Uma matéria de Flávia Foreque e Ricardo Brito no Correio Braziliense de hoje sobre um ex-operador collorido contratado por Sarney para ações de inteligência na internet traz um trecho interessantíssimo:

Empresário que montou equipe para salvar imagem de Sarney participou da campanha de Collor em 1989

Conversas telefônicas gravadas mostram que servidor cedido pelo Planalto ao presidente do Senado usava contatos na Polícia Federal para municiar grupo liderado pelo filho do peemedebista no Maranhão

O consultor Álvaro Lins Filho, 60 anos, é o responsável por coordenar a equipe de jornalistas de contrainformação do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O grupo a serviço de Álvaro(1), conhecido no mercado por ter participado em 1989 da vitoriosa campanha presidencial de Fernando Collor de Mello, ocupou nas últimas três semanas pelo menos duas salas do terceiro andar no shopping Deck Norte, no Lago Norte. Ontem pela manhã, os profissionais contratados foram convocados para reunião de emergência com Álvaro, depois que o Correio revelou a existência do trabalho. (…)

Comentários

A reportagem obteve cópia de uma das planilhas de intervenção feita pela equipe. Em três páginas, constam 281 intervenções feitas pelos profissionais. Os jornalistas têm como foco publicar comentários favoráveis a Sarney em blogs de jornalistas políticos e nas redes sociais, como Orkut e Twitter.

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Eu suspeito fortemente que esta não é uma estratégia inovadora por parte do Sr. Lins Filho.  Há tempos tenho reparado que via de regra os primeiros comentários que aparecem nas reportagens do Estadão são consistemente virulentos e anti-governistas.

Não é fora de propósito imaginar que marqueteiros e estrategistas políticos estão apostando na hipótese de que as redes sociais e os mecanismos participativos da Web 2.0 em geral podem ser hackeados de forma a “inclinar o mercado” das idéias.  Resta saber se dá certo…

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