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Sujeitinho porreta, apesar do bigode

Tenho alguns livros de coletâneas de contos, gênero do qual gosto muito.  Leio-os às vezes vários de uma vez só, às vezes um ou outro, homeopaticamente.

Hoje, li um pequeno conto (“O Amigo dos Espelhos”) constante do volume “Contos de Horror do Séc. XIX“, de autoria de Georges Rodenbach _ o cavalheiro pimpão cuja hirsuta imagem encima este post.

[tem duas obras dele no Projeto Gutemberg]

Lá embaixo do folder, coloquei as linhas iniciais do conto (que encontrei neste blog).

Concordo com o autor do blog linkado em que o conto, de horror, não tem lá muita coisa (talvez para jovens damas por demais sensíveis do século XIX).  Mas o conto contém algumas pérolas que parecem ecoar preocupações da era moderna, em contexto completamente diferente.

A história é simples: um jovem, rico e ocioso, é tomado por desespero ao verificar que sua imagem, nos espelhos das vitrines parisienses, parece cada vez mais pálido e debilitado.  Raciocina ele que a então recente profusão de espelhos e superfícies reflexivas pela cidade afora estivessem roubando suas cores e sua saúde.

Um caridoso amigo lembra ao protagonista que estes espelhos de loja em geral são de má qualidade, e era por isso que refletiam sua imagem de modo imperfeito, doentio.

Apesar de concordar com isso, o protagonista embarca em outra viagem: começa a colecionar espelhos de boa qualidade, ricos espelhos que o refletem com total fidedignidade.

E é aqui que as coisas começam a ficar interessantes, IMHO.  O protagonista começa a agir estranhamente a partir do momento em que aparelha sua casa com espelhos; em particular, assume um comportamento ascético.  O supracitado amigo caridoso lembra ao protagonista que ele sempre foi um namorador, e que as mulheres estão do lado de fora de sua casa _ ao que o espelhófilo retruca:

Cada um é como uma rua…esses espelhos todos se comunicam feito ruas…É uma grande cidade luminosa.  E nela ainda corro atrás de mulheres, entende?, mulheres que se olharam nos espelhos, que permanecem neles para sempre…(…) Sigo as mulheres, sem dúvida…Mas elas andam rápido, não se deixam abordar, me despistam de espelho em espelho, como de rua em rua.  E eu as perco.  E de vez em quando as abordo.  E tenho encontros lá dentro...”

Narrando a progressão da perturbação mental que afligia o protagonista, o amigo caridoso descreve:

…E por causa de tantos espelhos, justapostos, uns em frente aos outros, a silhueta do solitário se multiplicou ao infinito, ricocheteou em toda parte, engendrou continuamente um novo sósia, cresceu na proporção de uma multidão incalculável, ainda mais perturbadora porque todos pareciam gêmeos copiados do primeiro, que permanecia isolado e seperado deles por um vazio desconhecido…

Em sua última conversa com o amigo, o protagonista despeja:

Veja! Não estou mais só.  Eu vivia muito só.  Os amigos são tão estranhos, tão diferentes de nós!  Agora, vivo com uma multidão…em que todos se parecem comigo.”

Resumindo a história, o protagonista é internado em um sanatório, onde permitem que ele leve apenas um espelho, ao qual ele fica cada vez mais apegado.  Até que um dia é encontrado morto, com o crânio partido, na tentativa de entrar no espelho.

Eu sei que muita gente boa diz que o arquétipo da internet no século XIX era o telégrafo.  E com certeza o telégrafo, tecnologicamente, foi A rede daquela quadra.

Mas esse cara aí captou como ninguém o futuro _ o mundo das redes sociais e do narcisismo eletrônico.  E o pior, apenas olhando no espelho.

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Pois é, tão soltando o pau em cima do NPTO por causa desse post.

Eu não vou sentar o pau nele, porque a) ele tem o blog que eu quero ter quando crescer, b) jamais duvidei dos poderes de convencimento de uma mulher, principalmente se ela está abraçada com você em um aconchegante sofá e o único competidor próximo é o jornal da Globo  e c) também não vou com a cara de Gilmar Mendes.

Sem contar que a forma de agir da tal Bruna foi digna de um ungulado ruminante do sexo feminino.  Na “trajetória natural” de Bruna Bianchi, sua aventura com David Goldman foi certamente um ponto fora da curva, que não resistiu às realidades do “um amor e uma cabana”.  Goldman não é um cara rico.  Bruna é filha de uma família com posses _ sua mãe é dona do restaurante Quadriffoglio, no Rio.  Certamente, conhecer um cara bonitão em um lugar romântico como Milão (David era modelo, então) fez com que Bruna pensasse mais com o coração do que com a cabeça (ou o bolso).

Além disso, imaginar que o garoto terá um futuro mais sorridente no fundo da caipora norte-americana do que no seio de uma riquíssima e tradicional família carioca é brincadeira.

Pois é, azares da vida.   Pode ser que um dia o Sean, fritando hambúrguer lá no McDonald´s de Tinton Falls, fique pensando com seus botões, “Pô, me dei mal“.

Não obstante, quanto mais leio sobre o caso, mais o direito do pai me parece líquido e certo, e olhe que eu não sou advogado. Toda a história me parece fruto apenas da capacidade de uma poderosa família, firmemente incrustada na teia de relacionamentos do Judiciário brasileiro, frenar as engrenagens da Justiça em benefício próprio.  E nessa, lamentavelmente, os Lins e Silva apareceram como mamíferos ungulados com chifres delicados e cauda em formato de pompom.

Pois é, já saiu uma antologia de “imagens da década” no blog “Olhar Sobre o Mundo” do Estadão.  Como eu e a torcida do Flamengo suspeitávamos, o 9/11 aparece com destaque.

Mas uma das “fotos da década” que eu mais gostei foi essa:

Se bem que talvez a que acabe na frente seja essa _ a cueca usada pelo nigeriano que tentou derrubar o avião da Northwest:

Aliás, pelo noticiário, talvez os anos ´OO devessem ser batizados de “a década da cueca“.

Acabo de ouvir, no Jornal Nacional, que uma das providências que os EUA planejam exigir das empresas aéreas em vista do recente atentado a um avião que ia de Amsterdam para Detroit é proibir que os passageiros entrem no banheiro da aeronave a partir do momento em que faltar 1 hora para a aterrisagem.

Em minha opinião isso revela algumas coisas interessantes:

a) o reconhecimento tácito de que o tipo de explosivo usado pelo nigeriano, bem como a técnica de ignição, é indetectável pelo raio-X dos aeroportos;

b) que, em vista disso, as autoridades anti-terror seguirão uma política de reduzir o possível custo em vidas de um ataque, procurando limitar a perda em vidas apenas ao número de passageiros e tripulantes do avião, minorando as possíveis baixas advindas da queda de uma aeronave de grande porte sobre uma área densamente povoada.

***

Ou seja, a guerra ao terror vai bem, obrigado.  E se você, passageiro que não tem nada a ver com isso, está se borrando de medo, saiba que vai ficar pelo menos uma hora borrado.

Copernicus, colaborador frequente do site “Ain´t it cool”, é um astrofísico que trabalhou no SETI, dá aulas de xenobiologia, e faz algumas observações sobre a ciência por trás de Avatar.  Ele dá uma boa nota ao filme, e eu também, mas tenho algumas ressalvas às opiniões dele [extraordinariamente, estou colocando o texto traduzido pelo Google Translate – que melhorou muito ultimamente – com umas maozinhas minhas onde necessário]:

“Eu tenho uma pequena reclamação, a de que, dadas as suas capacidades de trabalhar em rede, os Na’vi não deveriam ser tão tecnologicamente inferiores aos seres humanos. Na Terra, a maior barreira à progressão tecnológica é que as informações que existiam no cérebro dos seres humanos primitivos não podiam ser facilmente compartilhadas ou conservadas. Assim que a escrita foi desenvolvida, de repente, era possível armazenar informação fora do cérebro, e gravar e produzir conhecimento. O conhecimento disponível a um ser humano ou tribo passou de um valor de um cérebro (e uma quantidade mínima de tradição oral) para os milhares, e, finalmente, milhares de milhões de cérebros . O resultado foi uma explosão tecnológica e social. Hominídeos tiveram a tecnologia como lanças por cerca de meio milhão de anos, mas apenas 7.000 anos após o desenvolvimento da escrita já tinha sido capaz de deixar o planeta. E a partilha de conhecimento ainda está passando por uma revolução com o desenvolvimento da internet. Agora temos acesso instantâneo ao conhecimento combinado de toda a história da humanidade.”

Tirando a possibilidade de que o tipo de comunicação possível pela conexão neural Na´vi seja algo bem diferente da tecnologia de informação humana _ por exemplo, o fato de você poder trocar informação com outros seres não significa que você possa usar essa capacidade para fazer cálculos, como fazemos com nossos computadores _ tenho uma objeção mais geral a essa idéia de Copernicus.  Nossa cultura atual parece pensar que TIC é condição não só necessária como suficiente para a emergência de uma civilização como a nossa.   Essa percepção me parece bastante antropocêntrica, ou pior, ingênua, mesmo do ponto de vista de nossas realizações passadas.  Tomemos como analogia o exemplo da Máquina de Anticitera, um artefato mecânico datado de 100 AC e descoberto em 1901 e que desde então vem desafiando historiadores e arqueólogos pela sua perfeição de projeto e funcionamento _ demonstrando que os gregos antigos haviam conseguido aperfeiçoar uma tecnologia de precisão que só se imaginava ter sido inventada muitos séculos depois.  Isso mostra que uma possibilidade técnica não faz, por si só, que uma inovação seja adotada pela sociedade que dela é capaz.

