E a gafe do Boris Casoy??

Errei mesmo, falei bobagem”, diz Boris Casoy após gafe

DIÓGENES MUNIZ

O âncora da Band Boris Casoy lamentou nesta sexta-feira (1º) as ofensas proferidas a garis que apareciam na edição de Réveillon de seu telejornal noturno. A gafe foi cometida após o “Jornal da Band” mostrar imagens de lixeiros desejando felicidades aos telespectadores da emissora.

Sem saber que o áudio estava sendo transmitido, Casoy comentou: “Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho”.

O vídeo caiu na internet algumas horas depois e foi repudiado por internautas.

“Foi um erro. Vazou, era intervalo e supostamente os microfones estavam desligados”, disse, em conversa com aFolha Online por telefone. “Errei mesmo. Falei uma bobagem, falei uma frase infeliz. E vou pedir desculpas.”

Casoy é conhecido pelo bordão “Isso é uma vergonha”.

Já foi âncora no SBT durante nove anos (“TJ Brasil”), na Record, de 1997 a 2005 (“Jornal da Record” e “Passando a Limpo”) e na TVJB (ex-rede CNT).

Atualizado às 19h50: Casoy reiterou no telejornal desta sexta que a frase foi “infeliz” e pediu “profundas desculpas aos garis e aos telespectadores“.

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Como diz a minha sogra, “depois que inventaram as desculpas, ninguém mais apanha“.

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A Wikipedia tem uma notícia biográfica de Casoy:

Último dos cinco filhos de imigrantes judeus russos que chegaram ao Brasil em 1928, Boris adquiriu poliomielite ao completar um ano de vida, junto com sua irmã gêmea. Na época não existia vacina. A doença deixou seqüelas físicas, mas a marca maior foi a psicológica, gerada pela discriminação na infância. Até os nove anos, Casoy praticamente não podia andar. Com essa idade, ele foi operado nos EUA e recuperou os movimentos. “Como não podia andar, era um grande ouvinte de rádio, admirava aquele milagre da transmissão da voz”, contou em entrevista ao site Amputados Vencedores.”

Bacana, a história dele.  Uma história de luta contra a discriminação.  Quem diria.

O interessante é que as profissões de gari e jornalista (ao menos o de pendores investigativos) comungam de um mesmo ideal: limpar a sujeira alheia.

Mas me parece que a despeito da opinião do Casoy nessa seara o gari mediano costuma fazer um trabalho melhor do que o de boa parte da imprensa.

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