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Reflexão luminosa sobre as águas do Paranoá:

Da natureza do funcionalismo público no Brasil

Há pessoas estarrecidas com os fatos revelados sobre os gastos do Senado. Garanto – porque sei – a realidade mal começou a ser revelada. Não se chegou ainda à publicidade dos contracheques, à realidade das horas realmente trabalhadas, aos funcionários fantasmas e, por fim, aos esquemas de financiamento de campanha e de enriquecimento ilícito. Acho, inclusive, que a investigação não poderá ir muito mais longe – nesse caso será necessário processar mais de uma dezena de senadores por quebra do decoro parlamentar. Há pessoas julgando esses fatos uma excrescência, uma aberração. Não são. A situação vivida pelo Senado é apenas a aplicação da lógica férrea de certos empregos públicos no Brasil, concentrados no Judiciário e no Legislativo. Ela começa com a auto-exaltação da própria importância para justificar salários muito acima dos pagos pelo mercado para o mesmo nível de atividade e por tempo recorrente menor de atividade. O funcionário do Senado imagina merecer um prêmio salarial pela proximidade do poder político, quando, na verdade, pratica uma chantagem implícita e busca vantagens associando-se aos parlamentares dispostos ao crime eleitoral e outros crimes. Os parlamentares ainda sofrem, ao menos, as pressões financeiras do processo eleitoral; no caso da elite dos funcionários públicos do Legislativo é só uma elite do crime.

Leio hoje nas folhas que os professores do município de São Paulo entraram na justiça para evitar a publicidade dos seus salários. Não, não é porque são baixos e depreciariam a imagem dos professores. É porque a indústria dos processos trabalhistas seria exposta e seus abonado beneficiários “ficariam expostos a sequestros”, segundo o sindicato dos professores. Talvez tenha sido essa a principal notícia do dia.

***

De fato, quem não conhece Brasília é totalmente incapaz de entender a diferença no ethos profissional entre funcionários do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.  No Legislativo eu tenho a impressão de que a coisa é ainda mais grave, porque, diferentemente do Executivo e do Judiciário, a mensuração do desempenho do poder que faz as leis é um conceito extremamente abstrato, e o pouco de concretude que existe guarda uma relação das mais diáfanas com o desempenho dos seus funcionários, concursados ou não.  Para piorar, existe, de fato, este efeito aura, que contamina em alto grau o espírito de corpo dos funcionários das duas Casas.  Mas devo fazer justiça aos consultores e analistas legislativos concursados: estes, em geral, são bem preparados e eficientes.

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Como todo republicano careta, o Governador da Carolina do Sul, Mark Samford, tinha seu esqueleto no armário. No caso dele, um affair extraconjugal com Maria Belen Chapur, uma jornalista argentina.

O causo foi descoberto porque quando Maria Chapur envolveu-se com Samford, namorava um outro sujeito.  O sujeito, porém, vigiava os e-mails da namorada e, ao descobrir que era corneado, enviou-os para um jornal norte-americano.  E pimba.

Até aí, enfim, tudo bem, mas o curioso mesmo é como o Brasil teima em se envolver com os escândalos de governadores norte-americanos.  Pois os e-mails comprometedores foram escritos enquanto a mouça estava com o namorado em Ilhabela, no litoral paulista, ao que parece por causa de uma regata promovida pela Rolex:

From: Maria

Sent: Friday, July 04, 2008 4:26 PM

To: Mark Sanford

Subject: RE:

My beloved, (hope you also change the dearest …)

I’am (sic) reading your last two mails sitting outside with a great seaview here in Ilhabela, a beautiful island near Sao Paulo. Have been thinking of you while watching the beautiful blue sea (a) great part of my day and remembering with a great smile on my face, the time we had spent together. (…)”

***

“From: Maria

Sent: Wednesday, July 09, 2008 8:14 PM

To: Mark Sanford

Subject: RE:

My love,

I decided to rent a car and went by myself to the other side of the Island where it is located one of the best hotels. It’s name is DPNY Hotel and I find it quite interesting. I had lunch there in a restaurant on the beach with great seaview. I sat under a palm and ate a mixed green salad with grilled abacaxi (pineapple) and honey. in the afternoon I sunbathe and read on the beach. I ve started here “The age of turbulence” from Alan Greenspan which I highly recomend (sic) you. At five I left back to the small town had a coffee with pao de queijo (cheese bread which is something tipycal (sic) from Brazl (sic) and it’s delicious) read some magazines, walked around and finally back to meu Pousada that is hotel.

