foi de US$ 2.400. Agora, empresas poderão destinar recursos diretamente a um determinado candidato, sem intermediações nem limites.”

Embora John McCain tenha se revelado “desapontado” com a sentença,  justamente por isso é que suponho que a maioria dos republicanos tenha gostado da idéia, como o Senador Mitch McConnel, do Kentucky, líder da minoria no Senado.

– Por muito tempo, grandes empresas foram impedidas de participar plenamente das campanhas políticas, e esta decisão é um reforço da Primeira Emenda, que garante liberdade para todos, inclusive grandes corporações. É um reforço da liberdade e não uma ameaça à democracia.

É isso aí.  No Voloch Conspiration também abundam defesas da sentença, em geral seguindo o mote “empresas também são gente“.

Acho que isso diz muito sobre a possibilidade de qualquer proposta legislativa sobre a regulação dos serviços financeiros passar no Congresso norte-americano após 2010.

***

Comentando uma flor de retórica exposta em um artigo de Larry Lessig, segundo a qual embora ninguém possa em sã consciência suspeitar que a sentença teria sido comprada e ainda manter sua credibilidade mas que paradoxalmente a Suprema Corte negou ao Congresso a integridade de que ele mesmo usufrui, o James Balkin do Balkinization produziu a meu ver a melhor exposição da questão, que inteligmente atribui a opinião da Corte não a uma negociata corrupta entre juízes e empresas, mas como o resultado de um investimento de longo prazo:

The Supreme Court we have today is the ghost of campaign expenditures past.

Bingo.

E como vocês já devem estar carecas de saber, o NYT anunciou que vai para trás de uma paywall em 2011.

Os detalhes não são claros; aparentemente, haverá um controle por IP, de forma que leitores infrequentes poderão acessar gratuitamente algumas matérias, enquanto os mais frequentes terão que pagar uma taxa fixa por acesso ilimitado _ os assinantes do jornal impresso também terão acesso ilimitado [esse esquema me parece similar ao do Financial Times _ mais sobre isso abaixo].

O The Atlantic traz uma lista de análises que já estão circulando na rede.

Felix Salmon acha que isso alienará ainda mais leitores do jornal.  Ele crê que a maioria dos leitores do site do NYT chegam até lá via blogueiros, mas que com o paywall os blogueiros pararão de fazer links para o NYT, o que reduzirá o número de page-views do site.

Será que isso é verdade?  Como leitor, eu entro todo dia no site a partir dos meus favoritos.  Como blogueiro, eu sempre coloco os links das matérias que cito, mesmo as que estejam atrás de paywalls, como as matérias da Folha e do Valor.  Mas pode ser que eu seja uma exceção, não sei.

Em todo caso vamos ver o que acontece com os blogs do NYT (onde entra, por exemplo, o Paul Krugman).   Felix Salmon lembra que hoje em dia não existe exemplo de blog bem sucedido atrás de uma paywall…

Zach Seward, do Wall Street Journal, disse no Twitter que os investidores estão inseguros quanto à essa nova estratégia, pelo que se depreende do comportamento das ações do NYT após o anúncio.

Mais interessante, a Slate, que também tem uma matéria sobre a paywall do NYT, mostra um site que ensina como preparar um cookie para burlar o paywall do Financial Times.

E ho ho, funciona.  O que me permitiu acessar a coluna de John Gapper no FT falando sobre o mesmo assunto.  Do ponto de vista econômico, no trade-off entre receitas de assinaturas e de publicidade, o que parece estar acontecendo é que após um primeiro momento onde a receita de publicidade subiu, ela começou a baixar dada a competição dos diversos outros empreendimentos na rede (sites agregadores, sites de busca, portais, mesmo blogs).  Daí não restar mesmo outra opção aos jornais.

Gapper lembra também que o Wall Street Journal e o FT vão muito bem obrigado com seus modelos de assinatura, embora essa seja uma comparação talvez pouco válida já que estes jornais se beneficiam de possuir um público corporativo, pouco sensível a preços (ao menos nessa região de preços).

Entretanto, mesmo Gapper acredita que o que é válido para grandes brands não será necessariamente válido para o jornal generalista da esquina:

Nothing will save a lot of general newspapers. They thrived for a time on local or regional advertising monopolies and, now that Craigslist and other advertising aggregators exist, are finished. They do not produce anything valuable enough to survive the transition.

Perhaps commodity general news is now so widely available that even a true premium provider cannot charge. But I don’t believe it – reading both The Guardian and The New York Times’ coverage from Haiti this week was a reminder of how distinctive they can be.”

Adeus Jornal do Brasil??

Tá rolando um debate interessantíssimo lá no Paraíba sobre Kindle vs Livros em papel. Dei meu pitaco no segundo post; há um primeiro post que introduziu a querela.  O pitaco é este abaixo, vão lá para ler o post e a thread:

Meu pitaco:

Achei interessante a discussão sobre o “elitismo” dos livros. Desta feita, embora o Kenji seja um “contrarian” incorrigível, penso que ele está certo.

Claro, Galvão está correto quando fala do preço do livro, principalmente quando se trata de um livro que você pode comprar em um sebo. Mas o custo total de propriedade, para quem realmente precisa ter uma grande biblioteca, cabalmente pesa muito mais, e vai para o lado do “esporte de elite”, de fato. Tipo: se você tem filhos, ter um aposento de sua casa/apartamento inteiramente dedicado aos livros é um luxo (é claro que o caso de um Mindlin é totalmente elitizado, mas não é disso que estou falando).

Francamente acho que essa será uma discussão resolvida pelo mercado em pouco tempo _ quem sabe no próximo dia 23, quando a Apple lançará, tudo indica, seu reader. Já vi protótipos dobráveis por aí, também, onde a tela é uma folha flexível. Acho esse um produto imbatível.

A possibilidade de perdas apontada pelo Galvão é um problema, mas pensem bem: dá pra ter, a baixíssimo custo, um monte de cópias salvas de sua biblioteca, no desktop, no laptop, no pendrive, no CD, no micro do trabalho, se bobear até na memória da máquina fotográfica. Da biblioteca de papel _ sempre exposta às intempéries, aos cupins, aos incêndios, às crianças, às mãos cobiçosas dos amigos _ não se pode dizer o mesmo.

A estabilidade do padrão também é um problema, mas eu acredito realmente que nesse caso emergirá um padrão estável. Aliás, não é nada, não é nada, o PDF taí há 16 anos. O avanço dos formatos diz respeito, em grande medida, às possibilidades de compressão incrementada devido a novos algoritmos ou maior capacidade de processamento. Só que esse é um drive mais importante para mídias de grande extensão como som e imagem. Texto já virou brincadeira de criança, dadas as capacidades de qualquer dispositivo de memória digno desse nome hoje em dia. É por isso que acho que já não há mais grande pressão para que emerjam novos formatos para texto. E as razões mercadológicas, a competição dará conta. Vejam que até a Amazon teve que abrir as perninhas e permitir que o Kindle 2 leia PDF; daqui pra frente, a competição vai aumentar mais ainda (pode ser que a Apple tente de novo suas gracinhas com um formato fechado e um Apple Bookstore, mas eu francamente não acredito).

Se você acha que o mercado de telecomunicações brasileiro é complicado, veja essa matéria da Gizmodo, mostrando que os provedores de internet tentam convencer os otáriosconsumidores de que eles precisam de uma conexão de 10Mbps para…baixar músicas e fotos.

Matéria do Valor fala do crescimento do faturamento nas livrarias brasileiras em 2009, que foi expressivo _ entre 10% e 20% para as várias redes.    Mas isto me chamou a atenção:

Os livros infantis foram o que puxaram as vendas das livrarias no ano passado, segundo pesquisa da ANL. Chama atenção nesse levantamento da entidade, o fraco desempenho das publicações de autoajuda. Em um ranking com oito posições dos segmentos literários que mais cresceram, em número de exemplares em 2009, os livros de autoajuda, que por muitos anos eram as vedetes do setor, amargaram a sexta posição. “Acho que as pessoas cansaram da fórmula. Ao ler o terceiro livro, as pessoas percebem que é sempre a mesma coisa”, disse Benclowicz.”  [grifo meu]

Pode ser uma leitura excessivamente benévola do que está acontecendo, mas acho uma boa coisa quando as pessoas param se preocupar com besteiras e começam a cuidar melhor das futuras gerações.

Matéria do Valor de dezembro de 2009, após a compra da Casas Bahia pelo Pão de Açúcar,  ajuda a entender a situação do Casino:

O Casino ocupa apenas o quinto lugar entre as redes da França, atrás do Carrefour, Auchan, Leclerc e Intermarché, e a 28ª posição entre as maiores redes do mundo. Na Europa, a rede é a 10ª maior cadeia.

As vendas líquidas do Casino totalizaram € 28,7 bilhões em 2008 e a sua divisão internacional respondeu por 35% da receita líquida no ano passado. O Carrefour, a maior cadeia da Europa, fechou 2008 com vendas líquidas consolidadas de € 87 bilhões e havia conquistado o título de maior varejista no Brasil em 2007, com a aquisição da rede popular de atacado Atacadão, mas perdeu esse posto agora para o seu concorrente francês.”

Com seus mercados já saturados pela concorrência, enfraquecidos pela crise e com dificuldades estruturais de crescimento (devido à dinâmica demográfica européia), as grandes varejistas dos países centrais vêem os mercados dos países emergentes como a grande opção de crescimento de receitas e lucros. Assim, eu duvido que o Casino não exerça sua opção de arrematar o restante do Pão de Açúcar em 2012.

Outra matéria explica o acordo entre a família Diniz e o grupo francês:

Família Diniz vai dividir controle do Pão de Açúcar com o Casino

Negócio que amplia participação do grupo francês na CDB para 50% envolve R$ 1,5 bilhão

Pelo acordo divulgado na última quarta-feira pela Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) com o grupo francês Casino, o empresário Abílio Diniz receberá US$ 400 milhões ou mais de R$ 1 bilhão do grupo francês para compartilhar o controle do grupo brasileiro. O valor, segundo a empresa, será investido imediatamente no Grupo Pão de Açúcar. Outros US$ 300 milhões são referentes ao recebimento de 12,5 bilhões de ações preferenciais da CDB, que eram do Casino, e mais US$ 200 milhões em títulos conversíveis em ações do Casino. Os recursos devem chegar ao país em no máximo 30 dias. De acordo com os entendimentos, os dois grupos terão, cada um, 50% do controle de uma empresa holding, que por sua vez será a controladora direta da CBD. O acordo de acionistas prevê ainda que após oito anos da assinatura, o grupo Casino terá a opção de assumir o controle acionário da empresa. Caso o Casino eleja essa opção, o acordo de acionistas determina que o comando da gestão permanecerá com Abílio Diniz.

