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Chegou, e não doeu (ainda).

Mas venho aqui apenas para dizer que nesse modorrento início de ano já recebi algumas visitas.  Algumas me chegaram pelo Google procurando por coisas totalmente normais em um primeiro de janeiro, como “marylin monroe playboy” e “sexo anal”.

Mas já teve duas pessoas que chegaram a este blog procurando por “Rodrigo Constantino”.

Cruz credo!

This is just incroyable:

Kelly, it won’t be wrong if somebody studies Islam, but they need guided study, because somebody needs to go along and point out the incredible inconsistencies in that book. And if you have a guided study of the Koran and see how much in there is just repetitious, how much comes out of the Old Testament and the New Testament, how much is just plagiarism from the Bible, etc.?

Essa aí é atribuída a Pat Robertson, aparentemente ignorante acerca de mais de trezentos anos de estudos bíblicos que fizeram precisamente a mesma coisa…com a Bíblia.

Se metade for verdade já dá pra ficar preocupado.

Unnatural Selection: Evolving, Improving, Implacable Robots

It’s official: robotics scientists are now just daring the things to kill us. An Aberdeen University have built a robot programmed to fulfill one objective no matter what, to evolve in order to do so, and to make use of extra materials when they’re available. We’re assuming the only reason they didn’t call it “Terminator” is because they don’t have enough to kill all the MGM lawyers. Yet.

You know how it took organics, hereafter referred to as “puny fleshlings”, millions of years to learn to walk on two legs? The Incremental Evolutionary Algorithm (IEA) equipped robot learned in less than a day. When the research team added knees to the legs it re-learned, making use of what it had already learned about hips.

The robot uses a neural network to iterate solutions to problems. The evolutionary aspect is how it can just “decide” to add more neurons whenever the situation changes. The addition of new joints, limbs or even senses just creates a bigger, smarter and more-able-to-see-you robot. It can also lock itself into a specific configuration when it decides things are as good as they’re going to get and unlock again as needed.

The system does have a weakness: if it tries to learn too fast, learning new behaviours with its whole brain instead of the newly created sections, it demands too much computing power and grinds to a halt. And that means we’re safe forever, because it’s not like computers ever increase in power.

Team leader Christopher MacLeod is now working on a system where the robot can not only adapt to new bodies, but learn to instruct its human slaves, sorry, “creators” in how many limbs and other components it feels it needs. We can only hope they know to say “no” when this list includes a Remington 1100 Autoloader, an Uzi 9 millimeter, and a phased plasma pulse laser in the forty watt range.”

O causo aqui.

xkcd Attacks ici.

steelobama

Black is the new white

Michel Steele, um político negro de Maryland, foi escolhido como o novo chefão do Comitê Nacional Republicano.  Teve uma vitória apertada sobre um rival que se tornou republicano quando o governo democrata fez passar a lei de dessegregação de escolas.

Republicanos: o partido das idéias…

E o pior é que eu já estive lá.  🙂

O Pedro Sette Câmara até que andou escrevendo uns posts bem razoáveis.

De repente, porém, me deparo com isto aqui: “O Ateu Com Dúvidas“. Diz o Câmara:

Nestes dias tenho lembrado de uma conversa que tive em julho. Um sujeito ateu, que eu tinha acabado de conhecer, perguntou-me se eu tinha dúvidas sobre a minha fé católica e respondi que sim. Para dizer ao leitor coisas que eu nem disse a ele, às vezes penso que ficaria muito feliz se Jesus Cristo descesse do céu e me respondesse algumas perguntas. Não que eu acredite que Jesus Cristo me deva isso sob algum aspecto. Só estou dizendo que não atrapalharia em nada, muito pelo contrário.

E conclui:

(…)revivendo aquela conversa percebi que, ao confessar-me um católico com dúvidas, apenas ganhei diante de meu interlocutor o status de não-freak, como se ele pensasse assim: “Ele é católico mas é limpinho.” Não passei a ser, diante dele, normal “como todo mundo”, mas alguém que é normal apesar de católico.

O detalhe, obviamente, é que se a “normalidade” é definida pela freqüência de um estado de dúvida (e não foi Freud quem disse que o normal era ser ao menos um pouco neurótico?), o ateu também deveria conhecer esse estado, e questionar seu próprio ateísmo. Não é só o religioso que “deveria” perguntar “e se…?”, mas também o ateu. “E se existir Deus e eu me ferrar?” Até porque existe um número assustador de pessoas inteligentes que acreditam e acreditaram em Deus e negar sua existência é equivalente a achar-se mais brilhante do que elas.

Portanto, a conseqüência de um ateu achar que um religioso sem dúvidas é anormal é que, no mínimo, anormal é ele, ateu. Também. No máximo, para manter a terminologia freudiana, é um psicótico narcisista.

E da próxima vez, já sei: vou perguntar ao ateu se ele também tem dúvidas.

***

A questão, Pedro, é que um ateu tem dúvidas. Muito mais dúvidas que um católico, por exemplo.  Veja seu caso: suas dúvidas seriam sanadas se o próprio Jesus Cristo descesse do céu e respondesse umas perguntas.

Já um ateu, para sanar suas dúvidas, precisaria formar uma fila onde estariam não só o referido JC, como Maomé, Jeová, Buda, a trindade indiana, todos os orixás, o espírito de Alan Kardec e mais alguns milhares de deuses, todos eles confiantes na própria religião, alguns até acreditando-se únicos.  Ia ser uma confusão dos diabos.  Aliás, também seria bom ter uma conversa rápida com este último.

O ateísmo é uma eterna dúvida, creia-me.  Ou não…

hardy

Isso não vai dar certo…

Com a regularidade de um relógio, Paulo do FYI produz posts muito pouco inspirados.  Mas sempre há espaço para aperfeiçoamentos, e ele vem tentando se superar _ com algum sucesso, de fato.  A respeito de uma reportagem do Guardian sobre o relativo “esfriamento” do ano de 2008 (um artigo perfeitamente honesto, que explica corretamente o motivo pelo qual efeitos climáticos de curto prazo mascararam a tendência de longo prazo), Paulo diz:

I know, I know, this is all small potatoes and what really matters is the looong run. Now, isn’t it weird how lefties keep always telling us that we should only think about weather in this impersonal long view but for everything else what is important is the moment? (think stock markets)

Do parágrafo fica claro que Paulo denomina por “lefties” todos aqueles que se preocupam com danos evitáveis.  Claro, se o aquecimento global é criado pelo homem e podemos pensar em políticas capazes de evitá-lo, não fazê-lo simplesmente não é racional.  Da mesma forma, se os choques financeiros são derivados de negligência regulatória, então não providenciar regulação desses mercados também não é racional.

O que demonstra que se dependêssemos do “naturalismo-catástrofe” de gente como o Paulo, ainda estaríamos provavelmente na Idade da Pedra _ afinal, como disse o Eli Diniz dia desses, nem o paleolítico nem o neolítico acabaram por falta de pedras.

Deu no Estadão:

Escolas adotam criacionismo em aulas de ciências
Instituições religiosas usam explicação cristã sobre criação do mundo junto com a teoria da evolução

Polêmicos nos Estados Unidos, onde são defendidos por movimentos religiosos como mais do que explicações baseadas na fé para a criação do mundo, o criacionismo e o design inteligente se espalham pelas escolas confessionais brasileiras – e não apenas no ensino religioso, mas nas aulas de ciências. Escolas tradicionais religiosas como Mackenzie, Colégio Batista e a rede de escolas adventistas do País adotam a atitude de não separar religião e ciência nas aulas, levando aos alunos a explicação cristã sobre a criação do mundo junto com os conceitos da teoria evolucionista. Algumas usam material próprio.

Outros trabalham com livros didáticos da lista do Ministério da Educação e acrescentam material extra. “Temos dificuldade em ver fé dissociada de ciência, por isso na nossa entidade, que é confessional, tratamos do evolucionismo com os estudantes nas aulas de ciências, mas entendemos que é preciso também espaço para o contraditório, que é o criacionismo“, defende Cleverson Pereira de Almeida, diretor de ensino e desenvolvimento do Mackenzie.

O criacionismo e a teoria da evolução de Charles Darwin começam a ser ensinados no colégio entre a 5ª e 8ª séries do fundamental. Na hora de explicar a diversidade de espécies, por exemplo, em vez de dizer que elas são resultados de milhares de anos do processo de seleção natural, se diz que a variedade representa a sabedoria e a riqueza de Deus.

No Colégio Batista, em Perdizes (SP), o entendimento é semelhante. “Ensinamos as duas correntes nas aulas e deixamos claro que os cientistas acreditam na evolução, mas para nós o correto é a explicação criacionista. O importante é que não deixamos o aluno alienado da realidade”, afirma Selma Guedes, diretora de capelaria da instituição.

A polêmica está no fato de os colégios ensinarem o criacionismo e o design inteligente não como explicações religiosas, mas como correntes científicas que se contrapõem ao evolucionismo. Nos EUA, a polêmica parou na Justiça. Em 2005, tribunais da Pensilvânia decidiram que o design inteligente não era ciência, recolocando Darwin nas escolas. No Brasil, onde o debate não é tão acirrado, esse tipo de ensino tem despertado dúvidas sobre a validade na preparação dos alunos. Os conteúdos de ciências exigidos em concursos e vestibulares são baseados em consensos de entidades científicas, que defendem a teoria da evolução.