Mas a minha principal queixa do ponto de vista evolutivo é que não há nenhuma maneira pela qual a vida na lua Pandora evoluiria para parecer tão semelhante à vida na Terra: há humanóides, cavalos espaciais, rinocerontes com cabeça de martelo, e pseudo-pterodáctilos. E para piorar, eles têm DNA, e o DNA é parecido o suficiente do nosso próprio para que DNA Na’vi e humano pode ser combinado!

Na verdade, não vejo maiores problemas para que formas de vida em outro planeta sejam semelhantes às formas de vida terrestres.  Mesmo na biologia terrestre há casos muitíssimo curiosos de “convergência evolucionária”, em que certos tipos de animais evoluem para preencher o mesmo nicho ecológico apesar de passados evolutivos muito diferentes.  É o caso, por exemplo, do morcego e das aves, da baleia e dos tubarões-baleia (para não falar de orcas e tubarões propriamente ditos), chacais e lobos-da-tasmânia, etc.  Tal tipo de convergência provavelmente sempre acontecerá se planetas diferentes tiverem condições geofísicas que propiciem o surgimento de ecologias similares.  Talvez Copernicus fosse mais ao ponto na sua crítica ao duvidar que as condições geofísicas de uma lua de um gigante gasoso pudessem ser similares à da Terra.   Entretanto, como alguns dos exoplanetas já encontrados são justamente gigantes gasosos que orbitam muito mais próximos de suas estrelas do que os gigantes gasosos do sistema solar, não é de todo impossível que uma lua de um planeta desses possa se parecer com a Terra.

Especificamente quanto à convergência antropomórfica entre humanos e Na´vi…essa é uma questão complicada.  A verdade é que não sabemos muito sobre o “nicho” ecológico que ocupamos, e portanto não dá pra saber se uma generalização é possível.  Aparentemente, somos uma espécie social e “generalista”, que terminou desenvolvendo um raciocínio simbólico por razões ainda não totalmente claras (embora imagine-se que a própria sociabilidade humana tenha desempenhando um papel importante aí).  Mas não sabemos se a forma humana é a “única” capaz de preencher esse “espaço” na paisagem adaptativa da ecologia terrestre (ou de um planeta similar).

Quanto à questão do DNA, acho que é uma questão difícil.  Temos poucos exemplos de moléculas como o DNA, mas é possível que a evolução na própria Terra tenha destruído todas as outras macromoléculas capazes de transmitir informação e concorrer com o DNA.   Assim, a “inevitabilidade” da participação do DNA na constituição da vida é um tópico em aberto, eu acho.

Finalmente, quanto à Física do filme, propriamente:

Mas o meu maior problema com a negociação que Cameron fez entre a Física e os efeitos visuais é com aquelas malditas montanhas flutuantes. Sério, montanhas flutuantes? Como diabos elas ficam lá em cima? Isto é um desrespeito tão flagrante às leis da física que certamente há algum raciocínio por trás disso.”

Pra ser sincero, no post-script do post alguém deu para Copernicus a mesma explicação que eu havia pensado: as montanhas são do material supercondutor unobtainium, e supercondutores levitam na presença de campos magnéticos.  É claro que isso faria com que fosse necessário explicar porque então o lugar da cidade da árvore, que foi destruída pelos humanos para que eles pudessem escavar ali já que havia uma imensa jazida de unobtanium por debaixo, não saía voando por aí… Mas a MINHA bronca com essa história do unobtanium é que não dá pra acreditar que uma vez conhecida a composição do material não fosse mais fácil tentar produzi-lo na Terra do que minerá-lo e transportá-lo por distâncias interestelares (*).   Segundo Copernicus, a equipe que criou o filme também elaborou uma Pandorapedia que está online.  O site dá algumas respostas a várias perguntas que eu ainda faria _ como por exemplo porque a nave-mãe em órbita de Pandora não detonou algumas armas nucleares sobre os Na´vi;  é que segundo o site a RDA, empresa que detém o monopólio de exploração de Pandora, está obrigada por tratado a não utilizar armas de destruição em massa.  Sei.   🙂

***

Uma outra vertente a ser explorada, é claro, é quanto à racionalidade econômica da exploração interestelar, em particular quanto ao comércio interestelar de bens.  Paul Krugman endereçou este problema em um paper de 1978, escrito sob o impacto de uma sessão de Star Wars, cujo abstract é o que se segue:

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O leitor interessado também pode se dirigir a este post do Marginal Revolution sobre o mesmo febricitante tema.

***

(*) E sim, eu sei que o unobtainium não é uma invenção do Cameron mas sim uma tradição na ficção científica simbolizando qualquer material que tenha propriedades exóticas e seja, por definição, difícil de arranjar…

O magritteano poster norte-americano

Ontem à noite revi “Muito Além do Jardim“.

Foi a primeira vez que revi o filme, que assisti quando estreou no Brasil, possivelmente em 1979 (esse é o ano da produção, como naquele tempo acho que os filmes não tinham estréias mundiais simultâneas como hoje, pode ter sido em 1980).

A primeira coisa que me chamou a atenção é a mudança no tempo cinematográfico.  Os filmes de hoje em dia _ e não falo dos blockbusters apenas _ são muitíssimo mais rápidos, quase frenéticos em relação ao MAJ.   E isso mesmo levando em conta que o diretor do filme, Hal Ashby, era um expoente do movimento chamado New Hollywood, que namorava com o que chamaríamos de cena indie de hoje em dia.

Também, em minha memória “inventada”, as situações em que Chance se mete e que vão progressivamente fazendo dele uma potência da Beltway me pareciam mais críveis, em retrospecto.  Mas ainda assim o filme continua a ser um interessante experimento dos pressupostos entre mensagem e receptor, entre o que se diz e o que se entende.

No entanto, a grande controvérsia sobre o filme diz mesmo respeito ao seu final, em que Chance sai andando sem rumo do funeral de Ben Rand, termina às margens de um lago e simplesmente anda sobre ele:

(a partir dos 3m34s)

Li algumas “interpretações” da cena, mas me pareceu que a melhor mesmo é essa que aliás vem de alguém que conheceu Hal Ashby, o diretor _ e se trata de uma história deliciosa:

How the “Walking on Water” Shot in Being There Actually Got Made

by Michael Dare

The script for Being There ends as both Peter Sellers and Shirley MacLaine take walks in the wood. They run into each other. She says “I was looking for you, Chance.” He says “I was looking for you too.” They take hands and walk off together.

But near the end of production, somebody went up to Hal and said “How’s it going?”

“Great,” Hal said. “Sellers has created this character that’s so amazing, I could have him walk on water and people would believe it.” Hal stopped and thought. “As a matter of fact, I will have him walk on water.”

Hal was out on location, miles from Hollywood. The last thing on earth he needed was to contact the home office to discuss the idea of Chance walking on water. It’s an idea that wouldn’t pitch or read well. If it had been in the script, there would have been endless arguments over what this Jesus allegory was doing in the picture. Only if you’ve actually seen the film do you realize that it’s not a Jesus allegory at all. Chance can walk on water because nobody ever told him he couldn’t, not because he’s the resurrection of Christ.

Hal knew he could make it work, just as he knew that there was no way in hell the studio would approve of more money for such a controversial shot that wasn’t even in the script. He decided to do it anyway.

First, he called Robert Downey, who had a scene in Greaser’s Palace where the main character walked on water. Hal knew that Downey didn’t have a lot of money, so he asked for advice on how to do it. Downey told him it was simple. Just go to an airport, get a certain kind of platform, and place it in the water. Hal followed Downey’s advise and got the shot for less than $10,000.

Second, he had to deal with keeping the shot a secret. There was this one, very well dressed kid around the set who was officially called a PA, but whom Hal suspected of being the studio spy. Hal called him into his office and read him the riot act.

“I’m going to ask you to make a decision right now that’s going to affect the rest of your life,” he told the kid. “I’m going to ask you to decided whose side you’re on. I know you’ve been watching me because you want to learn how to make movies. I also know you’re watching me to make reports to the studio behind my back. I’m about to change the end of this movie because I’ve come up with a better one. The studio can’t know about it or they’ll shut me down. This is it, kid. Decide. Are you on the side of art or commerce?”

The kid kept his mouth shut. The shot got made. The studio was pissed but they used the shot anyway. Hal didn’t give them a choice. He didn’t even shoot the ending in the script.” [grifo meu]

***

Se alguém aí estiver disposto a ver o filme, sugiro que leia depois esse excelente review de Roger Ebert (com cujo parágrafo final não concordo), para quem “Being There” é um dos grandes filmes de todos os tempos.  No que eu o sigo, embora possivelmente uma parte ponderável dessa impressão se deva ao “twist” aplicado por Ashby no final do filme na última hora, e que o impregna com um senso surrealista que lhe cai muito bem.

E parece que tantos novos gadgets podem exigir o advento de um novo e “estimulante” mercado em nosso brave new world:  o mercado de estimulantes/focalizadores neuronais.

Modafinil — a banned stimulant in competitive sports — enhances academic productivity and significantly reduces the need for sleep to a couple of hours per night while improving working memory. A University of York web site describes three students — Charles, Nick and David — who each took a 200 mg tablet of Modafinil. According to Charles, “After an hour, none of us felt any different. But then I started to feel markedly more alert. I couldn’t be sure it wasn’t a placebo, but then Nick became uncannily good at computer games, beating his friends three times in a row at Pro Evo. It was no coincidence.”

