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Deu Toffoli 58 x 2 no plenário do Senado.

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Se não me engano, dia primeiro de outubro é o prazo para filiações partidárias de possíveis candidatos em 2010.

O que explica isto, e sugere que alguém andou fazendo pesquisas.

Mas candidato a quê?  Deputado por São Paulo?  Prefeito de Santos?  Governador????????????????????????

Er, Presidente??!!!!!!!!!!!!

Agora falta o Niemeyer.

Eu e minha boca grande:

msftevil

No post sobre a França aí embaixo, Paulo, fiel à sua natureza cronomecânica, faz intriga:

“Hey, esse seu post encaixa perfeitamente com o CS.

Sera que eh por isso que Brasil e Franca andam tao chegadinhos?”

Aham.

Não entendo essa bronca de um americano com a França.  Afinal, não custa lembrar que seu país só logrou a independência porque um bando de caipirias teve uma ajudinha francesa _ primeiro involuntária, quando, para compensar os custos da Guerra dos Sete Anos, a Inglaterra elevou as taxas sobre os produtos da colônia americana, o que culminou no Boston Tea Party; e depois, ativamente aparelhando e treinando as minhocas da terra na sua luta contra os ingleses.  A França reconheceu a independência das colônias em 1778, e soldados franceses lutaram ao lado dos soldados do Continental Army contra os redcoats.  Em 1781, cinco batalhões de infantaria e artilharia franceses, sob o camando do Conde Rochambeau, foram fundamentais na derrota que Washington e Lafayette inflingiram às tropas inglesas em Yorktown.

Para não falar, é claro, da forte influência que a própria Constituição americana recebeu das lições dos constitucionalistas franceses, a começar por Montesquieu.

Depois, vamos comparar dois exemplos antipódicos: a covardia francesa vis a vis a valentia polonesa na Segunda Guerra.

Como se sabe, os valorosos poloneses organizaram uma certa resistência contra o antecipado avanço nazista _ ainda que sobre bases frágeis devido à inapetência das potências ocidentais em cumprir sua promessa de declarar guerra à Alemanha caso esta atacasse a Polônia, e por “potências ocidentais” leia-se não apenas a covarde França mas também a heróica Inglaterra. Na verdade, o fato foi inclusive (cinicamente) utilizado pela propaganda nazista na Polônia ocupada para ganhar corações e mentes poloneses contra os aliados.  Além disso, é bom lembrar que certos aspectos da campanha alemã na Polônia que reforçam a suposta valentia polonesa, como a famosa carga de cavalaria sobre divisões Panzer na batalha de Krojanty, são um mito.

Como resultado, a Polônia foi partilhada entre alemães e russos, e perdeu 20% de sua população civil (entre eles, 90% dos judeus poloneses). Apesar de ser uma das mais católicas regiões do mundo, parece que mais uma vez aquele senhor barbudo que está no céu resolveu mostrar a que veio.

Quanto à França, embora trabalhos americanos e ingleses tenham popularizado a visão de que a liderança francesa estava esclerosada e foi incapaz de articular uma defesa contra os alemães, a verdade é que há uma multiplicidade de pontos de vista a respeito da história.

De toda forma, houve alguma resistência, pouco eficaz porém diante do poderio alemão _ e da frustração do comando militar francês com a fuga do Batalhão Expedicionário Inglês em Dunquerque.  Fundamental, porém, foi a declaração de Paris como “cidade aberta” por seu governador militar francês, o que evitou que a cidade fosse bombardeada e seu tesouro arquitetônico e artístico perdido para sempre.  Ainda assim o exército francês perdeu 90.000 soldados nesta campanha.

Como resultado, a França é hoje a quinta economia do mundo (à frente da Inglaterra), e um dos poucos países dotados de capacidade de dissuassão nuclear, o que faz com que até mesmo os Estados Unidos tenham de pensar duas vezes antes de tomar qualquer decisão de ser rude com os comedores de sapos.

Isso para não falar que Paris é linda, que a moda (e a cultura) francesa é algo que a América inveja profundamente (apesar de posturas ridiculamente defensivas às vezes) e que o que americanos e franceses provavelmente compartilham é um complexo de superioridade.

O post sobre o Polanksi rendeu uma boa discussão.

Aliás, o Marola lembrou bem que a Suíça pode estar querendo fazer bonito com os EUA depois do auê com as contas numeradas.  E vários outros leitores também fizeram bem em observar a provável desídia negligência da mãe da moça, que entregou a filha de 13 anos para ir fazer, sozinha, uma sessão de fotos com um quarentão com cara de safado.

Mas, bem, falamos aqui não de vingança, mas de Justiça.   Justiça não é vingança, é um treco que o Estado usa para lembrar aos cidadãos que a vida em sociedade precisa de certas regras.  E o problema é que a impunidade, qualquer que seja o motivo que não algum daqueles previstos no próprio contrato social, ameaça este compromisso da sociedade consigo mesma.

Filosoficamente, acho que o instituto da prescrição tem seus bons motivos.  Como estou mais para Heráclito que para Parmênides, eu realmente acredito que uma pessoa, passados 30 anos, não é mais exatamente a mesma pessoa que era 30 anos atrás.  Neste sentido, dizer que cada um de nós é um “viajante no tempo” não faz justiça ao que realmente ocorre, porque o tempo nos afeta irremediavelmente.

Infelizmente, a concepção que nossa sociedade tem da invidualidade não é esta.  O grosso dos cidadãos alimenta ilusões essencialistas.  Para eles, Fulano de Tal é a essência de Fulano de Tal, definida assim que um espermatozóide entre em um óvulo, perdurando até que Fulano de Tal sobe para ver Jesuis.  Neste contexto, o desafio de manter o comprometimento social contra a impunidade permanece.

Eis porque acho que Polanski deve pagar _ com todas as atenuantes que seu caso merecer (e as agravantes também), mas deve pagar.

paris_night

Melhor assim

Excelente post do Rafael Galvão sobre franceses vs ingleses na II Guerra Mundial.

Apesar de tudo, quando passeio ali pelo Sena ou imagino o estrago que uma dessas faria no Louvre, dou graças aos céus pela “cautela” francesa na II Guerra…

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Polanski e Sharon Tate em “A Dança dos Vampiros”, de 1967

Polanski tinha 44 anos em 1977, quando levou uma menina de 13 anos para uma sessão de fotos.  Colocou-a em uma jacuzzi, embebedou-a, deu-lhe drogas, e a estuprou.  Segundo o relato da vítima, teve o “cuidado” de não ejacular em sua vagina, e sim em seu ânus, para evitar futuros problemas incontornáveis para a moça.

Polanski fez um acordo com a Justiça e declarou-se culpado, na esperança de evitar a prisão.  Ao desconfiar que a corte não honraria o acordo,  fugiu dos EUA antes do julgamento.

***

Kieran Healy, do Crooked Timber, coloca muito bem o seguinte: e se Polanski fosse um padre, teríamos menos pena dele?

***

Polanski nunca mais envolveu-se em nenhum ato criminal.  O crime ocorreu em 1977, oito anos após a grande tragédia na vida do diretor _ o assassinato de sua esposa, grávida de 8 meses, por uma gangue de loucos religiosos.

***

Samantha Geimer, a menor estuprada, perdoou o agressor, e tentou retirar a acusação contra ele.  Polanski pagou a ela 225.000 dólares para extinguir a ação civil.

Juan Cole tem um vídeo sobre as instalações nucleares secretas mais perigosas do Oriente Médio:

Continue lendo »

Do CIA Factbook:

After two and a half decades of mostly military rule, a freely elected civilian government came to power in 1982. During the 1980s, Honduras proved a haven for anti-Sandinista contras fighting the Marxist Nicaraguan Government and an ally to Salvadoran Government forces fighting leftist guerrillas.”

Deveria estar exigindo a invasão do Reino Unido AGORA!

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No e-bay UK

Qualquer que seja o desfecho da situaçao criada pelo Brasil em Honduras, o provavel é que percamos varios votos na nossa candidatura ao CS da ONU.

O que, particularmente, eu acho otimo.

Deu no Correio Braziliense:

militarvinculado

Com os 2% pra cultura, e os 18% da Educação, já são 25%27%…daqui a pouco não vai sobrar nem pra pamonha.

bum

A história triste:

Mr Arinaitwe, who says he was employed at Kansanga Miracle Centre from 2002, has filed a case with Kabalagala Police Station alleging that Pastor Kiwewesi sodomised him between 2006 and 2007 and promised to pay him Shs3 million.

“He used me until 2007 when he got married. He promised me Sh3 million for my parents and said he would send me to the US to stay there with his cousin,” he told Daily Monitor on Monday.

Mr Arinaitwe also accuses Pastor Kiwewesi of harassment and threatening him with death after learning that he was coming out with the “secret”.

***

Na mesma thread, um leitor fala de outra manchete de sucesso: “Maniac Shoots Wrong Baby”.

Saudades do “Cachorro Fez Mal a Moça“…

maya-juliana-paes-materia

Casta, eu?

