A pendenga está grossa.  O Idelber dá o caminho das pedras, aqui.

Eu estou com preguiiiiiiça de escrever sobre isso _ aliás, hoje eu estou com preguiça de escrever sobre qualquer coisa.  Mas abro uma exceção: foi pelo Idelber que cheguei a este texto do Leonardo Sakamoto, que saúda a medida, mas discorda da argumentação do Gilmar Mendes:

Por fim, não poderia deixar de comentar as justificativas bizarras do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, na defesa do fim da obrigatoriedade. Fiquei espantado com o baixo nível da argumentação e me perguntei se ele chegou realmente a estudar o caso ou falou algo de improviso. Pincei apenas um trecho para terem idéia:

“A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia – nesse sentido por não implicar tais riscos não poderia exigir um diploma para exercer a profissão.”

O jornalismo causa danos mais amplos e profundos do que a queda de uma ponte ou um erro médico. A incompetência, preguiça ou má fé de nós, jornalistas, pode acabar com vidas de um dia para noite. Não fazer uma faculdade não significa exercer a profissão sem critérios e sem se responsabilizar pelas conseqüências, uma vez que elas podem ser imensas. ” [grifo meu]

Genericamente, eu sou a favor do fim da exigência do diploma para jornalismo, apesar do Leandro Fortes ter levantado alguns argumentos interessantes do lado do “contra”, em particular no tocante a mídia do interior.  O problema aqui é o seguinte: despido de qualquer preconceito, se o jornalismo das capitais é o que é, não tenho muita esperança em um efeito salutar das faculdades de jornalismo sobre a mídia do interior.

Mas, voltando ao texto do Sakamoto: é com pesar que tenho que concordar com ao menos esse trecho da decisão do Gilmar Mendes, mesmo concordando que ele assim decidiu possivelmente só para sacanear o jornalismo.  Afinal, a razão pela qual o jornalismo pode causar danos não é a possível existência de um “mau jornalismo” que passa ao largo das escolas de jornalismo, mas sim porque o jornalismo é o que é, o quarto poder.  Acho que o potencial de dano passa mais pela política editorial da publicação (por exemplo, exigir que o jornalista ouça os dois lados de uma polêmica), do que pela atuação do jornalista no que diz respeito aos conteúdos do curso de jornalismo.

E isso, é claro, dá quizz:

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