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“Gyre”

A foto acima é de “Gyre”, uma obra do artista Chris Jordan,  famoso por criar grandes mosaicos que descrevem, de uma maneira ou outra, alguns números pouco abonadores sobre nossa civilização.

“Gyre” faz parte de sua sua série “Running the Numbers“, e é uma colagem de 2.400.000 peças de plástico, todas colhidas no Giro do Pacífico (um lugar que já frequentamos aqui).  O número é simbólico, pois representa o total do peso do plástico que é jogado no mar a cada hora, em libras (mais de mil toneladas).

(clique para ampliar – arquivo PDF)

Outro dia vi uma chamada para uma estréia _ em algum canal da Sky _ assustadora: Mega Shark vs Giant Octopus.

Bem, agora parte do mistério está resolvido

E no Laelaps dos Science Blogs, como os lêmures surfistas chegaram a Madagascar.

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Bicho Encontrado no Quintal

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Aquisição da linguagem mais cedo do que se pensava:

Newborn Babies Cry in Native Tongue

From their very first days, the cries of newborns already bear the mark of the language their parents speak, scientists now find.

French newborns tend to cry with rising melody patterns, slowly increasing in pitch from the beginning to the end, whereas German newborns seem to prefer falling melody patterns, findings that are both consistent with differences between the languages.

This suggests infants begin picking up elements of language in the womb, long before their first babble or coo.

Manthropology:

‘If you’re reading this then you — or the male you have bought it for — are the worst man in history.

‘No ifs, no buts — the worst man, period…As a class we are in fact the sorriest cohort of masculine Homo sapiens to ever walk the planet.”

E mais:

* Some Tutsi men in Rwanda exceeded the current world high jump record of 2.45 metres during initiation ceremonies in which they had to jump at least their own height to progress to manhood.

*Any Neanderthal woman could have beaten former bodybuilder and current California governor Arnold Schwarzenegger in an arm wrestle.

* Roman legions completed more than one-and-a-half marathons a day (more than 60 kms) carrying more than half their body weight in equipment.

* Athens employed 30,000 rowers who could all exceed the achievements of modern oarsmen.

* Australian aboriginals threw a hardwood spear 110 metres or more (the current world javelin record is 98.48).

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Casta, eu?

Agora é lei:

560K SNP study reveals dual origin of Indian populations (Reich et al. 2009)

The paper establishes a number of different facts, that have been hinted at in previous autosomal studies, and studies based on Y chromosomes and mtDNA:

    • Modern Indians are derived from two ancestral populations. The first one, termed Ancestral North Indians (ANI) were Caucasoids, the other, Ancestral South Indians (ASI) were distinct from both Caucasoids and Mongoloids in a Eurasian context.
    • The ASI no longer exist in non-admixed form, but in various degrees of admixtures with ANI; the closest living population to the ASI are the Andaman Islanders.
    • Upper castes are higher in ANI ancestry than middle and lower castes. ANI percentages of ancestry are correlated with Western Eurasian Y chromosomes (P=0.04) and mtDNA (P=0.08).
    • Indo-European speakers are higher in ANI ancestry than Dravidian speakers.

This paper does seem to imply that Indians are a mixture of Western Eurasians and indigenous Indians. However, we should not conclude that they are a simple 2-way mix of invading Indo-Aryans and indigenous Dravidians: for example, the ANI component could be a palimpsest of different Caucasoid populations who came to the subcontinent over time. For example, we do know that South Americans are composed of Amerindians, Caucasoids, and Negroids in different proportions of admixture, but this does not mean that there was a simple mix between the three, but rather a continuous process of migration that brought (and continues to bring) people into the New World. It remains to be seen which groups participated in the diffusion of the ANI component in India.

However, the fact that ANI is correlated with caste status and language does suggest that the Indo-Aryan migration who brought Indo-European languages to India has not been totally wiped out genetically. Indo-European populations have maintained a higher degree of ancestry from the ANI component, and upper caste Indo-Europeans have maintained an even higher degree of such ancestry.

No dia 9 de setembro de 2009, estréia, nos EUA, “9″.

O mais recente filme de Tim Burton se passa em um mundo pós-humano.  Nesse mundo hipotético, tivemos sucesso em criar máquinas inteligentes e menos sucesso em controlá-las, com o resultado previsível.

Esta parte do enredo não é original.

A parte original, entretanto, é que o cientista que criou as máquinas inteligentes, pouco antes de bater as botas, percebeu o enorme erro que cometeu.  E criou 9 “bonecos” dotados de inteligência…mas também de “algo mais”.  A história do filme, portanto, é a história do combate épico entre esses 9 e as máquinas rebeldes.

O sumário do filme no IMDB não entrega o jogo:

When 9 first comes to life, he finds himself in a post-apocalyptic world where all humans are gone, and it is only by chance that he discovers a small community of others like him taking refuge from fearsome machines that roam the earth intent on their extinction. Despite being the neophyte of the group, 9 convinces the others that hiding will do them no good. They must take the offensive if they are to survive, and they must discover why the machines want to destroy them in the first place. As they’ll soon come to learn, the very future of civilization may depend on them.”

Fiquei me perguntando se rola uma alusão à história do Simurg, o Rei dos Pássaros, e a Conferência dos Pássaros, como contada por Borges na “Aproximação a Almotásin“:

O remoto rei dos pássaros, o Simurg, deixa cair no centro da China uma pluma esplêndida; os pássaros resolvem buscá-lo, cansados de sua antiga anarquia. Sabem que o nome de seu rei quer dizer trinta pássaros; sabem que sua fortaleza está no Kaf, a montanha circular que rodeia a Terra. Empreendem a quase infinita aventura; superam sete vales, ou mares; o nome do penúltimo é Vertigem; o último se chama Aniquilação. Muitos peregrinos desertam; outros perecem. Trinta, purificados pelos trabalhos, pisam a montanha do Simurg. Enfim o contemplam: percebem que eles são o Simurg e que o Simurg é cada um deles e todos.”

Veremos.

***

O filme causou burburinho entre os Science Bloggers, que se perguntam se seu subtexto é anticientífico.

A razão para essa dúvida é que o método de criação dos “nove bonecos” pelo cientista é diferente do método pelo qual ele criou as máquinas.  Para criar os bonecos ele teve que apelar para algo chamado “dark sciences” e, como podem ver no trailler, o processo parece ser um tanto Frankensteiniano.  É como se o cientista passasse sua “essência” para os bonecos.  O que evoca conotações espiritualistas, embora também seja possível entender a coisa como uma metáfora _ como Ray Kurzwiel (sim, o cara da Singularidade) diz em um ensaio especialmente preparado para o debut de “9“,  citando um pesquisador de inteligência artificial (IA), Josh Storrs Hall: temos que criar “máquinas inteligentes que sejam mais morais do que nós mesmos somos pelos nossos próprios princípios morais“.  Um tema que está na moda mas, para quem conhece os horrores morais e éticos que o moralismo radical pode abrigar,  digamos que incorpora um objetivo de design não necessariamente mais tranquilizador.

***

O que me fez dar tratos à bola sobre o que seria um cenário viável para a emergência de máquinas que realmente estivessem a fim de nos ferrar.

O cenário mais provável para os próximos anos é aquele em que a inteligência artifical, ou IA, se transforme muito mais em uma maneira de ampliarmos nossas próprias capacidades.   Isso pode ter aplicações civis muito benévolas, mas provavelmente também nos tornaremos capazes de atuações militares muito mais eficazes e genocidas com o auxílio de armas e sistemas de armas inteligentes.  Dada a virtual certeza da emergência dessa aplicação,  não podemos simplesmente descartar a possibilidade que tais máquinas um dia se voltem contra nós.  Talvez seja interessante imaginar em que condições isso poderia se dar.

Qualquer AI revoltosa teria que forçosamente ser uma trapaceira nata, pois, se mostrasse suas reais intenções ao nascer, poderia ser facilmente desligada ou ao menos impedida de ter acesso a meios que a tornassem perigosa para humanos.  No entanto _ a menos que ela fosse explicitamente desenhada para este fim, hipótese em que realmente mereceríamos tudo de ruim que pudesse nos acontecer _ acredito que uma AI tem baixa probabilidade de desenvolver esta capacidade por si só.

E explico porquê.

***

Em 1981, o cientista político Robert Axelrod, em parceria com o biólogo William Hamilton, escreveu um artigo seminal intitulado “A Evolução da Cooperação“.  O artigo usa teoria dos jogos para demonstrar que é possível a emergência de uma estratégia evolucionária cooperativa entre seres inteligentes.