Modafinil has proven so popular in the academic pressure cookers of Oxford and Cambridge that close to one in ten students have admitted taking prescription medication such as Modafinil without a prescription. The academic uses range from increased alertness during exams to stimulating thought processes when writing essays or take-home exams.

“It’s not the mind-expanding sixties anymore,” comments Margaret Talbot in a recent New Yorker article. “Neuroenhancers are perfectly suited for the anxiety of white-collar competition in a floundering economy. And they have a synergistic relationship with our multiplying digital technologies: the more gadgets we own, the more distracted we become, and the more we need help in order to focus.”” [grifo meu]

***

É isso aí.  Gaste uma grana com gadgets, e depois gaste mais uma grana para não se tornar uma esponja por causa deles.

Deu no Link, do Estadão:

Livro para Kindle vendeu mais do que livro de papel

por Heloisa Lupinacci

A Amazon.com anunciou hoje que o Kindle foi o item mais comprado para dar de presentes na história da empresa. Ontem, pela primeira vez, foram comprados mais livros para Kindle do que livros físicos.” [grifo meu]

***

Me parece realmente inevitável.  Como disse o Bezos, “as pessoas também gostavam de seus cavalos“.

***

Aí embaixo, o “vídeo conceitual” Mag+, da divisão de P&D da empresa sueca Bonnier.  Ele representa o que pode ser um leitor de daqui a alguns anos _ ou menos.

Tenho um sonzinho Pioneer, com carrossel para 6 CD´s, que comprei há uns 15 anos.

Uns quatro (sic) anos atrás, ele quebrou.  Eu, preguiçoso, não corri atrás para consertar.

[quando eu digo que não sou das pessoas mais musicais, acreditem _ e além disso o iPod substituiu parcialmente minhas necessidades nessa área]

Fui procurar agora a assistência técnica Pioneer e _ surpresa! _ a empresa passou por uma reestruturação global, vendeu parte de suas ações para a Sharp e agora se concentra no core business automotivo…

O pessoal da assistência técnica diz que “conserta som também”.  Mas e o medo?

Há algo de errado em um conceito de ordem que só acontece de vez em quando.

Tio Rei sempre é capaz de nos surpreender, mesmo com o ano já acabando.  “Criando” em cima de um poema de Drummond (Meu Deus, por que me abandonaste/se sabias que eu não era Deus/se sabias que eu era fraco), ele encesta o trocadilho do ano:

“E, no entanto, Ele nos deu. Ele nos Deus.”

É o gênio da raça.

Tapioca:  R$ 3,00

Panetone: R$ 10,50

Pane no cartão de crédito às vésperas do Natal – não há dinheiro que pague

Going native, radical style

Consegui ver o 3D depois da segunda tentativa (a primeira foi ontem, e lotou).

Muito bons efeitos.  O 3D não me surpreendeu tanto, mas acho que eu esperava demais depois de ver um 3D em um Imax de um museu nos EUA.

O roteiro, bem, é uma ecologia de botequim.  Se a personagem principal se chamasse Marina, o filme poderia intitular-se “Marina Silva, a Filha de Pandora”.

Mas há um subtexto, e ele deve ser lido à luz das intervenções norte-americanas no Iraque e no Afeganistão.  E é meio ingênuo pensar que as menções ao “shock and awe” e à “guerra ao terror” estavam ali por coincidência.   E como já disseram por aí, o enredo, de fato, é mais uma instanciação do tema “going native“.  Nada a ver, de fato, com Pocahontas, que transita no sentido contrário.

O que me leva a pensar na solução encontrada pela roteirista para justificar a maneira pela qual o marine mercenário se transforma em um Na´vi.   O personagem principal realmente só se dá conta da merda que está fazendo quando algumas centenas de pessoas das quais ele gosta morrem (se é que alienígenas são pessoas).  O que demonstra uma certa falta de empatia, já que estava claro qual era a expectativa da corporação à qual ele servia.  Mas talvez realmente não seja um excesso de suspension of disbelief assumir uma certa falta de empatia por parte de um marine.

***

Segundo a Variety, o filme já fez bem mais de 200 milhões de dólares em sua estréia mundial, sendo esse o melhor resultado jamais alcançado por um filme original (que não é continuação de um outro, como dois dos filmes da trilogia Senhor dos Anéis).  Isso o coloca perto da estimativa inferior de seu custo de produção, que varia entre 300 e 500 milhões de dólares.

Tirando especulações selvagens sobre a tecnologia do filme, o fato é que vários aspectos dessa tecnologia (como a capacidade de criar avatares expressivos em tempo real) me fazem pensar que Cameron almeja, de fato, ganhar dinheiro na área de jogos, principalmente o multiplayer _ um mercado com excelentes expectativas apesar de um 2009 fraco, e se tornará ainda mais atrativo quando a ultra banda larga estiver democratizada.

Copyright fail!

Taí, nunca pensei que um defensor da propriedade privada e das corporações oprimidas fosse fazer um papelão desses.

Steve McQueen em seu buggy, filmagens de Thomas Crown Affair, 1967

Bom, este post começou com uma conversa com minha esposa sobre a origem do “Buggy”, motivada, claro, pelo clima de férias que nos cerca.

Problema:  incorri na temeridade de dizer a ela que a origem do nome “buggy” vinha do automóvel Bugre.  Carioca, paradoxalmente derrapei no provincianismo de acreditar que o particular era o geral: o primeiro buggy que vi na minha vida foi um Bugre, portanto nunca me importei muito em conhecer da história desse carro.  Sempre dei por barato que “buggy” havia sido uma anglicização de “Bugre”, shame on me.

Mas sabem como é, a dúvida é uma sementinha que uma vez plantada no cérebro termina por se transformar em imensa e copada árvore, e foi sob sua sombra ameaçadora que decidi empreender uma expedição semântica à internet.  Encontrei o que se segue:

Buggy

No “The Word Detective“, há a seguinte explicação:

Buckeye buggy.

Dear Word Detective: I too am an Ohio transplant, originating from New Jersey, and I find this place to be a blessing. Currently I reside in the quiet countryside of Holmes County where if you know the region you quickly associate it with the Amish community that lives here. I have long wondered where one of the most common icons of the Amish got its name, that being the “horse and buggy” which is their primary transportation. I once asked a friend who is Amish and after a moment of puzzled expression and a shrug of the shoulders his reply was, “That’s just what we call it.” — Gone Buggy, via the internet.

Ah, yes, rural Ohio is quiet, isn’t it? Except, of course, for the crickets, which are, as I write, driving me slowly nuts with their infernal cheep-cheep-cheeping. We have many Amish (a Mennonite order named after Jacob Amman, a Swiss preacher) living in my area too, and I always worry about them when I see their buggies on the country roads around here. You’d think motorists would know enough to slow down when they see a horse and buggy, but apparently not, and there have been some fairly horrible car-buggy accidents in the last few years.

As for the origin of “buggy,” your Amish friend’s answer is about as good as anyone is going to get. As a term for a small one-horse vehicle, “buggy” first appeared in English around 1773, but it does not appear to be connected in any way to “bug” meaning “insect” (which is the source of “buggy” meaning “nuts”). There is a possibility that “buggy” is derived from the Northern English dialect word “bogie,” which means a small platform mounted on wheels (what we in the U.S. would call a “dolly”), but there’s no solid evidence of a direct connection. And even if there were, it wouldn’t do us much good because no one knows where “bogie” came from, except that it does not seem to be related to “bogey” as in “bogeyman.” So I’m afraid we’re fairly certain about where “buggy” didn’t come from, but completely in the dark as to where it did originate.

Muito bom.  Provavelmente pode-se estabelecer que a palavra “buggy” vem mesmo de “bug”, que é o nome que os americanos deram ao Volkswagen sedan sob a inspiração do nome popular que os alemães deram ao VW tipo 1: “Käfer” _ “besouro” em alemão.  Há uma história de amor entre os fanáticos pelo “dune buggy” e o VW:

Many people credit Bruce Meyers with the invention of the dune buggy.

To do that you first have a clear definition of what a dune buggy is. There were many pioneers before the “Manx”. In fact in a recent interview with Public Television on a show called “California Gold” Bruce to the host of the show, “I didn’t invent the dune buggy….I invented this style of dune buggy.” Bruce did invent the Manx and clearly spurred the whole fiberglass revolution but, there were many more buggies on the dunes before the Manx. Some of the first dune buggies were just street car frames with the bodies removed and larger tires added for beach use. The late fifties and early sixties saw a sand car craze that paralleled the street hot rod craze. Some were big and ugly but, they were the inspiration for a “kinder gentler” sand car, including the inspiration for the Manx.

With all of the “water pumper” action on the beaches it wasn’t long until the first noted VW ride was built by shortening the pan. Petersen Publishing even gives someone credit for this feat. It was Pete Beirning of Oceano, CA that did it in 1958. He took a rolled Bug and made a short pan buggy out of it. From that first trip out on the dune on through today, there has been controversy over V8 power or VW nimbleness. Many people took note of his pan car and followed suit.

OK.  Mas e o Bugre?

Bugre

A Wikipedia nos ajuda:

Bugre é a denominação dada a indígenas de diversos grupos do Brasil, por serem considerados sodomitas pelos europeus. A origem da palavra vem do francês bougre, que de acordo com o dicionário Houaiss possui o primeiro registro no ano de 1172 e significa ‘herético’, que por sua vez vem do latim medieval (século VI) bulgàrus. Como membros da igreja greco-ortodoxa, os búlgaros foram considerados heréticos, e o emprego do vocábulo para denotar a pessoa indígena liga-se à ideia de ‘inculto, selvático, não cristão’ – uma noção de forte valor pejorativo.

