Quando fiz 15 anos, meu pai me deu uma luneta, daquelas de tripé.  Não era um telescópio, e nem tinha espelho refletor, mas quebrava o maior galho, pelo menos no Rio de Janeiro dos anos 70, que ainda não tinha o grau de poluição atmosférica e luminosa que tem hoje.

Me lembro como se fosse hoje da minha emoção ao focalizar, no aparelho, a silhueta de Júpiter, e avistar nitidamente, além das faixas de gases sibilantes e a Grande Mancha que caracterizam sua atmosfera, as quatro principais luas de Júpiter.

[sim, eu era um nerd que usava a luneta para perscrutar os astros e não as vizinhas]

Pois hoje, no dia 7 de janeiro de 2010, fazemizeram 400 anos que Galileu elevou sua luneta aos céus e viu os referidos astros pela primeira vez na história da Humanidade (embora as duas luas mais brilhantes possam ser vistas a olho nu, se Júpiter for coberto).  O astrônomo pisano-florentino registrou suas descobertas no livro Sidereus Nuncius e no processo esmagou de uma vez por todas vários dogmas da Igreja da época.

Interessante que Galileu tenha dedicado a descoberta à família Medici, seus mecenas, e tenha chamado as quatro luas de “luas mediceanas”.  A despeito dessa fraqueza, que tinha a ver com os cobres, a posteridade legou a Galileu a distinção de batizar as quatro luas pelo nome “galileanas”, em sua homenagem.

Resistindo à tentação de batizar as quatro luas com os nomes dos quatro irmãos Medici (tal como queriam alguns astrônomos da época), a posteridade seguiu o conselho de Simon Marius, competidor de Galileu, que batizou as quatro luas com os nomes de amantes de Júpiter na mitologia clássica (Io, Europa, Calisto e Ganimedes), resolvendo assim que o astro ficaria bem acompanhado pelo resto da Eternidade.

O blog The Gish Bar Times está fazendo uma boa cobertura da descoberta das luas galileanas.

Anúncios