Isso foi fruto de uma guerra familiar travada no seio da família Diniz nos anos 80, razoavelmente bem contada nesta laudatória matéria da Veja.  Após a briga com seus irmãos pelo controle da empresa, Abílio emergiu como o senhor inconteste do negócio, mas teve que realizar um doloroso downsizing da empresa para viabilizar sua sobrevivência.  No processo, terminou associando-se ao grupo Casino, que colocou muito dinheiro no negócio, em 1999.

Provavelmente, a briga entre Abílio e seus irmãos, além das sequelas familiares, deixou lições.  Prova-o o fato de que a maioria dos 4 filhos de Abílio não têm lá grande participação na empresa, preferindo tocar seus próprios negócios.  Talvez já antevendo a chegada dos franceses em 2012.

A matéria inicial na íntegra, para os sem-Valor, abaixo do folder. Leia o resto deste post »

Um argumento absolutamente irritante no Brasil, hoje em dia, quando se trata de fusões e aquisições, é o do “campeão nacional”.

Não que o argumento em si seja tão idiota _ ele é ao menos discutível.  O problema é o uso falsificado que se faz dele.

Matéria do Valor de hoje fala sobre os problemas da aquisição das Casas Bahia pelo Pão de Açúcar.  Lá pelas tantas apresenta-se a seguinte declaração:

O presidente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro, afirmou que a entidade vê com bons olhos a aquisição da Casas Bahia e do Ponto Frio pelo Grupo Pão de Açúcar. “A fusão entre empresas nacionais é a saída para enfrentar os concorrentes estrangeiros“, afirma Pellizzaro. “O Walmart (multinacional americana) anunciou que vai abrir mais de 100 lojas no Brasil em 2010“, argumenta o empresário. Segundo ele, diferentemente das indústrias, que trazem tecnologia para Brasil, as varejistas estrangeiras “apenas remetem recursos e deixam muito pouco no Brasil. [grifos meus]

Será que Roque Pelizzaro é tão idiota?  Se ele se dignasse a fazer uma pequena busca na internet, encontraria a seguinte matéria:

“Casino amplia fatia no Pão de Açúcar para 35%”

Para quem não sabe, o Casino é uma rede de varejo francesa, grande concorrente do Carrefour na Europa.  Lendo a matéria, descobre-se o seguinte:

O controle acionário do Pão de Açúcar rende bastante polêmica no mercado. Enquanto, de um lado, alguns especialistas, apoiados pelas regras da Comissão de Valores Monetários (CVM), afirmam que o controle do grupo já está em mãos francesas, por outro, a empresa brasileira garante que Abílio Diniz tem o controle da companhia, fundada por seu pai. A situação foi, inclusive, reforçada pelo parecer do tribunal arbitral, em maio deste ano, que decidiu a favor da rede de Abílio Diniz em um embate jurídico com os donos do grupo Sendas, pois entendeu que o Casino, que desde 2005 detém ações na Companhia Brasileira de Distribuição, não possui o controle de fato da empresa. A decisão economizou cerca de R$ 700 milhões do Pão de Açúcar, que estava sendo cobrado pelos donos do Sendas, que argumentavam que o controle foi transferido ao grupo francês e, diante disso, de acordo com o contrato entre as duas empresas, o Pão de Açúcar seria obrigado a comprar as ações do Sendas na Sendas Distribuidora.”

De toda forma, a própria matéria diz o seguinte:

Dias contados

Essa situação, portanto, tem os dias contados, pois no acordo entre Casino e a família Diniz ficou acertado que, em 2012, o Casino poderá obter o controle do Pão de Açúcar adquirindo uma ação da empresa por apenas R$ 1,00. Enquanto isso, o grupo francês avança aos poucos, com cada vez mais ações da companhia. A empresa não revelou a atual composição acionária, mas divulgou que, agora, o Casino possui 67,1% das suas ações com direito a voto.

Quem quiser que acredite que o fato do Pão de Açúcar se transformar em uma empresa francesa o fará muito diferente do Wal-Mart que é uma empresa americana…

Onde estão os inquisidores quando se precisa deles?

Deu no Valor:

Cremes com jeito de receita de bruxa chegam ao varejo

Cremes de beleza com ingredientes insólitos, e até mesmo repugnantes, como baba de escargot, veneno de serpente, esperma de salmão e fezes de pássaros vêm ganhando espaço na meca mundial dos cosméticos, a França. Com alegadas propriedades antirrugas ou hidratantes, esses produtos inspirados na fauna se beneficiam de uma tendência de consumo em voga, a do retorno às substâncias naturais. Os tratamentos cosméticos com ares de receita de bruxa já são vendidos em farmácias francesas e grandes perfumarias, como a rede Sephora, do grupo de luxo LVMH. (…)

Segundo um estudo da consultoria Mintel, especializada em tendências de comportamento dos consumidores, os fabricantes de cosméticos estão lançando cada vez mais produtos com ingredientes insólitos. Isso seria devido à proliferação de cremes no mercado. “Devemos escolher entre uma infinidade de produtos para a pele. Os fabricantes tentam encontrar novos e estranhos ingredientes que coloquem seus artigos em destaque”, afirma Alexandra Richmon, analista senior do setor de beleza da Mintel.

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Na Teletime, entrevista com Evan Williams, CEO do Twitter.  Trecho:

TELETIME – Vocês são muito populares no Brasil. Não temem que aconteça com o Twitter o que aconteceu com o Orkut e que uma invasão de brasileiros prejudique a estratégia global de vocês?

Evan Williams – Não olhamos isso de maneira negativa e os brasileiros são bem-vindos. Estamos crescendo muito lá e isso nos deixa felizes. O Orkut tem muitos brasileiros e isso não é necessariamente ruim.

TELETIME – Mas o Orkut não é forte em outros países como outras redes sociais.

Evan Williams – Mas isso definitivamente não é culpa dos brasileiros. O Twitter, de qualquer maneira, é mais balanceado. Fazer sucesso no Brasil não significa ser mal sucedido em outros países.”

***

Sim, essa história já circulou demais (a braziliniazação do Orkut).  Achei uma lista no Search Journal tentando explicar o fenômeno (sim, sim, esse assunto também já é meio velho):

“1. Brazilians are incredibly community oriented and refer to groups as Tribalistas, or tribos. People tend to associate with these groups in everyday conversation and continuously refer to how they are Heavy Metal fans, Evangelical Christians, Sambistas, Macumberos, PT supporters, or whether they prefer Skol to Kaiser.

Social Networking caught on really quick in Brazil because of this relevance to everyday life. There is definitely more of a coolness factor to social networking in Brazil.

2. Orkut is very easy to pronounce in Portuguese. Try telling someone from Brazil to go to Friendster.com or MySpace. The names of those sites are lost in translation. When someone pronounces “Orkut” in Portuguese (especially Brazilian Portuguese with the heavy incluence on the “ch” T sound), they can easily spell it, visualize the word and remember it next time they get infront of the computer.

3. Orkut sounds like Yakult or “iogurte” (yogurt). Yakult is the Brazilian version of the popular Japanese Yakult yogurt drink. Everyone drinks it in Brazil when they’re kids. There is a totally unintentional instant association between the words Orkut, Iogurte and Yakut in Brazil.

4. Brazilians with constant Internet access are on the upper echelon of “differencia social.” Although Brazilians are some of the most outgoing people I’ve ever met, they are quite cautious when meeting others and inviting them into their circle of friends.

By using a service like Orkut, users can prequalify the new friends they make by judging their ability to access the Internet, write and read correctly, and see which friends they share.

5. The fact that Orkut is now associated with Brazil has added flame to the popularity fire. This is a country which is quite proud of their culture, economic position in South America, and World Domination of Soccer (futbol). Now, they are proud to have Orkut as their own.

6. Mobility – Many young professionals or just younger Brazilians in general have moved from Sao Paulo to Curitiba, Floripa and other bustling southern Brazilian towns (not to mention Miami, New York, Washington DC, Italy, Spain, and Japan). Social Networking is a way to keep in touch with groups of friends much easier than mass emails.

7. A large number of Brazilians access the Internet from Internet Cafes and online gaming cafes. Orkut has grown in popularity due to this mobility factor. One can access their accounts from anywhere.

8. I’ve noticed with some Brazilians, especially women, there is a lot of competitiveness when it comes to attracting attention (this could be universal of course). The awards, fan citations and friendship offerings in Orkut just fuel this tendency. It’s also cool to have Orkut ‘friends’ from Europe, the US, and Japan on your profile.

9. Again, Yakut and pronunciation. When I told the people at Google about the pronunciation factor they seemed amazed. Google is beginning to enjoy the same compatibilty with the Portuguese language. Not to say Yahoo does not, and Hotmail certainly does, but the Google hip factor has made “goo-gly” a new part of the Brazilian Portuguese language and its association with Orkut is beginning to lead to Google and GMail converts.

10. Orkut’s color scheme is the same as the Brazilian World Cup team’s away jerseys (or is it home? the BLUE ones). This is going out on a limb however, since the color is also similar to Argentina’s flag and uniform colors.

11. Lack of advertising. Most Brazilians I know are sick of advertising. Outdoor billboards, political radio infomercials, ads painted on walls, cars driving around with loud speakers on top, people selling water or Silvio Santos Tele Sena lotto tickets clapping their hands at the gate outside of the house – referred to as Poluicao Visual. Orkut has no advertising, yet :)”

Pessoalmente, acho que as melhores explicações são a 2, a 5 e a 8 .  A 8, porém, não é específica do Orkut _ poderia estar ocorrendo também no Facebook ou no MySpace (atenuante: o Facebook é mais cioso da privacidade que o Orkut, ou pelo menos que o Orkut quando ele se tornou popular no Brasil; o MySpace eu realmente não sei).

Mas a questão que queria colocar aqui é:  será que a brasilianização é o caminho do Twitter?

Cartas para a redação.

