Deu no Estadão:

STF libera divulgação de salários de servidores de SP

SÃO PAULO – O Supremo Tribunal Federal (STF) liberou a divulgação na internet da remuneração bruta mensal dos servidores do município de São Paulo. A decisão foi do presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, que deferiu liminar suspendendo duas decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) contrárias à divulgação dos dados.

“Por impedir a publicidade dos gastos estatais relacionados à remuneração mensal dos servidores públicos”, disse o ministro, as decisões do TJ-SP causam grave lesão à ordem pública, “com efeitos negativos para o exercício consistente do controle oficial e social de parte dos gastos públicos”, concluiu o presidente do STF, ao deferir a liminar na Suspensão de Segurança (SS) 3902.

A questão constitucional envolvida na publicação das informações no site “De olho nas contas”, explicou o ministro, está em saber se a divulgação da remuneração bruta mensal dos servidores paulistanos importa em respeito ao princípio da publicidade – pela transparência dada aos gastos públicos -, ou se se trata de exposição indevida dos servidores, em desrespeito à intimidade da vida privada dos cidadãos.

Para Gilmar Mendes, a remuneração bruta mensal dos servidores públicos é um gasto do poder público que deve guardar correspondência com a previsão legal, com o teto remuneratório do funcionalismo e até mesmo com as metas de responsabilidade fiscal, frisou o ministro em sua decisão. Dessa forma, não se pode desconsiderar que a planilha de dados e informações divulgadas pelo município de São Paulo, em princípio, permitiu constatar a existência de diversas remunerações que excedem, aparentemente, até mesmo o teto remuneratório federal, com valores que quase alcançam R$ 50 mil, salientou o ministro.

“Isso não significa, necessariamente, ilicitudes”, frisou Gilmar Mendes, fazendo menção a possíveis imprecisões nas informações – apontadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, em sua edição de segunda-feira -, mas permite o controle social e oficial sobre os gastos públicos e sobre a atuação adequada da administração, para dar exatidão às informações prestadas.

Trata-se, meus caros, de rematada babaquice.   É para apurar tais coisas que existem o controle interno e o controle externo da administração pública.

Tem mais: a lista só mostra a remuneração bruta.  Só com essa informação não é possível deduzir nada, porque a remuneração total é composta do salário mais parcelas variáveis por cada situação individual, como, por exemplo, vantagens pessoais advindas de sentenças judiciais.

Ademais, se a idéia era só essa _ dar transparência a “possíveis ilegalidades” _ isso podia ser feito sem dar nomes aos bois, isto é, publicizar os nomes dos funcionários junto às suas remunerações.

Mas ainda assim, eu toparia botar o meu salário na rua, nominalmente identificado.  SE o Gilmar topar em fazer o mesmo com todo o Poder Judiciário.  Afinal, se o remédio é bom, deve ser para todo mundo, ou não?

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