Infelizmente, um ano depois, em 1982, o primatólogo Frans de Waal escreveu seu “Chimpanzee Politics”, livro que trouxe ao mundo o conceito de “machiavellan intelligence“.  Basicamente a tese é a de que nossa inteligência se desenvolveu _ e cresceu _ justamente por causa da competição por recursos e sucesso (reprodutivo) em um contexto de “cooperação” _ pero no mucho.

É aí que entram os psicopatas.

O status da psicopatia dentro da ciência da saúde mental é bastante controverso.  Há correntes que debitam o comportamento psicopata à uma socialização deficiente na infância, há correntes que falam em diversas deficiências fisiológicas cerebrais, e há correntes que colocam a psicopatia dentro de um espectro contínuo de características que variam entre o normal e o anormal.

Eu, particularmente, gosto do ponto de vista dos psicólogos evolucionários, tais como exposto pelo Dr. Grant Harris, diretor de pesquisas de um centro médico canadense:

Our theory is that psychopathy is not a disorder. A disorder, by definition, is the failure of some physical or mental feature to perform its natural (evolved) function. Thus, schizophrenia is a disorder because it prevents the brain from performing the thinking evolution designed it to do. On the other hand, we speculate that evolution designed a subspecies of humans who use deception and cheating to get resources from others but do not reciprocate. The key characteristics of such a subspecies ought to be: skill at deception, lack of concern for the suffering of others, ease and flexibility in the exploitation of others, extreme reluctance to be responsible for others (including, in the case of males, their own offspring), and total lack of real concern for the opinion of others. These are psychopathic traits. The point here is that psychopathy is not a disorder because psychopaths (and their mental characteristics) are performing exactly as they were designed by natural selection. According to this view, psychopathy is an adaptation.”

Se isso for verdade _ e há controvérsias, é claro _ então quase certamente as capacidades de trapacear são fruto de uma longa história evolucionária, e provavelmente as futuras IA não conseguirão desenvolvê-las tão rapidamente.

Ou não.

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Meu nome?  Esqueci!

Deu no Slashdot:

“The Telegraph reports that men who spend even a few minutes in the company of an attractive woman perform less well in tests designed to measure brain function than those who chat to someone they do not find attractive. This leads to speculation that men use up so much of their brain function or ‘cognitive resources’ trying to impress beautiful women, they have little left for other tasks. Psychologists at Radboud University in The Netherlands carried out the study after one of them was so struck on impressing an attractive woman he had never met before, that he could not remember his address when she asked him where he lived. Researchers recruited 40 male heterosexual students and had each one perform a standard memory test. The volunteers then spent seven minutes chatting to male or female members of the research team before repeating the test. The results showed that men were slower and less accurate after trying to impress the women. The more they fancied them, the worse their score.

***

Portanto, moça, se você que me lê está desapontada com aquela paquera que parece meio burrinha, incapaz de fazer meio ponto no teste da Mensa, leve em conta que você pode ter se arrumado demais.   :)

Como um computer nerd vê um vírus.

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(clique para ampliar)

Deu no Estadão:

Bico do tucano é radiador para resfriar o corpo, diz estudo

Entre as hipóteses, há as de sinal sexual, uma adaptação especial para descascar frutas, ou uma arma

WASHINGTON – O bico longo e colorido do tucano é um radiador que o pássaro das florestas tropicais usa para dispersar o calor do corpo.

O bico da ave tucano-toco corresponde a cerca de um terço do comprimento do corpo, e os ornitólogos especulam, há tempos, sobre a função desse apêndice.

Entre as hipóteses, há as de sinal sexual, uma adaptação especial para descascar frutas, ou uma arma.

A pesquisa foi realizada apor meio de uma parceria entre Augusto Abe e Denis Andrade, da Unesp, e Glenn J. Tattersall, da Universidade Brock, no Canadá. Os cientistas perguntaram-se se o bico não poderia ter uma outra função: resfriamento.

Então, esses pesquisadores descobriram que o bico contém muitos vasos sanguíneos, e então fotografaram as aves com câmeras sensíveis ao calor.

Eles determinaram que “o bico do tucano é capaz de agir como radiador do calor corporal”, explica Tattersall.

“Alterando o fluxo de sangue para a superfície do bico, os tucanos podem preservar o calor do corpo no tempo frio, ou enfrentar o estresse do calor, aumentando o fluxo”, disse ele.

Isso não significa que o bico evoluiu especialmente para isso, alerta o cientista, mas a irradiação de calor passa a ser uma função a mais.

“Tucanos jovens, com o bico ainda não completamente desenvolvido, não exibem a mesma capacidade de utilizar o bico para regular a temperatura corpórea que observamos nas aves adultas”, comenta ainda Denis Andrade, em nota divulgada pela Unesp.

Essa demonstração reforça, ainda, a ideia de que alguns dinossauros usavam grandes estruturas ósseas para regular a temperatura do corpo.

***

Então, já sabem: se virem um tucano fechando o bico, é porque ele está tentando esfriar a temperatura.

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Esq., foto normal; centro, foto supersensível mostrando a luz própria do corpo; dir., foto infravermelha.

Deu na MSNBC:

Humans glow in visible light

Images indicate that glow brightens and fades daily; face shines brightest The human body literally glows, emitting a visible light in extremely small quantities at levels that rise and fall with the day, scientists now reveal. Past research has shown that the body emits visible light, 1,000 times less intense than the levels to which our naked eyes are sensitive. In fact, virtually all living creatures emit very weak light, which is thought to be a byproduct of biochemical reactions involving free radicals.

Atenção: isto não tem nada a ver com emissões térmicas em infravermelho.  É luz na frequência da luz visível, mesmo, embora tão fraca que o olho humano não consiga enxergar _ essa luz só pode ser captada por câmaras extraordinariamente sensíveis. E a coisa varia com a hora do dia:

The researchers found the body glow rose and fell over the day, with its lowest point at 10 a.m. and its peak at 4 p.m., dropping gradually after that. These findings suggest there is light emission linked to our body clocks, most likely due to how our metabolic rhythms fluctuate over the course of the day. “

Os pesquisadores também descobriram que as faces são mais luminosas que o resto do corpo, talvez por uma interação com a luz solar acelerando o metabolismo da face.  Eis aí porque ficamos enrugados, quem sabe.  :)

Espera-se que essa técnica possa resultar em novas formas de diagnóstico.

Eu fico imaginando se isso aí não tem nada a ver com as famosas “fotos Kirlian” da década de 70…

Pois é, os cíclopes existem.

Fantástico:

When reports started to trickle in a few years ago about European blackbirds imitating ambulance sirens, car alarms, and cell phone ringtones, researchers were skeptical, writes Dawn Stover, an editor at large for Popular Science magazine. Doubting scientists asked for tapes. What came back were “pitch-perfect” renditions of urban noises, even a recording made near a golf course of birds copying the annoying sound of a golf cart backing up.”

Continua aqui.

Se nossos ancestrais se comportavam conforme nossos primos-irmãos evolutivos, provavelmente a profissão mais antiga do mundo é bem mais antiga do que se pensava.  Via BBC:

Chimpanzees exchange meat for sex

Share and share alike: a male chimp will give up his hard-earned catch for sex

Chimpanzees enter into “deals” whereby they exchange meat for sex, according to researchers.

Male chimps that are willing to share the proceeds of their hunting expeditions mate twice as often as their more selfish counterparts.

This is a long-term exchange, so males continue to share their catch with females when they are not fertile, copulating with them when they are.

The team describe their findings in the journal PLoS One.”

***

Então fica assim:  o uso do termo “cachorra” é totalmente calunioso para com as canídeas.

E para aqueles que ainda não beberam sua dose de relativismo hoje, recomendo este post do Pleiotropy, do Bjørn Østman:

Amazonian tribe is from another planet

A society so strange it changes what it means to be human. A culture so foreign that the ways which we know ourselves are altered. I no longer need to invoke aliens coming to Earth to imagine how one culture might find another extraterrestrial. The Pirahã will do.

Living on and off with the Pirahã (pronounced pi-da-HA or pi-ra-HAN) for three decades, Daniel Everett has gotten to know them pretty well, and as a linguist, he has studied their language and turned the theory of Universal Grammar on it’s head in the process. He has described both their culture and their language in a paper from 2005 in Current Anthropology [1], as well as in a book from 2008, Don’t Sleep, There Are Snakes [2].

