O post sobre o Polanksi rendeu uma boa discussão.

Aliás, o Marola lembrou bem que a Suíça pode estar querendo fazer bonito com os EUA depois do auê com as contas numeradas.  E vários outros leitores também fizeram bem em observar a provável desídia negligência da mãe da moça, que entregou a filha de 13 anos para ir fazer, sozinha, uma sessão de fotos com um quarentão com cara de safado.

Mas, bem, falamos aqui não de vingança, mas de Justiça.   Justiça não é vingança, é um treco que o Estado usa para lembrar aos cidadãos que a vida em sociedade precisa de certas regras.  E o problema é que a impunidade, qualquer que seja o motivo que não algum daqueles previstos no próprio contrato social, ameaça este compromisso da sociedade consigo mesma.

Filosoficamente, acho que o instituto da prescrição tem seus bons motivos.  Como estou mais para Heráclito que para Parmênides, eu realmente acredito que uma pessoa, passados 30 anos, não é mais exatamente a mesma pessoa que era 30 anos atrás.  Neste sentido, dizer que cada um de nós é um “viajante no tempo” não faz justiça ao que realmente ocorre, porque o tempo nos afeta irremediavelmente.

Infelizmente, a concepção que nossa sociedade tem da invidualidade não é esta.  O grosso dos cidadãos alimenta ilusões essencialistas.  Para eles, Fulano de Tal é a essência de Fulano de Tal, definida assim que um espermatozóide entre em um óvulo, perdurando até que Fulano de Tal sobe para ver Jesuis.  Neste contexto, o desafio de manter o comprometimento social contra a impunidade permanece.

Eis porque acho que Polanski deve pagar _ com todas as atenuantes que seu caso merecer (e as agravantes também), mas deve pagar.