Agora é lei:

560K SNP study reveals dual origin of Indian populations (Reich et al. 2009)

The paper establishes a number of different facts, that have been hinted at in previous autosomal studies, and studies based on Y chromosomes and mtDNA:

    • Modern Indians are derived from two ancestral populations. The first one, termed Ancestral North Indians (ANI) were Caucasoids, the other, Ancestral South Indians (ASI) were distinct from both Caucasoids and Mongoloids in a Eurasian context.
    • The ASI no longer exist in non-admixed form, but in various degrees of admixtures with ANI; the closest living population to the ASI are the Andaman Islanders.
    • Upper castes are higher in ANI ancestry than middle and lower castes. ANI percentages of ancestry are correlated with Western Eurasian Y chromosomes (P=0.04) and mtDNA (P=0.08).
    • Indo-European speakers are higher in ANI ancestry than Dravidian speakers.

This paper does seem to imply that Indians are a mixture of Western Eurasians and indigenous Indians. However, we should not conclude that they are a simple 2-way mix of invading Indo-Aryans and indigenous Dravidians: for example, the ANI component could be a palimpsest of different Caucasoid populations who came to the subcontinent over time. For example, we do know that South Americans are composed of Amerindians, Caucasoids, and Negroids in different proportions of admixture, but this does not mean that there was a simple mix between the three, but rather a continuous process of migration that brought (and continues to bring) people into the New World. It remains to be seen which groups participated in the diffusion of the ANI component in India.

However, the fact that ANI is correlated with caste status and language does suggest that the Indo-Aryan migration who brought Indo-European languages to India has not been totally wiped out genetically. Indo-European populations have maintained a higher degree of ancestry from the ANI component, and upper caste Indo-Europeans have maintained an even higher degree of such ancestry.

Deu no Estadão:

George Friedman prevê: EUA ampliarão domínio no séc. XXI

Cientista político aponta energia solar captada do espaço como o fator que irá proporcionar o aumento da hegemonia americana por mais 500 anos”

***

Pra quem não sabe,  George Friedman é um visionário, co-autor de um best seller do início dos anos 90, “The Coming War With Japan” (sic).

“On the Internet, everyone will be famous to fifteen people.”

_ Justin Hall

hints-on-etiquette

“Acho a ética supervalorizada. Ela é importante, mas ela devia, se me perguntam, andar sempre um passinho atrás da etiqueta, respeitosa, acanhada, moreninha, carregando o equipamento de aquarela da etiqueta enquanto as duas passeiam pelo campo, apressando o passo porque parece que vai chover.”

O Alexandre Soares Silva, que é um anaeróbico diferenciado, está em palpos de aranha desde ontem.

Foi fazer um daqueles seus tradicionais posts “leves”, onde costuma disfarçar proposições ultrajantes com camadas e camadas de witticism, mas topou com um comentarista chato, que opôs à idéia central de seu post _ a de que a etiqueta é mais importante que a ética _ ninguém mais, ninguém menos que o próprio Chesterton:

Mas por outro lado, o Chesterton tem uma certa razão quando diz iso aqui, né?

The tone now commonly taken toward the practice of lying in bed is hypocritical and unhealthy. Of all the marks of modernity that seem to mean a kind of decadence, there is none more menacing and dangerous that the exaltation of very small and secondary matters of conduct at the expense of very great and primary ones, at the expense of eternal ties and tragic human morality. If there is one thing worse that the modern weakening of major morals, it is the modern strengthening of minor morals. Thus it is considered more withering to accuse a man of bad taste than of bad ethics. Cleanliness is not next to godliness nowadays, for cleanliness is made essential and godliness is regarded as an offence. A playwright can attack the institution of marriage so long as he does not misrepresent the manners of society, and I have met Ibsenite pessimist who thought it wrong to take beer but right to take prussic acid. Especially this is so in matters of hygiene; notably such matters as lying in bed. Instead of being regarded, as it ought to be, as a matter of personal convenience and adjustment, it has come to be regarded by many as if it were a part of essential morals to get up early in the morning. It is upon the whole part of practical wisdom; but there is nothing good about it or bad about its opposite.”

E agora?  Romperá ASS (sic) com o guru de 10 entre 10 anaeróbicos da cepa católica, ou engolirá suas próprias palavras?

O bicho aí é um protótipo de um dirigível que será usado pelas FFAA norte-americanas como aeronave de vigilância no Afeganistão.

Ele voará a 20.000 pés de altitude, fora do alcance da maioria dos MANPADS como o míssil Stinger, capaz de atingir uma aeronave a 12.500 pés, segundo a Wikipedia.

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Toda essa história me parece crescentemente sem sentido.

O fato de que a diplomacia brasileira vem emitindo sem cessar sinais de que foi pega de surpresa pela ação de Zelaya me faz acreditar que pode ser que isso seja realmente verdade.  Afinal, raciocinemos por absurdo: se tudo isso realmente tivesse sido combinado, o interesse brasileiro na história só poderia ser o de aparecer como uma potência regional influente, capaz de resolver problemas no hemisfério _ talvez com vistas a reforçar sua candidatura ao CS da ONU.  Principalmente porque realmente não temos nenhum interesse direto em Honduras, ou para ser mais realista, mesmo na Centro-América.

Mas que tipo de liderança o Brasil seria capaz de inspirar ao insistir na versão de que a presença de Zelaya em sua embaixada hondurenha NÃO é intencional?  Pior, de que foi arquitetada pela Venezuela?

Outra: suponhamos, de novo, que tudo tenha sido uma armação com conhecimento da Chancelaria brasileira.  Nesse caso, se o governo hondurenho viesse a resolver que realmente valia a pena invadir a embaixada e prender ou quem sabe executar Zelaya, o Brasil faria o quê?  Que capacidade teríamos nós de revidar a este ato de agressão?  Nenhuma.  Seria pior que brigar com bêbado _ seríamos internacionalmente humilhados.   E a Chancelaria brasileira certamente sabe disso.

É claro que sempre restam as possibilidades limítrofes e contingentes à estupidez humana.  Por exemplo, pode ser que alguém tenha achado que seria possível transformar a embaixada brasileira, guardadas as devidas proporções, em uma Estação Finlândia da revolução bolivariana hondurenha.  Entretanto, por tudo que sei, essa seria uma ação totalmente contrária ao “modus operandi” itamarateca _ e eu acredito que ninguém no Palácio teria força para convencer Lula a seguir um caminho contrário ao conselho do Itamaraty nessa matéria.

Assim, parece que restam apenas 3 opções:

– Zelaya forçou a mão do governo brasileiro;

– O Itamaraty teve sonhos de grandeza;

– Alguém teve sonhos de grandeza, mas não o Itamaraty e sim Lula.

Das três, a primeira me parece realmente a mais provável.  Seguida, a uma distância prudente, pela terceira.

***

Aqui, uma outra opinião.

***

UPDATE:

Sergio Leo, no Valor de hoje, diz que parte da diplomacia brasileira não acredita na versão do governo:

Diplomatas experientes, que trabalharam no governo Fernando Henrique Cardoso, desconfiam da garantia do governo de que Lula foi pego de surpresa com a chegada de Zelaya à embaixada, onde entrou depois de contato telefônico da esposa, que o acompanhou. Semanas atrás, o próprio Zelaya foi recebido por Lula em Brasília, por onde passou também, há duas semanas, o presidente de El Salvador, Maurício Funes, que deu apoio logístico à viagem de retorno de Zelaya a Honduras. A mulher de Funes, Vânia, é filiada ao PT.

“Acredito que o governo brasileiro não teve nada com a situação, mas é difícil que não estivessem sabendo antes que Zelaya iria bater na porta da embaixada”, comentou o embaixador Rubens Barbosa, diretor da Federação das Indústrias de São Paulo. “Acho muito difícil acreditar na versão de que tudo foi feito sem que o governo brasileiro soubesse antes”, concorda o embaixador Luiz Felipe Lampreia, ex-ministro das Relações Exteriores.

Lampreia e Barbosa afirmam que Honduras é um país alheio à área de influência do Brasil, e que a acolhida a Zelaya cria riscos sérios de desmoralização para a diplomacia brasileira. “Uma coisa é dar apoio a Zelaya, o que foi correto; outra é assumir protagonismo”, argumenta Lampreia. “O Brasil estava bem na foto, mas agora assumiu um risco com possibilidade restrita de retorno positivo”, endossa Barbosa.”

O Paulo tem um post realmente intrigante lá no FYI.  Vamos lá:

The US has won the war in Iraq. There is no other way to say this. And yet, because we don’t have generals sitting in a aircraft carrier in the Persian Gulf signing fancy documents, nobody really seems to acknowledge that. Search for Iraq news today. There aren’t any.

C´mon, isto é realmente um exercício de wishful thinking.

Em março de 2008, as FFAA dos EUA tinham:

  • 84,488 soldados estacionados na Europa;
  • 70,719 soldados estacionados no Extremo Oriente e Pacífico;
  • 7,850 soldados estacionados na África do Norte, Oriente Médio (fora Iraque e Afeganistão) e sul da Ásia;
  • 2,727 soldados estacionados na África Subsaariana;
  • 2,043 soldados estacionados na América Latina (curiosamente, o maior contingente em Guantanamo, e o segundo maior contingente em Honduras…);

contra:

  • 195,000 soldados estacionados no Iraque (provavelmente um pouco menos, hoje);
  • 31,100 soldados estacionados no Afeganistão (provavelmente mais, hoje).

Isso significa o seguinte: 57,4%% das tropas americanas estacionadas fora dos EUA estão ou no Iraque ou no Afeganistão.  Na verdade, o Iraque sozinho é responsável por 49,5% das tropas “overseas“.  Aliás, levando em consideração que os EUA têm mais 1,083,027 soldados em seu próprio território, a gente conclui que as forças no Iraque são hoje cerca de 12% do efetivo total.