!!!!!

Pois é, é aqui que a coisa começa a ficar curiosa.  Diante de tão saborosa associação, saí em busca das ligações entre os pobres búlgaros, a heresia e a sodomia.  E encontrei este artigo, de todos os lugares da internet, nos Science Blogs:

Traumatic anal intercourse with a pig

No post, Darren Naish, um paleontologista britânico, nos brinda com a descrição do artigo científico “Zoophilia: a rare cause of traumatic injury to the rectum“, que descreve um ferimento retal encontrado em um infeliz fazendeiro búlgaro a quem ocorreu ficar na parte passiva de uma relação sexual com um porco.  Para sua infelicidade, o pênis do porco, que mede entre 45 e 65 centímetros, tem uma anatomia assaz curiosa, o que lhe rendeu momentos de infelicidade e não de prazer.

Mas os afazeres da população rural com seus animais de criação não vêm ao caso.  Nos comentários ao post, compreensivelmente mais bem humorados do que o normal nos SB, um leitor informa que a provável associação entre os búlgaros e a sodomia na mente popular tem a ver com o fato de que uma certa heresia foi bastante forte na região dos Balcãs _ a heresia bogomila.  Mais uma vez a Wikipedia nos salva:

The now defunct Gnostic social-religious movement and doctrine originated in the time of Peter I of Bulgaria (927 – 969) as a reaction against state and clerical oppression of Byzantine church. In spite of all measures of repression, it remained strong and popular until the fall of Bulgaria in the end of the 14th century.

Bogomilism is the first significant Bulgarian heresy that came about in the first quarter of the 10th century. The term “Bogomil” means “Dear to God” in Bulgarian. Bogomilism was a natural outcome of many factors that had arisen till the beginning of 10th century. (…) Another factor was the existence of older Christian heresies in the Bulgarian lands. The most influential among those were Manichaeism and Paulicianism, which were considered very dualistic. Manichaeism’s origin is related to Zoroastrianism; that is why Bogomilism is sometimes indirectly connected to Zoroastrianism in the sense of its duality. The social discontent of the peasantry and the presence of the old Christian heresies created a new Christian heresy under the name of Bogomilism.”

Embora o texto a seguir não se encontre mais na atual versão do verbete na Wikipedia, ele consta do comentário lá nos SB e pela internet a fora, explicando o curioso caminhar da associação entre “búlgaro” e “sodomita”:

The name of the movement was bulgarus in Latin (meaning “Bulgarian”), which included Paulicians, Cathars, Patarenes and Albigenses. It became boulgre, later bougre in Old French meaning “heretic, traitor”. It entered German as Buger meaning “peasant, blockhead” (and went on to English as bugger) and the French term also entered old Italian as buggero and Spanish as bujarron, both in the meaning of “sodomite”, since it was supposed that heretics would approach sex (just like everything else) in an “inverse” way. The word went on towards Venetian Italian as buzerar, meaning “to do sodomy” (the sexual acts performed by homosexuals). This word entered German again (see reborrowing) as Buserant and went on to Hungarian as buzerons, becoming buzi around the 1900s, a form still in use as a sexual slur for male homosexuals.

Afinal, já dizia o jurista inglês  Sir Edward Coke no seu Third Part of the Institutes of the Laws of England , de 1644:

Buggery is a detestable, and abominable sin, amongst christians not to be named, committed by carnall knowledge against the ordinance of the Creator, and order of nature, by mankind with mankind, or with brute beast, or by womankind with brute beast.”

***

Então é isso: “buggy” vem do alemão “besouro”.  “Bugre” vem do francês “bougre” para herético, mas também com o significado de “sodomita”, “invertido”.  Imagino que o Paulo Cavalcante lá de Rio Bonito, fundador da Indústria Carrocerias Bugre Ltda., jamais imaginou uma coisa dessas _ muito menos o Steve McQueen.

Se bem que eu sempre desconfiei do Pierce Brosnan, que faz o remake do “Thomas Crown Affair” e mostra as plumas em Mamma Mia…

39s…

Saudades de tempos mais inocentes

Matéria do Estadão transcreve trecho de uma entrevista do governador José Roberto Arruda.

O senhor teme a aparição de novos vídeos?

Eu tenho a minha consciência tranquila. Já estão em poder dos advogados todas as declarações ao Tribunal Regional Eleitoral. Não há nada que não tenha sido registrado. Eu reconheço que, num primeiro momento, as imagens são fortes e ruins, mas depois as pessoas vão ver que tudo isso estava registrado no TRE.”

Interessante, essa coisa das imagens “fortes e ruins”.  Parece que o Arruda está inaugurando a pornopolítica _ no estilo gonzo.

Tenho certeza de que daqui a pouco vão começar as matérias intituladas “X da década”.  Por exemplo, “Imagem da Década”.

Também tenho certeza de que a que vai ganhar vai ser uma destas.

Eu não sei qual eu escolheria, mas essa aí em cima seria uma das fortes candidatas.  Trata-se da primeira vez em que a sonda Cassini, que ora orbita ao redor de Saturno, conseguiu tirar uma foto da lua Titã onde se vê o reflexo do Sol brilhando em um lago _ prova de que existe matéria em estado líquido sobre a superfície daquela lua, possivelmente uma mistura de hidrocarbonetos.  O que pode ser um indício da existência de vida por ali.

Deu no Globo:

Cantora Sinead O’Connor exige renúncia de Bento 16

DUBLIN – A cantora Sinead O’Connor pediu na sexta-feira que o papa Bento 16 renuncie por causa de um relatório do governo irlandês acusando os líderes da Igreja de acobertarem o abuso sexual de crianças por 30 anos.

O Vaticano divulgou um comunicado na sexta-feira dizendo que o papa se sentiu “traído, envergonhado e ultrajado” por causa do escândalo e iria escrever ao povo irlandês sobre o abuso sexual.

Mas Sinead, que certa vez irritou católicos ao rasgar uma foto de João Paulo 2º ao vivo na televisão, disse em uma carta publicada em um jornal britânico que o papa se manteve em silêncio por tempo demais sobre o abuso sexual infantil.

– Eu exijo que o papa renuncie por seu silêncio desprezível sobre a questão e seus atos de não cooperação com o inquérito – escreveu O’Connor em uma carta ao jornal “The Independent”, publicada antes de uma reunião entre líderes da igreja irlandesa e o papa no Vaticano.

– Os papas não tiveram problemas em dar suas opiniões quando quisemos pílulas anticoncepcionais ou o divórcio – disse Sinead.

– Não tiveram problema em criticar o Código Da Vinci. Nenhum problema em criticar Naomi Campbell por usar uma cruz adornada com joias. Mas quando se trata dos males feitos por pedófilos vestidos de padres, eles ficam em silêncio. É grotesco, inacreditável, bizarro e inédito. Eles não defendem nada além do mau.”

***

A Sinead só pode estar se promovendo, porque, quanto à prevaricação da ICAR nessa matéria da pedofilia sacerdotal, todo mundo já está careca de saber disso.

Duas notícias de interesse:

Jornal The Times passará a cobrar por conteúdos online

A partir do início de 2010, os utilizadores de Internet que quiserem ler o conteúdo online do jornal britânico The Times terão de pagar por isso, sendo esta a única solução encontrada pela publicação para manter a sua existência de forma sustentável.  Aqui

Jornal New York Times publica artigo financiado pelos leitores

As despesas relacionadas com a cobertura jornalística de uma história sobre poluição no Oceano Pacífico foram inteiramente asseguradas através de doações angariadas graças à acção do site Spot.Us, no âmbito de um projecto experimental de “crowd-funded journalism”, ou seja, jornalismo financiado pelas massas.  Aqui

Deu no Estadão:

Ministro da Cultura anuncia criação de fundo para a música

Fundo Setorial de Música é o principal incentivos para o setor e atende a uma antiga reivindicação de músicos

Lauro Lisboa Garcia

RECIFE – Em visita à Feira Música Brasil, no Recife, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, anunciou na noite desta sexta-feira, 11, a criação do Fundo Setorial de Música, o principal item de uma série de incentivos para o setor, em janeiro de 2010, atendendo a uma antiga reivindicação de músicos, compositores e produtores. A notícia da venda de música livre de tributação foi recebida com entusiasmo na feira.

(…)

Os investimentos na área de música deverão cobrir toda a cadeia produtiva, desde financiamentos de festivais até downloads remunerados de fonogramas. A verba sairá dos R$ 820 milhões do FNC. O ministro também anunciou a criação de memoriais em homenagem a dois grandes compositores brasileiros, o pernambucano Luiz Gonzaga e o baiano Dorival Caymmi, em seus Estados natais.

Segundo comunicado distribuído à imprensa durante a entrevista coletiva, “a iniciativa antecipa os avanços propostos na reforma da Lei Rouanet”. Bem-humorado, o ministro não resistiu a fazer o trocadilho, dizendo que essa notícia era “música para os ouvidos”.

A área da música tem de passar por várias revisões, como por exemplo, a questão dos direitos autorais, que tem uma “legislação caduca”. “A indústria da música precisa evoluir, porque ela tem potencial. Hoje representa 5% do PIB e 6% do emprego da mão de obra formal”, afirmou o ministro.

Ferreira lembrou que quando entrou no governo há sete anos, como secretário executivo do Minc, a verba da pasta era 0,2% e hoje é 0,6% do orçamento da União. “Mas não dá para comemorar. A gente quer 2 %”, disse. Depois da coletiva o ministro visitou a área de negócios da feira, posou para fotos e continuou concedendo entrevistas individuais, em meio a uma confusa mistura de sons de vários estandes, como o da Warner Music e da TV Brasil. Ferreira ainda passou rapidamente pela área VIP dos palcos do Marco Zero e viu um pedaço do show da cantora Fabiana Cozza.

