Se alguém aí já visitou o Mercado Modelo em Salvador, sabe que no subsolo do prédio existe uma ampla galeria com um espelho d´água.  Em reforma recente, acrescentaram pisos de concreto.  O interesse histórico ali, dizem, é que antigamente aquele era o local onde se comercializavam escravos, vindos diretamente da África e aportados ali por canoas vindas dos navios negreiros ancorados na Baía de Todos os Santos (*).

Alguma boa alma, preocupada com a saúde e bem estar dos turistas, afixou sobre o espelho d´água o seguinte cartaz:

watercare

A intenção é boa, mas periga de acontecer o contrário, e algum gringo ou gringa se jogar ali buscando um benfazejo e estimulante “water care” para a pele..ou então achar que se trata de um sistema primitivo de preservação da água.

Cortesia da Prefeitura de Salvador, que, dizem, mantém o prédio…

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Mais à frente, já no Pelô, havia uma carrocinha vendendo côco gelado, ou no dialeto do inglês falado em Salvador, “Coconut Ice”.

(*) Encontrei tanto a versão de que o prédio foi construído em 1861 para abrigar a Alfândega da cidade, quanto a de que teria sido inaugurado em 1912.  Claro que só uma das versões abrigaria a história dos escravos.  Uma história ainda mais confusa pode ser encontrada aqui. Ou aqui.  O site da Receita Federal, porém, esclarece tudo: existiu um Mercado Modelo construído em 1912 que foi destruído, passando então a abrigar-se no prédio da Alfândega, este sim construído entre 1849 e 1861.  Agora, se a história dos escravos é verdadeira, não sei.  O site da Secretaria de Turismo de Salvadordiz apenas que durante as reformas em 1983 descobriram o subsolo, que era usado para guardar vinhos, classificando como “lenda” a história dos escravos.

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