Wall Street volta a ostentar uma lucratividade bolhosa, e Kevin Drum está puto:

“(…) Is there any silver lining here? Probably not, but I’ll try: If Wall Street can shrug off the worst recession of our lifetimes as if it’s a minor fender bender and get the party rolling all over again in less than 12 months, it means the next bubble is already in the works and its collapse will be every bit as bad as this one. That in turn means it will almost certainly happen while today’s politicians are still in office. So maybe news like this will finally spur lawmakers to realize once and for all that the financial industry needs to be cut down to size. Half measures won’t do it. Self-regulation won’t do it. Compensation limits won’t do it. Byzantine, watered-down rules won’t do it.”

Muito puto:

Something like a Morgenthau Plan for Wall Street is the only thing that has even half a chance of working.”

Icecreamists-God-Save-the-001

“More Sid & Nancy than Ben & Jerry”

E, se havia ainda alguma dúvida de que o Punk acabou:

Sex Pistols threaten ice-cream firm over ‘God Save the Cream’ strapline

Lawyers demand that company stops using Sex Pistols-related imagery on T-shirts, deck chairs and online material

The Sex Pistols are threatening legal action against a boutique ice-cream maker for using the advertising strapline “God Save the Cream” and images of a version of the band’s famous single sleeve featuring the Queen on a union flag background.

Icecreamists, the company behind the ad campaign, describes itself as a “subversive ice-cream brand” and is running a concession within the Selfridges storefront on Oxford Street, central London, until November.”

***

OK: então vivemos em um mundo onde os punks defendem as ferramentas do establishment contra uma empresa que usa métodos subversivo-virais de marketing.  I´m done.

***

Me parece baixa a probabilidade dos Sex Pistols aderirem ao Pirate Party tão cedo.

Será que depois do taylorismo, do fordismo, e da mass-customization, estamos vendo o nascimento do modo de produção “on-demand”?

Este post no blog “Bits” do NYT fala sobre o que talvez seja a aurora desse processo.   Ele fala sobre o sucesso do filme “Paranormal Activity“, rodado ao custo de parcos US$ 10.000,00, e que está fazendo grande sucesso na internet _ entre outros motivos porque seus responsáveis imaginaram um interessante marketing viral onde as pessoas podem votar para que o fllme passe em sua cidade.

Me parece meio inevitável que, com a teia global da internet estendendo-se a todos os rincões, este tipo de interação se torne cada vez mais comum.

Agora, se o Twitter vai conseguir fazer algum dinheiro com isso, eu não sei.

No Crooked Timber, um post interessante sobre a economics do cinema em 3D.  O autor, Henry Farrel, discute um artigo de Cory Doctorow no Guardian.  O ponto de Doctorow é que os filmes em 3D, apesar de interessantes, são um cul-de-sac, já que a própria lógica do business impedirá a emergência de VERDADEIROS filmes 3D, isto é, filmes onde o efeito 3D seja realmente parte integral e inarredável da obra audiovisual.  Isto porque, raciocina Doctorow, a retromencionada lógica do business audiovisual depende fortemente das outras janelas de distribuição (DVD, cabo, tv aberta)  para se rentabilizar, logo, não faz nenhum sentido criar um filme em 3D que realmente não possa ser visto, ou perca muito a graça, quando apreciado em um aparelho que não apresenta o efeito 3D.

Acho que Doctorow está um tanto errado.  Primeiro: a verdade é que os fabricantes de displays estão correndo atrás do display 3D.  E eu mesmo vi, com estes olhos que a terra há de comer, uma tv da Philips com efeito 3D SEM que seja preciso usar aqueles desconfortáveis óculos.

Segundo: não sei se essas TV´s com 3D vão pegar.  Mas não precisam.  Minha impressão é que o 3D está vindo como uma tentativa de dar algum alento às salas de cinema, aumentar sua diferenciação em relação às outras janelas de exibição.  É claro que há um cálculo a ser feito aí, e é o de saber se a diferença entre produzir um filme com efeitos 3D e sem efeitos 3D cobre a renda adicional que ele permite auferir na bilheteria do cinema.  Mas eu acho que a tecnologia, especialmente a dos filmes feitos inteiramente em computação gráfica, deve permitir que isso seja feito de forma relativamente barata.

Esta matéria da Wired, aliás, mostra qual é o caminho: os cinemas tornam-se capazes de cobrar um adicional para que se veja um filme 3D.

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No post, Henry Farrel relembra uma sacação de Tyler Cowen a respeito dos impactos diferenciados da tecnologia sobre as obras de arte, quanto aos efeitos sobre os direitos autorais:

Perhaps the most interesting part of the book is one that goes on a tangent from Cowen’s main argument – his discussion of how changes in the ability of producers to enforce copyright are likely to affect cultural production. Here, he argues that the likely consequences will differ dramatically from art form to art form. Simplifying a little, he adapts Walter Benjamin to argue that there is likely to be a big difference between art forms that rely heavily on their “aura,” and art forms that can be transformed into information without losing much of their cultural content. The former are likely to continue to do well – they aren’t fundamentally challenged by the Internet. In contrast, forms of art which can be translated into information without losing much of their content are likely to see substantial changes, thanks to competition from file sharing services. Over time, we may see “the symbolic and informational” functions of art [becoming] increasingly separate,” as the Internet offers pure information, and other outlets invest more heavily in providing an “aura” and accompanying benefits of status that will make consumers more willing to pay for art (because it is being produced in a prestigious concert hall, exhibited in a museum etc). Pop music is likely to emphasize live concert performance more, because this has value that can’t be reproduced easily through electronic means (you have to ‘be there’ to properly enjoy it). Cinema is likely to emphasize the benefits of the movie theater experience, rather than enhancements to DVDs that can easily be ripped off by pirates. It’s likely to remain economically healthy even if profits are hit by illegal filesharing (most people didn’t bother to copy video cassettes because it was cheap to rent them).”

Essa sacada da separação entre as funções simbólica e informacional da obra cultural é realmente muito boa.  Isto, a meu ver, explica porque os cinemas estão se transformando em âncoras de shopping: ir ao cinema vai se transformando cada vez mais em um símbolo de um tipo de programa, logo, de um tipo de estilo de vida.

É verdade que a ida ao cinema ainda agrega outros elementos de utilidade ao consumidor _ principalmente devido ao fato de que o cinema ainda é a “primeira janela” de exibição de filmes, isto é, a ida ao cinema tem um apelo específico para as pessoas que, por algum motivo, não querem esperar para ver o filme na TV, no cabo ou no DVD.  Mas eu realmente acredito que uma parte das pessoas que vão ao cinema não estão tão afoitas assim para ver um filme, e estão antes desempenhando um “papel social”.

Outra matéria boa no Valor, de Paola de Moura, sobre o mercado de livros:

Preço do livro cai e disputa pelas prateleiras no varejo aumenta

A disputa pelos corredores das grandes livrarias está mais acirrada depois que o preço médio dos livros caiu de R$ 8,58, em 2004, para R$ 8, em 2008, e o número de lançamento de livros cresceu 15,91% de 2007 para o ano passado, batendo a marca de 50 mil exemplares. “O mercado funciona com os ‘best sellers’ e precisa muito das grandes redes de livrarias”, diz César González, diretor-geral da Planeta.

A competição se dá de forma similar a que se vê em supermercados. As editoras escolhem os títulos em que apostam e produzem uma campanha de marketing voltada para os pontos de venda. “Hoje a compra de livro se dá muito por impulso”, diz González. A principal estratégia da editora espanhola, no mercado brasileiro há seis anos, é a publicação de livros “fortes”, como ele chama os mais vendidos. Nas últimas duas semanas, a editora esteve com seis livros na lista, entre eles “1808”, de Laurentino Gomes há mais de um ano entre os mais e “Encontre Deus na Cabana”, de Randal Rauser.

González conta também que estar na lista dos mais vendidos no Brasil é mais importante do que em países como Estados Unidos ou da Europa. “Aqui, os livros de grande sucesso ficam na lista entre um e dois anos. Nos Estados Unidos, a rotatividade é maior”. As listas ajudam a vender.

Quem sai ganhando com a batalha são as grandes livrarias. Quando um livro é editado e publicado, ele sai da editora com um preço de capa. Então é negociado com a livraria. Para estar nas posições de maior destaque de uma grande rede, a editora dá descontos de 35% até 50% no preço de capa. A rede de lojas pode ter, então, uma margem alta na venda e, por isso, dá maior exibição ao produto, para faturar mais. Quando o livro encalha, as livrarias, em geral, não ficam com os produtos em suas prateleiras ou em seus estoques. Todos são devolvidos para as editoras.

Com um lançamento grande, como o de um Harry Porter ou de um Dan Brown, os custos são quase todos da editora. Cada display de propaganda que sustenta os livros custa de R$ 300 a R$ 700. No entanto, peças exclusivas produzidas para um grande lançamento podem chegar a R$ 1.000 cada. E quem banca é a editora.”

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Taí, eu já comprei muito livro por impulso.

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E pra piorar ainda tem a história do preço único.

Fecha-se o cerco:

Globo restringe uso de blogs e redes sociais

14 de setembro de 2009

A TV Globo divulgou um comunicado interno em que restringe o uso de blogs e redes sociais pelos seus contratados. A medida atinge artistas, jornalistas e outros profissionais da emissora, segundo o portal Comunique-se. “A divulgação e ou comentários sobre temas/informações direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à Rede Globo; ao mercado de mídia e ao nosso ambiente regulatório, ou qualquer outra informação/conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Rede Globo são vedados, independentemente da plataforma adotada, salvo expressamente autorizada pela empresa”, informa o comunicado.

Segundo o Comunique-se, a emissora também exige autorização prévia para que os contratados possam ter blogs, Twitter e outras redes sociais vinculados a outros veículos de comunicação. A emissora alega que a medida tem o objetivo proteger seus “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”.

Regras na Folha

O jornal Folha de S.Paulo também criou regras de condutas para seus jornalistas que atuam em blogs ou no Twitter. O comunicado interno pede que os profissionais não se posicionem em favor de um candidato, partido ou campanha, e que não publiquem “furos” em suas páginas da web.

Do Valor de ontem:

EUA reforçam que aceitam transferir tecnologia de caças ao Brasil

Valor Online09/09/2009 17:48 Texto: A- A+

BRASÍLIA – A embaixada dos Estados Unidos divulgou nota há pouco informando que seu governo concorda em transferir a tecnologia do caça F/A-18 Super Hornet ao Brasil, produzido pela Boeing, de forma “definitiva”, além de aprovar a montagem desses aviões em solo brasileiro.

