Martim Vasquez da Cunha tem um artiguinho bem xexelento na Dicta & Contradicta, no qual lamenta o “esquecimento” do ataque ao WTC e ao Pentágono em 11 de setembro de 2001.  Provavelmente saudoso de uma era em que dizer “remember 9/11!” era o novo “remember Alamo!”, uma conclamação que surtia o efeito imediato de galvanizar a anaerobicidade em flor para dar seu apoio imediato e enfático qualquer empreitada homicida que se afigurasse pela frente, Martim inventa o que ele chama de “a morte da honra”, um conceito que afinal se mostra, após um bom número de contorcionismos e floreios retóricos, nada mais que um codinome ou eufemismo para…para o que mesmo?

(…) nos nossos dias, em que Ted Kennedy resolve esquecer o que fez de grave durante a vida toda e que ninguém mais se lembra do que aconteceu no dia 11 de setembro de 2001, a igualdade e a paz é o que corroem qualquer espécie de reparação.”

Ah, sim.  Para a intolerância.

Mas o mais gozado do texto do Martim é seu último parágrafo:

Da minha parte, vou fazer de tudo para não esquecer nem do que eu fiz, especialmente o mal que provoquei a algumas pessoas, e muito menos do que aconteceu no dia 11 de setembro, o dia em que, como bem disse W.B. Yeats, a terrible beauty has born.” [grifo meu]

Às vezes uma bela frase nos faz buscar um jeito de usá-la, a despeito do que ela significa em seu contexto.  Só assim posso entender o uso dessa frase de Yeats por Martim no seu artigo, já que Yeats estava em pleno processo de desbabaquização quando a escreveu, um processo que aparentemente Martim ainda está longe de trilhar.

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