Elas estão lá e, a despeito das promessas de Obama, continuam por lá.  Convenhamos que ter mais de 10% do seu contingente militar imobilizado a milhares de quilômetros de casa, sem poder sair de lá, é um conceito muito estranho de “vitória”.

Principalmente porque a idéia inicial de “vitória” da operação contra o Iraque não era derrubar Saddam Hussein ou destruir seu exército _ ambas missões fáceis e realizadas em menos de um mês, se usarmos a queda de Bagdá como marco.  Não, a idéia inicial era transformar o Iraque em uma vitrine da democracia ocidental no Oriente Médio.

Estamos esperando.

Não que Paulo seja o primeiro a cantar vitória antes da hora _ neste aspecto ele já estava em muito má companhia há tempos.  Mas essa evidência nada ensina ao Paulo, muito pelo contrário:

You can say whatever you want about the Iraq war. Maybe it was too expensive, based on false premises and mismanaged for way too long. But in the end, this is one war we put under the W column. And if nothing else, that has a HUGE impact on the way the enemies of the US see our country.”

Nesse caso seria interessante explicar porque Coréia do Norte e Irã são alvo constante da ira norte-americana, já que, a seguir esta lógica, deviam estar sentadinhas no canto, bastante atemorizadas com o destino de Saddam.

Mais irônico ainda é saber que enquanto os EUA estavam ocupados “ganhando a guerra” no Iraque, estavam cavando o seu próprio poço macroeconômico, que explodiu em 2008 e quase levou o país à breca _ se é que ele ainda não vai parar lá.  Impermeável a essa realidade, Paulo continua receitando…mais do mesmo:

So now we need to see if Obama deliver the goods in Afghanistan. By all means, that war there should be easier to win than Iraq’s. There is no concern around legitimacy, it’s a less populous country, we have the support (albeit feeble as always) from Europe and there are no huge ethnitic civil wars lurking in the background. It is just a matter of sending more troops, commitming more money and enduring to the end.”

(Hat tip: The Primate Diaries)

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Matéria de Jotabê Medeiros no Estadão:

Comissão aprova Emenda da Cultura no Congresso

Projeto destina 2% do Orçamento da União para a cultura; Plano Nacional de Cultural também foi aprovado

SÃO PAULO – Uma comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou na tarde desta quarta-feira, 23, por unanimidade, a Proposta de Emenda à Constituição 150 (PEC 150), que destina recursos dos orçamentos da União, dos estados e dos municípios para a área da cultura. O texto aprovado, com um substitutivo do deputado José Fernando Aparecido de Oliveira (PV-MG), reserva ao setor cultural e à preservação do patrimônio cultural brasileiro 2% dos impostos federais, 1,5% dos impostos estaduais e distritais e 1% da arrecadação com impostos municipais.

A PEC 150, que agora vai a plenário, é uma reivindicação antiga da classe artística e tem o apoio do ministro da Cultura, Juca Ferreira, que festejou ontem a votação. “A aprovação reflete um clima suprapartidário em favor da cultura. Desde a gestão Gil, nós temos trabalhado nesse sentido”, disse o ministro ao Estado. O texto estabelece que a destinação de recursos do Estado para a cultura nunca será menor do que 2% dos orçamentos.

A área econômica do governo, no entanto, se mostra contrária à vinculação de recursos do projeto – atualmente, o orçamento da cultura representa 0,5% das receitas federais, o que equivale a cerca de R$ 1,3 bilhão. Se esse porcentual subir para 2%, a União seria obrigada a destinar cerca de R$ 5,3 bilhões para o setor.

“As Nações Unidas recomendam que nunca seja inferior a 2%”, afirmou Juca Ferreira. Segundo ele, a proposta de reforma da Lei Rouanet não perde o sentido com a iminente aprovação da PEC 150, já que são mecanismos complementares. “A mudança da lei visa requalificar a distribuição de recursos. A PEC 150 trata dos orçamentos.”

Em outra votação na manhã desta quarta, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara aprovou o Plano Nacional de Cultura. O plano é plurianual, terá a duração de dez anos e sua implementação e monitoramento serão feitos pelo Ministério da Cultura, que desenvolverá o Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais. O plano define as atribuições do poder público na área cultural, além de tratar de áreas como cultura digital, turismo cultural e desenvolvimento sustentável. SA criação do Plano Nacional de Cultura está prevista na Emenda Constitucional 48, em vigor desde agosto de 2005.

Na PEC 150, o texto aprovado também incluiu uma sugestão do deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA), de substituir na PEC o termo cultura nacional por apenas cultura. “Temos que nos prevenir dos burocratas. Depois eles poderiam falar que a PEC não serve para a promoção de concertos de música clássica porque não se trata de cultura nacional”, explicou ele à Agência Câmara. “Cultura é uma questão de soberania nacional. E hoje é um dia de grandes conquistas para a cultura do País, com a aprovação dessa PEC e do Plano Nacional de Cultura”, disse o presidente da comissão especial, deputado Marcelo Almeida (PMDB-PR).

***

Pergunta-se:

Será mesmo que o Brasil necessita de uma produção cultural 4 vezes maior do que a que já tem, ou será que é a comunidade de produtores culturais que deseja aumentar em 4 vezes seu orçamento?

Deu no Estadão:

Lula tem trabalho fácil ao promover Jogos Olímpicos, diz ‘NYT’

Para o jornal, basta dizer que o Rio de Janeiro tem ‘as mais belas praias’ que o presidente consegue a sede

As declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a candidatura do Rio para sediar as Olimpíadas de 2016 foram destaque na imprensa americana, nesta quarta-feira. “O trabalho mais fácil do mundo pertence ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, ao promover a candidatura do Rio para sediar as Olimpíadas de 2016”, afirma reportagem do jornal norte-americano New York Times.

Lula conversou com a imprensa em Nova York, onde participa da Assembléia Geral da ONU, e segundo o repórter, basta ele dizer que “o Rio tem as praias mais lindas do mundo” que ele consegue uma “audiência imediata”.

***

Bom, pode-se dizer que quem já encarou um DOPS e talvez tenha chegado perto de se hospedar em um DOI-CODI não vai ter muito problema com um reles COI.

Mas não sei se esse trabalho é tão fácil assim.  Afinal,  das 28 Olimpíadas já realizadas (contando com Londres 2012), apenas 11, menos da metade, tiveram lugar em cidades que têm praia _ e isso levando em consideração balneários aprazíveis como Tóquio e Helsinki.

No entanto isso dá…quizz!

Tempestade de areia em Sydney, Austrália.

Como sabem, é dever de todo blogueiro esclarecido fazer de vez em quando uma ronda pelo lado negro da blogoseira.  “Protect teh borders“, é o meu lema.

Foi no cumprimento desse dever patriótico que descobri o seguinte:

Olavo de Carvalho, assumindo-se, realística mas imodestamente como “representante ou mesmo personificação integral e única da “mais rançosa extrema direita nacional”“, vitupera contra os críticos de Bruno Tolentino, poetastro que recentemente levou a breca:

Nota enviada ao site Breviário a respeito de umas opiniões de Alexai Bueno

Olavo de Carvalho

Como representante ou mesmo personificação integral e única da “mais rançosa extrema direita nacional”, quero deixar aqui duas observações sobre o trecho citado.

1) Desde logo, um sujeito capaz de escrever algo como “periódico coloquialismo” deveria abster-se de opinar sobre musicalidade na poesia ou mesmo na prosa. Não foi à toa que o Bruno Tolentino apelidou de Dislexei Bueno o cidadão que agora se imortaliza como inventor do estilo cocô-loquial.

2) Conheci bem o Bruno e sei que, quando havia idiotas presentes, ele gostava de deslumbrá-los com as lendas mais mirabolantes a respeito de si próprio, narradas num tom da maior seriedade. Uns acreditavam; outros, mais bobos ainda, mas imaginando-se espertos, acreditavam que ele acreditasse. Quando saíam, eu e ele ríamos a valer de uns e outros.

Richmond, 10 de julho de 2009

***

Repare com que gosto ele subscreve a nota: “Richmond“.  Ele deve se sentir, sei lá, como um general confederado enviando insultos a Abraham Lincoln, aquele  “prepotente burocrata“.

