Já dá pra ter intimidade com o “decoupling”?  Deu no Estadão, matéria de Aluísio Alves:

Descolamento entre Bovespa e NY endossa visão melhor de Brasil

SÃO PAULO – O fechamento positivo da bolsa paulista na última sessão do trimestre, na contramão de Wall Street, ilustrou a distância cada vez maior do mercado acionário doméstico em relação à média internacional em 2009.

Apoiado principalmente pelas ações de bancos e de empresas ligadas a commodities, o Ibovespa cresceu 0,46 por cento, para fechar o dia marcando 61.517 pontos, nova pontuação máxima no ano em que já acumula ganho de 63,8por cento.

O giro financeiro da sessão somou 6,1 bilhões de reais.

“O desempenho da bolsa brasileira está refletindo a visão do investidor internacional de que o Brasil está numa condição muito mais favorável no pós-crise”, disse Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.

Para efeito de comparação, o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York, mesmo após ter registrado o melhor trimestre desde 1998, acumula ganho de 10,7 por cento no ano.”

China explica?

China tem papel positivo na América Latina, vê Banco Mundial

Brasil, Peru, Chile e Argentina têm se beneficiado de fortes laços comerciais com o gigante asiático

MIAMI – O papel da China em ajudar alguns países latino-americanos a superarem a crise econômica global ilustra a sua crescente presença numa região que durante muito tempo foi vista apenas como “quintal” dos Estados Unidos. A opinião é de Pamela Cox, vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe, em entrevista na última terça-feira, 29, à ‘Reuters’. Para ela, o crescente poderio econômico-financeiro da China, especialmente na América do Sul, é mais do que bem-vindo, depois da crise surgida há um ano em Wall Street.

“O crescimento da China é uma coisa boa para a região de muitas maneiras. Isso levou muito crescimento à região”, disse Cox, quando perguntada sobre por que o Brasil e outros países sul-americanos estão saindo da crise em condições muito mais favoráveis do que vários vizinhos do Norte.

Brasil, Peru e, em menor grau, Chile e Argentina têm se beneficiado de fortes laços comerciais com a China e da capacidade do gigante asiático de bancar uma retomada da sua demanda por matérias-primas, disse.”

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Matéria da Isto É Dinheiro, de 2005:

Falta economia, Amorim

O Itamaraty voltou-se para a diplomacia política, deixou de lado o comércio internacional e agora desperta protestos dos empresários

Por elaine cotta

A política externa do governo Lula, conduzida pelo chanceler Celso Amorim, tem sido apontada como uma das poucas áreas em que o PT ainda se mantém fiel às origens. No entanto, talvez tenha chegado a hora de substituir uma diplomacia orientada pela ideologia por uma política de resultados, voltada para o comércio. Pelo menos é o que dizem os empresários. O recado foi dado num almoço na terça-feira 26 em Brasília, que colocou Amorim frente a frente com 14 industriais. O chanceler abriu o encontro lendo uma notícia de jornal na qual a direção da Fiesp exigia foco maior nas relações do Brasil com os EUA. Paulo Skaf, presidente da entidade, aproveitou o mote. “Os americanos compraram US$ 1,5 trilhão no ano passado e nós só vendemos US$ 20 bilhões para eles”, disse. “Sem desmerecer outros mercados, o americano é o mais importante.” Roger Agnelli, presidente da Vale do Rio Doce, emendou pedindo a retomada das negociações em torno da Área de Livre Comércio das Américas, a Alca. Foi uma crítica sutil à suposta opção terceiro-mundista do Itamaraty, evidenciada cada vez que o presidente Lula fala em “mudar a geografia comercial do planeta”, criando um fluxo de negócios entre os países em desenvolvimento. É a tese do comércio Sul-Sul. Desde que tomou posse, Lula já visitou 40 países, quase sempre em missões comerciais – nenhuma delas, porém, aconteceu nos EUA. Além disso, Lula se vangloriou, dias atrás, de ter retirado a Alca da pauta. Acabou criando uma saia justa para o próprio chanceler, que, ao se encontrar com a secretária de Estado Condoleezza Rice, tentou consertar. “O presidente disse que tirou a Alca da pauta jornalística, não da pauta de negociações”, disse Amorim.

A questão da Alca não é a única que opõe os empresários e o Itamaraty. No mesmo almoço, Josué Gomes da Silva, da Coteminas, criticou a decisão do governo de reconhecer a China como economia de mercado. “Isso só aumentou as práticas desleais de comércio dos chineses”, disparou Josué. A escolha também teria sido fruto de interesses políticos. Ao tomar tal decisão, o governo estaria esperando obter o apoio dos chineses para que o Brasil consiga a vaga, tão ambicionada por Lula, no Conselho de Segurança da ONU. “No mundo inteiro, a diplomacia trabalha para o comercial e só o Brasil caminha na contramão”, atacou José Augusto de Castro, presidente da Associação dos Exportadores Brasileiros.”

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“O Tempo é o Senhor do Arrastão”.