Já nos cerca de 2 mil colégios católicos, segundo dados da Rede Católica de Educação, não há conflitos entre fé e teoria evolucionista. No material usado por cerca de cem colégios do País, as aulas de ciência trazem a teoria da evolução e explicam o papel de Darwin.” [grifos meus]

***

Eis porque me ufano de meu país; onde lá fora subsiste acirrada polêmica, aqui estamos nós, calma e silenciosamente, formando batalhões de idiotas.

Estou longe de ser um fã de João Pereira Coutinho, mas hoje, na Folha, acho que ele matou a pau:

(…)Resta a questão final: e os pais? Confrontados com a possibilidade de “reprogramarem” a orientação sexual de um filho ou de descartarem-no via “aborto terapêutico”, terão os pais o direito de pedir à medicina esse instrumento seletivo e subjetivo?

Aceitar essa possibilidade é aceitar que, no futuro, os pais poderão determinar a vida futura dos filhos. Escolher a orientação sexual; o temperamento; a vocação intelectual; a excelência atlética ou estética.

Não duvido que a maioria, confrontada com tal hipótese, reservasse para a descendência o cruzamento ideal entre Brad Pitt, Albert Einstein e Pelé.

Mas um tal gesto seria uma tripla violência: contra a medicina e a sua função especificamente curativa; contra o mistério e a diversidade da vida humana; mas também contra os próprios filhos, condenados a habitar vidas que não lhes pertenceriam, mas que foram desenhadas pela vaidade, soberba e tirania de seus progenitores.

Na íntegra, abaixo, para os sem-UOL.

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Marisa Miller

Deu no Estadão:

“Modelo Marisa Miller é eleita a mais sexy do mundo

Esta é a primeira vez que Marisa, de 29 anos, aparece na pesquisa feita anualmente pela publicação. O diretor-editorial da Maxim, James Kaminsky, afirmou que a escolha de Marisa como a mais sexy “marca o retorno das modelos norte-americanas. Desde que Cindy Crawford dominou o “catwalk”, não há mulher nascida e criada nos EUA que tenha capturado tão firmemente a imaginação dos homens americanos”, afirma.

(…)

Segundo a Maxim, a atriz Scarlett Johansson, que conseguiu o segundo lugar no ranking, é uma “perigosa bombshell”.”

***

Mais sexy do mundo“, esse bicho de goiaba? Scarlett Johansson, reduzida uma reles “perigosa bombshell” em segundo lugar??

Queima! Rasga! Joga fora!!! Só pode ter rolado um jabá.

Globalização dá nisso:

Jornais do mundo repercutem confusão com Ronaldo

Os sites dos jornais italianos e espanhóis repercutem o caso do atacante Ronaldo, do Milan, que foi parar em uma delegacia do Rio de Janeiro após confusão com travestis.

– Festas com (má) surpresa para Ronaldo – escreve o La Reppublica.

O italiano La Gazzetta dello Sport também dá grande repercussão para o caso. O site mostra a foto do travesti André Luis Ribeiro Albertino, conhecido como Andréia Albertine, mostrando um documento do carro do jogador.

O espanhol El País também apresenta uma foto de Andréia, com o título “Ronaldo, extorsionado por un travesti “.

***

The bright side: pelo menos espanhóis e italianos vão descobrir que existem travestis brasileiros no Brasil.

Deepest Green

The Voluntary Human Extinction Movement.


Levando a propriedade privada ao extremo

Entre todas as manifestações do já tão comentado declínio da esfera pública, eis que se descortina um front totalmente novo:

“Let a publicke benefit expell privat bashfulnesse,” implored John Harington, favourite godson of Elizabeth I and prominent among the crowded pantheon of British toilet heroes. He was decrying the barriers to such sanitary improvements as his flushing water-closet, which he invented in 1596. That same inhibition, often masked by humour, prevents us from seeing in the toilet a powerful barometer of the health of society as a whole. “British public toilets have been in freefall,” says Richard Chisnell, chairman of the British Toilet Association (BTA), and we may recognise in their decline and privatisation a wider sign of the ever diminishing public sphere.

***

Falando nisso, neste fim de semana houve uma grande festa na Esplanada dos Ministérios celebrando os 48 anos de Brasília, atraindo cerca de 1 milhão de pessoas. Mostrando que vida privada e pública podem se misturar, mas nem sempre com consequencias felizes, informo que até agora persistem alguns efeitos menos atraentes do evento, nos estacionamentos dos ministérios…

Ainda sobre a reserva Serra do Sol:

Como se sabe, a maior fronteira da reserva com um país estrangeiro é com a Guiana.  Movido pela curiosidade fui olhar os jornais Guianenses para ver se há alguma coisa sobre a reserva.  Não achei nada _ aparentemente eles não estão dando a menor pelota para o assunto _ porém encontrei uma notícia bem interessante:

Slaying of Brazilian miners…

No diamond transaction was made at Pure Diamonds Inc

The Management of Pure Diamonds Inc. is refuting reports in some sections of the media that, on the day when two Brazilian miners were killed, the men had sold diamonds to the company. According to Arjune John, Director of the company, Pure Diamonds is also refuting reports in the state-owned radio and television and on Channel 65 that, on the day in question, Severino Pequeno Alves Junio, 45, and Francisco Lima, 46, were robbed of $15 M.
Seeking to clarify the erroneous reports, John said that both the now dead Severino Pequeno Alves Junio and Franciso Lima came to the East Street establishment to uplift monies for gold which they had sold to the company earlier.
Additionally, the company is refuting reports that suggest that the miners may have been traced from the East Street location. According to John, the men arrived at the company at 10:30 hours and they were offered cheques as payment, which they refused and requested cash.
John added that it is customary that the customers be paid by cheque because of security reasons. However, the robbery occurred some three hours later.
The company has also stated that, because of the reports carried in the media which stated that diamonds were sold to it, the management is being scrutinized by the Guyana Geology and Mines Commission. While the company has the relevant licence to sell and buy both gold and diamonds, it is only dealing with gold since, to date, management has not yet written to the Geology and Mines Commission for permission to buy and sell diamonds.
On Thursday last, at around 13:00 hours,  Severino Pequeno Alves Junio, 45, and Francisco Lima, 46, were shot and killed by two men armed with handguns at the Regent Guest House.
During the ordeal another Brazilian, Jose Alenor Ovidio D’Oliveira, was injured.
Initial reports are that the two deceased, along with Brazilian miner Jose Alenor Ovidio D’Oliveira and another Brazilian national, had earlier conducted business at Pure Diamonds establishment on East Street, Georgetown, where D’Oliveira collected $1.5 million.
The Police statement continued that the Brazilians later returned to the guest house where they were staying, and were in the bar when one of the bandits entered and ordered an aerated drink.
Meanwhile, this newspaper understands that the bodies of the two slain Brazilians are to be flown back to Brazil today for burial.

Para quem não domina bem o inglês: dois mineiros brasileiros, Severino Pequeno Alves Junio e Francisco Lima, foram mortos na capital Guianense por estes dias.  A razão foi um assalto.

O detalhe é que eles foram roubados em US$1,5 milhão de dólares, em dinheiro vivo, após terem vendido ouro _ ou diamantes _ em um estabelecimento guianense de compra de metais preciosos, a Pure Diamonds.  O dono do lugar, porém, está negando que os brasileiros tivessem vendido diamantes _ diz ele que venderam ouro.

E segundo a matéria não foi a primeira vez que os brasileiros fizeram vendas por lá.

Está claro o que está acontecendo?  Mineiros brasileiros vendem diamantes na Guiana, para não ter que pagar imposto no Brasil.  Estes diamantes certamente são retirados da região amazônica.

Me custa um pouco crer que a reserva Raposa do Sol vá piorar sobremaneira esta situação.

Deu no Correio Braziliense:

Dinheiro para saúde indígena pagou jantares e viagens da UnB

10/04/2008
08h51
Sopa-creme de abóbora e queijo brie ou quiche de queijo de cabra, abobrinha e amêndoas na entrada. Salmão grelhado ao molho normanda, tirinhas de filé mignon ao molho de manga e tomates como opções de pratos quentes. Frutas frescas, tortinha morna de maçã e passas na sobremesa. Esse é o cardápio de um dos almoços oferecidos pelo reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland, com dinheiro que deveria ser usado em benefício dos índios. O evento, para 39 convidados do reitor, custou R$ 5.172,80. E foi pago com recursos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

O almoço ocorreu em 16 de julho do ano passado, no restaurante Alice Brasserie, na QI 17 do Lago Sul. A pedido da Reitoria da UnB, o restaurante, um dos mais badalados (e caros) de Brasília, foi fechado naquele dia para Timothy e os convidados dele. (…)

Na lista de convidados do reitor, à qual o Correio teve acesso, há 18 funcionários da UnB. Os outros 21 são integrantes da Embaixada da Espanha no Brasil, do governo espanhol e do Instituto Cervantes. O almoço marcou a assinatura do acordo de intenções entre a UnB e o Instituto Cervantes, organismo público sem fins lucrativos da Espanha. Participou do encontro, como maior autoridade, o ministro de Cultura espanhol, César Antonio Molina. Acompanhado do secretário-geral do Instituto Cervantes, Joaquín de la Infiesta, Molina recebeu uma homenagem do reitor da UnB, que entregou a ele um documento de reconhecimento que a universidade reserva a personalidades internacionais.