***

Mas o que interessa é o seguinte: o post lá no Breviário, no blog Beharren, reproduz trechos de um livro do tal Alexei Bueno, na parte que versa sobre Bruno Tolentino.  Ao que parece, Alexei não cultiva lá uma grande opinião sobre o finado poeta:

Após um rumoroso processo pela publicação de um livro inteiramente plagiado, em 1957, Infinito Sul – cujo título era de Sílvio Castro e os poemas de Celina Ferreira, Walmir Ayala, Afonso Félix de Souza e outros – e a publicação de Anulação e outros reparos, em 1963, o poeta carioca Bruno Tolentino (1940-2007) se afastou por três décadas do Brasil, retornando em 1993. A sua volta marcou a entrada na cena literária nacional do maior mitômano nela aparecido pelo menos desde a chegada de Antônio Botto, o poeta português, muito amigo de Fernando Pessoa, que aqui desembarcou nos anos de 1950, casado, apesar dele mesmo se intitular “o primeiro paneleiro oficial de Portugal”, e distribuindo elogios bombásticos sobre a sua obra, assinados pelos maiores autores universais da época, mas todos escritos por ele mesmo. Em pouquíssimo tempo Tolentino declarou em público que fora casado com a filha de Bertrand Russell (que deveria ter idade para ser sua avó), com a neta de Rilke, com a neta de René Char, além de ter sido astrólogo em Los Angeles por doze anos, ter vivido uma década em Alexandria, ter trabalhado como genealogista na Inglaterra, ter sido secretário pessoal de Auden, ter dado aulas por onze anos na Universidade de Oxford, e finalmente, isso um pouco depois, ter sido encarcerado por tráfico de drogas na Ilha do Diabo, para nem falar da sua origem na alta aristocracia, na sua mansão familiar e suas preceptoras inglesas, tendo nascido, na verdade, na mais banal classe média tijucana, filho de militar, e tendo vivido a adolescência num pequeno apartamento do mesmo bairro e em Niterói. Só na terra onde foi escrito “O homem que sabia javanês” tal conjunto de afirmações seria deglutido naturalmente como o foi, inclusive pela grande imprensa. A mitomania em si não desqualifica qualquer artista, mesmo um homem de gênio como o cineasta Mário Peixoto tinha fortes traços mitômanos, e isso tudo serve apenas como um índice da impossibilidade de se conhecer a biografia de um indivíduo que, somados os eventos pública e notoriamente por ele narrados, deveria ter perto de trezentos anos de idade. Após manter uma ruidosa polêmica com os concretistas, justamente num dos melhores aspectos deles, a tradução de poesia, reestreou com As horas de Katharina, em 1994. Com Os sapos de ontem, de 1995, atacando novamente os concretistas paulistas, se revelou um satírico interessante. Os deuses de hoje, do mesmo ano, compunha-se de poemas políticos, justificados por uma falsíssima luta sua contra a ditadura militar – mais um falso exilado – e não alcançou maior repercussão. Seguiram-se A balada do cárcere, em 1996, O mundo como Idéia, de 2002, e A imitação do amanhecer, de 2006, escrito em pretensos alexandrinos que nunca o foram. Toda a poesia de Bruno Tolentino é vazada numa musicalidade característica, dominada por uma espécie de vício do enjambement que chega a criar poemas quase inteiros sem que uma oração termine no final de um verso. Essa espécie de “realejo de enjambements”, monocórdio ao extremo, perpassa por quase tudo o que escreveu, lançando mão de uma técnica bastante defeituosa: versos de pé-quebrado, especialmente pelo uso e abuso de ectlipses, elisões romanas e inúmeras rimas consoantes que não o são. Vez por outra, em meio dessa grafomania versificatória tediosa e obsessiva, espécie de música de feira, surge um grande momento lírico, que não salva o essencial vazio de fundo que domina o conjunto, sem se falar da total inadequação entre um periódico coloquialismo e o tom geralmente elevado do verso. A sua poesia, na verdade, e qualquer leitor médio o percebe, é conduzida pelas rimas e pelo ritmo, e não o contrário, como qualquer poesia digna desse nome. Verdadeiro personagem de romance, com um talento verbal e histriônico espantoso, mas de repertório curto, um dos fatos mais interessantes da sua imponderável biografia é ter voltado para o Brasil dizendo-se exilado da ditadura militar e trazendo mesmo um livro sobre o assunto, após o fracasso do qual terminou seus dias – há quem diga que não morreu, quem garanta que ele está vivo – venerado pela mais rançosa extrema direita nacional.”

***

Pitoresco ao extremo.  Mas o que realmente me chamou a atenção foi o seguinte:

“(…) além de ter sido astrólogo em Los Angeles por doze anos (…)”

Parece que é uma constante, não?

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De resto, a defesa que faz Olavo é estranha:

“(…)sei que, quando havia idiotas presentes, ele gostava de deslumbrá-los com as lendas mais mirabolantes a respeito de si próprio, narradas num tom da maior seriedade. Uns acreditavam; outros, mais bobos ainda, mas imaginando-se espertos, acreditavam que ele acreditasse. Quando saíam, eu e ele ríamos a valer de uns e outros.”

Escapa-me como ele deixou de perceber o denominador comum, o idiota presente a todas estas ocasiões que ele teve a fortuna de testemunhar…

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A loura primordial

Our species, Homo sapiens, is highly autapomorphic (uniquely derived) among hominids in the structure of its skull and postcranial skeleton. It is also sharply distinguished from other organisms by its unique symbolic mode of cognition. The fossil and archaeological records combine to show fairly clearly that our physical and cognitive attributes both first appeared in Africa, but at different times. Essentially modern bony conformation was established in that continent by the 200-150 Ka range (a dating in good agreement with dates for the origin of H. sapiens derived from modern molecular diversity). The event concerned was apparently short-term because it is essentially unanticipated in the fossil record. In contrast, the first convincing stirrings of symbolic behavior are not currently detectable until (possibly well) after 100 Ka. The radical reorganization of gene expression that underwrote the distinctive physical appearance of H. sapiens was probably also responsible for the neural substrate that permits symbolic cognition. This exaptively acquired potential lay unexploited until it was “discovered” via a cultural stimulus, plausibly the invention of language. Modern humans appear to have definitively exited Africa to populate the rest of the globe only after both their physical and cognitive peculiarities had been acquired within that continent.” [grifos meus]

Daqui.  (Via Gene Expression)

O Guardian tem uma matéria fotográfica sobre as diferenças entre as iguarias dos anúncios e sua realização concreta:

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“Wendy’s chicken club sandwich. Now that just looks nasty. It’s just the cheese that’s doing it, but … the cheese … the evil, evil melty plastic cheese with the light glinting off it. Ew.”

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Irk!

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UPDATE:

Desconhecia, embora o leitor Jacson diga que é “básico”…o blog “Coma com os Olhos“, que já faz há muito tempo isso aí que a reportagem do Guardian fez.  Enjoy!

No Crooked Timber, um post interessante sobre a economics do cinema em 3D.  O autor, Henry Farrel, discute um artigo de Cory Doctorow no Guardian.  O ponto de Doctorow é que os filmes em 3D, apesar de interessantes, são um cul-de-sac, já que a própria lógica do business impedirá a emergência de VERDADEIROS filmes 3D, isto é, filmes onde o efeito 3D seja realmente parte integral e inarredável da obra audiovisual.  Isto porque, raciocina Doctorow, a retromencionada lógica do business audiovisual depende fortemente das outras janelas de distribuição (DVD, cabo, tv aberta)  para se rentabilizar, logo, não faz nenhum sentido criar um filme em 3D que realmente não possa ser visto, ou perca muito a graça, quando apreciado em um aparelho que não apresenta o efeito 3D.

Acho que Doctorow está um tanto errado.  Primeiro: a verdade é que os fabricantes de displays estão correndo atrás do display 3D.  E eu mesmo vi, com estes olhos que a terra há de comer, uma tv da Philips com efeito 3D SEM que seja preciso usar aqueles desconfortáveis óculos.

Segundo: não sei se essas TV´s com 3D vão pegar.  Mas não precisam.  Minha impressão é que o 3D está vindo como uma tentativa de dar algum alento às salas de cinema, aumentar sua diferenciação em relação às outras janelas de exibição.  É claro que há um cálculo a ser feito aí, e é o de saber se a diferença entre produzir um filme com efeitos 3D e sem efeitos 3D cobre a renda adicional que ele permite auferir na bilheteria do cinema.  Mas eu acho que a tecnologia, especialmente a dos filmes feitos inteiramente em computação gráfica, deve permitir que isso seja feito de forma relativamente barata.

Esta matéria da Wired, aliás, mostra qual é o caminho: os cinemas tornam-se capazes de cobrar um adicional para que se veja um filme 3D.

***

No post, Henry Farrel relembra uma sacação de Tyler Cowen a respeito dos impactos diferenciados da tecnologia sobre as obras de arte, quanto aos efeitos sobre os direitos autorais:

Perhaps the most interesting part of the book is one that goes on a tangent from Cowen’s main argument – his discussion of how changes in the ability of producers to enforce copyright are likely to affect cultural production. Here, he argues that the likely consequences will differ dramatically from art form to art form. Simplifying a little, he adapts Walter Benjamin to argue that there is likely to be a big difference between art forms that rely heavily on their “aura,” and art forms that can be transformed into information without losing much of their cultural content. The former are likely to continue to do well – they aren’t fundamentally challenged by the Internet. In contrast, forms of art which can be translated into information without losing much of their content are likely to see substantial changes, thanks to competition from file sharing services. Over time, we may see “the symbolic and informational” functions of art [becoming] increasingly separate,” as the Internet offers pure information, and other outlets invest more heavily in providing an “aura” and accompanying benefits of status that will make consumers more willing to pay for art (because it is being produced in a prestigious concert hall, exhibited in a museum etc). Pop music is likely to emphasize live concert performance more, because this has value that can’t be reproduced easily through electronic means (you have to ‘be there’ to properly enjoy it). Cinema is likely to emphasize the benefits of the movie theater experience, rather than enhancements to DVDs that can easily be ripped off by pirates. It’s likely to remain economically healthy even if profits are hit by illegal filesharing (most people didn’t bother to copy video cassettes because it was cheap to rent them).”

Essa sacada da separação entre as funções simbólica e informacional da obra cultural é realmente muito boa.  Isto, a meu ver, explica porque os cinemas estão se transformando em âncoras de shopping: ir ao cinema vai se transformando cada vez mais em um símbolo de um tipo de programa, logo, de um tipo de estilo de vida.