A embaixada deixa claro que o governo americano não quer ficar de fora da disputa pela compra de 36 aviões de combate, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmar que as negociações com a França estão avançadas. “Continuamos a acreditar que a nossa proposta é forte e competitiva”, diz o texto.”

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Ah, que bem faz a concorrência…

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Ainda assim, dúvidas.  Primeiro: esta é uma decisão do governo Obama.  Sabe deus se um novo governo republicano honraria a promessa.

Segundo: o Hornet está no fim de sua curva de desenvolvimento.  É um caça de quarta geração, enquanto o Rafale é da chamada “geração 4,5”.  É claro que uma transferência integral de tecnologia de 4a geração seria melhor que uma TT “meia boca” de um de 4,5 mas, “ceteris paribus”, é melhor ficar com o 4,5.

Agora, há um outro problema que vem sendo pouco comentado.  Uma coisa é o lado de lá estar disposto a transferir a tecnologia.  Porém, o lado de cá tem que se preparar pra isso.  O formato dessa transferência, e os esforços despendidos pelo lado brasileiro (formação de pessoal e sua fixação em empresas e institutos de pesquisa), são fundamentais para  o sucesso da empreitada.

Nesta matéria do NYT sobre OLED´s _ a nova onda dos LED´s, dispositivos semicondutores que produzem luz:

Universal Display, a company started 15 years ago that develops and licenses OLED technologies, has received about $10 million in government grants over the last five years for OLED development, said Joel Chaddock, a technical project manager for solid state lighting in the Energy Department.

Armstrong World Industries and the Energy Department collaborated with Universal Display to develop thin ceiling tiles that are cool to the touch while producing pleasing white light that can be dimmed like standard incandescent bulbs. With a recently awarded $1.65 million government contract, Universal is now creating sheetlike undercabinet lights.

The government’s role is to keep the focus on energy efficiency,” Mr. Chaddock said. “Without government input, people would settle for the neater aspects of the technology.

(…)Exploiting the flexible nature of OLED technology, Universal Display has developed prototype displays for the United States military, including a pen with a built-in screen that can roll in and out of the barrel.

The company has also supplied the Air Force with a flexible, wearable tablet that includes GPS technology and video conferencing capabilities.

As production increases and the price inevitably drops, OLED will eventually find wider use, its proponents believe, in cars, homes and businesses.”

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E nem dá pra dizer que é coisa de obamaníacos…

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Next: stop-motion blockbusters

A Lego perde a inocência:

The New York Times published an article on Saturday profiling Lego, and how tie-ins with movies have helped save the company. ‘Even as other toymakers struggle, this Danish maker of toy bricks is enjoying double-digit sales gains and swelling earnings. In recent years, Lego has increasingly focused on toys that many parents wouldn’t recognize from their own childhood. Hollywood themes are commanding more shelf space, a far cry from the idealistic, purely imagination-oriented play that drove Lego for years and was as much a religion as a business strategy in Billund.’ The article also mentions coming Lego Stores, a Lego board game, how Lego now allows sets with violence (like a gun for Indiana Jones), and how since 2004 Lego has cut part count nearly in half by encouraging re-use of parts and stopping one-off pieces.”

Milhões de pais bicho-grilos, chegados em um construtivismo, ficam inconsoláveis.

A autoridade antitruste italiana está investigando uma possível conduta anticompetitiva do Google.  Segundo a associação italiana de jornais, o Google ameaçou tirar da máquina de busca todos os jornais que se recusassem a participar do Google News Italia _ o agregador de notícias do Google naquele país.

O Google tem uma política para o bloqueio de páginas e sites:

Google may temporarily or permanently remove sites from its index and search results if it believes it is obligated to do so by law, if the sites do not meet Google’s quality guidelines, or for other reasons, such as if the sites detract from users’ ability to locate relevant information. We cannot comment on the individual reasons a page may be removed. However, certain actions such as cloaking, writing text in such a way that it can be seen by search engines but not by users, or setting up pages/links with the sole purpose of fooling search engines may result in removal from our index. Please read our Webmaster Guidelines for more information.

If your site is blocked from our index because it violates our quality guidelines, we may alert you about this using Webmaster Tools. Simply sign in to our Webmaster Tools, add your site URL, and verify site ownership. The Overview page provides information about the indexing of your site.

If you receive a notification that your site violates our quality guidelines, you can modify your site so that it meets these guidelines, then submit your site for reconsideration.”

E eles definitivamente a aplicam.  Mas me parece que nenhum dos critérios ali inclui “recusa em participar do Google News“…

E o quiprocó do Verdana, hein?

Eu já havia visto uns artigos críticos ao Verdana por aí _ por ter bugs, por ter sido criado para a Microsoft, etc.

Mas com essa da IKEA a coisa atingiu proporções épicas, com briga até entre editores da Wikipedia

Matéria do Guardian aqui,  da Time Magazine aqui.

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Não deixa de ser digno de nota, porém, o fato de que uma fonte bolada para o ambiente virtual seja transposta para um ícone do mortar-and-bricks aos 40 anos da internet…

Deu no G1:

Disney anuncia a compra da Marvel por US$ 4 bilhões

Editora de quadrinhos tem super-heróis como Homem-Aranha e X-Men.

O Homem-Aranha é um dos heróis da Marvel (Foto: Divulgação)A Walt Disney Co. anunciou nesta segunda-feira (31) que fechou um acordo para comprar a Marvel Entertainment Inc. em troca de pagamento em dinheiro e ações no valor de US$ 4 bilhões. A Marvel é a editora de quadrinhos responsável por super-heróis como Homem-Aranha, X-Men e Capitão América, entre outros.

“Acreditamos que somando a Marvel a um único portfólio de marcas da Disney teremos significativas oportunidades de crescer e criar valor a longo prazo”, declarou o presidente e diretor executivo da Disney, Robert Iger.

O diretor executivo da Marvel, Ike Perlmutter, também comemorou a negociação: “A Disney é o lar perfeito para o arquivo de personagens da Marvel, dada sua provada habilidade para ampliar a criação de conteúdos e empreendimentos.”

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É claro que isso dá…quizz!

Mas não, este post não tem nada a ver com o Sarney.  🙂

Talvez alguns dos meus 4,5 leitores já tenham lido sobre microcrédito.  Bem, hoje já existem possivelmente centenas ou milhares de esquemas diferentes, mas ao menos nos primórdios, naqueles esquemas aparentados ao do Grameen Bank, uma das coisas que fazia o sistema funcionar era que o empréstimo era feito em “clubinhos” de caráter bem local. E preferencialmente para mulheres.  Com isso ficava muito reduzido o perigo do default _ porque havia uma questão de decoro entre as tomadoras de empréstimo, que não queriam ser vistas pelas outras como caloteiras.

Este post do Credit Slips lembra que, antes da desregulação bancária nos EUA, havia um poderoso esquema de bancos locais _ e neles, funcionava um pouco o espírito reverso, porque o banqueiro ou o gerente eram da própria cidade, conheciam todo mundo, e seu negócio tinha um nome a zelar.

Essa é uma discussão importante e traz de volta a questão do “too big to fail“: bancos grandes são mais eficientes, é verdade, mas também criam um severo problema de risco moral.

Isso também me lembra uma matéria do NYT de ontem, sobre as resistências que o pessoal do antitruste tem encontrado até mesmo dentro do governo Obama, no desejo de reverter a política laissez faire de Bush.  Falando sobre os setores onde têm havido mais resistência a essa reversão de política, diz o jornal:

In a third area, a White House effort to overhaul financial regulation, officials weighed but rejected a significant antitrust role as a way to reduce the size of large companies considered too big to be allowed to fail.”

Dureza.

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Sim, é isso que quero fazer com os pombos

Ha!

Vocês me criticam, mas vão ver só.  Eu sou um homem à frente do meu tempo.  Rafael Cabral, no Blog do Link no UOL:

Trent Reznor deleta conta no Twitter

por Rafael Cabral , Seção: Internet, Rede social, Música, 2.0 às 13:00:36 .

O vocalista do Nine Inch Nails, Trent Reznor, deletou sua conta no Twitter, que era seguida por cerca de 645 mil pessoas. O músico, conhecido por saber usar a web 2.0 para divulgar sua banda, diz estar farto das redes sociais. “É uma pena que os idiotas dominam as redes de relacionamentos”, disse ele ao pôr fim ao seu perfil no site de microblogging.

Reznor afirmou que ele e sua noiva Mariqueen Maandig estavam recebendo insultos apenas porque alguns fãs descobriram que ele é uma pessoa normal, “com falhas e tudo mais”.

“Vi alguns de vocês se engajarem contra mim e vi alguns recuarem em horror por eu não ser o que vocês projetaram”, escreveu Reznor em um de seus últimos tweets.”

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Prevejo que nos próximos meses veremos desfiliações em massa do Twitter.  Bwahahaha.

Ezra Klein tem reflexões poderosas sobre o Kindle:

The publishing industry has put quite a lot of effort into perfecting the display of text on a piece of paper. To put it slightly differently, books are pretty good at being books. They have a lot of practice at it.

But the Kindle is young yet. And as I argued in my assessment of the gizmo for the Columbia Journalism Review, its true potential isn’t in displaying printed text in an alien, electronic medium. It’s in hastening the transition to digital text that will be displayed in its native context. A book that has paid particular attention to formatting is a book that has been optimized for the printed page. The Kindle will be poor at displaying such a book. But the question is what happens when someone finally writes a book that has been intelligently optimized for the Kindle? A book with hyperlinks, and maybe embedded video. A nonfiction book that allows you to download the full studies it mentions and lets you click on a quote to read the full transcript of that interview.”

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O que aponta para o caminho da padronização dos readers.  Claro, trata-se de um “chicken and egg problem“, e ninguém vai se preocupar em formatar um produto só para o Kindle.  Mas conseguirá a Amazon chegar a um consenso com outros produtores de readers?

Google finalmente enfrenta a Microsoft em seu próprio terreno:

Introducing the Google Chrome OS

7/07/2009 09:37:00 PM

It’s been an exciting nine months since we launched the Google Chrome browser. Already, over 30 million people use it regularly. We designed Google Chrome for people who live on the web — searching for information, checking email, catching up on the news, shopping or just staying in touch with friends. However, the operating systems that browsers run on were designed in an era where there was no web. So today, we’re announcing a new project that’s a natural extension of Google Chrome — the Google Chrome Operating System. It’s our attempt to re-think what operating systems should be.

