Tem uma matéria do Sergio Leo no Valor de hoje sobre as turras entre EUA e Brasil por causa do Haiti.  O tom é conciliador:

BRASÍLIA – ” Lula, you call me ” (Lula, me ligue), pediu o presidente do EUA, Barack Obama, ao despedir-se do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no telefonema de cerca de quinze minutos que tiveram ontem, para coordenar as ações das equipes brasileiras e americanas no Haiti. Ficou estabelecida uma linha direta informal entre os dois governos, para evitar que desentendimentos entre as equipes no trabalho de segurança e assistência humanitária atrapalhem a intenção das autoridades dos dois países de mostrar a ação no Haiti como um exemplo de ação positiva de ação conjunta na região.

(…)

O telefone serviu para apagar o desconforto provocado por incidentes como a demora na liberação de pouso para aviões brasileiros no Haiti, na semana passada, e as recentes declarações do comandante das tropas dos EUA no Haiti, general Ken Keen, a um programa de TV, na qual o militar americano disse que o Comando Sul dos EUA cuidaria da segurança no Haiti, ” um componente crítico ” . Manter a segurança e paz no Haiti é um mandato da Minustah.”

Meu problema é com este trecho onde se mostra a opinião da diplomacia brasileira:

Obama ouviu outra preocupação brasileira: contra as avaliações de que não há mais Estado no Haiti, o Brasil defende que as ações de socorro à população e de reconstrução sejam realizadas com a participação do presidente haitiano, René Préval. Há um Estado muito fraco no Haiti, mas isso não pode servir de pretexto para ignorar os esforços de construção de instituições, abalado pelo terremoto, argumentam os auxiliares de Lula.”

Que me perdoem os diplomatas, mas hoje já faz mais de uma semana que tem gente sem casa, sem comida e possivelmente sem água potável no Haiti.  Tudo tem seu tempo, mas seguramente agora não é hora de construir instituições, e sim abrigos.

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