É verdade que a ida ao cinema ainda agrega outros elementos de utilidade ao consumidor _ principalmente devido ao fato de que o cinema ainda é a “primeira janela” de exibição de filmes, isto é, a ida ao cinema tem um apelo específico para as pessoas que, por algum motivo, não querem esperar para ver o filme na TV, no cabo ou no DVD.  Mas eu realmente acredito que uma parte das pessoas que vão ao cinema não estão tão afoitas assim para ver um filme, e estão antes desempenhando um “papel social”.

Deu no Globo:

Após participar da reunião do Conselho de Administração da Petrobras, ontem, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que o governo deverá procurar outro nome para a estatal que vai gerir o pré-sal. A declaração de Dilma se justifica pelo fato de o governo ter sido informado que há uma empresa em Mossoró (RN) que tem o registro do nome Petro-Sal, fornecedora de equipamentos para máquinas de extração de petróleo e sal.

— Pode ser que tenha (que buscar outro nome), porque tem uma pessoa que tem registro.

Eu não tenho nome. Pode ser PetroUnião, PetroBrasil, petroqualquercoisa. Se tiver mesmo de mudar, mais próximo da aprovação se vê isso e se toma providência — disse ela.”

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Inadvertidamente, a ministra provavelmente fez com que centenas de espertinhos acorressem aos cartórios para sofregamente registrar “PetroUnião” e “PetroBrasil”.   E é até mesmo possível que um ou outro tenha se arriscado a registrar “Petroqualquercoisa”…

A leitora Ju Sampaio fez um comentário linkando este post de um interessante blog.  A questão do post é o uso inescrupuloso da beleza feminina, uma coisa à qual já estamos acostumados no negócio de cervejas mas que ainda parece ser uma novidade na seara política:

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Ou não:

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Quer dizer, pelo menos no que se refere à musa do axé (se bem que Regina Duarte, Ana Maria Braga e até a Hebe _ esta com alguma boa vontade, é certo _ já foram bonitinhas).

O post lembra, com razão, que causas de esquerda também já usaram este tipo de apelo.  Uma coisa que qualquer um que tenha sido universitário nos anos 80 está cansado de saber [cortesia: gatinhas da Libelú].

Bem, mulheres bonitas podem ser conservadoras?  Imagino que sim, até porque já conheci várias.  O problema da direita com esse negócio é entender o conceito, creiam-me, de forma completamente errada.  Agora, a pergunta interessante é saber se os campos ideológicos à direita ou à esquerda atraem mais as mulheres ou os homens.  Este trabalho da economista sueca Helena Svaleryd coloca bem a hipótese de que as preferências políticas de homens e mulheres sejam mesmo diferenciadas:

A basic prerequisite for representation of women to matter for policy is that men and women have different preferences regarding policy. There is ample evidence suggesting that this is the case. Surveys of men and women’s preferences using pools show that women are more concerned about social policy issues (see e.g. Funk and Garthmann, 2006, and, for evidence on Swedish data, Oskarson and Wängnerud, 1995). Among elected representatives there are also documented differences. In a study of Swedish MPs, Esaiasson and Holmberg (1993) find that female MPs were significantly more positive towards daycare centers and an ecological society than men. This paper also finds that there are important differences in the stated preferences of men and women.”

Aceitando que uma preferência por gastos “sociais” é uma proxy confiável para o posicionamento à esquerda no espectro político, parece razoável afirmar que as mulheres teriam uma tendência maior para o voto à esquerda que os homens.  Agora, de que maneira isso se traduz no segmento específico das “mulheres bonitas”, já é mais complicado especular.  A evidência episódica mostra que Scarlett Johansson apoiou o Obama, enquanto Ann Coulter, bem,  é a da direita

O que me chama a atenção, porém, é o ponto de partida do próprio poster do pessoal de Stanford: a idéia de que as mulheres conservadoras são “uma minoria marginalizada”  dentro do próprio movimento conservador.  Pois é, posso imaginar o motivo.

Zelaya está na embaixada brasileira em Honduras.

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Imagine só se Honduras, em um rompante, declara guerra ao Brasil.

Eles até que podem entrar na embaixada e arrancar o Zelaya de lá.  O problema é, e nós, vamos fazer o quê?

Nenhum dos 3 caças da licitação chega tão longe.   Só se deslocarem as tropas da missão de paz no Haiti.   🙂

Outra matéria boa no Valor, de Paola de Moura, sobre o mercado de livros:

Preço do livro cai e disputa pelas prateleiras no varejo aumenta

A disputa pelos corredores das grandes livrarias está mais acirrada depois que o preço médio dos livros caiu de R$ 8,58, em 2004, para R$ 8, em 2008, e o número de lançamento de livros cresceu 15,91% de 2007 para o ano passado, batendo a marca de 50 mil exemplares. “O mercado funciona com os ‘best sellers’ e precisa muito das grandes redes de livrarias”, diz César González, diretor-geral da Planeta.

A competição se dá de forma similar a que se vê em supermercados. As editoras escolhem os títulos em que apostam e produzem uma campanha de marketing voltada para os pontos de venda. “Hoje a compra de livro se dá muito por impulso”, diz González. A principal estratégia da editora espanhola, no mercado brasileiro há seis anos, é a publicação de livros “fortes”, como ele chama os mais vendidos. Nas últimas duas semanas, a editora esteve com seis livros na lista, entre eles “1808”, de Laurentino Gomes há mais de um ano entre os mais e “Encontre Deus na Cabana”, de Randal Rauser.

González conta também que estar na lista dos mais vendidos no Brasil é mais importante do que em países como Estados Unidos ou da Europa. “Aqui, os livros de grande sucesso ficam na lista entre um e dois anos. Nos Estados Unidos, a rotatividade é maior”. As listas ajudam a vender.

Quem sai ganhando com a batalha são as grandes livrarias. Quando um livro é editado e publicado, ele sai da editora com um preço de capa. Então é negociado com a livraria. Para estar nas posições de maior destaque de uma grande rede, a editora dá descontos de 35% até 50% no preço de capa. A rede de lojas pode ter, então, uma margem alta na venda e, por isso, dá maior exibição ao produto, para faturar mais. Quando o livro encalha, as livrarias, em geral, não ficam com os produtos em suas prateleiras ou em seus estoques. Todos são devolvidos para as editoras.

Com um lançamento grande, como o de um Harry Porter ou de um Dan Brown, os custos são quase todos da editora. Cada display de propaganda que sustenta os livros custa de R$ 300 a R$ 700. No entanto, peças exclusivas produzidas para um grande lançamento podem chegar a R$ 1.000 cada. E quem banca é a editora.”

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Taí, eu já comprei muito livro por impulso.

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E pra piorar ainda tem a história do preço único.

Final de setembro em Brasília.  Chove.

E a grama continua verde.

Eu, hein.

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Vivendo a arqueologia intensamente

Matéria curiosa no Valor hoje, por Jacilio Saraiva:

Empresas disputam arqueólogos para atuar em grandes obras

O arqueólogo Renato Kipnis diz que a rigidez no controle das construções por órgãos do governo está puxando as contratações

Indiana Jones não é mais o mesmo. Agora, bate ponto, cumpre expediente de até 14 horas e trabalha para grandes empresas. Pelo menos no Brasil, a profissão de arqueólogo recebeu um reforço a partir de 2002 com a obrigatoriedade da presença do profissional em obras que possam causar impactos ambientais. Segundo especialistas do setor, a disseminação de empreendimentos de grande porte- como hidrelétricas, estradas e gasodutos-, os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o aumento da fiscalização nas construções provocaram um salto de até 100% nas contratações de arqueólogos, nos últimos três anos. A formação acadêmica dos profissionais também ganha corpo com a criação de novos cursos de graduação e especialização.

“A expansão do mercado de trabalho foi ocasionada pela necessidade crescente de pessoal para atender às demandas da arqueologia de contrato, relacionada a grandes empreendimentos”, analisa Denise Pahl Schaan, presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira e coordenadora do curso de especialização em arqueologia da Universidade Federal do Pará. “Hoje, os serviços para empresas são responsáveis por mais de 90% dos projetos na área e já se sobressaem em relação às pesquisas acadêmicas, que sempre caracterizaram a arqueologia no Brasil.“”

Mais:

“(…) A legislação que obriga a presença dos especialistas em obras de pequeno e grande porte foi criada nos anos 1960 e ganhou rigidez a partir de 2002. Com isso, todos os sítios arqueológicos são protegidos por lei, mesmo os que ainda não foram descobertos- e para construir qualquer usina ou estrada é necessário fazer um levantamento arqueológico do local. “No Piauí, há grande procura por técnicos por conta da presença de mineradoras interessadas em reservas de ferro, fósforo, níquel, mármore e calcário”, diz Maria Fátima.

Segundo Denise, alunos de arqueologia sem formação completa ganham até R$ 1,5 mil por mês. “Órgãos públicos, como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), admitem arqueólogos por salários de R$ 6 mil a R$ 8 mil, por contratos temporários”, diz. E quando o trabalho é em campo, a remuneração pode aumentar. “Se a legislação for cumprida à risca, precisaremos de todos os arqueólogos que se formam no Brasil.

***

Legislação correlata e outras informações no site do Sociedade de Arqueologia Brasileira, aqui.

Pergunta-se: essa produção está onde?