Google Chrome OS is an open source, lightweight operating system that will initially be targeted at netbooks. Later this year we will open-source its code, and netbooks running Google Chrome OS will be available for consumers in the second half of 2010. Because we’re already talking to partners about the project, and we’ll soon be working with the open source community, we wanted to share our vision now so everyone understands what we are trying to achieve. (…)

Google Chrome OS is a new project, separate from Android. Android was designed from the beginning to work across a variety of devices from phones to set-top boxes to netbooks. Google Chrome OS is being created for people who spend most of their time on the web, and is being designed to power computers ranging from small netbooks to full-size desktop systems. While there are areas where Google Chrome OS and Android overlap, we believe choice will drive innovation for the benefit of everyone, including Google.(…)” [grifos meus]

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Vamos ver o que o pessoal do antitruste acha disso.

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Boa discussão aqui.

Deu no Valor:

Livraria Cultura vai abrir loja na Daslu

Beth Koike, de São Paulo

A Livraria Cultura abre em setembro uma loja na Villa Daslu, em São Paulo, dentro da estratégia de diversificar seu modelo negócio. A nova livraria terá uma área de 360 m2 – metragem bem inferior a suas unidades, que possuem em média 3 mil m2. “Estamos estudando novos modelos porque temos consciência de que existe uma limitação no Brasil para abrir muitas livrarias de grande porte”, disse Sergio Herz, diretor de operações da Livraria Cultura e neto da fundadora, Eva Herz.

A proposta de abrir uma livraria partiu da BR Malls, que administra a Villa Daslu há um ano e meio e quer mudar a imagem de que o local se resume a uma butique. “Muitas pessoas acham que lá só tem a Daslu, mas queremos mostrar que é um empreendimento com restaurantes, joalherias, lojas de grifes nacionais e livraria, além da própria Daslu. No total, são 70 pontos”, afirmou Bettina Quinteiro, superintendente da Villa Daslu.”

Só se a Cultura pretende abrir uma loja com literatura específica sobre “planejamento fiscal“.

A Cultura vai substituir a Laselva, que há sete meses fechou a loja que tinha na Daslu. “A Laselva é uma livraria de aeroporto e adotava esse mesmo modelo na Daslu e por isso não deu certo”, explicou Bettina. Em reestruturação desde o ano passado, a Laselva tem um alto endividamento com editoras, bancos e governo. Só seu débito bancário chega a R$ 30 milhões. Segundo a empresa, as dívidas já foram negociadas.”

Tá certo.  Afinal, ali a auto-ajuda ocorre na própria butique.

Na Villa Daslu, a Livraria Cultura dará atenção especial para publicações importadas e relacionadas à moda, sem descartar títulos tradicionais. “Há uma grande expectativa de que os homens procurem a livraria enquanto suas esposas ou namoradas estão fazendo as compras“, complementou Bettina.”

E eu ainda tinha esperanças…  🙂

Vídeo da Air New Zealand.

Esta matéria do Guardian sobre os efeitos da recessão sobre a indústria do sexo no estado de Nevada nos leva a conhecer aquele que é provavelmente o único setor da iniciativa privada nos EUA que ama impostos:

In an effort to shore up their legitimacy, Nevada’s bordellos are virtually unique in the US business world in lobbying for greater taxation, believing they would be harder to outlaw if they made a useful contribution to the public purse. The industry enthusiastically supported a proposal in Nevada’s legislature for a $5 levy on each sexual transaction to help fill up a $3bn budgetary deficit.

Narrowly rejected in a senate committee, the levy would have been the first value-added tax on sex – brothels presently only pay an annual licensing fee and payroll tax.” [grifo meu]

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Sue them!

Pirataria chic.  Deu no blog BBC Tendências da BBC:

Hermès criará seus próprios crocodilos

Ilana Rehavia11/06/2009, 03:13 PM

A grife de luxo francesa Hermès começou a criar seus próprios crocodilos em fazendas na Austrália para atender a demanda por suas bolsas, segundo a agência de notícias Reuters.

Mesmo em meio à crise econômica global – e com preços que podem passar dos 90 mil reais – a lista de espera para algumas das bolsas de peles exóticas da Hermès é de vários anos.

Segundo o presidente da marca, Patrick Thomas, cada bolsa de crocodilo pode usar entre três e quatro animais. A empresa produz cerca de três mil unidades com esse tipo de pele por ano.”

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Os mais verdinhos, contrario senso, são os menos esperançosos (clique para ampliar)

Saiu o mapa do otimismo mundial.  Nações mais otimistas:

  • Irlanda
  • Brasil
  • Dinamarca
  • Nova Zelândia

Os EUA aparecem na chickenlittlística décima posição.   Os países mais chickenlittlísticos são o Zimbabwe, o Egito, o Haiti e a Bulgária.

O estudo é fruto de uma associação entre a Universidade do Kansas e o instituto Gallup, e foi apresentado hoje no encontro anual da Association for Psychological Science em San Francisco.

Um dos resultados do estudo, que surgiu da entrevista de mais de 150.000 adultos representando mais de 95% da população mundial,  é que o otimismo é uma caracterísitca universal.   89% dos entrevistados acham que os próximos cinco anos serão melhores ou tão bons quanto a situação atual, enquanto 95% acham que sua vida será tão boa ou melhor quanto a que tiveram nos últimos cinco anos.

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Pelo mapa dá pra sentir que o clima não é dos melhores na África, o que explica uma reportagem que saiu no Financial Times de hoje onde as Nações Unidas alertam para um tipo especial de neocolonialismo: vários governos africanos estão praticamente dando terras para empresas estrangeiras.  As estimativas do estudo (envolvendo países como a Etiópia, Gana, Mali, Madagascar e Sudão)  apontam para a cessão de algo como 2,5 milhões de hectares (metade da terra arável na Inglaterra); outras estimativas, envolvendo a África, a América Latina e a Ásia, apontam até 12 milhões de hectares (equivalente a metade da Itália).  As terras são cedidas em troca da promessa de investimentos em infra-estrutura e criação de empregos, mas a análise dos contratos revela que eles são notoriamente simples e mal-feitos, o que implica em que o país que cede as terras fica com poucos instrumentos para forçar a realização das contrapartidas.

Os maiores investidores são a Arábia Saudita e a Coréia do Sul, países interessados em garantir sua segurança alimentar.

Isso é má notícia para muita gente, mas talvez mais ainda para os ambientalistas (um dos projetos envolve a ilha de Madagascar, um santuário de biodiversidade que vem sendo rapidamente consumido) e o Brasil, que apesar do seu otimismo corre o sério risco de encontrar em breve uma grande competição no setor de commodities.  Hora de vender Brasilfoods…   🙂

Como sabem os 4,5 leitores deste blog, o atual Ministro das Comunicações, Hélio Costa, deve sua carreira política aos inúmeros anos em que foi repórter da “Rede Globo”, inicialmente no Fantástico, depois como apresentador do “Linha Direta”.  A despeito disso, porém, seus anos de Rede Globo primam por uma ausência ensurdecedora (e suspeita) em sua biografia oficial.

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Por essas e outras é que o Ministro talvez seja o mais dileto exemplo da teoria da captura que se tem notícia na política brasileira.  Enquanto nos países desenvolvidos e em desenvolvimento o Ministério das Comunicações ou seus equivalentes não falam em outra coisa que não expandir a banda larga, no Brasil o Ministro parece ter outras idéias.  Do noticiário especializado Teletime:

Juventude tem que “despendurar” da internet e voltar a ver TV, diz ministro

A abertura do 25º Congresso Brasileiro de Radiodifusão, promovido pela Abert, nesta terça-feira, 19, contou com um comentário inusitado do ministro das Comunicações, Hélio Costa. O ministro fez uma defesa arraigada do setor de rádio e televisão, e sugeriu que os jovens devem usar menos a internet e assistir mais programas de TV e de rádio.

“Essa juventude tem que parar de só ficar pendurada na internet. Tem que assistir mais rádio e televisão”, afirmou o ministro em seu discurso, após relembrar a distância entre o faturamento da radiodifusão e das telecomunicações. “O setor de comunicação fatura R$ 110 bilhões por ano. Desse total, somente R$ 1 bilhão é do rádio e R$ 12 bilhões das TVs. O resto vocês sabem muito bem onde está”, provocou o responsável pelas comunicações do país.”

Vejam que o Ministro não está dizendo que os jovens têm que largar a internet e ir namorar, ou estudar, ou praticar esportes.  Está dizendo que os jovens têm que despendurar da internet _ que é uma indústria de telecomunicações _ e se pendurar na televisão _ que é uma outra indústria de telecomunicações, mas é mais próxima ao Ministro.

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Há tempos fiz um post sobre os problemas da Sadia (“O capitalismo brasileiro é sadio?“), onde uma reportagem genial do Valor revelou os podres de uma empresa tida até pouco tempo como um padrão do mundo corporativo pátrio.

Não deu outra: a Sadia está sendo comprada pela Perdigão.  Criando um virtual monopólio no setor de alimentos industrializados no Brasil.  Mas, como os tempos são de crise, o CADE deverá entrar mudo e sair calado.

E o pior é que nem mesmo a fusão é sinal de melhoras:

Fonte de uma das famílias controladoras da Sadia afirma que, no ponto em que chegou a situação da empresa, a melhor coisa que poderia acontecer é mesmo uma união com a Perdigão, ainda que em condições desiguais. A fonte diz que o resultado da união dependerá do que for decidido para a gestão. “A gestão da Sadia pode ter seus problemas, mas a da Perdigão também não impressiona”, afirma. Sendo assim defende que as empresas reconheçam essa fragilidade e busquem uma nova gestão com uma nova cultura, de preferência com um presidente-executivo fora dos quadros de ambas.” [grifo meu]

Mas não parece que a profissionalização vai rolar:

Antes de aceitar a venda para a rival Perdigão, a Sadia tentou encontrar sócios interessados em capitalizar a companhia. No entanto, não houve sucesso, dadas as exigências que esses potenciais investidores faziam, tanto em preço como em direitos e novo modelo de governança. 

Mesmo o BNDES, se aceitasse capitalizar a companhia sem uma fusão, faria exigências como a migração para o Novo Mercado, que na prática também diluiria a família com a conversão de ações preferenciais em ordinárias e a tornaria um bloco importante de sócios mas sem controle. 

Na verdade, qualquer alternativa de capitalização da empresa, em ações ordinárias, reduziria a participação da família, que detêm 77% do capital votante.

