E fazendo minha ronda habitual pelo fringe anaeróbico, como um Aragorn da blogoseira pátria, eis que vejo Pedro 7 Câmara, um blogueiro anaeróbico que, reconheço, vem melhorando nos últimos anos (afora certos deslizes), bem, o Pedro, após um post bem razoável sobre o papel da imprensa em dar vazão imediata a certas aleivosias, vem perguntar-se o seguinte:

E também cabe perguntar como isso respingará em Lula aos olhos do povo. Porque é claro que o presidente não pode ir à TV dizer coisas como “não sou estuprador”. Mais ainda, cabe perguntar o que mais César Benjamin et catervasabem. E, o que mais me interessa, admito, perguntar se esse evento não marca o início de uma implosão da esquerda. Abrindo-se a caixa preta, ou a caixa de Pandora, não vai restar esperança nenhuma no fundo, e não porque o medo a tenha vencido.” [grifo meu]

Sette: Is there no beginning to your talents?

Porque, veja bem, em matéria de implosão, uma Igreja liderada por um ex-nazista, cheia de padres que comem criancinhas sem ao menos serem comunistas já deveria ter implodido há muito tempo.  Nem por isso a magna instituição deixou de contar com a admiração e apoio do Pedro, ao que eu saiba.

***

Quanto à história do César Benjamin, achei um texto dele de 2003 intitulado “A verdadeira herança maldita” que contém o seguinte parágrafo:

Os discursos do presidente Lula são pérolas de conservadorismo. Tudo o que ele diz é o seguinte: “esperem para me julgar ao fim de quatro anos”, quando ele tinha que dizer: “mobilizem-se para mudar o Brasil”. Ele tinha que ser um instrumento da mudança junto com o povo, mas é um instrumento da passividade. Está a serviço da idéia da nossa fraqueza, da idéia de que não podemos nada. E de que, portanto, só podemos mudar sem criar nenhuma turbulência. Como é que se muda sem nenhuma turbulência? Quem tem medo de tirar o pé do chão não caminha. Só caminha quem aceita algum desequilíbrio.

Supostamente, Benjamin conhecia tão bem em 2003 quanto em 2009 algo que aconteceu em 1994.  No entanto, naquele tempo ele toparia que o Lula chegasse perto do cangote dele e dissesse: “companhêru, vamos nos mobilizar para mudar o Brasil”.

Mistério.

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