Bem, a Portaria 230 de 17 de dezembro de 2002 do IPHAN, que “deu rigidez” à legislação anterior, estipula que:

§ 2º – O resultado esperado é um relatório detalhado que especifique as atividades desenvolvidas em campo e em laboratório e apresente os resultados científicos dos esforços despendidos em termos de produção de conhecimento sobre arqueologia da área de estudo. Assim, a perda física dos sítios arqueológicos poderá ser efetivamente compensada pela incorporação dos conhecimentos produzidos à Memória Nacional.

(…)

§ 8º – No caso da destinação da guarda do material arqueológico retirado nas áreas, regiões ou municípios onde foram realizadas pesquisas arqueológicas, a guarda destes vestígios arqueológicos deverá ser garantida pelo empreendedor, seja na modernização, na ampliação, no fortalecimento de unidades existentes, ou mesmo na construção de unidades museológicas específicas para o caso.

Pergunto-me se essa produção em algum momento vê a luz do dia…

Bom, eu chego em casa e encontro um comentário do troll “Paulo Silveira”:

“Cara, como vocês são ridículos.”

Veremos que a inversão do ônus da prova se dará em poucos momentos.

“A quantidade de baboseira que vocês ficam escrevendo sobre Reinaldo Azevedo é coisa típica de petralha.”

Eu não disse?

“Assuma: você, ou vocês, são uma cambadinha de vagabundinhos, que ficam mamando em alguma ONG financiada por algum político petralha ?”

Vejam que se trata de um trollzinho terno, que usa e abusa dos diminutivos.  Um trollzinho delicado com fixação na fase oral.  Hummm…

“Vai, fala a verdade?”

Troll, o que este ponto de interrogação faz nessa frase?

“E vocês não tem nomes, telefones, endereços?”

Temos.  Só não os distribuímos, como é usual na blogoseira, inclusive anaeróbica.

“No mínimo, cambada de otários, dormem e acordam fazendo uma oração pro São Che-guevara, pagam pau pro Fidel Castro, e outras tantas babozeiras de esquerdistas do miolo mole.”

Não deixa de ser curioso que esta frase do troll tenha sido a única jamais pronunciada neste blog onde surge a palavra “guevara” (afora representações pictóricas). Já Fidel Castro

“Hahaha.

Vai dormindo neste balanço, otários, que esta governalha, petralha, corrupta, vagabunda, está chegando ao fim.”

Acho que você vai ter uma grande surpresa.

“Nem a cumpanheira Dilma Roussef vai salvar o partidão, que está mais na lama que as botas do Fidel.”

Acho que você vai se surpreender mesmo…

“Hahaha”

Ri melhor que ri por último… 🙂

Almoçava eu hoje no Rio com o Samurai e outro amigo quando nos bateu uma iluminação:

A Argentina é o Brasil Bizarro de algum universo paralelo:  lá, eles puseram Pelé no comando da seleção e elegeram Rosinha Garotinho como Presidente da República…

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Como vêem, nossos almoços são inspirados.   🙂

MarsColony2029

Foi assim que me senti quando vim pra Brasília

Uma proposta modesta:

Clearly, some creative thinking is badly needed if humans are to have a future beyond Earth. Returning to the Moon may be worthy and attainable, but it fails to capture the public’s imagination. What does get people excited is the prospect of a mission to Mars. The lure of the red planet lies in its Earth-like conditions and the tantalising prospect of some form of life.

Unfortunately, existing plans are absurdly expensive and will remain unrealistic for decades. But there is a way to put humans on Mars with foreseeable technology, and at a fraction of the projected cost. Five years ago I made the radical proposal that a handful of astronauts be sent on a one-way journey to Mars. I am not talking about a suicide mission. With its protective atmosphere, accessible water and carbon dioxide, and significant amounts of methane, Mars is one of the few places in the solar system that could support a human colony.

By eliminating the need to transport heavy fuel and equipment for the return journey, costs could be slashed by 80% or more. Supplies and a power source would be sent on ahead, and only when everything is functional would astronauts be dispatched. The base would be re-supplied from Earth every two years. Of course the mission would still be highly risky, but so is round-the-world ballooning and mountaineering. The ideal astronauts would be scientists and engineers who could continue to do world-class science while serving as trailblazers for the colonisation of a new planet. Eventually, more people would join them. After a century or two, the colony could become self-sustaining.

***

Você, leitor, embarcaria nessa?

Essa parte me pareceu singularmente cínica:

The first Martians would have to accept reduced life expectancy due to radiation, lack of advanced medical resources and lower gravity, but a return journey entails similar hazards. Moreover, the most dangerous parts of space exploration are take-off and landing: cutting out the return halves the risk.”

Já essa aqui é mais altruísta, embora me pareça um tanto irrealista:

Perhaps the best motivation for going to Mars is political. It is obvious that no single nation currently has either the will or the resources to do it alone, but a consortium of nations and space agencies could achieve it within 20 years. A worldwide project to create a second home for humankind elsewhere in the solar system would be the greatest adventure our species has embarked upon since walking out of Africa 100 000 years ago, and provide a unifying influence unparalleled in history. With Nasa’s manned space programme back in the melting pot, now is the time to put a one-way mission to Mars at the top of the space exploration agenda.”

Quer dizer, com tantos problemas para tentarmos não perder o mundo que já temos, porque exatamente estamos pensando em bagunçar outro?

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Foto da Torre com os pavilhões da Exposição Universal

Excelente post no recém-descoberto blog “Sans Everything” sobre a fixação dos filmes de ação em destruírem a Torre Eiffel:

Why are filmmakers so in love with the idea of Eiffel Tower being wrecked? The obvious answer is that action-adventure movies are all about spectacle and there is no better way to show that something big is happening in the world than by blowing up a globally famous tourist site. Aside from the tower, it’s become almost de rigueur in apocalyptic sci-fi movies to show the destruction of the Statue of Liberty, the White House, the Pyramids, the Taj Mahal, and so on.

But aside from the cheap and easy visual punch that comes from such images of landmark devastation, there might be something deeper at work. Oliver Stone once said that as a filmmaker he sees himself as a counterpart to the great builders of old, like those who made the pyramids and the great Asian temples. There is something to that: the landmarks of antiquity, like the movies of today, were designed to be awe-inspiring spectacles. But a counterpart is also a rival: filmmakers are in competition with the spectacles of the past, trying to out do earlier effects. And a rival is always worth rubbishing.”

***

No post, transcreve-se também um trecho de uma descrição de um escritor russo a respeito da Torre a partir do qual até dá pra entender que, na época, tanta gente tenha sido a favor da sua destruição.  A Torre era uma construção provisória, sendo que a facilidade de seu desmonte era até um dos parâmetros da competição realizada pelo seu projeto.  A idéia era que ela durasse apenas 20 anos, até 1909, mas até lá os parisienses já haviam se acostumado a ela _ embora, na época de sua construção, a influente comunidade artística da cidade houvesse escrito uma carta extremamente desabonadora:

Nous venons, écrivains, peintres, sculpteurs, architectes, amateurs passionnés de la beauté jusqu’ici intacte de Paris, protester de toutes nos forces, de toute notre indignation, au nom du goût français méconnu, au nom de l’art et de l’histoire français menacés, contre l’érection, en plein coeur de notre capitale, de l’inutile et monstrueuse Tour Eiffel, que la malignité publique, souvent empreinte de bon sens et d’esprit de justice, a déjà baptisée du nom de tour de Babel. (…) La ville de Paris va-t-elle donc s’associer plus longtemps aux baroques, aux mercantiles imaginations d’un constructeur de machines, pour s’enlaidir irréparablement et se déshonorer ? (…).

Il suffit d’ailleurs, pour se rendre compte de ce que nous avançons, de se figurer un instant une tour vertigineusement ridicule, dominant Paris, ainsi qu’une noire et gigantesque cheminée d’usine, écrasant de sa masse barbare (…) tous nos monuments humiliés, toutes nos architectures rapetissées, qui disparaîtront dans ce rêve stupéfiant.

Et, pendant vingt ans, nous verrons s’allonger sur la ville entière, frémissante encore du génie de tant de siècles, nous verrons s’allonger comme une tache d’encre l’ombre odieuse de l’odieuse colonne de tôle boulonnée.”

Subscrevem, entre outros, Charles Gounod, Guy de Maupassant, Alexandre Dumas filho, e até meu ídolo da pintura acadêmica francesa, William Bouguereau.

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Aqui, um curioso post sobre como a Torre Eiffel influencia a moda.

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Aliás lembrei de mais um filme além dos que ele cita no  post onde a Torre é destruída: Team America.  E se não me engano tem um 007 onde planejam botar uma bomba lá.

Impagável: títulos de alguns clássicos, se fossem escritos hoje.

Then: The Wealth of Nations

Now: Invisible Hands: The Mysterious Market Forces That Control Our Lives and How to Profit from Them

Then: Walden

Now: Camping with Myself: Two Years in American Tuscany

Then: The Theory of the Leisure Class

Now: Buying Out Loud: The Unbelievable Truth About What We Consume and What It Says About Us

Then: The Gospel of Matthew

Now: 40 Days and a Mule: How One Man Quit His Job and Became the Boss

Then: The Prince

Now: The Prince (Foreword by Oprah Winfrey)

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Tem umas boas sugestões nos comentários, também.

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Sugestões para obras brasileiras?

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(*) título do blog “O Hermenauta” na versão aeroportuária.