Ou seja, os Furlan afundam, mas não largam o osso.

Bollywood enfrenta reveses:  as receitas dos atores caíram 80%, e o número de filmes novos caiu entre 30 e 40%.  O motivo?  O sucesso…

The problems have come after Bollywood saw an influx of funds and the entry of large business houses, such as Reliance Big Entertainment, controlled by billionaire businessman Anil Ambani. 

The industry has also attracted the eye of Hollywood studios, with Viacom, NBC, Sony and Time Warner investing $1.5bn in India’s movie and pay TV sectors. 

But the increased interest has led to inflated costs. Some new entrants tried to build up movie libraries quickly by buying content, which led to a bubble in the cost of new movies that has been pricked by the economic crisis. 

“The model before this was: ‘I make the content and then sell it – somebody would have bought it.’ Now there’s nobody to buy it,” said Mr Screwvala.

Mas isso é só enquanto o “Caminho das Índias”, da Globo, não passa por lá.  Quando passar seguramente será recebida como a maior comédia de todos os tempos…

Nota no “Curtas” do Valor:

O chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, ministro Roberto Mangabeira Unger, propôs à Venezuela e Colômbia a criação de um sistema conjunto de registro de propriedade intelectual dos produtos provenientes da floresta amazônica. O ministro pretende debater ainda com os países vizinhos projetos de desenvolvimento sustentável, de monitoramento espacial com fins militares e de combate ao desmatamento e a formulação de uma posição comum em relação às fontes internacionais de financiamentos de projetos na região. As informações são da Reuters.”

Acho muito razoável e até recomendável que o Brasil busque um regime conjunto e coerente de manejo da Amazônia junto aos países vizinhos que dela compartilham.  Mas não entendi bem essa história de “sistema conjunto de registro de propriedade intelectual dos produtos provenientes da floresta amazônica“.  O principal problema no registro vem justamente de terceiros países que resgistram produtos tipicamente amazônicos, como foi o caso do cupuaçu registrado no Japão.  A menos que a idéia seja criar algum tipo de “registro de origem”, como o usado em bebidas, queijos, etc.

Meus 4,5 leitores já devem estar carecas de saber que uma cópia pirata de “X-Men Origins: Wolferine” escapou da escola do professor Xavier e caiu nas redes de bitorrent dos intertubes.

A preocupação da Fox é grande, embora a empresa esteja alegando _ talvez para tentar alterar o filme e preservar a aura de novidade na hora do lançamento, daqui a um mês _ que a cópia vazada é incompleta e de péssima qualidade.

Porém, X-Men Origins é O blockbuster de verão da Fox, e sua flopagem seria um problema sério para a distribuidora.

Veremos, portanto, se o efeito “Tropa de Elite” se reproduz no caso do filme americano ou não.  Há quem diga que o vazamento do filme brasileiro (aliás desvendado) apenas colaborou para aumentar sua popularidade, levando mais gente para ir vê-lo nas telas.  “Tropa de Elite” também vazou com grande antecedência, coisa de dois meses antes de sua estréia.   Porém há que se descontar uma diferença: havia grande expectativa com “Tropa” por ser um filme nacional aparentemente bom, coisa que já não é novidade para blockbusters americanos.

A ver.  Ou não.  🙂

Tio Rei fala sobre a demissão do presidente do BB.  Ele fala e eu comento:

DEMISSÃO NO BANCO DO BRASIL CHEIRA MAL, MUITO MAL

Quer dizer que o spread é alto no Brasil, e a culpa é do presidente do Banco do Brasil? Faz bem a oposição em exigir explicações do ministro Guido Mantega (Fazenda) e de Antonio Francisco Lima Neto, que foi defenestrado. Essa história cheira muito mal. E vou dizer por que é mister suspeitar de algum cadáver incômodo no armário.

Tá. Depois eu é que sou conspiratório.

Porque o governo está assumindo, com uma impressionante e desabrida desfaçatez, que está se imiscuindo na instituição segundo critérios que não seriam aqueles normalmente aceitos pelo mercado – isso para uma instituição que tem ações negociadas na Bolsa de Valores.

Ahnnn…médio.  Voltaremos a isso depois.

Na própria entrevista coletiva concedida em companhia de Lima Neto, Mantega chegou a falar que a nova diretoria terá um “contrato de gestão”, comprometida com a cobrança de taxas menores. É mesmo? Então se está acusando o presidente demitido de ter sabotado os interesses do país? Qual seria o seu interesse particular em manter elevado o spread? Ou ele praticava, vamos dizer, preços compatíveis com a saúde do Banco do Brasil, mas a saúde do Banco do Brasil começa a ser incompatível com a saúde do projeto político de Lula e Dilma Rousseff.

Pois é, o que é um “preço compatível com a saúde de um banco“?

A parte do interesse do ex-presidente é mais fácil de entender: dificilmente o sujeito não tinha um pacote remuneratório atrelado aos resultados do Banco.  Já dizer que o interesse de um banco é o mesmo interesse do País, é uma outra história.  Mas, de novo, voltaremos a isso já já.

A ministra e o presidente Lula estiveram num encontro com sindicalistas. Segundo testemunhos de alguns deles, ela não economizou e atacou gestores de bancos públicos que se comportariam como se fossem dirigentes de bancos privados. Voltando à coletiva, Mantega defendeu que o Brasil use seus bancos públicos para concorrer com os privados, oferecendo juros menores, para ganhar mercado. Como se vê, a mudança do dirigente de uma instituição com essa importância, feita de maneira um tanto brusca, teria raiz numa questão, admitamos, quase prosaica.”

Pois é.

Só no ano passado, o Banco do Brasil comprou a Nossa Caixa, o Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e o Banco do Piauí. Neste ano, já comprou 49% das ações do Banco Votorantim (uma operação que salvou o banco, deixando-o, no entanto, sob o cuidado dos antigos controladores – de pai para filho, mesmo…) e negocia a aquisição do Banco de Brasília (BRB) e do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes). E tudo é negócio realmente de vulto. Não se chega ao comandante de uma instituição como essa e se diz: “Você está demitido”, assim como quem declara: “Hoje é quarta-feira”.”

Ué, porque não?

Por que o governo, por intermédio dos ministros Guido Mantega e Dilma Rousseff, assume o risco de admitir uma interferência de caráter claramente político no Banco do Brasil? Isso me lembra a piada do sujeito que chega numa roda de amigos e diz: “Me contaram que aqui só tem corno e ladrão”. E todo mundo, imediatamente, se declara “ladrão”…

Onde está o caráter “político” da intervenção?  Por acaso Lima Neto é filiado ao DEM ou ao PSDB?

Traduzindo a piada para os desprovidos de tecla SAP: quem assume com muita rapidez o ruim pode estar temendo o pior.

Ele enrolou, enrolou, mas não disse porque a história “cheira mal”, e nem qual é o “pior”.  Na verdade, a questão é mais simples.

No mundo inteiro, há uma tensão entre a necessidade de evitar o tal do “risco sistêmico” presente no sistema financeiro e o exercício de políticas de defesa da concorrência.  Segundo a sabedoria tradicional (crescentemente desfavorecida diante da crise, diga-se de passagem, por ter gerado instituições “too big to fail“), bancos são instituições extremamente vulneráveis a crises de confiança, com o agravante que a falta de confiança em uma instituição pode propagar-se a outras, teoricamente aniquilando todo o sistema financeiro de um país.  Por isso, existem vários arranjos que na prática equivalem a uma “isenção antitruste” para o setor bancário.  Que, justamente por causa disso, aproveitou-se desse dilema de policy para aumentar a concentração do setor.

O problema é que quando você tem um mercado onde existem poucos atores,  há um tremendo incentivo para condutas coordenadas, isso é, a formação de cartéis.  Existe, portanto, uma grande chance que o tamanho do spread hoje embutido nas taxas de juros cobradas pelos bancos seja fruto de uma certa concertação entre as instituições financeiras.  Usar os bancos públicos para baixar o spread a patamares civilizados equivale, portanto, a uma operação de quebra de cartel.

Bem, exceto nas franjas mais radicais do movimento liberal, a maior parte do establishment econômico aceita que ações antitruste são essenciais em uma economia de mercado, no intuito de sanar falhas.  Idealmente, é claro, uma ação antitruste deveria assumir uma feição tradicional.  No caso, a ação antitruste tradicional envolve invadir os escritórios das empresas, apreender provas, prender dirigentes e atirar multas gigantescas contra as instituições envolvidas.

Exceto, é claro, pelo fato de que este não é o tipo de coisa saudável de se fazer contra instituições financeiras em épocas de crise.

Ou seja: a intervenção no Banco do Brasil é formalmente equivalente a uma ação anticartel.  As ações caíram?  Pois é, também cairiam no caso de uma ação anticartel tradicional.   O lucro dos acionistas vai diminuir?  É claro.  Aliás, a idéia é essa.

Anaeróbicos: bem vindos ao capitalismo por outros meios.

Deu no Estadão:

Trem-bala entre São Paulo e Rio será privatizado

(…)

O primeiro trem-bala brasileiro deverá custar US$ 14 bilhões (cerca de R$ 31 bilhões pelo câmbio atual) e a previsão é de que pelo menos entre São Paulo e Rio estará pronto até 2014, antes do início da Copa do Mundo de futebol. Ao todo, a linha terá 530 km de trilhos, sendo 130 km constituídos por túneis e viadutos. A previsão é de que serão transportados anualmente entre 8 milhões e 10 milhões de passageiros entre São Paulo e Rio. Calcula-se que a passagem ficará em torno de R$ 120.

(…)

De acordo com estudo de viabilidade técnica da obra, feito pela britânica Halcrow Group, o trajeto deverá ter oito estações entre Rio de Janeiro e Campinas. Em épocas de muita demanda, poderá haver também parada extraordinária em Aparecida. Toda a papelada já está com a Casa Civil, o Ministério dos Transportes e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), envolvidos diretamente com a obra.

Vamos tentar calcular quanto tempo gastaria uma viagem Rio-São Paulo.  Suponho que as pessoas viajarão neste trem carregando bagagens.   Se em cada parada o trem gastar um 15 minutos para que as pessoas embarquem e desembarquem, teremos:

5 x 15 = 75 minutos de viagem  (das 8 estações, tirei Campinas, Sampa e Rio)

Gastos apenas parando nas estações.  Vamos supor que o trem viaje a uns 200km por hora, o que acho que é uma velocidade muito superior à que será a média real.   Sendo o trajeto total de 530 km, e supondo que uns 70 km digam respeito ao trecho São Paulo – Campinas, temos:

(530-90)/200 = 2 horas e 12 minutos.