Na época da visita dos espanhóis, o site da UnB destacou o encontro em diversas reportagens feitas pela equipe da Secretaria de Comunicação (Secom) da universidade. Mas em nenhuma das matérias informou que o convênio foi assinado em almoço oferecido pelo reitor e pago com recursos da Funsaúde. Muito menos o preço da recepção. Três jornalistas da Secom, nenhum concursado, estavam na lista de convidados oficiais de Timothy.

(…)

Contradição
Para os promotores que investigam os contratos das fundações de apoio ligadas à UnB, almoços e jantares oferecidos pelo reitor com dinheiro da Funasa são ilegais. “É por causa de gastos como esses que o atendimento aos índios fica prejudicado. Está mais do que caracterizado o desvio de dinheiro público”, afirma o promotor Ricardo de Souza, da Promotoria de Fundações e de Entidades de Interesse Social, do MPDF.

Souza considera uma contradição a reserva de espaços para eventos da reitoria. “O Timothy sempre alegou que o apartamento funcional (que ele ocupava) foi decorado de forma luxuosa para receber autoridades”, destaca. Cerca de R$ 470 mil foram usados na decoração do apartamento da UnB, na 310 Norte, ocupado pelo reitor até o começo deste ano, quando os gastos vieram à tona e o MPDF tornou pública a investigação sobre os recursos da Finatec.

***

Declaração de Rosane Mulholland, jovem atriz e filha do Reitor:

Olha, eu conheço meu pai desde que nasci. Ele trabalha na UnB há mais de 30 anos e foi muito dedicado à faculdade. E, obviamente, acho que ele não merece o que está passando.

Infanticídio começa em casa.

E naquele que é provavelmente o momento menos inspirado de sua carreira como blogueiro, o Paulo do FYI essencialmente confessa que seus adversários são culpados de terem argumentos.

Hoje recebi um powerpoint bem safadinho, a começar pelo título: “Escandalosamente Lindo“. É de autoria anônima, e bem extenso, mas selecionei 3 slides para ilustrar o clima.

A imagem de fundo é pungente: uma velhinha triste, olhando através de uma janela, as mãos espalmadas sobre o vidro _ ela está presa dentro de casa, obviamente o último refúgio contra um mundo ameaçador.

A sessão de slides começa mostrando como as coisas eram antigamente _ bandido era bandido, polícia era polícia, bandido respeitava polícia, jovens respeitavam os mais velhos, etc _ e em seguida estabelecendo uma comparação com os dias atuais (violência gratuita, roubo, estupro, corrupção). No Country for Old Men.

Em seguida, uma série de frases vão aparecendo, em um crescendo de indignação. Os temas são os clássicos da nossa boa gente conservadora: queremos liberdade, sim, mas com segurança, ora. O que significa que queremos liberdade para alguns e cadeia, obviamente, para aqueles que sabe-se lá porque resolveram ameaçar a segurança dos outros:

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Em alguns momentos, o discurso assume tons generosos, gente boa: “teto para todos, comida na mesa, saúde a mil!“. “Saúde a mil“, aliás, até rimaria com “Brasil varonil“, mas o autor do slide não chega a tanto.

Aí aparece uma frase reveladora: “Quero calar a boca de quem diz: “a nível de”, enquanto pessoa“. Evidentemente, quero afastar de mim aquele pessoal chato, que vem com aquele discurso complicado, de que não é bem assim. Sabem, né, esse povo dos “direitos humanos” para marginais! Não, não, eu quero é a “verdadeira vida“, aquela vida que merecem as pessoas “definitivamente comuns, como eu“.

Como sabem, o “definitivamente comum” é o óbvio: insegurança? Cadeia. Imoralidade? Religião. Doença sexualmente transmissível? Castidade, ué.

Eu já falei nesse tipo de argumento aqui no blog: trata-se de exercer a profecia do óbvio. Um discurso sedutor para uma burguesia cuja má-consciência prefere, obviamente, botar a culpa em um outro, um inimigo, um feio, sujo e mendicante (o pedinte, o assaltante), ou um engravatado feio, sujo e arrogante ( o político, o intelectual militante), do que encarar o difícil trabalho de fazer a engenharia reversa de sua própria existência e descobrir como o que lhe é natural, sua vida “simples como uma gota de chuva“, é também capaz de engendrar todos os problemas que as ruas lhe propõem. O discurso, enfim, ideal para quem cansou. De pensar.

É a face cívica do fascismo.

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No Estadão:

Lula tem maior aprovação desde sua 1ª posse, diz CNI/Ibope

Segundo a pesquisa divulgada nesta 5ª, índice de 58% é resultado do bom momento do País na economia

SÃO PAULO – A avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva atingiu seu melhor desempenho desde a posse no primeiro mandato, em 2003, segundo pesquisa encomendada pela CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira, 27 pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI). O índice de ótimo e bom foi a 58% dos entrevistados na atual pesquisa. No levantamento anterior, realizado em dezembro, esse porcentual era de 51%.

No UOL:

Bush, meu filho, resolve a tua crise”

(…)Lula afirmou ter ligado duas vezes para o presidente norte-americano George W. Bush para tratar da crise, pois soube que o colega havia se chateado com as algumas declarações do presidente brasileiro.

“Eu liguei para ele para falar: Bush, o problema é o seguinte, meu filho, nós ficamos 26 anos sem crescer. Agora que a gente está crescendo vocês vêm atrapalhar. Resolve, resolve a tua crise”, afirmou.

Em seguida, disse que o Brasil tem know-how para salvar bancos, citando o Proer, programa criado para recuperar instituições financeiras que estavam com problemas financeiros na década de 90. “Se precisarem, podemos mandar esta tecnologia para eles [EUA]”, disse Lula.(…)

Tenho a impressão que o Eneadáctilo quer matar Fernando Henrique. De raiva. 🙂

***

UPDATE

Certamente ele quer matar Reinaldo Azevedo também:

O presidente falou também da importância do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para o aquecimento do mercado interno e comparou o Bolsa Família à multiplicação dos pães, um dos milagres atribuídos à Jesus Cristo. “A multiplicação dos pães que Cristo falava é justamente essa”, afirmou.

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Via o blog do Renato Cruz, apresento-lhes o Washup, um equipamento doméstico très vert inventado por um turco, que recicla a água da lavagem da roupa e a usa na descarga da privada.

Eu só espero que ele não dê defeito e inverta o circuito.

Pol�cia de MG instaurou inquérito

À meia noite encarnarei no teu PMDB

Deu no Estadão:

Túmulo de Tancredo Neves é destruído parcialmente em MG

A peça de mármore foi quebrada e, a princípio, as hipóteses são ato de vandalismo ou acidente

Pelo visto ninguém ainda pensou no pior:

_ Ele pode ter saído! 

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Navegar na Internet é coisa para corações fortes.

Eis que achei, por acaso, o site da ANPAC – a Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos.

Diz o anúncio da carteirinha que a ANPAC “continua firme na sua política de fortalecer o setor no país“. Ou seja, os concursos públicos geraram uma indústria que se candidata a ser “um setor” da economia do país, como qualquer outro. Provavelmente daqui a pouco vão pedir uma linha de financiamento no BNDES, como sói acontecer a “setores” da economia. Aliás, não por acaso, seus associados são em sua grande maioria cursinhos para concursos.

A ANPAC tem um estatuto que contém, além daquelas coisas todas que estatutos costumam conter, os objetivos da ANPAC:

Art. 3º

A Associação tem por objetivo:
a – coordenar e divulgar projetos de interesse dos concursos públicos e privados em todo o território nacional, podendo firmar convênios e promover publicações;

b – defender maior moralidade, transparência e ampla acessibilidade nos concursos públicos e privados;

c – propor regulamentação legal específica para os concursos públicos e fomentar a prática de concursos na iniciativa privada;

d – promover a divulgação dos concursos públicos em todo o território nacional;

e – propugnar pela participação da entidade na elaboração dos editais dos concursos;

f – zelar pela adequação dos processos seletivos aos princípios constitucionais e éticos;

g – prestar consultoria às bancas examinadoras, fornecendo selo de garantia ao processo seletivo;

h – prestar assistência jurídica em ações coletivas e individuais, visando à legalidade e o interesse dos concursandos nas flagrantes desigualdades de tratamento, de critérios e de pré-requisitos restritivos;

i – proporcionar ou facilitar o acesso às informações sobre concursos públicos;

j – constituir-se em foro de discussão de assuntos relativos às questões de concursos públicos e privados;

k – propor a formação de banco de dados em relação a salas, fornecedores e outros serviços afins aos associados;

l – estabelecer convênios com instituições públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras, para a consecução de seus objetivos.

OK, ok, não vamos exagerar na crítica: alguns desses objetivos são bastante defensáveis, como a exigência de ampla publicidade, transparência, etc. Mas algumas delas _ principalmente as que grafei em vermelho _ são bastante curiosas.

