Deu no Valor de anteontem:

Hollywood prepara-se para cortes de orçamento

Depois da onda de fracassos de bilheteria das caras produções lançadas no verão no hemisfério Norte, um filme feito com míseros US$ 15 mil e elenco desconhecido apresenta-se como um dos possíveis êxitos inesperados do ano.

“Paranormal Activity”, um filme de terror nos moldes de “A Bruxa de Blair”, vem lotando sessões de meia-noite em um punhado de cidades dos Estados Unidos e parece destinado a virar um legítimo sucesso quando for lançado em todo o país, pela Paramount, neste mês.

A agitação favorável gerada em torno ao filme surge em contraste gritante com as reações negativas a lançamentos de produções de altos orçamentos no verão, que fracassaram nas bilheterias. Como os estúdios de Hollywood vêm apertando os cintos, o filme de baixo orçamento poderia ser um sinal do que está por vir no setor.

Desde 2007, o custo médio de produção e comercialização de um filme de longa-metragem subiu mais de 6%, de acordo com a Associação Cinematográfica dos Estados Unidos (MPAA, na sigla em inglês), enquanto os fluxos de receita nos últimos 12 meses, como os recursos obtidos com as vendas de títulos em DVD, tiveram fortes quedas.

A situação deixou a indústria cinematográfica diante de algumas opções difíceis. Na Universal Pictures e na Walt Disney, que tiveram vários fracassos de produções caras recentemente, altos executivos foram substituídos e novas estratégias vêm sendo traçadas pelas companhias.

Dick Cook, presidente do conselho de administração da Walt Disney Studios, supervisionou alguns dos mais rentáveis lançamentos da companhia, como os filmes da série “Piratas do Caribe”. Em setembro, no entanto, o executivo saiu do estúdio, após um ano marcado por insucessos, como “Força-G” e “Delírios de Consumo de Becky Bloom”.

Pouco depois, seguiram pela porta giratória de Hollywood os executivos Marc Shmuger e David Linde, copresidentes da Universal Pictures. Apesar de terem liderado o estúdio durante dois de seus anos mais rentáveis – em 2007 e 2008 -, a dupla foi demitida nesta semana depois de um 2009 terrível.

“A Terra Perdida”, comédia estrelada pelo ator Will Ferrell, custou US$ 100 milhões e arrecadou US$ 64 milhões, além de algumas das piores críticas do ano.

“Gente Engraçada”, filme do produtor, diretor e roteirista Judd Apatow, foi outra decepção nas bilheterias que o estúdio não pôde bancar, uma vez que teve produção estimada em US$ 70 milhões – muito mais do que as obras anteriores de Apatow.

A Universal Pictures e a Walt Disney Studios comprometeram-se a ser mais moderadas nos custos. Na Disney, o executivo-chefe Bob Iger aludiu várias vezes neste ano a “mudanças setoriais” dentro da indústria, com destaque para o colapso do mercado de DVDs.

Iger indicou Rich Ross, presidente da Disney Channels Worldwide, para substituir Cook. O estúdio continuará distribuindo cerca de 12 filmes por ano, mas desacelerou a produção em seu selo Miramax, que lançou filmes como “Onde os Fracos Não Têm Vez”. A Disney também acertou acordo para distribuir filmes financiados e produzidos pela DreamWorks, de Steven Spielberg.

Isso significa que a Disney financiará menos filmes, reduzindo o risco no caso de uma de suas produções ter desempenho fraco.

Na Universal, o presidente do conselho de administração, Ron Meyer, que decidiu demitir Linde e Shmuger, comprometeu-se a tornar o controle de custos uma prioridade na produção de filmes. “Gastamos excessivamente e tivemos um desempenho ruim”, afirmou o executivo, sobre os filmes lançados neste ano. “Temos de nos adaptar aos tempos e levar em conta [como funciona a] economia da indústria de filmes de hoje.”

Em um setor repleto de gordos salários, as ideias mais óbvias de cortes surgem mudanças na remuneração dos talentos. Algumas estrelas recebem somas astronômicas pelo seu trabalho e o tipo de pagamento conhecido como “20 e 20” (US$ 20 milhões adiantados e mais 20% da bilheteria bruta do filme, antes mesmo de o estúdio ganhar um centavo) não é incomum.

A nova equipe gerencial da Universal recusa-se a entrar na discussão dos salários estelares, com Donna Langley, a nova copresidente, insistindo que há outras áreas a levar em conta, como os custos com fontes de energia e materiais, que estão em alta. “Aprovar a produção de qualquer filme está ficando cada vez mais difícil [porque] o custo de produção subiu”, afirma a executiva.

Os principais talentos continuarão a receber valores diferenciados, segundo Barry Katz, presidente da New Wave Entertainment, que representa estrelas como Dane Cook.

“Posso garantir que as grandes estrelas não terão corte nos pagamentos”, afirma Katz. “Os estúdios precisam deles para atrair os espectadores”. (Tradução de Sabino Ahumada)

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Parece que o Lula vai faturar mais essa.  🙂

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