Interessante, a postura de alguns pundits de direita. A maior parte das pessoas normais têm algum senso crítico.  Por exemplo, mãe.  Todas as mães são santas, decerto, mas nem por isso, ocasionalmente, a gente deixa de discordar delas.  Ou concordar, também, de vez em quando. Pois o Tio Rei não dá trégua.  Assim como a direita americana faz tempestade em copo d´água quando Obama manda as crianças estudarem na volta das férias, Reinaldão vai dizer que Lula está errado mesmo se ele afirmar que 2 mais 2 é igual a 4.  Por exemplo, ele agora soltou o verbo sobre a escolha dos aviões franceses para equipar a Força Aérea:

O país está devidamente informado a respeito? Claro que não! “Ah, Reinaldo, são assuntos militares; é preciso mesmo certo sigilo”. Bobagem! Não para o que está sendo comprados. Notem que os americanos e os suecos também estavam na parada, oferecendo os seus respectivos aviões. A própria Aeronáutica ainda não fez seu relatório afirmando que o Rafaele, francês, é melhor para o Brasil do que o F-18, dos EUA, ou o Gripen, da Suécia. Se a Força não havia terminado o seu trabalho específico, o que determinou a escolha? Pode até ser que ela recaísse mesmo sobre o Rafaele, mas por que desprezar a formalidade? O que atrasou o trabalho da Aeronáutica, se é que atrasou? E o que determinou que a decisão fosse tomada mesmo assim?

“Rafaele”.

Ok, ok, eu ia falar de outra coisa, mas…”Rafaele”.  Tio Rei está criticando uma escolha técnica, sendo que nem o nome do raio da aeronave ele sabe.  Tio Rei, pode ser que exista alguma Rafaele que seja um avião, mas o nome do bicho é “Rafale“!

[fiz um print-screen e arquivei, just in case ele corrija mais tarde]

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Mas o que eu ia dizer é: a parte inquestionável da negociação era a transferência de tecnologia.  E isso, os EUA não fazem.  Não sei qual era a disposição dos suecos nesse quesito, mas cabe notar que partes críticas do Grippen são fabricadas sob licença norte-americana, logo…outra vantagem do Rafale sobre o Grippen é ser um bimotor _ por razões óbvias.  Uma terceira vantagem não desprezível é que o Rafale já existe e voa, enquanto o Gripen NG ainda está em desenvolvimento.  E em quarto, pelo que andei lendo, a autonomia de vôo do Gripen é menor. Enfim, o Gripen não é um mau avião,  é mais barato, e parece ser melhor no conceito de guerra data-cêntrica, com melhores data-links que seus concorrentes.  Mas isso não é tudo.

Já Tio Rei parece que confunde as coisas: ser chegado em senhores de farda não lhe dá nenhum conhecimento razoável sobre assuntos militares.