Tio Rei aproveita o feriado de Finados para ir visitar o túmulo do pai:

Não tenho data para visitar o túmulo do meu pai. Mas gosto de fazê-lo, em especial, no Dia de Finados. “Datas são meras convenções”, dizem muitos. Falei num dos posts de ontem sobre disciplina. Também há muito de “mera” convenção em seguir normas, regras, padrões.

Há um núcleo decoroso na ordem estabelecida sem o qual a vida se torna impossível. Não havendo um bom motivo para quebrar a norma, é muito mais livre quem a segue do que quem a desrespeita sem saber por quê. Disciplina e decoro podem ser sinônimos de liberdade. A desordem escraviza.” [grifo meu]

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O que eu acho gozado é o penchant de Tio Rei em transformar a menor das ocorrências em uma ocasião para reafirmar seu credo conservador.

Historicamente, o Dia de Finados, ou Dia dos Defuntos Fiéis, ou ainda a Commemoratio omnium Fidelium Defunctorum, surge como uma oportunidade para interceder pelas almas dos que cometeram pecados veniais e por isso devem purificar-se no Purgatório antes de aceder ao Paraíso.

Me parece que Tio Rei, com essas manifestações constantes de orgulho e porque não dizer vaidade, está conseguindo na melhor das hipóteses comprar um tíquete para uma viagem sem escalas ao Hades.  Depois do que não haverá reza brava capaz de aliviar seus tormentos.

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Curiosamente, o mesmo Tio Rei que exalta a Norma me vem com essa no caso da garota que quase foi linchada em uma universidade paulista por ter ido frequentar a aula com um vestido curto:

Se a roupa da moça era inadequada, ela deveria ter sido chamada pela direção da escola. Seria até compreensível a manifestação boçal de um ou de outro, embora censurável. Mas a turba exaltada, no pressuposto de que ela destoava do conjunto? O que é que há? Estamos na China da Revolução Cultural? Na Itália ou na Alemanha da década de 30? Não! Estamos no Brasil de 2009!!!” [grifo meu]

Reinaldão, não é possível que você não reconheça sua obra, rapaz!  Se você planta que a desordem _ que é um tipo de liberdade _ é escravidão, então é a ordem intolerante o que você colherá.   Tão simples assim.  Porque querer dar uma de bonzinho numa hora dessas?

Humm, bem, porque a resposta é clara:

Expansão e Barbárie

(…)Demagogos das mais variadas colorações, incluindo aqueles que estão no jornalismo e suas submodalidades, saúdam a chamada “expansão” do ensino universitário no país. É evidente que não estou aqui estabelecendo uma relação de causa e efeito, a saber: não fosse a dita expansão, isso não teria ocorrido. Não! Isso acontece nos ambientes em que a ética não tem grande relevância; em que os membros do grupo não se submetem a um código de conduta; em que vigora a anomia e o salve-se quem puder.

Então, agora sim: o que vai acima define boa parte das ditas universidades brasileiras, em sua desordenada expansão, freqüentemente com o leite de pata do dinheiro público. Se eu escrevesse aqui que aquilo a que se assistiu na Uniban é “inaceitável” numa universidade, muitos poderiam indagar: “Mas seria aceitável em qualquer outro ambiente?” A resposta, obviamente, é “não”. Aquilo é inaceitável numa sociedade civilizada.”

Ah, entendi.  A culpa é do ENEM e do PROUNI, que ficam aí franqueando a universidade a essa malta ignara.  E tem mais, aposto que os que quiseram lapidar a moça eram todos petralhas, essa gente que não aguenta ver um vestido cuja barra não esteja pelo menos abaixo do joelho.

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