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Tio Rei acusou o golpe:

PARA ELES, SWIFT É SÓ UMA MARCA DE SALSICHA

sexta-feira, 31 de julho de 2009 | 18:59

Um blogueiro incapaz de escrever os próprios textos — é que está ocupado “prestando serviços” para seus senhores — reproduziu trecho de um post meu de ontem (POR QUE O BRASIL NÃO VOTA LOGO NUM “COMBO”? ) para tentar me caracterizar como racista, sexista, essas bobagens.

Até ele sabe que o texto é uma ironia. Mas aquela gente que o lê — ou que ele diz que lê — não sabe. E está idignada!!! Não liguem. O que eu vou fazer? Ele é louco por mim. É um caso de amor absolutamente não-correspondido. Não me refiro a ele aqui, não cito seu nome aqui, corto os comentários que o fazem. Acho que meu blog, assim, fica mais, sei lá, arejado! Mas ele não sai na minha aba. Ele me ama. E sabe que não posso retribuir a sua devoção.

Alguns comentaristas aqui acharam que ele se refere a mim.  Não creio.  Ele está falando do Nassif, que reproduziu aqui o mesmo texto que reproduzi neste post.  É ao Nassif que ele se refere comumente como “jornalista de serviços“, como por exemplo, neste post. De toda forma, tanto faz: afinal, Tio Rei tem a coragem de dizer que alguma outra pessoa não sabe escrever os próprios textos, quando ele, hoje, sábado dia 1 de agosto, postou 14 textos, sendo apenas 2 de própria pena, e um deles um mero aviso _ todos os outros são textos da Veja, do Estadão e da Folha de São Paulo. Mas a sandice continua:

Há gente, como eu, que escreve para quem sabe ou quer saber quem foi Swift. E há gente como ele, que escreve para quem pensa que Swift é só uma marca de salsicha e considera “de direita” quem sabe mais do que isso. São estágios distintos da civilização, porém contemporâneos. Parece que Homo sapiens chegou a conviver com alguns primos que ficaram pelo meio do caminho.”

Tio Rei, aqui, modestamente pretende comparar-se com Jonathan Swift, cônego em Dublin e panfletista político.  Ele até mesmo faz um link para o texto “Uma Proposta Modesta”, onde Swift faz uma sátira em forma de ensaio conclamando os irlandeses a resolverem o problema de sua pobreza lancinante vendendo suas crianças como comida para os ricos.  É chocante que a despeito disso, Tio Rei diga o seguinte:

Não entender que falta de preconceito mesmo é defender o homem universal, como fiz, e não o homem separado por categorias é não entender nada. Não é que lhes falte humor. O que lhes falta é informação, sensibilidade, inteligência, requinte intelectual. O QUE LHES FALTA, SANTO DEUS!, É BOTAR AS PATAS NUM LIVRO!!!”

Na verdade, só quem não pôs as patas, o rabo ou sequer a vista na obra de Swift ou, de fato,  em qualquer compêndio sobre literatura  é que pode ignorar a enorme diferença existente entre “sátira” e “ironia” _ e em particular entre o texto de Swift e o post de Reinaldo.  A obra “Uma Proposta Modesta” não é uma ironia, é uma sátira.  O texto de Reinaldo Azevedo é uma falácia que ele chama de ironia mas queria dizer que era uma sátira.  Ora, o texto do Tio Rei opera, como sempre, pela criação de um straw men: há uma diferença muito grande entre dizer que “o Brasil está preparado para ter uma mulher como Presidente” e dizer que “O Brasil tem que ter uma mulher como presidente“.  Porém, operando este estelionato, Reinaldo sente-se à vontade para dizer, então, que “Dilma não pode ser presidente“, porque a vitória de Dilma consagraria a idéia de que “uma mulher tem que ser presidente“.

***

No mais, é interessante ver como Tio Rei se pretende revolucionário ao articular este discurso tão batido do “homem universal” que se satisfaz com a igualdade “em tese” mas de fato finge que há justiça em botar para competir na rinha de galo do capitalismo liberal, como iguais, os que estão desiguais.  Essa é a ética dos “homens livres” que preferem ver todos os problemas sociais resolvidos com… mais cadeia.  Na melhor das hipóteses.

Para ele e seus leitores, política social sadia é só uma marca de presunto.

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