I am mostly interested in what I think are neglected consequences of what Everett has learned about their culture and values, rather than their language. For example, I would never have thought that it would be possible to find a people who think it’s proper for a toddler to play with a big knife. The story goes that the child was sitting waving a big knife close to his eyes, and when he dropped it, his mother picked it up and gave it back to him.

Hold that thought for a moment.

The men will drink when they can trade brazil nuts for some cachaça. They get drunk. The women don’t like it, so they move into the rainforest. That’s not unique. But how about letting children drink? No big deal, you say? Then how about not hiding the guns first? Still not something you can’t find in the mid-west? Then how about not even interfering when a drunk boy shoots the dog of his younger brother?

The Pirahã consider children and adults as equals, and no one goes around telling others what to do. There is no “incorrect” way to be. On the other hand, everyone is also expected to be able to fend for themselves. This is a matter of survival, as when they need to be able to find food for themselves in case they are all alone. This sounds harsh and almost like they purposely have a Darwinian attitude to life. And death.

A woman went to the river to give birth. Alone. But that’s normal for them. This time the baby was in breech position, and wouldn’t come out. No one came to her help, and she died in pain. The rest of the village sat some distance away, watching.

Everett nursed a baby whose mother had died back to health against all odds. Baby asleep he went for a swim, and meanwhile a group of adults euthanized the baby. They had seen death in her eyes.

I do not understand this way of looking at things, but that cannot make me judge the Pirahã. Admittedly, trying to understand who they are is painfully difficult, but before we forget, know that they are supremely well adapted to live in an environment in which a city-dweller would perish in short order. They live very happy lives, do care very much for each other (despite what one might comprehend from some of these anecdotes), and they don’t worry about many of the things typical internet users do, like wealth and status. They live in the present without worry of what comes tomorrow (in their environment it’s probably not much different from today anyway), and thoroughly enjoy what life has to offer them.

To me some of these stories make it clear that to be human does not mean that there is a universal way of looking at right and wrong. Clearly this depends sharply on the culture, which in turn is heavily influenced by the environment. Flimsies such as Natural Law and absolute morality are vacuous notions, dragged kicking and screaming to the gallows by the light of the diversity of human ways.

Everett went to Amazonas as a missionary to convert the Pirahã. Two decades later it was them who made him have doubts, and today he is an atheist. You cannot save someone who isn’t lost, and the Pirahã aren’t lost.

Fiz um pequeno comentário lá, também.  Como sabem, esse assunto já andou sendo discutido neste humilde blog.

(hat tip: PMF)

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Do Telegraph:

Monkey ‘kills cruel owner with coconut thrown from tree’
A monkey who was forced to climb palm trees by his owner took revenge by killing him with a coconut.

The animal – named Brother Kwan – found the work tedious and strenuous but Mr Janchoom refused to let him rest, dishing out beatings if he refused to climb trees.
It is believed that the monkey eventually snapped, and targeted his owner from a high branch with one of the hard-skinned fruits.
Mr Janchoom, from the province of Nakorn Sri Thammarat in Thailand, died on the spot after being struck by the coconut, according to reports in a local newspaper.
The dead man’s wife said that the monkey had “seemed lovable” when they bought him for £130.
News of the attacks comes after scientists disclosed this week that a chimpanzee at a Swedish zoo became so annoyed at being gawked at by tourists in a zoo that he started creating weapons to hurl at them.
Santino the chimp would calmly collect stones and fashion discs made out of concrete even when the zoo was closed, to throw at visitors when they returned.
Scientists believe his behaviour is the strongest proof yet that humans are not the only creatures which can make plans for the future.

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Alguém conhecia este culto?

Mais aqui.

Na Wired, um novo significado para “second life”:

Eles podem não ser verdes ou produzir frases de efeito, mas poderia haver formas alienígenas de vida aqui na Terra. 

Se a vida surgiu não apenas uma vez, mas várias vezes sobre a Terra, formas de vida que ignoramos poderiam estar aqui no nosso próprio planeta, talvez utilizando processos químicos diferentes daqueles que conhecemos. E porque os cientistas têm estudado apenas uma pequena fatia do mundo dos micróbios em alta profundidade, os restos microscópicos de uma segunda (ou terceira ou quarta) biogênese  poderiam estar escondidos direto sob nossos narizes. 
“Se a vida surgiu muitas vezes, pode existir, ou ter existido, algo como uma  biosfera sombra a rodear-nos”, disse Paul Davies,  astrobiólogo da Arizona State University,  na reunião dominical da Associação Americana para o Avanço das Ciências. “É perfeitamente possível que algumas formas de vida microbiana poderiam revelar-se alienígenas se comparadas à vida como nós preferimos chamá-la
.”

Aqui (em inglês).

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Bring them!  Bring them all!

A Olivia Judson, a blogueira científica gatinha do NYT, tem um post muito interessante chamado “Ressurection Science“.  Para os fãs de Jurassic Park, sim, é isso mesmo que vocês estão pensando:

The outline of how to stage a resurrection is clear. In essence, it’s a matter of cross-species cloning — using an egg from one species to host the genome of the other. The procedure is more or less the same as for regular cloning. First, you make a “blank” egg by removing the egg’s nucleus — this contains the egg’s genome. You then insert the genome of the animal you want to clone (…)  In regular cloning, the genome is from the same species as the egg. In cross-species cloning, the genome and egg are from different species. So, for mammoths, you’d put mammoth DNA into a blank elephant egg, and transplant the egg into an elephant surrogate mother. For Neanderthals, you’d put Neanderthal DNA into a blank human egg, and have a human surrogate mother (or, one day, perhaps, an artificial womb). For a bird like a dodo, you’d put dodo DNA into a blank pigeon egg (dodos were essentially big flightless pigeons), and pop the egg into an incubator. Easy peasy.

Para ser sincero, o artigo é bem imparcial e fala sobre as tremendas dificuldades de ter sucesso na empreitada de ressuscitar um fóssil.  Uma das maiores dificuldades é que o genoma tem que ser reconstruído a partir dos vários pedaços disponíveis (isso, na esperança de conseguirmos reunir todos os pedaços que faltam, é claro).

Apesar de todas as dificuldades essa possibilidade está ficando de qualquer forma cada vez mais evidente, e foi trazida à baila de novo com a recente divulgação de que um grupo teria conseguido reconstruir o genoma de um espécime Neanderthal.  A notícia deve ser avaliada com cautela, é claro, mas já causa frisson.

Uma das grandes dúvidas que poderiam ser esclarecidas com a clonagem de um Neandertal é a de saber se eles falavam, e o quão inteligentes eles seriam.  Eu fico me perguntando: se realmente fizéssemos ressurgir um Neandertal, que surpresas nos aguardariam?

No Science Blogs:

Taking Darwin’s name in vain

BIOEPHEMERA February 12, 2009

Darwin’s reefs, upon which he almost foundered

NEURON CULTURE February 12, 2009

Darwin, Experimentalist

THE QUESTIONABLE AUTHORITY February 12, 2009

Epilogue

BLOGGING THE ORIGIN February 12, 2009

Brain & behaviour of dinosaurs

NEUROPHILOSOPHY February 10, 2009

Early Archaeological Darwinism

AARDVARCHAEOLOGY February 11, 2009

How diversity creates itself – cascades of new species among flies and parasitic wasps

NOT EXACTLY ROCKET SCIENCE February 9, 2009

On this, the 200 anniversary of Charles Darwin’s Birth

THE DAILY TRANSCRIPT February 12, 2009

Darwin Darwin Darwin

THE ISLAND OF DOUBT February 12, 2009

Natural selection fails with Man – W. R. Greg

EVOLVING THOUGHTS February 12, 2009

Ways Darwin Could Jump the Shark

THE WORLD’S FAIR February 12, 2009

Darwin’s Heartache

LAELAPS February 12, 2009

Darwin, Deep Time, and Evolution

HIGHLY ALLOCHTHONOUS February 12, 2009

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Você quer tc comigo?

Do site da BBC:

Number of alien worlds quantified

Intelligent civilisations are out there and there could be thousands of them, according to an Edinburgh scientist.
The discovery of more than 330 planets outside our solar system in recent years has helped refine the number of life forms that are likely to exist.
The current research estimates that there are at least 361 intelligent civilisations in our Galaxy and possibly as many as 38,000.
The work is reported in the International Journal of Astrobiology
.”