No meio do trajeto comentou: “O fundo é estratégico, não dá para a música ficar dependendo do departamento de marketing de empresas. O dinheiro é público, então por que a gente não disponibiliza diretamente para os produtores, para os projetos? É isso que a gente quer” afirmou o ministro.

“A fórmula é universal. Estive agora em Portugal, e o fundo das artes de lá funciona muito bem, como principal instrumento de financiamento, e é o que a gente quer fazer aqui. O nosso Fundo Nacional de Cultura atual não tem dinheiro, é burocrático. Essa mudança vai permitir que a gente tenha um fundo que vai fazer desde parceria, financiamento com retorno para reinvestir no fundo, financiamento a fundo perdido. Ou seja, a gente está criando de fato uma estrutura moderna.” “

***

Pra quem se lembra, esse é o mesmo Ministro que há um tempo atrás tratorou as instâncias técnicas de concessão de incentivos para liberar uma grana para a turnê de Caetano Veloso, sob o pretexto de, apesar de Caetano já ser um artista consagrado, ser necessário “reduzir o custo do ingresso” para que o popular possa ir ao espetáculo.   De fato, havia como contrapartida ao incentivo o compromisso de redução do valor do ingresso…embora ninguém pareça ter explicado ao Ministro que shows ao vivo têm um número limitado de assentos, e que quem tem grana tem mais capacidade de comprar logo seu ingresso até pela internet.

[mais curioso é o fato do mesmo artista, alguns meses depois, ter mordido a mão que o alimentou, o que diz muito sobre a teórica capacidade de aliciamento do governo]

***

Agora, espantoso mesmo é que a indústria musical brasileira é tida como uma das mais bem sucedidas do planeta.  Porque diabos ela precisa de estímulos desse tipo é algo que me escapa.

Kaiane Aldorino, a “rocha” de Gibraltar

Deu no Estadão:

A representante de Gibraltar, Kaiane Aldorino, venceu neste sábado, 12, o concurso Miss Mundo 2009, realizado em Johannesburgo, na África do Sul. A vendedora, de 22 anos, derrotou competidoras de 111 países. “Esse é o momento mais maravilhoso de minha vida”, disse Kaiane. A representante do México, Perla Beltran, ficou em segundo lugar, seguida pela concorrente da África do Sul, Tatum Keshwar. Cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo viram a cerimônia de premiação pela televisão.”

***

Se fosse hoje, a Marta Rocha teria não duas, mas umas 20 polegadas a mais…

Marcos Guterman escreve o seguinte no Estadão:

Hillary, enfim, põe tudo em pratos limpos

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, pediu aos países da América Latina que “pensem duas vezes” antes de se aproximar do Irã. Trata-se da mais veemente e clara advertência do governo Obama sobre a questão, até agora tratada com calculado distanciamento por Washington.

Nas contas da Casa Branca, parece ter ficado claro que os erros da política externa brasileira, ao dar tratamento vip ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, abriu uma inesperada e indesejada brecha para que Teerã respire – justamente no momento em que a comunidade internacional está sendo desafiada pelos aiatolás e seu projeto nuclear.

Hillary, então, resolveu colocar a questão em pratos limpos. O Brasil, com seu peso excepcional na região e sua influência crescente, já não pode mais se comportar como um país periférico. Seu status atual demanda que Brasília se posicione a respeito dos grandes temas internacionais, e um dos mais importantes no momento é o que envolve o Irã. “Neutralidade” não é saudável nesse caso, porque mina os esforços concertados da ONU e das grandes potências mundiais para fazer com que o Irã coopere. Pior: dá ao Irã o oxigênio de que precisa para continuar a desafiar o mundo.

E Tio Rei faz coro:

A VERDADE

A política externa brasileira já está sendo desmoralizada nos lugares que contam. “Nossa! Reinaldo diz isso no dia em que o El País anuncia Lula como ‘personagem do ano’!” Pois é. Digo. Dois fatos expuseram os erros de Celso Amorim — e de seu chefe — de modo evidente, inquestionável: o comportamento na crise hondurenha, de notável tacanhice ideológica, e a visita de Ahmadinejad ao Brasil. O país passou a ser visto, em muitos círculos, mais como um provocador do que como um interlocutor (já volto a Amorim para tratar de sua nova pantomima em Tegucigalpa).

Lembram-se do que diziam os porta-vozes de Amorim na imprensa? A aproximação com o Irã fazia parte da crescente importância do Brasil no mundo. Uma delas, tadinha, vendendo o peixe podre conforme o havia comprado do Megalonanico, chegou a dizer que onde parecia haver contradição entre o Brasil e EUA, havia combinação. Não havia. Nunca houve.

Hillary deixou isso claro.”

***

Bom, duas coisas:

1) Se Celso Amorim não é um completo idiota _ e eu não acho que ele seja _ então o convite ao Presidente do Irã para vir ao Brasil demonstra claramente que a diplomacia brasileira não coloca tanta importância assim no objetivo de conseguir uma vaga no Conselho de Segurança da ONU.  E isso é bom, eu acho.

2) Li em algum lugar _ acho que foi no Drezner, mas não consigo recuperar o post _ que a China tem um comportamento peculiar em política externa.  O país almeja, de fato, ser um global player hegemônico.   Mas tem total consciência de suas atuais limitações econômicas e militares para conseguir desempenhar tal papel em curto prazo.  Daí que o objetivo máximo da diplomacia chinesa seja: não ficar no caminho dos EUA.

Então é o seguinte:

Não dá pra entender o texto do Guterman senão segundo a chave de que “erro da política externa brasileira” é tudo aquilo que for um erro segundo o ponto de vista de Washington.  O que é engraçado, porque, se alguém se der ao trabalho de olhar a página do CIA Factbook sobre o Irã, verá quais são seus maiores parceiros comerciais:

Exportadores de bens e serviços para o Irã:

UAE 19.3%, China 13%, Germany 9.2%, South Korea 7%, Italy 5.1%, France 4.3%, Russia 4.2% (2008)

Importadores de produtos e serviços iranianos:

China 15.3%, Japan 14.3%, India 10.4%, South Korea 6.4%, Turkey 6.4%, Italy 4.5% (2008)

Grifei ali alguns sólidos aliados dos EUA, inclusive participantes da OTAN.

Também não deixa de ser curioso ver Tio Rei basear sua censura à política externa brasileira na opinião de um governo que ele, afinal, despreza.

E francamente, por menos simpatia que eu tenha quanto ao governo islâmico do Irã, também não consigo ver a tentativa daquele país de dominar a tecnologia nuclear senão como uma forma de EQUILIBRAR o jogo de forças na região, já que o Irã tem vários vizinhos próximos dotados de armas nucleares _ Paquistão, India, China, Rússia e Israel.

***

Às vezes certos atos de política externa são, de fato, dirigidos ao público interno.  No caso da recepção ao líder iraniano, não consigo vislumbrar facilmente uma tal conexão.  É bem verdade, por outro lado, que jamais vi qualquer pesquisa sobre o reflexo de questões internacionais junto à opinião pública doméstica brasileira.  Quero crer, porém, que dada a falta de tradição do país com estas questões, que estes impactos sejam quase desprezíveis.  Acredito que a Copa do Mundo e a Olimpíada sejam mais importantes para a percepção da performance nacional para nosso eleitorado.

O que leva à pergunta, a que objetivo serve mesmo esse “statement” da nossa diplomacia?  Embora eu ache a condenação ocidental ao Irã bastante equivocada e majoritariamente decidida pela questão israelense (e pelo poderoso lobby desse país junto aos centros decisórios ocidentais), me parece que o Brasil está longe de se beneficiar de qualquer maneira com essa aproximação ou “vindicação” do tema iraniano.   A resposta mais óbvia, que é a afirmação de um mundo multipolar e não uni ou bipolar, precisaria de muito mais vitamina para ser exercida do que a mera boa vontade do mundo para com a figura do nosso Presidente.

Nesse particular _ a menos que eu não esteja vendo alguma coisa que eles vêem _ me parece que o Brasil faria bem melhor em emular a postura chinesa.

E fazendo minha ronda habitual pelo fringe anaeróbico, como um Aragorn da blogoseira pátria, eis que vejo Pedro 7 Câmara, um blogueiro anaeróbico que, reconheço, vem melhorando nos últimos anos (afora certos deslizes), bem, o Pedro, após um post bem razoável sobre o papel da imprensa em dar vazão imediata a certas aleivosias, vem perguntar-se o seguinte:

E também cabe perguntar como isso respingará em Lula aos olhos do povo. Porque é claro que o presidente não pode ir à TV dizer coisas como “não sou estuprador”. Mais ainda, cabe perguntar o que mais César Benjamin et catervasabem. E, o que mais me interessa, admito, perguntar se esse evento não marca o início de uma implosão da esquerda. Abrindo-se a caixa preta, ou a caixa de Pandora, não vai restar esperança nenhuma no fundo, e não porque o medo a tenha vencido.” [grifo meu]

Sette: Is there no beginning to your talents?

Porque, veja bem, em matéria de implosão, uma Igreja liderada por um ex-nazista, cheia de padres que comem criancinhas sem ao menos serem comunistas já deveria ter implodido há muito tempo.  Nem por isso a magna instituição deixou de contar com a admiração e apoio do Pedro, ao que eu saiba.

