OK: eu tenho zero simpatia por governos teocráticos.  E zero paciência com governos populistas.

Considero que o diálogo com os países islâmicos radicalizados é difícil.  Mas também que nada impede que ele seja tentado, pelo contrário, principalmente porque a diplomacia das bombas não tem se mostrado muito eficaz.   Infelizmente a imprensa ocidental passa uma imagem do que é o Islã que não corresponde muito à realidade, nivelando tudo por baixo, ao mínimo denominador comum do terrorista radical _ que encontra seu “duplo” não nas ruas das cidades do Ocidente, mas nas hostes religiosas do Partido Republicano ou talvez nas redações da Veja.

E embora seja verdade que quem vê cara não vê coração, também procede a constatação que o fascismo costuma ter uma estética própria, por vezes mais encontrável onde você menos esperaria do que onde todo mundo diz que ela está.

Por tudo isso, é que penso que a tentativa de impregnar estes dois bonachões aí embaixo com o conteúdo ideológico dos outros dois abaixo deles me parece fadada ao fracasso.

Aliás, pra falar a verdade, acho que a sobriedade e austeridade com que Ahmadinejad se apresenta em público não poderia lembrar menos a estética fascista.  Isso não diminui em nada o conteúdo questionável de várias de suas declarações, mas também não autoriza sua demonização, principalmente se quisermos algum progresso nas relações entre o Islã e o Ocidente.

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