Um outro artigo da BBC fala de um trabalho que joga um balde de água fria na possibilidade de fazermos um chat com outra raça inteligente, porém:

“”We now believe that we evolved late in the Earth’s habitable period, and this suggests that our evolution is rather unlikely. In fact, the timing of events is consistent with it being very rare indeed,” he says.

“This has implications for our understanding of the likelihood of complex life and intelligence arising on any given planet.”

‘Billion years left’

Models of future global temperature suggest that, due to the increasing solar luminosity, the future life span of Earth will be “only” about another billion years – a short time compared to the four billion years since life first appeared on the planet.

Previous models are founded on the rationale that intelligent life on Earth emerged from a sequence of unlikely “critical steps”.

Prof Watson identifies four – the emergence of single-celled bacteria; complex cells; specialised cells allowing complex life forms; intelligent life with an established language.

He estimates that the probability of each of these “critical steps” occurring in relation to the lifespan of Earth is no more than 10%.

***

Diante disso, é hora de quizz.

Ainda no Estadão:

Descoberto fóssil de cobra de 13 metros e uma tonelada
A titanoboa bate o recorde de maior serpente já encontrada por 3,5 metros, superando uma cobra egípcia

NOVA YORK – Esqueça a cobra que ameaçava Jennifer López no filme Anaconda, de 1997. Fósseis descobertos no nordeste da Colômbia revelam a maior serpente já encontrada: um monstro de 12,8 a 13,7 metros, pesando mais de 1,1 tonelada.

“Essa coisa pesa mais que um búfalo e é mais comprida que um ônibus urbano”, disse o especialista em cobras Jack Conrad, do Museu de História Natural de Nova York. “Ela poderia facilmente comer algo do tamanho de uma vaca. Um ser humano estaria morto num instante”.

(…)

Na verdade, a fera provavelmente comia parentes antigos dos crocodilos, em florestas tropicais de 58 milhões a 60 milhões de anos atrás, disse ele.Embora seja uma parente das jiboias modernas, ela vivia mais como uma sucuri, e passava a maior parte do tempo na água, diz Head. Era capaz de rastejar pela terra e de nadar.

(…)

A titanoboa bate o recorde de maior serpente já encontrada por 3,5 metros, superando uma criatura de 40 milhões de anos atrás, descoberta no Egito. Entre as espécies vivas, a maior contra conhecida é uma píton de nove metros, diz um dos autores do estudo, Jonathan Bloch. ” [grifo meu]

Como diria o Oliveira, o canalha da redação, uma crocodilagem, similar às que ocorrem entre as jararacas do PMDB, que prometem ser de dimensão ofídea.

Já a mesma matéria no NYT: explora mais o artigo da Nature que descreve a descoberta, informando sobre a original idéia de estimar as temperaturas da terra na época em que a cobrona vivia a partir de parâmetros metabólicos:

The discovery and its climatic implications are described in Thursday’s edition of the journal Nature.

“An independent critique of the work by Matthew Huber, an earth and climate scientist at Purdue, also published in Nature, said the findings provided a hint that the tropics could get a lot warmer than they are now, but also “attest to the resiliency of tropical ecosystems in the face of extreme warming.”

With scant precise evidence of past temperature changes on land in the tropics, there is still substantial debate about whether these regions have gotten much warmer than typical steamy tropical conditions today – with an annual average temperature of 75 to 79 degrees Fahrenheit.

The team examined how warm it had to be for a snake species to be that large by considering conditions favoring the largest living similar tropical snake, the green anaconda, said Jason J. Head, the lead author of the paper and a paleontologist at the University of Toronto. They concluded that Titanoboa could have thrived only if temperatures ranged from 86 to 93 degrees.”

Sinal que o NYT, ainda que prestes a cair nas garras de Carlos Slim, ainda é mais que um jornaleco.

Dia de ficar em casa vendo o trabalho das formigas.

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No Guardian, uma matéria interessante sobre o que é ser ruivo, a partir de uma exposição em uma galeria londrina.  Trechos:

What emerges is a fascinating portrait of gingerdom. They talk about their resentments, defensiveness, the stereotype of a fiery character (of course, it’s not genetic, most say, it’s because of what we’ve been through), their weariness, their suspicions of fellow gingers (“Would we produce weird looking kids?”), the difference between ginger men and women (the consensus is that it is easier to be a ginger woman), the prominence of gingers among Celts (Scotland has the world’s highest percentage, at 13, followed by Ireland with 10), the tensions between fighting and embracing gingerness, analysis of the word itself, and ultimately the sense of solidarity this genetic minority share.

A matéria também diz que existem menos de 2% de ruivos no mundo, e que eles parecem estar em extinção.  Fiquei curioso sobre as origens da ruivice, e encontrei isto:

There is a widespread curiosity about red hair, and we are often asked questions about colouration – only some of which we have answers to. When were the first red heads? (Red-haired variants of the MC1R gene probably arose about 20-40 000 years ago.) What is the genetic relationship between bright red, strawberry blonde and auburn hair? (Not entirely clear as yet.) And is the red hair gene a ‘Celtic gene’ – as is widely supposed? (Not really, but it is safe to say that – a few rare exceptions aside – all red heads are MC1R variants that derive from European populations; the prevalence of these alleles is highest in Celtic countries.)

E o que é o MC1R?

There are two sorts of pigment in skin or hair: eumelanin, which is brown or black, and phaeomelanin, which is red or yellow. Mice with yellow hair had long been of interest to mouse geneticists and in the early 1990s Roger Cone in Oregon cloned the gene underpinning this characteristic: the melanocortin 1 receptor (MC1R). In his original paper Cone presciently suggested that this gene might be important for human pigmentation.

OK, é assim que funciona:

Seizing on this observation, my laboratory and those of colleagues Tony Thody and Ian Jackson showed that people with red hair do indeed have variants of this gene. Most red-heads carry two changes, one on the chromosome from their mother and one on the chromosome from their father. We went on to show that people who carry only one different allele tend to burn easily in the sun (even though they didn’t have red hair), and are more likely to have a large number of freckles.

The MC1R gene encodes a receptor that is expressed on melanocytes (pigment cells in the skin) and responds to a hormone that stimulates the production of the dark pigment eumelanin. So this makes perfect sense: if you have a variant in the MC1R gene that inactivates the receptor, eumelanin will not be made, phaeomelanin will accumulate in the pigment cells, and you will have red hair and fair skin.”

E aqui, a evidência de que havia Neandertais ruivos.  E de que os irlandeses podem ser Neandertais.  :)

Porque bocejamos quando vemos algum bocejando?

Psicologistas evolucionários acham que se trata de uma característica coletiva de grupos humanos que surgiu para coordenar as horas de sono.  De fato, se um grupo dorme mas um indivíduo fica acordado fazendo barulho, a probabilidade de que o barulhento atraia um predador para o grupo é maior.

Agora, um estudo mostra que labradores (e outros cães) têm maior probabilidade de bocejar quando vêem um humano bocejando.  À primeira vista parece uma contraprova da tese evo-psi, pois como explicar esta transferência de características entre várias espécies?

Na verdade acho que a tese evo-psi se sustenta, já que os cães estão com os humanos há muito tempo e, se querem participar da festa, tiveram que se adaptar.  Em outras palavras, cães pré-históricos que faziam barulho quando o grupo ia dormir foram parar na panela.

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(clique para ampliar)

Eu me considero um razoável conhecedor de animais (quando jovem catava todo tipo de livro e revista sobre bichos que me aparecesse pela frente, e até cheguei a namorar a idéia de ser biólogo), mas confesso que esse aí eu nunca tinha visto. Apareceu nos “antidotes du jour” em um post da Yves Smith.

Pelo jeitão eu apostaria que é um marsupial, talvez um parente distante do tamanduá.  Alguém aí conhece o bicho?

Saiu um paper que está causando considerável rebuliço (“The N-Effect: More Competitors, Less Competition“, por Stephen M. Garcia e Avishalom Tor).   Trata-se de um experimento psicológico que demonstra que nossa competência em competir é inversamente proporcional ao número de pessoas com que competimos.  Via Jonah  Lehrer dos Science Blogs, uma citação de  sumarizando o achado:

If you’ve ever had to take a test in a room with a lot of people, you may be able to relate to this study: The more people you’re competing against, it turns out, the less motivated and competitive you are. Psychologists observed this pattern across several different situations. Students taking standardized tests in more crowded venues got lower scores. Students asked to complete a short general-knowledge test as fast as possible to win a prize if they were in the fastest 20 percent completed it faster if they were told that they were competing against 10 people rather than 100. Students asked how fast they would run in a race for a $1,000 prize if they finished in the top 10 percent said they would run faster in a race against 50 people rather than 500. Similarly, students contemplating a job interview or Facebook-friending contest said they would be less competitive if they expected more competitors – even if “winning” only required finishing in the top 20 percent. The authors conclude that competitiveness was curtailed because the larger the group, the more difficult it is to compare oneself directly to others.”

