Causa burburinho na rede o “vazamento” de um trecho do filme “Do Começo ao Fim”, do diretor Aluizio Abranches, no YouTube.

A trama conta de forma delicada uma relação de incesto homossexual.   Já posso imaginar a reação de Olavón et caterva.

Matéria no Globo narra a “surpresa” do diretor:

O cineasta Aluizio Abranches recebeu na quinta-feira à tarde um telefonema do produtor Fernando Libonati: “Tá na rede. Vazou.” Ele se referia a um promo – filme promocional – de quatro minutos de “Do começo ao fim”, previsto para estrear no segundo semestre.

– Deu um frio na barriga quando eu soube. Fiquei muito nervoso. É muito cedo – diz Abranches.

A-hã.

Posso ser um paranóico, mas acredito que os cineastas estão aprendendo a usar marketing viral na rede.  🙂

Outro detalhe curioso na matéria:

(…)Abranches enfrentou reações de possíveis patrocinadores.

– Foi difícil à beça de vender. Levei vários “nãos”. Diziam que o conselho da empresa não ia aceitar um tema desses, alegavam problema de verba. São assuntos tabus.

Teve quem sugerisse a troca por duas irmãs. Um dos patrocinadores, que disse ter gostado de “O segredo de Brokeback Mountain”, saiu da sala, voltou e falou: “Vem cá, será que não poderiam ser dois primos, em vez de dois irmãos?”. Ele explicou que não teria a mesma força. O empresário acabou patrocinando. Foi um dos dois únicos que o diretor conseguiu, num total de R$ 200 mil. Com um detalhe: exigiram anonimato. Abranches também ganhou um prêmio espanhol de pouco mais de US$ 100 mil, do fundo Ibermedia.

– O resto do dinheiro é nosso mesmo, e empréstimo em banco.” [grifo meu]

O interessante aqui é que toda a lógica por trás do financiamento de filmes pela via dos benefícios fiscais é que as empresas que investem em cinema acabam ganhando um tipo de publicidade em retorno ao patrocínio.  Como nesse caso os empresários em questão exigiram anonimato, das duas uma: ou toparam financiar por amizade ao diretor ou em benefício da “causa”.   Nada demais, mas vale a pena registrar.