***

E depois, não é “Fulanda de Tal“, é “Fulana de Tal“, raios.

***

Falando nessas coisas, parece que a “cadeia produtiva” do setor só faz aumentar.

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Fizeram alguém de palhaço 

No NYT:

Oh, By the Way, There Was No Al Qaeda Link

Remember those weapons of mass destruction that could not be found in Iraq? Well, the supposed tight links between Saddam Hussein and the Al Qaeda terrorist network have evaporated as well.

That, according to McClatchy newspapers, is the conclusion of a Pentagon-sponsored study of more than 600,000 documents captured in Iraq after the American invasion. Since both the weapons and terrorist links were used by the administration to justify the war against Iraq, the results of the report are considered a bit touchy. In fact, military officials would be just as happy if no one paid any attention to it, though the blogosphere already has.

So the report will not be posted on the Internet, as originally planned, and no one will conduct any briefings on its conclusions. Anyone wanting to read it will have to ask the United States Joint Forces Command in Norfolk, Va., for a copy. Officials promise to send it by mail.

The study, entitled “Saddam and Terrorism: Emerging Insights from Captured Iraqi Documents,” concludes that while Saddam’s regime provided some support for groups in the Middle East that have been labeled as terrorist, his main efforts were directed against Israel and against groups he considered enemies of his government, including Shiite Muslims, Kurds and Iraqi exiles.

The study comes as the fifth anniversary of the war approaches on March 19.

Update: An executive summary of the report is available as a pdf document. The Washington Independent is promising to post the entire thing, after they receive it in the mail and get it scanned and up onto the Web.

Prezados 4,5 leitores, hoje eu realmente terei que dar a mão à palmatória. Tive a prova cabal de que os órgãos de mídia brasileiros foram dominados pelo Foro de São Paulo _ a começar pela própria Rede Globo, o maior e mais popular de todos eles.

Hoje de manhã eu via o Bom Dia Brasil quando apareceu o Alexandre Garcia em uma reportagem sobre a questão da crise entre Brasil e Espanha no tocante à deportação de turistas. Eis a transcrição do texto narrado por Garcia:

Nitidamente, o que se vê no caso dos turistas espanhóis deportados é uma represália, a aplicação do princípio da reciprocidade. Mas há outras saídas para o mal-estar.

O interessante é que isso não acontece com a Inglaterra, que no ano passado deportou cinco mil brasileiros, dois mil paquistaneses e dois mil nigerianos. Nós somos campeões, embora sejamos uma das comunidades minoritárias na Inglaterra.

A Espanha deportou três mil. No entanto, a reação não é a mesma. Certamente, não é porque não foi a rainha da Inglaterra que mandou Chávez se calar. Deve ter outros motivos. É preciso enfrentar os motivos da sua base.

Por exemplo, já estão mudando a rota da prostituição. Outro dia, em um avião para Paris, havia quase duas dúzias de mulheres brasileiras que explicaram que, como as autoridades estão sendo mais rígidas em Madri, elas estão indo agora para o Aeroporto Charles de Gaulles, em Paris, onde um microônibus as aguarda para entrarem na Espanha via terrestre, já tendo ingressado na União Européia.

O Jornal Nacional mostrou a condenação de um agenciador de mulheres espanhol em Goiás. E mostrou na semana passada a prisão de outro espanhol, também em Goiás, levando três mulheres para o avião. E sabe-se que algumas casas noturnas do Nordeste, na verdade, são centros de recrutamento de mulheres.

Talvez se o Brasil combater esse tipo de rota, combater o tráfico aqui dentro, prendendo essas pessoas e também impedindo a entrada de turistas sexuais, isso vai tornar a vida mais fácil de turistas estudantes que chegam ao exterior, já que vai melhorar o nome do Brasil.

Então vamos lá.

Garcia parte do pressuposto que a ação espanhola é justificada, já que nós não seguramos nossas prostitutas aqui no Brasil. Então sugere que ao invés de bloquearmos a entrada de inocentes turistas espanhóis, transportemos o custo da empreitada para dentro de nossas fronteiras, fiscalizando a saída de nossas prostitutas e prendendo os empresários do sexo que fazem a negociação.

Mas:

a) os empresários do sexo, como ele mesmo disse, são afinal espanhóis que entraram no Brasil. Portanto, a idéia de combater o negócio “na base”, bloqueando a entrada deles aqui em primeiro lugar, não parece tão idiota assim;

b) consigo imaginar alguns países que conseguiriam implementar uma política exitosa de impedir a saída de prostitutas e a entrada de turistas sexuais. Seus nomes são Cuba e Coréia do Norte. OK, todos nós conhecemos o formulário de entrada no país adotado pelos EUA, que pergunta se você está a fim de praticar um genocídio básico na América (o onze de setembro mostrou que o questionário é relativamente ineficaz). Suspeito que perguntar a todas as milhares de moças que saem todo dia do Brasil se elas são prostitutas, ou aos milhares de rapazes que entram todo dia no Brasil se eles pretendem fazer turismo sexual, seria uma estratégia pouco exitosa _ portanto a única maneira de implementar a idéia com 100% de sucesso seria proibir todo mundo de sair e todo mundo de entrar.

O mais engraçado mesmo é que o Alexandre Garcia foi porta voz da Presidência da República entre 1979 e 1980. Nada mais nada menos do que do Presidente Figueiredo. E foi demitido após 18 meses no cargo. O motivo? Diz a Wikipedia:

Foi demitido a bem da moral, depois de posar nu para a revista, “Ele e Ela,” deitado placidamente em uma cama, onde dizia, candidamente, ser ali o lugar em que “abateria” suas “lebres.

Em uma entrevista de agosto de 2006, ele confirma, é claro que culpando as “forças ocultas” da intriga palaciana:

Marcone Formiga – Conta-se que o Said Farhat tinha ciúme de você e por isso provocou a sua demissão. Como foi esse episódio?
Alexandre Garcia – Eu havia sido entrevistado para a “Playboy” e aí o Flavinho Cavalcante, na época da Bloch, disse que a “Ele & Ela” também queria uma entrevista. Só que maior, com fotos. Fui perguntar para o meu guru, o ministro Golbery, que respondeu: “Pode, sim. Vamos, em breve, tirar o Farhat. Vamos extinguir a Secretaria de Comunicação Social e queremos que você fique como secretário de Imprensa. Nada como dar uma entrevista para uma revista masculina para projetar mais o seu nome, para virar depois secretário de Imprensa”. Dei a entrevista, revisei, praticamente copidesquei. Então aquilo que está lá é meu mesmo. O Flavinho me trouxe o primeiro exemplar que entreguei para o Figueiredo ler. O Figueiredo leu a bordo de um Búfalo em uma viagem a Pindamonhangaba. Até aconteceu uma coisa engraçada…

Marcone Formiga – O que foi? Ah, conta…
Alexandre Garcia – Estourou um cano do sistema hidráulico do avião sujando as calças do presidente… Quando ele foi trocar as calças olhou para mim e disse: “É perigoso tirar as calças na sua frente”! (risos) Foi a única observação que ele me fez a respeito da entrevista.

Marcone Formiga – Mas, voltando ao Farhat, seu algoz…
Alexandre Garcia – O Farhat tinha respondido uma carta da mulher de um goleiro do Atlético, que usou palavras de baixo calão para se referir ao presidente. Respondeu devolvendo as palavras de baixo calão. Aí a revista “Veja” pegou essa carta do Farhat e uma foto minha na entrevista, em que eu estava na cama, de bermuda. O fotógrafo me cobriu com o lençol até o tórax e tirou as fotos. A “Veja” pegou essa foto e a carta e lançou na capa: “Vulgaridade palaciana: enquanto o ministro da Comunicação Social usa palavras de baixo calão em carta, o sub-secretário de Imprensa nacional se deixa fotografar sob os lençóis em uma revista masculina”. O Farhat pegou aquilo e deve ter pensado: “Para tirar do meu eu vou botar no dele”. Então me chamou – e fiquei sabendo anos depois que ele foi pegar o sinal verde com o Medeiros e não com o Figueiredo ou Golbery – e veio, com toda força, com uma carta na mão para que eu assinasse pedindo minha demissão. O Golbery não foi porque estava em casa doente, mas me ligou uma hora depois: “Volta que vamos demitir esse turquinho agora!”. Eu respondi: “Desculpe, ministro. Eu não vou voltar porque não quero criar crise no governo”. O Farhat saiu uns 20, 30 dias depois…

Pois é, é o antigo “abatedor de lebres” que agora dá conselhos ao governo sobre como tratar os problemas do turismo sexual (“receptivo” e “para exportação”) na “sua base”. Acho sintomático que “a base” com que ele se preocupe seja a da repressão pura e simples, sem sequer se perguntar porque será que o Brasil se tornou um exportador líquido de prostitutas, e o que poderia ser feito para minorar este problema, “na base”.

Em abril de 2005:

Style news

Falta pouco, muito pouco, para que os blogs

a) conservadores ?

b) de direita ?

c) liberais ?

d) as alternativas a, b e c, adicionadas àquela insensibilidade tipicamente associada às elites brasileiras ?

comecem a linkar a Primeira Leitura. Esperem e verão.