Do “Painel” da Folha:

A “bras” do minério

Animados pelas perspectivas do pré-sal e pela política de fortalecimento da presença estatal na exploração do recurso, governadores de Estados produtores de minério se articulam em defesa não apenas da ideia de turbinar o pagamento de royalties como da criação de uma estatal para administrar essa riqueza.

Na esteira da descoberta de uma jazida de minério de ferro estimada em 2,97 bilhões de toneladas no Piauí, o governador Wellington Dias (PT) fez um giro por vários Estados defendendo uma “bras” do setor. Sentado sobre a maior jazida do país, responsável por 77% da produção nacional, Aécio Neves (PSDB) ainda não endossou tal projeto, mas tem disparado telefonemas reivindicando aumento dos royalties.”

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O que provavelmente significa que Aécio não está pensando em ser Presidente…

Entrevista com o Hobsbawn na Folha.  Achei isto interessante:

FOLHA – As “Eras” são consideradas um exemplo de boa análise histórica dedicada a um amplo período. O sr. acha que falta ambição a historiadores hoje?

HOBSBAWM – Para fazer história com uma perspectiva maior, é preciso ser um intelectual maduro. Hoje, os jovens historiadores gastam muito mais tempo em suas especializações. Quando estão aptos a dar um passo maior, hesitam. A história equivocadamente se afastou da “história total” que fazia Fernand Braudel [1902-1985].”

Será?  Eu gosto do pessoal da Macrohistória, talvez Hobsbawn os esteja deliberadamente ignorando porque muitos deles partem de um ponto de vista totalmente diferente ao que ele esposa.

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Do Valor de hoje:

França quer bem-estar como indicador

Associated Press14/09/2009 10:18 Texto: A- A+

PARIS – A França pretende incluir a felicidade e o bem-estar entre seus medidores de progresso econômico, disse hoje o presidente Nicolas Sarkozy, conclamando outros países a aderir a uma ” revolução ” no modo como o crescimento é acompanhado após a crise global.

O país vai adaptar as ferramentas estatísticas conforme o recomendado por dois prêmios Nobel que Sarkozy contratou 18 meses atrás para analisar novas maneiras de medir o progresso social. A França – cujo crescimento ficou abaixo de países similares nas últimas décadas, em indicadores padrão – também vai tentar convencer outros governos a mudar o acompanhamento econômico.

O presidente deu as declarações em discurso pelo primeiro aniversário da quebra do banco americano Lehman Brothers. ” Uma grande revolução está esperando por nós. Por anos as pessoas disseram que as finanças eram um criador formidável de riqueza, só para descobrir um dia que isso acumulou tanto risco que o mundo quase caiu no caos ” , disse Sarkozy. ” A crise não só nos deixa livres para imaginar outros modelos, outro futuro, outro mundo. Ela nos obriga a fazer isso. ”

Medir o bem-estar faria a economia francesa – famosa por sua curta semana de trabalho e pelos generosos benefícios sociais – parecer mais promissora.

Sarkozy pediu ao americano Joseph Stiglitz, ganhador do Nobel de Economia de 2001, e ao indiano Armatya Sen, Nobel de 1998, para liderar a análise. Sen ajudou a criar o Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, indicador anual de bem-estar social que ajuda a formular políticas internacionais que levem em conta padrões de saúde e qualidade de vida.

O relatório dos economistas, entregue hoje a Sarkozy, recomenda transferir o foco estatístico do Produto Interno Bruto (PIB), que mede a produção econômica, para o bem-estar e a sustentabilidade. Eles defendem que mensurar a renda familiar, o consumo e a riqueza, em vez da produção da economia como um todo, reflete melhor os padrões da vida da população. Atividades fora do mercado, como a limpeza de casas, também devem ser consideradas.

O novo modelo também prega mais importância para a distribuição de renda e riqueza e para o acesso à educação e ao sistema de saúde. Também deve ser considerado se os países estão consumindo em excesso seus recursos econômicos e prejudicando o meio ambiente.”

***

Esse papo é antigo, mas que eu me lembre é a primeira vez que um país central leva a idéia a sério.

***

Sarkozy: até os conservadores franceses são diferentes…

***

Isto me lembra este gráfico que saiu em um estudo recente sobre bem estar comparado:

bemestarvspibpercapita

(clique para ampliar)

É incrível como os países latinos tendem a ser mais “eficientes” que os outros na conversão de recursos em bem estar subjetivo.

As setas azuis comparam diretamente os diferenciais de bem estar e de renda per capita de Brasil e EUA.

Deu no Blog do Servidor:

Balaio de gato

Será criado nesta segunda-feira o Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (SindItamaraty), entidade que vai representar diplomatas, oficiais de chancelaria, assistentes de chancelaria e o pessoal do PGPE/PCCS.

É muita gente diferente junto sob o mesmo guarda-chuva.”

***

O Luciano Pires é muito educado.  O que ele quer dizer é que as divas diplomáticas jamais vão aceitar não ter o domínio sobre o sindicato.

Fecha-se o cerco:

Globo restringe uso de blogs e redes sociais

14 de setembro de 2009

A TV Globo divulgou um comunicado interno em que restringe o uso de blogs e redes sociais pelos seus contratados. A medida atinge artistas, jornalistas e outros profissionais da emissora, segundo o portal Comunique-se. “A divulgação e ou comentários sobre temas/informações direta ou indiretamente relacionados às atividades ligadas à Rede Globo; ao mercado de mídia e ao nosso ambiente regulatório, ou qualquer outra informação/conteúdo obtidos em razão do relacionamento com a Rede Globo são vedados, independentemente da plataforma adotada, salvo expressamente autorizada pela empresa”, informa o comunicado.

Segundo o Comunique-se, a emissora também exige autorização prévia para que os contratados possam ter blogs, Twitter e outras redes sociais vinculados a outros veículos de comunicação. A emissora alega que a medida tem o objetivo proteger seus “conteúdos da exploração indevida por terceiros, assim como preservar seus princípios e valores”.

Regras na Folha

O jornal Folha de S.Paulo também criou regras de condutas para seus jornalistas que atuam em blogs ou no Twitter. O comunicado interno pede que os profissionais não se posicionem em favor de um candidato, partido ou campanha, e que não publiquem “furos” em suas páginas da web.

“Man – a transitional fossil in the making”

[inspiração bateu daqui]

Um certo mané resolveu tomar as dores de Titio Rei.  Vejamos.

O Reinaldo Azevedo tem suas bolas foras. Mas ele na cobertura da compra dos caças da FAB tem feito um trabalho dentro do razoável.

Um blogueiro que se dedica a persegui-lo tentou rebater as acusações do Reinaldo no afã de defender o governo.”

Bom. Eu não sou alguém tão seguro de si a ponto de sistematicamente confundir divergência com animosidade.  Entretanto, um sujeito que começa um post dedicado a fazer o contraditório contra este blog desse jeito já desperta meus piores instintos.  Porque uma coisa é defender o atual governo contra quem anseia pela volta de um governo pior, como é o caso de Reinaldo Azevedo; outra muito diferente é “defender o governo” absolutamente, de qualquer crítica possível.   Então, não rola “afã” nenhum; isso é simplesmente coisa que eu não faço, como sabe quem acompanha o blog _ e, inclusive, recentemente critiquei a decisão de fazer o submarino nuclear.  Mas vamos em frente.

O sujeito diz que meu post incide em 3 “clichês”:

_ o de que os EUA não fazem transferência de tecnologia;

_ o segundo é a, nas palavras dele, “confusão bi-reator vs monoreator”;

_ o terceiro, finalmente, o de que o Rafale já existe e voa enquanto o Grippen é um avião “virtual”.

Quanto ao primeiro ponto, é possível que eu tenha me expressado mal, mas o meu próprio texto já deixa isso suficientemente claro:

Mas o que eu ia dizer é: a parte inquestionável da negociação era a transferência de tecnologia.  E isso, os EUA não fazem.  Não sei qual era a disposição dos suecos nesse quesito, mas cabe notar que partes críticas do Grippen são fabricadas sob licença norte-americana

Bem, se eu mesmo disse que partes do Gripen são fabricados sob licença norte-americana, é claro que os EUA transferem realmente alguma tecnologia.

O sujeito imagina rebater meus argumentos dando exemplos de países que têm licenças para fabricar alguns aviões norte-americanos, tais como a Coréia do Sul, Japão, Israel e Turquia.  Nem é preciso dizer que tais países estão vinculados a tratados com os EUA, sendo que a Turquia é membro da OTAN, Coréia do Sul e Japão tem tratados de defesa mútua com os EUA e Israel, ora, Israel.

Logo, a questão é essa: para o Brasil ter acesso real à tecnologia norte-americana, precisa ter um tipo de relação especial com os EUA que o país não deseja.  É claro que se pode questionar se essa postura é razoável ou não, mas é bom entender que ela não é uma invenção do governo Lula, é uma postura do Estado brasileiro relativamente antiga.  Prova-o aliás o fato de que foi o próprio governo Fernando Henrique Cardoso o responsável por jogar um balde de água fria na proposta da ALCA e fortalecer o Mercosul.

O fulano diz o seguinte, fazendo pouco das restrições americanas ao uso da sua tecnologia:

E quais as restrições? Bem, eles vão cumprir somente aquilo que está no contrato, nenhuma virgula a mais. Por isso é tão complicado negociar com a industria americana, pois uma vez colocado no contrato, eles vão cumprir. E também se abster de negociar com países como Coréia do Norte, Irã, Síria e Venezuela. Eu não vejo nada demais nisso.

Facinho, né?