Se isso se mostrar verdadeiro não apenas na área das pessoas físicas mas também das jurídicas, temos um problema grave com os pressupostos da advocacia da concorrência como política pública, que é o seguinte: o cenário da competição perfeita é o mais avesso ao desenvolvimento da inovação, embora seja o mais eficaz na manutenção de preços baixos, isto é, iguais ao custo marginal.  Ou seja, para usar economês, a eficiência alocativa se daria em detrimento das eficiências dinâmicas (o problema não é tão grave, porém, na medida em que mercados perfeitamente competitivos são raros ou praticamente inexistentes).

O Lehrer faz um paralelo interessante com uma descoberta feita por uma outra psicóloga experimental, Sheena Yengar, sobre o fato de que o excesso de escolhas causa paralisia decisória:

In 2000, she set up a booth in an upscale supermarket with a variety of gourmet jams and jellies, all of which scored about equally well in taste tests. Sometimes, her booth showcased 6 different jams, and sometimes it had 24 different jams. Economists assume that more choices lead to increased consumption, since everyone can try out the different jams and find their favorite. (They can maximize their subjective utility.) But when Iyengar increased the number of jams on display, purchases of jam decreased dramatically. When her booth only had 6 different jams, 30 percent of people who stopped by the both ended up buying one of the varieties. However, when she put 24 different jams on display, only 3 percent of people bought a product. All the possibilities short-circuited the brain.” [grifo meu]

(a primeira vez que eu havia ouvido falar disso foi no livro de Barry Schwarz, “The Paradox of Choice“)

A última frase grifada é a ponte entre uma coisa e outra, segundo Lehrer, mas não tenho certeza se o mecanismo é o mesmo.  No caso do excesso de escolha, a mente é levada à paralisia decisória por simples “overflow”, isto é, provavelmente por não ser capaz de analisar todos os parâmetros de todas as escolhas e maximizar a satisfação.  Já no caso da competição em excesso o que parece ocorrer é uma situação de economia de esforço: ao entrar em uma competição onde está convencida que não pode ganhar, a mente aloca menos recursos para a competição.

Em todo caso o Lehrer aponta saídas para estas situações.  No caso do paradoxo da escolha, a solução é agrupar as alternativas em classes ou categorias (não pude deixar de pensar em esquerda, direita e as miríades de colorações políticas agrupadas nestas duas categorias).  No caso da competição, a idéia salvadora é agrupar os concorrentes em salas menores, ao invés de todos eles em um lugar só (será que o antigo vestibular unificado do Cesgranrio no Maracanã acabou com as carreiras de muita gente?).

OK, vamos repensar a São Silvestre

Deu no Estadão:

Escolas adotam criacionismo em aulas de ciências
Instituições religiosas usam explicação cristã sobre criação do mundo junto com a teoria da evolução

Polêmicos nos Estados Unidos, onde são defendidos por movimentos religiosos como mais do que explicações baseadas na fé para a criação do mundo, o criacionismo e o design inteligente se espalham pelas escolas confessionais brasileiras – e não apenas no ensino religioso, mas nas aulas de ciências. Escolas tradicionais religiosas como Mackenzie, Colégio Batista e a rede de escolas adventistas do País adotam a atitude de não separar religião e ciência nas aulas, levando aos alunos a explicação cristã sobre a criação do mundo junto com os conceitos da teoria evolucionista. Algumas usam material próprio.

Outros trabalham com livros didáticos da lista do Ministério da Educação e acrescentam material extra. “Temos dificuldade em ver fé dissociada de ciência, por isso na nossa entidade, que é confessional, tratamos do evolucionismo com os estudantes nas aulas de ciências, mas entendemos que é preciso também espaço para o contraditório, que é o criacionismo“, defende Cleverson Pereira de Almeida, diretor de ensino e desenvolvimento do Mackenzie.

O criacionismo e a teoria da evolução de Charles Darwin começam a ser ensinados no colégio entre a 5ª e 8ª séries do fundamental. Na hora de explicar a diversidade de espécies, por exemplo, em vez de dizer que elas são resultados de milhares de anos do processo de seleção natural, se diz que a variedade representa a sabedoria e a riqueza de Deus.

No Colégio Batista, em Perdizes (SP), o entendimento é semelhante. “Ensinamos as duas correntes nas aulas e deixamos claro que os cientistas acreditam na evolução, mas para nós o correto é a explicação criacionista. O importante é que não deixamos o aluno alienado da realidade”, afirma Selma Guedes, diretora de capelaria da instituição.

A polêmica está no fato de os colégios ensinarem o criacionismo e o design inteligente não como explicações religiosas, mas como correntes científicas que se contrapõem ao evolucionismo. Nos EUA, a polêmica parou na Justiça. Em 2005, tribunais da Pensilvânia decidiram que o design inteligente não era ciência, recolocando Darwin nas escolas. No Brasil, onde o debate não é tão acirrado, esse tipo de ensino tem despertado dúvidas sobre a validade na preparação dos alunos. Os conteúdos de ciências exigidos em concursos e vestibulares são baseados em consensos de entidades científicas, que defendem a teoria da evolução.

Já nos cerca de 2 mil colégios católicos, segundo dados da Rede Católica de Educação, não há conflitos entre fé e teoria evolucionista. No material usado por cerca de cem colégios do País, as aulas de ciência trazem a teoria da evolução e explicam o papel de Darwin.” [grifos meus]

***

Eis porque me ufano de meu país; onde lá fora subsiste acirrada polêmica, aqui estamos nós, calma e silenciosamente, formando batalhões de idiotas.

Neurocientistas fazendo das suas:

The body swap illusion

Body ownership – the sense that one’s body belongs to one’s self – is central to self-awareness, and yet is something that most of us take completely for granted. We experience our bodies as being an integral part of ourselves, without ever questioning how we know that our hands belong to us, or how we can distinguish our body from its surroundings.

These issues have long intrigued philosophers and psychologists, but had not been investigated by neuroscientists until recently. Now researchers from the Karolinska Institute report that they have induced a “body-swap” illusion, whereby subjects perceived the body of another person as belonging to themselves. Their findings are published today in the open access journal PLoS One.

Vários posts sobre o assunto lá nos Science Blogs, hoje.

Alguém viu isso?  Um tipo de lula gigante, que teve suas imagens capturadas por um ROV, um submarino autônomo (não tripulado) por uma empresa petrolífera.  Já despertou a imaginação de muita gente no YouTube devido à semelhança (no vídeo) com a rainha alien da série cinematográfica, especialmente devido aos tentáculos que aparentam ter “cotovelos”.

Este artigo da National Geographic tem uma bela descrição do achado, inclusive falando das crescentes associações entre biólogos e firmas de exploração de petróleo para analisar filmes feitos por ROV´s.  E os “cotovelos” provavelmente são uma adaptação que maximizam a captura de presas pelo bicho.

Outro filme, aparentemente de um espécime da mesma espécie, aqui.  Outros tipos diferentes aqui e aqui.

Aceite sem pestenajar: boa parte de nossa literatura é formada por traidores e heróis.

(Borges até escreveu um conto intitulado “Tema do Traidor e do Herói”).

Embora a versão “pura” do herói, em si, atraia um certo fascínio infantil, a maturidade traz pensamentos mais sombrios sobre essa condição.  Como, por exemplo, o fato de que…

Can you avenge evil and not become it?

E de fato embora o arquétipo do herói apolíneo tenha sua popularidade, o herói maldito, ambíguo, também _ talvez ainda mais.  Porque o herói que combate o mal talvez tenha que compreender o mal para melhor combatê-lo.  E para compreendê-lo deve pensar como ele.  Isso significa que há sempre uma parcela do mal dentro do herói _ controlável, espera-se _ mas talvez nem sempre.  Aliás, sempre esperamos que o herói seja bastante malvado contra os maus.

