Deu no Correio Braziliense:

Embaixador assume Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência

O secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, assume nesta terça-feira (20/10) a chefia da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE). O órgão está interinamente sob o comando de Daniel Vargas desde a saída de Mangabeira Unger, em junho, que voltou a lecionar na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Samuel Pinheiro Guimarães é o número dois na hierarquia do Itamaraty, ficando abaixo do ministro Celso Amorim. Ele completa 70 anos no final do mês e já iria se aposentar compulsoriamente.

Para substitui-lo, estão cotados o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Antônio Patriota, e o subsecretário-geral de Cooperação e Promoção Comercial, Ruy Nogueira.

Criada em julho de 2008, a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) tem como finalidade formular políticas públicas de longo prazo para o desenvolvimento nacional. A secretaria, ligada à Presidência da República, substituiu o Núcleo de Assuntos Estratégicos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dará posse a Guimarães em uma cerimônia no Palácio do Itamaraty.”

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Dá pra ouvir o suspiro de alívio no Itamaraty daqui de casa, e olha que eu moro longe.

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Um homem se entende pelos livros que escreve?  Samuel Pinheiro Guimarães é autor de “Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes“, editado pela Contraponto em 2006 e que é tido por alguns como sua obra magna .  Sinopse:

Neste livro, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães oferece uma análise do atual cenário internacional e de suas tendências prospectivas e, ante esse cenário, discute, com a maior lucidez, a posição do Brasil. O cenário internacional sempre foi, em todas as épocas, aquele em que as grandes potências do período buscam, competitivamente, maximizar suas vantagens e seu poder, e o fazem, de modo geral, às expensas dos países mais débeis. Pinheiro Guimarães estuda, neste livro, essa margem de autonomia que o Brasil procura preservar e ampliar. Trata-se de algo que depende, essencialmente, da medida em que se consolide Mercosul e, a partir deste, se logre imprimir efetividade econômica e política à recém-criada Comunidade Sul-Americana de Nações. Trata-se de algo cujo eixo central é a aliança estratégica do Brasil com a Argentina. Uma aliança que o autor analisa com grande lucidez, mostrando as dificuldades de se sair do plano declaratório para o operacional. Algo que tem a ver com inúmeras resistências argentinas, que vão da constatação de importantes assimetrias desfavoráveis àquele país a um ressentimento, ainda não superado, por parte de uma sociedade que se constata mais educada e civilizada que a brasileira e, não obstante, é economicamente mais débil. Algo, por outro lado, que decorre da incapacidade, de que o Brasil vem dando continuada demonstração, de implementar uma política industrial comum, que conduza a uma vigorosa reindustrialização da Argentina. Neste estudo de Pinheiro Guimarães alguns dos aspectos por ele analisados requerem particular referência.”

A julgar pela sinopse, talvez devêssemos esperar uma SAE mais voltada para os problemas do Mercosul sob a gestão de Samuel.  Mas não sei se a sinopse é fidedigna; há aqui uma resenha do mesmo livro que dá muito menor importância a esse tema.

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Quer dizer, não que a SAE apite muito.