Mas não, este post não tem nada a ver com o Sarney.  🙂

Talvez alguns dos meus 4,5 leitores já tenham lido sobre microcrédito.  Bem, hoje já existem possivelmente centenas ou milhares de esquemas diferentes, mas ao menos nos primórdios, naqueles esquemas aparentados ao do Grameen Bank, uma das coisas que fazia o sistema funcionar era que o empréstimo era feito em “clubinhos” de caráter bem local. E preferencialmente para mulheres.  Com isso ficava muito reduzido o perigo do default _ porque havia uma questão de decoro entre as tomadoras de empréstimo, que não queriam ser vistas pelas outras como caloteiras.

Este post do Credit Slips lembra que, antes da desregulação bancária nos EUA, havia um poderoso esquema de bancos locais _ e neles, funcionava um pouco o espírito reverso, porque o banqueiro ou o gerente eram da própria cidade, conheciam todo mundo, e seu negócio tinha um nome a zelar.

Essa é uma discussão importante e traz de volta a questão do “too big to fail“: bancos grandes são mais eficientes, é verdade, mas também criam um severo problema de risco moral.

Isso também me lembra uma matéria do NYT de ontem, sobre as resistências que o pessoal do antitruste tem encontrado até mesmo dentro do governo Obama, no desejo de reverter a política laissez faire de Bush.  Falando sobre os setores onde têm havido mais resistência a essa reversão de política, diz o jornal:

In a third area, a White House effort to overhaul financial regulation, officials weighed but rejected a significant antitrust role as a way to reduce the size of large companies considered too big to be allowed to fail.”

Dureza.

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