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Em uma interessante reviravolta,  Scott McLemee do Crooked Timber mostra que a narrativa de Pat Robertson, ainda que violentada por um ponto de vista profundamente anaeróbico, contém um grão de verdade.

Relendo “The Black Jacobins: Toussaint L’Ouverture and the San Domingo Revolution” de C.L.R. James, um livro escrito em 1938, Scott mostra que os escravos organizaram a revolta contra os franceses sob o disfarce de rituais religiosos de Vodu, mais ou menos da mesma forma que os escravos brasileiros faziam:

Voodoo was the medium of the conspiracy. In spite of all prohibitions, the slaves travelled miles to sing and dance and practice the rites and talk; and now, since the revolution [in France], to hear the political news and make their plans. Boukman, a Papaloi or High Priest, a gigantic Negro, was the leader. He was the headman of a plantation and followed the political situation both among the whites and among the Mulattoes. (…)

Carrying torches to light their way, the leaders of the revolt met in an open space in the thick forests of the Morne Rouge, a mountainside overlooking Le Cap. There Boukman gave the last instructions and, after Voodoo incantations and the sucking of the blood of a stuck pig, he stimulated his followers by a prayer spoken in creole which, like so much spoken on such occasions, has remained. “The god who created the sun which gives us light, who rouses the waves and rules the storm, though hidden in the clouds, he watches us. He sees all that the white man does. The god of the white man inspires him with crime, but our god calls upon us to do good works. Our god who is good to us orders us to revenge our wrongs. He will direct our arms and aid us. Throw away the symbol of the god of the whites who has so often caused us to weep, and listen to the voice of liberty, which speaks in the hearts of us all.” The symbol of the god of the whites was the cross which, as good Catholics, they wore around their necks.” [grifo meu]

Como lembra Scott, o deus dos escravos não era, é claro, o Diabo, já que eles não comungavam da crença cristã.  Não que isso interesse a Pat Robertson, porém.

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Alguns pensamentos esparsos sobre a situação no Haiti:

Prevejo a possibilidade de que o Brasil _ principalmente os militares e o Itamaraty _ reaja mal ao esforço norte-americano no Haiti.

A resposta norte-americana promete ser massiva, e, diante da capacidade relativa entre os EUA e a ONU _ para não falar do Brasil _ promete apequenar nossa atuação lá.  No caso, para o bem do povo haitiano, penso.

O que importa é ter em mente que esta resposta não tem nada a ver com o Brasil diretamente.  Ela é uma necessidade política decorrente de alguns fatos:

a) é importante para os EUA e principalmente para Obama mostrar que sua atuação no ultramar não consiste inteiramente no despejo de bombas sobre lugares exóticos.  Como, diferentemente do Iraque e do Afeganistão, no Haiti o desastre teve causas naturais, este é o palco ideal para a administração democrata mostrar sua versão do que é um state-building digno desse nome.

b) um dos mais bem orçamentados programas da guarda costeira norte americana, adivinhem, diz respeito a evitar que boat people do Haiti deixem a ilha para chegar aos EUA _ ilegalmente, é claro.  Parece que milhares fazem isso todo ano.  Por este motivo é que um cutter da guarda costeira foi a primeira embarcação estrangeira a chegar a Port au Prince horas depois do desastre _ porque ele já estava por lá.  Agora, se essa imigração atinge esta magnitude em tempos normais, imagine em tempos de catástrofe.

c) disputa geoestratégica.  Brasil e EUA não são o único jogador neste tabuleiro.

***

UPDATE:

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