Bem, parece menos e menos provável que alguém ache as caixas pretas do AF 447.

A “segunda fase” da busca foi encerrada.  Lembrem-se de que a primeira fase foi a busca com sonares, e a segunda foi uma varredura direta, pois os sinalizadores já teriam se descarregado e tornado-se incapazes de produzir o sinal de localização.

A autoridade aeronáutica francesa anuncia o início da “terceira fase” no final do outono no hemisfério norte.  Não se sabe ainda direito em que consistirá esta terceira fase, mas provavelmente envolverá um grande número de tecnologias de sensoreamento.   A França espera gastar “dezenas de milhões de euros” nessa fase.

Cresce a sensação de que embora significativos, os problemas com os tubos Pitot certamente não contam toda a história do que houve com o vôo AF 447.   Também cresce a impressão de que o aumento das soluções automatizadas estão tornando os pilotos menos capazes de lidar com problemas na vida real.   Mais preocupantemente, tem-se questionado até mesmo toda a estratégia de treinamento de pilotos a partir de simuladores de vôo, uma vez que simuladores normais não conseguem simular o comportamento físico de aeronaves em certas situações.

O resultado do AF 447 pode, assim, ser um maior gasto com treinamento em situações de descontrole da aeronave.

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Um outro problema é que a desregulamentação da indústria aeronáutica abaixou os salários das tripulações.  Estima-se que um piloto ganhe menos da metade do que ganhava há 35 anos atrás (veja o caso dos pilotos que moram parte do tempo em um trailer em Los Angeles).

Reportagem do Correio Braziliense deste domingo, aliás, mostra que o mesmo é verdade no Brasil:

“(…) fazer com que a carreira decole no setor da aviação nem sempre é tarefa fácil de ser executada. Os cursos são caros para todos os cargos. Um piloto, por exemplo, precisa fazer pelo menos seis meses de curso. Sem contar as horas de voo obrigatórias, em média 200. Um pacote que pode custar cerca de R$ 50 mil. “O investimento no aprendizado é alto. E os salários não atraem mais”, destaca Graziella Baggio.

Em início de carreira, a remuneração para comissários varia entre R$ 1.200 e R$ 1.500, enquanto para os pilotos, a média é de R$ 4 mil a R$ 6 mil. Além disso, muitas companhias aéreas – embora sejam obrigadas pela Anac a realizar programas de treinamento e reciclagem de funcionários – não estão dispostas a investir em formação.”

O problema é que com essas coisas não se brinca.

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