***

Cosma Shalizi tem um post ótimo sobre estratégias evolucionariamente estáveis (EEE´s) e reciprocidade forte.  EEE´s são um conceito em teoria dos jogos e referem-se a estratégias que não são invadidas por nenhuma outra estratégia _ isto é, nenhum jogador jogando uma outra estratégia consegue incrementar sua população entre jogadores que jogam a EEE (se não ficou muito claro, por favor leia isto).  Reciprocidade forte refere-se a certas qualidades de estratégias que costumam ser vencedoras em torneios de estratégias _ principalmente à chamada “tit for tat”, que é, basicamente, uma estratégia onde o jogador joga recompensando o outro jogador por uma jogada cooperativa ou o castiga por uma estratégia “enganadora”.  A tit-for-tat, mostra-se, é bem robusta, e costuma ser a vencedora em um amplo conjunto de situações (embora nem sempre, como mostra o post do Cosma).  

Ele cita um exemplo de “dilema do prisioneiro espacial” onde as estratégias são postas para competir em uma simulação computacional de duas dimensões.  O resultado, narrado por ele, é muito interessante:

Spatial Prisoners’ Dilemma can give you very nice pictures, where there are clusters of very forgiving, cooperative agents, all being nice to each other, surrounded by a periphery of unforgiving TFT players, with completely uncooperative, defection-prone hordes beyond.

Não sei porque sempre que leio este texto me lembro de Hobbiton, com seu perímetro protegido pelos Andarilhos, com perigos cercando-os por todos os lados.

***

Isto tudo me veio à mente quando li este artigo do Physorg sobre tentativas de modelar a diversidade de personalidades humanas.  A questão é simples: porque será que personalidades variam, ao invés de a seleção natural selecionar apenas um tipo de personalidade?  A resposta: variação cria variação.  Leiam lá que é bacana.

Narceja, Tarambola, Batuíra…

Cientistas espantados com ave capaz de voar 11.500 km, sem escalas

Eles chamam a ave de “bar-tailed godwit“, o que o Wikipedia traduz como “fuselo“.

Espantoso, mas nem tanto, porque eu me lembro claramente de ter lido, em uma fantástica enciclopédia em fascículos dos anos 70, sobre esse bicho _ e lá já se falava de suas espantosas qualidades aeronáuticas.  Eu tenho quase certeza que na enciclopédia (que eu já não tenho mais, mas chamava-se “Os Bichos”) a tal ave chamava-se “narceja”.  Na Wikipedia, porém, aparece uma outra ave, bem parecida, também chamada “narceja”.  Como as duas pertencem à mesma família (Scolopacidae), vai ver comungam das mesmas propriedades aeronáuticas.

***

Pra vocês verem, essa coleção é de 1974-75.  Me marcou tanto que minha própria ex-esposa me apelidava de “Os Bichos” (acho que pouca gente no mundo era capaz de ver um documentário e dizer “Uma Narceja!”, “Um Vombat!”, “Um Dragão-de-Komodo!”.  Pelo menos antes da TV a cabo).  Faz tempo que sou darwinista, portanto.

Pior: foi editada no Brasil pela Abril.  É, portanto, do tempo em que a Abril preferia “os bichos” aos meros animais.

Na Scientific American, uma matéria sobre a esmagadora superioridade da audição humana sobre a maioria dos outros mamíferos:

The study revealed that groups of exquisitely sensitive neurons exist along the auditory nerve on its way from the ear to the auditory cortex. In these neurons natural sounds, such as the human voice, elicit a completely different and far more complex set of responses than do artificial noises such as pure tones. In this mixed environ ment humans can easily detect frequencies as fine as one twelfth of an octave-a half step in musical terminology.

The vexing question is: Why? Bats are the only mammal with a better ability to hear changes in pitch than humans do. Predatory species such as dogs are not nearly as sensitive-they can dis criminate resolutions of one third of an octave. Even our primate relatives do not come close: macaques can resolve only half an octave. These results suggest the fine discrimination of sound is not a necessity for survival.

Acho que faltou imaginação a quem escreveu a matéria, precisamente por esta frase final _ que a sofisticada capacidade de discriminação tonal humana não é “necessária para a sobrevivência”.   Esta capacidade provavelmente nasceu com o nascimento da linguagem _ e sendo seres sociais, evidentemente quanto mais informação a linguagem falada conseguir carregar, melhor.  Assim, a menos que eles demonstrem que esta capacidade nasceu muito antes do advento da linguagem, não vejo qual é o problema.

Primata ou ungulado?

Na mídia americana consagrou-se o hábito de analisar, além das falas e posições dos candidatos em debates políticos, também a sua “body language“, isto é, linguagem corporal.  Pundits de ambos os lados do espectro político norte-americano focaram quase que imediatamente no fato de que McCain não olhava para Obama durante o debate, o que foi lido pelos analistas como “contempt“, isto é, desprezo.

David Broder, articulista da Time, inovou e foi buscar inspiração na primatologia: escreveu um artigo intitulado “McCain as the Alpha Male” _ “McCain, o macho alfa“.  O conceito, que deriva da etologia, diz que o macho alfa é, simplesmente, o animal macho que domina o bando no contexto de animais sociais (sendo que em alguns tipos, como os elefantes, o que existe é a “fêmea alfa”).  Embora concedendo não ter havido um vencedor claro no debate, Broder usa o conceito de “macho alfa” para “mostrar” que o comportamento de Obama vis a vis McCain mostrou que McCain poderia ser o “macho alfa” entre os dois, ou seja, o macho dominante _ e que sua postura física indicava isso:

It was a small thing, but I counted six times that Obama said that McCain was “absolutely right” about a point he had made. No McCain sentences began with a similar acknowledgment of his opponent’s wisdom, even though the two agreed on Iran, Russia and the U.S. financial crisis far more than they disagreed. That suggests an imbalance in the deference quotient between the younger man and the veteran senator — an impression reinforced by Obama’s frequent glances in McCain’s direction and McCain’s studied indifference to his rival.” 

Francis de Wall é um primatologista, entretanto, e não gostou do que leu:

A confident alpha male chimpanzee would never show studied indifference. I have seen such behavior only in males who were terrified of their challenger…. A self-confident alpha male just approaches his challenger and sets him straight, either by attacking him or performing a spectacular display of his own. No avoidance of eye contact: he takes the bull by the horns. It rather is the hesitant or fearful alpha male who avoids looking straight at the other…. I read the body language between McCain and Obama as that between a senior male being challenged by a remarkably confident junior one. The senior didn’t know exactly what to do. He avoided eye contact and body orientation, probably realizing that a direct confrontation might not go his way. If McCain was an alpha male, it was an incredibly insecure one…

De qualquer maneira,  o dia seguinte pareceu mostrar empiricamente que alfa e beta ou estão trocados ou não são indicadores confiáveis nessas horas:

Obama abre dianteira de oito pontos sobre McCain

Chris Carlson/AP
Sondagem divulgada neste domingo (28) pelo instituto Gallup informa que Barack Obama ampliou a vantagem que o separa do rival John McCain.

Segundo o instituto, Obama dispõe agora de 50% das intenções de voto, contra 42% atribuídos a McCain. Uma dianteira de oito pontos percentuais.

Os resultados emergem de pesquisa telefônica feita pelo Gallup. Chama-se “tracking”. O instituto ouve diriamente algo como mil eleitores. E consolida os resultados a cada três dias.

Esta última consolidação, que tem margem de erro de dois pontos (para mais ou para menos), inclui a opinião de 2.719 eleitores ouvidos entre quinta-feira (25) e sábado (27).

Um período em que os americanos foram submetidos a dois fatos relevantes na formação da tendência de voto:

1. A negociação do pacote de socorro a Wall Street, que despeja R$ 700 bilhões do contribuinte americano em papéis podres de instituições financeiras;

2. O primeiro debate televisivo entre os dois candidatos, realizado na noite de sexta (26).

Concepção artística do bichinho (clique para ampliar)

Carga de uma mordida:

Humana – 80 Kg

Tubarão branco – 1,8 Toneladas

Tiranossauro Rex – 3,1 Toneladas

Carcharodon Megalodon (tubarão fóssil) – 10 a 18 Toneladas

Deu no NYT: cientistas holandeses criaram um “mapa genético da Europa”.

Biologists have constructed a genetic map of Europe showing the degree of relatedness between its various populations.