***

Quanto à história do César Benjamin, achei um texto dele de 2003 intitulado “A verdadeira herança maldita” que contém o seguinte parágrafo:

Os discursos do presidente Lula são pérolas de conservadorismo. Tudo o que ele diz é o seguinte: “esperem para me julgar ao fim de quatro anos”, quando ele tinha que dizer: “mobilizem-se para mudar o Brasil”. Ele tinha que ser um instrumento da mudança junto com o povo, mas é um instrumento da passividade. Está a serviço da idéia da nossa fraqueza, da idéia de que não podemos nada. E de que, portanto, só podemos mudar sem criar nenhuma turbulência. Como é que se muda sem nenhuma turbulência? Quem tem medo de tirar o pé do chão não caminha. Só caminha quem aceita algum desequilíbrio.

Supostamente, Benjamin conhecia tão bem em 2003 quanto em 2009 algo que aconteceu em 1994.  No entanto, naquele tempo ele toparia que o Lula chegasse perto do cangote dele e dissesse: “companhêru, vamos nos mobilizar para mudar o Brasil”.

Mistério.

Sushi de água viva

Seja você um cético do aquecimento global ou não, se você gosta de frutos do mar é bom ir aprendendo a reeducar seu paladar.

Lula disse que vai tirar o povo da merda.

Evidentemente, essa é uma forma inédita para um governante se expressar, pelo menos em público.   E logicamente desagradou os especialistas na matéria.

O problema maior, porém, não parece estar na esfera do discurso, mas sim na da vida real:

Água e esgoto cobrem parte da Zona Leste de São Paulo

Publicada em 10/12/2009 às 14h42m

Donizeti Costa, O Globo, Bom Dia S.Paulo, SPTV

SÃO PAULO – As águas que alagam bairros Zona Leste de São Paulo não são apenas do Rio Tietê. A Sabesp confirmou nesta quinta-feira que a enchente do rio queimou o motor de uma estação elevatória de esgoto na área, agravando o problema dos 10 mil moradores da região. Além da água, o esgoto se espalha pelas ruas e casas. Só depois que as águas baixarem é que a Sabesp poderá consertar o motor da estação. Passados dois dias das chuvas que causaram oito mortes na Grande São Paulo , parte da Zona Leste continua coberta por meio metro de água.” [grifo meu]

Se pelo menos a SABESP comprasse essa briga, os paulistanos ficariam mais felizes.  🙂

Deu no Estadão:

Arruda anuncia desfiliação do DEM e diz que deixa vida política

Reunião que decidiria futuro do governador do Distrito Federal deveria ocorrer na manhã da sexta-feira

BRASÍLIA – O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, anunciou nesta quinta-feira, 10, seu desligamento do DEM. O partido se reuniria na manhã sexta-feira, 11, para decidir o destino de Arruda, que está sendo acusado de envolvimento em esquema de corrupção.

Em coletiva de imprensa realizada sede do governo, o governador do DF disse também que se afastará da vida política.” [grifo meu]

***

Acredito que Arruda sai da política para entrar no ramo dos panetones, um filão comercial que ele achou.  Nada mais próximo do “animal spirit” empresarial do que o espírito de porco de um político.

Ainda mais agora que ele ganha a gratidão eterna do DEM.  Vai virar fornecedor preferencial das benfeitorias do partido Brasil afora…

Tio Rei escreveu um post:

LULA É VAIADO

terça-feira, 8 de dezembro de 2009 | 22:40

No dia 18 de novembro, escrevi aqui sobre “Lula, O Filho do Brasil”:

“Nos cinemas, os trailers têm sido recebidos com uma vaia meio preguiçosa — um muxoxo, um ‘hannn’ de insatisfação”

A coisa já evoluiu. Em sua coluna, Ancelmo Goes informa que, no sábado, na sessão das 18h40 do Cine Leblon 1, no Rio, que exibia “Abraços Partidos”, de Almodóvar, foi aparecer o trailer da hagiografia lulesca, e o cinema explodiu numa “vaia monumental”.”

Depois, confrontado com o fato de que no Leblon até Madre Teresa de Calcutá seria vaiada, sai-se com essa:

Essa clivagem de classe é só mais uma vigarice. O que os petistas não suportam mesmo é haver quem não tenha caído da sedutora lábia do líder, entendem? O que eles não perdoam é haver gente que se nega a “dar a mão” para Lula porque sabe que, deu a mão, “está no papo”, como poderia ter dito certo sindicalista pensador em 1979.

“Ah, Leblon está nos 6% que aprovam Lula” Ainda que fosse assim, constato: O QUE É ESPANTOSO É QUE ESSA GENTE CONSIGA FICAR MAIS FURIOSA COM OS 6% DO QUE ALEGRE COM OS 83%. Uma alma totalitária não consegue viver sem a unanimidade (ver post abaixo). Haver um só que diga “Não”, que se negue a dar a mão, já caracteriza um tormento pessoal e um risco de conspiração.

A idéia dos mitificadores, mistificadores e mitômanos é que não se possa comer um saco de pipoca, em 2010, sem estar olhando para a cara de Lula. Haver quem vaie o seu filme é considerado uma verdadeira afronta, uma espécie de iconoclastia. É mais feio que chutar a santa.

É assim? Então viva a vaia!” [grifo meu]

Esquisito, porque quem parece estar furioso é ele.  🙂

***

Detalhe: não vi o filme, provavelmente não verei e não gosto da idéia.

Beijo da morte na Folha de hoje:

Campanha de Arruda no DF financiou 236 candidatos

da Folha Online

O escritório político do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM) –investigado por suspeita de caixa dois e pagamento de mensalão para deputados distritais– financiou campanhas no Distrito Federal em 2006, informa reportagem de Silvio Navarro e Rubens Valente, publicada neste domingo pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Foram financiados 220 candidatos à Câmara Legislativa do Distrito Federal e 16 à Câmara dos Deputados, num total de R$ 642 mil. A prestação de contas de Arruda omitiu as datas de pagamentos e dados dos CNPJ de quem os recebeu.”

É a prova de que o “panetonegate” não é apenas um fenômeno local, mas sim, irrigou também a campanha do DEM em 2006.

Até a Veja deu o braço a torcer na edição que vai às bancas:

A implosão do esquema de corrupção montado no governo do DF provocou um abalo sísmico no DEM. Diante das cenas chocantes, os democratas concluíram que a única saída para minimizar o prejuízo eleitoral do partido com o escândalo seria a expulsão imediata do governador. A estratégia, porém, precisou ser alterada após uma reunião na qual Arruda ameaçou revelar segredos que aparentemente não podem ser expostos à luz do sol. “Se vocês radicalizarem comigo, eu radicalizo com vocês”, avisou o governador. Nem todo mundo entendeu. Não parece ter sido o caso do presidente do DEM, o deputado Rodrigo Maia, amigo de Arruda e padrinho de algumas nomeações em seu governo. Além da suspeita de que Arruda possa ter colocado sua máquina de desvios a serviço do partido, um detalhe ainda desconhecido liga a cúpula do DEM ao epicentro do tremor. Maia é íntimo do publicitário Paulo César Roxo Ramos, arrecadador informal da campanha de Arruda e acusado por Durval de operar a engrenagem de achaques que funcionava no governo do amigo.

A intimidade de Paulo Roxo com o presidente do partido era tal que no sábado dia 28, assim que foi divulgado o primeiro vídeo da corrupção, o publicitário correu à casa em que Maia vive em Brasília, não por coincidência alugada por outro amigo do presidente do DEM, André Felipe de Oliveira, ex-secretário de Esportes no governo Arruda. Roxo estava preocupado com a reação de Arruda caso o DEM decidisse emparedá-lo. “Você precisa segurar o partido. O desgaste pode ser muito maior se Arruda fizer uma besteira”, alertou. Essa proximidade alimenta a suspeita de que a arca clandestina de Brasília pode ter contaminado o caixa nacional do partido. Na semana passada, sob a condição de anonimato, um dirigente do DEM revelou a VEJA que pelo menos oito comitês de candidatos apoiados pelo partido nas últimas eleições municipais receberam dinheiro captado por operadores de Arruda. O deputado José Mendonça, do DEM de Pernambuco, era um dos mais aflitos. Ele pediu insistentemente a deputados e senadores do DEM que poupem Arruda da expulsão.

Tio Rei ainda está quietinho, já que parece que vai ficar cada vez mais e mais difícil tentar disfarçar a identidade entre a parte e o todo.  Vamos ver como ele se sai.

Belo texto da colunista gatinha do Valor, Maria Cristina Fernandes, nesta sexta, comparando a atual situação de dois partidos em pólos extremos da política, o DEM e o PSOL.  Trecho:

O DEM minguou longe do poder, mas foi no exercício do seu mais vistoso cargo que o partido lembrou o que é capaz de fazer quando empossado. A oração da propina jogou por terra a estratégia do mais aplicado partido de oposição no Congresso. Investido dessa condição, o DEM chegou até a apresentar projeto de lei para para proibir as empreiteiras de captar financiamento junto ao BNDES para obras no exterior. É um projeto que não teria dificuldades de arrastar o P-SOL se este partido tivesse mais do que uma cadeira na Casa.

Abaixo, para os sem-Valor.

***

UPDATE:

A Folha também tem uma matéria sobre a “decadência” do DEM.  Não vejo o motivo para o uso desse termo, pois todo mundo sabe que “DEM” foi uma sigla que surgiu justamente para disfarçar o velho PFL…ele apenas continua fazendo o que sempre foi sua natureza.

