Charles Fernando é um jovem conservador evangélico.  Não o conheço pessoalmente, mas seu blog mostra que ele compra o pacote completo, incluindo o selinho do “True Outspeak”.

Pois bem:

Precisamos de mais alunos como os da UniBAN!

Posted by Charles Fernando under Posts | Tags: uniban |

1 Comment

O título acima já prova que não estou tentando ser popular e principalmente ser agradável ao mainstream, não gosto do comportamento de manada nem da opinião induzida, por isso fui buscar provas com sinceridade em duvidar nas absurdas e não provadas acusações de que os alunos da UniBan vem sofrendo em nome da moral de puteiro, no qual toda moça tem o direito de usar mini-saia onde bem entende.

A dúvida nasceu da própria assertiva de que os alunos a quiseram estuprar em público pela moça estar provocando eles. Sim, ao contrário do que se entende, vários depoimentos (Que irei citar sem retoques) mostram que ela provocou diretamente o caso. Você pode imaginar em um relance esses alunos estando tão afobados que se transformaram em atores pornôs praticamente instantaneamente mesmo com tantas moças em sua volta para assistir? Acredita que uma porta trancada iria fazer frente a uma turba em busca de cometer um crime? Portas trancadas não aguentam nem os grevistas da USP, quanto mais a libido reprimida pela religião (sim, a culpa é sempre nossa, acredito piamente que esses alunos não tem uma ponta do ateísmo iluminado para barrar a sua moralidade violenta, um ateu não pode ser contra moças de mini-saias em um ambiente de estudos).

Duvidei, e busquei depoimentos de alunos nos vídeos e blogs que comentaram o assunto, são eles:

Desculpe, mas a noticia está errada => http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL1358779-5605,00-ALUNA+COM+POUCA+ROUPA+PROVOCA+TUMULTO+EM+UNIVERSIDADE+E+VIDEO+CAI+NA+WEB.html <=

uma colega minha estuda na UNIBAN, na sala ao lado da garota, e ela afirmou que não houve “tentativa de estupro”, oq houve foi um bando de marmanjos xingando a menina pela forma que ela estava vestida. E afirmou também que a menina ficava se insinuando na frente das outras salas.

Ótimo, e de acordo com outro depoimento no mesmo blog.

Aqui, é muita mentira esta onda de q os alunos iam estuprar a garota. Isto não existiu… Eu estava lá!!!! Estávamos gritando PUTA! PUTA! PUTA!, e ESTUPRA!, ESTUPRA!, ESTUPRA! só de ZOAÇÃO, só de GOZAÇÃO!! Até parece q alguém iria estuprar uma mina no meio de uma universidade com todo mundo vendo!!! Até parece!! Fazer isto seria certeza de ser preso e destruir sua vida!! Ninguém iria fazer isto só porque uma destrambelhada resolveu ir pra aula com uma roupa inadequada. Destruir sua própria vida apenas porque uma mina resolveu ir pra aula mostrando sua bunda e outras partes íntimas seria demais!!!

E esta mina já é conhecida na UNIBAN de outros carnavais… Não é nenhuma santinha q de repente resolveu vestir uma roupa mais ousada!!! Ela sempre se veste de forma a provocar os outros!!

Aquela velha lição q nossa vó nos ensinou vale aqui: se queremos ser respeitados, devemos nos respeitar primeiro. E não foi isto q aconteceu, a mina não se respeitava, então os outros não a respeitaram!!!

Um comentário do vídeo:

Eu estudo lá. A mina ia subindo a rampa e os caras mexiam, daí ela olhava pra trás, jogava o cabelo pro lado, ajeitava o vestido, e ia caminhando rebolando. Subiu, e lá de cima provocava. E não é a 1ª vez isso, só q da outra vez (1 dia antes) não chamaram a polícia, pq ela estava mais comportada.

Então, não há prova sequer que estes alunos encostaram na moça, eu duvido muito disso! E muitos os reprovaram por não permitir uma roupa inadequada ao ambiente de estudo. Mas e o Quico? Por acaso eles são obrigados a aceitar o comportamento da moça só porque os moderninhos politicamente corretos querem? Onde está a liberdade deles de reprovarem a roupa dela assim como ela tem a liberdade de usar o que bem entender desde que em lugar apropriado? Ou eles são obrigados a engolir o desrespeito com a Universidade?

