Alguns pensamentos esparsos sobre a situação no Haiti:

Prevejo a possibilidade de que o Brasil _ principalmente os militares e o Itamaraty _ reaja mal ao esforço norte-americano no Haiti.

A resposta norte-americana promete ser massiva, e, diante da capacidade relativa entre os EUA e a ONU _ para não falar do Brasil _ promete apequenar nossa atuação lá.  No caso, para o bem do povo haitiano, penso.

O que importa é ter em mente que esta resposta não tem nada a ver com o Brasil diretamente.  Ela é uma necessidade política decorrente de alguns fatos:

a) é importante para os EUA e principalmente para Obama mostrar que sua atuação no ultramar não consiste inteiramente no despejo de bombas sobre lugares exóticos.  Como, diferentemente do Iraque e do Afeganistão, no Haiti o desastre teve causas naturais, este é o palco ideal para a administração democrata mostrar sua versão do que é um state-building digno desse nome.

b) um dos mais bem orçamentados programas da guarda costeira norte americana, adivinhem, diz respeito a evitar que boat people do Haiti deixem a ilha para chegar aos EUA _ ilegalmente, é claro.  Parece que milhares fazem isso todo ano.  Por este motivo é que um cutter da guarda costeira foi a primeira embarcação estrangeira a chegar a Port au Prince horas depois do desastre _ porque ele já estava por lá.  Agora, se essa imigração atinge esta magnitude em tempos normais, imagine em tempos de catástrofe.

c) disputa geoestratégica.  Brasil e EUA não são o único jogador neste tabuleiro.

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UPDATE:

Eu te disse, eu te disse