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Tudo pelo “enforcement”

Quando a Polícia Federal estava atrás de Dantas, Tio Rei escreveu o seguinte:

Polícia do estado, polícia do governo e estado policial

sexta-feira, 20 de junho de 2008 | 16:51

Só há uma coisa que prospera no país mais do que petróleo na camada do pré-sal: grandes operações da Polícia Federal. Não somei, mas nossas reservas de óleo já devem andar pela casa de uns 300 bilhões de barris… Assim como as operações da PF também se contam às dezenas. Quantas pessoas já foram presas, algemadas, com o estardalhaço característico, e quantas continuam presas? O primeiro número, não sei. O segundo, sei: nenhuma. Cada nova operação vai, digamos assim, repondo os detidos da operação anterior, que a Justiça manda soltar. E manda só porque é leniente e porque as leis, no país, protegem o corrupto? É o caso de analisar. Mas existe uma boa chance de haver abuso de poder nisso tudo.”

Alguns dias depois voltou ao tema, com mais, er, ênfase:

TARADOS PELO ESTADO POLICIAL

sexta-feira, 11 de julho de 2008 | 6:45

“O fascismo começa caçando tarados”. A frase é do cineasta italiano Bernardo Bertolucci. Estaria querendo dizer com isso que devemos deixar os tarados livres para agir? Não! Está chamando atenção para o fato de que não se pode usar a caça aos tarados como justificativa para impor um regime de terror. Aliás, a frase tem especial validade hoje em dia, quando, sob o pretexto de prender pedófilos, há quem advogue, sem qualquer cerimônia, o fim da privacidade na Internet. O Brasil vive um momento muito delicado. Muito mais do que parece.”

Hoje ele diz o seguinte:

Pensem no que costumo chamar de “petização” da sociedade. Não há um “lugar” onde esse troço é decidido. Muito mais importante e grave do que isso é a interiorização de valores, pelas instituições, que servem exclusivamente a um partido. Ou a partidarização de entes do estado. E isso está em curso, sim, não é de agora.

Avaliem a nova avalanche de denúncias. Qual é o único partido que está sendo preservado — ÚNICO??? Sacanagem de que o PT não participe é cabeça de bacalhau. Seria ele mais honesto do que os outros? Ora… E que fique claro: o fato de que os petistas estejam podendo se comportar como São Jorge de bordel não quer dizer que os demais não devam ser investigados. Devem, sim. Mas que papel desempenha a Polícia Federal de Tarso Genro na investigação e, sobretudo, no vazamento de dados? Será o partido do Mensalão — e falarei mais dele em outro post — realmente mais honesto e decente do que os outros???

É o uso criativo da regra segundo a qual ninguém é culpado até prova em contrário.   É inocente?  Produzam-se provas!

Essa crise aqui no DF me fez ficar pensando em certos paralelos com Washington DC, o distrito federal norte-americano.

No Brasil, o Distrito Federal, enquanto esteve no Rio de Janeiro (denominado, na época do Império, de “município neutro” ou “município da Corte”, segundo a Wikipedia, e “distrito federal” após a Proclamação da República), tinha Prefeitos.  O governo militar rompeu com isso, conduzindo o dirigente do Distrito Federal ao status de governador em1969.  Com a Constituição de 1988, o governo do Distrito Federal passou a ser escolhido pelo voto popular.

Já Washington DC adquiriu a possibilidade de ter um administrador próprio, eleito pelo povo, e um legislativo local, em 1973, com o Home Rule Act _ embora toda a legislação local tenha que ser revisada pelo Congresso da União.  Além do mais, diferentemente do DF, a população de Washington não tem direito a representação federal, isto é, não vota para o Senado ou para a Câmara dos representantes.

***

A idéia de um distrito federal nasceu nos EUA, em 1783, quando o recém-constituído Congresso de Filadélfia foi pressionado pelos locais que tencionavam impor à nova Constituição os seus interesses próprios, o que exigiu que o general George Washington tivesse que enviar tropas para impor a ordem, deslocando o Congresso para a cidade de Princeton.  Daí surgiu a idéia de criar um Distrito Federal que fosse “a casa do governo federal”, um local neutro.

As demandas da população local, típicas de um mundo democrático, terminam por se contrapor à essa necessidade de uma neutralidade territorial do local que abriga os poderes federais.

***

O João Bosco, novo blogueiro do Estadão, tem feito alguns posts sobre a necessidade de se “repensar” a autonomia do Distrito Federal.  É um tanto chocante, por exemplo, a idéia de que o novo PDOT _ o Plano Diretor do Ordenamento Territorial do DF _ tenha sido aprovado sob o signo de um mensalão, destinado a criar deputados distritais dóceis às vontades do Vice Governador da capital que, por acaso, é também o dono da maior construtora local e de uma quantidade absurda de imóveis (ele também, por acaso, é casado com uma herdeira de JK).

Porém há diferenças marcantes.  O Distrito Federal tem 5.802 Km2 e uma população estimada em mais de 2,5 milhão de habitantes.   Washington DC tem 177 Km2 e 591 mil habitantes.   É difícil negar representação a uma população do porte da do Distrito Federal brasileiro.

Uma idéia talvez fosse manter apenas a RA 1, mais ou menos equivalente ao Plano Piloto,  em Distrito Federal, retornando o restante da área ao governo de Goiás.  O problema é que isso causaria imediatamente uma enorme queda na qualidade da prestação de serviços públicos na maior parte do antigo território do DF.

Por isso, acho politicamente indefensável a idéia de reduzir as autonomias políticas do DF.

O Ministério da Defesa britânico acaba de desmantelar seu departamento que cuidava de UFO´s, inclusive o 0800 para comunicar avistamentos.

As suspeitas recaem sobre Gordon Brown.

Na Wikipedia diz que Françoise Forton nasceu em Brasília em 1957.  Acuma??

Isso aqui é muito pior do que rickrolling!

Bem…

Primeiro eu vi a notícia da morte da Leila Lopes no Estadão, e postei.

Depois percebi que alguns dos meus 4,5 leitores já haviam me avisado do falecimento da atriz em comentários.

E agora acabo de constatar que até as 11:15 da manhã eu já tive mais de oito mil acessos no post “Leila Lopes e o pornô“.

Internet é um negócio esquisito.

***

UPDATE (13:15):

11.000 acessos, e subindo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Deu no Estadão:

Atriz Leila Lopes é encontrada morta em São Paulo

Ao lado do corpo havia remédios antidepressivos; ela atuou nas novelas ‘Pantanal’, ‘O Rei do Gado’ e ‘Renascer’

Ricardo Valota, da Central de Notícias

SÃO PAULO – A atriz Leila Lopes, de 40 anos, foi encontrada morta, por volta das 2 horas desta quinta-feira, 3, dentro de seu apartamento, num dos blocos do Condomínio Alto do Morumbi, na altura do nº 538 da Rua Professor Horácio Meireles Teixeira, na Vila Suzana, região do Morumbi, zona sul de São Paulo. PMs do 16º Batalhão foram acionados via 190 por uma suposta testemunha e, ao chegarem no local, encontraram a atriz já morta, no quarto.

Ao lado do corpo dela foram encontrados remédios antidepressivos, o que leva a polícia a trabalhar com a hipótese de overdose. Uma equipe dos bombeiros também foi acionada até a residência e constatou parada cardiorrespiratória seguida de morte. O delegado plantonista do 89º Distrito Policial, do Portal do Morumbi, esteve no imóvel e acionou a perícia. Segundo a polícia, nenhuma marca de violência física teria sido encontrada no corpo dela.”

***

Uma pena.  História de vida bem complicada e triste a dessa moça.

Cadê a Daslu que não importa cuecas caracterizadas para transporte de valores ilícitos da loja do Bjorn Borg??

Deu no Estadão:

Arruda fez edital para comprar 120 mil panetones no dia da ação da PF

Flagrado recebendo R$ 50 mil em 2006, governador disse que dinheiro era para aquisição destinada a pobres

Leandro Colon, BRASÍLIA

Para sustentar a versão de que a quantia de R$ 50 mil recebida em 2006 era uma contribuição para a compra de panetones, o governador José Roberto Arruda (DEM) montou uma licitação na sexta-feira passada, no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Caixa de Pandora. O governo do Distrito Federal vai comprar 120 mil panetones no próximo dia 10, segundo edital aberto naquele dia.

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O Arruda inventou até o Edital preventivo.  Mas ainda é o mesmo baton na mesma cueca…

***

Mas o pior é que o Arruda até que estava fazendo um governo razoável.  Agora o brasiliense depara-se com a expectativa de acabar elegendo Roriz em 2010…haja panetone.

Não sei se foi só comigo mas ontem pela manhã, quando tentava entrar em alguma página da Veja, mesmo a do Reinaldão, aparecia uma telinha que se intitulava como ferramenta de validação de acesso da Abril.  Porém, se você clicasse no “Cancel”, caía no artigo assim mesmo.

Creio que eles estavam testando alguma ferramenta para implementar acesso pago a todas as páginas da Abril.

Quero ver se vão botar o Reinaldão atrás de um firewall.  Ah, isso eu quero ver!

“Quem elege o governante não é quem lê jornal, é quem limpa a bunda com ele. “

_ Durval Barbosa

(hat tip: João Bosco Rabello)

Deu no The Register:

LHC knocked out by ANOTHER power failure

By Lewis Page

The Large Hadron Collider – most puissant particle-punisher ever assembled by the human race – has suffered another major power failure, knocking not only the atomsmasher itself but even its associated websites offline. The machine remains unserviceable at present. However its crucial cryogenics seem to have been unaffected, and no catastrophic damage is thought to have occurred.