Nos ataques contra os alunos ouvi absurdos do tipo:

“O título do video está errado. O certo deveria ser: Animais humilham liberdade de expressão”

Outro sequer percebe a idiotice de que se está falando:

Por fim, vao ter que emitir a assustadora opiniao de que ninguem pode usar um maio numa universidade, por ser indecente!”

Foram retirados do blog e do vídeo, mas imagina você aluna, você tem todo o direito de ir de maiô na universidade e ninguém pode falar nada…. o indecente é ser decente! No Brasil, o moralista fariseu é o cara que fala mal do Carnaval e do funk, defende a pouca veste nas universidades… e depois chama os religiosos de hipócritas.. haja trave!

Os alunos podem ter errado? Sim… eles admitem isso, admitem também que pouco estavam se importando que esse assunto ia parar na internet e nas mãos dos politicamentes corretos sentirem-se com a consciência mais leve acusando terceiros. Mas se não ocorreu estupro como baseio-me acima para não acreditar nesse absurdo, parabéns aos alunos da UniBAN, que não permite que seu ambiente de ensino seja maculado com as vicitudes de outros ambientes, e isso não é apenas institucional que não pode controlar tudo, é na raíz da UniBAN, os alunos realmente estavam engajados em expulsar a moça de lá independente de uma autoridade universitária, nada mais libertário que não necessitar da aprovação de terceiros para se fazer o que é certo. Eles entenderam o que significa ser um watchdog, um vigia da liberdade que só pode existir com uma moral responsável e madura não imposta, e ninguém impôs moral a esses alunos, exceto o #mimimi da internet. Meu amigo católico dizia que se pode ser conservador e conservar qualquer coisa, ele estava certo. O que há no Brasil são conservadores dos maus costumes e da imoralidade.” [grifos meus]

***

É vem verdade que ele depois lamenta seu isolamento:

Fora o apoio do Julio Bueno, meu amigo Filipe Garcia (Muito conhecedor de Chesterton) não emitiu opinião, não tive apoio nenhum do Reinaldo Azevedo, da comunidade do Olavo de Carvalho e de muitos cristãos conservadores.. eu devo ter me tornado um extremista mesmo… cabe eu e o Julio convivermos na Alcatraz moral junto com os orangos do TaliBan… a ditadura da sexualidade livre é irresistível, só uns poucos não cairam na sedução da mini-saia.

Agora mesmo estive conversando com a Lucilene Soares no twitter, e ela disse bem que nas nossas igrejas as moças se vestem pior… sim, é verdade… e infelizmente quem está do lado de fora e não compartilha de nossa fé consegue enxergar isso melhor do que quem está dentro.”

Essa questão aliás é interessante, e volto a ela.

***

OK, eu admito a existência de uma clivagem entre a direita de talhe economicista e a direita mais preocupada com a questão dos valores, conservadora do ponto de vista social.  Também admito que essas duas vertentes às vezes não se bicam, como mostrou o vitupério entre Olavo de Carvalho e Rodrigo Constantino.

Minha bronca com Reinaldo Azevedo no episódio da Geisy Arruda é que ele está jogando para a platéia.   Porque Tio Rei, pelo menos enquanto “persona” política, é claramente muito mais um representante da direita socialmente conservadora do que propriamente um titã do livre mercado.  Digo isto porque ele, em seus posts, faz muito mais o papel do campeão dos valores conservadores do que de um campeão do livre mercado _ algo que por sinal seu apoio a Serra deveria ensinar aos seus discípulos.

O menino aí pelo menos está na dele.  Discordo totalmente, mas ele ao menos está sendo sincero.

Já Tio Rei, em um longo post “em defesa” da Geisy Arruda, após usa expulsão da Uniban, nos apresenta o seguinte comentário:

Eis o problema

Disse lá no alto: há o sintoma, e há a doença. A doença está na expansão de uma universidade sem vida universitária; de uma universidade que não consegue plasmar valores  que ao menos debatam e questionem o ambiente intelectualmente acanhado de onde provém a nova “clientela” — essa palavra é boa — que usa esse “serviço”. Ela chega ao terceiro grau em razão do farto financiamento público e do barateamento dos cursos — no sentido mais amplo, geral e irrestrito do “barateamento”.