***

E o gozado é que essa profecia nem faz muito sentido hoje em dia, onde alguém provavelmente diria “ué, mas não foi sempre assim?”.

Via Slashdot:

“Four hundred years after it put Galileo on trial for heresy the Vatican is to complete its rehabilitation of the scientist by erecting a statue of him inside Vatican walls. The planned statue is to stand in the Vatican gardens near the apartment in which Galileo was incarcerated. He was held there while awaiting trial in 1633 for advocating heliocentrism, the Copernican doctrine that the Earth revolves around the Sun. The move coincides with a series of celebrations in the run-up to next year’s 400th anniversary of Galileo’s development of the telescope. In January Pope Benedict XVI called off a visit to Sapienza University, Rome, after staff and students accused him of defending the Inquisition’s condemnation of Galileo. The Vatican said that the Pope had been misquoted and since the episode, several of the professors have retracted their protest.

No FYI:

So I would say that it would be very easy to annex Cuba. All that Raulzito has to do is to allow people to escape the prison island. I bet the US would have no problems leaving that piece of rock for the old commies as long as they don’t point nuclear missiles to Florida.

Interessante essa idéia do Paulo de anexar os cubanos, não Cuba. É uma bela idéia, mas infelizmente talvez não funcione. Pelo menos não deu muito certo da última vez. Por outro lado, essa mudança de política dificultaria um pouco os planos do Pentágono, pois tornaria cada vez mais difícil explicar ao contribuinte norte-americano o motivo pelo qual eles têm que pagar pela anexação de pedaços de rocha cada vez mais longe do país, havendo tantos outros disponíveis bem mais perto.

Entretanto, em prol do avanço da Ciência, não podemos deixar de notar que o post do Paulo nos oferece a mais contundente evidência de que o Campo de Distorção da Realidade republicano é capaz não apenas de distorcer as idéias ou o espaço, mas também o tempo, já que faz mais de 40 anos que um míssil nuclear estacionado em Cuba apontou para os EUA. Acho também ocioso ter que observar que durante esses mesmos pouco mais de 40 anos a China continuou a apontar mísseis para os EUA e não está propriamente submetida a um embargo comercial. Finalmente, também é verdade que nesses 40 e poucos anos os EUA estiveram apontando mísseis nucleares para todo o resto do mundo, e continuam a fazê-lo.

Como vocês já devem saber, a candidatura republicana está tecnicamente morta.  O Great Oldy Party, na prática, enterrou suas chances em um candidato que segura em suas mãos um escândalo com potencial explosivo.

Claro que o caso extraconjugal de McCain, pelo menos do meu ponto de vista (mas não do ponto de vista do eleitor republicano médio) não importe muito _ como também não me importava o que Clinton e sua estagiária faziam com o charuto.

O diabo é o caso dele ser uma lobbysta da K Street, o diabo é McCain ter usado sua poderosa posição em uma das mais influentes comissões do Senado para favorecer os clientes de sua amada (e não que ele já não tivesse suficientes outras razões, todas pouco pundonorosas, para isso).

Consta que assessores de McCain já estão dizendo que ele é gente boa, mas é impulsivo.  Observem que eles nem estão dizendo o contrário.  Será que já entregaram o jogo?

Deu na Folha de Sao Paulo:

Deputado propõe que caveira do Bope se torne patrimônio cultural do RioUm projeto de lei do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PP), 26, propõe que a caveira, símbolo do Bope (Batalhão de Operações Especiais), e o uniforme preto do batalhão se tornem patrimônios culturais do Rio de Janeiro. A proposta ainda terá que passar por pelo menos duas comissões para chegar à votação no plenário da Assembléia Legislativa -o que não tem prazo para ocorrer.
Bolsonaro diz que fez o projeto “movido pela tropa”. Segundo o deputado, a idéia não foi dele, mas de integrantes do Bope que se sentiam ameaçados com a informação de que a farda mudará de cor e com o boato de que o símbolo da caveira será substituído.

***

Em breve, aguardem a reivindicação da mesma honraria para o “microondas”.

Harry Brighouse tem um post no Crooked Timber em defesa do Arcebisbo de Canterbury, Rowan Williams, que se meteu na maior roubada ao defender o direito de que os muçulmanos na Inglaterra possam ter algum tipo de permissão para resolver problemas jurídicos entre eles segundo a Sharia.   Ele tem também um link para o texto completo do pronunciamento do Arcebispo, que eu ainda não havia lido.   Aparentemente _ segundo Harry _ o discurso do Arcebispo não foi tão radical quanto a imprensa (e este blog) anunciou, e que direitos semelhantes já existem, por exemplo, para os judeus ortodoxos.  A rigor, a coisa não seria uma “anistia jurídica” e mais como um procedimento arbitral.

Vou ler o pronunciamento do Arcebispo para formar meu juízo a respeito, mas achei bastante interessante esse trecho que Harry colocou no post, ilustrando o “multiculturalismo” inglês dos tempos do Raj:

In a more culturally confident age, the British in India were faced with the practice of “suttee”-the tradition of burning widows on the funeral pyres of their husbands. General Sir Charles Napier was impeccably multicultural: “You say that it is your custom to burn widows. Very well. We also have a custom: When men burn a woman alive, we tie a rope around their necks and we hang them. Build your funeral pyre; beside it, my carpenters will build a gallows. You may follow your custom. And then we will follow ours.“”

tropa.jpg

Repete comigo, Neto: “Traduttore, traditore”! Repete, porra!

O G1 informa que foi assim que ficou na tradução para o inglês:

“Pede pra sair” = “ask to quit”

“O senhor é um moleque” = “you´re punk”

“O senhor é um fanfarrão” = “you´re a buffoon”

“Põe na conta do papa” = “On pope’s account”

“Pega o saco” = “Bring the plastic bag”

“Quebra essa” = “Can you see my point”

***

É por essas e outras que

“Oscar” = “Kikito”

No dia 9 do corrente, Fernando de Barros e Silva, articulista da Folha, escreveu o seguinte na página de Opinião:

FERNANDO DE BARROS E SILVA0 x 0

SÃO PAULO – PT e PSDB dividem e disputam a hegemonia política do país há muitos anos. Isso não é novidade para ninguém. Foi na eleição de 1994 que os partidos se consolidaram como pólos do jogo democrático. Tudo indica que em 2010 continuará sendo assim -embora, sem Lula, Ciro Gomes possa romper a monotonia dessa gangorra.
Fernando Henrique, que ao longo da vida -como intelectual e político- viu coisas importantes antes dos outros, disse certa vez que PT e PSDB competiam para ser a locomotiva das forças do atraso no processo de modernização do país.
É verdade. Resta saber o que exatamente resultou das alianças políticas firmadas e dos compromissos assumidos por tucanos e petistas. Ou quanto eles próprios revelaram ser identificados com o atraso que prometiam combater. Não é um jogo muito bonito e deve acabar 0 x 0. A história fará melhor balanço.
O fato é que tucanos e petistas, como lembrou Elio Gaspari, se parecem no essencial. Mais, talvez, do que gostariam. Convergiram para o centro, tornaram-se pragmáticos e cínicos no exercício do poder.
O efeito dessa hegemonia tucano-petista sobre o pensamento crítico foi devastador. Quantos radicais do nada, quantos Fla x Flus imaginários! Mas tudo sempre pode piorar. Em termos de degradação moral e miséria intelectual, nada supera hoje certos blogs politicamente aparelhados por PT e PSDB.
Farei como falou um dia Demétrio Magnoli: não direi seus nomes, assim como não jogo lixo na rua. O pequeno dândi que serve a Lula e o grasnador a serviço do serrismo são, no fundo, a mesma pessoa. Um não existe sem o outro. Funcionam, além disso, como seitas virtuais, mobilizando um restrito grupo de seguidores ruidosos que costuma mimetizar até jargões e cacoetes ofensivos dos gurus. É lamentável.
No caldeirão fervilhante desse parajornalismo rebaixado, é impossível discernir o que é engajamento, o que é negócio e o que é só lobby de si mesmo. PT e PSDB -tudo a ver.
” (links meus)

Hoje, há um desagravo de Demétrio Magnoli, citado por Fernando, na seção “Painel do Leitor” da Folha:

Blogs
“Na sua coluna de sábado, à página A2, Fernando de Barros e Silva opina sobre blogs de política e cita uma frase que usei em contexto distinto, tratando de outro tema. Ele não distorceu o que eu disse, mas no contexto usado a citação pode dar origem a interpretações equivocadas. Considero o blogueiro que ele classifica como “grasnador a serviço do serrismo” como um analista político que está a serviço apenas de suas próprias convicções. Eu o leio, concordando e discordando. Já o blogueiro que ele define como “pequeno dândi a serviço de Lula” não merece leitura pois não tem convicções, adaptando suas opiniões a seus interesses conjunturais.”
DEMÉTRIO MAGNOLI (São Paulo, SP)

***

O engraçado é que no dia seguinte, a Eliane Catanhêde resolveu tratar, bem de través, do mesmo assunto, lá na página de opinião da Folha:

(…)Como pano de fundo, a entrevista de José Dirceu à revista “Piauí”, em que ele releva antigas e sólidas divergências e elogia Serra como homem público e presidenciável. Neste momento, Dirceu deixou de lado o consultor e se reassumiu como um dos principais quadros políticos do país. Não foi descuido.
Os petistas e tucanos de internet, essas novas categorias do cenário político, irresponsáveis e agressivas, ficariam surpresíssimos se ouvissem a troca de elogios que Serra e ilustres lulistas trocam fora dos holofotes. Mas não seguiriam.
Aliás, nem compreenderiam.

