Matéria do Estadão de hoje dá conta da ação do DEM na aprovação de uma lei que busca limitar os financiamentos do BNDES a empresas brasileiras no Exterior, em particular empreiteiras realizando obras em outros países:

Construtoras tentam barrar projeto que limita BNDES

SÃO PAULO – Rivais no canteiro de obras, fora dele as maiores construtoras do País se juntaram para derrubar o que dizem ser uma ameaça a seus negócios: um projeto de lei que proíbe o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de financiar obras fora do Brasil. (…) Estimuladas pelo governo Lula e sua política de ocupação comercial da América Latina e da África, empresas como Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa estão construindo hidrelétricas, portos e metrôs em outros países, com financiamento do BNDES.

(…) O projeto que tramita no Senado, de autoria do senador Raimundo Colombo (DEM-SC), fecha essa fronteira. Ele proíbe que “o BNDES financie governos de outros países e suas empresas”.

O papel do BNDES não é esse. Ele não pode dar dinheiro para um metrô na Venezuela ou um porto em Cuba, quando tem tanta coisa para fazer no Brasil”, afirma Colombo. Quando chegou ao Senado, no começo do ano, o projeto de Colombo chamou a atenção das construtoras e do BNDES. Mas a preocupação cresceu mesmo depois do parecer favorável da relatora da Comissão de Constituição e Justiça, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO). No seu parecer, a senadora afirma que a função do BNDES foi “desvirtuada com o financiamento de governos estrangeiros”.”

(…) O governo, por sua vez, afirma que o apoio oficial é fundamental para abrir mercado para as empresas brasileiras. “Esse projeto é um tiro no pé com a melhor das intenções. Ele só prejudica as empresas brasileiras”, afirma o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, a quem o BNDES está subordinado.

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No mais, é interessante comparar essa preocupação da Kátia Abreu com os empréstimos do BNDES a construtoras com outros empréstimos da entidade, principalmente quando dedicados à sua base eleitoral:

Kátia Abreu diz que BNDES liberou R$ 200 mi para frigorífico

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), afirmou nesta sexta-feira, 27, que o Banco Nacional de Desenvolvimento econômico (BNDES) já liberou a carta de crédito de R$ 200 milhões para que o Banco do Brasil possa realizar operações de empréstimo ao Frigorífico Independência SA.

Segundo a senadora, os recursos serão destinados exclusivamente ao pagamento dos pecuaristas que forneceram animais para a empresa. “A condição é essa. O dinheiro é carimbado”, disse ela. Indaga se esta exclusividade poderia ter algum entrave jurídico dentro do processo de recuperação judicial da empresa, Kátia Abreu disse que o que pode acontecer no caminho é inflamar os outros credores. “Mas sobre isto não posso opinar”, concluiu.”

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Kátia Abreu defende socorro a pequenos e médios frigoríficos

A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), disse ontem, terça-feira, 17, que os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não podem ser aplicados para socorrer apenas os frigoríficos que “estão pela hora da morte”.

Kátia defendeu que pequenos e médios frigoríficos também sejam socorridos “de maneira justa”, segundo informa a matéria da repórter Fabíola Salvador da Agência Estado.

Na opinião da senadora muitos frigoríficos imobilizaram unidades com recursos de capital de giro, estratégia que se mostrou, segundo suas palavras, um “desastre”.”

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países menos desenvolvidos não tem problemas com esse tipo de atuação de seus bancos de desenvolvimento…

“The Export-Import Bank supports the financing of U.S. goods and services, maintaining, and creating more U.S. jobs…

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A verdade é que financiamento às exportações de bens e serviços por empresas nacionais sempre foi uma forte arma competitiva em determinados segmentos, principalmente construção e equipamentos pesados (como construção naval), e qualquer técnico do setor sabe disso.  O lance é que o DEM, como Reinaldo Azevedo, já resolveu mandar o país às favas, se isso for necessário para chegar ao poder em 2010.