Alguns bocós falam de boca cheia em “democratização” da universidade. Confunde-se “democratização” com vulgarização — que é mais ou menos como confundir “povo” com “vulgo”. Que “universidade” é essa incapaz de transmitir a seus alunos o princípio básico do respeito ao outro — ou, se quiserem, da reação proporcional àquilo que se julgou, então, “desrespeito” do outro? Ao jogar a reputação e o destino de Geisy na arena — aliás, a Uniban lembra mesmo uma arena romana —, que exemplo moral a direção da universidade dá aos alunos? O tal Machado parece não deixar muitas dúvidas de que ele está dando uma satisfação apenas à clientela. Agora já sabemos: na Uniban, ser “insinuante” e “rebolar”, se a turba se exaltar, pode resultar em expulsão. Ameaçar alguém com linchamento e estupro não dá em nada; ao contrário até: parece ser essa uma reação considerada legítima.

(…)

E que se note: exceção feita às profissões que ponham a vida de terceiros em risco, pouco se me dá que essas coisas prosperem por aí. Se há quem queira comprar e quem queira vender — e se o mercado absorve esses profissionais —, virem-se. Garçom administrador de empresas é melhor do que garçom garçom? Não necessariamente — talvez faça bem à sua auto-estima, sei lá. Agora, quando dinheiro público entra na jogada — e o ProUni, por exemplo, é dinheiro público —, aí essas instituições têm de prestar contas do que fazem, sim. E a relação deixa de ser privada do comerciante com o cliente; aí passa a ser uma questão de estado. E o governo tem sido, obviamente, relapso com esse setor da economia. O país inventou uma universidade que não universaliza, mas amesquinha o espírito.”

É mesmo?  Nesse caso ele deveria se perguntar o que o partido do seu candidato tem a ver com isto. Pois a IstoÉ de fevereiro  de 2000 tem algo a acrescentar neste aspecto, em uma matéria pitorescamente intitulada “A Guerra do Canudo“:

O ensino universitário privado no Brasil é um mercado de 1.015 cursos com 1,5 milhão de estudantes, faturamento anual estimado em R$ 5 bilhões e planos para dobrar de tamanho nos próximos quatro anos. Só em 1999, a Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) autorizou a abertura de 517 novos cursos País afora, a grande maioria particulares. Esse acelerado aumento de vagas poderia ser apenas uma boa notícia aos milhões de estudantes que pretendem uma melhor qualificação para enfrentar um estreito e cada vez mais exigente mercado de trabalho. A concorrência nesse lucrativo negócio, porém, se transformou numa verdadeira guerra com troca de denúncias entre grandes empresas educacionais que atingem também o CNE e o Ministério da Educação. A Polícia Federal está investigando desde o ano passado uma denúncia de falsificação de pareceres. O caso veio à tona quando o próprio dono da Faculdade Elite de São Paulo foi à sede do CNE para saber se um processo dele já havia sido autorizado. Quando foi informado de que o relator do caso, o conselheiro Roberto Cláudio Bezerra, nem sequer tinha lido o processo, perdeu a paciência e abriu o jogo. “Eu já paguei por isso”, protestou o empresário, que tinha nas mãos cópia de um parecer assinado pelo próprio Bezerra aprovando sua faculdade. O parecer foi comprado de um dos muitos escritórios em Brasília que montam processos para reitores de primeira viagem, alguns comandados por ex-integrantes do conselho. O MEC abriu inquérito administrativo, que concluiu que o parecer falso havia sido digitado dentro do CNE, onde também foi falsificada a assinatura do conselheiro. A investigação ainda não foi concluída.

Outra história estranha ocorreu em agosto do ano passado quando da renovação da autorização para o funcionamento do curso de Direito da Universidade de Guarulhos. Uma comissão de avaliação da Secretaria de Ensino Superior do MEC concluiu que a organização didático-pedagógica da universidade era deficiente e teria sugerido ao reitor Antonio Veronesi a contratação de um consultor para propor providências capazes de suprir as deficiências. Logo após a conversa, Veronesi foi procurado pelo consultor Edmundo Lima de Arruda Júnior que ofereceu seus serviços por R$ 100 mil. A Universidade de Guarulhos seria a 12ª instituição de ensino que, após receber consultoria de Arruda Júnior, receberia reconhecimento do MEC. Em 8 de dezembro, a Câmara de Educação Superior do CNE propôs “a instalação imediata de uma Comissão de Sindicância para averiguar as irregularidades cometidas pela Comissão de Avaliação para a renovação do reconhecimento do curso de Direito da Universidade de Guarulhos”. Os avaliadores do MEC colocados sob suspeição trabalham na Comissão de Ensino Jurídico chefiada pelo professor Silvino Lopes, que está no Ministério desde a gestão do ministro Carlos Chiarelli no governo Fernando Collor. “Tudo indica que ali tem sérios problemas que estão a merecer uma investigação aprofundada”, adverte um reitor de uma universidade privada.