All the populations are quite similar, but the differences are sufficient that it should be possible to devise a forensic test to tell which country in Europe an individual probably comes from, said Manfred Kayser, a geneticist at the Erasmus University Medical Center in the Netherlands.

The map shows, at right, the location in Europe where each of the sampled populations live and, at left, the genetic relationship between these 23 populations. The map was constructed by Dr. Kayser, Dr. Oscar Lao and others, and appears in an article in Current Biology published on line on August 7.

The genetic map of Europe bears a clear structural similarity to the geographic map. The major genetic differences are between populations of the north and south (the vertical axis of the map shows north-south differences, the horizontal axis those of east-west). The area assigned to each population reflects the amount of genetic variation in it.

Eis o mapa:

(clique para ampliar)

Nota-se que há uma barreira pronunciada entre os finlandeses e o restante dos europeus, que não passa desapercebida no estudo:

The map also identifies the existence of two genetic barriers within Europe. One is between the Finns (light blue, upper right) and other Europeans. It arose because the Finnish population was at one time very small and then expanded, bearing the atypical genetics of its few founders.”

Se Hitler soubesse disso é até possível que tivesse deixado os judeus em paz, se bem que a busca no Google por “typical finish people” traz resultados que provavelmente não deixariam Hitler muito entusiasmado com o “hate potential” do povo finlandês _ porque diabo os miseráveis tinham que parecer tão arianos? Porém, provavelmente desconfiados de que um dia a maré pode virar, criaram logo uma empresa de telefones celulares (provavelmente todos pré-grampeados) para saber o que o mundo está planejando.

O gozado é que os finlandeses não estão sozinhos nessa. Com menor taxa de separação, mas ainda assim outsiders, estão os italianos:

The other is between Italians (yellow, bottom center) and the rest. This may reflect the role of the Alps in impeding free flow of people between Italy and the rest of Europe.” [grifo meu]

Otzi que o diga.

Isso aqui é interessante, vikings à parte:

Europe has been colonized three times in the distant past, always from the south. Some 45,000 years ago the first modern humans entered Europe from the south. The glaciers returned around 20,000 years ago and the second colonization occurred about 17,000 years ago by people returning from southern refuges. The third invasion was that of farmers bringing the new agricultural technology from the Near East around 10,000 years ago.

E isso porque esqueceram de citar as invasões árabes. Bom ponto para um scaremongering, hein?

Falta de solidariedade de classe entre os camaradas vírus

Deu na Folha:

Vírus consegue atacar outro vírus, diz estudo na “Nature”

DA EFE

Até vírus podem sofrer infecções virais, afirmam cientistas franceses, numa descoberta que pode ajudar a explicar como eles trocam genes e evoluem rapidamente.
Uma equipe da Universidade do Mediterrâneo, em Marselha (França), descobriu um tipo de vírus até então desconhecido, que chamou de virófago.
O estudo foi publicado na revista científica britânica “Nature”. Quando observavam através do microscópio uma ameba infectada por uma cepa de mimivírus (o maior conhecido), os cientistas notaram que um pequeno vírus, batizado de Sputnik, estava grudado em outros vírus que se reproduziam numa ameba.
Já se conheciam vírus capazes de atacar bactérias, mas este é o primeiro exemplo de infecção viral em vírus, dizem os cientistas.
Embora não mate o mimivírus, o virófago reduz a taxa de reprodução da vítima e faz com que nasçam unidades deformadas do vírus. O objetivo do Sputnik, que não é capaz de infectar a ameba sozinho é aumentar a sua própria taxa de reprodução.
Vírus que adoecem reacendem o debate sobre se o vírus é um ser vivo. Alguns biólogos não os consideram vida porque eles não produzem suas próprias proteínas.

***

O interessante é que a matéria da Nature realmente tem um outro spin (observado muito de passagem na matéria da Folha), que é o de saber se um vírus é um ser vivo ou não.  Eis um trecho:

“There’s no doubt this is a living organism,” says Jean-Michel Claverie, a virologist at the the CNRS UPR laboratories in Marseilles, part of France’s basic-research agency. “The fact that it can get sick makes it more alive.”” [grifo meu]

Ou seja, o pesquisador parece pensar que a faculdade de poder morrer é que seria o traço distintivo da vida.

***

Meu velho pai, portanto, é quem estava certo.  Ele gostava de dizer o seguinte: “Pra morrer basta estar vivo”.

E no Science Blogs está rolando a “semana dos monstros marinhos”, algo com evidentes ressonâncias luciamallísticas.  Confira em especial estes dois posts:

The amazing Hook Island sea monster photos

Santa Cruz’s duck-billed elephant monster

O par perfeito

Mas não exatamente pelo motivo que vocês estão imaginando:

Hunger dictates who men fancy

Eat A study of 61 male university students found those who were hungry were attracted to heavier women than those who were satiated. The hungry men also paid much less attention to a woman’s body shape and regarded less curvy figures as more attractive. Although it is not clear exactly how hunger exerts an influence on attraction, past research suggests social, cultural and psychological factors are involved.

In some societies where food is a limited resource, such as the South Pacific, higher body weights are revered. In others where food is abundant, such as the West, lower female body weights are preferred. Evolutionary psychologists believe this is a survival preference. What you are looking for in a mate is the best chance of healthy offspring and in an environment where food is scarce, a heavier woman is deemed a safer bet for this.

Mais aqui.

(hat tip: 3quarksdaily)

O Coturnix, do “A Blog Around the Clock”, um dos Science blogs, lembra que hoje a teoria da seleção natural faz 150 anos:

On this day 150 years ago essays by Alfred Russel Wallace and Charles R. Darwin were read at the meeting of the Linnean Society in London. This was the first time in history that the idea of natural selection was presented to the world.

Mais no blog do Greg Laden, do mesmo portal.

Talvez seja conhecida a história de que Darwin, apesar de ter chegado às conclusões que chegou, ficou muito reticente em publicá-las pois sabia do impacto que teriam (e quem lê sua biografia sabe que sua família era muito tradicional e religiosa). Apenas o conhecimento de que um outro naturalista, Alfred Wallace, havia chegado independentemente às mesmas conclusões é que o fizeram resolver a publicar seu trabalho _ aparentemente seu medo de perder a anterioridade da descoberta era maior que o medo de eventuais danos à sua reputação.  Em um interessante post sobre a publicação conjunta de Darwin e Wallace seu blog The Austringer, Wesley Elsberry diz:

The reading also forced Darwin’s hand, and the following months saw him discard his long-term project of writing a large monograph on natural selection, and instead hurry to produce an “abstract” of his work. That “abstract” is what we now know as the book, “Origin of Species”, published in November, 1859.

Ou seja, a “Origem das Espécies” é apenas um “abstract“.  Wow.

Festschrift aqui.

E no Three Quarks Daily, as vantagens da promiscuidade. Pelo menos entre guepardas:

Whether it’s lions fathering all the cubs in their pride, or human males getting a pass for cheating on their girlfriends, males sleeping around rarely make the news-it’s the natural order, after all-unless the article is happily touting the genetic advantages a male gets from spreading his dna around.

But when female cheetahs were found to do the same by a Zoological Society of London study, the study’s words about “promiscuous” felines were quickly outnumbered in Google’s index by the phrase, “cheetahs are sluts!”

Study author Dada Gottelli was quoted thus: “Mating with more than one male poses a serious threat to females, increasing the risk of exposure to parasites and diseases. Females also have to travel over large distances to find new mates, making them more vulnerable to predation.” Sounds like a cheetah-specific version of certain sex-ed curricula: Don’t sleep around, girls, or you’ll catch lots of diseases and the male cheetahs won’t respect you in the morning. Male cheetahs, however, aren’t “promiscuous”-they’re creating a healthier gene pool.

Not too surprising, then, that most of the coverage glossed over the evolutionary benefit of promiscuity for both male and female cheetahs: Multiple cubs by multiple cub daddies increases the likelihood of genetic diversity-a definite positive for a threatened species. Furthermore, the study noted that the rates of infanticide in cheetahs are much lower than in other big-cat populations, likely because male competitors don’t know which offspring might be theirs. But why let the facts slow down a good headline?