***

Fico pensando se se trata de uma “vasta conspiração” do diário paulista contra os blogueiros que se trucidam ou apenas de um consenso que se formou na redação da Folha. Dá bem pra imaginar a Catanhêde tomando um cafezinho com o Fernando de Barros, os dois falando da política, do pau quebrando entre jornalistas que eles provavelmente conhecem, concordam no essencial e depois, cada um na sua mesa, escrevem sem querer sobre o mesmo consenso.

É claro que não sei se tudo se passou assim mesmo. Aliás suponho que essa minha visão de uma redação de jornal talvez ande meio datada, em um mundo onde os profissionais do ramo talvez escrevam suas peças no recôndito de seu lar. Sei lá, não sei como se organiza o jornalismo hoje em dia.

***

De qualquer forma, na mente um tanto perturbada de Reinaldo Azevedo, o resultado prático foi um post de agradecimento a Magnoli onde Tio Rei se equipara a Lee Marvin.

leemarvinra.jpg
Nem tanto.

***

Interessante, de qualquer forma, a alusão feita por Fernando de Barros às “seitas virtuais”. Pois às vezes não dá pra considerar o que acontece no blog de Tio Rei de outra forma. Eis, por exemplo, o primeiro comentário feito (por um “anônimo”) no post de agradecimento de Tio Rei a Magnoli que citei acima:

Hoje o blog está uma maravilha!

É em momentos como esse – quando o PT, do fundo do esgoto onde se encontra, tenta arrastar para lá gente de bem – que se percebe a importância de Reinaldo na defesa do que nos resta de democracia.

Só ele reúne todas as condições para essa tarefa:

a) a inteligência e a experiência para distinguir a realidade escondida pelos disfarces e truques dos malfeitores;

b) a coragem para expor à luz do sol essa realidade;

c) o talento para fazer a exposição de maneira clara, num estilo vivo e atraente que prende o leitor e o faz entender o que se passa;

d) a credibilidade que faz com que seus leitores creiam no que diz;

d) o fato de contar com um meio moderno e eficiente de divulgação – o blog mais influente do país.

Outros jornalistas possuem algumas dessas condições, mas nenhum, que eu conheça, as tem todas.

Eu mesmo posso servir de exemplo para mostrar como é importante o papel de Reinaldo.
Embora tenha curso superior e seja leitor diário de jornais e revistas (além de livros, é claro), confesso que, pelo fastio provocado pela política nacional, provavelmente não teria tido paciência para examinar mais a fundo o caso dos cartões. Como a imprensa diz que o governo de Serra também usa cartões corporativos para gastos abusivos, minha tendência seria acreditar nisso.
Mas Reinaldo mostrou que não é assim, e acredito no que ele diz.

Vou lhes dizer com toda sinceridade: eu teria vergonha de ter um blog onde os leitores escrevessem coisas assim.

Sincronicidade é isso aê.  No Washington Post:

Why It Was Called ‘Water Torture’
By Richard E. Mezo
Sunday, February 10, 2008; Page B07

Last week, much to my dismay, government officials testified before Congress that the United States has used the interrogation technique known as waterboarding and would like to hold out the option of using it in the future. As someone who has experienced waterboarding, albeit in a controlled setting, I know that the act is indeed torture. I was waterboarded during my training to become a Navy flight crew member. As has been noted in The Post and other media outlets, waterboarding is “real drowning that simulates death.” It’s an experience our country should not subject people to.

(…)Waterboarding has, unfortunately, become a household word. Back then, we didn’t call it waterboarding — we called it “water torture.” We recognized it as something the United States would never do, whatever the provocation. As a nation, we must ask our leaders, elected and appointed, to be aware of such horrors; we must ask them to stop the narrow and superficial thinking that hinges upon “legal” definitions and to use common sense. Waterboarding is torture, and torture is clearly a crime against humanity.

The writer, who served in the Navy for six years, teaches at Germanna Community College’s Fredericksburg Campus.

watertorture.jpg

Após a admissão por parte da CIA, semana passada, de que o “waterboarding” de fato é utilizado como técnica de interrogatório na guerra contra o terror, uma fonte da Agência veio a público dizer que o “waterboarding” não podia ser considerado como uma técnica de tortura, visto que é empregado no treinamento de “dezenas de milhares” de pilotos navais e da força aérea americana. Acrescentou, candidamente, que nesse treinamento “não se mutila” nem “se sodomiza” os soldados, contribuindo de forma didática para esclarecer algumas declarações anteriores de seu grande chefe.

Evidentemente, porém, os pilotos americanos são treinados para resistir ao “waterboarding” justamente porque essa é uma das técnicas de tortura que, antecipa-se, um inimigo pode tentar utilizar contra os soldados americanos. Nada impediria, de fato, que o comando das forças armadas resolvesse dar um passo além e decidir que seria importante que os bravos rapazes do Exército passassem a ser treinados, também, para, hum, “resistir à sodomia”. Afinal, trata-se apenas de uma decisão administrativa interna, e não de uma questão de ética.

O fato de que um contingente dos soldados que se alistam voluntariamente nas Forças Armadas estão dispostos a enfrentar este treinamento não quer dizer que esse seja um padrão de comportamento aceitável para a população como um todo. Quer dizer, apenas, que há um processo de auto-seleção nas Forças Armadas dos EUA que faz com que essa organização encare uma técnica de tortura como algo natural e familiar.

***

Tanto o o ministro metodista e teólogo William Schweiker, no ensaio “Baptism by Torture“, quanto o historiador Henry Kamen, em seu livro “The Spanish Inquisition“, mostram que o “waterboarding” era usado já na Inquisição Espanhola. De fato, a “tortura del agua“, pela sua similaridade com a cerimônia do batismo, tinha profundo significado teológico para os inquisidores. Portanto, vemos que o oficial da CIA pode acabar matando dois coelhos com uma só cajadada: não só isentar a CIA do uso da tortura, como também a Igreja Católica _ pois como todos nós sabemos, a Inquisição foi fichinha perto das atrocidades sans-cullotes-leninistas-stalinistas-hitleristas-de-esquerda. É até possível que suas vítimas não vissem muita diferença entre uma coisa e outra, se chamadas a opinar, mas, que diacho, os inquisidores eram bons no que faziam.

Deu na Folha de São Paulo:

Idioma emperrou negociações na Rússia, diz JobimDA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O ministro Nelson Jobim culpou a dificuldade com o idioma pela falta de entendimento com os russos na viagem encerrada sem acordo na quarta.
Jobim viajou à França e à Rússia para discutir a construção de um submarino de propulsão nuclear brasileiro, a compra de caças para a Aeronáutica e a instalação de fábrica de blindados no Brasil. “Não tivemos tanta fluidez na conversa.” Outro obstáculo, disse, foi sobre a transferência de tecnologia.

***

Espero sinceramente que o Ministério da Defesa e o seu Comando da Marinha exibam um pouco mais de competência quando finalmente tiverem em mãos um submarino nuclear…

No Painel da Folha de hoje:

O doce da Vale

No esforço para vencer a resistência do governo Lula a seu projeto de comprar a anglo-suíça Xstrata, a Vale do Rio Doce resolveu fazer o que há muito tempo lhe é pedido: anunciar um investimento de monta e não-extrativista no Pará, Estado onde a empresa concentra suas atividades do chamado sistema norte (Carajás). Trata-se de um antigo pleito do governo local, agora encampado pelo Palácio do Planalto.
O objeto do desejo da governadora Ana Júlia (PT), assim como de seu antecessor tucano, é uma siderúrgica, mas a mineradora alega que entrar nesse ramo significaria competir com seus clientes. Como alternativa, a Vale pretende instalar ali uma fábrica para produção de equipamento ferroviário.

Comé que é?  Uma fábrica de equipamento rodoviário no coração da floresta amazônica?

Tudibom!

Raramente vou lá no FYI sem encontrar um motivo para sorrir.  Como tive que ir lá para escrever o post abaixo, encontrei esta pérola:

Pior inverno em 50 anos isola centro econômico na China

Snow slams China; half million stranded at train station

Bem, a maioria dos blogs e sites que discutem aquecimento global a sério já montaram FAQ’s para lidar com estes casos de “serial denying“.

O Grist tem um especialmente bom, que dá esta resposta ao tipo de argumento pouco sofisticado que o Paulo apresenta:

(Part of the How to Talk to a Global Warming Skeptic guide)

Objection: It was way colder than normal today in Wagga Wagga, proof that there is no global warming.

