O Paulo tem um post realmente intrigante lá no FYI.  Vamos lá:

The US has won the war in Iraq. There is no other way to say this. And yet, because we don’t have generals sitting in a aircraft carrier in the Persian Gulf signing fancy documents, nobody really seems to acknowledge that. Search for Iraq news today. There aren’t any.

C´mon, isto é realmente um exercício de wishful thinking.

Em março de 2008, as FFAA dos EUA tinham:

  • 84,488 soldados estacionados na Europa;
  • 70,719 soldados estacionados no Extremo Oriente e Pacífico;
  • 7,850 soldados estacionados na África do Norte, Oriente Médio (fora Iraque e Afeganistão) e sul da Ásia;
  • 2,727 soldados estacionados na África Subsaariana;
  • 2,043 soldados estacionados na América Latina (curiosamente, o maior contingente em Guantanamo, e o segundo maior contingente em Honduras…);

contra:

  • 195,000 soldados estacionados no Iraque (provavelmente um pouco menos, hoje);
  • 31,100 soldados estacionados no Afeganistão (provavelmente mais, hoje).

Isso significa o seguinte: 57,4%% das tropas americanas estacionadas fora dos EUA estão ou no Iraque ou no Afeganistão.  Na verdade, o Iraque sozinho é responsável por 49,5% das tropas “overseas“.  Aliás, levando em consideração que os EUA têm mais 1,083,027 soldados em seu próprio território, a gente conclui que as forças no Iraque são hoje cerca de 12% do efetivo total.

Elas estão lá e, a despeito das promessas de Obama, continuam por lá.  Convenhamos que ter mais de 10% do seu contingente militar imobilizado a milhares de quilômetros de casa, sem poder sair de lá, é um conceito muito estranho de “vitória”.

Principalmente porque a idéia inicial de “vitória” da operação contra o Iraque não era derrubar Saddam Hussein ou destruir seu exército _ ambas missões fáceis e realizadas em menos de um mês, se usarmos a queda de Bagdá como marco.  Não, a idéia inicial era transformar o Iraque em uma vitrine da democracia ocidental no Oriente Médio.

Estamos esperando.

Não que Paulo seja o primeiro a cantar vitória antes da hora _ neste aspecto ele já estava em muito má companhia há tempos.  Mas essa evidência nada ensina ao Paulo, muito pelo contrário:

You can say whatever you want about the Iraq war. Maybe it was too expensive, based on false premises and mismanaged for way too long. But in the end, this is one war we put under the W column. And if nothing else, that has a HUGE impact on the way the enemies of the US see our country.”

Nesse caso seria interessante explicar porque Coréia do Norte e Irã são alvo constante da ira norte-americana, já que, a seguir esta lógica, deviam estar sentadinhas no canto, bastante atemorizadas com o destino de Saddam.

Mais irônico ainda é saber que enquanto os EUA estavam ocupados “ganhando a guerra” no Iraque, estavam cavando o seu próprio poço macroeconômico, que explodiu em 2008 e quase levou o país à breca _ se é que ele ainda não vai parar lá.  Impermeável a essa realidade, Paulo continua receitando…mais do mesmo:

So now we need to see if Obama deliver the goods in Afghanistan. By all means, that war there should be easier to win than Iraq’s. There is no concern around legitimacy, it’s a less populous country, we have the support (albeit feeble as always) from Europe and there are no huge ethnitic civil wars lurking in the background. It is just a matter of sending more troops, commitming more money and enduring to the end.”