Matéria do Valor de dezembro de 2009, após a compra da Casas Bahia pelo Pão de Açúcar,  ajuda a entender a situação do Casino:

O Casino ocupa apenas o quinto lugar entre as redes da França, atrás do Carrefour, Auchan, Leclerc e Intermarché, e a 28ª posição entre as maiores redes do mundo. Na Europa, a rede é a 10ª maior cadeia.

As vendas líquidas do Casino totalizaram € 28,7 bilhões em 2008 e a sua divisão internacional respondeu por 35% da receita líquida no ano passado. O Carrefour, a maior cadeia da Europa, fechou 2008 com vendas líquidas consolidadas de € 87 bilhões e havia conquistado o título de maior varejista no Brasil em 2007, com a aquisição da rede popular de atacado Atacadão, mas perdeu esse posto agora para o seu concorrente francês.”

Com seus mercados já saturados pela concorrência, enfraquecidos pela crise e com dificuldades estruturais de crescimento (devido à dinâmica demográfica européia), as grandes varejistas dos países centrais vêem os mercados dos países emergentes como a grande opção de crescimento de receitas e lucros. Assim, eu duvido que o Casino não exerça sua opção de arrematar o restante do Pão de Açúcar em 2012.

Outra matéria explica o acordo entre a família Diniz e o grupo francês:

Família Diniz vai dividir controle do Pão de Açúcar com o Casino

Negócio que amplia participação do grupo francês na CDB para 50% envolve R$ 1,5 bilhão

Pelo acordo divulgado na última quarta-feira pela Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) com o grupo francês Casino, o empresário Abílio Diniz receberá US$ 400 milhões ou mais de R$ 1 bilhão do grupo francês para compartilhar o controle do grupo brasileiro. O valor, segundo a empresa, será investido imediatamente no Grupo Pão de Açúcar. Outros US$ 300 milhões são referentes ao recebimento de 12,5 bilhões de ações preferenciais da CDB, que eram do Casino, e mais US$ 200 milhões em títulos conversíveis em ações do Casino. Os recursos devem chegar ao país em no máximo 30 dias. De acordo com os entendimentos, os dois grupos terão, cada um, 50% do controle de uma empresa holding, que por sua vez será a controladora direta da CBD. O acordo de acionistas prevê ainda que após oito anos da assinatura, o grupo Casino terá a opção de assumir o controle acionário da empresa. Caso o Casino eleja essa opção, o acordo de acionistas determina que o comando da gestão permanecerá com Abílio Diniz.

Isso foi fruto de uma guerra familiar travada no seio da família Diniz nos anos 80, razoavelmente bem contada nesta laudatória matéria da Veja.  Após a briga com seus irmãos pelo controle da empresa, Abílio emergiu como o senhor inconteste do negócio, mas teve que realizar um doloroso downsizing da empresa para viabilizar sua sobrevivência.  No processo, terminou associando-se ao grupo Casino, que colocou muito dinheiro no negócio, em 1999.

Provavelmente, a briga entre Abílio e seus irmãos, além das sequelas familiares, deixou lições.  Prova-o o fato de que a maioria dos 4 filhos de Abílio não têm lá grande participação na empresa, preferindo tocar seus próprios negócios.  Talvez já antevendo a chegada dos franceses em 2012.

A matéria inicial na íntegra, para os sem-Valor, abaixo do folder.

Nova Casas Bahia reforça liderança do francês Casino na América Latina

Claudia Facchini, de São Paulo

11/12/2009

O Groupe Casino agendou com os analistas de investimentos na Europa uma reunião em Paris para explicar, entre outros assuntos, a fusão no Brasil das operações da Casas Bahia com o Ponto Frio, na qual o Pão de Açúcar terá 51% de participação. O encontro, iniciado ontem à tarde, se estenderá até amanhã. O controle do Pão de Açúcar é dividido ( 50% e 50%) entre o Casino, comandado por Jean-Charles Naouri, e o empresário Abilio Diniz desde 2005.

A criação da Nova Casas Bahia, que além do Ponto Frio agrega as operações do Extra Eletro, foi bem recebida pelos analistas que acompanham as ações do francês Casino. A operação reforça sua posição de maior varejista na América Latina e coloca-o à frente na região das duas gigantes mundiais, Walmart e Carrefour.

O Casino ocupa apenas o quinto lugar entre as redes da França, atrás do Carrefour, Auchan, Leclerc e Intermarché, e a 28ª posição entre as maiores redes do mundo. Na Europa, a rede é a 10ª maior cadeia.

As vendas líquidas do Casino totalizaram € 28,7 bilhões em 2008 e a sua divisão internacional respondeu por 35% da receita líquida no ano passado. O Carrefour, a maior cadeia da Europa, fechou 2008 com vendas líquidas consolidadas de € 87 bilhões e havia conquistado o título de maior varejista no Brasil em 2007, com a aquisição da rede popular de atacado Atacadão, mas perdeu esse posto agora para o seu concorrente francês.

Em seu relatório sobre os resultados do Casino no terceiro trimestre, os analistas do Deutsche Bank já apontavam para o “sólido desempenho internacional do grupo, que compensou os fracos números na França”.

“Acreditamos que o acordo [fusão da Casas Bahia com o Ponto] é um saudável movimento estratégico do grupo Pão de Açúcar, ao criar uma varejista líder em não-alimentos, segmento com forte taxa de crescimento no Brasil”, diz o analista da gestora Chevreux, em seu relatório sobre a operação. O negócio enfatiza o forte portfólio de operações internacionais do Casino, que são “bem administradas”.

Além do Brasil, o Casino controla a rede Exito, maior varejista da Colômbia, e a Big C, na Tailândia. Na América Latina, o grupo também possui operações na Argentina, Uruguai e Venezuela. O Casino está presente ainda na Holanda e no Vietnã.

A consolidação da Casas Bahia vai agregar R$ 13,9 bilhões às vendas brutas anuais do Grupo Pão de Açúcar, ou o equivalente a cerca de € 5,5 bilhões. Somada à receita do Ponto Frio e a rede Extra Eletro (Pão de Açucar), a nova empresa que vai nascer dessa aliança terá um faturamento de R$ 18,1 bilhões, ou cerca de € 7,2 bilhões.

No terceiro trimestre deste ano, as vendas do casino ficaram abaixo das expectativas de alguns analistas, com uma queda de 1,4% sobre igual trimestre de 2008. A receita somou € 7,1 bilhões. Na França, as vendas caíram 5,3%, para € 4,45 bilhões, mas a divisão internacional apresentou um crescimento de 6% na receita, que totalizou € 2,62 bilhões no terceiro trimestre.

Na França, a varejista não apresentou uma melhora em relação ao primeiro semestre de 2009 e até houve uma deterioração dos resultados se comparados aos obtidos no segundo trimestre.

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