id4

Fui ver Distrito 9.

Gostei muito, apesar dos  furos do roteiro.

Mas fiquei com uma sensação muito forte de que apesar de todas as boas intenções que o roteiro nos força a emular, a história de fato é uma mistura de ID4 com “Guerra dos Mundos”.

Com um quê de “Alien Nation”, aliás.

[spoilers abaixo]

Na boa:

Os “camarões” são uma sociedade de castas (o que se depreende pela afirmação do narrador de que a grande maioria dos indivíduos encontrados na enorme nave eram operários sem iniciativa, e que os “lideres” havia morrido de alguma doença).

A nave estava armada até os dentes, porém as armas não tinham uso para ninguém: para os humanos, porque estavam “setadas” para o DNA alienígena (uma justificativa meio besta e facilmente contornável mesmo pela tecnologia que temos hoje); para os “camarões”, porque eles eram “operários sem iniciativa”.

Somando cré com lé: uma nave gigantesca, com uma carga de operários sem iniciativa, liderada por uma casta fortemente armada.   Bom, os operários não poderiam usar as armas, porque não tinham iniciativa, e os líderes não precisariam usá-las contra os operários, porque, ora, eles não tinham iniciativa.

Mais um detalhe: só os “camarões” podem usar as armas…

Pergunta-se:

a) para quê as armas?

b) para quê os operários?

c) porque os “camarões” têm armas que são levadas de um planeta para o outro, e que eles têm o cuidado de assegurar que só eles podem usar?

Não sei a resposta exata, mas fica uma forte impressão de que o que quer que eles estivessem indo fazer em não sei onde, boa coisa não era.

Assim o filme tem uma qualidade interessante: é bom, e deixa uma abertura para uma “sequela” que pode dar em qualquer coisa.

***

Falei que havia furos no roteiro.  O primeiro eu já entreguei: com a tecnologia de hoje,  não julgo muito razoável supor que já não teríamos conseguido quebrar o truque que torna as armas inutilizáveis pelos humanos.  Talvez não em 1982 (quando, pela sinopse, os alienígenas teriam chegado à Terra), mas certamente não em 2002, ou pelo menos não em um 2002 onde aquelas armas existissem mesmo (falo de incentivos aqui, certo?).

O outro furo é que existe uma filmagem mostrando a queda do módulo de comando que caiu da nave mãe, mas ninguém conseguiu encontrá-lo em vinte anos de buscas…

O terceiro furo é que não dá pra imaginar que tipo de combustível é capaz de provocar uma mutação biológica da monta que sofreu Wikus van de Merwe.

Quarto, bem, a nave teve seu casco perfurado pelos humanos depois de um bom tempo em que ela ficou pairando sobre Johannesburgo sem dar sinal de vida, mas o “camarão” Christopher se manda com ela sem que isso pareça ser um problema…

A fuga de Wikus e Christopher da MNU e sua volta exitosa para o Distrito 9 é uma profissão de fé na total incompetência de forças de segurança privadas.  Bom, talvez tenham se inspirado na Blackwater…

E alguém me explica como Wikus, já transmutado, saiu do Distrito 9 sem ninguém perceber e deixou uma flor de metal na soleira da porta da sua (ex)mulher???

Com certeza os senhores leitores encontrarão outros furos.  Mas ainda assim a “suspension of disbelief” foi suficiente para eu gostar do filme.

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