Does this even deserve an answer? If we must …

Answer: The chaotic nature of weather means that no conclusion about climate can ever be drawn from a single data point, hot or cold. The temperature of one place at one time is just weather, and says nothing about climate, much less climate change, much less global climate change.
 Pois é.

blococarnavalescodaarquidiocesederecife.jpg

Bloco carnavalesco da Arquidiocese de Olinda e Recife

Deu no Globo:

Pílula do dia seguinte gera crise entre Prefeitura de Recife e a igreja

RECIFE – Polêmica em Recife. A prefeitura da capital resiste à pressão da Igreja Católica e informa que vai manter a iniciativa de disponiblizar a pílula do dia seguinte para mulheres que tenham mantido relações sexuais durante o carnaval sem camisinha ou que tenham sofrido estupro. Duas prefeituras de Pernambuco vão distribuir o medicamento, mas a Pastoral de Saúde da Arquidiocese de Olinda e Recife considera a medida promíscua, quer vetá-la e promete ir até à justiça se as autoridades não desistirem da iniciativa. A Pastoral tem reunião programada para a tarde desta quarta-feira para voltar a discutir o assunto.

E mais:

– É uma decisão criminosa porque fere todos os princípios de defesa da vida e da sua concepção. A gente entende que a vida tem início a partir da fecundação. A prefeitura tem que orientar a população a não tomar esse caminho de cultura da morte – disse Vandson Holanda, da Pastoral da Saúde.

***

Acho que chega daquele discursinho safado de que a Igreja quer apenas orientar os seus fiés, tão caro a anaeróbicos carolas.  É evidente que a Arquidiocese de Olinda e Recife tem dificuldade de conviver com um Estado laico, que não aceita suas opiniões como ordem divina e natural das coisas.  A Arquidiocese de Olinda e Recife gostaria de ver triunfar a lei de Deus em Pernambuco, o que é a mesma coisa que dizer que ela gostaria de uma sharia só pra ela.

novocomplexopf.jpg

(clique para ampliar)

Hoje no Correio Braziliense, uma matéria sobre a nova sede da Polícia Federal.  A sede da autarquia deixará o prédio que hoje a abriga (conhecido em Brasília como o “Máscara Negra”, tristemente famoso no tempo do regime militar) e aportará em um novo complexo constituído por 4 torres de 17 andares.  A matéria não traz o quanto custará a novidade.

Bem, tudo bem, não serei eu a discutir que organizações como a PF precisam de fato de boas condições de trabalho, instalações condizentes, etc.  A reportagem diz que no complexo haverá um estande de tiro, salas de treinamento, academia de ginástica e musculação, aulas de defesa pessoal etc.

O que me deixou pasmo foi o seguinte.  As quatro torres terão nomes retirados da mitologia grega.  A primeira se chamará Athena, representando a sabedoria, e abrigará o gabinete do diretor geral e das demais diretorias.  A segunda, Ícaro, representará a ousadia e a coragem e será ocupada pela área-meio.  A terceira será batizada de Artemis, a deusa da caça, representando “a atitude incasável da perseguição criminal”, abrigará os departamentos operacionais.  Finalmente, a quarta torre abrigará as áreas de investigação e inteligência, e se chamará…Aquiles (sic).

O que mostra, penso, que o calcanhar de Aquiles da Polícia Federal continua sendo o seu departamento de criação.

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(Dados do MS; valor de 2007 referente ao período jan-nov) 

No post “Herança Maldita“, o comentarista Xtrmntr Bill, doublê de trollzinho e pulga de “reservoirs dog” do grupo Abril, me cobrou dados atualizados sobre a dengue no Brasil, pois segundo ele “Salvo engano, este governo já está há cinco anos no poder e, hoje, estamos com o maior surto de dengue dos últimos anos“.

Bom, como vemos, os anos FHC contrataram e entregaram uma epidemia de dengue do tamanho de um bonde.  E a menos que dezembro de 2007 tenha sido realmente um mês desastroso, o número de casos de dengue, ainda que em alta nos últimos anos do lulato, não vai ser maior do que o número de casos registrado em 2002.  Logo nosso troll Bill, pulga de “reservoirs dogs” do grupo Abril, está enganado.

Algumas semanas atrás fez furor na blogoseira norte-americana um artigo de dois sociólogos da Universidade de Oxford intitulado “Engineers of Jihad“.  Abstract:

We find that graduates from subjects such as science, engineering, and medicine are strongly overrepresented among Islamist movements in the muslim world, though not among the extremist Islamic groups which have emerged in Western countries more recently. We also find that engineers alone are strongly over-represented among graduates in violent groups in both realms. This is all the more puzzling for engineers are virtually absent from left-wing violent extremists and only present rather than over-represented among right-wing extremists. We consider four hypotheses that could explain this pattern. Is the engineers’ prominence among violent Islamists an accident of history amplified through network links, or do their technical skills make them attractive recruits? Do engineers have a ‘mindset’ that makes them a particularly good match for Islamism, or is their vigorous radicalization explained by the social conditions they endured in Islamic countries? We argue that the interaction between the last two causes is the most plausible explanation of our findings, casting a new light on the sources of Islamic extremism and grounding macro theories of radicalization in a micro-level perspective.

O Pedro Dória comenta a idéia central do artigo em um post.  Ele aduz um comentário de Hayek que eu não conhecia:

Engenheiros são fruto de uma educação que não os treina para compreender indivíduos e seu mundo como o resultado de um processo social no qual comportamento espontâneo e interações contribuem para o resultado final. O contrário: a educação do engenheiro o leva a crer que o controle racional de processos é desejável. Isso os leva a dificuldades com as causas confusas das realidades política e social e os inclinam a imaginar sociedades que deveriam operar ordenadamente como máquinas bem azeitadas. ‘Não surpreende’, sugere Hayek, ‘que algumas das mentes mais ativas dentre eles cedo ou tarde reajam violentamente por conta das deficiências de sua educação e desenvolvam o desejo de impor à sociedade uma ordem que não conseguem detectar.’”

Fiz o seguinte comentário por lá:

Dória,

Me desculpe, mas isso é babaquice.

Primeiro:

“Engenheiros são fruto de uma educação que não os treina para compreender indivíduos e seu mundo como o resultado de um processo social no qual comportamento espontâneo e interações contribuem para o resultado final.”

É um tanto espantoso que a compreensão do mundo como o resultado de um processo social precise de uma educação superior para frutificar na alma de um vivente.  Nesse caso, me parece que todo o resto desta pobre Humanidade que não teve acesso a uma graduação em Sociologia é constituída por mártires muçulmanos em potencial.

Segundo:

Uma olhada rápida na blogosfera brasileira de direita mostrará que a grande maioria dos blogueiros têm background em Humanidades.  A despeito disso, revelam uma compreensão do mundo tão ou mais tosca que o mais ardente dos homens-bomba de Allah _ gente que leu alguma besteira no site do Mises Institute e se transformou, por um passe de mágica, em um prêmio Nobel de Economia.

É claro que blogueiros da direita anaeróbica raramente, ou nunca, têm disposição para pegar em armas para defender causa alguma.  Mas vivem doidos para arrumar alguém que faça isso por eles, principalmente se esse alguém tiver como endereço um quartel.

Terceiro:

Acho que uma olhada na cena final de “Glory”, onde uma companhia inteira se atira àquilo que nenhum homem em sã consciência consideraria como uma missão com expectativa se sobrevivência, que dirá vitória, deveria ser o suficiente para relativizar um pouco essa mística do suicídio por uma causa como a marca registrada do atraso muçulmano.”

***

Teorias como essa, porém, são confortáveis, porque nos impedem de procurar as respostas onde elas provavelmente estão _ como o faz Jeffrey Sachs, por exemplo:

Crisis in the Drylands

The vast region of deserts, grasslands and sparse wood lands that stretches across the Sahel, the Horn of Africa, the Middle East and Central Asia is by far the most crisis-ridden part of the planet. With the exception of a few highly affluent states in the Persian Gulf, these dryland countries face severe and intensifying challenges, including frequent and deadly droughts, encroaching deserts, burgeoning populations and extreme poverty. The region scores at the very bottom of the United Nations’ Index of Human Development…

As a result of these desperate conditions, the dryland countries are host to a disproportionate number of the world’s violent conflicts. Look closely at the violence in Afghanistan, Chad, Ethiopia, Iraq, Pakistan, Somalia and Sudan-one finds tribal and often pastoralist communities struggling to survive deepening ecological crises. Water scarcity, in particular, has been a source of territorial conflict…

Washington looks at many of these clashes and erroneously sees Islamist ideology at the core. Our political leaders fail to realize that other Islamic populations are far more stable economically, politically and socially-and that the root of the crisis in the dryland countries is not Islam but extreme poverty and environmental stress.

The Washington mind-set also prefers military approaches to developmental ones. The U.S. has supported the Ethiopian army in a military incursion into Somalia. It has pushed for military forces to stop the violence in Darfur. It has armed the clans in the deserts of western Iraq and now proposes to arm pastoralist clans in Pakistan along the Afghan border. The trouble with the military approach is that it is extremely expensive and yet addresses none of the underlying problems. …

Fortunately, much better solutions exist once the focus is put squarely on nurturing sustainable development. Today many proven techniques for “rainwater harvesting” can collect and store rain for later use by people, livestock and crops. In some areas, boreholes that tap underground aquifers can augment water availability; in others, rivers and seasonal surface runoff can be used for irrigation.

