Deu no Correio Braziliense:

Serra critica política econômica, mas elogia BNDES

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), criticou hoje a política econômica do governo federal, mas fez ressalvas ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que recebeu elogios por sua política de financiamento de obras de infraestrutura no país, especialmente na área de transporte.

“Todo o Brasil sabe que eu tenho divergências sobre a política econômica do governo federal, que, em seu conjunto, tem partes corretas e partes erradas”, afirmou o governador. “A errada é a política monetária e de câmbio, que, aliás, prejudica as atividades de produção de bens e equipamentos porque a indústria se torna pouco competitiva. O estrangeiro cada vez mais pode vender mais barato ao Brasil porque o dólar tem um valor irreal, e isso está acontecendo de novo”, disse Serra.

“Agora, tem o lado certo da política econômica do governo, e um desses aspectos é a política do BNDES. Queria publicamente aqui congratular a ação que o banco vem fazendo sob a presidência de Luciano Coutinho. Não estou dizendo isso porque o Luciano é meu amigo, colega da Universidade de Campinas e estudou na mesma universidade que eu nos Estados Unidos. Estou fazendo uma homenagem que faria a uma pessoa como homem público, pelo trabalho que vem fazendo”, declarou.

E tem mais:

“Temos de defender o BNDES, o FAT e essa prática de o FAT financiar o desenvolvimento porque ela está sempre sob perigo. Vive tendo gente escrevendo contra isso e, se no futuro pudessem, fariam uma modificação. Mas no caso teriam de passar pelo nosso cadáver, coisa que não vai acontecer porque ainda vamos viver muitos anos”, afirmou.

“Quero dizer também que o BNDES empresta recursos do FAT, que não são recursos subsidiados. Tem muita gente neoliberal em economia dizendo que para baixar juros não tinha que ter juro oficial, tinha que nivelar tudo. Aí ninguém conseguiria investir em nada, até porque no Brasil não tem financiamento interno para trens. Ou pega lá fora ou pega do BNDES. Vocês imaginam se tirarem esse dinheiro”, afirmou. “O FAT foi resultado de uma iniciativa minha na Constituinte. Na época eu coloquei 40% para ser investido a cada ano no BNDES. Deveria ter posto 80%, mas na época parecia bastante.”

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Pois é, o apoio do Tio Rei a Serra fica cada vez mais estranho.

Por exemplo, Tio Rei vive dizendo que a única virtude do governo atual é não ter destruído a política econômica do governo anterior.  Mas Serra critica a atual política econômica _ tal como criticava a política econômica anterior.  Aliás, basta ver as críticas dele à política cambial para vermos onde é que ele pretende parar.

Por outro lado, Serra elogia o BNDES.  Eis, por exemplo, o que Tio Rei acha do BNDES:

Lula mudou uma lei apenas para permitir que Sérgio Andrade, seu amigo, principal financiador de sua campanha e um dos donos da Oi, comprasse a Brasil Telecom. Não! Escrevi errado: ele mudou a lei para LEGALIZAR uma compra que já havia sido feita. Mas não só isso: o BNDES, um banco público, foi um dos financiadores da operação. Dada a seqüência temporal, um banco oficial se comprometeu a financiar uma operação ilegal. Mas se tinha a certeza de que o Apedeuta cumpriria a sua parte. E ele cumpriu. Fundos de pensão – vale dizer: sindicatos de estatais – são donos de uma parcela da Oi. Assim, dinheiro público, do BNDES, financia a fatia do “privatismo” do sindicalismo petista – que é onde, hoje em dia, está o dinheiro.”

Além de continuar repetindo uma mentira esperando que ela se transforme em uma verdade _ o governo não teve que alterar Lei alguma para viabilizar a fusão da BrT com a Oi _ Tio Rei mete o malho no BNDES.

Então, porque é que Tio Rei apóia Serra?  Das duas uma:

a) Ou o problema dele não é de fato o BNDES ou a política econômica, mas apenas um compromisso de apoiar Serra (e aí entra a minha suspeita de que ele seja apenas a linha auxiliar para atrair a direita para Serra);

b) Ou ele detesta tanto a esquerda a ponto de apoiar Serra como o que percebe ser o menor dos males.

“Opiniães?”

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