A leitora Ju Sampaio fez um comentário linkando este post de um interessante blog.  A questão do post é o uso inescrupuloso da beleza feminina, uma coisa à qual já estamos acostumados no negócio de cervejas mas que ainda parece ser uma novidade na seara política:

image0351

Ou não:

626309a6fe1f84b1ed0331447ffe7e4d

Quer dizer, pelo menos no que se refere à musa do axé (se bem que Regina Duarte, Ana Maria Braga e até a Hebe _ esta com alguma boa vontade, é certo _ já foram bonitinhas).

O post lembra, com razão, que causas de esquerda também já usaram este tipo de apelo.  Uma coisa que qualquer um que tenha sido universitário nos anos 80 está cansado de saber [cortesia: gatinhas da Libelú].

Bem, mulheres bonitas podem ser conservadoras?  Imagino que sim, até porque já conheci várias.  O problema da direita com esse negócio é entender o conceito, creiam-me, de forma completamente errada.  Agora, a pergunta interessante é saber se os campos ideológicos à direita ou à esquerda atraem mais as mulheres ou os homens.  Este trabalho da economista sueca Helena Svaleryd coloca bem a hipótese de que as preferências políticas de homens e mulheres sejam mesmo diferenciadas:

A basic prerequisite for representation of women to matter for policy is that men and women have different preferences regarding policy. There is ample evidence suggesting that this is the case. Surveys of men and women’s preferences using pools show that women are more concerned about social policy issues (see e.g. Funk and Garthmann, 2006, and, for evidence on Swedish data, Oskarson and Wängnerud, 1995). Among elected representatives there are also documented differences. In a study of Swedish MPs, Esaiasson and Holmberg (1993) find that female MPs were significantly more positive towards daycare centers and an ecological society than men. This paper also finds that there are important differences in the stated preferences of men and women.”

Aceitando que uma preferência por gastos “sociais” é uma proxy confiável para o posicionamento à esquerda no espectro político, parece razoável afirmar que as mulheres teriam uma tendência maior para o voto à esquerda que os homens.  Agora, de que maneira isso se traduz no segmento específico das “mulheres bonitas”, já é mais complicado especular.  A evidência episódica mostra que Scarlett Johansson apoiou o Obama, enquanto Ann Coulter, bem,  é a da direita

O que me chama a atenção, porém, é o ponto de partida do próprio poster do pessoal de Stanford: a idéia de que as mulheres conservadoras são “uma minoria marginalizada”  dentro do próprio movimento conservador.  Pois é, posso imaginar o motivo.

Anúncios