Cabala

Silvino Lopes é subordinado do conselheiro Abílio Afonso Baeta Neves, homem de confiança do ministro Paulo Renato Souza e todo-poderoso comandante da Secretaria de Ensino Superior do MEC. ISTOÉ teve acesso a documentos e fitas de uma reunião do Conselho Nacional da Educação que mostram uma história no mínimo contraditória. Em 4 de outubro do ano passado, os 12 conselheiros do CNE decidiram que a Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban) não poderia abrir cursos em Osasco sem antes cumprir a exigência legal de receber uma autorização do Ministério. “Fazer vestibular, ela pode fazer onde quiser – nos Estados Unidos, no Japão e até no subterrâneo do metrô de Paris. Agora, matricular para cursos lá é uma irregularidade, e nós não teremos nenhuma outra atitude a não ser informar que aquele vestibular é absolutamente ilegal e nulo”, sentenciou Baeta, na ocasião. Tudo letra morta. A Uniban, que tem como dono o reitor Heitor Pinto, simplesmente ignorou a proibição e não foi punida, apesar de expressa recomendação do CNE nesse sentido.

Numa reviravolta surpreendente, em janeiro deste ano Baeta passou a aceitar como regular o comportamento da Uniban e entrou em conflito aberto com seu parecer anterior e os colegas conselheiros. Pela legislação atual, uma universidade, para abrir campus fora da sede, precisa apresentar projeto específico ao conselho – como se estivesse criando uma nova universidade. A Uniban argumentou que não precisava dessa licença prévia porque, ao reconhecer a instituição, em 1993, o CNE aceitou Osasco como uma das áreas de influência da Uniban. O CNE não concordou e pediu ao MEC a abertura de inquérito administrativo para investigar irregularidades praticadas pela Uniban e também a suspensão de todos os processos da instituição em tramitação. O caso Uniban virou o primeiro grande impasse entre o MEC e o CNE. O Ministério considerou as propostas do conselho “extremas e desproporcionais” e rejeitou o pedido, que agora será revisto por uma comissão especial. Para complicar a situação, donos de universidades privadas contaram a ISTOÉ que Baeta Neves extrapolou suas funções de funcionário público e cabalou votos para a chapa articulada por Heitor Pinto, que no ano passado disputou e perdeu a eleição da Associação Nacional de Universidades Privadas.

Se a Uniban mostra força no Ministério da Educação, outro que também chama a atenção pelas excelentes relações no CNE, o órgão que julga, emite pareceres e aprova todas as instituições de ensino superior do País, é João Carlos Di Gênio. No final do ano passado, por exemplo, a Uniban resolveu abrir um novo campus em São Paulo. Depois de muita negociação, feita em sigilo, ofereceu em dezembro R$ 8 milhões por um prédio no bairro do Jaguaré. Ali, seria aberto o campus Marginal Pinheiros. Seria. A Uniban negociava o imóvel quando foi informada pela corretora de que a propriedade não estava mais à venda. Tinha sido negociada com uma de suas maiores concorrentes, a Universidade Paulista (Unip), de Di Gênio, que rapidamente abriu lá um campus e realizou seu vestibular, oferecendo 1.500 vagas para nove cursos. Além do vendedor e do candidato a comprador, o negócio só era conhecido dentro do Conselho Nacional de Educação. “Isso é suspeito”, atacou o reitor Heitor Pinto. “É uma desculpa de quem perdeu um negócio”, contra-ataca Di Gênio, que afirma ter pago R$ 9 milhões pelo prédio pretendido pela Uniban.” [grifos meus]

Ou seja, o Ministério da Educação, então comandado por Paulo Renato Souza, tergiversou e muito na hora de punir a Uniban, e teve um alto funcionário cabalando votos para seu reitor.  Hummmm.