Such solutions may cost hundreds of dollars per household, … far too much for the impoverished households to afford but far less than the costs to societies of conflicts and military interventions. The same is true for other low-cost interventions to fight diseases, provide schooling for children and ensure basic nutrition.

To end the poverty trap, pastoralists can increase the productivity of livestock through improved breeds, veterinary care and scientific management of fodder. … The wealthy states of the Middle East are a potentially lucrative nearby market for the livestock industries of Africa and Central Asia.

To build this export market, pastoralist economies will need help with all-weather roads, storage facilities, cell phone coverage, power, veterinary care and technical advice, to mention just a few of the key investments. With crucial support and active engagement of the private sector, however, impoverished dryland communities will be able to take advantage of transformative … technologies…

Today’s dryland crises in Africa and Central Asia affect the entire world. The U.S. should rethink its overemphasis on military approaches, and Europe should honor its unmet commitments of aid to this region, but other nations-including the wealthy countries of the Middle East and new donors such as India and China-can also help turn the tide. The only reliable way to peace in the vast and troubled drylands will be through sustainable development.”  (grifo meu)

(hat tip: Ratapulgo)

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E saiu a premiação do Darwin Awards de 2007.  Para quem não sabe, o prêmio se destina a _

“Honoring those who improve the species…by accidentally removing themselves from it!”

Daí o motto da organização:  “Die and learns”.

O meu predileto de todos os tempos é a história sobre o grupo de trabalhadores russos bêbados que entraram em uma espiral sem volta de competição de macheza, com cada um decepando um pedaço do corpo para mostrar que era o tal.  O vencedor foi um sujeito que em uma tentativa de ir além de tudo e todos arrancou a própria cabeça com uma serra elétrica.  Cheers!

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Museu Nacional de Segurança Máxima

A leitora Sueli reagiu dessa forma à minha insinuação, aparentemente insuportável para ela, de que a polícia e o estado de São Paulo deveriam preocupar-se mais com o acervo do MASP:

Só que como ladrão não liga para isso, dinheiro vai ter que ser gasto para proteger o acervo. Agora, por que o Estado que não pode evitar dezenas de milhares de mortes por ano deveria ainda se responsabilizar pelo patrimônio dos outros? Se o patrimônio é particular, “é bolsa-banqueiro”; se é público, o lugar dele é em um local do Estado sob vigilância do Estado. Agora, eu pago, o pessoal do MASP se diverte? Pior: o que o Serra tem a ver com isso? Já que os quadros são “patrimônio histórico da União” (o que é rebaixá-los muito, já que qualquer casebre velho pode virar patrimônio histórico) e, supondo que a União- ao contrário do governo estadual- não tenha nada melhor para fazer, talvez isso seja um trabalho para a Polícia Federal, as FFAA, a ABIN, etc. O contribuinte de São Paulo não tem dinheiro para financiar a irresponsabilidade no MASP.

Bem, não sei se ela é paulista ou não, mas ela toma as dores do contribuinte paulista de forma tão pungente que eu fiquei sensibilizado e resolvi criar uma campanha nacional para transferir o MASP para Brasília, tirando dos ombros do supracitado contribuinte este peso insuportável.

A transferência ainda teria dois benefícios adicionais:  primeiro, o de dar alguma razão de ser ao Museu Nacional fincado na Esplanada dos Ministérios, e, segundo, dar ao governo federal mais um pretexto para a volta da CPMF.

Avante, Sueli, conto com você nesta empreitada!

Deu no UOL:

Projeto quer que voluntariado conte em prova de título de concurso

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 914/07, do deputado Jorge Bittar (DEM-MG), que inclui o tempo de serviço voluntário entre as provas de títulos de concursos públicos.

Pela proposta, a atribuição de pontos aos candidatos será feita de forma proporcional ao tempo de serviço comprovado. Entretanto, o texto não estabelece como será feita a pontuação, mas apenas a obrigatoriedade de inclusão do item nos processos seletivos. Os critérios seriam definidos em cada edital, de acordo com o tipo de concurso.

O projeto será analisado pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, seguirá para votação em Plenário.

Minha opinião:

Acho extremamente contraprodutivo que continuem inserindo traquitanas como essa na metodologia de recrutamento e seleção para o serviço público, quando está em vigor um tipo de proibição que funciona como uma verdadeira “ação afirmativa” para os pouca-telha, que é a virtual interdição do uso de testes psicológicos para admissão no serviço público dado o alto percentual de contestações judiciais dos mesmos.

Minha experiência na administração pública sugere que a cada concurso há um número considerável de pessoas _ eu colocaria algo entre 5 e 10% _  sem condições reais de trabalhar no serviço público e que terminam encostadas, em absoluto desvio de função.

Por outro lado, é verdade que há abusos na aplicação dos testes, e só em 2002 o próprio Conselho Federal de Psicologia resolveu fiscalizar mais de perto a sua qualidade, o que gerou um site especializado na avaliação e certificação de testes psicológicos.  Não obstante acho que sua aplicação é defensável e desejável, desde que a atividade seja encarada seriamente.   É claro que sempre se corre o perigo de uma utilização dessa prática como uma defesa corporativa de uma profissão, razão pela qual deve haver uma instância de controle social de sua aplicação.

boatos sobre uma possível vinda do rali Paris-Dakar para a América do Sul _ talvez até para o Brasil, incorporando o rali dos Sertões.  Trecho:

Piloto brasileiro no Dacar, André Azevedo também aprova a realização do Dacar na América do Sul. “Acho muito bom poder ter um Dacar no Brasil. Se juntarmos Argentina, Chile e a Amazônia, nos locais onde não haja degradação do ambiente, acho que seria excepcional. Na comparação com a África e o Oriente, temos mais estabilidade política, e isso ajuda muito.”

Rali na Amazônia??  Tudibom.  Tinha que ser um Azevedo.

Bom, sobre a idéia, eu tenho a dizer o seguinte:  Continue lendo »

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We are a great governing race, predestined by our defects as well by our virtues, to spread over the habitable globe.

_ Joseph Chamberlain

“There does exist, and has existed for a generation, an international Anglophile network which operates, to some extent, in the way the radical Right believes the Communists act. In fact, this network, which we may identify as the Round Table Groups, has no aversion to cooperating with the Communists, or any other groups, and frequently does so. I know of the operations of this network because I have studied it for twenty years and was permitted for two years, in the early 1960’s, to examine its papers and secret records. I have no aversion to it or to most of its aims and have, for much of my life, been close to it and to many of its instruments. I have objected, both in the past and recently, to a few of its policies (notably to its belief that England was an Atlantic rather than a European Power and must be allied, or even federated, with the United States and must remain isolated from Europe), but in general my chief difference of opinion is that it wishes to remain unknown, and I believe its role in history is significant enough to be known.”

_ Carrol Quigley

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O Idelber me passou este link:

Dawkins to lecture in US Bible Belt

By Jonathan Brown

Published: 24 December 2007

Richard Dawkins, the scourge of pseudo-science, Christianity and homeopathy, is to step up his campaign for rational thinking with a series of high-profile lectures deep in the heart of the American Bible Belt. The Oxford University professor travels to the US next year as part of his battle to promote evolutionary theory in the face of a backlash against the concept in the world’s most-advanced industrial nation.He is to address a series of 2,000-seater venues in the American heartlands. The tour will coincide with the publication of his best-seller The God Delusion in paperback in the US in January and act as a prelude to a series of global events to mark the bicentenary of Charles Darwin in 2009.

Professor Dawkins has charities in his own name on both sides of the Atlantic to promote reason and science. He has said that it is in the US, where 50 per cent of the population believes the universe is less than 10,000 years old, that the Enlightenment is most threatened.

However, he said he did not expect audiences to be too tough on his atheist beliefs and that many thanked him for speaking out. “The Bible Belt is a lot less monolithic than it portrays itself. I have a feeling that there is rather a large groundswell of people who agree with me,” he said.

Não pude deixar de estabelecer o paralelo entre essa ida do Dawkins ao Bible Belt para falar de ateísmo e da volta de Benazir Bhutto ao Paquistão. Vá que de repente algum bible thumper resolve proporcionar a Dawkins a experiência de descobrir pessoalmente se Deus existe ou não existe mesmo, e o biólogo acaba virando o primeiro santo ateu de que se tem notícia.

***

E eu nem tinha percebido a aproximação do bicentenário de Darwin em 2009. A coisa vai pegar fogo!

Quem sabe os blogueiros que tem um pé no Enlightenment podiam fazer uma blogagem coletiva sobre isso…

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O Guardian instalou uma brincadeirinha interativa que te permite criar uma retrospectiva customizada do ano de 2007 (bem, mais ou menos).

Brincando com ela eu descobri que há uma alta correlação entre o preço das ações do Northern Rock, uma das primeiras vítimas do estouro da bolha das hipotecas, e a colocação alcançada pela cantora Rihanna no Top 40 britânico.

Ninguém segura a Estatística.

Manchete achada em buscas randômicas na Internet:

Anglicans Prepare for More Homosexual Battles

Os padres anglicanos sempre foram bem mais sinceros que os católicos.

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