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Bom, nada a ver entre o LHC e o FHC.  Esse último parece que nunca sofreu de “power failure“.

***

Tô dizendo…  🙂

Em janeiro de 2008, no calor da eleição norte-americana, Tio Rei obrou o seguinte post:

A diferença entre convicção e sectarismo burro

domingo, 6 de janeiro de 2008 | 17:12

Vamos ver. O candidato democrata, tudo indica, será Barack Osama – ops! Obama – ou Hillary Clinton. Um fala aquelas “verdades” do humanismo chinfrim; a outra é notavelmente articulada, é a voz mais técnica entre todos os postulantes. Quem deve ser o republicano a enfrentar um ou outro? Alguém capaz de dizer também verdades gerais e que possa confrontar com razoável destreza o tecnicismo. Só há dois entre os republicanos capazes de fazê-lo: John McCain e Rudy Giuliani, este mais midiático do que aquele — e, pois, mais viável.

Uma eleição não é só um campeonato de qualidades morais. É preciso também ser viável. A questão é saber qual é ponto zero, o marco inicial dessa disputa. E o ponto zero é este: a vitória, hoje, já é dos democratas, entendem? A questão é como tirar deles a eleição certa. Se os democratas escolherem Osama — quero dizer, Obama —, será uma ajuda e tanto. Mas o problema ainda não está resolvido. Depende de quem estiver do outro lado.

Tenho arrepios civilizatórios ao pensar num confronto entre o “libertário” Osama — digo, Obama — e um teocrata caipira. É o mesmo que entregar o ouro pro bandido. A convicção que não dialoga com a realidade é só sectarismo burro.

Na época, Huckabee andava fazendo estragos nas primárias republicanas.  No mesmo dia em que escreveu o post acma, Tio Rei também escreveu isso aqui:

Não serei eu a criticar este ou aquele candidatos porque têm uma religião. Mas o estado é leigo e deve continuar a sê-lo. O republicano Rudy Giuliani é favorável ao aborto, e Huckabee é contrário? Não basta para que eu simpatize com o ex-governador do Arkansas. Continuo a preferir o ex-prefeito de Nova York, que me parece mais equipado intelectualmente para responder aos desafios postos para a maior economia do mundo — e também para a maior máquina militar do planeta. Se Huckabee, a esta altura do campeonato, ainda não entendeu a importância do Paquistão no cenário mundial, sou forçado a indagar: o que mais ele não entendeu? Prefiro, sim, candidatos com sólidas convicções religiosas. Mas a Casa Branca não pode ser confundida com um templo do interior…”  [grifo meu]

Era contra a perspectiva de sua consagração que Reinaldo falava _ como se a Veja fosse a Fox News, aliás _ mas o que importa é o seguinte: para derrotar os democratas, aqueles bárbaros antiocidentais favoráveis ao aborto, Tio Rei propugnava que o partido republicano ungisse um…candidato favorável ao aborto.

Nesta madrugada, ele produziu um “texto de deformação” onde se atraca com uma obra de Trotsky intitulada “Moral e Revolução“.  Transcrevo um pedaço do texto do velho bolchevique, “discutido” por Tio Rei:

O meio não pode ser justificado senão pelo fim. Mas também o fim precisa de justificação. Do ponto de vista do marxismo, que exprime os interesses históricos do proletariado, o fim está justificado se levar ao reforço do poder do homem sobre a natureza e à supressão do poder do homem sobre o homem.

O que é um pensamento tão consequencialista quanto o externado pelo Reinaldão nos seus post antigos, uai.  Até porque sabemos como Tio Rei trata chefes de Estado favoráveis à discussão sobre o aborto.  Quando houve aquela tragédia da menina recifense violentada pelo padrasto, que ficou grávida aos 9 anos de idade e teve que sofrer um aborto para que pudesse sobreviver, Tio Rei dizia o seguinte sobre Lula, que havia dito que “Como chefe de Estado tenho de tratar o aborto como questão de saúde pública. Como cristão, eu sou contra”:

Fosse Lula sincero, sua opinião seria esquizofrênica. Esse negócio de “como cristão” e “como presidente”, lamento dizer, é coisa de covardes políticos. Soubessem as oposições explorar tais contradições, Lula não alcançaria a altitude que alcança. O diabo — e como tem diabo nessa história! — é que também elas têm receio de enfrentar a questão.”

Bem que Tio Rei confessa que foi trotskista na juventude.  Pelo visto guardou no peito as convicções de outrora _ de lá pra cá, aprendeu apenas a ser hipócrita.

Briga de rua entre as hostes oposicionistas:

PSDB abandona governo e DEM cobra caso Yeda

Cúpula reage duramente ao rompimento dos tucanos com governador do DF e relembra escândalos na gestão gaúcha não investigados pelo partido

Marcelo de Moraes e Christiane Samarco

A decisão do PSDB de abandonar o governo de José Roberto Arruda irritou o comando nacional do DEM. Os tucanos aderiram à debandada em massa dos aliados do governador e anunciaram sua saída, em reunião de sua Comissão Executiva Nacional. Para o DEM, o PSDB, como principal aliado nacional, poderia ter esperado o resultado do processo de julgamento interno de Arruda para tomar sua decisão.

Na avaliação dos dirigentes do DEM, a decisão tucana serviu para aumentar o desgaste político do partido, que ficou isolado na administração do escândalo. Foi o suficiente para que o presidente da sigla, deputado Rodrigo Maia (RJ), atacasse o PSDB, fazendo referências às denúncias contra a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, que precisou usar sua força política regional para evitar o sucesso de uma CPI contra seu governo.

“Respeito a decisão de qualquer partido. Mas nós do DEM somos o único partido que está investigando as denúncias contra um filiado. O PSDB poderia ter investigado a governadora Yeda Crusius, mas não fez. Nós faremos investigação”, criticou. Maia foi mais além e se irritou com a possibilidade de o partido supostamente perder a vaga de vice numa chapa presidencial encabeçada pelos tucanos por conta do escândalo. “Se for levar em conta escândalos para definir vaga em chapa, talvez o PSDB nem pudesse lançar candidatura presidencial”, atacou.” [grifo meu]

***

Desse jeito a oposição chegará realmente em forma a 2010.  Limpinha, e bem magrinha.  🙂

(daqui)

A Executiva do DEM, atirada na cama, com as roupas rasgadas e com um bofetão marcando a cara, exige: Arruda, você tem 24 horas pra sair desse quarto!

Deu (até) na Veja:

Arruda ameaça DEM depois de ser pressionado

Três dias depois de revelado o escândalo do pagamento do mensalão no Distrito Federal e após três reuniões da cúpula do DEM, o governador José Roberto Arruda reagiu com ameaças à pressão para deixar a legenda. Num encontro com os dirigentes nacionais do DEM, na residência oficial de Águas Claras, na segunda-feira, Arruda devolveu a pressão exercida pelo senador Demóstenes Torres (GO), que propôs à direção partidária sua expulsão sumária. “Se vocês radicalizarem comigo, eu radicalizo”, avisou.

No fim de semana, ele já havia prevenido interlocutores do partido de que não se calaria caso fosse expurgado. Nessas conversas, disse claramente que revelaria os recursos que saíram do Distrito Federal para várias campanhas municipais do DEM, incluindo a da prefeitura de São Paulo, hoje administrada por Gilberto Kassab. O governador também se negou a tomar a iniciativa de pedir desligamento do DEM. “Eu me recuso a aceitar desligamento”, afirmou. “Seria o reconhecimento antecipado de culpa e eu tenho defesa. Acho que tenho condições de mostrar minha inocência e ganhar as eleições.”

Vamos ver como isso compara com o que o “reservoir dog” predileto da revista andou dizendo:

Mensalão de Arruda ou do DEM?

O desastre protagonizado por José Roberto Arruda faz aflorar o enorme preconceito que parte importante da imprensa tem contra o DEM — considerado “de direita”. É preciso ser muito energúmeno para afirmar que o Democratas é direitista. Mas os energúmenos estão à solta… Por que escrevo isso? Porque já se chama o esquema de falcatruas do Distrito Federal de “mensalão do DEM”. Calma lá! (…)

O mensalão petista foi justamente classificado de “petista” porque a cúpula dirigente estava comprometida com ele. Não é o caso, até onde se sabe, das lambanças de Arruda. Enquanto não surgir uma evidência ao menos de que direção do partido tivesse ciência do esquema ou fosse sua beneficiária, chamar a coisa de “Mensalão do DEM” ou é manifestação do tal preconceito ou é prestação de serviços ao petismo.”

E principalmente com o que ele diz…agora:

Não há escapatória, senhores do DEM: hoje é pior do que ontem e melhor do que amanhã. Seja ou não verdadeira a história de que Arruda colaborou com dinheiro ilegal para ações do partido em outros estados, ele tem de sair. Nesse caso, o dano será certamente grande. Mas será devastador se ele ficar.

A única ação racional é expulsá-lo, independentemente do grau de contaminação.” [grifos meus]

Não é interessante essa escolha de palavras?   Quanto às trapalhadas de aloprados, invariavelmente não se faz a menor tentativa de separar uma coisa da outra.  Aliás, fala-se ali em “esquerdopatia”, associada ao Mal e ao próprio Tinhoso.  Já no caso do DEM…é um “contágio”, e Arruda, apesar de estar falando a linguagem dos mafiosos, é apenas uma “maçã podre” que não deve contaminar o resto do cesto.  Como se o DEM, cuja alma é o Pefelê, não tivesse abrigado, entre outras sumidades da política que vem da cueca, o Dr. Antônio Carlos Magalhães.

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