In the Island is taking place the sailing week and Rolex competition and this was the reason for choosing the place and also why luckily I am most of the time by my own. It may sound bad but it’s how I feel it. As I told you I shouldn’t have done this trip but I would have felt worst if I wouldn’t have come because it was too over the date, he is a very nice guy, great heart … but unfortunately I am not in love with him …

Posso imaginar que ler uma coisa dessas é um golpe duro para qualquer sujeito, ainda mais um argentino.  Imagine, o cara lá, no veleiro, lutando contra os elementos, e a mulé mandando e-mails sebosos para o gringo.

Razão pela qual os vídeos no YouTube estão recebendo calorosas mensagens como essa:

Argentina is a ‘little Europe’ in South America!!! We dont want your fucking GreenCard, we don’t cross borders ILLEGALLY, we did not a VISA to enter USA. We are more than 5,000 fucking miles away, for God’s sake!!! THere are more Americans getting Argentine citizenship than the othe way round, fucking redneck!!!

WTF, redneck!!! We Argentineans have nothing to do with Mexicans!!! Argentina is a 97% White country, and we don’t even understand Mexicans when they speak since we speak different Spanish!!! Go to school, redneck!!!

Nada como uma boa putaria para fazer aflorar o lado mais obscuro das pessoas, não é mesmo?

***

Um curioso artigo de Sanford, durante as eleições americanas.

Aqui.

Please meet the nice world of narco corridos.

beatles-cover

How the Beatles Destroyed Rock ’n’ Roll is a history of American popular music stripped of the familiar clichés of jazz and rock history. Tracing the evolution of popular music through developing tastes, trends and technologies, rather than applying modern standards and genre categories, it gives a fuller, more balanced look at the broad variety of styles that captured listeners over the course of the twentieth century.

Wald goes back to original sources—recordings, period articles, memoirs and interviews—in an attempt to understand how music was heard and experienced over the years. He pays particular attention to the world of working musicians and ordinary listeners rather than to stars and specialists, looking at the evolution of jazz as dance music and of rock ‘n’ roll in terms of the teenage girls who made up the bulk of its early audience. There are plenty of famous names—Duke Ellington, Benny Goodman, Frank Sinatra, Elvis Presley, the Beatles—but they are placed alongside figures like Paul Whiteman, Guy Lombardo, Mitch Miller, Jo Stafford, Ricky Nelson and the Shirelles, who in some cases were far more popular and more accurately represent the mainstream of their times.

As the title suggests, this is not a hesitant or stolidly academic history, but neither is it heedlessly provocative. Wald’s intention was to explore the past with an open mind, asking some new questions and answering them as honestly and accurately as possible, and to make sense of times and people who often seem very foreign, though they are our own parents and grandparents. He has also tried to make that journey amusing and interesting, whatever we may think of ballroom orchestras, bobby-soxers, pop balladeers or British invaders.”

***

Let the fight begin.

***

UPDATE:  Deu no Estadão:

Direitos de Jackson sobre obra dos Beatles estão em risco

LOS ANGELES – Os Beatles estão à venda? O premiado catálogo do quarteto de Liverpool –especificamente 267 canções escritas em sua maioria por John Lennon e Paul McCartney– está entrando em uma longa e sinuosa estrada de incertezas sobre quem detém seus direitos após a morte de Michael Jackson na quinta-feira.

O cantor pop e a Sony Music operavam uma lucrativa joint venture que é dona ou administra os direitos de cerca de 750.000 composições de astros como Bob Dylan, Neil Diamond, Taylor Swift e os Jonas Brothers.

Analistas da indústria estimam que a Sony/ATV Music Publishing vale pelo menos 1 bilhão de dólares, o que faz de Jackson um artista ainda mais visionário. Seu investimento inicial custou 47,5 milhões de dólares em 1985.

Os direitos de divulgação são considerados uma licença para imprimir dinheiro. Menos empolgante que o mundo da pirataria musical, trata-se de coletar royalties de produtos diferentes, como downloads, exibições no rádio e videogames.

Mas agora há um mistério sobre quem se beneficiará da propriedade da fatia de Jackson. Segundo uma ação movida em 2002 por um credor, ele pediu empréstimos bancários que totalizavam 270 milhões de dólares dois anos antes usando como garantia sua participação na Sony/ATV e os direitos sobre suas próprias composições.”

***

Já imaginaram se tudo isso terminar com a Lisa Presley?  É sinal do fim dos tempos.

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