Então, estamos calculando para a viagem total umas quase 3 horas e meia.

O ônibus hoje leva umas 5:30 horas de viagem, e o avião, uns 45 minutos.

Neste exato momento, uma viagem amanhã do Rio para São Paulo pela Gol está custando R$ 439,00, mas se eu quisesse comprar com uma certa antecedência, digamos, de uma semana, a passagem sairia por R$ 339,00.  Já a passagem de ônibus pela Cometa está a R$ 90,00 no leito e R$ 65,00 no ônibus com ar condicionado.

Ou seja, se não fiz nenhuma grande besteira nestes cálculos em cima da perna, eu diria que o trem-bala tem um business model…er, heróico.

Principal problema, em minha opinião: as paradas oneram muito o serviço do trem-bala, afastando quem quer fazer a viagem completa Rio-São Paulo, que deve ser a maioria _ ou pelo menos a maioria com “bala” na agulha para pagar a passagem.   Por outro lado, o pessoal que vai ficar pelo Vale do Paraíba certamente achará muito mais negócio ir de ônibus.

Onde está Andre Kenji quando se precisa dele?

Continuo reputando o “Valor” como um dos melhores jornais brasileiros.  A edição de hoje traz uma reportagem (da autoria de Graziella Valenti)  sobre o “buraco” deixado na Sadia pelo seu diretor financeiro, que contratou operações de risco de valor muito superior(R$ 2,7 bilhões no total) ao que lhe era estatutariamente permitido (R$200 milhões), razão pela qual está sendo processado pela diretoria da empresa…e isso, cinco dias antes do meltdown.

Mas o interessante é essa nota ao pé da página da reportagem:

A repórter adquiriu 11 ações ordinárias da Sadia, no valor de aproximadamente R$ 60, o mínimo vendido na corretora, para ter acesso à assembleia da companhia e poder reportar aos leitores a auditoria feita na empresa, cujo conteúdo é aberto apenas aos acionistas presentes na reunião em Concórdia, interior de Santa Catarina. A repórter se absteve de votar.

Genial, pois com isso a reportagem teve acesso à auditoria realizada pela BDO Trevisan na empresa.  Lá, aprendemos que o Conselho de Administração da Sadia, uma das maiores e mais profissionalizadas corporações brasileiras, não fazia um acompanhamento periódico das operações financeiras de risco feitas pela empresa.  Coisas assim me deixam espantado, a ponto de pensar que a direita anaeróbica brasileira faria muito melhor em falar mal do amadorismo do empresariado brasileiro do que da falta de empreendedorismo de Santos Dumont.

 O Valor, aliás, já tinha usado expedientes interessantes de jornalismo investigativo ao usar a lei americana de liberdade de informação (FOIA) para ter acesso a documentos relativos à relação entre Brasil e EUA nos primeiros meses após a eleição de Lula.

Murdoch acusa o golpe e mostra que a News Corporation também está ferida:

Murdoch mostra pessimismo com economia e critica conteúdo grátis na Internet

O empresário do setor de mídia Rupert Murdoch, presidente da News Corp, está pessimista em relação à crise econômica e seus reflexos sobre o setor de comunicações. Ele acredita que as perspectivas de longo prazo sejam ruins “porque as pessoas estão mais pobres do que estavam”, situação que ainda demora para se reverter. Ele também mostrou preocupação com as medidas anticíclicas que estão sendo adotadas contra a crise. “Os governos estão, em geral, gastando muito dinheiro, imprimindo dinheiro, e isso gera inflação”, disse, prevendo um cenário sombrio. “Eu rezo para estar errado”. Em uma rápida entrevista dada ao vivo durante a NCTA Cable 2009 ao jornalista Neil Cavuto, da Fox News (controlada pela News Corp), Murdoch fez uma única referência ao setor de TV paga, elogiando o desempenho dos canais Fox. O empresário preferiu focar suas análises sobre o setor de jornais impressos, onde defendeu a adoção de modelos pagos na Internet. “A publicidade sozinha não vai compensar as perdas de receita que estamos tendo”.

Depois, ao participar do debate com os presidentes de outros grupos de comunicação como Jeffrey Bewkes, da Time Warner; Philippe Dauman, da Viacom; e Mike Fries, da Liberty Global, Murdoch voltou a fazer críticas à distribuição gratuita de conteúdos pela Internet, especificamente vídeo. “Só quem está ganhando dinheiro com isso são os sites de busca”, disse. Inicialmente, a referência havia sido explícita ao Google. Depois, Murdoch preferiu generalizar falando simplesmente de “agregadores” de conteúdo e sites de busca. (…)” [grifos meus]

O interessante é que, como mostra Felix Salmon, Murdoch deu uma volta de 180 graus em relação às suas posições de 18 meses atrás:

“We don’t mind what platform news appears on. We’re platform neutral: newsprint, your Blackberry, your PC or whatever,” Murdoch said.
He also said that News Corp. was likely to get rid of subscriptions for the WSJ.com Web site in favor of a free model that would depend on advertising.

Eu e minha boca grande“, ele deve estar pensando agora.

Top 10 Things the Letters “GM” Stands For

10. Got More?

9. Goals missed

8. Giant Mess

7. GO MARX

6. Government Mooch

5. Grossly Mismanaged

4. Got Mechanic?

3. Gasguzzlin’ Monsters

2. Goodbye Michigan!

And the number thing the letters”G” and “M” stands for:

1. Gambled & Missed

(hat tip: Ritholtz)

No Guardian, uma matéria interessante sobre a IKEA (para quem não sabe, um dos maiores vendedores de móveis do mundo e “inspiração” não-declarada da Tok&Stok), demolindo a imagem de “environment friendly” que ela vem tentando construir.

A IKEA, que pertence a uma família sueca, já andou frenquentando a mídia por motivos pouco nobres.  Como por exemplo sua peculiar governança corporativa, estruturada sobre uma “instituição não-lucrativa” cujo objetivo parece ser a evasão fiscal.

A matéria do Guardian informa que a IKEA é a maior rival de uma legislação que está para passar nos EUA e exige o rastreio de toda madeira vendida no país, de forma a comprovar que ela foi produzida legalmente.  Esse é um grande passo contra o deflorestamento, mas a IKEA parece acreditar que realizar tal controle é algo “irrealista”.  Embora esse “irrealismo” só fique aparente quando exigido por lei, mas desapareça quando são necessárias ações de marketing

Segundo o Valor (reproduzindo matéria do Wall Street Journal), a crise chega a Hollywood:

Crise também atinge estrelas de Hollywood
Lauren A.E. Schuker, The Wall Street Journal

Estúdios acabam com acordos que previam remuneração antecipada – de até 20% – com base na bilheteria

Com a necessidade de cortar custos, Hollywood decidiu espremer seus astros. Durante quase dez anos, as maiores estrelas do cinema fechavam acordos pelos quais recebiam uma porcentagem – de até 20% – da receita de um filme mesmo que ele fracassasse e desse prejuízo ao estúdio. Essa era ficou para trás. Para dois novos projetos, a Paramount Pictures acabou com os acordos, embora tenha conseguido atores populares. Em “Dinner for Schmucks”, com Steve Carrell, e “Morning Glory”, com Harrison Ford, os atores aceitaram contrato no qual recebem parte da receita, mas só depois que o estúdio recuperar os custos.”

A matéria integral tem uma informação adicional interessante:

Há muito os estúdios consideram esses acordos de “primeiros dólares” uma extravagância do setor, capaz de dar altos prejuízos, mesmo concordando em segui-lo. Ao garantir uma generosa remuneração para as estrelas, seja qual for o lucro do filme, os estúdios acabavam assumindo a maior parte dos riscos.

Isso não apresentava grandes problemas durante os anos em que era fácil financiar filmes de grande orçamento e as vendas de DVDs cresciam a um ritmo acelerado de dois dígitos. Mas recentes mudanças na indústria cinematográfica colocaram os estúdios sob uma pressão que não sentiam há muitos anos. Embora a receita das bilheterias tenha subido nos últimos meses, as vendas de DVD estão começando a encolher, privando Hollywood de uma de suas fontes de renda mais lucrativas. Além disso, os bilhões de dólares que Wall Street despejou na indústria nos últimos anos também secaram, obrigando os estúdios a reduzir seus orçamentos de produção.

Agora, os estúdios não podem mais continuar aceitando essa aposta arriscada. “Duplicidade”, um policial com Julia Roberts, chegou aos cinemas no último dia 20 mas não teve bom desempenho até agora, faturando apenas US$ 27 milhões nas bilheterias americanas até o momento. A Universal Pictures está arriscada a perder dinheiro nesse filme, que custou US$ 60 milhões, ao passo que Julia Roberts tem a garantia de que vai receber vários milhões de dólares.

Abrir mão dos acordos de primeiros dólares não implica que os atores acabarão necessariamente com menos dinheiro, desde que os filmes tenham bom desempenho. No passado, Jim Carrey fez acordos para receber uma fatia inicial da bilheteria e comissões adiantadas de mais de US$ 20 milhões para filmes como “As Loucuras de Dick e Jane”.

Mas ele aceitou um contrato de risco em seu último filme, “Sim Senhor!”, lançado em dezembro. Ele abriu mão da parcela inicial da bilheteria e não recebeu nenhum dinheiro antecipado, em troca de um acordo considerável de “back end”, que incluiu uma participação de 33% sobre os direitos do filme.

Caso o filme tivesse sido um fracasso, Carrey teria recebido uma fração de seus honorários tradicionais. O filme acabou tendo boa bilheteria, embora não tão alta quanto o estúdio esperava. Mas Carrey faturou cerca de US$ 35 milhões com o acordo – uns US$ 5 milhões a mais do que conseguiria se não tivesse aberto mão de seu adiantamento, segundo Gold, um de seus empresários, que ajudou a elaborar o contrato com a agência Creative Artists Agency e o estúdio.”

O que faz todo sentido.

