Vai Glamurosa
Cruze os braços no ombrinho
Lança ele prá frente
E desce bem devagarinho…

Dá uma quebradinha
E sobe devagar
Se te bota maluquinha
Um tapinha eu vou te dar
Porque:

Dói, um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Um tapinha não dói
Só um tapinha…

Em seu cabelo vou tocar
Sua bôca vou beijar
Tô visando tua bundinha
Maluquinho prá apertar..

Essa é a letra do funk carioca “Um Tapinha Não Dói”, do Furacão 2000.  É que isso foi a única coisa que me veio à mente ao ler este trecho de um post “vermelho e azul” do Tio Rei, comentando o texto do Manifesto do “Comitê Contra a Anistia aos Torturadores”:

O Brasil é o único país da América Latina que ainda não julgou criminalmente os carrascos da ditadura militar e é de rigor que seja realizada a interpretação do referido artigo para que possamos instituir o primado da dignidade humana em nosso país.

Há nessa consideração uma fraude intelectual de base. Comparar as chamadas vítimas da “ditadura militar” brasileira com os horrores cometidos na Argentina ou no Chile é arte da trapaça histórica. A população chilena corresponde a menos de um décimo da brasileira, e se estimam em 3 mil os mortos pelo regime de Pinochet. A ditadura argentina matou 30 mil (!!!) pessoas para um quinto da nossa população. No Brasil, os mortos, dando crédito a tudo o que dizem as esquerdas, somam 427. Não! Não estou achando que é pouca gente. Mas aí se encontram tanto os que morreram de arma na mão quanto os que foram vítimas da brutalidade do estado. De todo modo, resta evidente que se trata de processos diferentes.

Como diferente foi a transição da ditadura para a democracia. Os militares brasileiros foram infinitamente menos brutais do que seus pares latino-americanos e também muito mais políticos.(…)

Ah, entendi.  Porra, meu, lá no Chile e na Argentina a repressão matou muito mais gente do que aqui.  Isso faz com que o IRM _ Índice de Repressão Média(*) _ seja baixíssimo no Brasil.

E a tortura então?  Nosso Índice de Tortura, Violência Gratuita e Estupro Básico Médio (ITVGEBM)(*) é super baixo perto do vigente nos nossos hermanos do Cone Sul.

Inclusive, o nosso IOMPA _ Índice de Ocupação Médio de Pau de Arara(*) _ também é muito menor do que o de lá.

Isso significa que nosso IMBM _ Índice Médio de Brutalidade Militar(*) _ seja, igualmente, um numeruzinho bem mais pequenininho.

Tenho certeza de que se Tio Rei um dia tivesse tido o prazer de frequentar algum dos calabouços do DOI-CODI, e ainda por cima tivesse sido escolhido pelos deuses para ter a sorte de receber o tratamento completo que aquelas instalações permitiam oferecer aos seus convidados, se sentiria hoje extremamente gratificado por saber que todos os choques, cacetadas, curras, socos e pontapés que recebeu na prisão foram, afinal, apenas um “ponto fora da curva”.

(*) estes índices todos estão sendo patenteados pela Fundação Hermenauta de Segurança Nacional.