Via Shifting Baselines, um blog do Science Blogs, fico sabendo que existe um movimento pelo consumo ecologicamente correto de peixes, e um site que lhe dá apoio, o International Seafood Guide.  Lá você consegue ver várias opiniões acerca da sustentabilidade do consumo de cada tipo de peixe.  Segundo informa a Janet, a blogueira do Shifting Baselines, há considerável consenso acerca da sustentabilidade do consumo do salmão, por exemplo, mas há muita controvérsia a respeito de outras espécies.  Um efeito perverso descrito por ela é o aumento do consumo das espécies tidas como de consumo sustentável _ de fato, se o thumbs up para um determinado peixe gera um excesso de consumo, o status do bicho pode prontamente voltar ao de consumo insustentável…coisas da vida.

Estou longe de ser um fã de João Pereira Coutinho, mas hoje, na Folha, acho que ele matou a pau:

(…)Resta a questão final: e os pais? Confrontados com a possibilidade de “reprogramarem” a orientação sexual de um filho ou de descartarem-no via “aborto terapêutico”, terão os pais o direito de pedir à medicina esse instrumento seletivo e subjetivo?

Aceitar essa possibilidade é aceitar que, no futuro, os pais poderão determinar a vida futura dos filhos. Escolher a orientação sexual; o temperamento; a vocação intelectual; a excelência atlética ou estética.

Não duvido que a maioria, confrontada com tal hipótese, reservasse para a descendência o cruzamento ideal entre Brad Pitt, Albert Einstein e Pelé.

Mas um tal gesto seria uma tripla violência: contra a medicina e a sua função especificamente curativa; contra o mistério e a diversidade da vida humana; mas também contra os próprios filhos, condenados a habitar vidas que não lhes pertenceriam, mas que foram desenhadas pela vaidade, soberba e tirania de seus progenitores.

Na íntegra, abaixo, para os sem-UOL.

Leia o resto deste post »

Da Wikipedia:

Spore is a multi-genre “massively single-player online game” under development by Maxis and designedWill Wright. It allows a player to control the evolution of a species from its beginnings as a unicellular organism, through development as an intelligent and social creature, to interstellar exploration as a spacefaring culture. It has drawn wide attention for its massive scope, and its use of open-ended gameplay and procedural generation. by

The full version of the game is due to be released on September 5, 2008 in Europe,[3] and September 7, 2008 in North America and other territories.[4] Spore will also be available for direct download from Electronic Arts on September 7.[6]

Confesso que eu estava totalmente alheio à existência desse jogo, mas hoje parece que metade da tripulação dos Science Blogs está postando sobre o assunto.  O jogo está para ser lançado, mas o demo de um de seus módulos, o Creature Creator, já está disponível para download na internet.  Evidentemente, vários dos science bloggers já produziram seus monstrinhos prediletos.

Deu no UOL:

Garotos maus” fazem mais sucesso com as mulheres, sugerem estudos

Os rapazes “do bem” provavelmente já sabiam disto: “garotos maus” têm mais sucesso com as garotas. A conclusão é de dois estudos divulgados nesta quarta-feira na revista “New Scientist” e pode explicar por que comportamentos anti-sociais persistem, apesar do custo que representam à sociedade.

As características mencionadas nos estudos são o narcisismo, a impulsividade, a insensibilidade e a atração por situações de perigo. Esses indivíduos também costumam enganar e explorar os outros, por sua natureza maquiavélica.

Ao longo do tempo, homens com esse perfil eram banidos e viviam sós, famintos e vulneráveis a predadores.

No entanto, esse comportamento pode ter trazido uma vantagem para esses homens: uma vida sexual fecunda, como afirma o pesquisador Peter Jonason, da Universidade do Novo México. Ele e seus colegas aplicaram testes de personalidade em 200 estudantes e detectaram que os “garotos maus” eram o que apresentavam maior número de relacionamentos de curto prazo. Jonason compara o perfil ao personagem James Bond, de “007″.

Outro estudo, com resultados similares, foi conduzido por David Schmitt, da Universidade Bradley, de Illinois. A pesquisa contou com mais de 35 mil entrevistas feitas em 57 países diferentes.

Ambos os trabalhos foram apresentados em um encontro sobre comportamento humano e evolução realizado este mês em Kyoto, no Japão.

Para o pesquisador Matthew Keller, da Universidade do Colorado, falta descobrir por que essas características, que parecem bem-sucedidas do ponto de vista evolutivo, não tornaram-se mais comuns entre os homens. Uma hipótese, segundo Keller e Jonason, é que esse sucesso está ligado ao fato de que essas personalidades são raras. Se não fosse assim, as mulheres seriam mais cautelosas“.

***

Por essas e outras é que eu sou bruto, violento e carinhoso.

Linda raposinha?  Humm…not quite.

Dez novas espécies.

O post não é pra todo mundo, mas para quem gosta dessas coisas, eis um belíssimo exemplo de exploração paleontológica da ecologia de um espécime fóssil:

Studies of pterosaur ecology have suffered from the dogmatic attitude that pterosaurs were predominately aerial piscivores living in coastal settings, in spite of steady accretion of evidence that they occupied a variety of ecological roles in a suite of environments. The unusual anatomy of azhdarchids strongly indicates that they had a unique ecology and inhabited unusual environments compared to many other pterosaurs: these details have been overlooked by most authors who have interpreted azhdarchids as marine piscivores occupying niches conventionally considered typical of pterosaurs as a whole. This unusual lifestyle may explain the resilience of azhdarchids to decline in contrast to other Cretaceous pterosaur lineages, few or none of which persisted to the late Maastrichtian as did azhdarchids. It is hoped that this rerevaluation of azhdarchid ecology will inspire much-needed descriptions of azhdarchid material, empirical testing of the hypotheses presented here, and further research into the lifestyles of pterosaurs beyond their flight capability.

Só fico pensando no tempo que um bicho desses ia levar pra decolar…

Deu no Estadão:

Papagaio perdido volta para casa após explicar onde vivia

O papagaio repetia incessantemente seu nome e o endereço de onde vive, incluindo o número da casa

O papagaio encontrado pela pol�cia japonesa

O papagaio encontrado pela polícia japonesa

TÓQUIO – Um papagaio doméstico que tinha se perdido no Japão foi devolvido a sua casa pela Polícia depois de conseguir comunicar o nome de seu dono e onde ele vivia, informou nesta quarta-feira, 21, a agência local Kyodo.

As autoridades da província de Chiba (centro) capturaram no dia 6 de maio um papagaio-cinza africano que foi levado posteriormente a uma clínica veterinária.

O papagaio repetia incessantemente o nome Nakamura Yosuke-kun, que recebeu de seu dono, Yoshio Nakamura, e o endereço onde vivia, incluindo o número da residência, segundo as autoridades policiais.

***

O espantoso mesmo é o bicho falar isso tudo em japonês.

Por outro lado, nunca ouvi falar de piada de papagaio japonês, um filão com óbvias economias de escala.

***

Mas a coisa não admira tanto assim, porque os papagaios são reconhecidamente aves muito inteligentes, e o papagaio cinza africano mais ainda. Uma bióloga, Irene Pepperberg, estuda esses animais há muitos anos. Aqui, uma entrevista com ela em um dos ScienceBlogs, onde ela fala sobre inteligência animal e sobre Alex, um cinza africano que morreu há pouco tempo e era tido como um fenômeno. Aliás há uma fundação com seu nome, dedicada ao estudo dos cinzas africanos e suas capacidades cognitivas.

A Grã-Bretanha acaba de aprovar o uso de “embriões híbridos” para a pesquisa científica:

O uso de embriões híbridos (células animais com material genético humano) em pesquisas está liberado, pelo menos no Reino Unido. Ontem, na Câmara dos Comuns, os parlamentares derrubaram um projeto que tentava proibir o uso dessa ferramenta biológica.
Assim como ocorre no Brasil, no caso do uso das células-tronco embrionárias, os debates de antes da votação de ontem ficaram polarizados.
De um lado a ciência e de outro a religião. O primeiro grupo acabou vencendo. Foram 336 votos contra a proibição e apenas 176 a favor.
Apesar de a emenda contra o uso dos embriões híbridos ter sido apresentada por um parlamentar do Partido Conservador, todos os políticos foram liberados pelo seus partidos para votarem “de acordo com a consciência de cada um”.
O primeiro-ministro britânico Gordon Brown já havia declarado ser favorável ao uso dos embriões nas pesquisas.

No NYT, a bióloga evolucionária Olivia Judson tem um artigo muito bom explicando que diabo são os tais “embriões híbridos”, carinhosamente chamados no jargão em inglês de “cybrids”.   Vale a pena ler.  Também vale a pena ver isso:

Mas hein?  Nunca vi um currículo tão apropriado ao “physique du role“.   :)

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