Mas vejamos o texto de apenas uma das regulações norte-americanas sobre o uso de armas com tecnologia dos EUA pelos seus usuários finais, o Arms Export Control Act.  Ele prevê, entre outras coisas, um “programa de monitoramento” que:

“(b) Conduct of program

In carrying out the program established under subsection (a) of this section, the President shall ensure that the program—

(1) provides for the end-use verification of defense articles and defense services that incorporate sensitive technology, defense articles and defense services that are particularly vulnerable to diversion or other misuse, or defense articles or defense services whose diversion or other misuse could have significant consequences; and

(2) prevents the diversion (through reverse engineering or other means) of technology incorporated in defense articles.” [grifos meus]

Francamente…é ruim, hein?  Mas há coisas piores.  A França, por exemplo, está nos vendendo seu caça mais sofisticado, e transferindo sua tecnologia.   Já o F-22 por exemplo…apesar de que nesse caso a coisa até se justifica, já que o Congresso norte-americano resolveu parar de fabricar o aparelho.

Quanto à suposta “confusão” mono-reator vs bi-reator:

Primeiro a melhora na relação peso/potência tornou o segundo motor desnecessário na maioria dos projetos. Segundo, o nível de confiabilidades das turbinas aumentou consideravelmente nos ultimos 40 anos. Terceiro, a enorme quantidade de acidentes em que a despeito de uma turbina ainda funcionar o avião ainda caiu.

Bem, aqui nosso amigo mostra todo o seu amadorismo.

É uma asneira dizer que um “segundo motor” é “desnecessário” na “maioria dos projetos”.  Dizer isso é desentender completamente o papel de cada tipo de avião no contexto do provável teatro de operações em que operará.    Aviões com duas turbinas são aviões de superioridade aérea: voam mais alto, mais rápido, e atacam de mais longe.  Seu objetivo é ou destruir uma força de ataque inimiga que se aproxime ou destruir instalações de defesa do inimigo (radares), tornando sua capacidade antiaérea inoperante.  No contexto brasileiro, de um país de dimensões continentais, essas características importam muito.  No contexto sueco, o Gripen é um avião adequado, já que se trata de um país pequeno cuja força aérea tem o objetivo de enfrentar enxames de aeronaves russas, logo tem que ser um avião barato, para ser produzido em grande escala.  O exemplo do F-16 na aviação israelense é muito mal colocado, porque o F-16 é um avião de ataque ao solo _ a superioridade aérea israelense está assegurada pela existência dos F-15.  A Operação Opera, por exemplo (a destruição do reator nuclear iraquiano de Osirak, em 1981), foi conduzida por 8 F-16 que atacaram o reator, mais 6 F-15 para dar suporte aos F-16.

Poderíamos até conceber uma formação mista, usando os Rafales na região norte do Brasil e o Gripen NG no Sul, onde as distâncias são menores e o Gripen poderia ter apoio, também, dos R99, aviões com capacidade AWACS, principalmente diante do sistema de datalink do Gripen que é bem avançado.  Mas provavelmente esta solução dual forçaria demasiadamente as economias de escala na operação da Força Aérea, e as evoluções do Rafale certamente o dotarão de uma capacidade de datalink similar à do Gripen, senão melhor.

Ademais, ele se enrola em seu próprio argumento, falando de aumento de confiabilidade de turbinas _ mas que mesmo assim há uma “enorme” quantidade de acidentes em que a despeito de uma turbina funcionar o avião caiu assim mesmo.  Bem, o fato é que se você aumenta a confiabilidade da turbina, continua sendo melhor ter duas turbinas.  Principalmente porque por mais confiável que ela seja, em um avião monorreator você irá inevitavelmente cair  se ela falhar, ao passo que com duas turbinas você ainda tem uma chance.

Finalmente, a questão do Rafale já voar e o Gripen NG ser um avião virtual.  Diz a figura:

O Gripen NG é uma modificação do Gripen C/D que já existe. Inclui remotorização e algumas alterações estruturais na célula e upgrades de sensores.”

Sim.  E daí?  Continua a ser um avião que não existe.  Ele é chamado, aliás, de “Gripen Demo”.  Uma coisa é ter um avião experimental, outra bem diferente é tê-lo fabricado em série.  Tem um custo aí no meio que deve ser devidamente contabilizado.

O Rafale que será vendido pro Brasil ou será o Rafale F3, que será francamente defasado em relação ao Gripen NG e já é defasado em relação ao Block II do F-18E ou será o Rafale F-3+, cujos melhoramentos ninguem sabe nem se vão todos sair do papel e ainda sim serão francamente inferiores ao F-18. Por exemplo, o Rafale nem remotamente apresenta a capacidade de guerra eletrônica que o F-18G possui.”

Ao que eu saiba ainda não se sabe bem qual será o Rafale vendido ao Brasil.  Fala-se em 36 com opção para mais 84, incluindo talvez uma versão naval (coisa que não existe no Gripen).  De qualquer maneira, o parágrafo acima “esquece” todo o resto da discussão, que envolve a transferência de tecnologia, a compra de aeronaves da Embraer pela França, e outras parcerias comerciais que vêm no “pacote completo” (inclusive na questão dos submarinos).

O programa Rafale anda bem problemático na França, sendo que até bem pouco tempo eles sequer podiam lançar bombas guiadas a laser por ausência de integração do POD Damocles de designação de alvos.”

Como dizem na Wikipedia, “citations needed”.  Até onde se sabe o Rafale ganhou a qualificação F3 este ano, caracterizando-se como um avião totalmente multifuncional.  A versão a que o sujeito se refere era a versão com qualificação F2. Ainda assim, é preciso dizer que o Rafale já teve seu batismo de fogo tanto no Kosovo quanto no Afeganistão, coisa que o Gripen, por exemplo, não pode reivindicar.

Existe ainda um agravante. Enquanto o Gripen está integrado com armamento americano e armamento europeu, e o F-18 pode ser integrado facilmente com armamento israelense, o Rafale só está integrado com armamento francês, que é CARO, e alguns armamentos europeus.

O risco político também existe com a França. A primeira coisa que os franceses fizeram quando os ingleses entraram em guerra contra a Argentina foi justamente fornecer os codigos fontes e esquemas dos mísseis exocet para ajudar a marinha britânica a combater o míssil.”

Aqui o moço tem discurso de armeiro, mas deixa que as árvores ocultem a vista da floresta.  A graça, justamente, de se ter completa transferência de tecnologia é que você se torna capaz de fabricar seus próprios armamentos, ficando livre de problemas como o citado _ que aliás são comuns a todos os três aviões.

Me parece que o rapaz é um aficcionado em armas.  Este perfil se encontra muito em discussões de defesa, mas em geral é gente incapaz de entender as consequências estratégicas deste tipo de decisão.  Nice try, moço.

Bem, parece menos e menos provável que alguém ache as caixas pretas do AF 447.

A “segunda fase” da busca foi encerrada.  Lembrem-se de que a primeira fase foi a busca com sonares, e a segunda foi uma varredura direta, pois os sinalizadores já teriam se descarregado e tornado-se incapazes de produzir o sinal de localização.

A autoridade aeronáutica francesa anuncia o início da “terceira fase” no final do outono no hemisfério norte.  Não se sabe ainda direito em que consistirá esta terceira fase, mas provavelmente envolverá um grande número de tecnologias de sensoreamento.   A França espera gastar “dezenas de milhões de euros” nessa fase.

Cresce a sensação de que embora significativos, os problemas com os tubos Pitot certamente não contam toda a história do que houve com o vôo AF 447.   Também cresce a impressão de que o aumento das soluções automatizadas estão tornando os pilotos menos capazes de lidar com problemas na vida real.   Mais preocupantemente, tem-se questionado até mesmo toda a estratégia de treinamento de pilotos a partir de simuladores de vôo, uma vez que simuladores normais não conseguem simular o comportamento físico de aeronaves em certas situações.

O resultado do AF 447 pode, assim, ser um maior gasto com treinamento em situações de descontrole da aeronave.

***

Um outro problema é que a desregulamentação da indústria aeronáutica abaixou os salários das tripulações.  Estima-se que um piloto ganhe menos da metade do que ganhava há 35 anos atrás (veja o caso dos pilotos que moram parte do tempo em um trailer em Los Angeles).

Reportagem do Correio Braziliense deste domingo, aliás, mostra que o mesmo é verdade no Brasil:

“(…) fazer com que a carreira decole no setor da aviação nem sempre é tarefa fácil de ser executada. Os cursos são caros para todos os cargos. Um piloto, por exemplo, precisa fazer pelo menos seis meses de curso. Sem contar as horas de voo obrigatórias, em média 200. Um pacote que pode custar cerca de R$ 50 mil. “O investimento no aprendizado é alto. E os salários não atraem mais”, destaca Graziella Baggio.

Em início de carreira, a remuneração para comissários varia entre R$ 1.200 e R$ 1.500, enquanto para os pilotos, a média é de R$ 4 mil a R$ 6 mil. Além disso, muitas companhias aéreas – embora sejam obrigadas pela Anac a realizar programas de treinamento e reciclagem de funcionários – não estão dispostas a investir em formação.”

O problema é que com essas coisas não se brinca.

Só vi agora (já tem mais de um mês), mas, pô, o Brad Setser fechou o blog dele.

Por uma boa causa: ele assumiu um posto no National Economic Council.  Ainda assim, é uma perda e tanto para a econoblogoseira.

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