Vamos ver como se comporta a TV brasileira diante da crise.   Antes mesmo dela bater, já andava sendo comum ver caras globais em novelas de outras emissoras, o que provavelmente implica que a Globo abriu mão de sua estratégia de bancar o salário de estrelas sem fazê-las trabalhar, apenas para que elas não fossem para a concorrência.  Fábricas de talentos “instântaneos” como “Malhação” e “Big Brother” parecem estar funcionando como fontes permanentes de novos astros e estrelas populares, diluindo o “star quality”.   A ver…

Is nothing sacred? Do Slashdot:

“The NY Times reports that the proliferation of free or low-cost games on the Web and for phones limits how high the major game publishers can set prices, so makers are sometimes unable to charge enough to cover the cost of producing titles. The cost of making a game for the previous generation of machines was about $10 million, not including marketing. The cost of a game for the latest consoles is over twice that – $25 million is typical, and it can be much more. Reggie Fils-Aime, chief marketing officer for Nintendo of America, says publishers of games for its Wii console need to sell one million units of a game to turn a profit, but the majority of games, analysts said, sell no more than 150,000 copies. Developers would like to raise prices to cover development costs, but Mike McGarvey, former chief executive of Eidos and now an executive with OnLive, says that consumers have been looking at console games and saying, ‘This is too expensive and there are too many choices.’ Since makers cannot charge enough or sell enough games to cover the cost of producing most titles, video game makers have to hope for a blockbuster. ‘The model as it exists is dying,’ says McGarvey.” [grifos meus]

Mais um entrenimento migrando para a nuvem??

0331-biz-webhummer

O NYT tem uma matéria sobre o fim de um mito: a possível venda ou fechamento da linha de produção do Hummer.

Sales of Hummers over all have fallen so far – 51 percent last year, the worst drop in the industry – that General Motors is trying to find a buyer for the brand. Without one, the company might close Hummer. An announcement about Hummer’s fate may be made Tuesday.

“It’s a brand that represents a lot of what people want to get away from,” said Rebecca Lindland, an analyst with the research firm I.H.S. Global Insight.

“Even if gas prices are lower, it still kind of radiates conspicuous consumption,” Ms. Lindland said. “Hummer was suddenly perceived as all that’s wrong with America’s dependence on foreign oil.”

A spokesman for Hummer, Nick Richards, said G.M. remained “in discussion with several parties” and had not determined what to do with the brand, though the company ruled out keeping Hummer in February. If Hummer is closed, it would be phased out “rather quickly,” G.M.’s president, Frederick A. Henderson, said last month.

O NYT também tem uma matéria sobre o crescente envolvimento do governo americano na indústria automobilística do país.   Essencialmente, as montadoras hoje quase representam o mesmo nível de “risco sistêmico” que o setor financeiro, incluindo aí a maldição do “too big to fail“:

In presenting the automobile plan on Monday, Mr. Obama suggested just how tricky it can be for Washington to wade into the marketplace: He declared that the government would back up warranties on Pontiacs and Buicks and the rest of the G.M. and Chrysler product lines, so that consumers would have no fear of buying those cars.

It may have been a necessary step, but it means that the government now is not only the ultimate guarantor of savings accounts and insurance policies – it will also cover that blown transmission.

When he stood in the White House to unveil his approach, Mr. Obama took pains to assure the country – twice – that “the United States government has no interest in running G.M.”

No interest, perhaps, but also no choice.”

E ligando isto ao meu post de ontem, o Financial Times lembra um “elo perdido” entre estas histórias, qual seja, a volta que a FIAT deu na GM:

GM was slow in accepting that the golden years of the SUV, around which it had based much of its strategy, were over. Barely three years ago, Mr Wagoner insisted that SUVs were what the market, especially North America, wanted. Since then, he has changed his tune and to his credit managed to wring important concessions from his unions. That was obviously not enough and in any case too late.

The irony is that Mr Wagoner could have had a privileged view of the gathering industry storm and what needed to be done to help GM weather it from Fiat, GM’s erstwhile Italian partner.

Instead, he chose to to dismantle the relationship four years ago when he thought the Italian carmaker was about to collapse.

Fiat was certainly in dire straights. The Agnelli family called an industry outsider, Sergio Marchionne, to the rescue. Against all GM’s expectations, Mr Marchionne managed to wring $2bn from GM in return for ending the partnership. He then set about restructuring Fiat, cutting jobs and management layers, retooling the company and launching a series of what have proved successful models.

***

Enquanto na América ninguém sabe para onde vai a indústria automotiva, na Europa em breve ninguém vai poder dirigir para lugar nenhum sem que o governo saiba:

The government is backing a project to install a “communication box” in new cars to track the whereabouts of drivers anywhere in Europe, the Guardian can reveal.

Under the proposals, vehicles will emit a constant “heartbeat” revealing their location, speed and direction of travel. The EU officials behind the plan believe it will significantly reduce road accidents, congestion and carbon emissions. A consortium of manufacturers has indicated that the router device could be installed in all new cars as early as 2013.

However, privacy campaigners warned last night that a European-wide car tracking system would create a system of almost total road surveillance.

Já em São Paulo ninguém vai a lugar nenhum, ponto:

A pista sentido Centro da Radial Leste apresenta 4.7 km de tráfego carregado entre a Rua Wandenkolk e Viaduto Pires do Rio.

Deu no Estadão:

EUA devem injetar US$ 6 bi na Chrysler e agilizar fusão com Fiat
Governo pressionou pela demissão de presidente da GM, mas não se pronunciou sobre ajuda à empresa

WASHINGTON – O governo dos Estados Unidos deve injetar US$ 6 bilhões na Chrysler para ajudar o fluxo de caixa da empresa por um mês. Em troca, a montadora deve agilizar sua fusão com a Fiat, informaram nesta segunda-feira, 30, membros do grupo de trabalho que discute o resgate à indústria automobilística na Casa Branca.” [grifo meu]

Será que vão trocar meu humilde (e econômico) Palio por um Dakota??  No, thanks!

Capturado do Ritholtz:

“Traders are succeeding not so much because they are rational, but because they have certain biological traits, including confidence, an appetite for risk, search persistence, and speed of reactions,” all of which are derived from prenatal exposure to testosterone.”
-John Coates, University of Cambridge neuroscientist and former trader

Segundo o texto citado pelo Ritholtz, it shows: as pessoas expostas a testosterona antes do nascimento possuiriam o dedo anular maior que o indicador.

O problema com essas coisas é que daqui a pouco vão começar a sugerir que os especuladores de Wall Street não são o que são porque querem, mas sim porque sua natureza assim lhes impõe.  É a medicalização da cara de pau.

Eu continuo achando que nesta história toda apenas um dedo diz a verdade:

the-finger

Deu no Estadão:

Um grupo de músicos formado pelo guitarrista Ed O’Brien, do Radiohead, e pelos cantores Robbie Williams, Annie Lennox e Billy Bragg criticaram nesta quinta-feira, 12, uma proposta que quer tornar crime o ato de baixar músicas pela internet. Na noite de quarta-feira, a The Featured Artists Coalition, que reúne mais de 140 bandas ou cantores, votou majoritariamente contra o processamento judicial de fãs por esse motivo.”

O que me parece inteligente, da parte dos artistas, pois ninguém realmente sabe onde vai acabar uma iniciativa que criminaliza os usuários _ principalmente em um ambiente tão tecnologicamente complexo e desafiador que o tiro pode muito bem sair pela culatra.

A rationale para o direito autoral _ e na verdade, para todo tipo de propriedade intelectual _ é muito fácil de ser entendida: as obras do espírito muitas vezes podem ser copiadas a custo muito baixo, tornando o interesse pela cópia maior que o interesse pelo original.  Nesse caso, entram em tela as famosas eficiências dinâmicas:

Speaking broadly, there are two types of efficiency: static and dynamic. Static efficiency occurs when firms compete within an existing technology to streamline their methods, cut costs, and drive the price of a product embodying that technology down to something close to the cost of unit production. Static efficiency is a powerful force for increasing consumer welfare, but an even greater driver of consumer welfare is dynamic efficiency, which results from entirely new ways of doing business.(1) Economists now recognize that the gains from dynamic efficiency, also called “leapfrog” competition, can far outstrip the gains from incremental static improvements. It follows that policymakers should pay particular attention to the impact of laws and enforcement decisions on dynamic efficiency.

Intellectual property laws are aimed directly at encouraging dynamic efficiency. The same forces that yield the benefits of static efficiency – conditions that encourage rivals quickly to adopt a new business method and drive their production toward marginal cost – can discourage innovation (and thus dynamic efficiency) if the drive toward marginal cost occurs at such an early stage that it prevents recoupment of development expenditures, and makes innovation uneconomical. IP laws, therefore, create rights to exclude, which allow producers to recoup their costs and make the kind of profit that encourages them to engage in inventive-creative behavior. As AAG Tom Barnett put it in a speech last fall, intellectual property rights should not be viewed as protecting their owners from competition; rather, IP rights should be seen as encouraging firms to engage in competition, particularly competition that involves risk and long-term investment.(2) There is an interesting debate about what level of intellectual property protection creates the optimal incentives, which I will not attempt to settle today, but I think two points are beyond reasonable dispute: first, IP rights are crucial to certain types of innovations and creative work; and second, there is a strong correlation between a nation’s level of commercial creativity and the strength of its protection for IP.” [grifo meu]

O que me parece problemático hoje em dia é que uma outra forma pela qual a tecnologia pode estar curto-circuitando esta rationale é pela facilitação absurda da reprodução de bens culturais (música e vídeo).   Neste ambiente pode muito bem ser que o modelo de negócio que embasa a produção desses bens é que tenha que se modificar.  A mesma matéria do Estadão diz o seguinte:

Em 20 de março, o Radiohead fará show no Just a Fest, no Rio de Janeiro. Dois dias depois, os ingleses tocam em São Paulo. Os shows de abertura do grupo ficarão por conta dos alemães do Kraftwerk e dos brasileiros do Los Hermanos. A apresentação vai marcar o fim do recesso da banda, que não tocam juntos desde junho de 2007.” [grifo meu]

Ou seja, o Radiohead está sem tocar ao vivo há quase dois anos.  Me pergunto se isso não opera como uma geração artificial de escassez pelo bem “show do Radiohead” de modo a aumentar as receitas dos “tours” de forma a compensar a perda de receita com a pirataria.  O Radiohead notabilizou-se, aliás, por disponibilizar gratuitamente suas músicas pela internet, possivelmente até mesmo para gerar interesse pelo “tour”.

Por outro lado é preciso se perguntar se há espaço para tantos “Radioheads” assim nesse “novo panorama musical” _ e além disso, essa “solução” de substituir receita de venda de música por venda de ingressos não funcionaria com produtos audiovisuais.

maio 2017
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