road-ahead

Quando é que fui realmente assaltado pela primeira vez por uma sensação de nostalgia?

Bem, acho que nem todo mundo consegue se recordar disso com exatidão; eu consigo.  Minhas primeiras experiências nostálgicas ocorreram já muitos anos depois de vir morar em Brasília, nas ocasiões em que eu visitava o Rio de Janeiro.  Era realmente impossível evitar que as recordações viessem aos borbotões; eu entrava em um cinema ou restaurante e me lembrava de todas as ocasiões marcantes da minha vida que haviam se passado ali.  “Tudo ao mesmo tempo agora”.

Agora, esse foi um processo lento.  Das primeiras vezes que eu voltava ao Rio, tudo era muito natural, muito familiar.  Depois de algum tempo, porém, fui me sentindo estrangeiro; não conseguia me livrar da sensação que minha verdadeira casa agora era Brasília.  Foi exatamente neste momento que passei a tornar-me um nostálgico.

Fiquei pensando nessas coisas ao ler este post do David, no Alto Volta.  Pô, o cara tem trinta anos.  Tá meio cedo pra nostalgia.  Principalmente porque é daqueles sentimentos dos quais a gente não se livra facilmente depois de experimentado; pelo contrário, a nostalgia é uma senhora exigente, e a gente tem que fazer um certo esforço, elaborar uma determinada arte, para evitá-la.  Porque se isso acontecer é sinal certo de que você se tornará um sujeito obcecado com o retrovisor, ao invés de olhar para a estrada.